First Love
10 Capítulo 9
Antes que as coisas pudessem tomar outro rumo, Yoongi se separa do beijo, me fazendo soltar um muxoxo de desaprovação.
— As surpresas ainda não acabaram, ainda tem mais uma coisa que eu quero te mostrar. — Ele se levanta, fazendo um sinal para que eu o siga. Mesmo querendo continuar de onde paramos aqui, fui movida pela curiosidade em seguí-lo e me levantei da cama segundos depois.
Sinto sua mão esquerda alcançar a minha, entrelaçando nossos dedos. Andamos até aquela primeira sala, mas dessa vez subimos a escada indo em direção a um quarto lateral no fim do corredor.
Suga tira um chave de seu bolso, a levando até a maçaneta. Sua mão deixa a minha nesse momento. Quando a porta abriu, eu não conseguia acreditar no que aquela sala continha: o velho piano.
Na verdade, o piano não tinha absolutamente nada que delatasse a sua idade, muito pelo contrário, estava impecavelmente limpo e envernizado. Até mesmo o banquinho da lateral estava muito bem conservado. Mas eu sabia, que esse era o mesmo piano da nossa infância, o mesmo que tocamos por anos.
O nosso amor pelo instrumento foi o que inicialmente fez com que nós conhecêssemos. Foi durante a nossa primeira aula de piano que começamos a trocar algumas palavras. Sempre achei que Suga tocando se saía muito melhor que eu, não sei exatamente o porquê. Por outro lado, o mesmo constantemente me incentivava a continuar tocando, ele era como um incentivador para mim.
— Você realmente guardou — um sorriso largo se forma em meu rosto, transparecendo toda a minha felicidade de saber que ele teve a vontade de guardar todas as nossas memórias.
— Eu jamais jogaria uma preciosidade dessas no lixo.
— Pode tocar para mim? — Ele pega a minha mão, afagando a mesma, logo depois me fitando.
— Você nunca foi ruim tocando, vamos tocar juntos. — Sou arrastada até o banquinho. Me posiciono corretamente, escolhendo uma música qualquer.
Logo nós dois já estávamos tocando, eu de um lado e ele do outro, em uma sincronia perfeita. Quase de imediato eu reconheci a música. Era uma das primeiras melodias que tocamos juntos durante as nossas aulas.
— Eu não consigo, é muito difícil para mim. — Digo, cruzando os braços, me recusando a tentar tocar aquela música. Já estamos nessa a meia hora e eu sempre toco uma nota errada, fazendo um som horrível, que destoa da melodia.
— É claro que não, eu sei que você consegue — Yoongi responde para mim, descrição do os meus braços e fazendo cosquinha em mim, de modo que a minha expressão emburrada fosse substituída por um pequeno sorriso.
Enquanto isso, o nosso instrutor olhava toda a cena. No começo das nossas aulas, quando eu dizia que jamais conseguiria tocar tal música, ele falava algumas palavras para me animar. Mas de uns tempos para cá, Yoongi parecia ter tomado o seu lugar, e devo admitir, este o exercia muito melhor do que o instrutor.
Foi ele que me fez estar tentando mais uma vez não me perder na partitura e tocar alguma nota errada. Era a milésima tentativa, quando finalmente conseguimos tocar a melodia até o final, sem nenhum erro, recebendo algumas palmas do nosso instrutor.
Algumas lágrimas escorreram do meu rosto nessa hora. Essa música me trazia tantas lembranças que eu não aguentei guardar tudo só na minha cabeça, e esse foi o meu jeito de botar tudo para fora. Quando me dei conta, a música já havia acabado.
— Porque está chorando? — Yoongi limpa com seus polegares os resquícios das minhas lágrimas.
— Não se lembra que essa foi a primeira música que conseguimos tocar juntos? — Vi a sua boca se abrindo em formato de "O" e o seu olhar perdido como se agora ele estivesse se lembrando.
— Acho que não me atentei a esse fato. — Havia tanto tempo que eu não tocava piano, que nem me sabia se iria conseguir tocar aquela hora. Mas parece que meus dedos se lembravam o jeito certo de se tocar, porque eu não errei uma nota sequer.
~*~
Os dias subsequentes aquele foram ainda mais divertidos. Em alguns finais de semana, quando não tínhamos aulas, Suga chamava os seus amigos, que com o passar do tempo, acabaram virando meus também.
Taehyung, JungKook e Hoseok, pareciam três crianças, sempre fazendo piadas, correndo por aí, pregando algumas peças nos professores. Uma vez, quando a nossa professora de desenho geométrico havia saído por dois minutos para beber água, eles roubaram um de seus esquadros é o esconderam em um pequeno vão entre a gaveta da grande mesa dos professores e a madeira do móvel. A professora passou metade da aula procurando o objeto.
Jimin e Namjoon, apesar de terem me tratado como um objeto, acabaram me pedindo desculpa por seus comportamentos. Agora os dois eram como meus escudeiros, sempre que as garotas vinham me ameaçar, eles revidavam seus insultos, fazendo com que elas corressem com o rabo entre as pernas.
Já Jin, não se mostrou tão comunicativo no começo. Mas com o passar do tempo, acabei ganhando a confiança dele e agora já conversávamos sobre altos papos, além do fato de que eu era a única que ria das suas piadas de pai.
Em um desses dias do inverno, nós todos fomos patinar em um lago congelado. Enquanto eu, Kook e J-Hope havíamos pegado o jeito de como se andava sem se desequilibrar, os outros pareciam patos desengonçados. Me encarreguei de ajudar Suga, que se parecia ainda mais com um cubinho de açúcar já que o sol não se fazia presente nesse dia, a ficar de pé, segurando em suas mãos com firmeza.
Quando chegou a primavera, um dos parques perto da nossa casa se encheu de flores e eu acabei convencendo os garotos de me levarem lá. As árvores estavam completamente cobertas por flores: algumas de um tom rosado e outras brancas. As vezes elas se misturavam o que tornou o cenário ainda mais lindo.
Mas de todas as nossas saídas, com certeza o verão foi a mais marcante. Nesse dia, Yoongi havia me chamado para ir dar um passeio em uma praia.
Ele sabia, melhor do que ninguém que o meu grande sonho ver o mar, queria saber como era a sensação de estar na água.
O seu motorista nos levou até o tão esperado lugar, a cada segundo que passava, eu ficava mais ansiosa e quando finalmente chegamos, abri a porta, correndo.
A primeira sensação que tive foi a dá areia invadindo meus pés, parecia com um formigamento, mas sem aquele desconforto. Antes de ver, eu ouvi o mar, o barulho das ondas se quebrando e o vento bagunçando meus cabelos. Eu me desprendimento da realidade nesse momento, esquecendo completamente da minha doença ou qualquer coisa ligada a ela, só aproveitei o conjunto de sensações invadindo todos os meus sentidos. Quando finalmente tomei coragem para ir na água, o mar se encontrava calmo, mas mesmo assim Suga não deixou de me acompanhar e nem de segurar a minha mão quando mergulhamos.
Assim que me submergi por completo na água, me senti tão leve, tão livre, e que apesar desse momento não poder durar para sempre, guardaria ele as sete chaves na minha memória.
A melhor parte foi o almoço depois. Para falar a verdade eu não sabia que iríamos comer ali, mas deixei que Yoongi me arrastasse até um deck de madeira, onde para minha surpresa uma mesa havia sido montada. Não era nada muito luxuoso, mas que mesmo assim, me emocionou. Mas a gota d'água para me desmontar por completo foi quando ele me pediu em namoro.
Não foi somente ser a namorada de Suga que fez com que eu abrisse o berreiro, como também o significado que aquilo trazia por trás: quando uma pessoa pede a outra em namoro, ela quer assumir com compromisso com outrem, cuidar e até mesmo abrir mão da sua própria felicidade em prol da outra.
Essa história tinha de tudo para ser um conto de fadas, como o da Bela adormecida ou a Bela e a Fera. Porém o meu destino já havia sido traçado, e não havia nada que eu pudesse fazer para mudá-lo.
Alguns dias depois que os problemas começaram a aparecer. Eu tive algumas enxaquecas, e também inúmeras crises de vômito a ponto de me deixar fraca. Mesmo tentando evitar ao máximo, acabei tendo que ir ao hospital fazer alguns exames e como já suspeitava, o tumor havia crescido, comprometendo algumas partes importantes da minha massa encefálica.
Os médicos não haviam dado mais de duas semanas de vida para mim. Yoongi não poderia estar pior, ele não precisou chorar ou nada do tipo para eu ver a dor em seus olhos.
Sei que vocês vêem várias histórias de amor com finais felizes por aí, mas como eu disse, esse não é um conto de fadas, e chegou a um ponto em que até mesmo me movimentar estava se tornando mais difícil.
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