First Day of Spring
8 Despertar
Notas iniciais
– Fay acorde! Acorde!
Fay foi aos poucos abrindo os olhos, mas a luz era tanta que a impedia de enxergar a pessoa que estava à sua frente. Mas sem a sombra de dúvida, era a voz de Sophie.
– Fay! Nevou ontem! O chão está coberto por neve! Acorde!
– Eu sei... – resmungou Fay entre um gemido e outro, escondendo o rosto no travesseiro.
– Sabe? Mas então... Vocês se encontraram? Você viu Jack ontem?
– Sim tia, eu vi.
Fay não estava gostando do rumo da conversa. Pelo o que ela conhecia de Sophie, em menos de segundos seus ouvidos estariam ensurdecidos, e ficaria difícil voltar a dormir.
– Meu Deus Fay! Sua danadinha! Eu sabia que essa sua carinha de anjo era só fachada. – exclamava Sophie sacudindo os ombros da pobre menina.
Sem surpresas, o que Fay temia realizou-se. De súbito, a jovem pôs-se sentada, mas ainda com olhos fechados, protegidos da luz do sol. Ela queria encerrar logo o assunto para poder voltar a dormir.
– Não aconteceu nada. Nós apenas fomos ver as estrelas.
– Ai que romântico! Me conta tudo!
– Não teve nada! Agente foi lá, sentou, conversou e... – ela então lembrou-se do pequeno incidente em que ela havia sido estúpida o suficiente para abraçá-lo. Só de lembrar ela sentia a necessidade de se enfiar num buraco e nunca mais sair. – E... – a imagem do pequeno globo de neve apareceu em sua mente, fazendo-a sorrir inconscientemente – E... Só.
A vontade de Sophie era de dar um tapa na cara da sobrinha por mentir tão descaradamente, enquanto ela estava ali morrendo de curiosidade. Mas pelo o que conhecia de Fay, ela nunca iria abrir o jogo. Sophie respirou fundo e procurou contentar-se com o pouco que sabia. De todo modo estava feliz pelas novas experiências que a menina estava vivendo.
– Hmmm... Sei. Que bom. – falou Sophie com um suspiro, passando os dedos pela franja de Fay.
No instante que a tia saiu do quarto, a paz reinou no corpo de Fay, que se desmontou na cama. Infelizmente o sono já havia ido embora, por isso, ela ficou ali, apenas encarando o teto de madeira até a hora do almoço.
Ao sentar-se à mesa para comer, Fay notou que suas tias lançavam olhares suspeitos em sua direção.
– Faith... O que você anda fazendo naquele quarto? Não sai mais de lá. – perguntou Therry
– Nada demais. Dormindo.
– Mas você não sai de lá desde que chegamos! Normalmente você ficaria insistindo para sair de casa. – insistiu Wanda
– Eu ando mais cansada eu acho.
Fay respondia suas tias calmamente, sem desviar o olhar da comida. Ela sabia que só a idéia de ter um menino no mesmo quarto que ela deixaria suas tias horrorizadas.
– Talvez você esteja ficando doente de novo. Deveríamos marcar um médico. – comentou Nessa, talvez a única que não suspeitava de nada.
– Não precisa. Eu estou bem!
– Não, Nessa está certa! Sua pele tem estado mais avermelhada ultimamente. Talvez seja algum sintoma. – Therry estava começando a se convencer pela história da doença, mas isso não fazia com que sua preocupação diminuísse nem um pouco.
– Estou dizendo que estou bem! Me sinto forte como um touro. — respondeu Fay novamente, deixando claro com seu olhar que não queria dar continuidade a conversa.
– Pois bem. Desde que esteja bem para voltar as aulas depois do ano novo.
– Ah... É. – Fay lembrou-se daquele fatídico detalhe com a mesma amargura de sempre. Pelo menos, parecia que o assunto havia morrido ali. Mas Fay teria que passar a tomar mais cuidado de agora em diante.
Nos dias que se seguiram, Jack não veio visitá-la. Por mais que Fay olhasse pela janela, ele não aparecia. E assim, num piscar de olhos o ano novo havia chegado, e com ele, o dia de voltar para casa. Fay estava enfurecida por ele não ter dado notícias até então, porque afinal de contas, ela teria de voltar para casa, e como ele a encontraria?
A jovem estava terminando de arrumar suas malas quando mais uma vez pousou seus olhos sobre o globo de neve.
– Realmente... Você não dá a mínima pra mim não é? – disse Fay com o presente em suas mãos. — Pare com isso Faith! Está sendo muito dramática. Controle-se. – Voltou ela mesma a falar. Fay guardou seu globo com cuidado em sua bolsa e sem mais nenhuma reclamação, levantou-se com sua mala pronta e foi até o andar de baixo despedir-se de Sophie e seu noivo.
O táxi havia chegado e Wanda, Therry e Nessa já estavam pondo suas bolsas no porta-malas.
– Ah Fay! Vou sentir tanto a sua falta! – choramingava Sophie, sufocando a sobrinha em abraços.
– Agente ainda pode se falar por celular ou pelo computador! Não fique assim. – dizia Fay enquanto acariciava os cabelos da loira. – Agora o mais importante! Fique com isso. – Fay tirou de seu bolso um bilhete dobrado e colocou nas mãos de Sophie. – Você é a única que pode vê-lo. Por favor, se Jack passar por aqui, entregue a ele. Está bem?
– É claro! Pode confiar em mim.
Sophie guardou a mensagem em seu bolso, e abraçou a garota uma última vez. Ao seu lado, estava seu noivo Louis, que até o momento nem tinha aberto a boca. “É realmente um rapaz tímido”. Pensou Fay ao apertar as mãos do sujeito em forma de adeus. Mas o sorriso caloroso dele bastava para ela perceber suas boas intenções.
Dando as costas para a antiga casa de seu pai, Fay espremeu-se no banco de trás com suas tias e fechou a porta do carro.
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