Fire Soul
6 Capítulo 6 - Completa, novamente.
- Por quê, por quê, por quê... – Eu sussurrava a mesma palavra a mim mesma.
Por que eu fiz isso? Sim, eu havia matado Charles. Na verdade, não matado, mas tentado. Ele havia sobrevivido, mas de qualquer forma, fui eu. Isso era imperdoável, principalmente para mim, a primeira X-Woman, a garota exemplo para os novatos do colégio mutante. Como se só isso não bastasse, eu quase havia feito o mesmo com aquele que dei minha vida quando a represa se rompeu: Scott. Ao entrar na mente de Charles, vi que ele acompanhou o momento em que encontrei Scott no Lago Álkali. O beijei, e se não fosse por Emma Frost, que por sinal agora estava com Scott em Paris, eu o teria matado. Naquele dia, a conexão de Charles com Scott foi quebrada. Charles imaginava que fosse a própria telepata que o havia impedido. Sua desconfiança era grande quando se tratava de Frost. Mas a vida foi injusta com ele. Charles não teve tempo o suficiente para resolver o quebra cabeça que o atordoava, saber o que essa mulher realmente queria, pois eu estava em seu caminho.
“E lá estava eu, em pé. Ele, um pouco acima de mim, flutuando. Não permita que ela controle você — Foram suas últimas palavras.” Suas últimas e angustiantes palavras.
- Jean, Jean! – Warren se ajoelhou em minha frente, usando uma de suas mãos para erguer meu queixo, me fazendo encará-lo.
- Eu fui a culpada, Warren, eu matei Charles, e- Warren! – Exclamei quando percebi seu nariz sangrando. Por mais que atordoada, eu percebi. Sua mão foi até o líquido vermelho, e não pareceu muito surpreso quando olhou novamente para a ponta de seu dedo.
- Não, está tudo bem, eu quero saber como você está. – Eu abri a boca para responder, quando algo me ocorreu, e me fez ficar um pouco mais desesperada, e menos entorpedida.
- Warren, desde quando você sabe... Você sabe pilotar esse jato? – Arregalei meus olhos, assustada. Pronto, estavamos mortos. Eu sabia que algo não estava certo.
- Ele não sabe. – Uma voz feminina veio de trás de Warren, fazendo meus sentidos aguçarem. Me esquivei de Warren, olhando para a garota encostada na parede, nos encarando. A encarei sem reação.
- Kitty? – Naquele momento eu não sabia se corria até ela e a abraçava, ou se ficava na defensiva.
- Oi, Jean. – Ela sorriu, e não precisei entrar na sua mente, pois aquilo foi acolhedor, então soube que estava tudo bem.
Kitty Pryde foi minha aluna por muito tempo. Na verdade era minha aluna até o momento... Em que me ausentei. Era uma garota extrovertida, sempre de bem com a vida. Até mesmo quando ela entrou no instituto, quando descobriu seus poderes mutantes, sua reação foi diferente do que a de muitos alunos — estava feliz por ser diferente das pessoas, estava satisfeita por quem estava se tornando.
Seus cabelos estavam presos num rabo de cavalo. Sua roupa era de um couro preto e resistente: Era a roupa dos X-Men.
Me lembro que a garota era simplesmente louca pelos X-Men. Tudo o que faltava era se ajoelhar em minha frente e começar a me venerar por ser uma do grupo. Aliás, por eu ser a primeira mulher do grupo – oh, okay, aí sim ela enlouquecia.
Enruguei minha testa antes de abrir um enorme sorriso. — Tá brincando que você entrou... pro grupo? – Disse, apontando para a roupa, e me pondo em pé. Ela retribui com outro sorriso maior.
- Não! – Kitty jogou a cabeça para trás, e bateu palminhas. – Pro grupo não: Pros X-Mens. Agora eu sou uma X-Men. AARGH! – Soltou um som que até eu me assustei. Olhei para Warren, que olhou pra mim e riu. Segui seu riso.
- Que ótimo, Kitty, meus parabéns. – Voltei a olhar para a garota, e andei até ela, a abraçando fortemente. Era tão bom sentir o gelo e o cheiro do couro. Era tão bom abraçar uma aluna minha novamente. Abraçar alguém novamente.
Após o abraço, eu a olhei. – Eu queria estar lá, vendo sua primeira missão. – Isso me entristeceu um pouco.
- Você estava lá. Talvez não conscientemente, mas estava lá. – Sorri levemente, mesmo quando sua frase pareceu ser um pouco sem sentido. Ignorei, e ela catou um tanto do meu enorme cabelo.
- Santo Deus, que cabelo é esse? – Kitty arregalou seus olhos e levou um tanto de meu cabelo para frente. Apenas fiz uma cara de desentendida, e mudei de assunto.
- Agora, vem cá, você aprendeu a pilotar o X-Jato também?
- Aprendi. – Seus olhos brilharam.
- Ih, Warren, tá perdendo pra Kitty, é? – Disse, com um tom de zombamento. Warren respondeu mostrando sua língua. Eu retribui, também mostrando minha língua para ele.
Resolvi ir até a cabine, para ver como estavam as coisas, para ver se realmente estávamos indo para Paris ou para algum lugar do Pólo Norte. Levei Kitty junto comigo. Quando estávamos um pouco distante de Warren, sussurrei a Kitty.
- Não me diga que você fez o nariz do Warren sangrar? – Sussurrei a ela.
- É, eu fiz. Ele estava roubando o Pássaro Negro, eu tinha que fazer alguma coisa. Eu tava batendo nele, mas o professor mandou parar, infelizmente. – Abri meus lábio numa gargalhada silenciosa.
- Certo. Virei sua fã. – Bati em suas costas. Atrás da gente, Warren grunhiu. Coisas de superioridade machista.
- Uh, Jean, falei com o professor. Tá tudo certo por lá, e que eles estão de olho na gente. – Ela falou quando cheguei na cabine, e comecei a ver as coordenadas que Kitty tinha colocado. Okay, realmente estávamos indo para Paris.
Kitty colocou no modo de piloto automático, e o nosso jato era esperto o bastante para fazer o trabalho de levarmos até onde Scott estava. É claro que eu nunca confiei nesse troço. Certa vez Scott e Hank resolveram deixar essa coisa no automático, pela primeira vez. Tudo certo. Estávamos indo para o México, atrás de um mutante que estava causando alguns problemas por lá. Fomos para o fundo do Jato, e Hank estava tão confiante que aquilo ia dar certo... Derrepente o Jato pousa. “Já?” Scott fala. Até eu estranhei, então fui até a cabine verificar. Eu ri tanto, mas tanto quando reconheci o lugar a nossa volta... Hangar. Hank ficou puto. Scott e eu não paramos mais de rir.
Desliguei o modo automático quando sentei no banco de piloto. A sensação de pilotá-lo era maravilhosa. Anjo pôs uma mão em meus ombros.
- Hey, Jean, vai descansar. Já é tarde.
- Não, não posso. Eu tenho que pilotar. – Minha mão foi para o acelerador. Aumentei a velocidade. Olhei para o painel que mostrava nossa localização. Estávamos sobrevoando o Oceano Atlântico Norte. Ficou quase impossível enxergar algo a nossa frente que não fosse preto, por estar realmente tarde, e pela velocidade estar alta. Apertei meus olhos, me concentrando no painel. Anjo falou mais alguma coisa, mas não prestei atenção.
- Vão vocês descansar. – Apenas disse.
- Mas Jean- – Warren começou, mas o cortei.
- É uma ordem. – Olhei rapidamente para os dois, com um ar de superioridade. Eles consentiram, e saíram. Antes disso, Kitty deu um tapinha em meu ombro. – É bom ter você de volta, Jean. – E então saiu. Eu voltei a me concentrar na pilotagem.
Ao chegar em Paris, eu teria de encontrar a casa onde Scott estava. Me lembrei da imagem de Scott que eu havia visto dentro da sala do cérebro: O pano envolvendo seus olhos... Sua tristeza... Isso fazia meu coração doer. Pensei em ativar o turbo de uma vez, mas lembrei de Kitty e Warren, eles não estavam sentados em lugar algum atrás de mim, e deviam estar sem cinto, então não o ativei, apesar de ser minha vontade.
Procurei me concentrar nas trevas em minha frente, evitando qualquer pensamento, mas isso não era o suficiente para calar minha ansiedade.
Conforme íamos chegando a Paris, o dia começava a clarear. Quando o sono começava a bater, eu me lembrava de Scott, e isso me fazia se animar. Constantemente, Kitty e Warren vinham conversar comigo, traziam um lanchinho, pediam para que eu fosse descansar – e eu neguei essa última opção. Não era a toa que eu era chamada de persistente e teimosa.
E após 5 horas viajando, enfim Paris! Primeiramente tratei de diminuir a velocidade para não chamar muita atenção, e para termos tempo de pensar no que fazer. Kitty sugeriu que fossemos discretos, e pousássemos em um lugar mais distante da movimentação, mas próximo ao lugar onde Scott se encontrava. Este lugar não era bem no centro de Paris, mas não ficava muito longe do mesmo. Concordamos com a idéia de Kitty, então o problema foi achar um lugar adequado para pousar um jato tão grande e pesado. Eu mostrei o botão onde ativava o modo de invisibilidade para Bobby, e ele o apertou, feliz por fazer alguma coisa que prestasse no Pássaro Negro. Kitty pesquisava um lugar bom pelo mapa, enquanto eu e Bobby procurava um espaço bom a olho nu.
- Aqui, Jean. À leste tem uma fazenda com um amplo espaço. Pode ser? – Kitty falou. Um som de chamada sendo recebida do jato começou a apitar. Warren apertou em ‘atender’. Era uma chamada de voz. Em minha frente, eu vi a fazenda. Fiz um sinal de beleza para a garota que estava logo atrás de mim.
- Olá. Como estão se saindo? – A voz metalizada de Charles soou na outra linha. Meu coração bateu mais forte. A voz não parecia sair – como se eu estivesse fazendo algum esforço para falar algo. Realmente eu não queria dizer algo.
- Oi, Charles. Acabamos de chegar em Paris. Estamos procurando um bom local para pousar o avião. – Warren falou.
- Uh, certo. Aqui está um clima um tanto tenso pelo último acontecimento. Mas vamos conversar sobre isso quando vocês chegarem para cá. – Silêncio. – Estou desligando. Boa sorte. – A conexão então foi rompida.
Sem mais demoras, pousei o jato na fazenda em que Kitty havia dito. Procurei um lugar mais distante da movimentação. Por mais que estivéssemos invisíveis, era possível ouvir o som da turbina, que por mais que baixa, ainda era audível.
O sol brilhava no lado de fora, e eu não sabia que estava morrendo de calor até agora. Então tirei o sobretudo e os suéters enquanto andava em direção da saída. Notei que os outros já haviam feito o mesmo. Joguei as roupas num canto. Lembrei de pegar os óculos de Scott, que estavam em uma mesinha, então saí. Os outros dois me seguiram.
- Aí, silêncio, hein. – Kitty avisou.
- Tá tudo limpo? – Perguntou Warren.
- Está sim. Estou entrando na mente de uma senhora que está dentro da casa. Só pegando sua camionete emprestada. – Falei enquanto fazia.
- Certo. Tem algum plano? – Warren indagou.
- Na verdade, não exatamente um plano. Bom, nós vamos entrar pela frente mesmo, o lugar é meio afastado, não acho que vai ter muita gente ali. – Falei.
- Então vamos logo, estou louca pra ver meu amigo, espero que bem. – Kitty disse. Eu suspirei. — Eu também. – Sussurrei com um sorriso nos lábios.
Nós pegamos uma camionete velha, com a cor um pouco gasta, sem problemas algum após eu ter entrado na mente da dona. A camionete era uma picape com apenas três assentos na frente. Como nós três com certeza não caberíamos ali por conta das grandes asas de Warren, pedi a ele que fosse na traseira do carro. Na verdade, foi mais uma ordem, porque se ele não fosse, ele iria ficar. Nós cobrimos ele, então partimos. Fiz questão de ir dirigindo.
A cada metro que se distanciávamos do jato e que se aproximávamos de nosso destino, meu coração acelerava, e minha barriga fazia cócegas de ansiedade. Meu sorriso aumentava cada vez mais, e eu ficava mais elétrica.
- Jean, você está bem? Não para de se remexer. – Kitty comentou.
- É melhor ir se acostumando, essa guria não para quieta quando está nervosa. – Warren disse, sua voz abafada. Eu bati na pequena janela de vidro que nos separava, fazendo-o calar. Kitty riu brevemente.
Não demorou muito para que a casa que procurávamos aparecesse.
Tudo bem, aquilo não era uma simples casa, e sim uma enorme mansão. O ar até lembrava um pouco o instituto: o chafariz na entrada, a grama verde, o enorme portão preto...
- É aqui? – Kitty perguntou.
- É. – Falei, e Kitty soltou um suspiro,
- Woooow, Scott esteve só na mordomia. Agora entendo por que ele nem quis mais voltar para a escola. – Disse Kitty.
- Er, o quê, chegamos? – Warren perguntou curioso lá trás. Bati novamente na janela. Ele bufou.
- Não é bem assim, err... Deve ter uma explicação. – Defendi Scott. Na verdade, ele amava aquele colégio, ele não iria simplesmente... Simplesmente abandonar os alunos, o X-Men... Não é? Minha mente recuou ao pensar em Scott abandonando o instituto, todos os amigos, sua namorada...
Espantei esses pensamentos, e desliguei o motor. Puxei o freio de mão, olhei rapidamente para Kitty, e falei, — Er, esperem aqui. Eu já volto. – Warren começou a falar que queria sair dali, pois estava assando. Abri a porta, e sai. Em minha volta, havia árvores. O cheiro fresco da folhagem me fez se acalmar brevemente, antes de eu voltar a se lembrar de Scott. Andei até o portão. Um pouco acima do muro branco, havia uma câmera. Um pouco abaixo, havia um interfone. O botão verde parecia gritar para eu apertá-lo, e foi o que eu fiz. Prendi meu enorme cabelo ruivo num coque enquanto aguardava a resposta. Olhei novamente para a grande casa, lendo as mentes de todos que estavam ali dentro. Um mordomo, uma empregada doméstica. A tal Emma e... Scott! Lá estava ele, treinando. Treinando, Scott Summers... Uma alegria enorme me preencheu ao saber que estava bem, e vivo.
- ...Oiii? – Uma voz feminina chegou até meus ouvidos pelo interfone. Falava de um modo insistente, como se tivesse repetido a mesma coisa, e eu não tivesse ouvido.
- E-Err, olá. Emma Frost? – Disse um pouco sem jeito.
- Eu mesma, quem fala? – A voz respondeu.
- Jean Grey, e estou atrás de alguém. – Disse. Foi seguido de um silêncio que me fez achar que ela não estava mais lá.
- U-Uh, entendo. Só um momento. – E então silêncio novamente. Olhei para trás, para Kitty que olhava pra mim, e para os dois olhinhos de Warren, que espionava embaixo do pano que o cobria. Eu ri da cena, e me virei para casa.
A grande porta branca se abriu, e eu congelei. Uma mulher alta, que vestia uma calça branca, uma blusa branca, sapatos brancos, apareceu. Tinha os cabelos loiros, lisos e compridos, que reluziam na forte luz do sol. Conforme foi se aproximando, notei que era bem bonita. Seus lábios eram carnudos, seus olhos claros. Seus longos cílios fazia sombra em sua bochecha rosada. Engoli seco, não sei se foi por nervosismo, ou se foi por raiva de Scott estar trancafiado com uma mulher tão bonita como ela. Talvez os dois.
Ele não pode enxergar, Jean. Uma voz em meu interior me lembrou, e eu quase revirei os olhos. É claro. Um pequeno alivio me inundou.
- Oi, Jean. É o Scott, não é? – Emma disse, sua voz suave e firme. Eu ergui meu rosto, determinada.
- É sim. – Talvez eu parece calma, mas na verdade eu queria gritar, como uma torcida comemorando o gol decisivo de uma copa.
Ela começou a abrir o portão. – Entre. – E sorriu para mim. Antes de tudo apontei para a camionete atrás de mim.
- Hm, meus amigos... podem vir junto comigo? – Perguntei.
- Ah, claro. – Emma confirmou com um sorriso. Kitty gritou para Warren sair de baixo do pano. Warren se livrou do pano, e soltou um gemido de alívio. Em minha frente, Emma gaguejou, olhando principalmente para Anjo.
- E-Err, vocês também são... Er, mutantes? – Emma levou sua mão até o colarinho de usa blusa, brincando com ele. Seus olhos revelavam que estava mais atenta.
- Somos sim. – Falei, duvidando um pouco do fato de ela nos negar, já que havia colhido um de nós.
- Ah, entrem. – Emma abriu espaço, balançando a cabeça como se não devia ter feito sua última pergunta. Dei alguns passos para frente, vislumbrando o lugar. Era realmente grande e bonito, e a dona Frost deveria ter uma grana pra ter construído tudo. Atrás de mim, Kitty e Anjo me seguiu. Emma Frost nos passou, andando em direção da mansão. Nós a seguimos. Dei uma arrumada em minha regata, que já estava arrumada. Warren me olhou de um modo como se estivesse prestes a segurar minhas duas mãos para trás, e prende-las com algemas, e após isso, jogar a chave em algum oceano.
Fiz uma cara de consentimento, e voltei a me concentrar na mulher loira em minha frente. Ela rebolava de um modo exagerado, e Kitty notou isso, pois me cutucou, e fez uma cara de azedo. Eu ri.
Pareceu uma eternidade até que chegássemos à mansão. Emma abriu a grande porta, revelando um grande salão. À nossa frente, uma grande escada. E tudo branco. Sim, talvez ela amasse o branco. Talvez não, isso é certeza.
Parado ao lado da porta estava um mordomo. Ele acenou para mim quando o encarei, e eu o saudei, desviando o olhar.
- Por favor, me acompanhem. – Emma falou, nos guiando até uma sala cheia de luxo que ficava logo ao lado do hall.
Bobby procurou por um controle, o agarrou, ligou a televisão enorme que havia logo à frente e se jogou no sofá quando Emma falou para nós nos sentirmos em casa. Ela se remexeu, incomodada. Ri brevemente e silenciosamente. – Bom, vocês estão com fome? Aceitam comer algo?
- Sim. – Bobby disse junto a Kitty, que agora parecia ter uma sombra de desafio no olhar.
- Alejandro, por favor. – Emma disse ao mordomo, que consentiu e se retirou.
- Uh, Alejandro? É mexicano? – Kitty disse.
- É sim. – Emma respondeu, e a garota começou a se remexer no sofá – que por acaso era branco – dançando a própria música da Lady Gaga. Eu revirei os olhos.
- E você, Jean? – Emma se virou para mim.
- Não, não. Eu quero ver Scott antes. – Falei. Em nenhum momento saiu de minha cabeça que era por ele que eu estava lá, e que eu o queria vê-lo imediatamente.
- Certo. Vamos lá. – Emma começou a andar, e eu lancei um olhar de ‘se comporte’ para os dois adolescentes que estavam nos assistindo ao invés da TV. – Ele está treinando. Com certeza é o que ele mais faz por aqui, claro, não mais do que falar em você. – Emma falou depois de um tempo.
- Em mim? – Falei, surpresa.
- Yeah. – Emma se virou rapidamente com um sorriso nos lábios. – Jean Grey, a mulher de sua vida. – Eu abri um sorriso quando ouvi-a dizendo isso. – É uma das poucas coisas que se lembra. – Logo fiquei séria.
- Como assim poucas coisas que se lembra? Vai dizer que...
- Ele está com amnésia parcial. Não se lembra de absolutamente quase nada. – Emma parou, e olhou pra mim. – Olha, deve ser por isso que ainda não voltou para casa... Me desculpe, pedi para ele pra eu tentar recuperar suas memórias, mas ele não me deixou tocar em sua mente...
- A-Ah, você é... Telepata? – Perguntei.
- Sou sim.
- Uh, então somos duas. – Sorri, e voltei a ficar pensativa. — Então é por isso que eu não conseguia achá-lo... – Meditei, encarando o piso de mármore em minha frente.
- Ah, bom. Ele está ali. – Emma abriu uma porta de vidro, que revelava um campo. Apontou para longe, um pouco para a direita, e lá estava ele, afastado. Batia contra uma árvore. Estava bem afastado, mais era possível ver o pano enrolado em volta de seus olhos. Estava sem camisa, e vestia uma calça preta. O sol brilhava, e revelava suor em toda a região de seu tórax. Soltei um suspiro, meu coração batendo a mil.
- Obrigada. – Dei um tapinha no braço de Emma, e sai porta a fora. Ela consentiu com sorriso, e voltou a rebolar para a sala onde Warren e Kitty estavam. Andei em passos longos, com minha mão em cima do meu coração. Respirava rapidamente pela boca, e meus olhos ficavam embaçados por causa das lágrimas. As limpei, e lutei contra mais lágrimas. Tomei um fôlego, e gritei, o mais alto que pude: — Scott! – Ele imediatamente parou de bater na árvore, e virou um pouco seu rosto, seus ouvidos em minha direção. E eu gritei novamente: Scott! – Ele deixou a posição de luta, relaxou os músculos, e virou totalmente seu corpo suado e bronzeado. Eu já estava há uns 8 metros de distância dele. E eu ouvi sua voz pela primeira vez.
- Jean? – Falou, um pouco confuso.
- Scott... – Notei que estava parada, então comecei a correr em sua direção. Scott estava com seus lábios entreabertos e respirava pesadamente como eu. Ao chegar em sua direção, eu o abracei. Scott e seus sentidos o avisaram que eu me aproximava, então lançou seus braços em volta de mim no mesmo momento em que eu me joguei nele. Eu o abracei com todas as minhas forças, matando toda saudade que eu tinha. Seu suor era como o perfume mais cheiroso que havia na Terra, naquele momento. Sussurrava seu nome sem parar. O mesmo ele fazia com o meu nome. Uma lágrima que eu não consegui e nem tentei conter escorreu por meu rosto, e eu beijei seu pescoço. Scott se afastou um pouco, e lançou seus lábios nos meus. Logo respondi por seu beijo, nossas línguas se entrelaçando num ritmo perfeito. Um beijo de saudades.
Por um breve momento me surpreendeu que ele não tivesse medo de me beijar novamente.
A cada minuto que se passava, nosso beijo ia ficando mais rápido, me deixando sem fôlego. Contra minha vontade, tive de quebrar o beijo. Mais lágrimas escorreram por minha face, e Scott não passava de algo embaçado em minha frente.
- Jean... Senti tanto... Sua falta... – Ele sussurrou.
- E eu a sua. – Resmunguei. Nos beijamos novamente, nossos lábios roçando levemente um contra o outro.
- Me desculpe. – Falei entre o beijo. Mais e mais lágrimas derramavam de meu olhos. Scott percebeu isso, e se afastou de mim, levando sua mão quente até meus rosto, limpando-o.
- Hey... – Sussurrou, e se aproximou novamente. Dessa vez, eu me afastei com dois passos para trás. Algo me interrompeu de aproximar-se dele. Sinceramente? Scott não me merecia. Não mesmo.
Eu o quero, a emoção dizia, mas eu não posso, a razão contrariava.
Dei um passo para trás. – Jean, o que...? – Scott se aproximou de mim. Seu cheiro me cativava, eu queria o abraçar, o tocar, mas meus músculos pareciam estar rígidos.
- N-Não! – Falei, minha voz um pouco afobada pelo choro. – Você não me merece.
- P-Por que não? – Scott contorceu seu rosto numa cara de dor. – Eu não sou o suficiente para você, é-é isso? – Uma pontada enorme de dor preencheu meu coração por vê-lo daquele jeito. Sempre foi assim.
Agora, a dor era maior do que eu havia sentido ontem, pelo meu corte nas costas.
Engoli seco.
- Scott... Sou eu. Eu quase... O matei, será que é que você não entende? Não posso mais ficar contigo, Scott, eu não... Não... – A dor impediu de eu continuar. As lágrimas caiam quentes pela minha bochecha, e envolvi meus braços em minha volta, como se estivesse me abraçando. A pequena distância foi rompida quando Scott deu um longo passo para frente, me envolvendo em outro apertado abraço. Ele passou sua mão pela minha cabeça, e sussurrou, sua voz parecia um pouco rouca, mas ele a forçou para que saísse firme.
- Por favor, Jean, não... Se afaste novamente de mim. É tudo o que eu peço, por favor... Você sequer não imagina o que eu senti depois que você se foi, eu não posso te perder novamente, não... Posso. – Seus lábios encostaram-se aos meus brevemente antes de nos abraçarmos.
- Scott... Tudo o que eu sempre fiz... Foi morrer por você. — Deitei minha cabeça em seu ombro, olhando para o jardim verde, que ficava ainda mais com o forte e quente sol que brilhava naquele momento. Na verdade, quente e forte era como eu me sentia naquele momento. Forte, quente, e completa: agora eu tinha Scott. Scott era a metade que estava faltando, e que eu havia acabado de completar. O lugar estava silencioso, exceto pelos vários pássaros que cantavam alegremente. Isso era o suficiente para eu ouvir a batida acelerada do coração de Scott, e também sua respiração. Os dois iam diminuindo conforme o tempo passava. Sua pele quente contra a minha fazia arrepios passar por minha pele. Minhas mãos descansavam em seus músculos, até eu começar a movê-las. Meus dedos contornaram suas curvas incríveis. Scott continuava fazendo o cafuné. E ficamos lá, na mesma posição, por algum longo tempo, até que alguém nos interrompeu.
- Hey, Jean, Scott? Scott? – Alguém gritou. Nos desabraçamos, e eu olhei para trás. Scott sorriu. Era Kitty, que corria com um óculos na mão. — Hey, Scott, é a Kitty, se lembra? – Ela sorria meio que sem jeito.
- Eu sei que é você, baixinha. – Scott bateu na cabeça de Kitty, que soltou uma risadinha.
- Er, bem, eu trouxe... Os seus óculos. – Ela ergueu a mão em que segurava o óculos, e não sabia se entregava-o para mim, ou se para Scott. No momento em que em avancei para agarrar o óculos, Scott fez o mesmo, e nossas mãos se tocaram. Por mais que ficamos juntos por tanto tempo, o toque enviou uma leve corrente elétrica por meu corpo, me fazendo ficar arrepiada. Deixei que Scott pegasse o óculos. Então tratei de desamarrar o pano, que era uma gaze.
- Obrigada, Kitty. Uh, cadê o Warren? – Perguntei, procurando o nó. Quando o achei, tentei desamarrá-lo. Estava bem apertado, então tive que usar meus poderes.
- Ah, está lá dentro, comendo. – Eu ri do modo como ela falou. Desamarrei o nó, e comecei a desenrolar a gaze.
- Tá usando isso por que, Scott? – Kitty interrogou.
- Uh, é, para evitar que eu abra os olhos. É só uma precaução, pra ficar mais apertado, sabe... – Kitty resmungou um ‘uhun’. Eu terminei de desenrolar. Na região onde ficava seus olhos, havia um pouco mais de gaze, que caiu no chão quando afrouxei o aperto. Scott apertava seus olhos com um pouco mais de força necessária, como se não quisesse abri-los nunca mais. Passei meus dedos em torno de seus olhos, carismaticamente. Ele apertou os olhos com mais força, e levou imediatamente seus óculos até seus olhos. Eu entendi o porque do receio, e abaixei minha cabeça, deixando minha mão cair em meu lado. Voltei a olhar para cima, e lá estava Scott, com os óculos. Ele virou sua cabeça um pouco para o lado direito, e abriu os olhos. Soube disso pois uma luz vermelha brilhou levemente em torno de seus olhos. Scott parou subitamente, então olhou para Kitty, que estava em sua frente, olhando com um modo curioso. Scott sorriu levemente, e então abriu seu sorriso quando me viu para em seu lado esquerdo. Eu sorri junto com ele. Seu dedo indicador acariciou minha bochecha, escorregando até meu queixo. Ele se aproximou de mim, e levou meu rosto para perto do seu. Fechei meus olhos, e nossos lábios se tocaram novamente, num beijo doce.
- Está linda. – Falou quando ele afastou seus lábios dos meus.
- Por você. – Sorri. Ele já ia me beijar novamente, quando o afastei, e olhei para Kitty, que estava de costas para gente, olhando para o céu. Ele entendeu, e falou, — Vendo se tem alguma previsão de chuva para hoje? – Ela olhou pra gente. Sua bochecha corou levemente. Ela apenas gaguejou, mas não disse nada. Atrás dela, um ser com asas apareceu. Warren caminhou com seu jeito moleque em nossa direção. Vinha com um sorriso estampado na cara. – Fala, piá. – Scott deu alguns passos para frente, saudando Warren com aqueles tipos de abraços masculinos.
- Piá, onde? – Scott olhou para os lados, como se procurasse algo. Então parou, e olhou para Warren, — Não tem nenhum piá, exceto por você mesmo.
- Ih, certo, e você é, por acaso, muito idoso. – Warren bateu no ombro de Scott, o fazendo dar um passo para trás.
- Idoso não, adulto e maduro. – Scott bagunçou o cabelo de Warren, e o empurrou para trás. Warren respondeu a provocação com outro empurro, e Scott foi pra cima dele. Os dois começaram a brincar de lutinha como crianças. Eu olhei para Kitty, e ela olhou para mim. Nós duas reviramos os olhos.
- Hey! – Kitty gritou, e eu separei os dois com minha telecinesia. Os dois nos olharam com uma cara de tacho, e eu balancei minha cabeça. Warren e Scott riram, mas se olharam com um olhar de ‘te pego depois’. Scott jogou um braço sobre meu ombro, e beijou minha testa. Estava um pouco ofegante.
- Oh, esqueci de dizer, eu acabei de falar com Charles. Eu expliquei que estávamos na casa da Dona Frost, aquela-que-caga-em-seu-maldito-e-branco-solo-sagrado, atrás do Scott. Ele pediu pra nós voltarmos pro instituto logo porque está todo mundo se corroendo de saudade. – Eu comecei a rir junto com Kitty. Scott riu, mas não muito.
- Poxa, então, o que estamos esperando? – Kitty falou batendo palmas.
- Acho que nada nem ninguém, não é? – Falei, então me virei para Scott. – Vamos?
- Vamos. – Ele sorriu.
Nós caminhamos em direção da grande casa de Emma Frost. Warren e Kitty pareciam ter os mesmos pensamentos quanto a achar Emma uma linda, rica e metida mulher. Okay, okay, eles só ressaltavam a parte de ela se achar superior, e ser uma nojenta. Eu sabia que não deveria concordar com eles, e sim agradecer ela por ter salvo e acolhido Scott. Eu sabia... Mas algo dentro de mim, a parte mais oculta e pequena concordava com eles. Tanto concordava quanto odiava pisar no mesmo solo cujo ela já havia de ter pisado. O calor de Scott me preencheu derrepente, fazendo eu levar um leve e bobo susto quando acordei do rápido transe. Nós já andávamos por um corredor largo e luminoso. Olhei rapidamente para Scott, que vislumbrava cada detalhe do lugar onde esteve por tanto tempo, mas que não pôde ver. Logo, estávamos na mesma sala onde eu havia deixado Warren e Kitty a algum tempo. E lá estava a loira do comercial do sabão em pó, que deixa tudo mais branco, como dizia Kitty, suas pernas cruzadas, seus braços jogados no encosto do sofá branco. Ela assistia a TV, e quando nós adentramos no local, sua atenção foi para a gente. Emma se pôs de pé. Seu sorriso era enorme. A mão de Scott de apertou mais contra a minha.
- Oh, Emma. Já estamos indo, mas quero que saiba que eu não sei o quanto agradecer por ter salvo a vida de Scott. Muito, muito obrigada. Eu fico te devendo essa. – A agradeci. O sorriso de Emma se transformou em um pequeno bico.
- O quê, já estão indo? Poxa, está tão cedo! Por que não ficam para o almoço? – Falou num tom pidão. Eu sorri levemente.
- Não, não, já estamos voltando para casa. Mas obrigada. – Eu andei até ela, Warren e Kitty ficaram em um canto mais próximo a saída. – Obrigada mesmo. – Repeti. Ela sorriu, e seu olhar passou de mim para Scott.
- E você, Scott, está tudo bem? Já está enxergando? – Emma pousou sua mão no ombro de Scott.
- E-Estou sim. – Sua voz vacilou um pouco. Emma riu.
- Pois então, eu sou a Emma. Prazer. – Ela deu um tchauzinho para ele. Uma ponta de ciúmes surgiu dentro de mim. Warren deu uma risadinha debochada, afinando a voz, como se tivesse imitando Emma. Por outro lado, o alvo de suas piadas nem ligou; apenas continuou a encarar Scott. A ponta de ciúmes aumentou. – Vou sentir sua falta, hein.
- Eu também. – Scott falou, e a ponta de ciúmes aumentou assustadoramente dentro de mim, e eu quis ser o Wolverine naquele momento, ou pelo menos ter suas garras para poder avançar nela e cortar algum membro, de preferência aquele braço que descansava em seus ombros. Logan... Lembrei da última vez que o vi. Seu rosto assustado, como se não acreditasse que eu estava ali, parada em sua frente. Sua boca, abrindo e se fechando, mas tudo o que saia era apenas engasgos, e nada de palavras. Sua barba por ser feita, seu cabelo descuidado, suas olheira profundas. Meu amigo esteve mal por todo esse tempo, e eu queria tanto poder dizer a ele que agora tudo estava bem... Porque talvez estivesse mesmo. A não ser que ele tivesse outra causa grave para estar naquele estado de depressão.
Como se Emma tivesse ouvido meus pensamentos anteriores, violentos, o seu braço caiu em seu lado, os olhos abaixaram antes de voltar a olhar pra mim.
- Foi um prazer conhecer vocês. – Ela mal olhou para os dois adolescentes atrás de mim, e aquilo fez os dois cochicharem atrás de mim.
- Eu que o diga. Qualquer coisa é só contar comigo e com os X-Mens... Emma Frost. – Sorri brevemente, e andei em direção da saída. Tive meio que forçar a Scott a andar, pois ele estava pregado no chão, em frente a Emma Frost.
Nós caminhamos até a porta, onde estava...
- Alejandro, Alejandro... Ale-Alejandro, Ale-Alejandrooow. – Kitty dançava algo que caia mais para o lado de dança do ventre na frente do mordomo. Ele riu brevemente, e abriu a porta para que passássemos. Olhei para Emma novamente, e lancei um ‘obrigada’ silencioso. Com uma última olhada na mansão de Emma Frost, cujo cada mínimo detalhe esbanjava luxúria, me retirei junto aos outros. Scott também agradeceu, e então saímos. Notei que Emma vinha caminhando atrás da gente pelo jardim. Ela fez questão de abrir o portão para nós, e ficar plantada lá até o último segundo em que o carro desapareceu a pista. É claro que fui dirigindo novamente. Scott foi sentado ao meu lado, e dessa vez Kitty teve de ficar lá trás, junto com Warren. Claro que ela não precisou se cobrir, já que não tinha nada anormal visível para os humanos. Tá certo, não adiantou muito Warren se esconder, pois Kitty vinha conversando com ele em um tom o tanto alto pelo percurso todo. Scott falava comigo sobre o que havia acontecido na primeira vez em que me ausentei.
- Eu estava incapacitado de fazer qualquer coisa por lá. – Falou.
- Uh. Mas... E as aulas? – Perguntei. Abri a janela, deixando o vento bater em meu rosto.
- Não, as aulas eu até que tentava. Mas eu meio que estava afastado de todo mundo, mal falava com as pessoas, não aparecia nos treinos. – Falou distante. Me perguntei se eu causava algum tipo de loucura nas pessoas quando eu estava ausente, por que né... Foi a mesma coisa com o Logan.
- Logan? – Ele falou, e eu olhei rapidamente para ele, pois estava dirigindo. Enruguei a testa.
- ...O que tem ele...? – Estranhei o fato de ele ter perguntado derrepente do Logan.
- O quê, você acabou de falar que eu estava igual ao Logan. – Então entendi o que ele queria dizer. Sem querer eu havia dito aquilo em voz alta. Arqueei minhas sobrancelhas.
- Oh, sim. O Logan também andou um pouquinho irritado quando eu, er, estava morta. Sabe, ele estava a ponto de sair matando todo mundo do instituto. – Scott bufou ao meu lado.
- Merda, esse Logan... – Falou um pouco sombrio. Então mudou seu tom de voz quando voltou a falar comigo. – Mas... Como você sabe? Você não estava... – Scott não terminou a frase. Ele evitava em dizer qualquer palavra que envolvia morte.
- Eu... Podia ver o que se passava na Terra, sabe. Só que eu não podia usar meus poderes, então... – Mordi meu lábio inferior quando um carro preto importado nos ultrapassou. Sim, eu odiava isso. Era uma droga que essa camionete velha não andasse. De qualquer modo, mesmo sabendo que eu não iria alcançar o super carro, afundei meu pé no acelerador, fazendo o motor reprovar com um ronco enorme. Na traseira, Kitty e Warren gargalharam do barulho da lata. Scott também riu. Ele descansou sua mão em minha coxa.
- Hey, calma aí. Logo estaremos no X-Jato, e então você poderá acelerar o quanto quiser. Aliás, o nosso Jato... – Scott continuou falando, mas eu não prestei atenção. Sua mão estava tirando minha concentração. Ele a esfregava em minha perna calmamente, como um carinho. Um carinho certamente cheio de segundas intenções, pelo menos para mim.
- Jean, você tá bem? – Scott perguntou. Olhei para ele, que estava com uma cara um pouco preocupada.
- Estou sim. Você dizia...? – Perguntei. Scott voltou a falar novamente, e considerando que ele não tirou a maldita mão de minha perna, voltei a desviar minha atenção. Por um momento me estranhei por estar tão safada. Talvez eu estivesse carente. Bom, só se eu estiver muito, extremamente carente, porque né, não é de se esperar essas coisas de mim. Não era de se esperar essas coisas de mim, corrigi. A mão de Scott se apertou contra minha perna, como se estivesse pedindo minha atenção. Eu olhei novamente para ele.
- Você tá me ouvindo? – Scott interrogou, parecendo um pouco preocupado.
- E-Er, não. – Voltei a olhar para frente.
- Jean, você está bem mesmo? – Scott perguntou. Movi minha mão direita do volante, e catei a mão de Scott, jogando em seu colo.
- Agora sim. – Sorri brevemente pra ele, e continuei a prestar a atenção na estrada. Scott murmurou.
- Agora eu... Er, entendi. – Ele riu. Após alguns segundos, Scott ficou quieto. O ar ficou estranho. Virei meu olhar para ele, que me fitava com a cabeça um pouco abaixada, mordendo parte do lábio inferior. Scott me olhava com um dos olhares maliciosos dele, e isso fez meu rosto esquentar. Antes de eu olhar pra frente vi Scott erguendo sua cabeça, e abrindo um pouco os lábios. Meu rosto esquentou mais um pouco. Na verdade, tudo ficou quente, derrepente. Levei minha mão direita para o volante, substituindo o esquerdo que eu joguei para fora da janela. O vento batia fortemente nos meus braços, tanto que podiam levá-los se eu não os forçasse a ficar intacto na porta. Olhei para a paisagem que passava por meu lado, e me certificando que Scott não estava olhando, sorri, maliciosa. Kitty gritava algumas coisas sobre Emma Frost atrás. Warren apenas ouvia. Novamente, troquei de mão. A mão esquerda foi para o volante, e usei a direita para trocar de marcha. Ao mudar de marcha, senti a mão de Scott pousando sobre a minha, fazendo minha pele arrepiar. Não olhei para ele, apenas continuei prestando atenção na estrada. A ponta dos dedos de Scott subiram pela pele nua de meu braço, subindo até meu queixo. Scott se aproximou de mim, e beijou meu pescoço, fazendo vários arrepios correr por minha espinha. Eu me desencostei do banco com isso. Os beijos de Scott subiram até minha orelha. E naquele momento várias coisas passaram por minha cabeça: Estava bom? Estava. Mas eu estava dirigindo. Kitty e Warren estavam logo atrás da gente.
A cada minuto, tudo ficava mais quente, e eu estava certa de poder causar um incêndio.
Scott mordeu o lóbulo da minha orelha, causando vários arrepios, fazendo eu revirar os olhos por um instante.
Eu respirava pesadamente.
Ele também.
De qualquer forma, tive que me afastar dele. – Scott, será que dá pra gente terminar isso depois? – Enviei uma mensagem telepática a ele, mas ao invés dele parar, ele continuou seu percurso, beijando, chupando, até chegar a minha boca. Segurou meu rosto para sua direção, mas eu tinha uma camionete para dirigir, então continuei a não tirar os olhos da estrada movimentada. Estávamos nos aproximando da fazenda onde nós havíamos estacionado o jato.
- Scott... – Ele continuou. – Scott! – Praticamente gritei na mente dele. Num impulso, Scott se jogou para trás, se afastando de mim. Joguei um olhar de ‘você está maluco?’, e ele limpou a garganta, arrumando o óculos. Suas bochechas ficaram um pouco vermelhas, mas do mesmo jeito ele mandou um sorriso malicioso para mim, que me fez virar rapidamente a cabeça para frente.
Poucos minutos depois, estávamos na fazenda. Não era possível enxergar o X-Jato daqui da frente. Estacionamos a camionete, e descemos, tomando o cuidado de ninguém que estivesse passando na rua nos ver. Ou ver Warren.
Caminhamos até o X-Jato. Scott falava sobre sua vontade de morar em um lugar afastado, numa fazenda. Comentou sobre como que a vida no interior devia ser boa e tranqüila, sem precisar se preocupar com Magneto, apenas em acordar cedo para alimentar os bichos e tirar leite da vaca. Warren discordou totalmente, e falou que a vida na cidade era totalmente mais fácil e divertida, e falou que não ligava para as ameaças de Magneto, pois só passavam de ameaças bobas. Scott começou a apontar os pontos altos de morar numa fazenda, e os pontos baixos de morar na cidade. Warren fez o mesmo, só que criticando o interior. Ouvi a discussão deles até o X-Jato. Kitty comentava algumas coisas. À nossa esquerda, um enorme campo verde. À nossa direita, árvores. Quando nós chegamos ao Pássaro Negro, me lembrei de apagar qualquer rastro de que nós estávamos ali da mente da dona da fazenda. Scott fez questão de ir atrás de mim, evitando qualquer fuga minha. Ele segurou minha cintura, me empurrando para frente. Mas ao subir a escada, tive a impressão de ter visto alguém entre as árvores, e isso fez meu coração acelerar. Eu dei um pulo para trás, me concentrando naquela área, procurando alguma mente. Mas nada. Scott percebeu minha reação, e fixou seu olhar naquela mesma área. Deu um passo para frente, com seu braço em minha frente, me impedindo de dar algum passo para frente. Então ele voltou a olhar pra mim, seu rosto em dúvida.
- Jean, o que houve? – Scott sorriu pra mim, como se achasse que eu estivesse louca. Talvez eu estivesse louca mesmo.
- Er, parece que eu vi... Bom, deixa pra lá. – Falei, e virei as costas, não deixando de dar uma última olhada para entre as árvores.
Subi, e Scott veio logo atrás. Fechei a porta. Andei até a ‘cozinha’ do jato, procurando algo para beber. Encontrei um suco natural, e o bebi.
- Jean, o que meu casaco tá fazendo aqui? – Scott gritou, e eu me virei pra trás. Ele caminhava olhando para o sobretudo com um rosto de dúvida. E foi ai que eu lembrei que era o casaco preferido dele. Certo, ele não deixava eu encostar nele de modo algum. Eu engoli seco, com a esperança de que ele não iria brigar comigo.
- E-Eu o peguei emprestado, para, uh-
- Hey. Tudo bem. – Scott soltou um sorriso caloroso, e eu me encostei na porta da geladeira, aliviada. Tomei mais um gole de suco, e ofereci para ele. Deixei o suco na mão dele, e comecei a andar até a cabine, até que Warren apareceu na porta no mesmo momento que eu, e nós nos batemos de frente. Eu olhei para o rosto de Warren que estava bem próximo, Warren me encarando. Lembrei da minha sem-vergonhice mais cedo, e corei, abaixando a cabeça. Warren limpou a garganta, e se afastou, dando espaço para mim passar. Praticamente voei em direção da cabine. Kitty estava sentada numa poltrona, descansando, com o ar condicionado ligado, assistindo algum filme. Passei por ela, e cheguei até a cabine. Ativei o que tinha de ser ativado, e pus a turbina do jato pra funcionar. Seu barulho familiar começou a se fazer presente, e comecei a levantar o jato. Lentamente ele foi se levantando, até estar totalmente no ar. Acelerei, fazendo-o voar. Procurei não arrancar muito rápido, pois Warren e Scott estavam sem cintos de segurança. Certo, Scott poderia me dar um belo sermão pela minha falta de precaução. Bom, ele, Ororo e Fera. Até Logan havia começado a se preocupar com isso, já que quando ele pilotava o Pássaro Negro, era numa velocidade assustadora para os novatos... Eu lembro de todo mundo ter medo de voar no mesmo jato que ele quando o mesmo pilotava. Não fui a muitas missões com ele no comando... Talvez umas duas, ou três. De qualquer forma, isso foi o suficiente para eu também ficar um pouco receosa.
No painel de controles, procurei pelo nosso instituto, o marcando como destino.
Atrás de mim, Scott adentrou no local, falando, – Jean, você tá louca? – Putz, sabia que ele iria chamar minha atenção.
- Scott, olha, foi mal, mas essa será a última vez. – Me defendi.
- Última vez não senhora, anda, pode ir saindo daí. – Falou, num tom de atenção, mas não muito bravo.
- Hey, espere Scott, você sabe muito bem que eu não iria por a vida de todos em risco enquanto piloto, não é?
- Sei, mas eu estou aqui, e posso te substituir. Ou você não confia em mim?
- Claro que eu confio, Scott, mas eu sei que errei, mas ninguém tá morto. É só mandar eles colocarem o cinto, e pronto.
- Jean, não vem ao caso eles porem o cinto. E se você apaga enquanto pilota?
- O quê? Espere, do que você está falando? – Olhei para ele com um ponto de interrogação em minha testa.
- Uh, estou falando sobre você estar muito cansada, você não vai pilotar isto de jeito algum, Warren me contou da sua teimosice. – Scott enrugou a cara, numa tentativa de sair zangado, mas seu sorriso estragou tudo.
- A-Aaah, certo... – Suspirei por eu estar errada quanto a ele lembrar do meu pequeno erro. Apenas me levantei, sabendo que não adiantaria nada discutir com ele. Enquanto me retirava, Scott falou, — E eu vou fingir que você não se esqueceu de avisar a todos de colocar o cinto de segurança, Senhorita Grey! – Revirei os olhos, e procurei um banco. Escolhi o terceiro, da fileira que ficava atrás do banco do Co-Piloto. Deitei o banco, e liguei o ar condicionado. O vento bateu em meu rosto, e eu me deitei, virando em direção da janela, que estava fechada, impedindo qualquer luz de bater em meu rosto. Por mais que a janela estivesse fechada, a luz do vidro da frente iluminava todo o lugar. Mas eu não precisei muito para dormir. Eu fechei meus olhos, e comecei a ouvir os sons: O som da turbina abafada, Scott, que instruía Warren sobre como pilotar o jato, o som que vinha do fone de ouvido de Kitty... Não deu muito tempo, e eu perdi meus sentidos, dormindo.
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- ...você está diferente. – Eu acordei com a voz de Scott conversando animadamente. Apertei meus olhos com a luz forte que batia contra meu rosto que vinha da frente. Remexi no banco, e então lembrei do jato, de Scott, de Emma, de Kitty e Warren. Ao lembrar de Scott, ao ouvi-lo, meu coração ficou animado, e isso me ajudou a ficar mais alerta. Kitty, Warren e Scott riram juntos.
- É, mas... Cadê a Jean? – Procurei o lugar onde deixava o banco ereto novamente, e olhei para o lado. Kitty já não assistia mais o filme. Ela estava sentada num banco atrás de Scott, olhando para a tela de onde vinha a voz metalizada. Tirei um tanto do meu cabelo comprido e chato da cara, esfreguei o olho, e estiquei meu pescoço, procurando a tela. E lá estava Ororo, com seus grandes olhos castanhos, varrendo o local. Ela parou em mim, e soltou um enorme sorriso. Eu não sabia que estava sorrindo também até esse momento. Eu abri ainda mais o sorriso.
- Ela está dormindo, e- — Scott parou de falar quando viu que eu estava acordada. Notei que tinha uma jaqueta jogada em cima de mim. Joguei a jaqueta para o lado, ignorando a mudança de temperatura na minha pele, e me levantei, mas havia outro obstáculo. O cinto estava preso.
Bem, eu não me lembro de ter posto o cinto...
Desprendi o cinto, e olhei para Scott, que me olhava com um pequeno sorriso no rosto. Pulei pra fora do banco, dei um breve beijo em Scott, e dei dois passos para trás, e ajoelhei ao lado de Kitty, encarando a tela.
- Hey, Ororo. – Acenei. Ela jogou um beijo.
- Como você está, flor? – Perguntou.
- Ótima, graças a Deus. – Falei. – E por aí, como que as coisas estão?
- Todos mega ansiosos. Principalmente o Logan. – Ororo ergueu as sobrancelhas junto a um soltou um sorriso malicioso. Como pode Ororo lembrar dessas coisas, a essas horas? Eu ri com isso. — Ororo! – Eu a repreendi. Scott deixou o banco de piloto para ficar ajoelhado em meu lado.
- Ororo, fala pro Logan baixar a bola, e que se ele acha que eu mudei só por que eu fiquei ausente, diz que ele está muito enganado. – Eu dei uma cotovelada fraca em Scott, o olhando com um olhar de ‘WTF?’.
Ororo olhou para o lado rapidamente, e voltou a dizer. – Bom, Scott, acho que você poderá dizer isso pessoalmente. – Ororo olhou novamente para a tela, e estava dando um tchau, quando Logan apareceu na tela, a empurrando para o lado. Eu ri. Logan encarou a tela, olhando fixamente para mim. Seus olhos estavam brilhantes, e eu soltei um sorriso enorme quando percebi que ele havia se arrumado: barba feita, roupa limpa, cabelo cortado.
- Logan! – Pisquei para ele. Scott se mexeu em meu lado, e Logan sorriu aquele típico sorriso torto dele.
- Jean. – Ele apenas falou, e seu olhar pareceu ficar mais profundo. Eu abaixei a cabeça, evitando seu olhar.
- Er, e aí, Logan. – Scott disse, sério, mas educadamente.
- Fala, caolho. – Logan disse, e eu olhei para a tela, ainda com a cabeça abaixada, e lá estava Logan, olhando Scott com uma cara branda, mas estava sério também. Ororo estava um pouco atrás de Logan. Atrás dos dois, alunos passavam, olhando para a tela. Uns até apontavam para a gente. Reconheci alguns alunos meus. Bobby apareceu com Vampira ao fundo, de mãos dadas, e isso me intrigou. Eu sorri para eles, e quando os dois notaram que éramos nós dois, acenaram e correram para mais perto,.
- Jean! Scott! – Vampira deu um gritinho. Bobby acenou. Logan olhou para trás rapidamente, e voltou com a olhar pra gente com uma sobrancelha erguida. Eu sorri novamente com sua mudança, tanto no seu visual, quanto no seu psicológico, já que ele não estava quebrando tudo.
- Er, Jean, olha como seu cabelo está comprido. – Ororo balançou a cabeça, me olhando com olhar de reprovação. Havia notado meu coque grosso, e era obvio que com meu último corte era impossível fazer um coque. Uma das coisas que eu e ela não tínhamos em comum era a opinião sobre o tamanho ideal de cabelo. Eu amava cabelos grandes, e ela amava cabelos curtos. Tanto que eu estava deixando crescer, e ela meio que me obrigou a fazer um teste: deixar meus cabelos curtos. Ela insistiu tanto que tive que ceder a seu corte. Ficou bom, mas de qualquer modo, acho os cabelos compridos mais bonitos.
Neste momento, Ororo tinha o corte pelos ombros. Seus cabelos lisos e brancos contrastavam com sua pele morena e com seus olhos castanhos. Eu respirei fundo, tentando parecer séria.
- Bom... Talvez nem tanto. – Eu soltei o coque, e ela me olhou, com as sobrancelhas erguidas. O cabelo enrolado em uma só mecha caiu, caiu, até alcançar o chão, já que eu estava ajoelhada. Eu tomei o cabelo, e comecei a erguê-lo, mostrando seu comprimento. Segurei meu cabelo com se fosse uma cobra. A cada tanto de cabelo que eu erguida, seu rosto ficava mais desesperado. No final da demonstração, seus olhos estavam esbugalhados, sua boca aberta em um ‘O’. Logan me olhava incrédulo, com uma sobrancelha erguida. Eu não agüentei, e gargalhei, jogando minhas mãos em meu rosto, e caindo para trás.
- Pela deusa, Jean! Não, espere, nós precisamos passar uma tesoura nisso. Espere você chegar ao instituto. Vou te receber com uma enorme tesoura de jardineiro nas mãos. – Eu gargalhei mais ainda, me esparramando no chão.
- Hey, Jean. – Scott segurou meus ombros, rindo um pouco, como se estivesse preocupado com minha onda de gargalhada. Kitty e Warren também riam. Após um tempo, eu parei de rir, limpando as lágrimas que rolaram de meus olhos. Céus, como eu adorava isso.
- Tudo bem? – Scott indagou, também incrédulo.
- Tudo. – Ri mais um pouco, e ele me beijou, me levantando. Quando ficamos novamente de joelhos, um som ameaçador veio do outro lado da linha. Era Logan grunhido alto. Eu quebrei o beijo, e olhei para Logan, que fulminava Scott.
- Vê se eu mereço moleque tentando causar ciuminhos. – Ele revirou os olhos.
- Ih, Logan, acorda, não tem ninguém causando ciúmes em você não. Não é minha culpa se eu amo ela, e ela me ama. – Ele falou, apontando pra mim e para ele próprio. Logan soltou outro grunhido, que pareceu quase um rugido felino. Arregalei os olhos. Isso eu simplesmente odiava.
- Logan... – Tentei falar, mas ele não me ouviu.
- Escuta aqui, Summers- — Logan retirou suas garras, e eu abri os lábios. Ororo segurou seus braços. Automaticamente eu levei minhas mãos até a tela, como se eu pudesse usar meus poderes para pará-lo ou segurá-lo. Era óbvio que ele estava quase quebrando nosso comunicador. Tempestade estava quase empurrando Logan para outro lugar, mas ele se soltava violentamente de suas mãos. Então eu empurrei Scott da câmera, deixando que só eu ficasse em cena. Tomei um tufo de ar, e gritei.
- Logan! – A reação dele foi quase imediata. Logan se inclinou para trás, seus olhos atentos, boca entreaberta. Lentamente ele recolheu suas garras, e olhou para baixo, engolindo seco. Respirei fundo, fechei os olhos, e puxei Scott novamente.
- Eu disse que Jean podia te fazer se sentir uma criança de cinco anos. – Uma familiar voz masculina falou a Logan. Ele olhou para o lado, ainda quieto, mas com o olhar sarcástico de sempre, e se afastou, com uma última olhada para mim. Em frente à tela, um homem apareceu. Ele tinha um cavanhaque charmoso, seus cabelos grisalhos num topete. Usava um terno que parecia ser caro, e tinha o rosto sério, mas com o olhar brando.
Era Charles.
O novo Charles.
Ele sorriu quando nos viu. Eu não sabia se fazia o mesmo, ou se continuava a encará-lo com minha cara de assustada. Charles.
- Olá, Jean, Scott. Como é bom revê-los. – O sorriso de Charles brilhou. Sorri levemente, ainda confusa.
- I-Igualmente, professor. – Gaguejei. Ao meu lado, Scott se remexeu.
- Pro...fessor? – Ele falou. Charles apenas abriu mais o sorriso.
- Scott. Bom, creio que esteja confuso quanto a isso. — Charles apontou para si mesmo. – Sim, temos assuntos para deixarmos em dia. Logo, logo, vocês já estarão aqui, e então poderemos conversar direito, tudo bem?
- U-Uh, okay. – Scott sussurrou em meu lado. Eu beijei seu rosto, como se eu pudesse acalmá-lo.
- E Jean... – Charles falou, e eu olhei para a tela. – Não foi sua culpa. – Seu olhar estava confiante. Charles sorriu bravamente, e falou. – A gente se vê.
Mandei um beijo pra eles, e me retirei, ocupando o banco onde Scott estava sentado a pouco tempo. Lá, dei uma olhada no painel de controles, vendo que estávamos a 5 minutos do instituto. Isso fez borboletas voarem no meu estômago. Tomei a direção do jato, que estava no automático, até chegarmos à grande escola. Algumas crianças jogavam basquete na quadra, mas logo saíram quando viram o jato descendo. A quadra de basquete se partiu em dois, abrindo espaço para o grande jato descer. Pude ouvir um ‘eles chegaram’ de alguém pela conversa de Charles e Scott, e isso me fez sorrir.
Quando senti o jato alcançar o chão do hangar, e a quadra acima da gente se fechar, fazendo o hangar escurecer, e as luzes brancas se acenderem, soltei um suspiro, e relaxei no banco. E finalmente estávamos todos bem e a salvos, em casa.
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