"E de repente você entende que precisa acordar, mesmo sabendo que não está dormindo."

Alvo levantou cedo e foi tomar banho no banheiro do quarto de hóspedes da mansão dos Malfoy. Ele se perguntou quantas pessoas já haviam passado por ali, era tudo muito bem cuidado, com aparência antiga e ao mesmo tempo moderna. O garoto não quis demorar muito, então tomou um banho rápido, voltou para o quarto e colocou as roupas que estava usando no dia anterior.

Assim que saiu do quarto ouviu a voz de Scorpius no andar de baixo e desceu as escadas. O loiro já tomava café da manhã e pediu para que o amigo o acompanhasse. A mesa estava recheada com coisas que ele nunca tinha visto, então o moreno pegou as mesmas coisas que viu seu amigo comer.

— Alvo, seu carro chegou. — avisou Astória entrando no cômodo e acompanhou o moreno em silêncio até a entrada da mansão. — Me pediram para não te dizer nada então, até logo. Boa sorte.

— Obrigado. — respondeu o menino e se despediu de seu amigo.

Seu avô Arthur estava esperando no carro e ignorou todas as perguntas de Alvo, lhe dizendo que assim que chegasse em casa, seus pais responderiam todas as perguntas do moreno. O avô o levou até a Toca e o moreno entrou enquanto Arthur ia guardar o carro.

— Tiago? O que você está fazendo aqui? — perguntou Alvo assim que entrou e viu que seu irmão mais velho estava no sofá, então reparou que a família de . — O que aconteceu? Por que todos voltaram?

— Harry e Gina tiveram que ir prestar apoio para Hermione e Rony então vocês vão ficar aqui por um tempo. — informou Molly.

— Estamos todos aqui esperando por novidades da situação de Rose. — explicou Jorge.

— Rose? — perguntou Alvo confuso e preocupado. — Como assim? Que situação?

— Ela sumiu. — disse Tiago.

— Como isso é possível? — o moreno estava sem acreditar.

— Também não temos muitas informações. — falou Lily. — Só sabemos que ela estava em uma montanha procurando pássaros, apareceram trolls e ela sumiu.

— E tio Rony quer entrar com inquérito contra os Andrew. — disse Fred II. — Disse que a Sra. Andrew sumiu com a filha dele.

— Andrew? — Alvo estava desconfiado e confuso com as informações que sua família lhe dava. — O que eles têm haver com isso?

— Parece que eles resolveram ir pra lá. — informou Tiago.

Era muita informação para Alvo assimilar ao mesmo tempo. Para ele tudo não se passava de uma grande brincadeira, até que um pergaminho apareceu sob a mesa da sala e Jorge pegou para ler em voz alta.

— Encontramos a Rose. Estamos voltando para Londres. Ela está viva.

— Viva? — disse Lily preocupada se levantando para tentar ler o pergaminho.

— Por que não escreveram apenas que ela está bem? — comentou Fred II.

— Quando eles chegam? — perguntou Alvo preocupado ainda tentando absorver o impacto das informações.

— Não sei. — assumiu Jorge. — Aqui não tem mais nenhuma informação.

— Vamos esperar. — disse Arthur tentando manter a calma da família. — Eles vão chegar e vão nos explicar tudo. Carlinhos disse que também vai passar por aqui com as filhas mais tarde.

— Como se ele se importasse. — murmurou Jorge.

— De qualquer forma, não tem muito o que fazer agora. — disse Fred II.

— Vou lá pro sótão. — falou Tiago e se levantou.

— Eu vou junto. — Roxanne disse e se levantou para seguir o moreno, mas foi impedida por seu irmão Fred II.

— Mas não vai mesmo. — disse o garoto e puxou a irmã em direção ao jardim.

Alvo olhou para seu irmão que apenas sorriu e deu de ombros antes de subir para o sótão. O garoto não teve tempo de fazer nenhum comentário antes de ser puxado por sua irmã mais nova Lily degrau acima.

— Fica quieto. — disse a garota e entrou em um dos quartos do primeiro andar que tinha vista para o jardim.

Lily se agachou rapidamente ao lado da janela para ouvir a conversa no jardim. Com a altura das vozes que os irmãos conversavam nem era preciso usar orelhas extensoras. O garoto entrou no quarto tentando fazer o mínimo de barulho e se sentou ao lado da irmã.

— E vocês não esperam continuar com isso, não é? — perguntou Fred II cruzando os braços.

— Isso o que? Diversão? — disse Roxanne sorrindo.

— Não é diversão se é com a minha irmã! — Fred II disse furioso e descruzou os braços.

— Qual é Fred, eu conheço o Tiago. — garantiu Roxanne. — Não precisa se preocupar.

— Como você não percebe que está sendo usada? — Fred II perguntou com raiva. — Ele queria a Dominique! Não você.

— Já parou pra pensar que talvez eu esteja usando ele também?

— Ah é? E pra que?

— Não é da sua conta. — retrucou Roxanne.

— Acho que você está fazendo isso só pra me irritar. — disse Fred II com uma voz alterada. — Então pode parar por aí agora mesmo.

— Hermanito, até poderia ser, mas fique tranquilo que não é isso.

— E o que é então? Pra que você iria querer subir atrás dele? Só tem eu aqui.

— Temos nossos assuntos para conversar também Fred. Não é tudo sempre sobre você, hermanito.

— Mas que saco! Eu não quero que você continue beijando o Tiago!

— Isso não é você quem tem que decidir. — disse Roxanne e Alvo ouviu os passos da garota indo em direção a casa. — Me dá licença.

— Eu não acredito que ela beijou Tiago! — disse Lily boquiaberta assim que a conversa dos irmãos acabou. — O nosso irmão!

Alvo não sabia o que dizer, ele estava ainda mais confuso com essa nova informação e nem viu quando Lily saiu correndo do quarto e foi enviar uma carta para seu primo loiro. O moreno imaginou que Astória já devia ter contado para Scorpius sobre o que havia acontecido com Rose e resolveu escrever uma carta para tranquilizar o amigo.

Toda a família ficou na Toca o resto do dia. Fred II e Tiago ficaram no sótão o resto do dia. Para Roxanne, seu irmão só não saia de lá para impedir que ela pudesse ficar sozinha com o primo, como confessou durante o jantar, mas não deu mais detalhes para Lily. E já era noite quando Harry e Gina apareceram com novas notícias.

— Obrigada por cuidarem das crianças. — disse Gina entrando pela porta.

— O que aconteceu? — perguntou Lily ansiosa por informações.

— Conseguiram encontrar Rose na floresta. — contou Harry. — Ela estava desacordada e com feridas no braço, mas que não pareciam muito graves.

— Ela ainda permanece desacordada e está sendo transferida para Saint Mungus, mas como não sabemos o motivo de ela ainda não ter acordado, farão o retorno dela com um avião de emergências. — informou Gina e continuou ao ver a agitação dos garotos. — Por enquanto não sabemos quando estarão disponíveis os horários para visitas, mas avisaremos assim que recebermos mais notícias.

— Por hora, vamos para casa. — disse Harry e se despediu de todos depois de agradecer novas notícias.

Alvo foi para casa e subiu direto para seu quarto, mas quase não dormiu durante aquela noite, nem nas noites que se seguiram. No dia seguinte ao retorno da ruiva, sua mãe havia dito aos Potter que Rose já estava no Saint Mungus em recuperação. E desde então ele não tinha tido nenhuma outra notícia nova de sua prima. Todas as vezes que alguém perguntava a resposta era a mesma.

Dois dias depois do aparecimento da ruiva, o garoto soube que Hermione havia voltado para a Noruega para finalizar seu trabalho em Durmstrang e Rony passava o dia inteiro com a filha no hospital e durante a noite Molly ficava de plantão para que o ruivo pudesse dormir. E Hugo passava o dia inteiro na casa dos Potter esperando a hora em que seu pai o buscasse para saber se tinha alguma notícia nova da irmã, mas a resposta sempre era a mesma de “exames não conclusivos”.

Hugo havia contado para os Potter diversas vezes sobre os Andrew, como eles apareceram, o baile de Natal e a ida até a montanha. E repetia sempre a mesma história que Alvo prestava atenção a cada detalhe. Quando Rony foi buscar Hugo na véspera de ano novo, como de costume foi cumprimentado por Harry e Gina e depois bombardeado de perguntas pelas crianças como de costume.

— A Sra. Andrew disse que os exames continuam sem conclusão. — informou Rony com desânimo. — Agora eles vão tentar outros tipos de exames e ela está sendo levada para outro setor. Espero que dê certo.

— Você acredita nela? — perguntou Hugo desconfiado. — Você me disse que a culpa disso tudo é dela!

— Ela está tentando reparar o que fez. — disse Rony. — Além disso, perguntei para todos os funcionários do hospital se ela era confiável e eles me confirmaram que sim. Não sei mais o que fazer, é tudo culpa minha.

— Não tinha como imaginar que seríamos cercados por trolls enormes. — comentou Hugo tentando consolar seu pai.

— O nome do lugar não era Troll Wall? — perguntou Tiago e recebeu um olhar furioso de sua mãe.

— Vá para seu quarto Tiago. — disse Gina e o garoto subiu sem reclamar. — Vai dar tudo certo, e estamos aqui para o que precisar.

— Eu agradeço muito pela ajuda de vocês. — falou Rony e se despediu de sua irmã e seu amigo.

Depois que Hugo foi embora Alvo voltou para seu quarto e como nos últimos dias, dormiu muito mal a noite. Dessa vez ele sonhou que estava na floresta, ouvia sua prima gritar por ele, mas ele corria por todos os lados e não conseguia encontrá-la. O moreno acordou assustado quando viu que uma coruja havia invadido seu quarto.

E ai Al,

Como está tudo por aí? Tem alguma novidade da sua prima? Agora falta pouco pra gente voltar né? Dá pra acreditar que estou com saudade até das aulas de poções?

Scorp.

Alvo ainda estava sonolento quando leu a carta e precisou ler mais algumas vezes antes de responder. A última vez que tinha dado notícias para seu amigo tinha sido no dia em que Rose foi encontrada. Ele pensou muito no que deveria escrever e no fim só escreveu que ela continuava sem acordar e que por lá todos estavam preocupados também. O moreno não queria voltar para Hogwarts, pelo menos não sem a sua prima, mas mentiu na carta dizendo que também sentia saudades das aulas.

O moreno se levantou e foi em direção ao banheiro para tomar um banho quando ouviu um barulho do lado de fora e sussurros no corredor. O garoto achou melhor ignorar, não queria ficar espiando como sua irmã.

Tiago subiu para seu quarto e aproveitou para arrumar seu malão. Ainda faltavam dois dias para voltar a Hogwarts e ele não conseguia parar de pensar no que tinha acontecido na Romênia.

Dominique estava dançando com os braços ao redor de um garoto alto e Roxanne chamava a atenção de todos os garotos em sua volta. Tiago passou por todos os garotos e puxou a morena pela cintura fazendo com que seus corpos se chocassem. A garota olhou para ele ofegante pela dança e ele a beijou. Não era um beijo apaixonado, mas era um beijo urgente que a garota retribuiu.

— Larga ela! — Fred II tinha gritado e afastou o moreno de sua prima.

Ao olhar em volta, viu que a atenção de todos estavam nele e na menina ao seu lado, inclusive o de Dominique, que agora não estava mais abraçada com o garoto e olhava para eles impressionada.

— Vem Tiago. — Roxanne disse e pegou a mão do garoto, levando ele para o lado de fora e foram acompanhados por Fred II.

— O que vocês pensam que estão fazendo? — perguntou o ruivo assim que chegaram do lado de fora.

— Uma saída marcante. — respondeu Roxanne e viu que o resto da família estava saindo da festa também. — Hermanito, acho melhor a gente falar sobre isso mais tarde.

Ninguém se pronunciou enquanto se separavam em dois grupos para aparatar de volta para a casa dos Petran, depois todos haviam retornado em silêncio para seus quartos.

Fred II não precisava dizer, mas Tiago sabia que ele estava bravo pelo beijo e esperava conversar com o seu melhor amigo no dia seguinte, mas quando acordou Teddy já estava lhe dizendo para arrumar suas coisas, pois ele iria voltar com Jorge e sua família para Londres. No início, o moreno pensou que tinha sido por culpa do beijo, mas então ficou sabendo que sua prima tinha sumido.

Em pouco tempo ele já estava sendo levado para a Toca por uma chave de portal e se despediu de seus pais antes que eles fossem para o Ministério verificar sobre a situação da ruiva. Depois passou a tarde com Fred II no sótão, mas mesmo assim o garoto não tinha falado nem sequer uma palavra para ele, ficou a tarde toda apenas de braços cruzados observando o que o moreno fazia. Após algumas tentativas para iniciar uma conversa, Tiago havia desistido e se concentrou apenas em montar alguma coisa com as ferramentas e algumas peças que tinham por lá.

O garoto já tinha terminado de arrumar suas coisas quando ouviu batidas leves na janela de seu quarto e viu que Roxanne estava do lado de fora voando em sua vassoura.

— O que é que você está fazendo aqui? — perguntou Tiago aos sussurros abrindo a janela.

— Posso entrar? — perguntou a garota e ele abriu espaço para que ela entrasse.

— Fred mataria nós dois se soubesse disso. — falou o moreno.

— É por isso mesmo que eu vim. — disse Roxanne. — Não queria ser interrompida por meu irmão e precisava falar a sós com você.

— Eu não tenho nada para falar com você. — disse Tiago e se deitou em sua cama.

— Se eu fosse você primeiro ouviria minha proposta antes de decidir se quer ou não falar comigo. — falou Roxane e sorriu de uma forma bem conhecida pelo moreno. Seu sorriso era o mesmo da festa, um sorriso de uma caçadora que havia acabado de encontrar sua nova presa.

— Que proposta?

Era a festa de Ano Novo, mas se parecia mais com um velório para Alvo. Todos estavam reunidos na Toca para o jantar antes de retornarem para Hogwarts no dia seguinte. Todos os Weasley que estavam na Inglaterra estavam reunidos. Isso não incluía Hermione e Carlinhos, que estavam trabalhando em Durmstrang, Hugo e Rony, que aproveitaram para passar o dia com Rose no hospital, Teddy, Victorie e sua família, que tinham continuado na Romênia.

— Eu não entendo porque ainda não podemos visitar a Rose. — reclamou Lucy para seu pai. — Nós também somos parte da família dela.

— Onde ela está, apenas os familiares mais próximos com mais de 17 anos podem entrar. — respondeu Harry. — Hugo só foi para lá hoje porque a enfermeira amiga da família conseguiu liberar como exceção por ser ano novo.

— Mas não precisam se preocupar. — disse Molly. — Eu estive com ela durante a noite, ela está bem, já se curou de todos os machucados.

Lucy se deu por vencida e não tocou mais no assunto e seu pai aproveitou a oportunidade para voltar a falar sobre o Ministério. E eles já tinham terminado de comer quando começou a cair uma chuva forte.

— Ainda bem que tem pouca gente e coube todo mundo aqui dentro. — comentou Molly II. — Não gosto de lavar o cabelo antes de dormir.

— Se esqueceu que precisamos sair pra poder aparatar? — perguntou Lucy. — Vamos nos molhar de qualquer jeito.

— Vovô abençoado pelas benfeitorias magníficas dos trouxas e seus subordinados. — falou Molly para Arthur. — Por favor me diga que você tem um super guarda-chuva no sótão.

— Eu…

Arthur ia responder quando foi interrompido por um vulto preto entrando na Toca. O homem alto estava todo molhado, mas se secou com um aceno de varinha e se desfez da capa que o cobria.

— Mas o que… — começou a dizer a matriarca da família, mas foi interrompida pelo seu filho Carlinhos que acabara de entrar pela porta.

— Rose acordou.

Próximo Capítulo:

— Eu mereço isso. — disse Rose em meio ao choro encolhida em sua cama. — É tudo culpa minha.

— Pela primeira vez, você está enganada Weasley. — respondeu rindo o loiro parado no meio do quarto.

Notas finais
N/A: Mais um capitulo, espero que tenham gostado...