Fleurir
6 Envolvimento
Fleurir — Capítulo 6.
Envolvimento
"A vida é uma coleção de escolhas. Permita-se ao envolvimento ou limite-se a simplesmente ler esta frase…".
— Rafael Silveira.
— Boa noite, Kagome — ele disse quando eu fechei a porta da varanda e eu ouvia seus passos seguindo para o dele.
XXX
Senti o chão contra meu bumbum quando caí sentada. Takeo estava em pé a minha frente e ria como um louco. Ele estava me treinando em defesa pessoal, mas eu nunca conseguia me manter no lugar, a missão era segura-lo enquanto avançava, mas estava complicado.
— Eu estou cansada Keo — eu disse quando terminava de me levantar do chão, eu me sentia cansada demais pelo esforço excessivo que vinha fazendo.
— Amanhã você vai pra casa, por isso dê tudo de si hoje — ele disse colocando a mão na cintura e eu me senti estremecer ao pensar em casa.
Eu não vi Sesshoumaru desde nossa troca de palavras há duas semanas, eu não quis voltar para casa semana passada porque estava com medo dele. Eu havia sido intrometida, tocando-o, onde já se viu...
— Eu não sei… — eu comecei e Takeo me cortou.
— Ainda quer fugir do senhor do Oeste? — ele perguntou brincalhão e eu apenas suspirei — Não adianta fugir, Kagome, se você for além em alguma ação ele te dirá — eu o olhei irritada — Não sofra por antecipação.
— Não sofro — eu disse dando de ombros — Eu só não quero dar motivos para que ele me mande embora.
— Ele não vai Kagome — Takeo disse revirando os olhos — se ele quisesse te mandar embora, já tinha o feito e outra ele nem tinha te deixado ir, pra começo de conversa.
Eu pensei naquilo por um instante e dei de ombros novamente — Vamos continuar — eu disse tomando posição de novo e ele também.
—-
Eu terminei de dobrar a roupa de cama, eu iria sim para o castelo. Não havia acontecido nada demais, e Sesshoumaru quem havia começado, não eu. Coloquei o cabelo atrás da orelha, ele estava solto. Peguei as roupas sujas e a coloquei no cesto que eu havia arranjado, usava outro kimono de sacerdotisa. Me levantei e segui em direção ao templo, Mestre Fujimoto e Takeo estavam ali.
— Estou indo — eu disse para ambos quando adentrei. Decidi ir na sexta dessa vez, não pela manhã como sempre fazia.
— Tem certeza que não quer que eu vá com você? — Takeo me perguntou de novo me olhando sério — eu me sentiria melhor se pudesse levá-la…
— Se assim você quiser Takeo — eu disse dando de ombros — Não quero preocupar ninguém.
— Eu também acho melhor Takeo levá-la — Mestre Fujimoto disse dando um sorriso de advertência e eu assenti — Até segunda, Kagome.
— Até — eu disse saindo do templo e seguindo na direção da saída, Takeo vinha ao meu lado. — Já foi até o Oeste?
— Uma vez, apenas — ele disse me olhando rapidamente — O lorde não é muito amigável... — eu assenti — Mas não é como ele não fosse diferente com outras pessoas.
— Keo — eu o repreendi, tinha contado a ele o que havia acontecido com os irmãos, e ele como sempre, defendeu Sesshoumaru.
— Tá bom — ele disse enquanto caminhávamos para o castelo. Eu gostava da presença de Takeo, ele me acalmava sempre.
Já estava escuro, há tempos não pensava em horas, mas devia ser por volta das oito. A floresta estava silenciosa, mas eu sabia que poderia ter algo espreitando ali. Naquele momento agradecia por Takeo estar comigo, ainda não conseguia me defender cem por cento. A lua estava alta no céu, e ela clareava tudo o que podia, gostava daquela iluminação, em casa não era assim…
Casa. Por um momento me senti deprimida.
Não caminhamos mais do que uma hora e logo os portões do castelo estavam a minha frente. Lógico que Takeo estaria de volta ao templo num piscar de olhos. Os guardas nos olharam, porém logo relaxaram quando me avistaram.
— Entregue em segurança — Takeo disse me dando um sorriso e passando o braço por meus ombros — Sentirei saudades de implicar com você...
— Há há — eu disse o envolvendo pela cintura — Obrigada por ter me trazido — eu me afastei e o olhei, ele assentiu e partiu — Boa noite.
— Boa noite — um dos guardas me respondeu quando passei pelo portão. Já estava tarde e eu não tinha fome, por isso segui direto para o quarto. O quarto de Rin estava iluminado e o de Sesshoumaru escuro, como sempre ele não estava lá.
Adentrei o meu e peguei algumas roupas para tomar banho. O banheiro era no final do corredor, após o quarto de Rin. Segui até ele e o tranquei, não queria surpresas, Rin era uma coisa… Tomei um banho rápido mas relaxante, estava calor e eu estava suada. Coloquei uma yukata de dormir, ela era curta, mas eu já estava acostumada com roupas curtas de minha era. Voltei para o quarto e abri a porta da varanda.
A noite estava tranquila, e abafada. Os vagalumes piscavam na vegetação dali, saí para a noite seguindo na direção do meio do jardim, eu gostava de me sentar ali e ficar observando os minutos passarem. A grama era alta em alguns locais e ela tocava em minha perna nua, eu estava descalça. Desfiz o coque que prendia meu cabelo o deixando solto, senti ele desenrolando. Algum youkai gritou ao longe, aquilo me assustou um pouco, mas já havia me acostumado. Eles não estavam tão longe…
Eu deixei que minha mente divagasse um pouco enquanto trançava meu cabelo, cantarolando uma música qualquer de minha era. A calmaria me era agradável e eu sentia que poderia qualquer coisa naquele lugar, agradecia aos céus que Sesshoumaru me permitisse ter acesso ali. Comecei a colher algumas flores que estavam por ali e a montar uma coroa de flores, como mamãe havia me ensinado. Eu sentia saudades dela, de Souta e até mesmo do vovô.
Sentia falta de minhas amigas, saudade do barulho mas eu apreciava a calmaria. Aquele céu, eu não o trocaria por nada. A única coisa que me arrependo agora é não ter me envolvido com ninguém de verdade, nunca havia passado de troca de beijos. Eu ainda era virgem… E agora só Kami sabia até quando... Já havia tanto tempo que eu estava sentada ali que não sabia mais dizer o quanto. Só que eu não estava mais sozinha.
Sesshoumaru estava sentado na varanda e dessa vez não focava o céu como das outras vezes, ele olhava para mim. Eu me senti envergonhada no mesmo instante, estava em trajes tão curtos, mas depois desencanei, o que eu poderia interessar a ele? Eu lhe dirigi um sorriso e voltei a fazer o que fazia antes, nada. Apenas olhando para o céu. Sesshoumaru estava apenas de calça e aquilo mexia comigo, por isso pretendia não observá-lo demais.
Percebi quando ele se levantou e começou a caminhar na minha direção, por reflexo olhei para ele. Aqueles encontros noturnos aconteciam com frequência demais e quase sempre estávamos perto, dessa vez que eu estava distante, ele vem até mim. Era até engraçado, eu ansiava pela presença dele… mesmo que não admitisse. O youkai se sentou ao meu lado, a menos de um esticar do meu braço... A verdade era que se um de nós se mexesse, nós tocaríamos.
— Boa noite, Sesshoumaru — eu disse o olhando de soslaio. O youkai me olhou, mas nada disse.
Eu não olhei mais para ele, apenas fitava a fachada do castelo, prestando atenção nos detalhes da varanda, das portas dos quartos, da limpeza impecável...
— Boa noite — ele disse depois de um tempo. Achei que ele não me responderia mais.
— Rin já dormiu há bastante tempo? — eu perguntei porque não a vi, não que eu a tenha procurado também.
— Um pouco… — ele disse me olhando rapidamente. Seu cabelo estava trançado como o meu — Resolveu vir mais cedo dessa vez?
— Eu não voltei final de semana passado — eu disse dando de ombros. Eu não queria explicar as motivações por trás dessa decisão — Takeo me trouxe, já estava tarde quando eu saí.
— Hm — ele disse desviando o olhar de mim. Eu me sentia sem jeito, eu estava em vestes inapropriadas na presença de um homem. O que minha mãe diria? — O bastardo veio aqui… — eu o olhei assustada, como assim ele veio aqui? — Estava a sua procura.
— Porque? — eu perguntei confusa, o olhando. Próximos como estávamos, eu podia observá-lo abertamente, conseguia ver até às pequenas manchas na pele dos ombros dele.
— Ele achava que você ficava aqui — ele disse distante, eu sabia que Sesshoumaru não gostava de falar, mas desde que cheguei, ele tem falado bem mais comigo — Todo o tempo.
— Entendo — eu olhei para as minhas mãos, eu não queria aquele tipo de situação, não queria dar trabalho a ninguém, e como sempre, eu era um problema. — Meu treinamento não durará mais do que um ano, quando terminar prometo partir e ele não te incomodará mais.
— Não precisa ir embora — ele disse me olhando e eu retribuí o olhar — Aquele bastardo não a incomodará aqui.
— Maldita hora que decidi voltar — eu disse irritada desviando os olhos dos dele — Eu estava vivendo minha vida, sabe? Tinha amigos, havia acabado de me formar na escola, ia pra faculdade, cursar administração — eu suspirei, estava cansada — talvez arranjasse um namorado, me casasse, tivesse filhos...
Sesshoumaru nada disse, apenas ficou pensativo ao meu lado. Eu sentia arrependimento no momento de ter feito algo sem pensar. E foi sem pensar também que deixei meu corpo pender para o lado de Sesshoumaru, apoiando minha cabeça em seu ombro. Eu estava cansada, física e emocionalmente, cansada também daquela situação que eu estava passando e cansada de me repreender em relação a Sesshoumaru. Eu sabia que algo em mim estava mudando em relação a ele, principalmente por causa de momentos como o de agora.
Eu gostava de Sesshoumaru, e aquilo me era incômodo, porque eu sabia que aquilo apenas me machucaria. Porém quando ele passou o braço por minhas costas me puxando mais próxima dele, eu não sabia o que pensar ou sentir. Olhei para o céu, apenas a lua era nossa testemunha. Senti ele se aproximando e enfiando o nariz em meu cabelo, sua mão apertou levemente meu quadril.
Eu senti meu coração disparar de ansiedade, e me repreendi por isso. O tecido de sua calça tocava em minha perna nua. Seu nariz seguiu na direção da minha orelha e raspou em minha bochecha, meu coração agora aos solavancos. Senti Sesshoumaru sorrindo contra minha pele, eu queria me afastar, mas porque? Quem eu estava tentando enganar? Apenas a mim. Sesshoumaru se inclinou na minha direção e eu nada fiz para impedir quando senti seu lábios tocando os meus.
Começou singelo, num leve roçar de lábios, todavia logo já não era apenas um selinho, mas um beijo ardente. Eu enfiei minhas mãos em seu cabelo o melhor que a trança me permitiu, eu me sentei melhor na direção dele porém logo eu já estava deitada, com ele entre minhas pernas. Suas mãos subiram na lateral do meu corpo, explorando o que podiam e as minhas estavam em suas costas, as vezes as passava pelo peito dele também. Eu fiquei envergonhada quando senti a ereção dele contra minha intimidade, e apenas um momento eu o desejei por inteiro.
Senti suas garras arranhando-me levemente em minha coxa, ele fazia isso indo e voltando, eu nunca havia sido beijada dessa maneira, tão intensa. Eu chupei seu lábio o mordendo em seguida, logo ele me dava dois selinhos encerrando o beijo. Sesshoumaru apoiou a cabeça em meu ombro e eu me sentia quente, assim como sabia que ele estava, ainda sentia seu membro rijo contra minha coxa. Eu estava levemente ofegante, Sesshoumaru levantou um pouco a cabeça e me olhou, não mostrava arrependimento e no fundo acredito que ele procurava isso em mim. Algum arrependimento que não existia.
Me forcei a sentar, o que fez com que ele saísse de cima de mim. Meu corpo implorando por descanso, os âmbares me analisavam e eu o olhava da mesma forma. Passei a mão pelo rosto dele e selei nossos lábios novamente.
— Acho que vou me deitar — eu disse quando ele se afastou o suficiente para que eu me levantar. Fiquei de pé e ele continuou ali, sentado. Sob a calça eu ainda podia ver o membro dele, bem duro, fiquei mais envergonhada ainda.
— Boa noite, Kagome — ele disse me olhando intensamente e eu me senti vermelha no mesmo instante. Balancei a cabeça como se desejasse o mesmo e me dirigi para o meu quarto o mais rápido que consegui sem correr, sonhando que fazia amor com Sesshoumaru a noite toda.
Fale com o autor