P.O.V. Arthur

Chegando ao Teddy's aquela noite, vi Jamie com uma mulher ao seu lado. Ela parecia com Annie. Suspeito. Ele acenou para mim, sorrindo.

—Hey, Arthur! Essa é minha prima, Jeanine-falou.

A tal Jeanine o fuzilou com o olhar.

—Pare de me chamar assim!-ordenou-Não sou sua prima.

—É que implicar com você é legal-ele riu.

Ela respirou fundo, como se buscasse uma paciência que não tem.

Decidi levá-los à minha sala antes que a mulher tentasse matar seu não-primo.

Enquanto eles discutiam algo sobre as câmeras, fiquei ouvindo o último áudio. Ele não tinha nenhum nome específico. As coisas que o Cara dos Áudios estava dizendo...que estranho. O que será que aconteceu?

De repente, Jeanine arrancou meus fones.

—Que cara é essa?-perguntou.

—Hã...estou ouvindo um áudio gravado por um antigo vigia noturno e...acho que vão querer ouvir isso.

Voltei o áudio do início, coloquei o volume no máximo, desconectei os fones e dei play.

—Uh...hey! The last day! A partir da semana que vem vou estar no turno do dia, então...agradeça a mim seu emprego. Ou não. Se você morrer a culpa será minha então...esquece-ele riu-Por estranho que pareça, essa noite está bem calma. Quando saem do lugar, consigo me livrar facilmente dos robôs.

Ok, aí já começou a estranhar. Livrando-se fácil? Isso não parece com o que vi ontem e olha que foi o primeiro dia.

Ouvimos o som de algo quebrando no áudio e depois um grito.

—Ah, desculpe por isso. O Sistema de Som está ligado. Quem será que gritou? Vou ligar as luzes. Ah, Catherine está na 6F. Parece que ela quebrou um prato. Só espero que não descontem isso do meu salário. Mas...ela está olhando para algo. Parece...assustada. O que...hã...ok isso é estranho-seu tom agora era mortalmente calmo-Sabe, eu trabalhei na última atração da franquia Fazbear. A Fazbear's Fright, sabe? Lá tinha um animatrônico. Uma, na verdade. Era bem antiga e parecia toda detonada. Era uma Spring Bonnie, da antiga Fredbear's Family Diner.

Eu tinha chegado até essa parte quando ouvia com os fones e me perguntava onde ele queria chegar com aquilo.

—Mas...houve um incêndio na Fazbear's Fright e tudo que sobreviveu foi leiloado. Nem me lembro daquela rôbozinha ter sobrevivido. Então...o que a Spring Bonnie faz aqui?

Todos nós na minha sala arregalamos os olhos e trocamos olhares confusos e assustados.

—Quando eu trabalhava lá, o som a atraía. Talvez, se eu fizer silêncio...

O áudio se manteve quase mudo, a não ser pelo som da respiração do cara que o gravara.

Um som estremamente alto e incômodo ecoou, repentinamente. Nós três gritamos de susto e tudo daí em diante no áudio era silêncio.

—Ele...morreu?-perguntei.

—Pareço morto para você?-uma voz conhecida questionou.

Mais uma vez nós gritamos. Ergui o olhar do celular e, na minha frente, havia um cara aparentemente um ano mais velho que eu com os olhos fixos em mim. Estava debruçado sobre a mesa de madeira. Ele tinha cabelos e olhos pretos. Na verdade, tudo que ele usava era dessa mesma cor. Jaqueta de couro, calças e botas de caça.

—Ah, Ford. Que susto, cara-falou Jamie, com um sorriso nervoso.

Eu estava me sentindo estranho perto desse Ford. Não contando a pele levemente bronzeada, tudo nele é escuro. Já eu, com meus cabelos ruivos, olhos azuis, blusa branca, casaco verde, calças vermelhas e tênis marrons, sou todo repleto de cores.

Ford sorriu ao perceber meu desconforto. Não gostei desse cara.

—Ok, tem algo que eu deveria contar-disse Jamie-Todos os antigos vigias daqui foram assassinados.

—OI?-perguntei em um tom de pânico, me virando para ele.

—Não espalhei isso porque sempre havia sangue no chão, mas como não havia rastros humanos, não poderia provar que foi uma pessoa a assassina. Culpariam os robôs devido à má fama gerada desde a franquia Fazbear. Mas não havia rastro de sangue nas mãos de meus robôs e lavá-las seria burrice, pois correria o risco de a água entrar dentro deles e causar algum curto-circuito, ou sei lá.

—Ok, vamos investigar o fechamento da antiga Teddy's depois. Isso é algo mais importante-Jeanine concluiu.

—Concordo-disse Annie.

Todos menos Ford gritaram. De onde é que essa garota veio?

—Já falei que você é um péssimo vigia noturno?-ela perguntou.

Ford riu.

Filho da puta.

—Sim, você me disse isso ontem-falei.

—Foi uma pergunta retórica, gênio-ela disse.

—Ok, me expliquem o que está acontecendo-pediu Jamie.

Contei o que acontecera ontem e a conversa que tive com Annie e Teddy.

—Bem, no momento vamos deixar esse acontecimento de lado e tentar descobrir quem e por que fariam um animatrônico querer matar um vigia-Jeanine parecia estar pensando em algo-Ford, descreva esse anomatrônico com o maior número de detalhes que puder.

Enquanto Ford dizia como Spring Bonnie era antiga, suja e esfarrapada, Teddy entrou na sala e Annie o deu um resumo geral do que foi dito até agora.

—Dei um zoom na câmera quando Spring Bonnie estava por lá e vi que por dentro, essa é a parte estranha, havia um esqueleto-disse Ford.

—O quê?!-Teddy e Annie perguntaram juntos.

—Pois é. Não poderia estar sendo usado como fantasia e nem como robô, porque já tinha algo dentro. Um esqueleto.

Jeanine, que estava sentada em cima da mesa, se levantou, com cara de quem está desenvolvendo uma teoria.

—Haviam muitos rumores sobre os animatrônicos da Fazbear estarem possuídos. Eles não podem funcionar sem um endoesqueleto ou uma pessoa viva os controlando por dentro então...-ela soltou uma curta risada nervosa-Vocês não acham que...

Trocamos olhares nervosos. Menos Ford, ele parecia bem calmo, como sempre.

—Ok, só me explique uma coisa, Ford-pedi-Quando aquele som estranho que ouvimos no áudio...

—Jumpscare-ele me interrompeu.

—Hein?

—O som. Na Fazbear's Fright chamavam isso de jumpscare.

—Tanto faz. Já descreveram para mim esse som e disseram que, quando isso acontecia, o vigia noturno poderia dar adeus. Como você sobreviveu?

—Quando vi que Spring Bonnie estava para dar o jumpscare, saí correndo. Ela tentou me atacar antes, mas fui mais rápido.

—Que pena...

Ele me olhou, erguendo as sobrancelhas e eu sorri cinicamente.

Annie e Jeanine sorriam para mim e Ford de um jeito engraçado. Nossa, até o sorriso delas é parecido.

Espere aí...

Será que o Jamie...

Nah...

—Espera, tem uma coisa que não faz sentido-disse Jamie.

Só então eu percebi que ele estava com o celular na mão e os fones no ouvido.

—Por que você disse que não deveria deixar os robôs entrarem na sala?-perguntou, olhando para Ford.

—A Jenny, Jake e Julie tentaram me matar algumas vezes, então achei que seria uma boa ideia recomendar isso.

—Mas nenhum deles foi programado para matar. Por que será que estão agindo assim?

—Espera...-mais uma vez, Jeanine estava com aquela cara de quem tem algo em mente-Todos começaram a atacar de uma vez?

—Não-Teddy respondeu-Primeiro foi a Julie, depois a Julie e o Jake, depois a Julie, o Jake e a Jenny.

—Quantos vigias foram mortos?

Agora, Ford, Teddy e Annie pareciam ter sacado o raciocínio de Jeanine.

—Três-Jamie falou.

Então, conectamos as peças e entendemos onde ela queria chegar.

—Wow...essa teoria nunca passou pelos meus circuitos antes, mas faz sentido-Annie disse.

—Vocês realmente acham que...-Jamie começou, mas foi enterrompido por Jeanine.

—Esses três robôs estão possuídos.