First Day of Spring
6 Natal
Notas iniciais
Era véspera de Natal. Ou seja, quatro dias já haviam se passado. Desde a despedida de Jack, Fay passou seus dias no quarto, observando o céu de sua janela. Ficava imaginando a figura do belo rapaz flutuando pelo céu, pousando em sua janela e dizendo “oi” com aquele sorriso que a deixava boba. Mas nem sinal dele.
“Não é como se tivesse passado tanto tempo assim. Foram só 4 dias Fay, acalme-se! Pare de pensar nele!” Ela dizia para si mesma, inutilmente. Porque depois que conheceu Jack, sua vida parecia tão... banal. Era impossível contentar-se com seu dia a dia. Esquecê-lo por mais de 10 minutos estava fora de sua realidade.
Nem no banho ela conseguia se concentrar. Levou mais de 30 minutos para sair da água, pois não sabia se já tinha passado shampoo ou não.
Num ritmo quase inerte, ela trocou de roupa, penteou os cabelos e desceu as escadas para encontrar com o resto da família. Wanda estava discutindo com a mãe de Louis. As duas usavam vestidos: um preto e um florido. É claro que o preto pertencia a Wanda, mas dessa vez ela usava um grande casaco de pele branco por cima. Vanessa e Theresa usavam suéters de lã. O de Nessa era vermelho e branco, cheio de renas bordadas e acompanhava uma saia cinza que ia até os tornozelos... Uma combinação nada agradável. Já o de Therry era bege e exibia a gola branca da camisa que usava por baixo. Para completar o conjunto, uma calça jeans azul e suas botas preferidas.
Fay estava sentada na ponta do sofá. Sua cabeça estava quase caindo do apoio de seu braço que estava sobre o sofá, quando Sophie chamou seu nome:
– Fay! – exclamou a tia, vestida com um casaco vermelho e quentinho, mas muito elegante também – Venha ver o que eu tenho para você! – disse ela, fazendo sinal para que se aproximasse.
As duas subiram até o quarto de Fay, onde Sophie tirou uma sacola de trás de suas costas e deu nas mãos na sobrinha.
– É um vestido! Sei que é uma peça rara no seu armário, por isso achei que você precisava de um! – Sophie parecia ainda mais feliz que Fay ao vê-la abrir o presente.
De fato, vestido era uma peça rara em seu armário. Não porque não gostasse, mas porque nunca via necessidade de usar um. O que Fay acabara de receber era azul, um pouco mais claro que seus olhos. Era de um tecido fino e tinha mangas compridas. Três pequenos botões brancos estavam no centro do tórax e logo abaixo havia a costura que determinava o início da saia. Aquela peça era definitivamente comportada. Tudo o que exibia era a região entre o pescoço e o peito, talvez os ombros e o comprimento não passava dos joelhos.
– É muito lindo tia – disse Fay agradecida. Por algum motivo, ela estava se sentindo inspirada para usar algo mais feminino.
– Ótimo! Então ponha!
Os olhos de Sophie brilhavam se excitação. Embonecar Fay era um de seus passatempos preferidos, apesar de costumar a ser muito mais divertido quando esta era mais nova.
– Agora? – reclamou a menina
– Lógico! É Natal! Que ocasião melhor haveria? – respondeu a loira cruzando os braços – Além do mais... Ele pode vir aqui mais tarde! Não quer estar apresentável?
– Tia! – gritou Fay ao corar-se – Do que você está falando? Ele não tem porquê vir... E nossa relação não é nada disso que você pensa. – continuou a jovem, olhando para porta para ter certeza que ninguém as escutavam.
– Me poupe Faith! Mesmo que realmente não tenha acontecido nada entre vocês, eu sei que você gosta dele. Olha só sua cara, como está vermelha!
Sophie revirava os olhos enquanto as palavras sumiam da boca de Fay.
Eu... Eu não gosto dele – falou Fay quase sussurrando. – Gosto?
Ela olhou preocupada para a tia, esperando a resposta.
– O que? Você não sabe? – gritou Sophie, chacoalhando os ombros de Fay.
Fay estava muda. Claro que ela sabia que achava Jack muito bonito, muito divertido... Mas gostar dele? Gostar mesmo dele? Como poderia! Ela só o tinha visto um único dia. Todos esses sentimentos que sentia deveriam ser a ansiedade de vê-lo novamente, de tê-lo como amigo. Sua vergonha também. Fay não tinha experiência com amigos, quem dirá com o sexo oposto! Seria natural envergonhar-se.
– Se você não sabe, não há como eu saber. – suspirou a tia ao ver o silêncio da sobrinha. – De qualquer forma, é a hora perfeita para por o vestido. Quando você descer quero ver você nele. – terminou Sophie, fechando a porta do quarto e deixando Fay perdida em seus pensamentos.
Depois do jantar, todos fizeram uma oração pelas almas de Jamie e Catherine, como sempre faziam. E finalmente, a troca de presentes. A parte mais interessante da noite.
Fay ganhara, além do vestido que estava usando, uma agenda de Wanda, uma pelúcia de Nessa e como de costume, uma vaso de flores de Therry. Mesmo que sempre ganhasse flores de Therry, Fay nunca se cansava de recebê-las. Afinal, flores eram as únicas companhias com as quais Fay sabia realmente lidar.
Era 1 da manhã quando todos foram se deitar, menos Faith, que obviamente ficou olhando pela janela, esperando a neve cair. Entre a passagem de uma nuvem e outra, seus olhos começaram a revirar-se de sono. Sem nem sair do lugar, Fay dormiu, sentada no chão de madeira e encostada na parede da janela, com a cabeça ainda na direção do céu.
– Fay! – ela acordou ao ouvir seu nome. Ao abrir os olhos, as imagens foram aos poucos se formando: a luz da lua iluminava o chão de madeira e as cortinas balançavam com o vento que vinha da janela aberta. A janela estava aberta? Fay olhou a sua esqueda e lá estava Jack Frost, sentado em sua janela.
– Acordou? – perguntou Jack, rindo da baba escorrendo pelo canto da boca de Fay
– Ah... Ah! Sim! Acordei – respondeu a garota, se levantando e esfregando os cantos da boca. – Por que veio tão tarde?
– Pensei em ajudar o Norte durante esses dias e por isso eu fui visitá-lo. Não que ele precisasse, eu acho. Só queria ver como ele estava e... Você sabe. Ir para fábrica do Papai Noel durante essa época é algo impagável.
– Na verdade eu não sei não... – falou Faith com o olhar confuso – Mas imagino que seja divertido...
– Pois é, mas agora o dono da casa não está, então não acho uma boa ideia passar por lá agora. – continuou Jack, levantando-se da janela e pondo as mãos na cabeça – Enfim, vamos?
– O que? Ir aonde? – perguntou Fay ainda mais confusa. “Será que é um sonho?” Ela se perguntava. A surpresa e a felicidade de vê-lo ali, ainda misturadas com o sono em seus olhos atrapalhavam seu raciocínio.
– Você vai ver quando chegarmos! Você confia em mim? – ele perguntou, estendendo sua mão para Fay.
Fay sempre soube que aqueles olhos sinceros nunca a desejariam mal. E mesmo que não fosse o caso, ela jamais duvidaria de um amigo. Se ela iria confiar sua vida à um garoto mágico de cabelos brancos? Por que não?
– Confio. – Fay respondeu, apertando a mão de Jack, que agora estava no ar, fitando os olhos da menina. – Mas mesmo assim, não me deixe cair!
O medo e a excitação tomaram conta do coração de Fay, batendo a mil por hora.
Ela fechou os olhos e deu um passo em direção ao nada, e depois outro, e então tudo o que sentiu foi o vento assoprando os dois para o alto. Muito, muito alto.
Fale com o autor