Fix Me

30 The Light


Notas iniciais
Espero que gostem. Adeus povo lindo. Boa leitura....

Após um gostoso café com Amélia, voltei para casa. Mas quando encostei na maçaneta ou gritos. Abri a porta rapidamente e segui o som que ecoava pela casa e parei na frente da sala de estar encontrando Lauren, Alex, Lucas e Evan todos um em cima do outro brigando por um controle remoto. Coloquei a mão com peito, recuperei o folego e comecei a rir da situação. Todos descabelados, de pijama já brigando de manhã.

— Alice!

Todos falaram ao mesmo tempo, se levantaram e correram para me abraçar.

— Gente... não consigo.. respirar. — Após uma cena traumatizante, me libertei daquele abraço e todos falaram ao mesmo tempo. — JÁ CHEGA! Um de cada vez. Lucas, pode falar.

— Onde você esteve?!

— É verdade, ficamos preocupados.

Lauren completou.

— Eu não vi nenhuma ligação perdida no meu celular. Alguém por acaso me ligou?

Todos se entreolharam.

— Isso não vem ao caso agora. Onde você esteve?!

— Lucas. Aposto que você só sentiu falta de mim agora. E se a Lauren não me ligou ontem, então deve ter acabado de chegar de seu encontro com Evan. E você acabou de sair do quarto com Alex. Estou errada?!

Todos ficaram vermelhos de vergonha e voltaram a reclamar ao mesmo tempo. Revirei os olhos e ignorei-os indo para meu quarto e fechando a porta atrás de mim. Suspirei e fui tomar banho. Enchi a banheira, tirei a roupa e me foquei apenas no barulho das gotas que coavam no local.

— Onde você está, Thomas?

Sussurrei e fechei os olhos, lembrando de quando éramos pequenos e do beijo de despedida que me deu. Como se fosse recente. Meu coração ficou quente e vi sua imagem mais velha com aquele sorriso meigo que me chama a atenção. Ao mesmo tempo fiquei preocupada com o que ele falou para mim no parque naquela noite. Será que alguém está mentindo para mim e quer me matar? Mas que seria? Confio em todos e não consigo imaginar ninguém me traindo. Prendi a respiração e molhei a cabeça para espantar esse pensamento que só me intriga.

Após um banho calmo, coloquei uma roupa qualquer e abri a janela, senti a brisa gelada do começo da manhã e encarei os primeiros raios de Sol surgirem. Sai do transe ao ouvir uma batida na porta. Era Lauren e Alex com vergonha vindo para perto de mim.

— Alice, desculpe pela discussão de agora a pouco.

Alex começou. Voltei a olhar o Sol que já aparecia e começava a esquentar meu rosto.

— Tudo bem. Apenas não quero conversar muito.

Elas se olharam preocupadas, mas logo Lauren falou.

— Já sei, precisamos de um remédio perfeito para tirar esse clima ruim.

— E no que você está pensando?

Alex ficou curiosa.

— Compras!

— É hoje! – Falei com a mão na cabeça.

Após uma hora para se arrumar, Lauren e Alex finalmente ficaram prontas. Pegamos o carro que Lucas havia alugado e fomos ao shopping. Ficamos praticamente o dia todo lá, comendo, brincando, vendo vitrines e gastando o dinheiro dos meninos. E naquele dia eu percebi.

— Ai meu senhor! Lauren você fez o que?!

— Shii!

Estava apenas eu, Alex e Lauren dentro de uma cabine de troca de roupa. Tive que sussurrar.

– Eu sabia sobre você gostar dele, mas dormir juntos?!?! Já na primeira noite?! Sério?!

— Não me culpe, está bem?! Gosto dele a mais tempo do que você imagina!

— Bom... Ela não foi a única a ter uma noite diferente. — Foi a vez de Alex se confessar também. – Mas essa não foi minha primeira vez, então não é muita novidade.

— Alex, eu gosto de você mas... Não quero saber o que você faz com meu irmão... é estranho.

Fiz uma careta e elas riram alto chamando a atenção da gerente que logo nos expulsou da loja. E os meninos só assistiam a cena como se não nos conhecesse, mas não paravam de rir. Quando a poeira abaixou e a vergonha passava os meninos não paravam de zoar Alex e Lauren, eu só ria até olhar para o lado e encontrar a última pessoa que eu queria agora.

— Cameron?!

Ela estava longe, mas era ela. O que a quadrupede estava fazendo aqui?! E agarrada com.... Essa não... David?!

O que aquela quadrupede estava fazendo com o irmão mais novo de Thomas?! E aqui na América?! Sério?! Não resisti, enquanto os dois casais estavam distraídos com o ocorrido, fui me distanciando e segui aquela coisa grudenta que finge ser pessoa.

— David, tenta pelo menos se animar. Estamos na América!

— Como posso me animar se meu irmão continua desaparecido? Você não se toca? Até parece que não se importa com ele! Nem parece que derramou uma lagrima por ele. Bela namorada você!

— Eu não me preocupo pois ele já fez isso antes, lembra? Ele sempre faz isso, mas sempre volta.

— Ele nunca ficou tanto tempo sumido! E ele sempre me dava noticias para eu não ficar preocupado. Mas não recebi nenhuma mensagem! Não sei como você me convenceu de vir!

— Para ver sua velha mãe, lembra?! Foi seu pai mesmo que pediu para você vir! Não sei o motivo ainda, mas viajar para a América é o máximo!

— Você é estranha, não sei como um irmão se apaixonou por você!

— Simples, ele viu o quanto sou bonita e irresistível!

David revirou os olhos. Eu ri. Cameron estava forçando a barra. Talvez eu apareça. Boa ideia.

— Oi, David. Quanto tempo!

— Você?!

— Oi, Cameron.

Falei sem vontade. David se desgrudou dela e se aproximou de mim.

— Quem diria que eu iria ver uma amiga de Thomas aqui.

Ele sorriu, retribui seu sorriso.

– Gostaria de tomar um sorvete comigo?

– Claro. Não tem muito o que fazer mesmo.

Falou sem interesse.

– Desculpe, querida. Mas ele está comigo hoje.

— Nossa, Cameron. Nem recebeu noticias de Thomas e já cai em cima do irmão mais novo? Quanta audácia a sua.

Falei irônica e consegui irritá-la.

— Não queira que eu abra seus pontos novamente, garota.

Falou entre dentes.

— Abrir os pontos? Por acaso você machucou a Alice, Cameron?!

— Não foi isso que eu quis dizer... é só força de expressão.

— Sério?! Não parecia no hospital, quando você me atacou no meu próprio quarto por causa de um ciúmes infantil com Thomas.

Falei de braços cruzados e encarando-a.

— Você me paga, idiota.

Fuzilou os olhos em mim.

— Sabia que você era estranha, mas doida foi o limite. Boa sorte para voltar ao hotel, Cameron. Irei tomar sorvete e voltarei para casa sozinho. Adeus.

David deu as costas para ela e pegou em meu pulso. Olhei para trás e Cameron estava em chamas. Voltei a olhar para frente e ri baixo.

— É a primeira vez que ganho uma batalha contra aquela quadrupede. Valeu.

— Quadrúpede?

— Longa história.

— Bom, vou tomar um MilkShake para o tempo não passar tão rápido. Me acompanha?

— Claro. Assim posso te conhecer melhor.

Sorri e seguimos em frente indo para uma sorveteria nova que David pesquisou e queria conhecer.

— Então... — Olhei para ele enquanto experimentava meu MilkShake de chocolate com menta. – Qual sua história com meu irmão?

Engasguei um pouco.

— Calma. Não é o que você está pensando!

— Sei.

— Mas parece que sou uma amiga de infância de seu irmão. Mas não me lembro de você.

— Sempre fiquei com meu pai, gostava de ficar no escritório dele lendo e vendo o que ele fazia. E quando minha mãe decidiu ficar na América permanentemente, fiquei com ela por um tempo. Ou seja, enquanto eu ficava com minha mãe na América, Thomas ficava com nosso pai na Europa. Por isso não nos vimos muito durante minha infância. Mas quando eu tive que escolher uma faculdade, decidir ir junto com meu irmão. Para passarmos um tempo juntos. Parece que não deu certo.

— Por quê?

— Ficamos na faculdade por cinco meses e começamos a faltar, além do fato de que ele desapareceu.

Me afastei de minha bebida gelada e olhei para baixo.

“Conto ou não conto?”

— David, eu...

— O pior é que minha mãe parece bem. Disse para eu não me preocupar.

“Se a mãe dele não contou, então não é da minha conta.”

Coloquei minha mão sobre a dele e sorri confortando-o.

— Deve confiar em sua mãe. Ela sabe o que diz.

— Valeu. Mas e você? Quando você diz “parece que sou amiga de infância” você quer dizer o que?

Tive que contar para David sobre minha amnésia e como reencontrei Thomas. Mas obtive as partes em que nossos pais são chefes da máfia europeia. Após algum tempo conversando – eu falando mais enquanto David apenas ouvia – saímos da sorveteria e passeamos até encontrarmos os casais felizes no meio do caminho.

— Alice! Onde você se meteu?! Estou tentando ligar para você mas só cai na caixa postal! Desta vez eu liguei!

— Desculpe, Lauren. Minha bateria acabou sem eu perceber e encontrei David no caminho.

Olhei ao lado e o garoto estava sem expressão, e apenas acenou a mão para o pessoal.

— Minha nossa! Que gato! Olha esses olhos azuis! Garoto você parece um anjo! Pode me chamar de Lauren, ou amor, se preferir.

Lauren piscou para David que achou sem graça enquanto Evan chamava a atenção da namorada. Sim, namorada! Finalmente os dois oficializaram isso!

— Uau, desta vez tenho que concordar. Ele é lindo mesmo.

Alex foi mais discreta, mas Lucas não gostou de qualquer maneira.

— Esse é David Cameron.

— Cameron? – Lucas levantou a sobrancelha desconfiado. – Por acaso é algum parente de Thomas?

— Sou irmão.

— Irmão?!

Lucas, Lauren e Evan perguntaram surpresos. David ficou um pouco assustado e olhou para mim pedindo ajuda.

— Calma. Algum dia você se acostuma com isso.

— É melhor eu ir logo. Já está ficando tarde e não quero perder o ônibus.

— Porque você não vem conosco. Todo amiga do Alice é parceiro meu.

Falou Lucas forçando um sorriso. Sorri com aqui e fomos todos para o estacionamento. Entramos no carro e fomos para a casa de Amélia. Mas no meio do caminho houve uma surpresa que não é nada boa. Um caminhão perdeu o controle, e com a pista congelada, derrapamos e capotamos. Eu David estávamos no canto com cinto de segurança. Sim, pessoal não tem essa mania de colocar cinto de segurança.

— Alice...

Ouvi um gemido.

— David, você está bem?

— Minha cabeça dói.

Lógico, ele bateu a cabeça no vidro da janela. Olhei em volta e todos estavam feridos e inconscientes. Ouvi algo caindo. Era gasolina.

— Droga! David, tenta se livrar do cinto e abrir a porta.

Ele saiu do cinto e caiu no teto do carro, que estava de cabeça para baixo.

— Não abre.

Olhei para o retrovisor e vi a janela de trás.

— Me ajude a abrir aqui.

Chutamos a janela com todas as nossas forças e após algumas tentativas, nada deu certo.

— Alice, estou cansado.

David estava com um corte profundo na cabeça e mal ficava acordado. Tente manter ele acordado, mas nem eu ficava consciente direito. Precisava tirar a gente daqui! Gritar não iria adiantar, a rua estava deserta com apenas o nosso carro e um caminhão deformados. Respirei fundo e tentei chutar novamente o vidro, e de novo, e de novo.

— David? — Olhei para o lado e ele estava quase fechando os olhos. – Ei! Acorda! Preciso de você! Me ajuda aqui! Você precisa ficar acordado! ACORDA!

Ele tentou o máximo possível. Chutou o vidro comigo e finalmente conseguimos. Recuperamos o folego e quando olhei para ele, percebi que precisava tirar todos daqui o mais rápido possível. Comecei com David que estava mais fácil. Peguei a jaqueta de Evan que estava por perto e coloquei embaixo para não machucar as costas de ninguém com o vidro. Após deixar o garoto em uma distância segura do carro e do caminhão, tirei Lauren, Evan, Alex e Lucas. Quando finalmente os vi seguros, senti uma gota gelada a minha nuca, e assim a chuva começou. Olhei para cima indignada.

— Sério mesmo?!

Percebi que eu havia me esquecido de alguém, o motorista do caminhão. Olhei para trás e vi o local cheio de gasolina. Suspirei e corri o máximo que podia. Quando abri a porta do caminhão, não encontrei ninguém.

“Ele deve ter se salvado. Ótima ajuda!”

Quando virei para fugir, percebi que era tarde. Tinha fogo para todo lado e eu não sabia para onde ir. Tentei encontrar algo dentro do caminhão que poderia me ajudar, mas só vi um rádio de comunicação que não funcionava. Mas encontrei um celular velho no criado mudo. As chamas estavam se espalhando rápido, e com as mãos trêmulas, tentei discar 911. Pedi ajuda e sai do caminhão pelo outro lado, mas também havia chamas que quebravam o vidro da janela me machucando. Então percebi que o único lugar era para frente.

— Porque só comigo?!

Chutei o vidro da frente inúmeras vezes o mais rápido que podia e após algum tempo consegui.

“O que o desespero não faz?!”

Sai e fiquei em pé no capô do carro procurando algum lugar onde as chamas não estavam. Eu precisava pular o mais alto que podia, mas ferida do jeito que estou não irei muito longe. O Fogo estava chegado perto da gasolina e percebi que era a hora de tentar ou morrer. Pulei e cai numa descida escorregadia cheia de galhos e pedras, parecia que eu nunca iria para, mas um tronco me parou subitamente. Nessa hora sento todos os meus ossos e a visão do fogo lá em cima subindo e explodindo tudo foi horrível. Cacos de vidro e pedaço de metal caiam em minha direção. Com lágrimas nos olhos, tentei ignorar a terrível dor e tentei me proteger saindo dali e escorregando mais um pouco. Desta vez eu enxergava onde ia até cair em uma outra estrada na frente de um carro. E seu farol foi a ultima luz que vi.

Notas finais
E então? Quero saber no que estão pensando. Comente! ^.^ Kiss