First Day of Spring
7 Amigos
Notas iniciais
Fay não sabia se ria ou gritava. O vento estava abraçando seu corpo, e a paisagem ficava cada vez mais extensa. De mãos dadas com a sua, estava Jack, rindo como uma criança, tanto de excitação quanto das caretas que Fay fazia enquanto voavam.
Aos poucos, Jack guiava Fay entre as nuvens do céu, e além da mão que a puxava, a brisa também a empurrava para onde quer que seu destino fosse. Durante aquele tempo, Fay compreendeu aquilo que os filmes diziam com “ser livre como um pássaro”. Não haveria maior sentimento de liberdade do que sentir-se parte do vento, do que ver o horizonte se estender a sua frente e decidir seguir sua direção.
“Se nesse universo houver algo maior, se existe algo ou alguém que previu que este momento chegasse para mim, obrigada. Se não for o caso... Obrigada ao destino por me fazer uma pessoa de tanta sorte”. Pensou a menina consigo mesma.
Fay começou a sentir a corrente de ar enfraquecendo ao se aproximarem do topo de uma pequena montanha aos arredores da cidade. Ela e Jack agora estavam pousando, mais leves que uma pluma, graças ao bom amigo ar.
– Onde estamos – disse Faith ao pousarem
– Imagino que não seja o mesmo lugar, mas quando você disse que costumava sair para ver as estrelas com seus pais no Natal, não consegui pensar em lugar melhor que este para observar o céu! — Ele exclamou erguendo os braços para cima, exibindo a belíssima vista que tinham agora, do céu e da cidade.
Fay estava boquiaberta. Fazia tanto tempo desde que vira tantas estrelas no céu como estava vendo. Ela sabia que havia incontáveis estrelas no universo, mas até aquele momento parecia que nunca soube realmente. Eram tantas, que o brilho delas iluminava a visão da montanha, e a pele pálida do garoto ao seu lado num lindo tom de azul. Tudo estava simplesmente incrível. Infelizmente, Fay não sabia dizer se o lugar era o mesmo que visitara antes com seus pais, mas o que ela sentia ao olhar para as estrelas definitivamente era familiar. Lágrimas ameaçaram cair de seus olhos, mas ficou tanto tempo olhando para cima que não houveram brechas para tal.
– Jack, eu nem o que dizer... – começou a menina, finalmente olhando para o que estava ao seu lado.
– Eu também não – respondeu Jack, fitando-a dos pés à cabeça. – Não sabia que você era do tipo que usava vestido.
Quando ouviu Jack, Fay de repente se lembrou do frio que estava sentindo nas pernas. “Meu Deus, ele tem que usar cada momento para zombar da minha cara?” perguntou-se a menina, suspirando ao envergonhar-se, algo que parecia que iria tornar-se mais comum de agora em diante.
– Eu não costumo usar, mas ganhei da Sophie. De presente de Natal. – disse Fay, ajeitando a saia do vestido.
– Ficou bom em você – relatou Jack – Combina com seus olhos.
Por algum motivo, um calor espalhava-se pelo corpo de Fay, que estava lutando contra o sorriso abobado que ameaçava a aparecer em seu rosto.
– Obrigada. – disse a menina enquanto passava os dedos pelo seu cabelo, quando lembrou-se de sua situação – Obrigada, não só por isso. Mas por tudo. Por me trazer até aqui... Obrigada.
– Não foi nada. É só uma pequena comemoração. – respondeu Jack, pegando pedrinhas do chão e jogando em direção ao abismo.
– Comemoração? – perguntou Fay confusa.
– Sim. Eu... Estou feliz por ter feito uma amiga. Eu pensei bastante, e decidi fazer algo por você.
Foi então que Fay percebeu, o quanto Jack deveria ter se sentido sozinho. Seu coração apertou ao pensar no assunto.
– Você não precisa fazer coisas para mim só porque somos amigos... – Fay começou a falar mas foi interrompida:
– Não é só porque você é minha amiga. É porque você é uma pessoa boa e foi graças a você que eu pude saber mais sobre Jamie, reencontrar Sophie. Achei justo você reencontrar alguém... ou... um lugar.
– Você é muito gentil. – Fay disse com sinceridade, pondo uma das mãos no ombro de Jack.
Se o ambiente não estivesse tão escuro, Fay poderia jurar que viu uma outra cor brotar nas bochechas de Jack.
– A propósito... Eu peguei isso na fábrica do Norte. – Jack falou enquanto retirava dos bolsos um pequeno globo de neve, e depois colocando-o nas mãos de Fay
– É pra você... De Natal! – concluiu o rapaz, ansioso para ver a reação da jovem.
Fay observou aquele minúsculo globo de neve nas mãos. Dentro dele haviam dois pingüins unidos por um cachecol vermelho. Era... fofo.
Após passar instantes observando a neve cair sobre os pingüins, Fay levantou a cabeça e encarou os olhos de Jack com um semblante sério e preocupado.
– Você roubou?
– Não! – respondeu Jack quase se sentindo ofendido, mas ele não levou a sério. – Norte me deu porque eu pedi a ele. Não acredito que achou isso de mim...
Jack deu as costas para Fay e cruzou os braços, pretendendo estar chateado. De repente ele sentiu o calor do abraço que vinha de suas costas. Ele olhou para baixo e notou as mãos da menina sobre sua barriga. Naquele instante, Jack se perguntou se haveria alguma doença que se transmitia com o toque das mãos, pois parecia que um frio espalhava-se por seu estômago e subia por sua garganta, deixando o pobre rapaz imóvel.
– Obrigada Jack. – disse a voz em suas costas. – Você é um grande amigo. Nem sei como te agradecer, nem te trouxe presente...
Jack virou-se para estar de frente com a menina. Ele pôs as mãos em seus ombros, e logo em seguida notou o rubor que havia se formado no rosto dela. Também notou pela primeira vez, como era incrível a cor azul daqueles olhos que o desnorteava, assim como aquela pele clara e rosada e o cabelo escuro como a noite. Jack sentia que precisava dizer alguma coisa, mas perdeu o rumo de suas palavras em meio a tantos pensamentos. Assim, ele soltou os ombros de Fay, e passou a esfregar seu cabelo prateado com as mãos. Ela só o observava com o semblante confuso e assustado.
– Não precisa agradecer tanto. Já ouvi “obrigadas” suficientes por hoje. – disse Jack rindo depois da longa pausa.
– Então tá. Vou tentar não agradecer tanto. – brincou a menina, também rindo.
Jack não sabia o que havia acontecido naquele último minuto, mas estava agradecido por ter seu corpo sob seu controle novamente e decidiu esquecer o ocorrido.
Os dois passaram cerca de 3 horas conversando e observando as estrelas. Avistaram uma estrela cadente, ou quem sabe, Norte, voando por aí para entregar seus presentes. Jack falou sobre seu passado como humano e Fay contou sobre seu dia-a-dia em sua casa com suas tias. Quando o céu começou a ficar clarear, os dois voaram de volta para casa de Sophie, onde Jack se despediu, prometendo que ele voltaria a visitar antes do que a jovem pensava. Sem fazer delongas, Fay deitou em sua cama e dormiu como uma pedra.
No mesmo dia, no horário do almoço, Fay acordou com enormes olheiras de baixo dos olhos. A noite anterior fora tão mágica, tão surreal, que ela se perguntava se havia sido um sonho. Foi quando Fay olhou para frente, e viu, respondendo sua pergunta, o pequeno globo de neve em cima de sua escrivaninha. Com um sorriso, Fay deitou-se novamente, incapaz de sair do mundo dos sonhos.
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