Fix Me
72 Sweet Home
Notas iniciais
Após ganhar alta, me despedi de Lincoln e Charlie e fui para a entrada, onde encontre um deus grego de camisa pólo que mostrava bem sua força nos braços e óculos escuros no rosto. Thomas estava distraído no celular e não reparou todas as mulheres o secando. Ele desligou o celular e sorriu assim que me viu, logo senti minha nuca queimar de tantos olhares tortos.
— Onde quer ir?
Quando eu ia abrir a boca, seu celular tocou, ele atendeu e trocou poucas palavras antes de entregar o celular para mim.
— É para você.
— Alô?
— Oi, pequena. Esta melhor? Soube apenas agora sobre o ocorrido. Me perdoe.
Sorri aliviada ao ouvir a voz de Lucas.
— Oi, maninho. Não precisa se preocupar. Mas onde você está?
— Na Itália. Soube que eu estava fazendo um curso aqui numa faculdade chamada Freedom. Vou voltar aos estudos e tentar reiniciar minha vida.
— Espero que dê certo. Mas não esquece de me visitar, está bem?
— Nunca, pequena. Ainda verei o pequeno antes de ele fazer um ano.
— Lucas, são gêmeos.
Olhei para Thomas, que deu um sorriso bobo. Por um segundo eu pensei que ele havia desmaiado.
— É. .. sério?
— Ficou triste?
Logo ouvi de longe seu grito.
— EU VOU SER TITIO DUAS VEZES!
Começou a rir.
— Não precisava gritar.
— Que vontade de te dar um beijo, minha pequena!
Senti minhas bochechas queimarem um pouco com o apelido.
— É só você vir me visitar logo, esta bem?
— Com certeza. Vou apenas resolver minha inscrição aqui e pego o primeiro vôo.
— Vou esperar ansiosa!
— Beijos, Alice.
— Te amo, maninho.
— Eu sempre te amei.
Por um segundo eu pensei que Lucas havia lembrado de tudo, mas deve ter sido impressão minha. Desliguei e devolvi para Thomas, que abriu a porta do carro e me levou para nossa nova casa.
Ao chegar num condomínio bem protegido, me encontrei em um paraíso. Casas grandes com jardins verdes e lindas flores de diversas cores. Logo a frente, Thomas parou em uma dessas casas e eu olhei em volta procurando alguém conhecido.
— É de quem essa casa?
Ele sorriu para mim enquanto tirava os óculos escuros.
— Nossa, Minnie.
Abri a boca surpresa.
— Você não disse que era mais simples do que a antiga?
— Mas é.
Ele sorriu para mim e saiu do carro, dando a volta e abrindo a porta para mim. Entramos e me encontrei numa mansão: o hall era claro e bem receptivo; sala de estar tinha sofá de coro marrom, televisão de tela plana e lareira; a sala de jantar com uma mesa grande de madeira detalhada e um armário espelhado com vidraçaria linda dentro; e a cozinha com ilha, eletrodomésticos de última geração e passagem para o quintal, que era espaçoso e, por último: uma escada de madeira branca para o andar de cima. Subimos e encontramos quatro quartos, um era escritório de Thomas para uso futuro, outro era quarto de hóspedes, o terceiro era nossa suíte e o último, quarto dos bebês. Ele era grande, porém estava vazio com as paredes brancas.
— Cadê as coisas?
— Achei que seria melhor fazermos juntos desta vez.
Não consegui conter o sorriso e logo o abracei.
— Espertinho. Eu te amo.
— Eu sei.
Sorriu e me abraçou de volta.
— Esta com fome?
— Não.
— Não?!
— Qual a surpresa?
— Alice, você sempre está com fome.
Falou elevando uma sobrancelha. Eu ri e logo senti algo.
— Não estou com fome, mas...
— Mas?
— Quero mastigar uma cana de açúcar.
— Que?!
Ele começou a rir.
— É sério, Tommy.
Choraminguei.
— E onde vou arranjar cana de açúcar?
— Eu não sei, mas você, como um Capo poderoso, tem seus modos.
Falei sorrindo e ele suspirou.
— Está bem.
Bati palma festejando e fui para meu quarto tomar um banho. Enchi a banheira branca e mergulhei observando a barriga ficar para fora.
— Dois. Quem diria?
Sussurrei enquanto jogava um pouco de água em cima das criaturinhas.
Suspirei e descansei a cabeça no apoio, fechando os olhos e tentando imaginar como eles seriam. Teriam minha cara? A cara do pai? Ou dos avôs? Qual seria o nome da menina? Aí meu Deus! Eu nunca pensei nisso! Logo me levantei e peguei a toalha preocupada.
— Thomas!
Gritei preocupada, ouvi passos na escada e logo meu marido apareceu com o celular na mão.
— O que foi?!
Perguntou desesperado.
— A-a menina...
Eu não sabia o que dizer, eu estava muito preocupada com aquilo e deixei ele maluco enquanto me enrolava na toalha.
— Fala, Alice! Esta sentindo dor? Tontura? Quer que eu chame o médico?
Comecei a chorar me sentindo mal por esquecer de minha filha que nem nasceu ainda. Ele logo se aproximou.
— Eu esqueci dela.
Thomas, sem entender, colocou suas mãos em meus ombros.
— Respire, e explique direito. Que menina?
— A.. a nossa filha. Eu esqueci dela.
Chorei no peito de Thomas e ele, sem entender direito, falou para a pessoa do outro lado do celular que iria retornar depois e me abraçou em seguida.
— Vai ficar tudo bem.
Neguei.
— Eu esqueci de pensar nela, eu sou uma péssima mãe!
— Como assim, Minnie?
— Eu não sei que nome dar para ela. Nunca pensei nisso. Eu esqueci de pensar nela!
Falei com os olhos cheios de lágrima enquanto encarava ele surpreso e depois rindo.
— É só isso? Não me preocupe assim, amor.
Voltou a rir e foi para o quarto, então eu o segui brava ainda chorando.
— Como pode ficar tão tranquilo com isso?! É sua filha também! Até parece que você não ama ela!
Sentei na cama e voltei a chorar como criança. Ele se aproximou e ajoelhou na minha frente sorrindo e limpando meu rosto.
— Alice, seja qual for o nome que daremos, ela sempre será minha princesa. Amarei-a de todo jeito.
— Promete?
Ele sorriu do jeito meigo.
— Prometo.
Sequei o rosto e fui me enxugar, com a ajuda de Thomas. Me arrumei e ganhei um abraço por trás.
— Você me assustou, sabia?
— Desculpe, mas fiquei muito preocupada.
— Se precisar de ajuda, pergunte para as avós. Aposto que minha mãe tem várias ideias, já que nunca teve uma menina.
Falou apoiando seu queixo em meu ombro. Logo ele abaixou suas mãos e encostou na barriga, sentindo um chute em cada lado.
— Eles me amam mesmo.
Suspirou feliz e eu ri.
Ouvimos a campainha tocar e Thomas logo desceu. Alguns minutos depois, ouvi a porta fechar e ele me chamar. Parei no começo da escada e encontrei ele com um balde na mão. Desci devagar enquanto conversava com ele.
— O que é isso, Tommy?
Ele sorriu como se tivesse ganhado um prêmio.
— Adivinha.
após alguns segundos, acabei de descer e respirei fundo antes de abrir e encontrar vários pedaços de cana de açúcar.
— Tommy!!!
Gritei e o beijei antes de pegar aquele balde e sentar no sofá da sala enquanto o mastigava com vontade. Thomas sentou ao meu lado e respirou fundo como se estivesse cansado.
— Mas já ficou cansado?! Nem foi pessoalmente pegar essa cana, seu sedentário.
Falei com a boca cheia. Ele me encarou, se aproximou, me deu um selinho e roubou um pedaço para ele, mas fez careta e devolveu para mim.
— Como consegue comer algo tão doce?
— Sabia que diria isso, mas você também come um doce.
Sorri e ele me encarou sem entender. Me levantei e peguei minha bolsa que estava em uma das cadeiras da sala de jantar. Dentro, havia uma caixinha branca bem enfeitada e logo entreguei para ele.
— O que é isso.
— Presente.
Sorri e logo ele abriu a caixa e se surpreendeu.
— Alice, onde você arranjou isso?!
— Pedi para Dany fazer alguns para você.
Voltei a sentar ao seu lado com minha cana de açúcar enquanto ele se acabava nos bolinhos de baunilha. Acabei com todo o doce e suspirei satisfeita, logo Thomas fez o mesmo e veio me beijar com a boca toda lambuzada.
— Obrigado, amor.
— Foi um prazer.
Sorri e nos beijamos até o telefone tocar.
— Esse telefone é nosso?
Perguntei sem reconhecer o toque.
— É o telefone de casa, e os únicos que já tem esse número são nossos pais e amigos próximos.
Ele levantou e foi pegar o aparelho em cima de uma escrivaninha.
— Alô? ... Oi, Helena... Sim, fez o primeiro pedido agora mesmo.. — ele riu enquanto me encarava. — quando? Hoje! Eu havia me esquecido. Que horas será?... Certo... Onde?.. Aqui?! — Ele ficou preocupado e colocou a mão na cabeça. — Eu.. esqueci completamente. Eu nem prestei atenção, minha mãe dá uma dessas e quem se ferra sou eu! — Suspirou e fechou os olhos por um minuto.- Certo. Faria isso por mim? Obrigado. Ok, avisarei a Alice. Até.
— O que foi, amor?
Falei preocupada.
— Esqueci que minha mãe havia mudado de ideia e faria uma festa hoje aqui em casa.
Falou deitando no sofá e encostando a cabeça em minha perna. Comecei a fazer carinho e tentei acalmá-lo.
— Calma, vai dar tudo certo.
— Só por que sua mãe mudou o rumo dessa história.
— O que ela disse?
— Que fará a festa na casa dela.
Falou com os olhos fechados, até o telefone tocar novamente. Ele suspirou e pensou se atenderia ou não.
— Deixe que eu atendo.
Levantei devagar e peguei o telefone, atendendo-o.
— Pronto?
— Fala, gatinha. Está curtindo a casa nova?
— Nicolas?!
Me assustei.
— Quem mais teria uma voz sexy dessa?
Falou rindo e logo ouvi uma voz no fundo.
— Me dê isso aqui, idiota!
— Oi, Alice, tudo bem?
— Oi, Alex. Tudo, e você?
— Cansada. O Fillmore não para quieto um minuto. Aproveita, pois depois que esse menino nascer, não vai parar também.
— Menina.
— É menina?
— São os dois.
— Como é? Você vai ter... GÊMEOS?!
Comecei a rir.
— Sim, amiga.
— Gata, te desejo toda a paciência do mundo. Não aguento nem um direito, imagine dois?!
— Você aguenta sim. O Nicolas é o que?
— Verdade.
Rimos nos dois lados da linha até eu ouvir Nicolas no fundo querendo o telefone.
— Alice, o ruivo quer falar com Thomas. Ele está?
Olhei para o lado e encontrei ele deitado descansando.
— Sim, mas está descansando.
— Pode passar, acho que aguento mais uma ligação.
Falou esticando o braço. Eu ri e entreguei o telefone, voltando a sentar e colocando sua cabeça em minha perna.
— Oi, Nick... É... Sim, Nicolas, gêmeos de dois, mesmo! — Prendi o riso. — Não... nem pense que deixarei minha princesa com seu filho!... Não, eles não vão se casar! Ela nem nasceu, Nicolas! ... Imaginei... Hum... sei... o que? — Logo ele tirou o braço livre que estava tampando seu rosto e me encarou sério. — Tem certeza? Porque ele faria isso? Não, tenho certeza, já perguntei... fiz testes também.. não, ele não passou, por que? — Ele logo se sentou e ficou mais sério.
— Tommy?
Comecei a ficar preocupada. Ele se levantou e foi para uma sala que havia no final do corredor. Curiosa, o segui e encontrei outra porta que levava a um quarto cheio de livros, assim como o escritório de James no primeiro Refúgio. Olhei em volta e ele era lindo e claro, mas ao voltar a encarar Thomas, o encontrei na janela passando a mão em seus cabelos em sinal de nervosismo.
— Entendi... farei assim que possível. Conversamos mais a noite... como assim o que tem? A festa, anta! Sim, desta vez será na casa da minha sogra. Enviarei o endereço mais tarde. Ok. Até.
Assim que ele desligou, me aproximei preocupada.
— O que houve?
— Coisas.
— Thomas, não começa a me enrolar. O que ele queria?
— É referente aos negócios. — Ele me olhou sério. — "aqueles" negócios, e tem um cara querendo nos ameaçar. — Ele riu sem graça. — alguém quer morrer, não é. Brincando com gente grande.
Falou cruzando os braços e encarando o quintal. Passei a mão em seu braço para tentar confortá-lo, mas me senti excitada e logo me afastei.
— Tudo bem, Alice?
Assenti dando as costas e indo para a saída, ele logo pegou em meu pulso e me virou, se aproximando até eu sentir sua respiração.
— Está com dor?
Neguei com a cabeça enquanto o encarava. Ele parecia preocupado e passou a mão em meu rosto. Fechei os olhos sentindo seu toque, e logo minha respiração alterou e não aguentei não beijá-lo. O beijo foi tenso e ele logo me pegou no colo e me deitou no chão do cômodo onde estávamos, Com cuidado. Subiu em cima de mim e enrosquei minhas pernas em sua cintura, continuando o beijo. Nos afastamos com a necessidade de ar e ele me encarou com seus olhos azuis, que estavam escuros, de desejo. Mesmo tendo sido rápido, nós transamos no tapete e depois ficamos deitados, com nada além de uma pano — que era um enfeite do sofá — enquanto conversávamos sobre Amélia, e sua mania de festas.
— É sério, minha mãe bêbada, é outra pessoa. Ela se sente jovem e acha que pode tudo.
Comecei a rir.
— Não vejo a hora de ver sua mãe hoje.
— Nem eu.
Ele sorriu e ficou de lado para me ver melhor. Eu estava deitada de lado usando seu braço como apoio para a cabeça e seu corpo como apoio para o meu. Ele passou seus dedos em meu rosto e se aproximou.
— Eu te amo, Minnie.
— Também te amo, Tommy.
Nos beijamos e dormimos um pouco antes da festa.
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