Notas iniciais
Porém, apenas deixando claro desde agora, nessa história, estou explorando o desenvolver dos personagens como um casal e apenas isso...

Fleurir — Capítulo 3.

Mudança

"A mudança é a lei da vida. Aqueles que olham apenas para o passado ou para o presente, serão esquecidos no futuro…".

— John F. Kennedy.

— Tudo bem então — eu disse lhe dirigindo um sorriso.

XXX

Eu observei a criança a minha frente sorrir abertamente, eu sabia que Rin se sentia sozinha no castelo, mas sabia também que ela nunca abandonaria Sesshoumaru. Se ela me queria por perto, eu ficaria até o momento do retorno de Shippou, porque ele sim precisaria de mim. Aposto que ficaria chateado com tudo, mas ele entenderia no fim.

— Podemos ir agora se você quiser — ela disse atraindo minha atenção, eu estava tão absorta em meus pensamentos que não havia percebido que ela já estava com suas coisas — Eu já ia retornar para o Oeste hoje mesmo…

— Pode ser, mas eu não tenho nada… — eu disse me levantando, Kaede estava ali também.

— Tenho algumas vestes guardadas, se quiser levar, é tudo o que posso lhe oferecer por hora — ela disse serena e me dirigiu um sorriso doce. Entrou na cabana para buscar as roupas.

— Mal chegou e já vai embora? — Inu-Yasha perguntou parando próximo de mim, os olhos cor de mel estavam indecifráveis para mim e sendo sincera, neste momento não fazia questão de entendê-lo, ou se quer tentar.

— Minha estadia aqui não vai mudar nada — eu disse o olhando mais seria que eu conseguia, porém eu sabia que ele conseguia ver a magoa — agora terei que viver minha vida aqui, então vou buscar algo que me adicione.

— Pode aprender com Kaede — ele continuou, eu desconfiava que no fundo ele não quisesse que eu sumisse das vistas dele de novo, mas agora não existia mais um lugar para mim ali, uma vez que ainda sentia algo por ele.

— Não duvido da capacidade dela, mas realmente eu preciso ir — eu disse sem olhar para ele, afinal Kaede se aproximava com as vestes. Elas eram similares a dela, porém eram verdes — Obrigada vovó.

— Que isso menina, elas ficarão melhores em você — ela me dirigiu um sorriso, enquanto me entregava às roupas — Quando chegar ao templo, procure por Mestre Fujimoto ou Senhor Takeo, diga que Kaede a enviou.

O tempo todo Sesshoumaru nada disse, não que eu esperasse que ele dissesse algo, os ambares não focaram em mim novamente, e duvidava que ele fosse dirigi-los a mim, estava lá, parado em sua imponência e Rin ao seu lado. Quanto tempo eles deviam estar aqui? Rin parecia me esperar, como se soubesse que eu estava me aproximando. Estava na hora de partir. O youkai verde estava ali, mais afastado, Jaken sempre demonstrava o quanto os humanos o enojavam. Arurun se não me engano, estava ali também e acho que seria nele que Rin seria transportada.

— Acho que já vou então — eu disse ajeitando as roupas e as colocando no braço — Virei visitar sempre que possível, e assim que Shippou retornar me avise. Quero muito vê-lo.

— Fique tranquila, ele ficará feliz com seu retorno — Kaede disse me dirigindo um sorriso mais murcho, talvez ela também não quisesse que eu partisse de novo, contudo, respeitava a minha vontade — Volte sempre…

— Pode deixar — eu assenti, virando-me na direção do youkai — Desculpe te atrasar…

Ele nada disse, apenas voltou o olhar para mim. Acredito que era a primeira vez que eu o olhava diretamente assim, tão perto e tão abertamente. Ele era muito bonito, e isso eu já sabia, mas de perto assim não podia negar o quão belo era. Arurun se aproximou, Rin subiu nele e sorriu para mim, me convidando.

— Pode subir, ele não morde — ela acariciou uma das cabeças do youkai, ele continuava abaixado, aguardando que eu subisse também, assim o fiz — Podemos ir agora, Arurun.

O youkai passou a se mover, assim como Sesshoumaru. Eu não olhei para trás quando parti, não havia um motivo para tal. Eu havia retornado para o passado para continuar o que havíamos começado naquela época, porém agora, isso não fazia mais sentido. Não tinha mais um significado...

— Onde você estava Kagome? — Rin perguntou com curiosidade, me olhando no processo, ela parecia realmente feliz em me ter com ela. E no momento, mesmo que não parecesse, eu me sentia grata por ela estar me tirando dali.

— Em casa — eu disse de forma pensativa, parecia estar me perdendo em meus pensamentos — Sabe, de onde eu vim...

— É muito longe? — ela perguntou interessada, Sesshoumaru seguia ao nosso lado, mas não parecia prestar atenção, e se estivesse, mudava o que?

— Teoricamente não — eu disse dando um sorriso, pensando com carinho em meu lar — eu moro onde está a casa de Sango hoje — Rin pareceu querer questionar como, mas eu continuei antes que ela o fizesse — Mas no futuro, 500 anos a frente.

— Por isso você usa essas roupas estranhas? — ela perguntou apontando para minha saia e camiseta. Eu apenas assenti dando um sorriso — Como você veio parar aqui então?

— Da primeira vez? — eu perguntei confusa sem saber se ela queria saber dessa vez ou da outra. Ela assentiu e eu continuei — Foi por causa da Joia de quatro almas que estava em meu corpo — e eu lhe fiz um breve resumo de como vim parar no passado. — Quando derrotamos Naraku e eu desejei que a Joia sumisse, ela me levou de volta para o meu tempo, e trouxe Inu-Yasha de volta para cá.

— Foi difícil se acostumar? — ela perguntou ainda interessada no assunto, o castelo já a vista.

— No meu tempo não existem youkais… — eu dei um sorriso sincero — ou se existe estão muito bem camuflados, e quando cheguei aqui, viver tudo isso… — eu pensei em tudo por um instante — É coisa demais…

— Ainda bem que voltou — ela disse olhando para frente de novo — Eu gosto de você, senti saudades.

— Eu também, — eu olhei para a lua, sabendo que já estávamos chegando ao nosso destino — eu também…

Adentramos o castelo, Sesshoumaru não disse nada e eu não queria força-lo a falar comigo, eu queria que ele me dissesse algo, mas nem eu sei o que. Eu ainda estava angustiada por tudo o que tinha acontecido, voltei para viver um amor que eu tinha certeza ser certo e no fim quebrar a cara.

O castelo era muito bonito, mas agora que eu tinha deixado Inu-Yasha de lado, eu não conseguia mais segurar o que estava sentindo e sentia aquela angústia começar a me atingir de novo. Rin me olhava com frequência e sorria também.

— Kagome pode dormir comigo hoje, senhor Sesshoumaru? — Rin perguntou o olhando pidona, ele apenas a olhou — Ela ainda não tem um quarto sabe…

— Se ela assim quiser — ele disse me olhando e depois olhando para a criança.

— Obrigada! — ela me olhou — Vamos para o meu quarto — e passou a seguir numa direção que eu julgava ser a de seu quarto. Antes de segui-la me virei para o youkai que ainda estava ali.

— Obrigada — e fiz uma leve reverência, seguindo a criança em seguida. Porém ela não foi para o quarto como eu pensei a princípio — onde estamos?

— Você não comeu… — ela me olhou confusa — achei que estivesse com fome.

Eu assenti e me servi de comida, era uma cozinha grande e vazia. Rin também comeu e depois seguimos para o quarto dela. Ele era grande e tinha uma varanda que dava para um jardim. Ela me mostrou as coisas dela e me fez várias outras perguntas, porém não demorou muito para que ela fosse vencida pelo sono.

Sesshoumaru havia sido gentil quando me mandou algumas roupas para dormir, uma criada havia trazido há pouco tempo, me banhei e coloquei uma yukata leve, ela era curta, mas eu ia dormir mesmo. Trancei meu cabelo, ele estava na altura da cintura e me sentei na varanda do quarto.

Rin estava dormindo há algum tempo, por isso não iria me ver. Acontece que eu não estava mais conseguindo segurar a vontade de chorar. Eu me sentia muito mal pelo o que tinha acontecido. Estava tão cega por poder voltar e ficar com ele que nunca passou pela minha cabeça que ele seguiria com a vida dele sem mim.

Envolvi minhas pernas, sentindo aquele bolo na garganta piorar. Eu esperei por ele, não tinha ficado com ninguém porque eu sabia que esse momento chegaria e eu enfim conseguiria voltar para ele. Porém, ele não pensou o mesmo. Se pudesse voltar no tempo, me impediria, contaria que ele não me amava mais e que tinha seguido em frente, não valia o sacrifício.

A lua parecia brilhar mais forte ali, era linda. Eu sentia sua luz me banhar, nada podia se esconder dela, nem mesmo minha dor. Porque não segui em frente também? Porque não dei chances aos garotos nesses três anos? Eu me sentia uma idiota agora. Uma movimentação dentro do quarto atraiu minha atenção, mas era apenas Rin se ajeitando na cama.

A esposa dele era muito bonita. Não podia negar aquilo, porém para mim, ele apenas não quis esperar e se ver cada vez mais sozinho. Esse sentimento vai morrer em mim, eu não tinha mais escolhas, era necessária uma mudança em mim primeiro, para depois acontecer no resto. Estiquei minhas pernas, as deixando suspensas na beirada da varanda. O que mais poderia acontecer na minha vida? O casamento de Inu-Yasha mudou as coisas para mim, todavia agora eu precisava me adaptar a isso.

Balancei as pernas, quem me visse agora me acharia uma criança. Funguei um pouco, eu já estava parando de chorar, nem sei que horas eram, mas já estava tarde. Observei melhor aquela parte do castelo, havia mais duas portas pra esse lado, e uma delas estava entreaberta. Apoiado há uma árvore, sentado casualmente estava Sesshoumaru, ele estava apenas com a parte de baixo da roupa, o peito exposto.

Há quanto tempo será que ele está ali? Eu me senti envergonhada por um momento, mas a minha dor só diz respeito a mim. Ele estava de olhos fechados, parecia refletir sobre algo. A luz da lua banhando a pele pálida dele, lindo. O pensamento brotou em minha mente sem autorização e eu me repreendi por isso. Ele sempre seria lindo, mas inalcançável. Limpei meu rosto, as lágrimas haviam secado ali, e me levantei.

Quando o fiz, os ambares focaram em mim e me senti envergonhada de novo, porém nada disse, apenas lhe dei as costas e entrei no quarto novamente.

—-

O templo era no meio da floresta, porém não era tão longe do castelo como eu imaginei que seria. Havia uma longa escadaria e no topo tinha visível um tori, mas desconfiava que houvessem outros. Eu usava as vestes que vovó Kaede havia me dado, eram iguais as dela, porém a calça era verde, prendi meu cabelo com a fita, e usava uma geta de madeira baixa.

Havia vindo sozinha, logo que acordei, apenas tomei um café da manhã com Rin e saí. Ela queria ter me acompanhado, porém eu a disse que devia vir sozinha, apenas pedi a orientação com uma das criadas e segui. Comecei a subir a longa escadaria com todo o respeito que podia, sem pressa, sem pular degraus. Quando cheguei ao fim, havia um youkai, ele estava com as mãos enfiadas nas mangas do kimono e me olhava com interesse. Seu cabelo era azul e desgrenhado, mas dava um charme a ele, a pele pálida e os olhos chocolates. Usava um kimono azul claro, vestes tradicionais de sacerdote.

— Sou Kagome Higurashi — eu disse fazendo uma leve reverência — A sacerdotisa Kaede me enviou, estou procurando por mestre Fujimoto ou senhor Takeo.

Notas finais
Obrigada por terem lido. Bjos baby *m*