Fix Me
71 Surpresa em Dose Dupla
Acordei no sofá da sala com um aroma de menta em volta de mim. Isso era a garantia de que nada que houve ontem foi um sonho. Abri os olhos e me encontrei deitada no colo de Thomas, que estava sentado. Ele ficou assim a tarde toda? Levantei com um pouco de dificuldade e sentei ao seu lado enquanto apreciava a beleza de seu rosto cansado. Passei a mão em seus cabelos, mas ele não se mexeu.
"Será que estava dormindo ainda? Impossível."
Acariciei seu rosto e me aproximei, passando a ponta do meu nariz em sua bochecha para ver sua reação. Nada. Aquilo me deixou preocupada, então comecei a chamá-lo, que logo respirou fundo e abriu os olhos azuis devagar e me encarou.
— Me chamou?
Soltei a respiração aliviada.
— Achei que estivesse morrido.
— Porque?
— Você não acordou quando me mexi. Parece que está bem cansado mesmo.
Ele deu de ombros. Levantei e estiquei a mão para ele.
— Vem. Vamos tomar um chá bem gostoso e ir para a cama.
Ele se esticou e me acompanhou para a cozinha, com as mãos dadas comigo. Ao chegar na cozinha, ouvi duas pessoas brigarem.
— Como conseguiu trabalhar durante tanto tempo numa cozinha de lanchonete se não consegue fritar um ovo direito?!
— Eu não fritava ovos! Eu Fazia doces!
Ao entrar, encontramos nossos amigos.
— Danny! Kristen!
Falei feliz e fui abraçar os dois. Eles logo disfarçaram a raiva e me cumprimentaram.
— Alice! Thomas!
Kristen falou feliz.
— Thomas?
Danny se assustou ao vê-lo... bem. Tommy sorriu sem jeito.
— Oi, Danny.
O branquelo grandão de quase dois metros de altura foi para cima do meu marido e o abraçou forte. Todos se assustaram com a atitude.
— Você está mesmo bem?
Falou sem desgrudar do amigo.
— Sim, Danny. Finalmente as coisas estão voltando a melhorar.
Eles se separaram e encontrei Thomas surpreso. Curiosa, me aproximei e encontrei o Danny chorando.
— D-Danny, você está. .. chorando?!
Me assustei também. Ele riu e limpou o rosto.
— A felicidade de ver o garotinho, na qual cuidei desde pequeno, finalmente encontrar a felicidade, me emociona.
— Awn.
Eu e Kristen nos emocionamos também.
— Vira homem, Danny.
Thomas falou dando um soco no braço do grandão.
— Isso, Tommy, estraga o clima mesmo!
Falei cruzando os braços e todos riram, até sentirmos um cheiro de queimado e Kristen começar a ficar brava com Danny, de novo.
— O OVO, DANIEL!
Depois do incidente, Fiz um lanche com ovos, salada e maionese para todos. Kristen me ajudou deixando os meninos longe do fogão. Lanchamos e conversamos até altas horas da noite, quando eu percebi que meus olhos não aguentavam mais ficar abertos.
— Acho que preciso levar um bebê para a cama.
Thomas falou se referindo a mim.
— Não sou... bebê.
Falei mas um bocejo me interrompeu e os outros riram.
— Já está tarde, e você precisa descansar, Alice. Esta carregando uma criança.
Assenti enquanto esfregava os olhos. Thomas me guiou para nossa casa e fomos até o quarto vazio. Estranhei, já que Lucas sempre fica comigo. Mas hoje ele não veio, de novo.
— Tommy.
Falei com os olhos fechados.
— Sim?
— Me lembre de procurar o Lucas amanhã?
— Esta bem.
Ele me abraçou, me beijou, me ajudou a colocar o pijama e me sentou na cama enquanto encarava minha barriga grande.
— Quer tocar?
Ele se assustou.
— Eu posso?
— Você é o pai, tonto!
Falei irônica, mas ele ficou com medo.
— E... e se eu... machucar ele?
Peguei sua mão e o beijei.
— Não vai.
Coloquei sua mão em minha barriga e a coisinha logo chutou duas vezes surpreendendo nós dois.
— O que foi isso?!
— Para um nerd, até que você é bem leigo em gestação, hein?!
— Não sou nerd! Apenas gosto de estudar. E não sei de nada sobre gestação. É arrepiante.
Ri.
— Ele chutou, seu Bobo.
— Porque?
Coloquei a mão em seu rosto.
— Porque ele te ama.
— Isso não faz nenhum sentido.
Revirei os olhos.
— OK. Vai estudar sobre gestação e depois conversamos.
Deitei e virei de costas para ele, que logo foi para o outro lado e deitou me encarando.
— Você acha mesmo que ele gosta de mim? Ele nunca me viu!
Suspirei.
— O bebê e a mãe são ligados durante nove meses. Tudo que como, bebo, penso e sinto, ele sente também e demonstra de várias formas. Se remexe, se contrai, ou chuta. Sempre que eu pensava em você, ele chutava, então, quando ele sentiu seu toque, sabia que você era o pai dele. Entendeu?
Ele ficou sem jeito e sorriu tímido.
— Acho que sim.
Ele voltou a colocar a mão e acariciou, logo, senti dois chutes fortes.
— Aí! Ei, isso dói, sabia?
— Você fala com ele?!
Thomas estranhou.
— Lógico! Ele me ouve e pior tem péssimo gosto musical que nem você!
— Esse é meu garoto! Gosta de eletrônica e música clássica!
Rimos então olhei para Thomas e comecei a fazer carinho em seu rosto, até bocejar.
— Vai descansar, Minnie.
— Não posso.
— Porque?
— Tenho medo de isso ser um sonho como nas outras vezes.
Ele se assustou, mas depois sorriu.
— Se eu dormir abraçado com você, melhora?
— Não sei.
Falei e me aproximei, sentindo seu cheiro e fechando os olhos.
***
Acordei de madrugada com os bebê se remexendo. Me virei mas ele não parava quieto até eu levantar. Sentada na beira da cama, suspirei revoltada e fui ao banheiro. Quando voltei encontrei a cama vazia e a porta da varanda aberta com as cortinas voando. Me aproximei e encontrei Thomas apoiado no suporte.
— Tudo bem?
— Sim, apenas acordei sentindo sua falta. O que houve?
— O seu filho não para quieto e me fez levantar da cama.
Falei cansada e ele riu.
— Agora entendi do porque Nicolas mandar eu comprar aquilo.
— Aquilo o que?
Fiquei curiosa e Thomas me guiou para dentro de casa e me levou para outro quarto. Abriu e me deu passagem.
— Se você quiser continuar vivendo aqui com o bebê, fiz esse quarto para ele. Igual do vídeo.
Encontrei o quarto igualzinho de que eu fiz na Itália. Abri a boca e me surpreendi com os detalhes, mesmo sendo parecidos, eram mais lindos do que eu escolhi.
— Que lindo, Tommy!
Olhei para ele, que estava com um sorriso maravilhoso, colocou as mãos em meus ombros e me virou apontando para uma poltrona azul xadrez.
— Só espero que seja menino, ou vamos ter que trocar o tecido.
Ri e o abracei forte.
— Obrigada, amor. Eu amei!
— Experimente.
Sentei e relaxei o corpo. Parecia ter sido fabricado para mim.
— Se quiser voltar para o quarto e dormir, pode ir. Vou ficar. .. aqui mais um pouco.
Falei bocejando. Ele riu e deitou num pequeno sofá onde havia vários bichos de pelúcia. Ele juntou alguns e usou como travesseiro.
— Acho que consigo sobreviver uma noite com tanta fofura.
Falou fazendo careta e eu ri, mas o sono foi mais forte. Coloquei os pés num banquinho que parecia ser o conjunto da poltrona e dormi o resto da madrugada.
***
Ao abrir os olhos, encontrei Thomas sufocado de tanta pelúcia, ele estava quase sumido naquela bagunça. Me estiquei e passei a mão na barriga.
— Gostou do presente do papai?
Senti ele se remexer um pouco, mas parecia que ele também estava dormindo ainda.
Levantei com força e fui até meu marido, me ajoelhando e tirando alguns animais de cima dele e passando a mão em seu rosto. Ele logo respirou fundo a abriu aqueles olhos azuis que lembram o céu.
— Bom dia.
Falou abrindo a boca num bocejo.
— Bom dia, amor. Vamos tomar café?
Ele virou de costas.
— Mais cinco minutos.
— Então eu vou sozinha e vejo se acho o Charlie.
Ele logo pulou da cama bagunçando o resto do quarto.
— Já levantei.
Falou esfregando os olhos e procurando equilíbrio.
— Você é teimoso mesmo, hein!
Ri e me levantei com sua ajuda.
Descemos e fizemos nossa refeição, já que Oshio continua hospitalizada no Japão desde o ataque.
Fizemos ovos, café, sucos, torradas, salada de frutas e outros. Thomas apenas comeu duas torradas e tomou dois copos de suco, o resto eu limpei o prato. Ele logo se assustou.
— Alice, eu sei que você come muito, mas isso não vai te fazer mal?
Neguei com a cabeça, já que a boca estava cheia. Logo levantei e fui até a geladeira, lembrando que tinha bolo de cenoura. Peguei e coloquei um grande pedaço num prato e comecei a comer. Thomas ficou assustado.
— Alice, você está bem?
Suspirei e engoli.
— Você não sabe mesmo nada de gestação, não é?
— Já falei que essa coisa é sinistra! Olha só você! Não para de comer, acorda de noite do nada e vai no banheiro a cada vinte minutos!
Falou com um tom alto de voz, me magoando. Soltei o garfo chorei como criança que estava ganhando bronca do pai. Logo Danny aparece e se assusta com a cena.
— O que você fez, Thomas?!
Falou bravo, eu logo corri para seu abraço e continuei chorando.
— Eu não fiz nada! É ela que fica comendo que nem uma esfomeada! Ela comeu de tudo, torrada, frutas, panquecas, pão e ainda pegou um pedaço imenso de bolo! Para onde vai tudo isso?!
Comecei a soluçar e Kristen apareceu.
— Thomas?!
Ela gritou seu nome como se estivesse brigando com ele.
— Porque todo mundo me culpa?!
Abracei a cintura de Kristen, já que ela era muito mais alta do que eu e ela acariciou minha cabeça.
— Esta tudo bem, querida. Ele não sabe o que fala.
— Ele... ele me chamou de esfomeada e falou alto comigo.
Falei entre soluços.
Thomas gritou bravo.
— Qual o problema de vocês?! Se ela passar mal a culpa não é minha! Foi ela que quis comer tudo isso!
— Thomas, ela está grávida! Ela come por dois! Se não comesse desse jeito, eu ia achar que ela estaria doente!
Logo ele se tocou, mas eu ainda estava magoada.
— Pede desculpa a ela!
Danny falou grosso.
— Eu sei! Não precisava falar!
Falou como um garoto mimado. Mas logo se aproximou de mim e colocou a mão na minha cabeça e desviou o olhar quando eu o encarei.
— Desculpe, Minnie.
— Seu... seu idiota.
Eu o encarei e virei para abraçar ele, que logo colocou as mãos em meus ombros e me apertou.
Kristen e Danny sorriram com nossa reconciliação e depois foram comer. Eu fui ao banheiro limpar o rosto e depois voltamos ao quarto para se arrumar.
— Tommy?
— Sim?
— O que você tem contra o Charlie? Ele sempre nos ajudou e tal.
Ele suspirou.
— É só frescura minha. Desde que ele te raptou, eu não consigo confiar nele totalmente, de novo.
Senti que tinha algo faltando mas ele não queria aumentar a conversa. Nos arrumamos e fomos passear um pouco até ele encontrar Charlie e Pietro no meio do caminho. Olhei para seu rosto, que estava sério e sua mão apertou um pouco a minha.
— Tommy... Esta me machucando.
Ele logo soltou.
— Desculpe, Alice!
Falou preocupado e logo fez massagem onde machucou.
— Thomas, você precisa confiar mais em mim. Eu sei que esta escondendo algo.
Ele suspirou enquanto olhava para baixo.
— Sim. Mas, por favor, não me peça para falar sobre isso.
Me afastei e coloquei a mão em seu rosto.
— Confio em você.
Ele sorriu e beijou minha mão.
— Vamos?
Passeamos até o lago que havia por perto e voltamos, pois ele percebeu que eu estava ficando cansada. Fui pra o quarto enquanto Thomas avisou que iria falar com Nick primeiro. Subi, e depois de meia hora consegui acabar a escada e ir ao quarto. Me arrumei e coloquei a camisa dele, que caiu bem em meu corpo grande. Deixei a leggy e lembrei que precisava ver Alex, como ela estava e tal. Fui ao seu quarto e bati na porta, mas quem abriu foi outro ruivo.
— Nicolas?!
— Sim?
— Thomas não veio te ver?
Ele estranhou.
— Não. Estou de olho no pequeno.
Sorri e disfarcei minha raiva.
— Tudo bem. Volto depois.
Me afastei e o cara fechou a porta sem entender.
"O que será que Thomas está escondendo?"
Agoniada com essa pergunta, fui procurar ele pela casa grande. Rodeei cada canto, não o encontrei e, cansada, deitei num sofá em uma sala qualquer até ouvir vozes conhecidas, olhei em volta e não havia ninguém. Segui as vozes até um armário, onde havia uma abertura para o outro cômodo, onde encontrei Thomas e Charlie encarando um ao outro sério.
— Eu estou falando sério, Charlie. Se você chegar perto da Alice, eu te mato!
— Ainda não entendo do porque essa raiva! Alice explicou que era tudo parte do plano.
— Não estou falando de quando você raptou minha esposa, estou falando do fato de sua família ser de sangue ruim.
Charlie logo bateu forte na mesa que ficava entre os dois, me assustando.
— Não se atreva a chamar minha família de sangue ruim, Thomas. Não fui eu que machucou Alice inúmeras vezes!
— Posso até ter machucado, mas nunca irei matá-la!
— Do que você está falando?!
— Hector Salvatore, matou meu irmão há mais de vinte anos atrás. Rodrigo Salvatore pegou todos os herdeiros para usá-los como armas por meio de um veneno. Lincoln Salvatore foi acusado de matar inúmeros chefes de família por dinheiro e fama, quem me garante que, o neto, sobrinho e filho desses três caras não vá machucar alguém que amo de novo? Ou você achou que, mudar de sobrenome iria te fazer uma pessoa melhor?
"Do que Thomas está falando?!"
Logo meu amigo parecia homem de verdade, com o rosto sério e sangue nos olhos.
— Como pode me acusar por causa do histórico de minha família?!
— Espera, família?!
Falei baixo e estranhando tudo.
— Charlie Salvatore, se você não sair deste refúgio por bem, — Thomas apontou uma arma para Charlie. Aquilo me assustou e comecei a ficar sem ar. — Fará por mal.
Charlie não teve medo e pegou uma arma que havia em suas costas e apontou para Thomas.
Eu já estava ficando assustada e aquilo atingiu o bebê, de alguma forma.
Eu bati no armário e comecei a gritar.
— PAREM!
Logo os dois viraram para mim, mas não me viram.
— Alice?
Ambos me procuravam, mas a dor começou a aumentar e eu senti algo escorrendo em minhas pernas. Comecei a gritar por socorro e logo Thomas e Charlie apareceram assustados.
— Aí meu Deus!
Charlie colocou a mão na boca e parou na minha frente enquanto Thomas me pegava no colo. Cada movimento era uma tortura e eu não sentia mais meu bebê se mexendo.
Thomas me carregou até a enfermaria enquanto eu segurava os gritos de dor entre os dente.
— Alice, respira. Vai ficar tudo bem.
— Salve.... ele.
Falei baixo em seu ouvido, mas Thomas olhou para mim sério enquanto os olhos pesavam.
— Nem pensem em dormir de novo!
— Eu te amo.
Sussurrei antes das dores controlarem meu corpo e eu não ter forças para nada além de fechar os olhos.
Eu não havia desmaiado, eu ouvia o que estava em minha volta, como se estivesse flutuando no escuro.
— O que houve?
Pietro perguntava.
— Ela voltou a sentir dores, mas desta vez está diferente.
Charlie respondia.
— Isso... isso é. .. sangue?
Pietro parecia assustado e agora eu queria ficar assustada, porém, eu não me mexia, não sentia, não falava, apenas escutava as coisas em minha volta.
— Não toque nela! Isso é culpa sua!
— Para de ser idiota, Thomas! Você acha mesmo que eu faria mal a mulher que me salvou do meu próprio tio? Que cuidou de mim e virou minha amiga mesmo sabendo que sou diferente?! Ela também é especial para mim, seu idiota! Agora deixe eu cuidar dela!
— Eu... Não consigo. .. confiar em você.
— Então confie na sua esposa! Ela precisa de ajuda e sou o único médico daqui!
Ouvi Thomas respirar alto e forte, ele estava nervoso.
—Esta bem. Salve minha esposa.
Depois disso não ouvi mais nada, fiquei sozinha naquela escuridão silenciosa.
***
Acordei com apitos seguindo os batimentos do meu coração, aquilo já estava me incomodando então tentei acordar para desligar aquele aparelho irritante. Abri os olhos e encontrei tudo claro, Thomas estava deitado no sofá, Amélia na poltrona, Charlie na cadeira e Mark ao meu lado. Me mexi e tirei o aparelho em meu dedo, que logo ficou apitando sem parar, como se eu estivesse morta. Todos acordaram assustados e me viram sentada de mal humor.
— Filha, você está bem?
Coloquei a mão na barriga e pensei se eu estava mesmo bem, logo senti que ele ainda estava aqui e suspirei aliviada.
— Sim. O que houve desta vez? Ataque de nervosismo de novo?
Perguntei séria para Thomas e Charlie, que se entre olharam culpados.
— Pior.
Mark me assustou.
— C-como assim?
— Você perdeu muito sangue e quase entrou em coma.
Passei a mão na cabeça e tentei me acalmar.
— Mas...?
Lincoln apareceu no quarto com uma prancheta na mão e logo me respondeu.
— Mas está tudo bem, foi apenas um deslocamento da bolsa, vocês três estão bem.
— Três? Quem mais se machucou?
Perguntei sem entender, ele suspirou.
— São gêmeos, Alice. Um casal de gêmeos.
Lincoln falou neutro.
— Gêmeos?!
Todos perguntaram assustados, até Charlie.
Amélia voltou a comemorar, abraçou o amigo e começou a ligar para toda a família. Mark ficou tão branco, que achei que iria desmaiar junto com Thomas. Charlie ainda estava de boca aberta e não sabia se me dava Parabéns ou Desculpas. Eu não sabia o que sentia, então apenas respirei fundo e apertei a mão de meu pai.
— Calma, princesa. Qualquer coisa, você pode contar comigo e com sua mãe.
Logo me toquei.
— Cadê ela?
Ele hesitou um pouco em falar.
— Numa missão.
— Ela virou agente secreto agora?
Ele riu sem graça.
— Vai saber.
Desviou o olhar e depois fomos distraídos com as notícias de Amélia.
— Festa na minha casa amanhã a noite, todos devem ir formalmente.
Suspirei cansada, só de imaginar roupas curtas e grudadas, saltos altos e um quilo de maquiagem na cara.
— Desculpe, Amélia. Mas vou passar essa.
Todos ficaram surpresos, e depois curiosos com a reação da sogra perigosa, que logo suspirou triste.
— Mas a festa é para você e as crianças.
Ela fez bico e juntou as mãos em forma de preces.
— por favorzinho.
Olhei para Thomas que estava de queixo caído ao ver a mãe tão... carinhosa.
— Tudo bem. Acho que aguento algumas horas, se for de sapatilha.
Sorri sem graça e ela logo festejou.
— Vou preparar o buffet e volto para te buscar. Mark, ligue para a Lena e avise que estou buscando-a para algumas compras.
Falou, colocou os óculos escuros e foi desfilando para fora foi hospital. Olhei para meu pai que logo pegou o celular e começou a digitar uma mensagem para a mamãe.
— Vocês voltaram?
— Não estávamos separados, apenas distantes. E sim, sua mãe voltou a morar comigo, ou... eu com ela.
— Onde estamos?
— Nova York.
Suspirei mais uma vez.
— Onde vou ficar?
— Trouxe nossas coisas para um apartamento menos extravagante como de minha mãe, então, posso dizer que você está em casa.
Thomas falou neutro. Charlie tentou sair de fininho mas logo o impedi.
— Pai, pode me deixar a sós com Thomas e Charlie?
Logo os dois congelaram com meu sorriso falso e educado. Mark se levantou, me deu um beijo e de despediu.
— Qualquer coisa, me liga. Chegarei voando.
Assenti que esperei ele fechar a porta, cruzei os braços e encarar os garotos de um jeito assustador.
— Agora, falem.
— Eu não fiz nada, ele que começou a apontar a arma para mim!
— Quem pode ser um traidor não sou eu!
Eles começaram a se defenderem como crianças.
— Chega! Thomas, — Apontei para ele. — foi muito feio da sua parte julgar Charlie por causa de sua família. Se fosse assim, eu nunca me casaria com você. Não se esqueça do porque de nossos pais estarem conversando de um jeito civilizado agora!
Ele cruzou os braços e virou a cara revoltado.
— Charlie, não gostei de como você apontou a arma para meu marido. Mesmo sabendo que foi legítima defesa, sou esposa dele, não posso ficar contra ele, e muito menos você por saber que ele é o Capo Supremo.
— Capo Supremo?
— De acordo com meu pai, a maioria dos chefes de família mafiosa concordaram em dar o poder de defendê-los para o garoto mais perigoso. Não entendi o porque, já que Thomas não mata ninguém há um tempo.
Charlie abriu a boca surpreso e Thomas me encarou sério como se quisesse falar algo.
— Agora os dois irão se abraçar e pedir desculpas.
— O que?!
Ambos perguntaram juntos.
— Agora!
Mandei. Mas ambos fizeram frescura e somente depois de umas meia hora eles finalmente se abraçaram.
— Quanto drama!
Revirei os olhos. Charlie, revoltado, logo saiu envergonhado somente se despedindo de mim e sumindo do quarto.
Comecei a rir.
— Qual é a graça?!
— Desculpe, não aguentei. Foi engraçado ver vocês dois juntos com cara de nojo e abraçados.
Voltei a rir.
— Só você para fazer o Capo pedir desculpas para um ser daquele!
Falou se aproximando de mim e me beijando.
— O que posso fazer? Atrás de um grande homem, existe uma maravilhosa mulher, tipo, eu.
Sorri e rimos.
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