"Quem não sabe o que procura, não descobre quando acha."

Ela estava animada com a ida à montanha e usava o colar que ganhou de presente de Scorpius. Originalmente o colar tinha um pequeno frasco de poção com uma rosa vermelha dentro, mas como Rose colocou a sua parte do presente de dois lados que havia dado ao garoto.

Enquanto o dele mostrava um holograma de vidro com a constelação de escorpião, a ruiva tinha uma pedra por hora translúcida, mas que mudaria de cor caso o garoto ficasse em perigo. Rose havia pedido a seu pai para reduzir a pedra para que ela pudesse colocar dentro do frasco. Assim, além da rosa havia uma pequena bola de vidro dentro do colar.

— Vamos logo Rose. — apressou o Hugo.

— Estou pronta. — disse a garota e prendeu a sua câmera em volta de seu pescoço.

A ideia dos Andrew não era levar a família toda para as montanhas, e mesmo depois da visita dramática que Rony Weasley poucos dias antes, o pai da ruiva insistiu que iria junto. Como não tinha barganha, a Sra. Andrew aceitou a condição e ficou esperando na recepção do hotel.

— Eu recebi uma carta ontem. — disse Rose enquanto andava ao lado de Jason. Eles estavam pouco mais para trás para que os outros não ouvissem a conversa. — Eu sei o que significa tudo aquilo escrito no túmulo.

— Como assim? — Jason perguntou impressionado.

— Andem logo. — chamou Rony seguindo a Sra. Andrew para entre as árvores.

— Certo. — disse a Sra. Andrew parando em um lugar reservado onde os carros que passavam não conseguiriam ver o grupo. — Não posso aparatar com muitas pessoas então serão dois por vez. Primeiro Rose e Jason.

— Eu quero ir primeiro. — disse Rony rapidamente. — Eu vou com a Rose e Hugo espera com Jason.

— Está bem. — disse a Sra. Andrew um pouco desconfortável com a situação.

Rose imaginou que a mãe de Jason queria aproveitar para conversar com eles antes de trazer a família da ruiva, mas seu pai estava disposto a não deixar isso acontecer. Mesmo sem entender muito bem o motivo, Rose apenas tomou o braço da mãe de seu amigo e sentiu o estranho embrulho no estômago.

— Não saiam daqui. — avisou a Sra. Andrew assim que eles chegaram no topo da conhecida Troll Wall e aparatou novamente para buscar o restante do grupo.

— Tinha me esquecido como era a sensação de ser aparatado. — disse Rony e a ruiva olhou para ele confusa. — É como ser o motorista ou o passageiro, um dia você vai entender a diferença.

Rony passou o braço ao redor da filha e olhou em volta para ver a vista.

— Não vou deixar que machuquem minha garotinha. — disse Rony e Rose olhou para seu pai sem entender, mas antes que pudesse perguntar algo, o resto do grupo já tinha aparecido em sua frente.

— Desculpe a demora. — comentou Jason. — Seu irmão fez um drama antes de vir.

— Eu precisava ter certeza de que ela estava falando a verdade. — argumentou Hugo. — E se ela tivesse levado vocês para alguma prisão secreta e eu fosse o único que restasse para contar a mamãe quem havia levado vocês.

— O que? — perguntou Rose confusa. — Da onde você tirou isso?

— Eu sei que enfermeiras aprendem aparatar com um grupo de até 10 pessoas. — Hugo disse e deu de ombros. — Se ela é mesmo uma enfermeira do Saint Mungus, aparatar com 4 pessoas não teria sido problema.

— Eu sou enfermeira. — disse a Sra. Andrew como se já tivesse feito a afirmação pela décima vez. — Nós aprendemos mesmo a aparatar em números grandes para conseguirmos salvar a vida de mais pessoas em caso de algum desastre ou se estivermos em alguma situação de perigo. Mas não é recomendado.

— Mas… — Hugo ia argumentar novamente, mas foi parado pelo olhar severo de Rony. — Ok, então eu acredito.

— Finalmente. — disse a Sra. Andrew. — Agora podemos ir atrás do que realmente importa.

— Que seria o que exatamente? — perguntou Rony.

— Aves. — disse a Sra. Andrew após um momento de hesitação. — Jason gosta bastante de aves e quando contou para sua filha, ela avisou que gostaria de acompanhar, por isso estamos todos aqui. Mais alguma coisa que queiram falar antes de irmos?

Pela primeira vez desde que haviam saído do hotel, todos ficaram em silêncio e a Sra. Andrew respirou fundo antes de seguir o caminho para as árvores. Tudo tinha sido tão rápido que Rose nem havia pensado em uma boa desculpa para dar a seu pai. Por sorte a Sra. Andrew havia dado uma resposta a todas as possíveis perguntas de seu pai. Ela não entendia o motivo de sua família estar agindo de forma tão estranha, mas por enquanto, não queria ocupar a mente com eles.

— Não tem nem pombo aqui. — reclamou Hugo depois de alguns minutos andando.

— Ouvi dizer que há um ninho por aqui em algum lugar. — informou a Sra. Andrew.

— As árvores mais densas estão para lá. — apontou Hugo para a outra direção. — Não vamos encontrar nada aqui.

Hugo fez um movimento com os braços para que eles olhassem para as poucas árvores que haviam ali e congelou ao ouvir o que parecia um estalo alto como se de uma árvore se quebrando não muito longe dali.

— Vamos nos manter unidos. — disse a Sra. Andrew e logo em seguida um som alto como um rugido foi ouvido e Hugo correu.

— Hugo! — gritou Rony e foi atrás do filho.

— Eu disse para ficarmos juntos! — a Sra. Andrew gritou e foi atrás dos dois, seguida de Jason e Rose.

— Qual o problema de vocês?! — perguntou Rose para seu pai e irmão assim que chegou perto do grupo.

— Aquilo era definitivamente o som de um troll montanhês. — explicou Hugo. — No livro de criaturas mágicas diz claramente que apenas bruxos experientes devem tentar um confronto direto, mesmo assim é perigoso. Não reclamem comigo, eu salvei a vida de vocês.

— Sair correndo sozinho pela floresta também não é uma opção melhor. — reclamou Rose. — Parabéns, agora a gente está bem mais longe.

— Não tem problema Rose. — disse a Sra. Andrew. — Vamos dar uma olhada por aqui e esperar que o troll passe.

— Que tipo de aves estamos procurando exatamente? — perguntou Hugo.

— Qualquer uma diferente das de Londres. — respondeu Jason rapidamente.

— Vamos por aqui. — disse a Sra. Andrew e continuou a andar. — E por favor não corram se ouvirem qualquer outro barulho.

Rose andou com o grupo por horas e não encontraram sequer um pássaro. A Sra. Andrew parou um momento e distribuiu alguns sanduíches e bebidas que havia levado em sua bolsa para todos comerem.

— Aqui. — disse Rose e entregou um papel para Jason.

Como não imaginou que não teria tempo o suficiente para falar com o menino a garota havia escrito tudo o que sabia.

Na Grécia foi formada

(a lenda das Fênix surgiu na Grécia)

Muito antes já criada

(a ave apareceu no Egito, conhecida por Bennu)

Logo muito procurada

(as pessoas procuravam a ave)

Nove chances lhe era dada

(Fênix pode renascer 9 vezes)

Sua carne desejada

(o Imperador romano Heliogábalo buscava uma Fênix para conseguir a imortalidade)

A sua pele incendiada

(a Fênix queima em uma pira e vira cinzas)

Quase fora assassinada

(uma Fênix foi encontrada e capturada para ser comida pelo imperador)

Por Dumbledore resgatada

(um Dumbledore trocou a Fênix por uma ave-do-paraíso)

— E agora? — perguntou a ruiva. — Tudo o que sabemos é que precisamos de um Dumbledore para encontrar a ave e pelo que eu sei o último que existiu está lá no quadro na sala de diretores em Hogwarts. Essa viagem toda, foi tudo pra nada.

— Calma. — disse Jason. — Dumbledore não era filho único, havia mais dois irmãos.

— Uma que foi morta e outro que nunca mais ninguém ouviu falar. — falou a ruiva. — E se ele nunca tiver tido filhos? Ele era mais velho que Dumbledore, não era? A essa altura já deve estar morto.

— Depois a gente pensa nisso. — disse Jason e guardou o papel no casaco. — Mamãe afirmou que sua fonte é confiável. Se disseram que viram a ave por aqui, não perderemos as esperanças agora. Se não encontrarmos, falarei na volta com o quadro do ex-diretor e tentarei descobrir algo.

Rose não disse mais nada, apenas se levantou e foi se sentar ao lado de seu irmão.

Hugo estava cansado de andar pela neve, mas se lembrava do que seu pai havia lhe dito mais cedo sobre os Andrew. Ele já ia se levantar para ir até sua irmã que conversava com Jason Andrew, mas ela se levantou e terminou de comer ao seu lado.

Ele torcia para que conseguissem encontrar logo alguma ave para que pudessem ir embora. Como se o universo tivesse ouvido suas preces, uma ave passou voando por eles. Ela estava muito longe para que Hugo visse algo além de sua cor vermelha.

— Lá! — gritou Jason e se levantou rapidamente, seguido pelos outros.

Em poucos segundos todos já corriam na direção da ave, para não perdê-la de vista. Rose tinha sido uma das primeiras a correr atrás da ave e com Jason quase ao seu lado, guiava o grupo. Até que ecoou pelas montanhas o som de um rugido forte de um troll e todos pararam quase tropeçando.

— Essa não. — disse Hugo e seu pai se posicionou em sua frente.

— Vou acabar com este trasgo maldito. — disse Rony empunhando sua varinha.

Hugo ouviu um crack perto dele e viu que sua irmã estava subindo em uma árvore para tentar tirar foto da ave que a essa altura, já estava longe. Ele queria gritar para Rose voltar e esquecer a ave, mas não queria chamar a atenção do trasgo.

O garoto olhou para trás e viu que Jason também tinha notado o movimento de sua irmã e correu na direção dela sem ser notado.

— Está vindo outro! — Hugo avisou a Sra. Andrew quando viu um trasgo ainda maior.

— Eu cuido dele. — a Sra. Andrew avisou e empunhou a varinha disparando diversos feitiços no trasgo, mas sem sucesso. — Eu não entendo. Os feitiços já deveriam ter feito este trasgo no mínimo desmaiar.

— Os feitiços não estão funcionando! — avisou Rony. — Eles devem estar com algum tipo de proteção.

— Vamos sair daqui. — avisou a Sra. Andrew e olhou em volta procurando pelo filho.

Os olhos de Hugo se moviam rapidamente entre a batalha dos adultos com os enormes trasgos e a árvore onde sua irmã agora tentava descer e Jason esperava na parte de baixo. A Sra. Andrew olhou para a direção em que Hugo olhava e encontrou as outras duas crianças.

Infelizmente, não foi a única que notou onde eles estavam.

O grande troll que lutava contra ela viu que a garota estava na árvore e arrancou a enorme árvore do chão com a sua irmã pendurada nela. Jason que estava na base acabou sendo empurrado para trás e foi segurado por sua mãe.

— Já chega! = foi a última coisa que Hugo ouviu seu pai dizer antes de ser aparatado.

Hugo tentou gritar para impedir que seu pai o tirasse de lá, mas já estava feito. Ele tinha voltado ao hotel.

— Fique aqui, vou voltar para buscar sua irmã. — avisou seu pai e aparatou novamente deixando Hugo sozinho no meio da floresta que havia ao lado da via expressa perto do hotel onde estavam.

O garoto voltou correndo para o hotel e foi até o quarto escrever uma carta para Carlinhos e sua mãe.

Rose se agarrou ao galho mais próximo que a impediu de cair enquanto a árvore era arrancada, mas lhe causou alguns pequenos cortes no braço. Ela tinha conseguido tirar foto da região onde a Fênix havia pousado e precisava chegar lá.

A ruiva olhou em volta e não conseguiu achar seu pai nem seu irmão, mas a mãe de Jason lançou um feitiço para que a árvore saísse da mão do troll e Rose conseguisse descer. Assim que chegou ao chão, a ruiva saiu correndo na direção de onde estava a Fênix.

— Rose, volta aqui! — gritou Jason.

— O que você está fazendo? — gritou a Sra. Andrew enquanto se defendia das investidas dos dois trolls.

— Rose! — a ruiva ouviu o grito de seu pai quando já estava mais longe. — Volte… Aí! Troll Maldito!

Rose sentiu um vento frio no corpo e cruzou uma colina da montanha. Ela já não conseguia mais ouvir a gritaria da batalha, mas sabia que podia conseguir o ingrediente final que eles precisavam para deter quem quer que fosse o lobisomem desconhecido.

Ela continuou correndo e já estava ofegante quando tropeçou em alguma coisa que fez com que ela caísse rolando colina abaixo. Rose estava tonta e dolorida, mas a neve tinha absorvido grande parte do impacto.

— Eu não consigo te ver. — disse o Troll com uma voz grave e forte. — Mas sei onde está, a neve mostra para mim.

Só então Rose entendeu que estava com o encantamento de invisibilidade e viu no chão que o frasco e o presente de seu primo que ela tinha esquecido de tirar do bolso, tinham caído na neve durante a descida.

— Não adianta me enganar. — disse o Troll e tentou passar a mão para pegar a ruiva bem na hora em que ela se agachou. — Você é um pequeno humano, mas vou te pegar do mesmo jeito.

Antes que o troll pegasse Rose, ela correu para pegar o frasco e guardou no bolso de dentro de seu casaco. Como não conseguia se ver, Rose guardou de olhos fechados para não se confundir com os bolsos e para não guardar sem querer no bolso enfeitiçado que tinha em seu casaco, depois tentou ir atrás do presente de seu primo, mas foi derrubada pelo Troll numa tentativa de pegar a ruiva.

— Você corre rápido pequeno humano. — disse o Troll. — Mas eu sou o Guardião.

Rose tinha mais certeza de que estava no lugar certo. Ele deveria guardar a entrada para a floresta onde a Fênix morava. A ruiva estava se levantando do chão quando sentiu o mesmo frio de antes pelo seu corpo e viu que o efeito do feitiço havia passado.

— Eu consigo te ver agora garotinha de cabelo laranja! — disse o Troll e avançou para cima da ruiva.

Ela desviou e pegou o presente de seu primo bem a tempo de desviar de um último avanço do troll. Assim que pegou a bola de vidro, ela se transformou em uma bola de chamas, mas que não queimava sua mão.

Rose percebeu que o troll hesitou e aproveitou para sair correndo.

— Volte aqui menina do fogo! — disse o Troll e seguiu a ruiva, mas em uma velocidade mais lenta do que a dos outros trolls.

Assim que passou por mais um vale de árvores e chegou ao local onde a ave tinha pousado, Rose ficou surpresa ao encontrar uma pequena casa na árvore.

— Não é o que eu esperava. — falou a ruiva.

Rose percebeu que a casa estava escura, sem luz ou vela acesa do lado de dentro. Ela guardou o presente de seu primo de volta no bolso junto com o frasco de vidro e fechou o zíper. A ruiva deu mais dois passos em direção a casa, até sentir seu corpo paralisar e cair no chão desmaiada.

Próximo Capítulo:

— E vocês não esperam continuar com isso, não é? — perguntou Fred II cruzando os braços.

— Isso o que? Diversão? — disse Roxanne sorrindo.

— Não é diversão se é com a minha irmã! — Fred II disse furioso e descruzou os braços.

Notas finais
N/A: Oii gente, senti saudade de vocês, me desculpem pela demora, mas eu estava viajando, mas agora que voltei resolvi postar mais um capitulo para vocês.. Feliz Ano Noovoo!! N/A: Comentem!!