Five Nights at Teddy's
4 Their Story
P.O.V. Ford
Segunda noite nesse lugar desde que tentaram me matar. Ai, como eu senti falta daqui...
É...
Só que não.
Havia algo errado com aquela Annie. Ela estava danificada de mais para ser tão nova quanto dizem. Observei-a com mais atenção. Suas mãos eram levemente vermelhas, como se houvesse sangue seco nas mesma há um bom tempo. Seus cabelos castanhos tinham fios dourados e alguns vermelhos e pareciam ter sido cortados por alguém sem experiência.
Ah, Arthur não dever ter mencionado isso. Os cabelos dos robôs são de verdade. Eu não sei quem os fez mas são parecidíssimos com cabelos humanos. As roupas também são normais. Eles poderiam trocá-las se quisesse.
Percebi que a orelha esquerda dela estava meio quebrada e alguns fios saíam dela. Falando nisso, a tinta marrom das orelhas e do rabo pareciam estar descascando, revelando um tom dourado manchado. Suas roupas estavam rasgadas e sujas em vários pontos. Além disso, seu rosto, braços e pernas estavam cheios de buracos por onde saíam fios como os de sua orelha.
Até sua gravata e chapéu tinham algo estranho. O preto parecia ter sido pintado por cima de alguma outra cor já que nas partes em que estava descascando era possível ver um tom de azul escuro ou roxo.
Ao perceber que eu encarava de mais, ela perguntou:
—Perdeu alguma coisa em mim?
Delicada...
—Você parece bem antiga-comentei-O que está escondendo?
Annie, Teddy e Jamie trocaram olhares. Jeanine franziu a testa, desconfiada. Obviamente já havia notado isso, mas não achava que era uma boa hora para perguntar.
—Bem, acho que vou contar-a garota ursa disse-Teddy e eu não somos novos como dizem. Apesar de eu ter sido ativada mais tarde, fui criada enquanto o Fredbear's Family Diner ainda existia. Um tempinho depois de fecharem, o irmão mais velho do pai de Jamie abriu a Golden's Bakery, em homenagem àquele restaurante.
—Fui construído para esse lugar-Teddy continuou-Eu tinha orelhas e rabo dourados, cabelos loiros e eu usava uma roupa diferente. Minha gravata e o chapéu eram de um tom azul escuro. Meus tênis tinham duas cores: um era preto e o outro era dourado. Minha blusa tinha esses dois tons também e minha calça era preta. Até meus olhos eram diferentes. Na verdade, na época o cara que nos desenvolveu não conseguiu fazer uma reprodução de olhos humanos, então fiquei apenas com aqueles brilhos prateados nos buracos onde deveriam estar os olhos.
—Eu era igual à ele. As únicas diferenças eram meus cabelos compridos e o fato de que eu usava um vestido-Annie falou-Éramos atrações da Golden's Bakery. Eu cantava e ele tocava guitarra. Eu era conhecida como Goldie e ele como Golden Teddy. Fizemos muito sucesso e a Golden's durou muitos anos. Até que um dia o dono adoeceu e vendeu a franquia para o pai de Jamie para que pudesse usar o dinheiro para pagar seu tratamento.
—Ficamos abandonados durante vários anos, até que a Fazbear's Fright pegou fogo e ele decidira abrir uma confeitaria-Teddy explicou-Por estarmos velhos, a nossa tinta dourada já estava bem acabada e manchada, parecendo quase um marrom. O pai de Jamie decidiu mudar as nossas cores e nossas roupas. Ele até fez Annie se tornar uma contadora de histórias e eu um cantor. Por sermos mais antigos, mudar nossa programação foi um trabalho e tanto. Ele criou novos robôs e decidiu não fazer muitas mudanças em Annie. Colocou apenas olhos vermelhos e mudou suas roupas. Seus cabelos já tinham perdido a cor e ela estava meio danificada. O dono decidiu que assim ela tinha um ar meio macabro que concordava com as histórias de mistério e terror que eram sua especialidade.
—A primeira Teddy's Cakes não durou muito-Annie disse-Não gostavam de mim nem de Catherine e os outros robôs também não achavam lá grande coisa. Então, chegou esse dia do qual ninguém se lembra. Quando eu me dei conta, já estava trancada em uma sala, com o cabelo cortado e parte de uma orelha quebrada sabe-se lá o porquê.
—Um tempinho depois, eu decidi reabrir a Teddy's. Fiz algumas mudanças no ambiente para deixá-la mais bacana e reformei quase todos os robôs-Jamie contava-Queria fazer o mesmo com Annie e Cat, mas meu pai insistiu tanto que não as usasse que acabei desistindo.
—Espera.
Todos olharam Jeanine. Ela estava com uma cara de quem acabara de descobrir algo.
—Você estava sem parte da orelha e com o cabelo cortado. Te trancaram em uma sala e insistiram que nunca mais te usassem-Jeanine dizia-Além disso parece que tem sangue em suas mãos. Será que...
Eu entendi o raciocinio dela.
—Annie atacou alguém! Claro! Isso explica tudo!-exclamei-O que eu sabia era que algo acontecera e que as pessoas chegaram correndo ao ouvir os gritos de uma criança. Não gostavam muito de Annie. A criança provavelmente cortara o cabelo da nossa robozinha aqui e depois quebrara parte de sua orelha. O sistema dela interpretou a criança como uma ameaça e tentou se livrar dela! Tudo se encaixa!
—Nossa, você não é tão burro como parece-disse Arthur.
—Ora seu...
E começamos a discutir.
—Cala a boca!-gritei.
—Vem calar!-ele retrucou.
—Tá!
Pulei em cima dele, derrubando-o e tampei sua boca com minhas mãos.
—Parem vocês dois!-Jeanine e Jamie disseram ao mesmo tempo.
Fuzilei Arthur com o olhar e ele mordeu minha mão. Xinguei e me levantei, balançando a mão como se isso fosse afastar a dor. Ele se levantou em seguida, dirigindo seu olhar aos robôs.
Fiz o mesmo e vi Teddy observando Annie. Esta, por sua vez, encarava as mãos.
—Vocês realmente acham que eu ataquei uma criança?-ela perguntou.
Jeanine tentou ser delicada:
—É a explicação mais lógica. Mas você estava apenas se defendendo.
—É minha culpa que a Teddy's fechou-ela murmurou.
Teddy colocou uma mão no ombro dela.
—Não foi culpa sua, sis.
Annie balançou a cabeça.
—Se falarem com o pai de Jamie-ela falou-Se estiverem certos...ele vai confirmar.
Jamie fez uma careta.
—Meu pai saiu hoje de manhã e só volta depois de amanhã à noite.
—Mas de noite estaremos aqui-o Idiotarthur nos contou o óbvio.
—Bem, são cinco e cinquenta e nove. Bolamos um plano amanhã e o desenvolvemos na quinta noite de Arthur. Tenho uma ideia em mente-Jeanine falou.
—Não acham estranho o fato de que os robôs não tentaram atacar nessas duas últimas noites?-Arthur perguntou.
—Bem, eu sou o dono daqui. Talvez não matem pessoas na minha frente por medo de que eu os desmonte-Jamie sugeriu.
Nossa, faz muito sentido...
Seis horas. Annie e Teddy voltaram aos seus lugares e nós, humanos, fomos embora. Teríamos duas longas noites pela frente.
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