"É falando sem pensar que a gente fala o que pensa."

O INVERNO JÁ HAVIA CHEGADO em Hogwarts enquanto Rose e Sophi andavam a caminho do Salão Principal naquela manhã. A ruiva estava nervosa com os resumos das matérias que ainda precisava terminar. Ela já havia dito a Jason que não conseguiria ajuda-lo fazendo as pesquisas no tempo livre até os fins dos testes que já estavam próximos, mas avisou que continuaria a ir para a Sala de Provas pela manhã aos finais de semana e ajuda-lo com a poção. Já haviam se passado três luas cheias e para a frustração dos dois, eles não estavam nem perto de conseguir uma poção que funcionasse como o esperado.

— No Natal, vocês poderiam ir me visitar lá em casa. — Scorpius disse a seus amigos durante o café da manhã.

— Claro, estou com saudades da tia Astoria, os doces dela são incríveis. — respondeu Mathews e sorriu com o pensamento.

— Sabe Math, você podia ao menos fingir estar indo lá para ver o Scorpius. — Rose disse e revirou os olhos. — Como você consegue pensar em mais comida, com um banquete desses na sua frente?

— Não precisa ficar tão nervosinha Rose. — disse Scorpius antes de Mathews respondesse. — Prometo não tirar seu priminho de você por muito tempo, além disso, você está convidada também, se quiser.

Alvo começou a gargalhar e recebeu um olhar furioso de sua prima.

— Como se tivesse ao menos 0,001% de chance de Tio Ron deixar. — falou assim que recuperou o fôlego.

Rose apenas revirou os olhos e continuou a comer. Ela estava com seu natural mau-humor de terça-feira, pois teria aulas de voo logo depois de poções. Ela não sabia como era possível que a sua aula favorita fosse seguida da aula que mais odiava.

Assim que chegou na sala, notou que pela primeira vez em muito tempo, Jason havia faltado na aula. E Rose acabou fazendo trio com Alvo e Scorpius.

— Muito bem alunos, nessa aula farei um exercício para que se preparem para os testes. Quero que montem uma dissertação com ingredientes de poções que são utilizados para curar pacientes que possuam uma lesão grande. Contendo a quantidade que deve ser utilizada e o método de aplicação.

Antes de começar a escrever, Rose abriu o livro e olhou em sua cópia do mapa do maroto que Jason estava na enfermaria e ficou se perguntando se dessa vez era apenas mais uma das estranhas visitas do moreno, ou se ele estaria mesmo doente. Ela guardou o pergaminho antes que alguém notasse e começou a escrever sobre o Ditamno.

— Bezoar é de cura? — perguntou Scorpius aos amigos.

— Não exatamente. — respondeu Rose. — Ele é um antídoto para a maioria das poções, mas não cura feridas.

— Tem que ser algo tipo lágrima de fênix. — disse Alvo e Rose ficou surpresa com o exemplo dado pelo primo. — Papai disse que uma vez a fênix de Dumbledore o curou de uma ferida horrível.

— Ah sim, como sangue de unicórnio. — disse Scorpius.

— Gente, por que vocês não focam no que aprendemos nas au... — Rose ia dizendo e parou. — O que disse Scorpius?

— Sangue de unicórnio. — Scorpius disse e deu de ombros. — Papai me contou que Voldemort tomava para prolongar sua vida e lhe dava forças para praticar alguns feitiços.

— Na verdade também não cura, Scorp. — respondeu Alvo. — Ele pode ajudar a pessoa temporariamente, tipo se você sofrer um grave acidente, o sangue poderia prolongar sua vida tempo suficiente para você receber cuidados médicos, mas matar um unicórnio leva a uma vida amaldiçoada. Não sei bem o que isso quer dizer, mas deve ter algum livro na Área Restrita explicando.

— Ótimo, então do que eu faço? — falou Scorpius entediado.

— Descurainia. — disse Rose rapidamente. — Meninos, vocês são incríveis! Onde estavam esse tempo todo?

A ruiva abraçou os amigos e continuou a escrever enquanto os dois se perguntavam mentalmente o que havia de errado com a garota. Ela estava ansiosa para falar com Jason sobre o que havia descoberto, mas ainda precisava sobreviver a aula de voo.

Como de costume ao se aproximar do campo Rose entrou em estado de choque. Ela odiava as aulas de voo, pelo seu medo de altura.

— Aula diferente hoje pessoal. — disse a professora. — Quero que treinem para os testes então façam grupos de quatro e assim que eu disser, vocês fazem os movimentos com a vassoura. Lembrem-se que a altura para voo é de 10 pés (3m).

— Beba isso. — disse Scorpius com um frasco de liquido verde na mão.

Rose ia perguntar o que era, mas estava no próximo grupo. Então pegou o frasco da mão do loiro e bebeu. O medo e pavor que sentia sumiram e ela se sentiu muito calma.

— Obrigada. — Rose agradeceu e sorriu para Scorpius impressionada com mais uma importante contribuição.

Pela primeira vez Rose subiu há mais de um metro do chão na vassoura sem entrar em desespero. Como a aula era dividida com a Grifinória, ela estava no mesmo grupo de Alice e Lucy que a olhavam impressionadas ao seu lado. A ruiva não fez as manobras com perfeição e parou um pouco desajeitada, mas estava feliz e havia feito um grande progresso. Seus amigos estavam boquiabertos e ainda falavam sobre a aula depois que a aula e o efeito da poção haviam acabado.

Rose estava tão feliz com a aula que se esqueceu do que tinha para falar a Jason, só lembrando quando o viu enquanto caminhava para o almoço no Salão Principal. A ruiva foi até o garoto que tinha um olhar de preocupação.

— Depois do almoço, mesmo lugar. — Jason disse rapidamente a Rose e saiu antes que ela pudesse falar alguma coisa.

A ruiva foi almoçar e viu que Jason não estava em sua mesa. Ela comeu o mais rápido que pôde e disse aos amigos que iria para a biblioteca.

— Eu esqueci de falar com a Prof. Rover sobre uma poção. — Scorpius disse e se levantou da mesa seguindo a ruiva e não se impressionou quando viu que a ruiva havia pegado um caminho diferente ao da biblioteca. — Eu sabia.

Quando Rose chegou no corredor do sétimo andar não se assustou ao ver que Jason já a esperava e a porta já estava lá. Scorpius estranhou nunca ter visto aquela porta antes, e novamente, sem surpresa alguma viu que Rose na verdade tinha ido se encontrar com o corvino. Ele não sabia o que esperava ver, ou se era melhor ir embora antes que descobrisse algo que não queria.

— Olá Rose. — Jason disse e beijou sua bochecha, depois abriu a porta. — Vamos?

— Vamos. — Rose disse e entrou.

Scorpius viu os dois entrarem e ficou esperando do lado de fora, ele queria ir embora, mas seus pés não obedeciam aos comandos de sua cabeça.

— O que aconteceu? — perguntou Rose notando a expressão preocupada de Jason.

— Não deu certo de novo. — confessou Jason e bateu na mesa. — Todo esse trabalho é inútil!

— Jason! — disse Rose e foi até o quadro de provas que eles haviam feito. — Sua mãe disse que o lobisomem estava muito ferido certo? Ferido a ponto de estar quase morrendo e alguém utilizar sangue de unicórnio para salvá-lo?

— Mas o sangue de unicórnio não iria salvá-lo apenas...

— Retardaria a sua morte tempo o suficiente para que ele sumisse do hospital e pudesse ser tratado em outro lugar. — falou Rose e Jason anotou em um pedaço de pergaminho juntando a ultima parte.

— Ou no mesmo hospital. — falou Jason animado. — Mas após a transformação, cuidariam dele como um paciente normal.

— Rose você é extraordinária!

Jason abraçou a menina e a beijou. Era o primeiro beijo de Rose e ela estava assustada e paralisada com o rápido movimento do corvino.

— Me desculpe, eu... — disse Jason ao perceber o espanto de Rose.

— Tudo bem. — Rose o interrompeu envergonhada e se virou para o quadro, antes que ele a beijasse novamente ou quisesse falar algo sobre o beijo. — Bom, agora precisamos checar se um dos nove suspeitos que temos deu entrada no Saint Mungus algum dia depois do que aconteceu, não sei por quanto tempo o sangue de unicórnio pode fazer efeito, mas vamos considerar até uma semana.

— Ok, vou escrever uma carta agora para mamãe e pedir o motivo da entrada no hospital.

— Certo. — continuou a ruiva. — Devemos considerar também que o lobisomem se curou em casa, então não podemos descartar nenhum dos nossos suspeitos.

— Se encontrarmos quem fez isso não vamos precisar se preocupar com a poção. — falou Jason pensativo.

— Não se preocupe com isso. — disse Rose. — Estou com um bom pressentimento, mas até lá me desculpe por não poder te ajudar mais, tenho muita coisa para estudar já que perdi quase todo o meu tempo livre com o mapa.

— Que mapa? — perguntou Jason.

— O quadro. — Rose falou rapidamente. — Esse quadro, pensando nas ligações entre os casos. Agora precisamos saber por que alguém viria até Hogwarts para pegar o sangue de unicórnio.

— Posso adiantar que é de conhecimento do mundo bruxo que a Floresta Proibida é o local mais conhecido por possuir animais mágicos. — disse Jason. — Alguém de fora poderia ter feito contato com algum aluno. Vou verificar também com McGonagall se houve algum visitante nesse período.

Rose sorriu com a descoberta, sentia agora que estava mais perto de descobrir quem seria o tal lobisomem.

— Então eu já vou indo. — disse Rose e caminhou em direção a porta. — Não quero me atrasar para a próxima aula.

— Espera. — disse Jason e foi atrás da ruiva no corredor.

— Jason eu... — Rose não queria magoar seu amigo, mas queria dizer para ele que iria preferir se ele pudesse ser apenas seu amigo.

— Entendo que não queira nada comigo. — disse Jason em voz baixa e colocou a mão na bochecha da ruiva. — Se quiser, podemos ser apenas amigos, mas queria saber se sente algo por mim e se poderia me dar uma chance.

Scorpius havia esperado do lado de fora. Ele sabia que não deveria ficar ali, mas não conseguia entrar. O loiro ficou andando de um lado para outro na frente da porta tentando tomar coragem para entrar e tentou ouvir a conversa dos dois lá dentro, mas tinha medo do que poderia acabar ouvindo. Assim que viu a maçaneta se mexer saiu correndo e se escondeu na pilastra perto das escadas. Rose saiu primeiro e Jason foi atrás dela em seguida.

O loiro percebeu que o corvino não estava com uma aparência boa, isso deveria ser um bom sinal, imaginou Scorpius. De onde estava, não conseguia ouvir a conversa dos dois e não entendeu o motivo de sua raiva quando Jason colocou a mão na bochecha de Rose. Ele viu que o moreno se aproximava ainda mais da ruiva enquanto falava e sentiu que os dois iriam se beijar. Scorpius não ficaria ali para esperar o que quer que fosse acontecer.

Estupefaça! — gritou o loiro e sem querer atingiu Rose, a derrubando no chão.

Rose caiu e bateu levemente a cabeça na parede. Ela nem teve tempo de se levantar quando viu um Scorpius assustado correndo em direção a ela e Jason gritando o feitiço:

IMOBILUS!

Protego! — Scorpius falou se protegendo e parou de andar na direção da ruiva. – Expelliarmus!

Flipendo! Depulso! — Jason se protegeu e atacou antes que Scorpius pudesse se proteger.

O loiro foi arremessado para trás e como estava perto das escadas acabou tropeçando e escorregou degrau abaixo.

— JASON! — Rose gritou e saiu correndo na direção do loiro.

Assim que alcançou Scorpius, Rose viu que o menino estava desacordado com um grave ferimento na cabeça. A menina começou a lançar feitiços de cura no sonserino enquanto tentava evitar suas lágrimas.

— Rose eu... — disse Jason de cima da escada.

— Sai daqui. — Rose disse sem olhar para o corvino. — Depois a gente conversa.

Jason não disse nada e saiu, deixando para trás uma ruiva apavorada enquanto chorava e tentava cuidar das feridas de Scorpius.

No dia seguinte, Scorpius acordou na enfermaria, não entendia muito bem onde estava e como havia chegado ali, mas as perguntas se passaram quando sentiu uma dor forte na cabeça dele.

— Deite-se querido. — disse Madame Pomfrey encostando a cabeça enfaixada do menino novamente no travesseiro. — Você teve uma queda feia, deve descansar.

— Queda? — Scorpius perguntou confuso.

Scorpius olhou em volta reconhecendo onde estava e suas ultimas memórias vieram lentamente a sua mente. Ele havia duelado contra Jason Andrew e atingido Rose. Ele queria sair dali e ver se a ruiva estava bem.

— Sim querido, você caiu da escada. — Madame Pomfrey respondeu e puxou a cortina. — Se a senhorita Weasley não te trouxesse a tempo poderia ter morrido. Você levou uma pancada muito forte e abriu uma ferida na cabeça, que fez com que perdesse muito sangue.

Ao menos sabia que Rose estava bem. Ele queria se desculpar por seu comportamento, mas duvidava que Madame Pomfrey o liberaria tão cedo.

— Beba isso querido. — a enfermeira ofereceu um copo com um líquido estranho, mas Scorpius não reclamou e bebeu tudo de uma vez.

Rose acordou aquele dia sem vontade de levantar da cama, ela havia sido expulsa da enfermaria no dia anterior pela Madame Pomfrey, que lhe deu uma poção calmante e disse para que a menina voltasse para sua aula, pois se continuasse lá só iria atrapalhar seu trabalho. A ruiva havia contado a seus amigos sobre a queda de Scorpius apenas no fim do dia, para eles não perderem as outras aulas do dia. E ela e todos os seus amigos da Sonserina, para descontentamento da enfermeira, haviam passado a noite toda na enfermaria esperando que Scorpius acordasse. Pelo menos até que o zelador chegasse e expulsasse todos de lá.

Ela ainda sentia o galo em sua cabeça, mas sentia mais dor por ter chorado a noite toda. A ruiva continuava deitada quando suas colegas de quarto foram para o café da manhã.

— Tem certeza de que não quer ir? — perguntou Sophi parada na porta.

— Quero ver se consigo dormir mais um pouco. — mentiu a ruiva e cobriu seu rosto com o cobertor.

Rose duvidava que tivesse conseguido dormir em algum momento durante a noite. Se algo acontecesse a Scorpius, ela nunca conseguiria se perdoar. Ela não conseguia entender o que ele fazia no sétimo andar e o motivo de ele ter atacado Jason daquela forma, mas sabia que a queda havia sido um acidente. A garota se sentia mal pela forma como tratou o corvino, mas esperava ver o loiro antes de falar com Jason.

Ela tentou diversas vezes olhar seu mapa, mas todas as vezes em que pensava em pegá-lo, voltava a pensar em Scorpius e voltava a chorar com culpa e medo.

— Rose, você tem que sair dai. — disse Sophi depois do café da manhã, quando voltou para pegar o material. — Não vou deixar você faltar a aula. Trouxe uma maçã para você, levanta já daí.

Quando não teve resposta, Sophi foi até a cama da ruiva e viu que ao lado dela estava uma poção de sono.

— Só você mesma Rose Weasley. — disse Sophi e riu.

Sophi resolveu deixar a ruiva dormir e colocou a maçã ao lado da cama da ruiva.

– Cadê minha prima? — perguntou Alvo que esperava na porta das escadas do dormitório feminino.

— Dormindo. — respondeu Sophi. — Acho melhor deixar ela lá, acho que não dormiu a noite inteira de preocupação.

— Está bem. — Alvo disse chateado, mas entendeu que seria melhor se sua prima descansasse, ele se lembrou de que ela parecia muito abalada no dia anterior e acreditava que também estaria da mesma forma se encontrasse Scorpius sangrando no chão perto da escada.

Rose dormiu até pouco depois do almoço e mesmo assim não saiu do quarto o dia todo. Ela ficou aliviada em saber no período da tarde que apesar dos graves ferimentos que ainda tinha, Scorpius havia acordado pela manhã, mas que ainda passaria alguns dias na enfermaria e que suas visitas estavam sendo controladas por Madame Pomfrey.

Ao receber as notícias a ruiva se sentiu bem mais aliviada, mas ainda sentia uma estranha sensação de medo. Já era a noite quando a barriga da ruiva começou a reclamar por comida. Ela decidiu finalmente levantar, tomou banho e prendeu o cabelo molhado. O jantar estava começando a ser servido e por isso quando Rose desceu não encontrou ninguém. Não foi problema para Rose encontrar a cozinha do castelo, como havia passado diversas noites olhando o mapa, acreditava que poderia andar por todo o castelo de olhos fechados.

— Graças a Merlin! — disse Rose quando começou a comer a comida fresca que os elfos domésticos lhe ofereceram.

O inverno em Hogwarts não era nada agradável, as nevascas eram constantes nos terrenos dos castelos, e ninguém saia do castelo durante a tarde. E com os exames, muitos alunos preferiam ficar em seu Salão Comunal.

Depois do primeiro dia, Rose não havia visitado mais Scorpius na enfermaria e estava ignorando Jason como podia, se sentando com seu primo durante todas as aulas com a Corvinal. Mesmo quando Scorpius voltou, Rose continuou agindo de forma ainda mais estranha para seus amigos. Ela passava o dia na biblioteca e só comia em seu quarto ou na cozinha. A verdade é que a ruiva tinha medo de se aproximar de seus amigos de novo e acabar causando mais dor e sofrimento, dessa forma ela preferia ficar sozinha.

Próximo Capítulo:

— Você realmente nasceu pra isso. — assumiu Sophie. — Tem alguma coisa que você não saiba transfigurar?

— Gato. — Molly II disse com raiva. — Aqueles peludos sempre deixam meus cálices com um rabo pra fora.

Notas finais
N/A: Já estava sentindo saudades de postar as histórias, tudo bem que nem faz tanto tempo assim ne.. Enfim, como eu disse está aqui o link da Dramione. http://fanfiction.com.br/historia/295111/Dramione_Um_Amor_Quase_Impossivel/ Espero que gosteeem N/A: Comeeentem meus amores, estou sentindo falta já de comentários. Beeeijinhooos