Notas iniciais
Contém hentai.

Fleurir — Capítulo 16

Marcada

"Frio por fora e quente por dentro. Talvez esses choques térmicos faça de mim alguém tão indecifrável".

Ana Carolina

Eu sabia que Inu-Yasha estava com ciúmes, ainda mais por saber como ele se portava em relação aos sentimentos dele, mas eu não. Eu havia me libertado do sentimento cego que tinha por ele e encontrei o amor onde menos esperava, com esse homem quieto e frio, mas que era capaz de amar como ninguém.

XXX

Dois dias haviam passado desde que fomos ao vilarejo de Kaede. Sesshoumaru estava trabalhando desde então, era a parte chata de se envolver com um lorde, às vezes o dever cobrava mais do que o necessário. Eu enrolei o pergaminho que estava lendo, havia terminado mais um. Como não precisava mais voltar ao templo, eu tinha muito tempo livre agora.

Levantei-me do futton ao qual estava sentada na varanda. Ainda era de manhã, e não tinha visto Sesshoumaru, ele ainda estava enfurnado no escritório e evitava incomodá-lo quando o fazia. Segui na direção da cozinha, já era hora do café da manhã, ajeitei meu kimono e segui, Rin estava saindo do cômodo quando me viu.

— Bom dia Kah — ela me dirigiu um sorriso e eu prontamente retribuí — Eu deixei que descansasse, por isso não a chamei para tomar café.

— Obrigada, eu estava mesmo precisando descansar — eu acariciei a cabeça dela — Já está indo estudar?

— Sim, Shippou também já foi — ela olhou na direção do corredor dando um suspiro chateado — preciso ir agora.

— Tudo bem, eu vou treinar também — eu disse quando ela passou por mim.

Segui na direção da cozinha, eu estava me sentindo estranha, havia dois anos que tinha a rotina de voltar ao templo, essa era a primeira segunda aqui, engraçado até. Megumi estranhou minha presença e expliquei a ela que não precisava mais voltar ao templo para treinar. Terminei de comer e voltei para o quarto, não queria incomodar Sesshoumaru, mesmo que minha vontade fosse de seguir até o escritório.

Eu havia pegado alguns pergaminhos com a permissão dele, para ler no quarto, já havia lido dois dos cinco. Porém agora não sentia vontade de ler, havia Joyeuse e meu treinamento com ela, por isso peguei a espada e meu arco e flecha. Sesshoumaru havia me dado um cinto para prender a bainha. Saí pela porta da frente e segui na direção dos portões.

— Bom dia, senhorita Kagome — Aster, um dos jovens guardas do castelo me cumprimentou, com um sorriso — Vai para o templo?

— Não — eu devolvi um sorriso a ele e continuei a falar — estou indo treinar, não é muito sensato de minha parte treinar próxima de youkais.

— Compreendo — os olhos dourados mostravam o quão desconfortável ele ficou — Devo avisar ao senhor Sesshoumaru?

— Não será necessário — eu disse abanando a mão como se mandasse deixar para lá — Apenas se ele me procurar, diga que segui para essa direção.

O youkai assentiu e eu segui meu caminho. A floresta nesse pedaço não era muito movimentada, os youkais tinham certo receio de mexer com Sesshoumaru, por isso era seguro ficar por ali. Eu não usava as vestes de sacerdotisa, estava com um kimono comum, talvez eu devesse ter mudado de roupa, mas já era tarde. Dobrei o kimono até onde deu e continuei a seguir, eu queria encontrar um local tranquilo.

Devo ter andado um quilômetro, não queria ter risco de ferir ninguém sem intenção, quando avistei uma clareira. Ela não era muito grande, mas me ajudaria. Sentei-me ao chão fazendo a posição de lótus, precisava me concentrar primeiro, limpar minha mente. Concentrada, entoava os cânticos e rezas que precisava, eu sentia a purificação acontecer e a paz se acomodar em meu coração. A floresta estava tranquila, apenas escutava os pássaros e um rio que corria próximo. Não sei quanto tempo fiquei meditando, mas sabia que havia sido muito tempo.

Peguei a espada e a retirei da bainha, seu formato mudou um pouco, ela me lembrava Tessaiga quando assumia a verdadeira forma. A lâmina havia se curvado como ela, e o dragão mais evidente, sentia minha energia sendo drenada para ela. Joyeuse... Eu tinha que confiar nela, como ela em mim. Levantei e comecei a treinar alguns ataques com ela, quem visse de longe parecia uma dança. A espada parecia aderir meu corpo, como se fosse parte dele. Meus movimentos eram contínuos e ritmados e talvez por isso eu tenha conseguido fazer com que aquelas lâminas explodissem de sua lâmina.

— Uau — exclamei sozinha no meio da clareira, eu me senti triunfante. Suor escorria por minha testa e corpo, mas não me importei.

Treinei mais um pouco mas logo cansei. Eu a coloquei novamente na bainha e peguei meu arco, haviam algumas árvores marcadas, marcas que não foram feitas por mim. Eu as usaria como alvo para minha pontaria. Concentrei minha energia nos pés, eu conseguia correr melhor agora, eu tinha montado uma sequência de lances rápidos, como Takeo me instruiu. Comecei a armar e atirar, as flechas atingiam os alvos que eu queria, não havia trazido muitas flechas e sabia que logo voltaria para o castelo, já que elas acabariam.

As flechas acertavam as árvores em sons ocos, e ritmados, quando peguei a última flecha senti uma presença atrás de mim, rapidamente me virei e apontei para o invasor. Os âmbares me fitaram surpresos, agora não sei se pela flecha em sua face ou por tê-lo percebido.

—-

Sesshoumaru.

Terminava de ler mais um pergaminho que o senhor do Sul havia me mandado. Tinha dias que eu analisava os planos de expansão dele, mas nada me interessava. Este Sesshoumaru estava feliz com os domínios que possuía e não tinha planos de expansão. Esfreguei a têmpora, estava cansado e queria ficar com Kagome.

Desde que havia a buscado no vilarejo do bastardo, não pude estar com ela. Quando voltamos, me despedi dela e vim para cá, não sei dizer há quanto tempo estou aqui, algumas horas… Talvez não. Era sempre assim, quando me focava no serviço o tempo voava. Levantei-me e segui para fora do escritório, eu precisava de um banho. Pedi a uma das criadas que o preparasse para mim e segui para o quarto, o encontrando vazio.

O cheiro de Kagome estava em todo o lugar, mas já tinha algum tempo que ela havia saído. Dois pergaminhos estavam separados em cima da mesinha, ela devia tê-los lido já. Escolhi uma roupa e segui para o banheiro. Tomei um banho rápido, precisava procurar minha fêmea, talvez ela estivesse com Rin e Shippou, ou em algum outro lugar.

Segui em direção ao local em que Rin e Shippou ficavam para estudar, mas ela não estava lá, apenas as crianças com o instrutor. Não estava na cozinha, nem na varanda ou no jardim, Kagome não estava em lugar nenhum. Segui pela saída principal, na direção dos portões, talvez ela estivesse ali conversando com os guardas como costumava fazer às vezes.

Aster estava ali, esse Sesshoumaru sabia que ele era interessado em Kagome, mas ambos também sabíamos a quem ela pertencia. Ele aprumou a postura e bateu continência quando me viu — Boa tarde, senhor Sesshoumaru — ele me cumprimentou, seu olhar estava sério, como deveria ser.

— Kagome, — eu disse o olhando, ele desviou o olhar e olhou na direção norte — a viu?

— Sim, senhor — ele disse se voltando na direção que tinha olhado antes — Senhorita Kagome disse que ia treinar e que seguiu nessa direção — ele apontou.

Sem dizer mais nada passei a caminhar na direção que ele apontou, o cheiro de Kagome estava por ali, mas num rastro fraco, há quanto tempo ela havia saído? O sol já estava começando a descer, mas ainda estava próximo do meio. Ao longe escutei sons de alguém lutando, ou simulando uma luta, segui o som e a avistei, já parecia cansada, mas ainda se movia graciosamente com a espada que havia ganho, suor escorria por seu rosto e parecia que pelo corpo também, os fios negros grudavam levemente na testa, mesmo que ela houvesse amarrado o cabelo.

Ela embainhou a espada novamente e pegou o arco, atirando flechas de forma aleatória, contudo precisas em seus alvos imaginários. Decidi me aproximar levemente, testar sua percepção, já que eu havia ocultado minha presença. As flechas já terminavam e quando cheguei próximo o suficiente, havia apenas uma flecha na aljava, porém ela me surpreendeu quando apontou a flecha para mim. Os azuis estavam ferozes até a compreensão atingi-la.

— Não me assuste assim — ela disse desarmando o arco e colocando a flecha de volta na aljava, os azuis me fitaram por um instante e ela sorriu — Terminou seu trabalho?

— Sim — eu disse me aproximando dela, e a envolvendo em meus braços. Kagome retribuiu o abraço, mas logo se afastou.

— Preciso de um banho — ela disse passando a caminhar na direção do castelo, eu seguia ao seu lado — Fazia tempo que estava aqui? — eu neguei com a cabeça — Entendo.

— Aster disse onde estaria — comentei enquanto a observava. O kimono que ela usava estava enrolado até as coxas, os cabelos presos de forma frouxa e ela aparentava estar satisfeita com o treinamento.

— Ele é bom rapaz — disse dando um sorriso. Kagome gostava de dar sorrisos, mas eu não gostava quando ela o fazia, porque o sorriso de Kagome era lindo e encantava qualquer um. Mesmo que agora ela estivesse comigo, outro a veria como a vejo… — Sesshoumaru? — eu a olhei, saindo de meus pensamentos — Você tem família?

— Minha mãe ainda vive — eu disse a olhando, os azuis mostravam total curiosidade — além de ter parentes próximos, mas que não me interessam.

— Eu tinha também — ela deu um sorriso triste — antes de vir pra cá, sabe — Kagome fitou o horizonte, perdida em pensamentos — Mãe, irmão e avô — ela deu outro sorriso triste — Meu pai também já havia falecido…

— Você sabe sobre o meu — eu comentei e os azuis se voltaram para mim, ela assentiu, voltando para seus pensamentos — Talvez agora, eu o entenda melhor. — pensei alto, mas acho que Kagome não me escutou.

Logo estávamos no castelo e ela seguiu para o banheiro, voltei ao escritório. Já estávamos juntos há um ano, Kagome despertava meu desejo e meu interesse, e ela era minha, por escolha dela. Havia se entregado por inteiro, como nenhuma havia feito antes, mesmo que demonstrasse interesse por mim. "Minha" minha fera interior sussurrou em minha mente. "Nossa" eu a corrigi. "Marque-a então" ela replicou em minha mente "Outros a desejam".

Sim, eu sabia disso, que outros a desejavam. Muitos dos meus soldados a queria, Kagome consegue encantar qualquer um e mesmo agora, depois deles terem acostumado com a ideia dela ser humana. Outros a via como eu, em sua simplicidade e espontaneidade, apenas como ela era. Observei a tapeçaria do escritório, se Kagome não quiser mais a esse Sesshoumaru eu a deixaria partir, mas porque esse simples pensamento pesa em meu coração? A ideia dela partir, era esse o problema.

Dela deixar a esse Sesshoumaru.

Batidas leves atraíram minha atenção e logo a porta fora aberta por ela, Kagome me dirigiu um sorriso entrando no cômodo e fechando a porta. Ela usava a roupa da era dela, aquelas vestes que deixa as pernas dela a mostra, assim como o corpo. Eu a observei, e vi quando suas bochechas ficaram rosadas, Kagome se aproximou de mim e eu a fiz sentar em meu colo.

— Aconteceu alguma coisa? — ela perguntou curiosa e eu neguei — Não é o que parece — ela sorriu de novo.

Como se eu pudesse dizer a ela que estava com ciúmes, apenas pelo fato de outros a desejarem tanto quanto eu? Que eu era egoísta e queria seus sorrisos dirigidos apenas para mim, assim como sua atenção? Eu sou egoísta e quero tudo apenas para mim, mas eu também sabia que era exigir demais, e o que eu podia fazer era amá-la, da mesma forma que ela me ama e demonstrar da maneira que eu sabia o quanto a queria, mesmo que ainda fosse apenas no sexo.

— Tem certeza de que não aconteceu nada? — ela perguntou de novo, voltando os azuis para mim. Como podia ser tão bela?

— Você quer ser minha? — perguntei antes que a coragem me fugisse, não era isso um pedido de casamento?

Ela me olhou envergonhada — Achei que já fosse — seu tom de voz era de dúvida, e eu achei graça.

— De forma definitiva — eu disse subindo minha mão pelas costas dela, acariciando levemente — Minha esposa.

Os azuis se arregalaram e ela assentiu, estava ainda mais sem jeito — Aceito ser sua companheira — ela me deu um selinho — Mesmo que seja num piscar de olhos para você.

— Não diga bobagens — eu disse irritado. Ela e Rin sempre vinham com esse papo de que morreriam logo. Eu a beijei, como a tempos não fazia. Suas mãos se enfiaram em meu cabelo e aprofundamos o beijo, eu a trouxe mais próximo de meu corpo, há quanto tempo não a tocava?

Eu a queria, a desejava, e sabia que ela compartilhava do mesmo desejo que eu, seu cheiro e a forma como me beijava deixava isso claro, saudade. Eu poderia transar com ela aqui, mas poderiam nos surpreender e eu não queria que ninguém nos atrapalhasse, por isso a peguei no colo e segui para o meu quarto o mais rápido que consegui, fechando a porta quando passei. Ninguém ousaria invadir meus aposentos.

— Você me assustou — ela disse dando uma leve gargalhada e seguindo na direção do futton, eu fui atrás. Sentia minha ereção começando a surgir, ela se virou e me abraçou novamente, ficando na ponta dos pés para me beijar — Eu te amo, não lembro se já disse isso antes, mas estou dizendo agora.

Eu também te amo, mas não tenho coragem de dizer em palavras, em voz alta. Eu a envolvi mais em meus braços, colando nossos corpos e ela me retribuiu, as mãos dela começaram a desamarrar o meu kimono, a estola já estava no chão. Kagome afrouxou minha calça apenas para que sua mão coubesse, me tocando. Fechei os olhos quando senti a mão dela envolver meu membro e me masturbar, ela sabia como eu gostava. Os olhos azuis me fitavam em expectativa, sua mão subia e descia e se ela continuasse daquele jeito me faria gozar, mas não queria ainda.

Segurei a mão dela fazendo com que parasse, terminamos de tirar nossas roupas e ela se deitou na cama, a observei por um instante, a pele rosada, as curvas dela, a forma como os seios dela subiam e desciam quando respirava, as bochechas rosadas de vergonha e os olhos em expectativa. Eu me pus sobre ela, a dando um selinho e descendo por seu pescoço, as mãos dela foram para meus cabelos, eu tinha um objetivo e queria atingi-lo, suguei um de seus mamilos enquanto que com o dedo a estimulava, sua intimidade ficando úmida aos poucos. Eu queria que Kagome se sentisse bem, que sentisse o prazer que causava em mim.

— Sesshoumaru — ela gemeu meu nome, puxando meu cabelo mais forte. Eu me afastei de seu mamilo, ela já estava bem excitada, como eu gostava. Me posicionei entre suas pernas e a penetrei, ela encolheu as pernas ao redor de meu corpo e gemeu, suas unhas me arranhando as costas. Eu senti a intimidade de Kagome me esmagando e eu fechei os olhos com o prazer me atingindo, nossos corpos começaram aquela dança sensual que apenas eles conheciam.

"Minha" — minha fera interior exclamou excitada e em júbilo, era difícil me concentrar quando ela queria assumir assim. "Marque-a, agora, que é sua" ela estava desesperada para fazer ela mesmo. Mas eu queria marcar Kagome, porque ela era minha. Ela me empurrou no peito, fazendo com que parasse meus movimentos, sem dizer nada ela se sentou e depois levantou, vindo em minha direção, Kagome se sentou lentamente em minha ereção, ambos acabamos gemendo. Ela começou a subir e a descer, se entregando a mim como só ela fazia, me mostrando o quanto me amava. A humana tomou meus lábios num beijo ardente e totalmente entregue.

Era a hora, eu sentia meu clímax se aproximando. Eu olhei nos olhos azuis, Kagome me olhava da mesma forma, excitada porém acima de tudo, apaixonada. — Vou marcá-la agora — eu sussurrei em seu ouvido, chupando o lóbulo de sua orelha, enquanto descia a mão até suas nádegas, dando um aperto.

— Sim — ela gemeu em resposta, continuando com os movimentos, eu me aproximei do ombro dela, na junção com o pescoço e mordi, meus caninos furando fundo na carne dela, escutei ela gemer de dor, mas nada disse. Cortei próximo de meu pulso, passando no local que havia mordido e depois lambendo.

Fiz Kagome deitar novamente e a penetrei fundo e forte, arrancando gemidos dela, e eu gostava de fazê-la gemer por mim e por minha causa. Minha fera rugia enlouquecidamente em minha cabeça, tamanho era seu júbilo. Kagome arranhou minhas costas novamente, e gemeu mais alto, sabia que ela tinha chegado lá e por isso não me segurei mais, deixei meu prazer me atingir também, caindo sobre ela quando terminou. Seus dedos me acariciavam nas costas, traçando caminhos imaginários. Me retirei dela e a fiz sentar, ela me olhou confusa.

— Faça em mim — eu puxei meu cabelo, mostrando meu pescoço. Ela estava em dúvida, mas fez o que eu disse, me marcando também. Agora estávamos oficialmente casados.

— Eu estou um pouco cansada agora, vou tirar um cochilo para o jantar — ela disse se deitando novamente, e eu a cobri.

Fiquei observando Kagome em seu sono, ela estava dormindo tranquilamente, porém algo parecia acontecer, não sei dizer o que, mas sentia dentro de mim que algo acontecia. Ainda nu, sentado ao lado dela, fiquei a observando. Os fios negros ao redor dela, a expressão serena, meu cheiro a mudando. As palavras dela invadiram meus pensamentos repentinamente. "Eu te amo, não lembro se já disse isso antes, mas estou dizendo agora."

Sorri comigo mesmo, sentindo aquele sentimento estranho preencher meu coração. Acariciei a face dela, dando um mínimo sorriso.

— Eu também te amo, minha Kagome.

Notas finais
E ai, o que acharam? Espero que tenham gostado ♥ E aqui a página no Facebook que eu fiz para anunciar as novidades e para estarmos mais próximos de alguma maneira ♥ : https://m.facebook.com/NoraCiprianoFanfics/?ref=bookmarks Obrigada por terem lido e comentado pra quem comenta -qqqq. Até os comentários, ou até o próximo capítulo. Bjos baby *m*