Fleurir
1 Retorno
Notas iniciais
Pois bem, essa é a minha nova long-fic do nosso casal favorito ♥
Espero que apreciem a fic, sejam muito bem vindos ♥
Boa leitura.
P.S: Obrigada Ally pela capa maravilhosa ♥
Fleurir — Capítulo 1.
Retorno
"Às vezes é preciso voltar às nossas origens, para reencontrarmos nós mesmos".
— Nelson Martins.
XXX
— Parabéns aos formandos! — a voz do diretor logo foi abafada pelas palmas e gritos dos alunos e pais, eu estava ali no meio, me sentindo feliz por essa conquista em minha vida, mas porque eu ainda sentia que faltava algo? Um vazio...
Ao meu redor minhas amigas conversavam animadamente, mas suas palavras não chegavam a mim verdadeiramente, tentava prestar atenção, participar, porém estava sendo em vão. Sentia-me desanimada demais para prestar a devida atenção. Eu sentia os braços me envolverem de vez em quando e apertarem minhas mãos em felicitações, mas parecia que nada importava. Nada fazia um real sentido.
— Vamos para casa Kagome? — mamãe se dirigiu a mim, me dando um sorriso que eu prontamente retribuí, caminhamos na direção da saída. Muitas pessoas caminhavam alegres por seu bom feito — Estou muito orgulhosa de seu empenho.
— Obrigada, mamãe — eu disse lhe dirigindo o melhor sorriso que eu possuía no momento, mas a minha vida era tão mecânica agora. Entramos no carro, um Uber que ela havia chamado e logo nos dirigíamos para o templo.
Eu sentia muita falta de meus amigos, todos eles e claro sentia falta principalmente dele, Inu-Yasha. Eu o amava afinal, queria ter tido a oportunidade de viver uma vida com ele, mas me fora negado quando a Joia cumpriu seu propósito me trazendo de volta para o presente, nem me despedir eu pude. Nem mesmo um beijo... Eu sempre fantasiaria esse momento até o dia que pudesse realiza-lo, se pudesse.
Partir sem dizer o que sentia por ele, e mais, sem dar adeus aos meus outros amigos. Se eu pudesse ter a chance de voltar, eu o faria sem pensar duas vezes, porque a vida que vivo hoje não pertence mais a mim. Eu havia vivido outra vida, e acabei desenvolvendo outros valores.
A conversa rolava solta no carro, mas não pretendia participar, por vezes havia tentado retornar, mas nada deu certo. O mausoléu estava fechado novamente, mas eu sempre ia lá, me sentia melancólica todas às vezes.
Subimos as escadas como sempre, mamãe ao meu lado em silêncio. Fazia tempo que ela havia desistido de me animar, ela entendia no fim, acredito eu. Quando chegamos ao fim da escadaria, mamãe segurou minha mão e me guiou em direção ao mausoléu do poço.
— Aconteceu algo? — eu perguntei quando percebi para onde ela me levava. Estava um tempo agradável, vestia uma saia, uma camiseta simples com um casaco meia estação por cima.
— Não pode continuar assim, minha filha — mamãe me olhou, seu olhar estava determinado — algo em meu coração me diz que devemos ir ao poço, agora.
Meu coração começou a bater acelerado. O que ela estava dizendo? Eu sentia a esperança me atingir aos poucos, chegando pelas beiradas até me envolver por completo. Ela abriu a porta e me arrastou para frente do poço.
— O que vê, Kagome? — os olhos castanhos me fitaram brevemente, olhando para o fundo do poço em seguida. Obviamente ela não veria nada...
Eu imitei seu movimento e avistei a terra do fundo do poço, como todas às vezes, apoiei a mão na beirada do poço e apertei levemente, nada mudaria como sempre, sentia a esperança escapando de mim, esvaia-se aos poucos, como um balão que escapa o ar. Continuei observando o poço, enquanto era inundada por imagens do passado que eu tentava refrear a todo custo, elas estavam vindo sem minha permissão. Porém algo aconteceu, foi apenas um instante, mas eu vi o céu.
Senti meus olhos se arregalando aos poucos e minha mãe sorriu, ainda me observando — O que vê? — ela repetiu a pergunta, senti meus olhos ardendo pelo choro que se aproximava.
— O céu — eu disse meio num sussurro e minha mãe me abraçou.
— Saiba que sempre aguardarei o seu retorno, mesmo que não volte... — mamãe sussurrou para mim, enquanto eu a envolvia melhor no abraço — Mas se sua alegria e vivacidade estão lá, apenas vá, seja feliz meu amor.
— Eu te amo mamãe e obrigada — eu disse a olhando uma última vez, ou não... Guardei o máximo que pude de suas feições e a abracei uma última vez, logo me sentando na beirada do poço — Adeus — eu disse sem olha-la com medo de mudar de ideia e pulei no poço.
Eu senti no instante em que pulei, aquela sensação de viagem entre as eras me envolver, meu coração se aqueceu como há tempos não fazia. Senti meus pés tocarem o chão e a claridade me banhar. Meu coração disparou, escalei o poço o melhor que eu pude, ao que parece ninguém mais vinha aqui. O vento atingiu minha face quando coloquei a cabeça para fora, as coisas pareceram diferentes por um momento.
A primeira coisa que eu vi foi uma cabana, ela não estava ali antes. Saí do poço e sentei na beirada dele observando as coisas ao meu redor. De quem era aquela cabana? Porém a minha pergunta interna logo me foi respondida quando a vi saindo da cabana — Meninas, venham comer!
A morena se virou após a fala, segurava uma criança no colo. Os olhos chocolates pareceram me notar ali, parada, tão chocada quanto ela. Eu não me segurei mais e corri na direção dela, as lágrimas me banhando a face. A envolvi da melhor maneira que pude por causa da criança no colo dela.
— Sango! — eu disse feliz em rever minha amiga e agora mãe.
— É você mesmo? — a voz dela estava levemente embargada — Kagome! — ela segurou a criança melhor e me envolveu num abraço meio torto.
— Eu consegui voltar! — eu disse me afastando e a olhando melhor, Sango não havia mudado nada — Céus, imagina isso?
— Com quem está… — a frase morreu na metade, quando Miroku nos fitou, os olhos se arregalando também, a mão indo para a boca em surpresa — Kagome?
— Miroku! — eu exclamei alegre, largando Sango e correndo na direção dele, o abraçando também, tamanha era minha alegria.
— Quem é essa que está abraçando o papai, mamãe? — escutei uma voz infantil perguntar, e me virei, me afastando de Miroku.
Duas meninas me olhavam estranho, gêmeas. Eram a cara de Sango, provavelmente filhas deles. — Uma amiga muito querida — Sango disse ainda me olhando embasbacada. — Venha Kagome, almoce conosco.
— Certo — eu disse a olhando se aproximar de mim, logo adentrávamos a pequena, porém aconchegante cabana, era similar a de Kaede — Como as coisas tem passado desde que eu fui embora?
Sango e Miroku me colocaram a par de tudo. Contaram que Shippou estava fora, treinando o fogo de raposa, que estavam casados desde que Naraku havia sido derrotado e que ela engravidou na primeira noite deles, contaram também que Rin estava morando há algum tempo no vilarejo e que Sesshoumaru vinha visitá-la de vez em quando. Kouga também havia se casado com Ayame, e era pai de um menino.
— E Inu-Yasha? — perguntei quando percebi que nenhum dos dois tocaria no nome dele, estava ansiosa para vê-lo. Ambos trocaram olhares desconfortáveis e eu percebi que, apenas talvez, eu não quisesse saber de verdade.
— Vamos à cabana de Kaede, — Sango disse se levantando e entregando o bebê para o marido que prontamente o pegou — vê-la e a Rin também, quando chegarmos lá, você entenderá.
Eu senti um peso no coração instantaneamente, uma angústia que não estava ali antes, ela começou pequena e logo me sufocava, respirar era uma tarefa difícil. Meu coração estava me dando algum recado, porém qual? Sabia que era algo que não gostaria. Saí da cabana de Sango, seguindo por um caminho que eu conhecia bem, como eu sentia falta daquela paisagem, daquele ar.
— Você veio pra ficar? — Sango perguntou me olhando de soslaio e eu apenas assenti feliz, sabia que mesmo se quisesse, o poço não ligaria mais as eras — Entendo, deve ser difícil conseguir voltar…
— Demorou três anos para que houvesse essa chance, talvez não exista outra — eu disse a olhando melhor, ela parecia levemente chateada, aquele aperto se intensificando aos poucos — Algo aconteceu, não foi?
— É complicado Kah — ela disse apertando as mãos de modo ansioso, a cabana de Kaede a nossa frente, Sango entrou e eu a segui — Olha quem veio nos ver.
As duas nos olharam surpresas, Rin já era uma moça, devia estar beirando os 12 anos e a vovó Kaede parecia ainda mais idosa, elas estavam chocadas no fim, eu sabia.
— Olá — eu disse me aproximando delas, e me sentando. Fui bombardeada de perguntas e respondi a todas, eu sentia falta delas, mesmo que Rin não fosse tão próxima assim. Meu coração acelerou de repente, sabia que devia ser ele que estava chegando e logo ouvi mais alguém entrando na cabana.
— Velhota, o que tem para... — porém ele não continuou, a frase jogada no ar, os dourados arregalados e a boca aberta em surpresa. Ao seu lado uma garota o segurava pelo braço, os olhos negros focaram em mim com curiosidade e eu apenas conseguia olhar o quão próximos eles estavam, eram íntimos. Entendi tudo no instante em que coloquei meus olhos neles, entendendo a angústia de meu coração e o desconforto de meus amigos — Kagome?
Ele perguntou ainda confuso, desacreditado, parecendo não crer que me via bem ali na frente dele, eu os analisei novamente, a garota usava um kimono roxo, os cabelos loiros eram curtos e os olhos negros me fitavam com total curiosidade, porém o entendimento me atingiu como se uma locomotiva me atropelasse.
Inu-Yasha havia seguido em frente.
Notas finais
Espero que tenham gostado.
Postarei todos os capítulos disponíveis no spirit para ficar igual ♥
Obrigada por terem lido.
Bjos baby *m*
Fale com o autor