Five Nights At Decennary
9 Pesadelo
LONDRES, TARDE DE 28 DE ABRIL DE 2008
Hermione tamborilou os dedos, encarando inexpressivamente a mesa que tinha diante de si, contraindo o punho da outra mão sobre a beirada do móvel.
Podia observar livremente a pequena maquete mágica, de forte cor azul, deslizando os dedos suavemente nas seis pequenas miniaturas zoomórficas ao canto.
Girou o indicador com o polegar, ampliando aquela aprte em especial. Verificou os pequenos pontos puslantes das miniaturas, contando , de modo distraído, quantos deles estavam em funcionamento.
Quatro em atividade. Duas em repouso.
— Estão desativados – murmurou consigo mesma, soltando um muxoxo, vincando a testa pensativamente – então ainda extão na sala, afinal...
Estava reservando o melhor para o final. Os dois ainda inativos haviam sido criados com uma surpresa a mais, ao contrário dos demais robôs. Reservaria-os aos restantes que ainda ousassem recusar lutar contra os demônios de seu passado.
Não conseguia ver os demais elementos. A magia que conjurara ao redor do prédio, pelo visto, não era forte o bastante para identificar os cinco humanos enclausurados ali dentro.
Devido á essa pequena falha, estava incapacitada de saber o que ocorria no galpão.
Não podia saber quem havia se arriscado a sair da sala. E, mais improtante ainda, quantos ainda ainda tinham sua sanidade – e vida – intactas.
Sua conexão com Lutra, adormecida dentro do núcleo inativo da animatrônica, também não poderia ajudar agora. Enquanto algo não levasse-a a despertat, não teria acesso algum ao interior do local.
Percebera, com um pequeno assomo de receio, que todos os doadores do Projeto Otter – incluindo ela mesma – andavam apresentando sintomas de cansaço e insônia durante a noite.
Ainda de manhã, Gina lhe mandara uma carta – no geral, bem-humorada – se queixando de que aparentava ter perambulado a noite inteira, acordando com mais sono do que quando foi dormir.
O comentário brincalhão lhe pareceu uma pedrada na nuca.
Não havia esperado por aquilo – não em escala tão perceptível. Talvez o fato da magia interferir numa extensão do DNA do doador estivesse refletindo os efeitos do que os animatrônicos estavam fazendo em suas patrulhas noturnas.
Sabia que aquilo não podia ser levado a público de maneira alguma — mesmo que sentisse um leve remorso por causar aquilo em seus amigos, que mal desconfiavam do que poderia estar a ocorrer no depósito. A auror tivera o cuidado de interditar o local, até a data de exposição do Decenário.
Contudo, não usaria isso como pretexto para abortar seu plano.
Havia planejado aquilo a muito tempo. Era tarde demais para retroceder agora.
Só interviria em uma – e apenas uma – determinada situação.
E, conhecendo suas incorrigíveis e desprezíveis vítimas, tinha quase certeza de que ela jamais ocorreria.
Uma risada amargurada cortou-lhe a garganta, escapando por seus lábios como um lamento torturado.
Sempre encarara o assassinato como algo deplorável, um pecado imperdoável. E, ironia das ironias, parecia ser sempre esta a solução para combater o mal. A única coisa que parecia aliviar levemente sua eterna sede por justiça.
Vira o bastante em Hogwarts para se tornar alguém intolerável á crueldade dos homens.. E nada jamais a iria demover disso.
— Mamãe!
Saltou de surpresa, ocultando a maquete com um aceno gracioso da varinha. Virou-se para trás, ainda sentada, vendo a filha correr a passinhos largos em sua direção.
Percebeu, alarmada, que ela estava chorando.
— Oi, querida – ofegou, pegando a menininha no colo – o que foi?
Rose fungava. Os olhinhos da pequena estavam arregalados e úmidos. Aparentava ter acordado assustada se sua soneca da tarde – e correra para procurar Hermione.
— Mamãe… — choramingou a criança, enfiando o rostinho no ombro da mãe. Hermione a sentia tremer contra seu corpo, e seus dedinhos apertarem seus ombroscom força.
— Ah, Rosie… — Hermione afagou os cabelos ruivos da menina – teve um pesadelo, meu amor?
A garotinha assentiu, erguendo um olhar choroso para Hermione.
— T-tive… tive… — soluçou, as bochechas vermelhas de tanto chorar – um monstro… tô com medo, mamãe…
Hermione suspirou, envergando a cabeça. Passou os polegares abaixo dos olhos de Rose, secando suas lágrimas, acariciado o rostinho da menina.
— Não precisa ter medo, meu amor – sussurrou, sorrindo – a mamãe e o papai estão aqui. Não há nada para temer – Hermione piscou – quando eu era pequena… quando o vovô e a vovó Granger descobriram que eu era bruxa… eles contavam histórias sobre uma velha e sábia fênix, que seria minha protetora e guia. Ela me protegeu por muito tempo, mesmo que eu nunca tivesse me dado conta… — Hermione ergueu os olhos aleatoriamente, como se rememorasse algo que a emocionasse — e, assim como essa fênix, você também tem seus anjos da guarda.
— Tenho? — indagou Rose, espantada.
— Claro que tem – riu-se – tem vários. Praticamente tem um zoologico todo – brincou, arrancando uma risadinha da filha — e, principalmente… terá a ela.
Erguendo sua varinha, a mulher conjurou o feitiço não-verbalmente. Maravilhada, Rose assistiu uma lontra prateada emergir da ponta da varinha da mãe, dando uma cambalhota brincalhona, esgueirando-se pelos bracinhos da criança como um gato. A criança deu um gritinho de satisfação infantil, admirando a luminosidade encantadora do animal.
— Uma lontra! — arrulhou, observando o patrono deslizar para fora de seus braços – ela vai me proteger?
— Não apenas isso. Ela vai te vigiar o tempo todo… principalmente enquanto estiver dormindo. Nada em seus sonhos poderá te ferir — sua voz tomou uma consistência mais séria – ela nunca deixará que nada nem ninguém lhe faça mal, meu anjo. Nada de ruim jamais vai acontecer com você.
— È? — fungou Rose, insegura.
— Sim… — beijou a testa de Rose — é uma promessa, minha flor.
Abraçou a filha, olhando fixamente adiante.
Sabia que sua promessa era verdadeira.
Dedicaria sua vida á erradicar qualquer ameaça que pusesse em perigo a vida de sua família. Ou que fizesse mal aos seus amigos. Não deixaria que provocasse uma pequena porcentagem que fosse do que haviam sofrido em suas crianças.
E, tal como estava fazendo com os miseráveis Comensais da Morte, um dia faria com que qualquer bruxo das Trevas temesse o som de seu nome.
Fale com o autor