Fix Me

73 The Party


Após sair do meu segundo banho de hoje, — desta vez foi mais rápido. — separei a roupa que ganhei de minha mãe para ir à festa: um vestido cor creme degradê nas pontas e acessórios que combinam com os detalhes dourados do vestido. Ao colocar o sapato e arrumar meu cabelo, bati na porta do banheiro.

— Tommy, assim vamos nos atrasar.

Ele logo abriu e o encontro de toalha e com o rosto liso.

— Eu não ia de barba, não é? — Ele se afastou e me olhou de baixo para cima. — Assim você me mata, garota.

Mordeu o lábio inferior me provocando e logo o beijei com vontade, até ele cortar o clima.

— Se você continuar, vou rasgar esse vestido e cancelaremos a festa.

Suspirei e voltei a minha penteadeira branca para passar a maquiagem.

Quinze minutos depois e já estávamos no carro a caminha da casa da minha mãe.

Thomas parou o carro no sinal vermelho e viu minha perna inquieta.

— Tudo bem, Minnie?

— Hurum.

Ele virou para me encarar.

— Você é péssima mentirosa.

Ele sorriu e eu suspirei.

— Não consigo parar de pensar que, agora temos uma vida normal, mas...

— Mas?

— Isso não vai durar muito, não é? Esse "normal" nunca será nosso de verdade.

— Do que está falando?

Perguntou com a sobrancelha elevada.

— Que somos de uma família de mafiosos, somos perigosos e vivemos no perigo. Nunca poderei sair de casa sem desconfiar de todas enquanto levo uma arma escondida na minha bolsa, não é?

— Você tem uma arma?!

Ele ficou surpreso.

— Sim. Mas não trouxe ela hoje, já que estou com você.

Dei de ombros. Ele se aproximou e beijou minha bochecha.

— Não pense nisso, Alice. Não faz bem para sua saúde.

Suspirei e fechei os olhos enquanto ouvia a música no rádio.

Chegamos no condomínio luxuoso e Thomas abriu a porta para mim, mas ao sair do carro, senti uma pequena tontura e meu marido me segurou com toda sua força.

— Tudo bem?

Assenti enquanto procurava meu equilíbrio. Alguns segundos se passaram até me afastar e deixar Thomas preocupado de verdade.

— Alice, o que está sentindo?

— Apenas uma pequena tontura.

Ele respirou fundo e me ajudou a ficar de pé enquanto me encarava esperando uma resposta melhor. Suspirei de novo.

— Apenas cansada, minha barriga está enorme, e eu serei a única gorda da festa.

Falei de bico e ele logo relaxou um pouco colocando suas mãos em meu rosto.

— Você será a mulher mais linda da festa. Não precisa se preocupar, vou estar sempre ao seu lado.

Sorri aliviada e ele pegou em minha mão me guiando para a entrada.

Ao entrarmos, encontramos vários amigos e família. Todos nos receberam e começaram a conversar e beber. Em vinte minutos, muitos ficaram em volta de Thomas para saber o que ele fazia e como ficou tão bonito — essa parte foi dúvida das mulheres do serviço de seu pai, que não desgrudava do seu pé. Eu estava no bar do meu pai encarando ele enquanto paparicava meu suco de laranja.

— Sempre ao meu lado, não é?

Resmunguei e logo ouvi alguém atrás de mim.

— Parece que alguém está com ciúmes.

Cantarolou minha mãe. Revirei os olhos sorrindo e abracei-a, depois me afastei e fiz drama.

— Odeio me sentir assim.

— Como, Alice?

Ela perguntou ainda com um sorriso calmo.

— Me sinto fraca, dependendo sempre de alguém, medrosa de algo acontecer comigo ou com eles ou qualquer coisa do tipo.

Reclamei e minha mãe riu.

— Bem vindo ao mundo das mães. Calma que só piora.

— Não.

Choraminguei e encostei a cabeça na mesa de madeira.

— Amélia me disse que serão gêmeos. Desculpe não estar com você, querida.

— Tudo bem. Papai me explicou que você tinha uma missão.

Sussurrei e ela sorriu.

— E qual será o nome dos meus netinhos?

Encarei ela com bico pedindo ajuda.

— Você não sabe, não é.

Neguei e logo minha sogra aparece com champanhe na mão.

— Alice, minha querida! Te procurei em todo canto, porque não está com Thomas?

— Porque as matracas não largam do pé dele!

Falei revoltada e ela procurou explicação com minha mãe, que apenas avisou que eu estava com ciúmes. Elas riram da minha cara e me puxaram para a cozinha, onde encontrei um bolo grande de chocolate, doces e salgados em toda parte, além de saladas, comidas diversas e empregadas correndo por todo lado. Passamos por lá e fomos para o quintal, que tinha pouca gente perto da piscina.

— Aqui podemos conversar melhor.

— Sentamos em bancos brancos de ferro e deixamos nossas bebidas na mesa de vidro.

— Mãe, Amélia, preciso de ajuda para um nome de menina.

Pedi pousando cada mão minha em uma de cada uma.

Elas se olharam e sorriram com lágrimas nos olhos.

— Será um prazer, minha querida.

Respondeu Amélia radiante. Então ficamos algum tempo conversando sobre o passado e procurando um nome que merecia ser colocado na primeira neta das duas damas de sangue. As mulheres mais poderosas da máfia europeia e americana.

Logo que nos decidimos, os meninos nos acharam. Mark e James foram para perto de suas esposas e as convidaram para entrarem. Eu fiquei com a desculpa que precisava de um pouco mais de ar, então fiquei sozinha encarando o jardim com pássaros nas árvores e diversas flores no jardim. Mas entre essas flores, uma me chamou a atenção. Um montinho de lilás que ficava escondido bem no canto do jardim. Me levantei da cadeira e me aproximei desta, onde havia uma pequena plaquinha de identificação. Agachei com um pouco de dificuldade e li:

"Lilás — começo de um amor verdadeiro."

Ri baixinho.

— Conseguiu descansar?

Uma voz grossa e ao mesmo tempo tranquila perguntou atrás de mim. Virei e encarei Thomas em pé com as mãos no bolso enquanto sorria para mim.

— Um pouco.

Levantei com ajuda do meu marido que depois beijou as costas da minha mão.

— Tudo bem?

— cadê suas amiguinhas sanguessugas?

— Sanguessugas? — Ele começou a rir e colocou suas mãos em minha cintura. — Está com ciúmes?

Me provocou.

Me afastei e comecei a andar, mas ele me pegou pelo braço e me puxou para um beijo. — Me solta, seu chato! Você não me leva a sério!

— Desculpe não ter ficado ao seu lado.

Falou olhando para baixo. Cruzei os braços e olhei para o lado.

— Tá. — Falei triste. — Mas tem que me agradar em troca de sua atitude infantil!

Ele riu de um jeito fofo e me abraçou.

— Farei isso com muito, muito prazer.

Sussurrou no canto do meu ouvido, fazendo-me arrepiar.

— Para de me provocar! Ainda estou chateada.

Ele se afastou e beijou minha testa.

— Mesmo você não vendo, sempre estarei de olho. Pode ficar tranquila.

Relaxei um pouco e o abracei, encarando o chão com as sombras das pessoas de dentro da casa, mas uma delas me chamou a atenção. Uma sombra que vinha do andar de cima e sua silhueta era familiar.

Sorri ao pensar na pessoa e me afastei de Thomas.

— Tudo bem, amor?

— Pode voltar a festa, -falei encarando o segundo andar. — verei alguém agora e depois nos falamos.

Eu o beijei e depois comecei a andar, o abandonando-o para trás confuso.

Devagar subi as escadas e fui para o quarto onde a luz estava acesa, e com felicidade, abri a porta encontrando Rodrigo Salvatore com Lincoln, Charlie e Lucas.

— An... Desculpe, não sabia que era reunião e... espera... Rodrigo? O que faz aqui?

Perguntei fechando a porta atrás de mim.

— Se alguém descobrir, você será um homem morto, sabia?

Falei brava e ele sorriu.

— Fico grato por se preocupar com minha vida depois de tudo que passamos juntos.

Encarei Lucas, que estava sério e que desviou meu olhar. Estou começando a ficar com medo.

— O que está acontecendo aqui?

— Apenas uma reunião familiar.

Rodrigo falou sorrindo. Um sorriso calmo e tranquilo, como de fosse verdadeiro, porém eu não confiava nele.

— E tinha que ser hoje? Tinha que ser aqui? Porque estão na casa de meus pais? Se Mark botar o olho em você, será um massacre!

Senti minha espinha arrepiar ao falar tudo isso, imaginando e tremendo.

Lucas reparou meu desconforto e se aproximou, colocando as mãos em meus braços e sorrindo para me acalmar.

— Esta tudo bem, foi a mamãe que nos chamou.

Só ouvir isso, percebi a diferença de seu jeito e tive que perguntar.

— Lu, você lembra dela?

Ele sorriu triste.

— Venha comigo.

Ele me guiou para a varanda, para ficarmos a sós.

— Alice, preciso te contar um segredo.