Fix Me
29 O estojo de emergência
Notas iniciais

— Eii. .. acorda. .. precisamos sair.
Ouvi uma voz delicada e rouca assoprando em meu ouvido.
P. O. V Lauren
Resmunguei.
— Vamos, Lauren. Antes que eles nos expulsem ou pior, cobrem mais um dia!
Abri os olhos aos pouco e encontrei Evan agachado na cama ao meu lado.
— Bom dia, gata. Dormiu bem?
— Lógico que não! Depois da noite em claro brincando com você. Consegui dormir só agora!
Ele riu.
— Não vai me dizer que não gostou?
— Eu... — Tentei levantar mas a parte de baixo da minha cintura inteira começou a doer como se um caminhão tivesse passado por mim. — Não.
Fechei os olhos para as lágrimas não fugir e respondi gemendo.
— Tudo bem?
Percebi que Evan ficou preocupado.
— Você quebrou meu clitóris, me fez sangrar e ainda quer que eu esteja bem?
Falei com muito esforço. Evan riu mais um pouco e me pegou no colo. Quando abri os olhos eu estava no banheiro, ele estava me levando para o box. Me deixou sentada nua e começou a tirar as roupas.
— Se você não vai conseguir nem se levantar, imagine tomar banho.
Me surpreendi ao ouvir aquilo.
— NÃO! Eu consigo sozinha!
Quando fui me levantar, doeu mais ainda e me encolhi novamente.
— Sei.
Ele se aproximou sem nenhuma peça de roupa e ligou o chuveiro fazendo a água quente cair sobre mim. Ele me lavou com todo cuidado, me secou e me vestiu sem dizer um única palavra. Eu também não disse nada, apenas observei seu lindo sorriso e seu olhar sobre mim a cada segundo.
— Esta melhor?
Tentei me mexer e percebi que a dor diminuiu, mas não sumiu.
Assenti e comecei a arrumar o que era nosso, ele me ajudou. Saímos de lá o mais rápido possível com medo de alguém ter nos visto e fomos para casa. Ao chegar parecia que não havia ninguém, guardamos nossas roupas e trocamos as outras por pijamas gostosos. Sentamos no sofá e escolhemos um filme de aventura enquanto tomávamos café.
*****
P. O. V Lucas
Acordei com uma gritaria vindo do andar de baixo. Levantei mal humorado e encontrei Alex se vestindo.
— Quem me acordou vai se arrepender.
Ela riu.
— Ei, calma. Aposto que são os amigos da Alice. Soube que a menina gosta do menino mas ele nem percebeu.
— Sério? Eu soube que é o contrário.
— Quem te disse isso?
— Ele mesmo.
Ela ficou surpresa.
— Pois saiba que foi a própria. .. — Ela pensou. — Lauren. Isso. Foi a Lauren que me contou.
Nos encaramos e começamos a rir.
— Que legal, os dois se gostam mas não sabem. Perfeito casal!
Falei irônico.
— Vamos garoto preguiçoso. Preciso comer algo senão vou começar a ficar brava.
Pulei da cama correndo para me vestir.
— É melhor eu me apressar, pois você com fome pode matar metade do mundo.
Ela me deu um tapa no braço. Peguei em sua cintura e a beijei.
— Estou brincando, foguinho.
Ela sorriu e voltamos a nos arrumar.
*****
P. O. V Alice
— Gostaria de tomar café comigo em outro lugar?
Perguntou Amélia me olhando sentada no sofá. Ela estava com um conjunto social preto e um salto alto da mesma cor. Segurava sua bolsa no antebraço e o óculos de sol no outro.
— Já que você perguntou. Mas e o café daqui?
— Mudança de planos. Preciso sair um pouco para me distrair.
— Esta bem.
Olhei para mim e meu look e não me senti mal. Eu estava com uma calça jeans escura, bota preta e um moletom branco. Meu cabelo estava solto e bem arrumado. A segui e fomos a pé para uma cafeteria rústica do bairro. Era um lugar quente e confortável, perfeito para o clima frio e a neve que de formava e deixava uma linda paisagem na grande janela do lugar. Senti que aquele lugar era familiar mas acho que era apenas coisa da minha cabeça.
— Que lindo.
Falei enquanto olhava cada detalhe.
— Eu sei, eu vinha aqui nos finais de semana com Thomas. — Ela suspirou triste. — Parece que esses dias não irão voltar.
Eu não sabia o que dizer para confortá-la, então apenas fomos para uma mesa perto da janela.
— Ele gostava muito daqui e sempre pedia bolinhos de...
— Baunilha?
Falei encarando a janela com a cabeça apoiada na minha mão direita.
— Isso. Como sabe? Por acaso você se lembra daqui?
Olhei para ela e a vi com esperança nos olhos.
— Lembrar... daqui?
Olhei em volta e percebi que não era apenas coisa da minha cabeça e então lembrei. Lembrei de que, quando eu era pequena, brincava de corrida com Thomas até chegar aqui. Lembrei que dividíamos um chocolate quente, pois era muito grande para apenas um tomar ou que eu pegava o seu chocolate quente enquanto ele pegava meus bolinhos. Lembrei dele.
— Vamos, Minnie. Senão irei te deixar para trás.
Thomas corria pelo estacionamento do local.
— Espera, Thomas!
Ao terminar a frase, tropecei em uma pedra e ralei o joelho. Thomas logo correu em minha direção preocupado.
— Alice, esta tudo bem?
Eu estava com o rosto para baixo, tentado esconder as lágrimas e apenas confirmei com a cabeça.
— O que houve?
Uma voz mais velha falou preocupada.
— Mãe, a Alice caiu.
— Esta tudo bem, Alice?
Assenti novamente sem sair do lugar.
— Mãe, você pode me dar aquele estojo e depois ir comprar o chocolate quente para a gente, por favor?
— Esta bem. Mas tenham cuidado.
— Tudo bem.
O chão era cheio de pedras e areia, então senti o meu joelho arder e o som de passos se afastando.
— Tudo bem, Alice. Ela já foi.
Soltei a respiração e dor aumentar me obrigando a fazer uma careta e fechar as mãos. Thomas me pegou e me colocou em suas costas.
— Ei, já estamos sozinhos. Pode abrir os olhos agora.
Ao abrir, me encontrei no banheiro da cafeteria. Eu estava sentado na privada e ele ajoelhado na minha frente com um estojo preto na mão. Ele abriu e pegou algodão e um pequeno frasco com algo líquido dentro. Molhou o algodão e passou no pequeno machucado de meu joelho fazendo-me gemer de dor. Coloquei a mão na boca para abafar minha dor e fechei os olhos com força. Senti a mão de Thomas no meu rosto.
— Não tem problema chorar agora. Ninguém está vendo.
Balancei a cabeça negando. Thomas ligou o ferimento e colocou um curativo. Abri os olhos aos poucos e senti eles arderem. Minha vontade de chorar não passou, mas o motivo era outro. Vergonha, por mostrar fraqueza na frente de alguém.
— O que foi, Alice? Ainda dói?
Neguei e tentei não olhar para ele, mas suas mãos quente encostaram em meu rosto e me virou delicadamente para eu encará-lo.
— Qual o problema? Pode falar. Prometo não dizer a ninguém.
— Meu... meu pai disse que chorar na frente dos outros é sinal de fraqueza. E que é vergonhoso uma filha de alguém tão importante ser tão fraca.
Falei com lágrimas que ardiam para sair. Thomas ficou surpreso e me abraçou, forte.
— Esta tudo bem. Pode curar para mim. Eu prometo que irei sempre te proteger. Lembra? Você será minha no futuro, então pode confiar em mim.
Aquelas palavras simples me fizeram desabar em seu pequeno peito e ficamos assim por algum tempo. Lavei o rosto que estava vermelho estava inchado. Quando Thomas ia abrir a porta para sairmos, peguei em sua camisa por trás.
— Thomas, vou ficar mais um pouco aqui.
— Porque?
— Meu rosto está inchado e vermelho, e todos irão fixar me encarando.
Falei triste. Mas ele logo tirou seu boné preto com linhas pretas e colocou em mim forçando-o para baixo.
— Pronto. Ninguém vai perceber agora.
Ele pegou em minha mão e me levou até a mesa onde sua mãe estava.
Ao lembrar de seu ato sorri e Amélia percebeu meu rosto corado.
— Se lembrou de algo?
— Sim. — Olhei para ela. -De um estojo de emergências.
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