Fleurir
10 Corpos
Notas iniciais
Fleurir — Capítulo 10
Corpos
"Dois corpos suados se amando; Em momentos de delírios em momento de prazer".
— Regiane Oliveira.
Seus lábios tocaram os meus e eu o retribui, ciente de que talvez não ficaria apenas naquilo, mas naquele momento, nada importava…
XXX
Lá fora a noite avançava, não fazia ideia de que horas eram, apenas de que a lua já avançava para o meio do céu, os sons da noite não me interessavam agora, eu só tinha consciência de seus braços que envolveram meu corpo, aproximando-nos ainda mais, dois corpos que transbordavam desejo. Seus lábios não abandonaram os meus um segundo se quer. Eu ainda me sentia envergonhada por ser vista naquele traje que mais mostrava do que escondia, porém ele não parecia nem se importar com isso.
Eu timidamente levei minhas mãos até seus cabelos, sentindo a maciez dos fios prateados. Eu estava apenas me deixando levar, seguindo instintos primitivos do meu corpo que até então nunca haviam sido usados. Nosso beijo começava a fugir um pouco da calmaria inicial, a mão que segurava gentilmente meu quadril, desceu na direção de minha coxa, fazendo com que eu o envolvesse pela cintura com minhas pernas. Ah sim, agora era muito melhor beijá-lo.
Uma de minhas mãos desceu por suas costas, até onde eu consegui alcançar, acariciando a pele pálida dele. Conforme meus dedos passavam pela pele, ela arrepiava e no fundo eu gostava, pelo menos algo que eu fazia despertava reações nele... Eu não queria mais fugir de meu sentimento, eu não queria mais me enganar, por isso, o agora me cativava, seduzia aos poucos e eu me deixei ser guiada, o amanhã… bem, o amanhã decido depois.
Eu sentia meu corpo esquentando conforme cedia aos carinhos dele, meu desejo por Sesshoumaru despertando aos poucos em partes de meu corpo que eu não conhecia, ou estava habituada a despertar. Nosso beijo chegou ao fim, mas não definitivamente…
Sesshoumaru desceu os beijos na direção do meu pescoço enquanto eu sentia o membro dele ficando duro contra minha intimidade, me instigando, estimulando, aos poucos. Minhas mãos voltaram para os cabelos dele, puxando e acariciando conforme me dava vontade. Aquela yukata era realmente algo provocante, eu podia sentir a pele de Sesshoumaru através dela, quase como se já estivesse nua. As mãos dele me acariciavam na coxa e iam até meu bumbum, onde ele apertava e refazia o processo. Senti quando ele me apoiou na parede, colando ainda mais nossos corpos.
Gemi baixinho quando ele friccionou nossas intimidades novamente, causando aquela sensação gostosa contra o meu corpo. As mãos dele me conheciam mais, agora que não precisava mais segurar meu corpo. Os âmbares me fitaram um instante e eu me senti mais quente quando percebi o quanto Sesshoumaru me desejava. Senti quando o laço de minha yukata fora desfeito, liberando ainda mais meu corpo. Eu não queria que parássemos agora, afinal se ele estava ali, queria tanto quanto eu, de alguma forma...
Nossas peles se tocavam melhor agora. Eu sentia o meu seio contra o peito dele, meus mamilos tão duros que incomodavam. A mão de Sesshoumaru envolveu um de meus seios e começou a estimular meu mamilo, eu gemi timidamente. Ele continuou a distribuir beijos e chupões pelo meu pescoço, minhas mãos estavam novamente nas costas dele. A parede deixou minhas costas, quando ele me levou para a cama. Senti o tecido da yukata escorrer por meu corpo, ficando no chão. Eu me senti vagamente tímida, mas ele não me deixava pensar muito...
Agora na cama, as coisas ficaram mais intensas. Sua mão me acariciou por cima do tecido que eu usava como calcinha, uma vez no passado precisava me habituar com o tipo de vestimenta. Seu peito tocou meus seios novamente, eu sentia que ele não iria demorar muito para consumar o ato e no fundo eu também não queria esperar. — Por favor… — eu disse, sentindo aquelas sensações me envolvendo quase completamente. Os dourados me fitaram segundos antes de me dar um novo beijo.
Sesshoumaru se afastou, tirando as roupas dele. Eu já estava praticamente nua na presença dele, faltava apenas uma peça de roupa. Senti meu rosto esquentar quando vi o tamanho do pênis dele. Aquilo com certeza era grande e não via como caberia em mim… Senti a ansiedade surgir ante a excitação. Ele pareceu perceber meu embaraçado e desconforto e se aproximou novamente, os dourados me mostravam toda a paciência e tranquilidade que ele possuía.
— Se quiser parar... — ele disse se abaixando novamente. Eu neguei ainda envergonhada, eu queria aquilo, mesmo que não conseguisse dizer abertamente — Então, se deixe levar… — ele disse terminando de tirar minha roupa, senti seus olhos percorrem meu corpo e me senti mais acanhada.
— É só que nunca fiz nada assim antes — eu disse o olhando quando ele se colocou sobre mim novamente — Eu estou um pouco insegura, sabe... — eu desviei o olhar.
Sesshoumaru me beijou novamente e se afastou, me puxando com ele. O olhei confusa, quando ele se sentou, apoiando-se na parede e me estendeu a mão, eu a peguei e ele me guiou até ele, fazendo com que minhas pernas ficassem com ele no meio. Suas mãos acariciavam minhas costas, descendo por elas, seus olhos nos meus todo o tempo. Eu me sentia envergonhada ainda mas seguia o fluxo que ele impusera, eu não sabia bulhufas de sexo e ele… bem, ele parecia experiente nisso. Ele segurou em meu quadril e me fez descer sobre a ereção dele, Sesshoumaru me olhava o tempo todo e apenas continuava quando eu começava a me mexer.
Logo ele estava inteiro dentro de mim, e a dor me incomodava. Uma de suas mãos me acariciava pelo corpo enquanto a outra me estimulava no clitóris, eu sentia a excitação em meio a dor, eu tinha consciência da outra carícia, passava por minhas costas, bumbum, depois costas de novo, ombro… Eu tentava me concentrar nisso, ele foi paciente, continuou me estimulando e me dava beijos pelo ombro, pescoço e às vezes selinhos. Eu me mexi levemente, subindo de novo e descendo devagar, o incômodo ainda presente.
Sesshoumaru me ajudou, levando ambas as mãos ao meu quadril me auxiliando com o peso. Eu apertei levemente o ombro dele quando senti aquela fisgada de novo, os âmbares não deixavam meu rosto um segundo se quer e no fundo eu queria, não queria que ele focasse tanto em mim. Eu mordi meu lábio inferior, Sesshoumaru se aproximou mais de mim e mordeu meu queixo. Ele me fez parar os movimentos, e eu entendi que ele queria mudar de posição.
Eu me deitei novamente e ele se colocou sobre mim, me penetrando de novo. Eu passei a mão pelo corpo dele, ou o que eu conseguia tocar, comecei pelo peito, seguindo pelos ombros, costas e descendo até o quadril dele, e até me atrevi a descer um pouco mais. Suas mãos seguravam meu quadril, enquanto ele investia sobre mim. Eu sentia aquela tensão me envolvendo, o suor cobrindo nossos corpos e o cômodo parecia mais quente do que qualquer outra coisa. Eu sabia que estava me entregando a ele, porém quanto ele receberia? E mais, quanto me retornaria? Se eu o amava… Acredito que sim, se não houvesse algum sentimento eu não teria continuado e ele?
O homem que me acaricia a pele gentilmente, que me beija de vez em quando e se preocupa com meu bem estar, parece tão entregue quanto eu. E por um momento acreditei que até mais do que eu... Sabia que a primeira vez não seria prazerosa, eu sabia dos relatos das minhas amigas, todavia de alguma maneira foi. Não como um orgasmo, forte e definitivo, mas algo dentro de mim pareceu se encaixar apenas naquele momento, como uma trava e eu compreendi completamente. Eu tive a confirmação.
Sim, eu o amava.
Sesshoumaru soltou o peso dele sobre mim, e eu o envolvi em meus braços, fazendo um leve cafuné. As respirações descompassadas, o calor do quarto, a sensação de calmaria. Sabia que já estava tarde e eu sentia sono agora, senti Sesshoumaru tranquilo em meu colo e surpresa constatei que ele havia adormecido. Me ajeitei melhor na cama, e ele também se ajeitou, saindo de dentro de mim. Incomodou, porém nada que não pudesse administrar. Me aproximei dele e deitei em seu peito, Sesshoumaru me envolveu mais próximo dele e me deixei levar também, ambos ainda nus, guiados pelos braços de Morfeu.
—-
Abri um dos olhos, ainda me sentia sonolenta, mas eu precisava sair antes do nascer do sol para chegar no horário no templo. Eu tinha a total ciência de que Sesshoumaru ainda estava ali e que ainda dormia. Nossos corpos estavam muito próximos, literalmente colados e eu me senti envergonhada ao me recordar de que estava nua.
Desencostei dele o mais sutil que consegui e me sentei, o observando adormecido ao meu lado. Os fios prata estavam sobre ele, sua aparência era leve e até mesmo frágil perante mim. Quando Sesshoumaru dormia não mostrava aquela carranca ou expressão fechada, ele era apenas ele. A feição dele era quase infantil, e eu fiquei feliz em perceber que Sesshoumaru não me via como uma ameaça, uma vez que dormia como uma pedra.
Meu cabelo cobria meus seios e parecia uma cortina a minha volta, um lençol cobria-nos e apenas isso. Me aproximei o mais sutil que consegui e lhe dei um beijo na bochecha, insegura demais de tocá-lo em outro lugar. Fiquei o observando mais alguns momentos, mas precisava ir. Me levantei e fui tomar um banho rápido, na água gelada mesmo. Coloquei um kimono tradicional, já que estava voltando para o templo, dei uma última olhada em Sesshoumaru e saí, não havia tempo para despedidas, mas conversaríamos em outro momento.
—-
Sentiu a consciência retornando aos poucos, vagamente recordou da noite anterior, noite essa que escolheu para si sua parceira. Esticou o braço na cama a procura do corpo feminino, mas nada encontrou. No fundo ele desconfiava que já estava sozinho, uma vez que sabia da rotina dela no templo, sempre saindo muito cedo, antes do dia clarear. Quantas vezes ele não a viu partir em segredo?
Abriu um dos olhos e constatou o que já sabia, o quarto estava vazio. A claridade invadia levemente o cômodo pela porta da varanda, Sesshoumaru se sentou, espreguiçando-se no processo. Observou melhor o quarto da mulher, não havia muitas coisas. Cama, guarda-roupa, uma penteadeira e só. A yukata ainda estava jogada no chão ao lado do futon, assim como a calça dele, o youkai a pegou e o cheiro de Kagome o inundou. Lembrou-se de quando a viu olhando a peça com vontade, e depois a devolvendo, deduzindo ele, por ser cara demais.
Concordou com sua mente quando a imaginou com as roupas e sigilosamente se encaminhou para a barraca comprando a peça, não queria dar na cara que o presente era dele, porque ela poderia recusar e olhando para a fita da trança que Rin havia insistido em fazer nele, resolveu brincar de enigma. Sesshoumaru sabia que Kagome logo entenderia, porém preferia assim a contar que queria vê-la usando a peça.
Olhou para o lençol que o cobria, eles haviam transado e dormido juntos. Sesshoumaru nunca dormia com a fêmea que possuía, era contra os princípios dele, mas ele não queria que Kagome fosse uma mulher de uma noite, isso estava fora de cogitação, ele a queria para si, como mulher. Porém não era o único a pensar assim e uma raiva o atingiu momentaneamente, os âmbares pousaram sobre a caixa que ainda estava ali, num canto do quarto, do qual ele sabia estar repleta de jóias.
Kurama Yokoyama, era um senhor feudal do qual mantinha algum tipo de relação, meramente profissional. Já estava habituado com outros cheiros presentes em Kagome, principalmente do youkai que a treinava, Takeo, se ele se lembrava bem. Quantas vezes ela não chegou infestada com aquele aroma? Porém nunca houvera maldade, nenhum cheiro de desejo ou qualquer outra coisa, e aquele dia houvera, ele se lembrava bem, foi depois deles terem dado o primeiro beijo, não conversaram e Takeo apareceu para levá-la, ela foi e quando voltou, foi com aquele odioso cheiro. Desejo da forma mais primitiva e sexual possível, espalhado por toda a roupa, maculando o cheiro que ele tanto apreciava. Não conseguiu se conter perante aquele odor e acabou questionando-a e quando descobriu de quem era, aguardou.
Não podia agir de cabeça quente, por mais que agisse às vezes. Sesshoumaru sabia que se desse liberdade ou até mesmo alguma abertura, outro se aproximaria e veria Kagome como ele a via, simplesmente ela mesma. Com as expressões de curiosidade, raiva e deboche, até aquela de sonhadora que só presenciava no jardim, a risada dela o acalmava, o cheiro dela, tão suave e agradável, a presença dela, apenas ali, em silêncio, como das várias vezes que dividiram algum recinto. Ambos apenas ali, aproveitando a presença do outro. Tudo nela o atraia e quando ele teve ciência de que estava precisando dela, que sentia falta quando ela não retornava aos fins de semana, ele percebeu que não era mais imparcial a mulher, Kagome mexia com ele, despertava coisas que Sesshoumaru nem tinha muito conhecimento, sentimentos que outras tentaram a muito custo e não conseguiram e ela, apenas estando ali, conseguiu.
Sem intenção nenhuma.
Sesshoumaru tinha consciência de que ela estava mudando com ele também, não se afastando, mas apenas tomando ciência de que algo estava surgindo ali, entre eles. E assim como ele, apenas deixava como estava, o que quer que fosse, estava brotando como um pequeno botão, crescendo aos poucos até que na noite anterior, desabrochou. Olhou novamente a peça de roupa ao seu lado, sua mente havia lhe enganado quando a imaginou nela, a visão de Kagome com a peça era muito melhor. A intenção de Sesshoumaru era apenas perguntar se ela havia gostado do presente, porém quando a viu naquela roupa não conseguiu se conter e deu vazão ao o que sentia. E ela também, já que não o recusou, Sesshoumaru não era idiota, se ela o parasse ou parecesse que o recusava, ele não insistiria já que ela não era obrigada a ficar com ele apenas porque ele assim desejava, mas não foi assim que aconteceu.
Kagome o acolheu da maneira dela, o amando por inteiro, assim como ele tentou com ela. Por mais que não tenha tido consciência do fato, Sesshoumaru se entregou por inteiro para Kagome, havia feito sexo de uma maneira que nunca havia feito antes, cuidou dela, se preocupou com ela, e não apenas para se satisfazer, mas para mostrá-la que ele poderia ser tão dela, quanto ela estava sendo dele. Novamente Sesshoumaru passou os olhos pelo cômodo, talvez ela não precisasse mais ficar ali... Sorriu ao ter esse pensamento, quando sozinho se permitia reações espontâneas, já havia ficado tempo demais ali, estava na hora de começar a trabalhar, levantou-se e vestiu a calça, seguindo para o quarto dele, ainda pensando na mulher que havia o feito amar.
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