Fleurir
15 Escolhida
tulo 15 — Escolhida
Fleurir — Capítulo 15
Escolhida
"Deixa-me "ser" que então serei, além da tua escolhida, aquela que deseja passar os próximos mil anos com você".
— Edna Frigato.
Deu as costas e saiu do mesmo modo que entrou, tinha pressa de retornar, afinal havia deixado sua humana dormindo tranquilamente e não queria que ela desse falta de si.
XXX
Eu abri os olhos assustada, ainda estava levemente perdida e me sentia sonolenta, eu estava em minha cama e Sesshoumaru estava ali, ao meu lado. Os fios prateados ao redor dele, os âmbares focados em meu rosto e a expressão vazia, porém ainda assim ele continuava lindo aos meus olhos. Estava sentado ao lado da cama, aposto que me observando enquanto estava dormindo. Prestando uma atenção melhor os âmbares estavam distantes, pensativos até e eu conhecia aquele olhar, já havia o visto em meu passado.
Muitas vezes! Era o olhar de assassino, eu já havia me esquecido dessa expressão no rosto dele. No rosto perfeito dele…
— Está feito, não é? — eu perguntei o olhando apenas para constatar o fato, os âmbares continuaram a me fitar sem expressão. Eu sabia que tinha uma pequena chance dele fazer o trabalho por ele mesmo, mas não quis acreditar que ele o faria.
Os âmbares se voltaram para mim, como se me focando verdadeiramente e ele nada disse, mas eu senti a confirmação em seus movimentos e em seu olhar. Fitei o teto pensativa, era isso o que eles faziam, não era? Os youkais? Proteger sua honra e fazer justiça com as próprias mãos? Eu fechei os olhos pensando numa forma de aceitar aquilo, que alguém havia morrido por minha causa. A mão dele pousou em meu braço, fazendo com que eu abrisse os olhos e o olhasse.
— Está tudo bem — eu disse me sentando, ficando na altura dele. Não estava tudo tão bem assim, porém eu sabia que era algo complicado para ele, o orgulho — eu só não estou acostumada a isso, sabe? Olho por olho, dente por dente… — eu dei um sorriso afetado para ele, desviando o olhar para o pano que me cobria — o tempo que eu vim, no futuro, as coisas são diferentes Sesshoumaru.
Ele se aproximou mais, sem dizer uma palavra e me envolveu num meio abraço, colando nossos corpos. Eu sabia que ele não era de falar e levaria tempo até que ele se abrisse comigo por si só, mas eu entendia que essa era sua forma de me dizer algo. Eu apoiei a cabeça em seu peito escutando o ritmo de seus batimentos cardíacos. Era tão errado eu amá-lo tanto assim?
—-
Um ano depois
— Vamos Kagome, não faça essa cara! — Takeo me disse quando eu sequei minhas lágrimas e o dirigi um sorriso choroso — Você finalmente terminou o treinamento, deveria estar mais contente!
— Não é que não esteja contente — mudei o peso do corpo para a outra perna — É só que vou sentir falta, sabe?
— As portas do templo estarão sempre abertas para você — Mestre Fujimoto me dirigiu um de seus raros sorrisos — Venha nos ver sempre que desejar.
— Além de quê, temos algo para você — Takeo pegou uma caixa que estava aos pés dele e a abriu, dentro dela havia uma espada, havia um dragão entalhado na lâmina. Ela era linda — Seu nome é Joyeuse e ela é um presente de formatura.
Eu peguei a espada e ela entrou em ressonância com minha energia espiritual, sugando um pouco para sua lâmina a fazendo mudar levemente. Eu a manejei e ela me correspondia.
— Já sabe como usar armas, essa agora é sua — Mestre Fujimoto disse fazendo com que eu o olhasse — Use-a com sabedoria, você é uma sacerdotisa agora.
Eu fiz uma reverência em agradecimento — Obrigada por me acolherem e por cuidarem de mim — eu me levantei e sorri — Obrigada por tudo que me ensinaram nesses dois anos.
— Preciso voltar aos meus afazeres — Mestre Fujimoto disse ao retornar para o templo e ficamos apenas Takeo e eu.
— Promete que me visitará sempre? — ele me perguntou me olhando um pouco chateado — Ou permite que eu vá te visitar quando quiser?
— Você continua sendo meu melhor amigo, Keo — lhe dirigi um sorriso verdadeiro — Não vou perder contato com você.
— Além de que eu sou seu agora — ele me olhou faceiro e me mostrou a pulseira em seu pulso — Protetor em tempo integral.
— Sim — eu o abracei e ele me retribuiu — Eu vou agora, Sesshoumaru está me esperando no limite da barreira.
— Claro — Takeo revirou os olhos — Eu gostava de te levar, já disse a ele que não é incomodo algum.
— Eu sei, mas ele prefere assim — eu dei de ombros. Havia alguns meses que Sesshoumaru tinha desenvolvido o hábito de me trazer e buscar. — Até qualquer dia Keo.
Ele me acenou um tchau e voltou para o templo, eu desci a escadaria do templo, levando agora minha espada, arco e aljava e as roupas que haviam ficado no templo, não era muita coisa. Eu me sentia orgulhosa de meus feitos e ter seguido até aqui me era muito gratificante. Ajeitei o cabelo atrás da orelha, meu kimono de sacerdotisa era diferente agora porém continuava verde. Takeo achou melhor manter a cor, dizendo que me tornava única. Eu o senti antes de vê-lo, era assim a final.
Sesshoumaru tinha uma presença tão marcante, que não tinha como ignorá-lo, mesmo que o quiséssemos. Na mesma árvore de sempre ele estava apoiado, a postura relaxada e os olhos fechados, lindo como sempre. Eu segui na direção dele e quando me percebeu próximo, abriu os olhos.
— Demorei, amor? — perguntei quando parei ao lado dele, os âmbares me fitaram e ele negou — Podemos ir, vou ao vilarejo com Rin mais tarde, visitar os outros.
— Hm — ele passou a caminhar e eu ia ao seu lado. Mesmo que já estivéssemos juntos há um ano, o diálogo não havia sido tão desenvolvido assim.
Segui ao seu lado, como sempre. A presença de Sesshoumaru me trazia calmaria e paz, além de segurança. Minha trouxa de roupa foi pega por ele e percebi quando ele fitou a espada, mas eu não disse nada, se ele quisesse mesmo saber, ele perguntaria. Não era mais segredo para ninguém do castelo que estávamos juntos, e se havia alguém feliz com essa notícia era Rin, a menina afirmava aos quatro cantos que tinha uma família e eu não a contradizia.
O sol estava alto no céu, devia ser por volta de meio dia. Eu estava com calor, e afrouxei um pouco do meu kimono, fazendo o decote aparecer. Os âmbares me fitaram e eu apenas dei de ombros internamente. Os limites do castelo já estava à nossa frente, o vilarejo estava a todo vapor, não havia muitos humanos por ali, já que Daí-Youkais prezavam pela pureza e muitos ainda tivessem algum tipo de preconceito.
— Boa tarde, senhorita Kagome — uma das poucas senhoras que ali viviam me cumprimentou e eu acenei de volta. Sesshoumaru nem desviou o olhar de seu caminho.
Aqui e ali as pessoas me cumprimentavam e alguns poucos corajosos se dirigiam a Sesshoumaru. E ele apenas meneava a cabeça, quando o fazia. Os guardas do portão se aprumaram quando nos viram, batendo continência quando Sesshoumaru se aproximou.
— Boa tarde senhor Sesshoumaru — eles disseram quando ele passou sem nem respondê-los, mais tranquilamente eles se dirigiram a mim — Senhorita Kagome.
— Boa tarde rapazes — eu disse lhe dirigindo um sorriso e um deles corou. Eu apertei o passo e me aproximei de Sesshoumaru — Pode me dar minhas coisas, vou passar em meu quarto agora — ele me fitou, erguendo uma das sobrancelhas.
— Seu quarto? — eu senti minhas bochechas esquentarem, havia me esquecido que há duas semanas dividíamos o quarto.
— Força do hábito — peguei a trouxa de suas mãos, dando um selinho nele e seguindo na direção do 'nosso' quarto.
Sesshoumaru era alguém enigmático para mim, porém que aos poucos eu ia aprendendo a ler e entender. Seu quarto era totalmente o oposto do meu, era repleto de luxo e coisas caras, como um lorde devia ter. Apenas a tapeçaria que ele tinha em uma das paredes, valia mais do que tudo que eu tinha. Porém aquela tapeçaria era linda, e eu não podia negar. Puxei a fusuma, entrando no quarto, minhas coisas estavam em um canto e eu me achava pequena demais, perante a toda grandeza dele.
Coloquei a trouxa junto de minhas roupas e passei a escolher um kimono, estava calor, por isso escolhi uma yukata de verão, ela era mais leve e mais curta. Tomei um banho e lavei o cabelo, ele estava um pouco abaixo da poupa da bunda, precisava cortá-lo. Penteei-os e me arrumei, já era hora do almoço. Segui para a cozinha e Rin já estava ali.
— Oi meu amor, como vai? — ela levantou o olhar para mim e sorriu, ao seu lado estava Shippou, estava morando comigo há mais de seis meses — e você, tem se comportado?
— Eu tenho me comportado Kagome — Shippou resmungou — Apenas tenho treinado com Toriya, como me instruiu.
— Ele tem sido bonzinho sim — Rin o defendeu — Ele brinca comigo também.
— Fico contente em saber que estão se dando bem — eu me sentei e me servi, comendo com eles — Você também vai ao vilarejo, Shippou?
— Sim, eles não sabem que estou vivendo aqui — o youkai raposa coçou atrás da cabeça sem jeito — devem estar preocupados.
— Devia tê-los dito — Rin chamou a atenção dele e eu sorri. Minhas crianças estavam bem cuidadas. Terminamos de comer e seguimos pela saída da cozinha — Não vai avisar o senhor Sesshoumaru?
— Já havia o dito antes — disse enquanto seguia na direção de Arurun — além do mais não quero incomodá-lo.
— Não vamos demorar lá, até o jantar estaremos aqui — Shippou comentou enquanto montava em Arurun e Rin o imitava, eu subi atrás das duas crianças.
— Jaken, estamos de saída — eu disse para o youkai cara de sapo que nos observava de longe, ele se assustou quando eu disse o seu nome e assentiu — se nós procurarem avise.
Arurun começou a se encaminhar na direção do vilarejo, não foi uma viagem longa, porém eu tive a sensação de que havia passado num piscar de olhos, seria a primeira vez que veria Inu-Yasha depois de dois anos morando aqui. Sango e Miroku iam me visitar no Oeste e no templo, porém todas as vezes que Inu-Yasha havia ido atrás de mim, recusei vê-lo. Não havia nada a ser dito.
Arurun começou a descer próximo a cabana de vovó Kaede e ele saiu da cabana, claro que sairia. Logo atrás dele saíram Natsumi e Kaede. — Vovó! — Rin e Shippou exclamaram juntos, descendo rapidamente do youkai. Eu desci mais tranquila. A sensação de ver Inu-Yasha e a esposa era nada agora. Eu não sentia nada em relação a eles e me senti feliz por isso, eu havia realmente seguido em frente.
— Olá! — ela exclamou abraçando as crianças que a envolvia felizes — Como vocês cresceram!
— Estava com saudades da senhora — Rin disse tirando a coroa de flores que estava usando e a colocando na cabeça de Kaede — É um presente.
— Eu também tenho um — Shippou disse puxando um peão novinho das vestes — Eu mesmo quem fiz.
Eu me aproximei a passos lentos, Natsumi agarrou o braço de Inu-Yasha e ambos me olharam, sorrindo de forma amigável — Olá, quanto tempo — Natsumi me saldou e eu lhe dirigi um sorriso.
— Bastante tempo — parei próximo a eles, os observando. Eu não podia comparar Natsumi porque não me lembrava dela, mas eu podia com Inu-Yasha. Suas feições estavam mais maduras e ele parecia bem mais com Sesshoumaru do que nunca — Olá Inu-Yasha.
— Oi — ele me fitou um instante antes de pousar a mão sobre Tessaiga — Ainda está treinando?
— Terminei hoje — eu disse avistando Sango e Miroku se aproximando, eu pedi licença a Inu-Yasha e corri na direção deles, envolvendo-os em meus braços — Que saudades!
— Sabia que essa energia só podia ser sua — Miroku disse afagando minhas costas, Sango estava com uma barriga saliente já e eu a acariciei — Como está bonita.
— Ora monge! — Sango chamou sua atenção e ele sorriu, a abraçando — Essa vida de casada está me dando nos nervos.
— Sango, você vai se acostumar — eu disse dando um sorriso para ela a abraçando novamente.
— Vamos todos entrar — Kaede chamou nossa atenção e todos entramos na cabana.
Foi uma tarde agradável, colocamos o papo em dia, nos atualizamos sobre tudo, até mesmo Natsumi participou da conversa. Ela era uma moça bondosa e fazia parte da família também, fiquei feliz que ela fosse bem aceita e eles pareciam ser um ótimo casal, mesmo que Inu-Yasha estivesse em dúvida. Vovó terminava de recolher os pratos quando Inu-Yasha levantou alerta, atraindo nossa atenção para ele. Já estava tarde, o tempo passou e eu nem percebi.
— O que aquele bastardo quer? — ele pousou a mão instintivamente em cima de Tessaiga e saiu porta a fora. Um a um fomos levantando e saindo da cabana.
Inu-Yasha estava parado próximo de Sesshoumaru. Eu sentia a raiva de Inu-Yasha, mas Sesshoumaru estava indiferente. Os âmbares pousaram em mim e eu sorri, seguindo na direção deles.
— O que você quer aqui? — Inu-Yasha disse grosseiro e eu revirei os olhos, os outros ainda estavam a porta apenas olhando — Veio buscar Rin?
— Não te interessa o que vim fazer aqui — Sesshoumaru respondeu birrento, ao que parece Inu-Yasha conseguia trazer a tona o lado infantil dele.
— Como ousa? — Inu-Yasha ia sacar Tessaiga quando cheguei até eles. Os olhos cor de mel me olharam confusos.
— Nos atrasamos, me desculpe — eu disse pegando na mão dele e fazendo com que me olhasse, ele ergueu a mão e acariciou o meu rosto — Perdi a noção do tempo conversando.
— Precisamos ir agora vovó — escutei as crianças se despedindo de Kaede e se aproximando de Arurun. Sesshoumaru baixou a mão novamente e fitou o youkai.
— Querido, deixe seu irmão — Natsumi disse quando se aproximou de nós e parando ao lado de Inu-Yasha, ela observava Sesshoumaru abertamente, por um segundo senti ciúmes, mas quem não olharia um homem desses?
— Irei apenas me despedir — eu disse soltando da mão dele e me aproximando de meus amigos. Inu-Yasha havia se afastado um pouco mas ainda estava alerta com o irmão.
— Não está muito íntima de Sesshoumaru não, Kagome? — Miroku perguntou sugestivo e eu apenas sorri.
— A deixe Miroku — Sango ralhou com ele.
— Acho que é normal eu estar íntima de Sesshoumaru, Miroku — eu disse quando dava um último abraço em Kaede e em Sango. Os dois olharam para mim chocados — Já que ele é meu companheiro.
— O que? — Inu-Yasha perguntou, me olhando.
— Eu estou com Sesshoumaru, Inu-Yasha — eu o olhei e apenas acenei um tchau para os dois, me aproximando de Sesshoumaru e Arurun — Volto depois para visitá-los com calma, vamos amor? — perguntei quando montei em Arurun.
— Tchau! — as crianças gritaram quando começamos a subir.
Eu sabia que Inu-Yasha estava com ciúmes, ainda mais por saber como ele se portava em relação aos sentimentos dele, mas eu não. Eu havia me libertado do sentimento cego que tinha por ele e encontrei o amor onde menos esperava, com esse homem quieto e frio, mas que era capaz de amar como ninguém.
Fale com o autor