Fire Soul

5 Capítulo 5 - Memórias de Jean - Logan's POV


Notas iniciais
Capítulo comprido. 0_0
Divirtam-se. :D
E deixe review, please. d:

Eu fechei meus olhos contra os raios de luz do sol que bateu em meu rosto. A brisa estava mansa, e isso me fez fechar os olhos. Aproveitar o momento, pois sentir-se como agora, tranqüilo... Era algo que não me sentia todos os dias.

Uma mão pousou sobre meus ombros. Eu não precisei olhar para o lado para saber que era ela. Seu cheiro adocicado invadiu meu nariz, e eu não pude evitar abrir meus olhos. Eu sabia que eu tinha um sorriso no rosto. Sabia que meu coração estava manso naquela hora, tudo por causa dela. Seus cabelos estavam soltos, compridos, e se mexiam levemente conforme a brisa a tocava. Estavam vivos e vermelhos, como o fogo, como o sol, que iluminava, que vibrava. Seus olhos verdes contrastando com o cabelo, estavam apertados, evitando que a luz do sol, que parecia mais forte em sua presença, os machucassem. Os longos cílios faziam sombras em sua bochecha rosada. Sua boca, carnuda, vermelha como seus cabelos, a faziam parecer uma deusa. Ela era, para mim. Ela sentou-se em meu lado com um pequeno sorriso em seus lábios, e eu joguei meu braço esquerdo em torno de seus ombros, a aproximando de mim. Cheirei seu cabelo, sentindo seu perfume. O perfume de Jean.

- É lindo. – Ela comentou. Eu olhei para minha frente, sem tirar minha cabeça do cabelo dela. O mar batia contra as rochas, espirrando água. Nós estávamos longe o suficiente para a água não nos alcançar. Era final da tarde, o sol já ia desaparecendo no horizonte, o céu já tinha um tom alaranjado. Eu sorri.

- Como você. – Disse. Ela olhou pra mim. Sua mão encostou minha bochecha, acariciando. Eu coloquei minha mão em cima da mão macia e branca dela. Seus olhos brilhavam, e ela sorriu.

- Logan- – Imediatamente eu levei meu dedo indicador até seus lábios, a calando. Minha mão foi de sua boca para seu queixo, e a aproximei. Eu já sentia o sabor de seu hálito dentro de minha boca, seu cheiro, seu calor... Nossos lábios estavam a alguns centímetros de distância, quando ela quebrou o espaço que tinha entre nós. Quando seu lábio tocou o meu, soube que algo não estava certo. Jean me beijava calorosamente, e eu respondia, mas não era certo. Como eu vim parar aqui? Era meio difícil pensar com este beijo. Jean me deitou na areia, que estava fria de mais para a tarde de sol. Seu beijo ficava cada vez mais faminto, e eu senti como se algo quisesse sugar minha energia, meu ar, minha alma. Eu me movi, e fiquei de uma forma em que Jean ficasse em baixo de mim. A garota que me beijava fervorosamente passava suas unhas em minhas costas. Era pra eu ficar excitado? Era, mas aquilo machucou. Doeu. Ela havia rasgado minha pele. Minha regeneração cuidou do machucado, mas eu a afastei e abri meus olhos. Logo, eu estava no instituto, no Lab. Naquele Lab, onde discuti com Charles, sobre Jean. Ou seria sobre... Fênix?

Eu me afastei da mulher em baixo de mim. Não era Jean. Eu fiquei de pé ao lado da maca, e retirei minhas garras para fora. Eu me sentia exausto. Eu sabia que era Fênix que estava ali, se levantando da maca, e se pondo em minha frente. Ela pôs uma mão em meu rosto, e eu bati violentamente contra seu braço levantado, fazendo cair em seu lado.

- Se afaste, Fênix. – Dei um passo para trás. No início, ela fez uma cara surpresa, mas voltou a sorrir maliciosamente para mim. Ela se aproximou de mim, e eu encostei minhas garras em seu rosto. — De novo não. Se afaste. – Eu sussurrei.

- Logan... – Ela riu. – Eu não vou te machucar. Você sabe disso. – Ela falou. Eu soltei um grunhido animal. Tudo ficou meio tonto, e eu abaixei minha cabeça, a chacoalhando de um lado para o outro, na esperança que tudo melhorasse. Um vento frio bateu contra me rosto, e eu levantei minha cabeça, mas tudo ficou mais confuso. Jean estava me olhando com um olhar preocupado. A verdadeira Jean, que estava como a última vez que a vi: cabelos curtos, olhar doce, preocupada com o que estava para acontecer com Scott e Charles. Mas ela não estava preocupada com o que iria acontecer com ela mesma. Ela pôs uma mão em minhas garras, que estavam próximas de sua barriga. Eu as recolhi.

- Logan, tudo bem. Está tudo bem, eu juro. Tudo bem, tudo bem... – Ela não parou de repetir aquilo. Era como ecos que atormentavam minha mente. Eu pisquei meus olhos com força. Droga! Gritei internamente. E algo queimou meu rosto. E queimou minhas coxas. E me queimava inteiro. Ao abrir meus olhos, Jean pegava fogo, seus cabelos voavam, seu uniforme vermelho de Fênix intacto. – Logan, por favor, me salve! – Ela falou, e segurou meu pulso, pondo-o em sua barriga. Estava esperando que eu retirasse minhas garras, a matasse. Mas estava tudo confuso demais, eu não sabia o que fazer. – Logan! – Ela gritou, desesperada. Então me jogou com sua telecinésia. Eu cai com força no chão, sentindo algum osso quebrar. Eu gemi com dor. Logo o céu foi se transformando em teto, e embaixo de mim, o chão foi se transformando em uma maca. Jean apareceu em meu lado, perguntou se eu estava bem. Eu gritei, e sentei na maca. Derrepente estava num bar. E Jean estava ao meu lado. Eu me levantei e corri porta afora, quando um som estridente começou a preencher meus ouvidos. O bar se transformou no esconderijo subterrâneo de Striker. Eu parei enquanto todos corriam para a saída de emergência. Deixei que passassem de mim, até que Jean parou, e olhou para trás. Tempestade veio até mim, e segurou meus ombros.

- Logan, rápido! – Ela me sacudia e chamava minha atenção. Uma dor enorme se acumulou em minha cabeça, e eu olhei para Jean, que estava parada em frente na saída com Scott, me olhando assustada. Ela segurou na mão de Scott, e correu porta afora. Ela estava com a perna boa?

Tempestade me sacudiu mais, e eu olhava para a porta, quando algo me puxou rapidamente para trás, tudo ficou escuro, e eu abri os olhos. Um som estridente invadia todo o instituto, e Ororo estava em cima de mim, com as mãos em meus ombros.

- Argh, que merda é essa? – Falei pondo minhas mãos em meus ouvidos. Minha audição era mais apurada do que a dos outros, e esse som estava me incomodando seriamente.

- Alguém tá invadindo o instituto. – Ela saiu de cima de mim, e falou saindo do quarto. – Anda, vamos pegá-lo.

Eu bufei. Muita merda acontecendo em pouco tempo. Eu me levantei, e andei na direção em que Tempestade havia saído. Pelo menos isso me acordou daquele... pesadelo.

Andei rapidamente pelos corredores, seguindo o rastro de Tempestade. Nos quartos, as crianças acordavam, preocupadas, com medo. Então alguém chamou meu nome.

- Logan! – Eu olhei rapidamente para trás, onde Vampira corria em minha direção. Eu grunhi.

- Vampira, volta para seu quarto. – Eu a empurrei levemente para trás.

- Não! Eu quero, preciso ajudar. – Ela falou rapidamente. Eu revirei os olhos.

- Não, não precisa. E se você realmente quisesse ajudar com esse tipo de coisa, não teria procurado aquela maldita cura. – Virei as costas para ela, e continuei andando. Atrás de mim, Vampira sussurrou algo que eu não ouvi.

Ao chegar no Hall, Tempestade já estava no painel de alarmes procurando pela câmera que pegou o tal invasor. Bobby já estava lá, abraçado com Kitty, e Colossus, que estava ao lado de Tempestade.

- Que droga! Faz muito tempo desde que mexi nesse negócio. Era sempre Scott que cuidava dessa parte, além de fazer muito tempo desde que alguém resolve invadir o instituto. – Eu grunhi quando ela falou no Scott.

- Nem tanto. – Falei, me lembrando da invasão de Strike. Maldito, a essas horas deveria estar queimando no mármore do inferno.

Tempestade olhou para mim. – É. – Ela falou de um modo como se não deveria ter tocado nesse assunto.

- Tá difícil ai? Quer que eu pegue... o manual? – Eu ergui uma sobrancelha.

- Non, Logannn. Esstamos quasse... Esperre, parrecce serr essste daqui. – Colossus falou com seu sotaque hilário, apontando para o pequeno aparelho.

- Ótimo. O invasor ativou a câmera do lado Oeste da escola, a alguns metros do quarto... da Jean, vamos... – Eu corri porta afora, tomando cuidado. Cheguei até o lado leste, e o som do alarme parou. Um leve cheiro de sangue no ar. Eu não consegui identificar, mas misturado ao cheiro de sangue, outro leve cheiro familiar.

- Logan, alguma coisa? – Kitty cochichou atrás de mim. Eu balancei a cabeça negativamente. Continuei a andar em frente, até que eu vi algo se movendo acima de mim. Como estava mais no canto, andei um pouco em direção do campus, quando vi uma janela aberta, e a cortina balançando com o vento de inverno.

- Rrrr, muito, muito frio. – Bobby falou. Eu olhei para ele, estranhando isso. Aliás, todo mundo olhava para ele. – O que, gente, eu também sinto frio, okay? – Ele falou.

- Hey! É ele! – Kitty gritou apontando para o invasor. Olhai rapidamente, e tudo o que vi foi um vulto preto. Tempestade se afastou.

- Picolé, bora. – Falei para Bobby. Ele fez um tobogã de gelo, nos guiando para cima. Kitty veio atrás.

Ao chegar no telhado, o invasor. O cheiro de sangue era mais forte, junto com um leve cheiro de mato. Eu retirei minhas garras. Bobby cercou por um lado, e Kitty pelo outro.

- Estava indo para algum lugar? – Tempestade falou. Eu me aproximei do invasor, que tinha um cheiro afeminado. E o cheiro estava sendo mais reconhecido, quando ela foi em direção de Kitty, atravessou seu corpo e começou a voar. Eu grunhi alto.

- Katherine Pryde! – Tempestade gritou, com raiva. Kitty segurava as mãos pra cima, na defensiva.

- E-Eu juro, não fui eu, eu ju-juro, er... – Ela gaguejou. Eu balancei minha cabeça.

- O que acabou de acontecccerr aqui? – Colossus falou, indignado.

- Aí, Ninfa, quero que tenha uma boa desculpa pra isso. – Falei apontando para a direção que a mulher voou.

- Ela... Ela ativou meus poderes, n-não fui eu... Bobby, por favor, er, não fui eu, eu juro. – Ela estava assustada. Bobby e Colossus riram.

- Olá, X-mens. Amanhã conversaremos sobre isso. Podem voltar a dormir. – A voz de Charles veio em minha mente. Creio que não só na minha, mas na de todos, pois todos assentiram. Tempestade bateu no ombro de Kitty, e pulou do telhado. A garota olhou pra mim, e depois para Colossus, que desceu junto a ela.

Bobby me olhou, sério. — Muito estranho. Ela não seria capaz de deixar o invasor fugir, você sabe, ela é, rr, louca pelos X-men, e-

- Invasora, Bobby. – O corrigi. Ele arqueou as sobrancelhas, e tremeu novamente.

- Rrrr, enfim, estou indo pra baixo das cobertas. Até amanhã, Logan. – Ele tinha parado de me chamar de professor. Certo.

Com uma última olhada para o lugar onde o invasor, ou melhor, a invasora fugiu, pulei do telhado. Mas ao invés de pousar no gramado congelado, pousei na sacada de onde a desconhecida apareceu: o quarto de Jean. Sim, era o quarto que ela dividia com Scott, mas eu normalmente tentava não imaginar os dois dormindo juntos, então a única imagem ao qual vinha a minha mente era a da ruiva.

Entrei no quarto negro. Não estava sozinho. As luzes pálidas da lua mostrou Tempestade sentada na cama. Ela fitava a escuridão em sua frente, seu olhar vago, sua mente em outro lugar. Ela levou uma de suas mãos, e passou as costas do mesmo em sua bochecha, revelando claramente que estava chorando. A mulher de cabelos brancos curtos olhou para mim, ainda parecendo estar cega, e então baixou a cabeça. Me aproximei dela, e pus uma mão em seus ombros.

- Eles irão voltar. Charles... Está os procurando, não vai demorar. – Minha voz saiu firme, e me surpreendi com isso, já que a pouco tempo quem deveria ser acalmado era eu.

Ela também percebeu isso, pois levantou a cabeça, e sorriu brevemente. – É bom saber que os tratamentos de Charles deram certo. – Ela ergueu os ombros. Dei uma breve olhada no quarto. Mesmo após 2 anos e pouco aqui no instituto, nunca havia entrado neste quarto. O máximo que aconteceu foi de eu ter passado em frente a porta aberta, dando uma olhada rapidamente. O quarto era um pouco maior que o meu, em vista que este era um quarto de casal. Eu senti uma pequena ponta de náusea ao lembrar do casal. Ignorei, e analisei o quarto: parecia como qualquer outro do instituto, mas com pequenos toques diferentes. Ele tinha uma suíte, e outra porta, que imaginei que fosse aquele quarto inútil que inventaram para guardar roupas. O vento frio bateu no quarto, fazendo a cortina voar para dentro, e brevemente senti um arrepio gelado subir pela espinha, até que o cheiro de sangue misturado a um perfume voltou ao meu nariz, fazendo meus sentidos aprimorarem. Segui o cheiro, andando em direção da tal porta, que estava aberta. O cheiro era tão familiar que me deixava com mais raiva por simplesmente não descobrir quem era a tal mulher.

As roupas estavam bagunçadas. Era como se procurasse algo...

Atrás de mim, ouvi os passos de Tempestade. Eu olhei para ela, que me olhava confusa.

- Eu não entendo. – Ela se aproximou e agarrou uma peça que estava fora da pilha organizada de roupas. – O que o invasor procurava aqui, nas roupas? Jean... e Scott... – Ela fez uma pequena pausa, — Eles nunca me contaram de algo muito importante que estivesse aqui.

- Invasora, Tempestade. – Voltei a repetir minha descoberta.

- Ouch, sério? Uh, é um passo. – Ela comentou. Ela voltou em direção da porta, e procurou o interruptor de luz, até que a achou. Ela voltou a olhar para a blusa em sua mão. Era uma roxa, leve, e feminina. Eu abaixei minha cabeça. Pausa dramática. Ela cuidadosamente dobrou a blusa, e pôs em cima do armário de madeira.

- Você não conseguiu identificar nada? – Ela perguntou. Eu cheirei mais profundamente, mas não senti nada.

- Droga, não. – Eu traguei mais um tanto de ar. Dessa vez não veio apenas o cheiro de sangue, e o da guria que eu não conseguia identificar muito bem. Perto as roupas penduradas de Scott, outro cheiro. Eu me aproximei, e além do cheiro de Scott que já ia se misturando a roupa parada, um cheiro fresco. Um cheiro... tropical. Era... Areia. Areia, mato, água. A mistura... Me lembrava do Lago... não, não. Eu balancei minha cabeça, espantando qualquer pensamento que lembrava ela, ele, e de toda merda que tinha acontecido.

- O que foi, Logan?

- Tem algo aqui... – Eu apontei para as roupas, — Mas amanhã a gente conversa, okay? Eu estou indo dormir. Eu disse brevemente. Eu passei por ela, mas não sai do quarto sem antes agarrar uma roupa qualquer de Jean, e cheirar, cheirar profundamente. Seu cheiro também parecia se esvanecer. O cheiro de sua fragrância doce ainda era bem distinguível do cheiro de roupa parada, mas seu cheiro... seu cheiro verdadeiro parecia em seus últimos dias. Eu voltei a colocar a roupa no armário, e sai do pequeno quarto. Eu não sai pela porta, pois sabia que estava trancada, então fui por onde entrei, pela janela. Não voltei de imediato para meu quarto. Andei pelo campus, sabendo que Tempestade demoraria mais um pouco no quarto e não ativaria o alarme tão logo. Minha mente estava atordoada em pensar em Jean. Meu coração apertado. Ao lembrar de Jean, a imagem dela não vinha a minha mente como vinha se eu pensasse nela a alguns meses atrás. Eu precisava forçar minha mente a recolher sua imagem alegre novamente, e ultimamente isso parecia cada vez mas impossível. Quando eu lembrava dela, era por poucos segundos, e logo ela desaparecia novamente. Jean agora parecia embaçada, e o tudo que eu podia lembrar perfeitamente era de seus cabelos vermelhos. Eu não conseguia lembrar mais de sua voz, apenas de suas frases. Eu não conseguia se lembrar de seus lábios macios, seu beijo doce, como eu lembrei depois de uma semana do ocorrido. Seu cheiro... Também estava desaparecendo. Era como se tudo estivesse dando um tapa em minha cara, me mostrando a realidade, que ela se foi, e não iria voltar. E tudo o que restava dela por aí não era o suficiente para alimentar minha saudade que corroia minha alma. Ela estava se indo... Se indo de mim, de meu coração.

Meu coração se apertou. Eu parei de andar.

Talvez chegaria um dia... Um dia em que o nome Jean seria apenas como ecos do passado, sobre apenas alguém que um dia amei. Talvez eu me lembraria do passado, e me xingaria pela minha estupidez de perder meu tempo lembrando dela. E talvez eu encontraria outra mulher, uma mulher que me faria feliz, que correspondesse minha paixão, e eu esqueceria o passado por completo, como se eu tivesse participado novamente desse tal projeto Arma X.

Conforme eu ia pensando, algo dentro de mim pareceu gritar para eu parar, até que notei as lágrimas quentes escorregam por meu rosto. Tudo queimava, e nada parecia importar mais. Depois de um tempo derramando lágrimas, eu voltei a pensar.

Mas e se eu não tivesse um futuro? E se meu futuro fosse estar ao seu lado, em outro mundo? Sim, morrer não parecia uma alternativa ruim no momento. Sim, e se não era pra ficar ao seu lado no outro mundo, pelo menos aqui na Terra, enterrado ao seu lado. Isso não podia ser o suficiente, mas era uma ótima opção, tendo em vista que nada mais parecia ter sentido. Eu pensei em ir até Magneto, trocar minha vida em troca de qualquer outra coisa.

Logan, Logan, por favor. Volte a dormir, você teve um dia cansativo, volte ao seu dormitório, para seu bem.

E após a voz de Charles, tudo apagou.

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Teng! Teng! Teng! O barulho irritante do despertador me acordou. Imediatamente levei a mão até a escrivaninha ao lado de minha cama, e bati nele, fazendo-o parar. Quando ele não parou, então tratei de bater mais ainda, até sentir alguns pedaços de plástico em minhas mãos. Eu abri o olho por baixo das cobertas, e vi o despertador desmanchado ali. Eu grunhi, e pus minha cabeça contra o travesseiro. Eu estava quase dormindo novamente quando alguém bateu na porta. Foi aí que eu levantei e xinguei o ser que me incomodou. Eu não abri a porta. Apenas fiquei sentado na cama, pensando em tudo qualquer merda.

- Logan! Anda, vem tomar café, logo a reunião começa. – Tempestade gritou, sua voz abafada. Que perseguição. Bom, reunião?

Eu me levantei da cama, e andei até a porta, a abrindo. A mulher estava batendo na porta ao lado, avisando a Bobby sobre o mesmo.

- Que diabos de reunião que ninguém me avisou? – Falei, sério.

- Ih, está de mau humor, é? – Disse ela.

- Só o típico – Estreitei os olhos. Ela riu.

- Charles não falou ontem que haveria reunião? Os horários típicos de reunião são as 7:30h, antes das aulas começarem, não são? – Eu ergui uma sobrancelha quando ela me lembrou. – E eu fiquei encarregada de acordar todo mundo, e tá meio dífi... – Eu fechei a porta antes que ela terminasse a frase. – Mal educado! – Ela gritou do lado de fora. Passei a mão em meus cabelos, e apenas ignorei. Logo percebi que meus cabelos estavam molhados, como se eu tivesse tomado banho na noite passada. Mas eu não me lembro de ter tomado um banho. Normalmente, eu tomava os banhos ao acordar. Eu enruguei a testa, e olhei para a janela, estranhando. Bom, teve o invasor. Então após a Ninfa deixar ele fugir, Charles avisou que teria reunião, e todos voltaram a dormir. Eu passei no quarto de Jean, então dei uma volta pelo jardim. E então... Então... Acho que voltei para o quarto, tomei um banho, e dormi. O que houve? Foi isso mesmo? Eu espantei esses pensamentos, e tratei de procurar alguma roupa. Abri minha gaveta, que estava bagunçada, e agarrei uma calça jeans escura. Abri outra gaveta bagunçada, pegando uma blusa de manga curta preta. Fechei a gaveta, fui até o armário que Tempestade resolveu colocar ali, para eu me organizar mais, mas que não adiantou nada, pois também estava bagunçado, e catei uma jaqueta qualquer que estava jogada no canto. Era uma de couro preta. Eu vesti, catei algum sapato, e logo estava pronto. Eu me espreguicei rapidamente, e estava quase saindo do quarto, quando lembrei de meu relógio. Eu o procurei na escrivaninha, mas não estava lá. Eu andei até o banheiro, e o achei jogado em cima da pia. Voltei a ficar intrigado com o fato de eu não me lembrar perfeitamente de eu ter entrado nesse banheiro tomado um banho ontem, até que uma coisa me ocorreu: A última coisa que eu lembrava certamente era da voz de Charles. Logan, volte a dormir, você teve um dia cansativo, e algo do tipo.

- Charles! – Falei com os dentes cerrados, por ter certeza de que ele havia entrado na minha mente ontem. Depois eu falaria com ele. Sai do banheiro, e então do quarto, indo até a cozinha que eu normalmente ia, que era a principal do corredor. Fui colocando o relógio, até que Bobby apareceu em meu lado.

- Bom dia, Logan. – Ele falou. Eu olhei bem pra cara dele, e disse:

- Ótimo dia péssimo. – Voltei a olhar para meu relógio, e quando consegui por, eu olhei as horas. 7:15h. Eu apressei o passo, e Bobby me acompanhou mudo até a cozinha. Ao chegar, lá estava Vampira, Kitty e Jubileu, discutindo algo sobre mutantes. Vampira se pôs em pé, e veio em nossa direção, mandando um sorriso de bom dia para mim, e um beijo longo em Bobby. As outras duas garotas mandaram um bom dia unânime, e voltaram a conversar.

-... Logan e o Kelvin vencem o Colossus facin-facin, Kitty. – Jubileu disse. Eu abri a geladeira, e procurei alguma coisa pra comer.

- Quem é Kelvin? – Kitty disse.

- O mutante novo, mexicano. – Jubileu respirou.

- Arg, até parece que ele vence o Colossus. Ele é horrível. Aqueles olhos negros dele são macabros. Ele fica ainda mais macabro e nojento quando ele vira aquela gosma verde. — Peguei uma maça, e dei uma mordida nela.

- Mesmo assim ele ganha do Colossus. – Eu procurei por um jornal que normalmente ficava num canto do balcão, mas não havia nada lá.

- Cadê o jornal daqui, uh? – Perguntei as garotas. Elas pararam de conversar, e me encararam. Jubileu se pôs rapidamente em pé.

- Fera não trouxe, pois sabia que você iria ler e perder o horário. – Falou em um tom de respeito, como se eu fosse o general, e ela o soldado. Ri internamente.

- Como sempre. – Kitty completou. Dei uma olhada no meu relógio de pulso. Marcava 7:25h. Eu olhei para as garotas. Kitty também se pôs de pé, e saiu com Jubileu, sabendo que estava atrasada. Eu joguei o que sobrou da maça no lixo, e também me retirei da cozinha. Andei com passos largos até a sala de reunião, mas mesmo assim cheguei meio atrasado, já que todos os X-Mens já se encontravam reunidos por lá, junto com o professor, que havia voltado. Suas pernas voltaram a ser móveis, pois havia transferido sua mente para outro corpo naquele dia em que confrontou a fênix, dizia ele. Seus poderes também não eram tão poderosos quanto eram em seu outro corpo, pois eles não se adaptaram perfeitamente a este corpo quanto se adaptava ao outro, mas mesmo assim continuava a ser mais poderoso que Jean, e que qualquer outro telepata da Terra.

Eu adentrei a sala, e fechei a porta atrás de mim. Me encostei nela, e todos logo ficaram em silêncio. Notei que Jubileu também estava presente. Enruguei a testa.

- Antes de mais nada... Bom dia, X-Mens. – Ele sorriu. Sua voz continuava a mesma, Xavier continuava o mesmo Xavier, mas o preferia no outro corpo. Sussurrei um bom dia, junto com a maioria. Voltei a olhar para Jubileu, que se remexeu no sofá. – Bom. Sem mais demoras, vou logo aos assuntos, – Ele destacou os “S”, com um pequeno sorriso, — pois logo começa as aulas, e não queremos nos atrasar, não é professores?

- Isso aí. – Tempestade falou.

- Xii, ai vem bomba. – Noturno, que estava num canto, falou. Xavier riu por um instante, e falou, — Sim, e das nucleares. – Alguns da sala riram. – Bom. Vou começar com uma notícia... Boa. Creio que a maioria a conhece, mas quem não sabe, essa é Jubileu. – Ele apontou para a garota que estampou um sorriso enorme. – Ela já está há um bom tempo no instituto, seus poderes estão bem evoluídos, e ela tem um bom talento. Com isso, vi que ela ajudou a cuidar dos mutantes que foram seqüestrados por Strike, er, e com a ausência de alguns X-Mens, vejo que o grupo precisa ser reforçado, por isso... – Charles fez uma pausa dramática. Notei que o ar da sala ficou meio pesado ao falar da ausência. Todos já sabiam o que Charles iria dizer, principalmente Jubileu que já estava ereta no sofá, junto a Kitty. Vampira já estava com um sorriso brilhante. – Por isso renomeio você, Jubileu, como a mais nova integrante dos X-Mens. – Depois disso, Jubileu e Kitty pulou do sofá, e soltaram um grito de felicidade. Elas se abraçaram, e pularam, e eu não pude deixar de soltar um riso da cena. Vampira se levantou, e abraçou Jubileu, Tempestade parabenizou-a, junto com alguns outros X-Mens. Jubileu olhou pra mim, e eu soltei um sorriso torto para ela. Ela pôs as mãos na testa, e se jogou novamente no sofá, como se estivesse desmaiando. Eu alarguei meu sorriso. Após uns 2 minutos de locomoção na sala, todos voltaram aos seus lugares, e voltaram a prestar atenção em Charles. Ele estava com um sorriso no rosto também, mas suas duas mãos estavam entrelaçadas abaixo de seu queixo. Isso significava que estava pensativo, e isso realmente não era uma coisa boa. A sala voltou a ficar quieta.

- Há mais coisas que tenho de falar. Primeiro sobre Magneto.

- O que tem ele? – Grunhi. Meu sangue começou a esquentar.

- Bom. Fera havia dito que aplicou a cura nele, certo?

- Certo. – Fera concordou.

- Pois então. Seja uma notícia boa pra alguns, triste para outras, mas a realidade é que, a cura é temporária. – Alguns suspiros. Olhei para Vampira, que olhava para Bobby. Seu olhar voltou-se para suas mãos descobertas e entrelaçadas nas mãos de seu namorado. Subitamente ela desencostou suas mãos, e as colou nos braços. Seu semblante estava assustado, surpreso, alegre, tudo ao mesmo tempo. – Eu tenho estado vigiando a mente de Eric há um bom tempo, e lamento que seus poderes voltaram, e com isso seu orgulho. Ele voltou a fazer ameaças para algumas empresas anti-mutantes.

- Mas... Mas os poderes de Vampira n-não voltaram ainda, e ela recebeu a cura antes de Magneto. – Bobby disse.

- Sim... Logo voltarão. Talvez não voltaram ainda pelo fato dos poderes de Magneto serem mais poderosos, sem falar que os poderes dele são mentais, ele pode os controlar, ao contrário dos poderes de Vampira, que são independentes, e incontroláveis. De qualquer jeito, peço para que comecem a tomar alguns cuidados. Bobby, que fica com ela na maior parte do tempo, pode perceber alguma mudança ao tocar ela. Os poderes voltarão lentamente, como o de Magnus.

- Certo. – Bobby olhou pra Vampira, que continuava naquela salada de frutas de emoções.

- Foi bom Jubileu ter entrado. Temos que tomar cuidado com Magneto, ainda mais que ele é nosso inimigo, e quem aplicou a cura nele foi um de nós. – Tempestade falou.

- Se ele já não começou sua vingançinha: a invasão de ontem. Talvez ele enviou alguém pra atacar o instituto, algo do tipo. – Falei. Alguns concordaram.

- Porque enviar alguém? Pode muito bem ter sido ele que atacou a gente. Vê, ele fugiu voando. – Kitty falou. Eu soltei um tufo de ar.

- Não era ele, era ela, eu senti o cheiro afeminado. – Falei.

- É claro! Eu vi seus pulsos finos quando levou sua mãos para o capuz. – Tempestade disse de um modo como se estivesse descoberto que a Terra era redonda.

- Yeah, e voccêsss virram o modo como esssconddia o rosssto? Não querrria sserrr rrreconhecccida. – Colossus disse.

- Mística. Eu tenho certeza que foi ela! Sua pele não era azul, mas ela podia muito bem ter se transformado só para não ser reconhecida. – Kitty impôs.

- Concordo com a Kitty. – Bobby disse.

- Não, espere, mas vocês disseram que ela saiu voando... Mística não voa. Ela pode copiar a imagem, mas não copia os poderes. A não ser que ela tivesse asas. – Vampira falou.

- Vampira está com toda razão. A tal mulher não tinha asas, e mesmo que fosse Mística com asas, é necessário experiência para poder colocar as asinhas pra funcionar. – Falei.

- Mas, e o professor, não tem nenhuma idéia de quem foi? – Jubileu falou. Todos voltaram a olhar para Xavier.

- Tenho sim, só estou vendo o raciocínio de vocês. – Ele riu, e balançou a cabeça. – Receio que meus poderes estão muito limitados neste corpo. Se eu estivesse com o meu corpo real, eu teria descoberto o invasor, ou melhor, invasora, como diz Logan.

- Quer dizer que você não sabe quem invadiu a escola? – Jubileu disse.

- Na verdade, talvez eu saiba. A mutante que invadiu o instituto ontem usou seus poderes, e eu consegui captar que tipo. Telepatia. – Após Charles falar isso, se seguiu um silêncio por um longo tempo. Até as respirações era audíveis – pelo menos para mim. Um tempo se passou, e então todos resolveram falar ao mesmo tempo. Todos discutiam ao mesmo tempo quem era, ou quem achavam que era. Eu olhei para Charles que me olhava com uma cara de entediado, então eu berrei, — Chega! – Todos ficaram mudos, e me encaravam surpresos. – Depois que Scott e Jean morreram, todo mundo resolveu mudar. Os X-Mens nunca esteve tão desorganizado quanto agora. É como uma mãe que fala para um filho de 5 anos que vai dar uma saidinha, e é só ela por um pé para fora de casa, que o filho começa a fazer algazarra. – Eu sentia meu sangue ferver. Fechei meus olhos, respirei fundo, e falei novamente, dessa vez mais calmo. – Vamos, um de cada vez.

- Ah, uh, eu pensei... Na Emma Frost, a Rainha Branca. Ela é uma telepata. – Fera falou. Rainha Branca...

- Hey, Rainha Branca não era a tal mulher do Clube do Inferno? – Perguntei.

- Sim, ela era, até Shaw morrer. – Fera falou.

- Já eu não acho que seja ela não. Que tal Polaris? Lembra, quando fomos recrutá-la há um tempo atrás, mas ela recusou o convite do Professor?

- Hmm, você acha, Tempestade? – Vampira fez uma cara de azedo.

- Não, não, não! – Jubileu se levantou. – Eu tenho um palpite muito mais inteligente, e que se chama Elisabeth Braddock. – Ela estava com o rosto um pouco erguido, os olhos fechados. Era como se ela realmente tivesse certeza de que a Terra é redonda.

- Quem é essa? – Perguntei.

- Anda meio desenformado, hein Logan... Ela é a garota dos cabelos roxos, lembra? – Vampira riu. Então me lembrei da garota em que havíamos ido recrutar, mas ela se negou a juntar-se conosco, pois participava da irmandade de Magneto.

- Faz sentido. – Tempestade sussurrou.

- Faz mesmo, Jubileu, tá de parabéns, pois pensou mais que os outros X-Mens, — Ele limpou a garganta, — mas não é Elisabeth não.

- Então quem é, professor? – Tempestade falou.

- Eu não... Eu não tenho certeza ainda. Quando sentir que é essa pessoa que tenho em mente, eu aviso vocês. Bom, creio eu que ela não achou o que queria, então pode ser que volte novamente hoje a noite. Quero que estejam a postos hoje a noite. – Ele entrelaçou suas mãos, e ficou encarando o chão em sua frente. Após um silêncio fúnebre, perguntei,

- E quanto... a Scott? – Scott talvez estava vivo. Era o que Charles dizia. Ele falou que o último sinal que sentiu de Scott foi aquele dia em que encontramos o óculos de Scott flutuando próximo ao Lago Alkali... E Jean desacordada no chão.

- Não encontrei nada, Logan. É como se houvesse uma barreira em torno de sua mente. Como já disse, meus poderes estão limitados, e não consigo derrubar essa barreira. Eu poderia usar o cérebro, mas não posso pôr em risco todos os mutantes da Terra. – Ouve suspiros na sala. Que droga! – Certo, por hoje é isso, X-Mens. Tenham um bom dia. – Xavier disse, e se pôs em pé. Todos repetiram seu gesto, e eu me desencostei da porta. Me afastei da mesma, e deixei que o pessoal se retirasse. Eles cochichavam os assuntos da reunião. Dei de ombros, e olhei para Xavier. Pela sua cara, ele já parecia saber que eu queria falar. Tempestade se despediu dele, e saiu da sala.

- O que foi que nós combinamos? – Falei.

- Me desculpe, Logan, eu precisei fazer isso.

- Não, não precisou. E hoje eu acordo, sem simplesmente saber direito o que houve ontem a noite. Quer dizer que você deu de me manipular agora, uh?

- Não, Logan, você não é manipulado por mim, e sim pela fera que há dentro de você. Ontem você estava quase pedindo pela morte-

- Eu estava pedindo pela morte. E a vida é minha, eu faço dela o que eu quiser. – Xavier olhou para baixo, e balançou a cabeça.

- Espero que logo você se arrependa por ter pensado em morte.

- É melhor esperar sentado, professor. – Cuspi a última palavra, e sai da sala. Eu marchei até o campus. Alguém deve ter me dado um bom dia, mas não liguei. Estava de cabeça quente. Andei até a estátua. Sabia que não deveria ir pra lá, já que ela me trazia lembranças felizes, mas que me deixavam triste, mas nunca fui de seguir regras. Eu parei em frente dela, vislumbrando a beleza da estátua. Me lembro exatamente do dia em que ela foi parar ai...

Flashback on.

- Você acha que ela vai gostar? – Scott perguntou, pondo a mão em sua testa, como se estivesse com dificuldade para enxergar por causa do sol. Os óculos não servem justamente para proteger dessas coisas?

- Quem sou eu pra dizer que sim? – Falei.

- Você é... Argh, Logan, vai dormir, vai. – Ele enrugou a cara.

- Com a tua guria? É pra já. – Eu comecei a me retirar, quando Scott agarrou meu braço.

- Encosta um dedo nela, e eu te mato, seu imbecil. – Scott disse em um tom de ameaça hilário.

- Há, imbecil é você fazendo esse tipo de ameaça para mim. Cresce primeiro, Summers. – Eu ri.

- Eu não tô brincando, baixinho. – Scott segurou a ponta da minha jaqueta.

- Uh, agora passou de bonzinho e certinho para o badboy, é? Viu que está perdendo sua garota para mim, e resolveu me copiar? – Ele me empurrou, e deu um soco em minha cara. Eu pus minha mão em meu queixo, que doeu por um instante, então bati meu pé contra seu peito. Foi arremessado no chão, até bater contra o ‘portal’ de entrada. Ele se levantou imediatamente, e levou sua mão até seus óculos. Ele vinha andando em minha direção. Eu extrai minhas garras.

- Ei, pare os dois! – Bobby gritou, atravessando o ‘portal’ e se enfiando na frente de Scott. Eu grunhi.

- Bobby, sai da frente. – Scott o empurrou, mas o garoto não saiu do lugar. Ele apenas repetiu o que Scott fez, empurrou-o. Eles trocaram alguns sussurros bem peculiares, hm, até que Bobby se virou.

- Logan. – Disse olhando pra minhas garras. Apenas olhei para Scott, que ajeitava o óculos com o lábio inferior comprimido para dentro, e guardei as garras novamente. Bobby continuou. – Ela esta vindo. – Com um pouco de raiva por Bobby ter aparecido, eu dei uma arrumada em minha jaqueta com apenas um puxão violento, cruzei os braços, me afastei um pouco da estátua, e voltei a encará-la. A mulher da estátua segurava seus braços para cima, como se invocasse algo. Apenas um pedaço de pano fino revestia seu corpo, e marcava seu corpo. Me perguntei se quem havia construído essa estátua precisou ver Jean para copiar. Se sim, essa pessoa era uma das mais sortudas, tirando Dr. Caolho, que vinha em primeiro no ranking.

Enquanto eu fazia minha lista de pessoas sortudas envolvendo Jean, as vozes das duas já eram ouvidas por entre as grandes folhagens verdes. Fiquei feliz em saber que eu podia ser o 4º mais sortudo, até que ela apareceu. Seus cabelos presos, tornando seu rosto mais visível – e lindo. A única coisa que estragou ali foi as mãos de Tempestade em seus olhos. Scott deu um passo em direção de Jean. Ela ria e tentava tirar as mãos da afro-descendente. Meu olhar desceu para seu vestido lilás, de um tecido leve que lembrava o da estátua. Seu vestido parava um palmo acima do joelho, e isso me fez pensar naquilo que Scott disse, dormir com ela. Ele deve ter percebido isso, pois grunhiu pra mim.

- Scott... Scott? É você aí? – Ela apalpou o ar em sua frente freneticamente, até achar Scott. Eu ri. Scott confirmou sua presença. – Ai, então, o que foi isso, guri? – Eu ri mais ainda quando percebi que ela usou uma gíria. Jean nunca, jamais usava gírias.

- Não é nada, meu amor. – Scott olhou rapidamente para mim, parecendo um pouco zangado com o fato de Jean estar quase descobrindo o que tinha acontecido há alguns minutos. Soltei um riso divertido.

- Ah, não, já sei. – Jean entortou a cabeça e comprimiu seus lábios, fazendo uma pequena cova aparecer em sua bochecha. – É o Logan, né?

Antes de Scott dizer alguma coisa, respondi, — É, sou eu sim, ruiva. – Scott parecia um pouco vermelho de raiva. Eu voltei a olhar para Jean, que tinha aberto um sorriso.

- Er, Jean, quero que venha um pouco pra cá. Quero que mantenha seus olhos fechados, okay? – Scott olhou para Tempestade, que entendeu o recado silencioso deles, e tirou suas mãos dos olhos da garota que os mantiveram fechados. Ele agarrou a mão branca dela, e a aproximou da estátua.

- Olha, eu não tenho muito o que dizer. Sabe, nunca fui bom na hora de desejar os votos de aniversário, mas quero que saiba que a amo. Amo-a mais que tudo nessa vida. Você foi a garota que me agüentou quando eu tive aquelas crises todas de eu-sou-um-mutante-porra, então agora é minha vez, okay? Jean Grey, feliz aniversário!

- Scott... – Ela sussurrou. – Você acabou de soltar um palavrão?

- Er, u-uh, fa..lei? – Ele disse, e Jean caiu na gargalhada. Eu ri do modo como se curvava com suas mãos na barriga. Tempestade ria junto. Bobby também. Dei um passo para trás. Quando passou a crise de riso de Jean, ela o beijou. E eu dei mais um passo para trás. Jean respondeu algumas coisas românticas e meladas, adicione náuseas, e depois Scott a pediu para que abrisse os olhos. Ela olhou para a estátua, mas não pude ver sua expressão, já que estava de costas para mim. Dei mais um passo para trás, e ela já estava quase sumindo de minha visão. A garota ruiva gritou, e deu um pulo em Scott, num abraço de urso. Ele a rodou, e depois de ficar um tempo abraçados, ela olhou para mim. Meu coração pulou uma batida, eu sorri brevemente a ela, e me virei, saindo do local. E esse havia sido o primeiro dia em que passei seu aniversário.

Flashback off.

Abaixei minha cabeça, e comecei a encarar a grama verde abaixo de mim. Estava sentado num banco, não ligando para o fato de estar um pouco úmido, talvez pela geada da manhã. O vento batia contra meu rosto, anunciando que em breve a neve cairia. O som das folhas das árvores se movendo junto ao frio fazia tudo ficar mais triste do que já era.

- Aí está ele... Professor Logan? – Uma voz masculina falou. Olhei pra cima, e vi um dos meus alunos me olhar com um olhar preocupado. Logo atrás, havia mais alguns alunos. – Er, e a aula? – Perguntou, e a ficha caiu. Encarei meu relógio, que marca 8:00h., o horário em que eu tinha minha primeira aula a dar hoje. Me levantei, e suspirei pesadamente. – A aula já vai começar. Vamos. – Disse. Por mais que eu não estava disposto, sabia que tinha instruir essas crianças a fazer o que era certo. Ensiná-las a nunca fazer o que eu havia feito, ou deixar coisas do lado pessoal atrapalhar suas missões, como havia atrapalhado para mim. Os alunos começaram a se mover, e eu dei uma última olhada para a estátua, que ao invés de alegre, parecia contorcer seu rosto em uma expressão muito pior que dor.

--

O resto do dia foi rotineiro. Aulas, e mais aulas, e quando não era isso, lá estava eu descansando em meu quarto, assistindo TV, ou no campus fumando um bom charuto.

Ao anoitecer, as atividades no instituto foram encerradas, e os alunos foram convocados a não saírem do quarto, pois a escola estava em estado de alerta. Idéia de Tempestade, que estava temerosa que os alunos fossem raptados novamente.

Sem mais nada para fazer, vaguei pela escola, acabando na cozinha. Lá estavam reunidos Vampira, Jubileu, Tempestade e Fera.

- Pensando no diabo... – Resmunguei.

- Oi? – Tempestade disse como se não tivesse ouvido o que eu havia falado. – Uh, Logan, é o seguinte: – Deu de ombros. – Charles pediu para que agíssemos como um se fosse um dia normal. É que como a mulher é telepata, ela vai perceber que estamos atentos. Charles leu sua mente: ela vai voltar hoje a noite, acompanhada. – Falou rapidamente. Eu soltei um tufo de ar.

- Porque diabos eu sempre tenho que ser o último a saber? – Falei.

- Penúltimo, Logan. – Bobby entrou na cozinha, parando ao meu lado com os braços cruzados. Tempestade arregalou os olhos.

- A mansão está prestes a ser atacada, todo mundo correndo perigo, e vocês estão preocupados com ideais de prioridade?

- E o como queria que ficássemos? Loucos e desesperados como você?

- Há, antes desesperada do que egoísta. – Ela cruzou seus braços.

- É, parece que esse negócio de co-diretora da escola subiu pra sua cabeça. Ach, certo, é melhor eu parar de discutir com você, se não é capaz de eu levar um suspensão.

- Grr, Logan... – Tempestade deu um passo em minha direção, com uma cara de raiva, mas antes que fizesse alguma coisa, Fera a segurou.

- Tempestade, por favor. Garotos, Ororo tem razão; Há coisas mais importantes para nos preocuparmos agora, beleza? – Ele soltou Tempestade, mas continuou perto dela.

- Droga, me chame de garoto outra vez e-

- Certo, então Charles sabe que a desconhecida nos visitará novamente. Ele tem idéia do que veio buscar? Já não basta ter entrado no quarto de Jean e Scott, isso já é bem estranho. – Fera me cortou, e eu revirei os olhos.

- Pois é, Hank, e as pilhas de roupas estavam bem desorganizadas. Me lembro que deixei tudo bem arrumado, uh, e o quarto estava sempre trancado. – Tempestade continuou.

- Scott e Jean não guardavam algo de valor lá, não é? – Vampira disse, já ao lado de Bobby.

- Não que eu saiba... – Tempestade falou antes de um curto período de silêncio.

- E se ela fosse algum tipo de ladra? Uma ladra mutante, que só queria arranjar algum tipo de jóia pra vender, sabe? – Bobby sugeriu.

- Porque o quarto... deles? – Falei. Olhei para Tempestade, que balançava sua cabeça negativamente, como se não acreditava em qualquer possibilidade. Seu rosto estava transformado em uma careta, pensativa. Logo veio outro silêncio, que foi cortado pela própria Tempestade, — Não, não... Tem algo muito mal explicado nessa história... Porque o quarto deles, como Logan disse? – Ela apontou para o lado, e baixou a voz, — Aliás, porque Charles não quis compartilhar conosco quem é ela?

- Talvez porque até ele próprio não acredite em quem foi que invadiu a escola. – Fera respondeu a pergunta de Tempestade, e meu coração pulou uma batida. Os rostos de cada um do recinto formava um assustado ponto de interrogação.

- Espere, você está dizendo que quem nos atacou ontem foi-

- Não! – Tempestade exclamou rapidamente antes que eu terminasse a frase. Antes que eu dissesse... Jean. Logo, me lembrei do dia de ontem.

Não muito tempo depois da terapia de Charles terminar, resolvi treinar. Sempre após suas malditas terapias eu ficava angustiado. É claro, com o cara trazendo lembranças já remotas da mulher que eu amava, e que me fazia ter pesadelos até o dia de hoje.

Tudo bem, talvez eu ainda a ame, se não eu ainda não estaria sofrendo por sua perda. Isso foi Charles quem havia dito. Após a volta de Charles – ou um quase Charles -, eu o havia pedido que lesse minha mente – sim, novamente. Até pedi para que apagasse minha memória, já que não agüentava todas as noites ter pesadelos com aquele dia em que minhas garras de quase 30 centímetros atravessaram seu corpo. Bom, é claro que ele recusou essa possibilidade, mas sugeriu que eu iniciasse um tipo de terapia. E pela primeira vez em muito tempo, eu ri. Achei que ele estivesse de brincadeira, até nos desentendemos, mas ele afirmou que não, não era brincadeira. No fim, e acabei cedendo a sua proposta, e deu no que deu: tive que compartilhar tudo o que eu sentia por Jean com o velho (já não mais tanto, já que transferiu sua mente e-não-sei-das-quantas para o corpo de um moribundo), que começou a me dar conselhos. De uns tempos para cá, o negócio vem fazendo efeito, é claro, com minhas recaídas, mas isso é de vez em quando. Charles, notando esse desenvolvimento, começou a trabalhar mais profundamente na minha depressão amorosa, dizia ele, trazendo as lembranças. Isso me fazia ficar totalmente entorpecido, e sempre após as aulas eu procurava manter minha mente longe das pessoas, mas ocupado com algo. Isso me fez lembrar dos treinamentos nas salas de perigo, e foi o que eu comecei a praticar. Mas ontem esse treinamento me fez ficar com mais raiva do que eu já estava, talvez por eu não ter conseguido vencer a fase em que havia posto, fazendo cancelar o treinamento antes de terminá-lo. Após isso, pus minha roupa normal, e vaguei pela casa, acabando na cozinha. Lá estava Tempestade e Vampira, cozinhando. Bobby estava sentado na cadeira, as observando. Quando adentrei no local, todos viraram seus olhares em minha direção. Meu olhar alcançou o de Tempestade. A deusa do tempo não parecia contente. Seus olhos estavam um pouco vermelhos, inchados. Imediatamente soube que havia chorado. Ao olhar para os outros rostos, vi que também não tinham olhares alegres. O que é, perderam alguma bezerra morta em minha cara? Foi o que gritei a eles. Não esperava uma resposta, então andei até a geladeira, e procurei alguma água, ou qualquer outra coisa pra tomar. É como se ela estivesse aqui, a voz de Vampira chegou em meus ouvidos. Eu parei, e me virei para ela. Jean? Sussurrei. A garota confirmou. Disse que ela e Bobby havia a sentido ali. Meu coração já havia acelerado. Eu já começava a acreditar numa possibilidade, quando meu sangue esquentou. Não lembro exatamente o que eu disse, mas eram palavras de ódio. Disse que ela não estava ajudando em minha terapia. Disse também que não gostava do modo como falava de Jean. Na verdade, havíamos conversado sobre isso. Todos estavam proibidos de falar nela em minha frente, a não ser que quisesse a mesma faca que usei em sua morte para matar quem é que tocasse no assunto. Quando vi, já apontava minhas garras a uma garota que chorava em minha frente, e também para Tempestade. Então, algo terrivelmente bizarro aconteceu. Todas as memórias de Jean preencheram minha mente. Seu cheiro, sua voz, seu toque... Eu olhei para trás. Jean com certeza estava ali. Já podia imaginar a mulher ruiva em minha frente, mas apenas imaginar. Ergui minhas mãos, e recolhi minhas garras. A presença de Jean foi ficando cada vez mais forte, e eu pude ouvir sua voz. Sim, não estava paranóico, eu ouvi sua voz. Estava tão distante, mas era sua voz, chamando meu nome. Meu nome.

Depois desse incidente estranho, eu me tranquei no quarto, e não sai de lá até o ataque a mansão de hoje.

- ...com ele sobre isso. Mas todos entenderam o que precisam fazer, não é? – A voz de Tempestade voltou a ser mais nítida, e sua silueta passou de ser algo embaçado. O pessoal concordou. Também concordei, mesmo sem saber absolutamente nada do que ela havia falado. Notei que um homem estava parado na porta. Era Charles. Não havia nem notado a hora em que entrou no local. Bobby e Vampira saíram da sala, rindo entre si. Tempestade fez alguma piada para Charles, que não prestei atenção, e se retirou. Ficou na sala apenas eu, Fera e Jubileu, com Charles.

Eu iria abrir minha boca para falar da terapia, quando ele disse antes de mim. – Logan, se não se importa, quero que faça o que Tempestade falou. Precisa se preparar para a visita de hoje a noite. – Minha cara devia ser um total ponto de interrogação, já que não havia ouvido a última parte da reunião. Resolvi chutar um, — Então sem terapias hoje?

- Isso mesmo. Boa sorte, Logan. – Ele falava um pouco desconfiado, como se soubesse que eu não sabia o que fazer. Bom, é claro que ele sabia que eu não havia entendido bulhufas. Sai da cozinha, e fui até meu quarto, dormir, e esperar o ataque novamente.

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Alguma coisa começou a me achocalhar. Soltei um resmungo bravo em resposta.

- Looooogaaan! – Ela sussurrou de um modo bravo. Sussurrou com força, como se quisesse fazer sua voz ficar mais alto. Poxa, se você quer falar mais alto, não sussurre.

As mãos em meus ombros me balançaram violentamente. – Não me faça ficar com mais raiva do que já estou, e você não quer me ver com raiva, Logan. – A mulher falou.

- Hhhhhmmm... Jeaaan, não. – Resmunguei mais preguiçosamente, parecendo uma criança. Isso foi seguido de um estalo, e uma dor chata em meu lado esquerdo de meu rosto. Ela havia me dado um tapa? Abri meus olhos lentamente, dando de cara com... Tempestade?

- Tempestade? – Estranhei, um pouco sonolento.

- Não, o papai Noel. Merda, Logan, o invasor, invasora, que seja, já tá aí. Levaaanta, vamos. – Tempestade brigou comigo, e puxou minha blusa para cima.

- Calma, guria. – Falei tão calmamente que até mesmo eu estranhei. Me levantei, e ela andou até a porta, ficando parada lá. Já ia seguindo-a, quando uma vontade louca de fumar charuto me inundou. Voltei, e calmamente abri a primeira gaveta do criado mudo ao lado de minha cama. Lá havia alguns charutos soltos. Pode ouvir o grunhido de Tempestade. Catei um charuto, e procurei um isqueiro, quando as luzes do instituto começaram a piscar loucamente. Foi minha vez de grunhir pela luz que havia começado a falhar bem na hora que eu ia catar o isqueiro. A luz voltou, mas não ficou acesa por mais de alguns segundos. Foi o suficiente para eu achar o maldito isqueiro. As luzes se apagaram por definitivo, e eu acendi o acendedor. Acendi o charuto, e antes que eu desligasse, iluminei o lado da porta de meu quarto. Tempestade estava com os olhos esbugalhados. – Grrr, eu desisto. – Ela jogou as mãos em seu lado, e se mandou. Ergui uma sobrancelha. Que mal humor é esse, meu Deus?

Joguei o isqueiro em algum lugar qualquer, sai de meu quarto. Andei calmamente pelo corredor, até chegar ao quarto de Jean, que não ficava muito longe. A porta parecia trancada, então a chutei, a escancarando. Tudo estava bem escuro, e por mais que minha visão fosse um pouco apurada, não deixei de quase tropeçar no escuro. A luz que vinha do lado de fora mal iluminava o quarto, então andei até a janela, a abrindo. O vento frio do inverno bateu contra meu rosto, e eu o xinguei por ter quase apagado meu fumo. Andei até a cama, e fiquei sentado lá, virado para a porta. Pitei um pouco. Um som abafado se fez ouvir, que achei que fosse Noturno. Pitei mais uma vez. Alguns passos próximos, então um vulto no escuro. Alguém havia entrado no quarto. Eu olhei para a invasora, erguendo uma sobrancelha. Retirei minhas garras. – Procurando alguma coisa, amiga? – E me joguei em sua direção, segurando o charuto em minha boca. A mulher desviou meu ataque por cima, mas Tempestade apareceu na janela. A mulher ergueu suas mãos, como se estivesse se rendendo. Fui em sua direção, mas algo deu errado. Era como se algo me puxasse novamente para trás. Tomei um impulso maior, e fui em sua direção novamente, mas nada adiantou, e eu quase fui arremessado para trás. E dessa vez eu realmente me irritei. – O que diabos? – Um som rápido abafado, e com ele um cheiro de enxofre revelou que Noturno havia aparecido.

- Acalmem-se. Está tudo bem. – Charles apareceu na sala.

- Quem é você? – Tempestade disse, ainda parecendo irritada. Essa garota está com sérios problemas. Precisa de algumas terapias, uh. Levemente o som da turbina apareceu no lado de fora, e eu grunhi. Estavam roubando o Pássaro Negro?

- Estão roubando o Pássaro Negro! – Fera exclamou. Não, imagina, o jato criou vida e resolveu dar uma voltinha.

A luz vacilou levemente, e então voltou totalmente, e o que vi foi imenso. Lá estava ela: Jean. Ela estava parada, seus olhos arregalados, sua boca entreaberta. Estava tão linda... Uma mecha vermelha caia sobre seu rosto pálido. Notei que estava gaguejando. Todos na sala sentiam o que eu sentia no momento. Talvez não a mesma coisa, pois tudo para mim era amplificado quando se tratava de Jean Grey. Eu dei um passo à frente, querendo a alcançar, a abraçar, saber que ela era real. Ela olhava fixamente para Charles, e algo brilhou em sua face. – Me desculpe... – Ela sussurrou, tão baixo, como se não tivesse forças. Algo em mim doeu mais do que já doía. E subitamente ela avançou janela afora, me fazendo correr atrás.

- Logan... Ela vai voltar. Não se preocupe. – Charles disse. Dei de ombros, e atravessei o quarto.

- Não. Eu não vou deixar ela partir novamente. – Corri porta afora, indo até um elevador mais próximo. Percebi que estava seguindo a trilha de Jean. Seu cheiro... Era vivo. A felicidade ficou mais forte no meio da mistura de emoções por saber que não esqueceria seu cheiro. Não esqueceria seu rosto... Sua voz... Entrei num elevador, e atrás de mim entrou Tempestade.

- Logan... Logan, me escute, eu estou tão surpresa quanto você, acredite.

- Não, não acredito. – Falei. Em nenhum momento olhei para seu rosto. Apenas esperando o segundo em que a porta do elevador se abrir para sair dele.

- Por favor, será que dá pra me escutar, pelo menos agora? – Silêncio. Duas mãos foram até meus braços. – Você não ouviu o professor? Ela vai voltar. – A porta se abriu, e eu me arranquei. Andei pelo corredor, indo até o estacionamento dos transportes que os X-Men usava. – Logan, que droga, hein, você não vê? Ela-vai-voltar. Ela gosta daqui, o Instituto é a casa dela. Não vai adiantar nada ir atrás dela. – Tempestade se enfiou em minha frente, me impedindo de andar. Quero dizer, não totalmente, pois eu continuava a andar, mas mais devagar. Até que respirei, e parei. Olhei para ela. Seu olhar estava assustado, um pouco parecido com o de Jean.

- Você já disse isso uma vez, e estava enganada. – Dei um passo para frente.

- Não sou eu quem estou falando agora, e sim Charles. Logan, por favor, não seja rebelde. – Ela respirou profundamente.

- Não posso deixá-la novamente, Tempestade. Você sabe o que ela realmente significa pra mim? – Sussurrei.

- Sei. E é por isso que deve deixá-la ir. Professor disse que Warren também está naquele jato. Eles estão indo pra Paris. Estão indo atrás de Scott.

- Scott? – Apertei meus olhos, não acreditando que ele esteve vivo este tempo todo.

- É, ele mesmo. – Um leve brilho reluziu seu olhar. – Logan, as coisas vão voltar a ser como era antes, quando tudo que eu tinha que me preocupar era com as crianças e com suas brigas infantis com Scott. – Ela sorriu. Havia me convencido. Dei um passo para trás, e olhei para o chão.

- Quero que mantenham contado com ela. Não a percam novamente. – Olhei para ela, que sorria para mim. Não pude evitar de retribuir o mesmo sorriso. Era tudo surreal. Primeiro o professor. Scott estava vivo. E Jean havia voltado. Jean!

Virei as costas para ela, e voltei para o elevador. Sabia que nunca estive tão feliz. Carregava um sorriso alheio em meus lábios. Parecia até desconfortável me ver assim, não era meu estilo, mas era como eu me sentia. E eu não pude evitar de dizer as palavras em voz alto enquanto o elevador me guiava até o andar onde ficava meu quarto: — Ela voltou!