Notas iniciais
Boa noite!!! Então, vai ser um pouco confuso, mas essa one, ainda é one, só dividi em duas partes por que ficou compridinha e aí fica mais fácil de vocês pararem por x razão (Cansou, sem tempo, correndo para o trabalho...) e ter um ponto onde continuar sem de fato atrapalhar. Espero que gostem!!!

FELICITY SMOAK

— Desculpe, você pode repetir o que disse? – Murmurei encarando a morena a minha frente com meu melhor olhar de descrença. Seus olhos azuis me encaram sem qualquer indicio de paciência.

— Você me escutou muito bem, não finja o contrário. – Pediu. A ignorei por alguns segundos em que me limitei colocar nossas compras na geladeira. – Felicity!

— Não, eu realmente escutei muito bem. – Assenti. – Eu estava esperando o momento em que você ri da minha cara e diz “Eu estava brincando Lis, é claro que eu não chamei você para uma festa no território do Moto Clube mais assustador das redondezas.”- A observei revirar os olhos em resposta. – Helena, isso é a própria definição de insanidade!!

— É apenas uma festa. – Protestou.

— Eles são criminosos, Helena. – A lembrei. – São homens envolvidos com tráfico de drogas, e um monte de sujeira que nós realmente nem imaginamos, coisas que sempre terminam em um assassinato não explicado, que toda a cidade sabe que eles estão por trás, mas ninguém vai fazer nada a respeito por que até a polícia come na mão deles. Por Deus, Helena, eles não se auto intitulam de League of Assassins por diversão.

— Felicity, nós nascemos do lado errado da cidade. – Lembrou-me. – Podemos muito bem lidar com uma noite envolta por motoqueiros que vão estar ocupados demais enchendo a barriga de cerveja para sequer perceber nossa presença. – Argumentou.

— Agora você está sendo obtusa de propósito. – Falei entre dentes. – Nós duas sabemos que a única coisa mais perigosa que um home sóbrio, é um homem bêbado. – Ela me encarou exalando um suspiro.

— Por favor. – Murmurou após um longo tempo em que tudo o que fizemos foi guerrear através de olhares.

— Não. – Neguei prontamente.

— Não vamos estar sozinhas. – Argumentou. – Roy vai estar lá. – A encarei incrédula.

— Roy é um cachorrinho de olhos triste se comparado àqueles motoqueiros. – Ressaltei. – Não vai me convencer com esse argumento, e a propósito, foi ele que te chamou para essa festa estúpida? – Questionei de repente. – Helena, como você ficou sabendo dessa festa?

— Não dê uma de mãe comigo Felicity Smoak. – Murmurou erguendo um dedo. – Temos a mesma idade.

— Sou mais velha. – Retruquei.

— Um mês. – Deu de ombros.

— Não. – Repeti.

— Felicity!!

— Por que você precisa de mim? – Perguntei pegando a embalagem de sorvete e abrindo. – Como você disse, você pode ir com Roy.

— Por que eu preciso da minha melhor amiga. – Rebateu. – Eu sou irresponsável. Impulsiva e imprudente. – Murmurou me fazendo sorrir quando completou: — E mais um monte de coisas com I que não me lembro.

— Inconsequente. Insensata. – Escutei um bufo como resposta e continuei. – Incauta. – Ela me encarou com um olhar irritado.

— Terminou?

— Impaciente. – Sorri.

— Por favor, Felicity. – Repetiu.

— Insistente.

— Quer parar com isso? – Reclamou.

—Irritadiça. – Murmurei simplesmente.

— Felicity!

— Ok. Parei. – Murmurei sabendo que agora ela falava sério. – Sabe o que você é também? Inteligente. Você sabe tão bem quanto eu quer ir a essa festa seria uma insanidade.

— Você fez de propósito. – Acusou-me.

— Eu fiz. – Brinquei. – Sério Helena. – Murmurei tornando-me séria novamente. – Por que você quer ir tanto a um lugar que só pode ser descrito como péssima ideia? Esses caras só protegem aos seus, nem sei como você ficou sabendo dessa festa, e nem sei o que faz dessa festa especial, por que a vida deles deve ser regada a álcool e sexo todos os dias. Para ele, todo dia deve ser uma festa.

— É um aniversário. – Informou-me. – Roy foi convidado, ele está louco pela garota Queen.

— Você quer dizer Thea Queen? – Perguntei incrédula. – A que está um ano atrás da gente? Ele ficou louco? Pelo o que eu soube ela é parente de alguém importante lá dentro, Roy não tem chance. Ele será comido vivo.

— Felicity eu preciso de você. – Falou em tom insistente. – Eu preciso que você me impeça quando um motoqueiro gostoso qualquer fazer gesto de se aproxime com um dedo e eu de muita boa vontade andar em direção a uma morte iminente.

— Escute a si mesma. – Meneei a cabeça. – Você sabe que é perigoso e ainda assim quer ir, por quê?

— Por que também é excitante. – Respondeu me surpreendendo. – Esses caras... Eu só os vi de longe, e eu conheço Thea, ela é na verdade uma garota muito doce. Ela jamais nos convidaria para algo que acabaria mal para a gente. E estamos no último ano Lis, nós duas precisamos fazer alguma loucura. Eu ousaria dizer que você precisa mais do que eu. Você mora sozinha tem um ano e ninguém tem ideia disso, eu venho para cá sempre que posso, mas você sequer precisa da minha ajuda. Você é todas aquelas coisas que eu não sou, responsável, sensata e qualquer coisa que seja o oposto de icausta? – Terminou a frase com meio que uma pergunta. E não pude fazer outra coisa se não rir. — Pelo amor de Deus quem conhece uma palavra como essa? Realmente existe?

— Incauta. – A corrigi. E a observei revirar os olhos. – Você não tem cautela. – Expliquei.

— Meu ponto é... – Murmurou pegando as taças que eu sequer havia percebido havia enchido e levando para sala que era separada da cozinha apenas por um balcão. Suspirei sabendo que gostaria de nada que ia vir a partir da pequena frase e guardei o sorvete. – Desde que seu pai fugiu com aquela viciada e sua mãe a abandonou... Inferno, muito antes de qualquer dessas coisas que aconteceram, você cuidou de todos, inclusive de mim. Você sempre foi cheia de responsabilidades e nenhuma diversão. Você tem dividido seu tempo entre ir para a escola e trabalhar naquela lanchonete sem futuro algum. Você merece um pouco de diversão, e ninguém melhor do que eu para te guiar por essas águas desconhecidas. – Sorriu se sentando. Entreguei a ela uma colher, e ela me entregou minha taça. – E ninguém melhor do que você para garantir que eu não acabe me afogando. Então? Festa com os motoqueiros?

A encarei observando seu semblante cheio de expectativa. Suspirei sabendo que havia sido um caso perdido desde que ela abriu a porta e sorriu dizendo que já sabia qual seria nossos planos para sexta a noite.

— Está bem. – Cedi segundos antes que ganhar um abraço explosivo dela. – Mas se eu cogitar que estou em perigo, você sequer verá minha sombra quando correr festa a fora. – Alertei.

— Ótimo!! – Concordou. – Só preciso avisar a Roy que consegui te convencer.

— Aquele covarde. – Ri. – Se ele não consegue me encarar para me convencer a ir em uma festa barra pesada... Como ele acha que irá durar a essa festa?

— Não mexa com o garoto. – Murmurou se ajeitando. – Não se preocupe Felicity, eu estou sentindo que essa festa irá mudar nossas vidas. – Sorriu radiante.

Oh merda, eu não gostava de como isso soava.

E gostei menos ainda quando na sexta feira desci da sucata que Roy chamava de carro e encarei a imensa casa abarrotada de gente e cercada por motos, cada uma mais monstruosa que a outra. Um som estridente soava como barulhos que alguma pessoa ousaria chamar de música. Havia uma enorme fogueira acessa e gente por todo lado. O que mais me preocupava nisso tudo? Estávamos fora da cidade cercados por árvores e mais árvores em um terreno cuja lei aplicada era de algum motoqueiro barrigudo segurando uma maldita cerveja.

— Deus. – Helena murmurou ao meu lado. Seus olhos passando pela casa. – Isso aqui é...

— Um desastre. – Completei observando uma garota vestindo apenas um tope justo e shorts curtos se esgueirar para vomitar nos pés um cara aleatório. Ela já havia chegado a festa bêbada ou o quê?!

— Incrível. – Roy completou corrigindo-me. – Mente aberta Smoak, não estregue isso.

— O que há para estragar aqui? – Murmurei incrédula. – Já está tudo estragado. Honestamente? Eu acho que vi um filme de terror começando assim.

— Felicity...

— O quê? – Encarei Roy com meus olhos praticamente dançando. – Sempre começa com o um grupo de jovens chegando a uma festa, e sempre acaba com alguém morrendo. Eu não posso me arriscar. Nos filmes de terror da vida, eu sou a garota que cai após 5 segundos de corrida.

— Por favor, Lis. – Helena murmurou aborrecida. – Dê uma chance, não julgue um livro pela capa.

— Oh eu estou julgando esse livro pela capa, pela sinopse e pelos malditos spoilers. – Falei. – E se isso aqui é o prólogo, eu tenho quase certeza que vou odiar os capítulos que estão por vir.

— Olhe, eu estou vendo Thea. – Roy murmurou colocando um braço sobre meu ombro e outro sobre o de Helena. Segui seu olhar até Thea que estava parada em frente a enorme porta da frente parecendo muito irritada com tudo em seu entorno. A garota parecia mais miserável do que eu. – Ela é a aniversariante aqui ok? Vamos cumprimenta-la, nos divertir, e apenas por essa noite você deixa a Felicity certinha fora da diversão e realmente se envolve com coisas legais, pegue uma cerveja e tenha um bom momento. Segunda vamos ter que voltar a realidade de estudar em um colégio de merda, sem futuro algum.

— Uma hora. – Murmurei entredentes. – É tudo o que vou dar a vocês, em seguida eu mesma pego o carro e vou embora, eu sei fazer ligação direta Roy, lembre-se disso. – Falei me soltando do peso de seu braço.

— Essa é minha garota. – Helena sorriu entrelaçando o braço ao meu. – Agora vamos cumprimentar a aniversariante.

— Ok, mas antes...

— Ah não. – Roy protestou.

— Eu preciso de apenas um momento mãezona antes de entrar de cabeça nessa loucura. – Murmurei quase implorando por isso com meus olhos. Observei os dois trocarem olhares entre si e assentir concordando.

— Está bem. – Roy cedeu. – Mas seja rápida.

— Ok. – Assenti. Virando-me de costas para casa e ficando em frente a eles. – Primeiro de tudo: Nada de drogas, eu estou falando sério, sem curiosidade, sem o famoso “Apenas uma vez” ou “Essa é da fraca, sou forte o bastante para parar quando quero”.

— Não estamos indo nessa direção Felicity. – Helena franziu o cenho. – Vocês nos conhecem, nos dê algum crédito.

— Bebidas apenas as que vocês conseguirem sozinhos. – Continuei a ignorando. – Se algum motoqueiro barbudo colocar uma cerveja em sua mão, você devolve, entendeu Helena? Eu não me importo se você o acha sexy. – Ela suspirou antes de acenar. – E você. – Olhei para Roy que já me encarava sem um pingo de paciência. – Tente não entrar nas calças de Thea Queen, o pai dela, o primo, alguém , eu não sei, é importante aqui. Provavelmente o braço direito do que eles consideram o presidente deles. – Murmurei com seriedade. – Se você tem algum apreço pelo seu pênis, tente não usa-lo hoje à noite.

— Oh Deus, você precisava falar assim? – Roy reclamou.

— E por último...

— Ainda tem mais? – Helena perguntou incrédula.

— Não importa o que aconteça. – Murmurei. – Ninguém sai daqui sozinho. Está bem? – Eles concordaram prontamente, o que me deixou feliz. Eu não queria ser estraga prazeres nem nada do tipo, eu só me preocupava muito, e tinha um pressentimento. Fora isso eu ficava contente que apesar de todos os protestos, estava claro que erámos um grupo e que ninguém sequer pensou em deixar o outro para trás. – Basta evitar encrenca. – Murmurei quase inaudível, então respirando fundo assenti. — Agora podemos ir. – Sorri quando recebi os suspiros de alívio. Roy segurou meu braço junto ao seu e fez o mesmo com o de Helena e juntos passamos a percorrer a pequena distância até a escadas da varanda da casa, após subir alguns degraus paramos os três em frente à Thea que estava encostada contra a parede, segurava uma cerveja embora eu não ache que ela realmente estava bebendo, seu olhar estava perdido, seu rosto voltado para a direita, encarando as árvores.

— Thea? – Roy chamou sem nome a despertando. Um brilho se fez presentes em seus olhos ao encara-lo. – Tudo bem?

— Hey. – Sorriu em cumprimento. –Hum, sim. – Assentiu sem graça. – Está tudo bem, é só que bem, essa não foi bem a festa que imaginei. – Confessou. – Eu pedi para Ollie controlar os rapazes, mas tudo se transformou rapidamente em uma bagunça. E agora em vez de um aniversário, do meu aniversário, eu estou presa em mais uma das decadentes festas do MC. – Soltou o ar de vez. – Desculpe. Estou reclamando. Eu deveria estar convencendo vocês a ficarem, e não dar motivos para saírem correndo. – Sorri desanimada ao perceber que essa era exatamente minha intenção, mas parte de mim também sentia pena da garota que só queria ter uma festa normal.

— Não seja boba. – Escutei-me falar. – Nós acabamos de chegar. – Ela me encarou em um misto de desconfiança e esperança. – Eu sou Felicity, a propósito. Nunca chegamos a conversar de fato.

— Prazer. – Murmurou educadamente. – Eu a vejo muito indo em direção a biblioteca, não é bem meu território. – Confessou.

— Não se preocupe. – Roy murmurou tocando em seu ombro. – Eu acho que a biblioteca é um território apenas dela.

— Agora você está sendo irritante. – Reclamei.

— Bem, de qualquer jeito, fico feliz de podermos nos conhecer agora. – Thea murmurou feliz. – Entrem e peguem uma bebida. – Sugeriu. – Se vocês conseguirem ignorar toda a depravação e estupidez dos outros caras, eu acho que poderemos acabar grandes amigas.

— Relaxe. – Helena sorriu simpática. – Não nos assustamos fácil.

E nesse exato momento como se o cosmo tivesse aceitado suas palavras como um desafio a enorme janela de vidro apenas alguns metros ao nosso lado se espatifou com um choque do corpo que foi lançado nela de dentro da casa. Helena gritou surpreendida e Roy segurou meu braço colocando seu corpo... Atrás de mim?!

Grande amigo.

Thea encarou o corpo inconsciente jogado no chão com os olhos arregalados e rapidamente uma pequena multidão se aglomerou em volta. Eu apenas seguia encarando em volta analisando qual a chance de eu sair dessa merda de lugar sem ser notada.

— Eu não conheço esse. – Thea murmurou por fim.

— Está vivo! – Alguém gritou. – Apenas bêbado como um gambá. – Eu nunca entendi essa frase, sempre que alguém a dizia eu imaginava o pequeno e fétido mamífero abraçado a uma garrafa de tequila.

— Então... – Roy murmurou se reposicionando e nos encarando com um sorriso tenso. – Aquela bebida?

— Eu sinto que preciso de uma também. – Helena assentiu. A contra gosto concordei. Thea parecendo ainda mais desanimada liderou o caminho.

— Você apenas se escondeu atrás de mim? – Perguntei a Roy em tom baixo quando ele passou ao meu lado.

— Alguém poderia surgir atrás de você. – Mentiu. – Eu estava protegendo suas costas.

— Idiota. – Murmurei entredentes. Ele não se atreveu a contestar mais nada, e por um bom tempo eu pude esquecer a cena da janela. Ficamos bebendo na cozinha, já que Thea parecia querer evitar qualquer outro lugar que tivesse mais gente. Notei de imediato que ela realmente era uma garota doce e fácil de conversar, ela era muito divertida com o tipo de humor áspero, me afeiçoei a garota. Roy estava visivelmente encantado por ela e Helena parecia já considera-la uma amiga para toda vida, mas mesmo em meio a piadas e doses de tequilas, eu podia notar que ela ficava tensa sempre que uma pergunta era feita em relação a sua vida com os motoqueiros. Eu sentia que ela gostava daquele pessoal, mas que também odiava as limitações que traziam estar envolvida com eles.

— Então, Thea... – Helena murmurou após embocar seu copo sobre a superfície lisa do balcão, a maneira como se inclinou pesadamente sobre ele me dizia que ela já estava um pouco embriagada. Lancei um olhar para Roy que virava sua bebida com rapidez invejável e fazia careta. Ok. Hora de eu parar com a bebida, por que tão certo como Roy era um covarde, eu estaria dirigindo na volta. – Você mencionou alguém chamando Ollie? Ele é seu tio?

— Oh não. – Negou divertida. – Ele é...

— Oh merda. – Murmurei a interrompendo sem querer e me escondendo atrás de Roy. – Cooper está aqui. – Claro que ele estaria aqui, a porra da cidade inteira parecia estar aqui.

Ok.

Eu estava exagerando um pouco.

Mas definitivamente todo o corpo estudantil da minha escola estava.

O mais triste de tudo é que ninguém fora Roy havia vindo realmente por Thea. Todos vieram movidos principalmente pela curiosidade. E pela bebida.

— Pelo amor de Deus Felicity. – Roy murmurou impaciente. – Um cara atravessou uma janela e você sequer piscou. Agora vai se esconder do seu ex?

— Não recebo julgamentos de alguém que me usou como escudo humano. – Resmunguei. O observei cumprimentar cheio de encantos uma ruiva no canto. Eu poderia apostar que ele já estava bêbado e considerando as tendências de Cooper, ele também devia estar drogado. – Eu só vou andar por aí. – Avisei me esgueirando. De jeito nenhum eu em sã consciência me veria de bom grado em uma situação em que tivesse ficar cara a cara com o idiota do meu ex.

— Mantenha-se por perto. – Helena pediu. Assenti cobrindo meu rosto com meu cabelo. – Se ele perguntar por você...

— Eu morri. – Murmurei subindo as escadas ao lado. Thea pareceu estar prestes a dizer alguma coisa quando um homem parou ao seu lado. Tudo o que eu pude for ver foi os cabelos negros e as costas revestidas pela jaqueta de couro com o símbolo do MC. Ele devia ser alguém importante. Quase lamentei me afastar, apesar de ter visto de relance e esbarrado em muito motoqueiros, eu não havia falado com nenhum, e se fosse para isso acabar acontecendo seria bom que fosse com a segurança de estar entre um deles. Embora preocupada com meus amigos me limitei a seguir desviando dos corpos suados e fedendo a bebidas e continuei vagando pelo andar de cima.

Este lugar era enorme!

Aqui em cima estava bem pior do que lá em baixo. O consumo de drogas era mais aberto, assim como as pessoas se sentiam mais livres em demostrar a afeição que sentiam pelo corpo um do outro. Se eu realmente não tivesse nascido no lado mais podre da cidade, meus olhos poderiam ter ficado bem mais sensíveis a aquilo. Embora o tanto de mão boba que tive que desviar me irritou bastante. Após abrir uma e outra porta e me deparar com certa quantidade de pele nua, resolvi arriscar minha chance descendo novamente.

Infelizmente eu não consegui achar nenhum dos meus amigos e a aproximação dos motoqueiros estava ficando cada vez mais insistente. A esse ponto eu já sabia bem como separar um idiota, de um idiota motorizado. Bastava olhar para as malditas jaquetas.

Não precisava de muita esperteza na verdade.

Contornei a fogueira improvisada e me afastei um pouco do barulho. Eu não sabia onde o trio havia ido e apesar de preocupada, agora eu estava bem irritada com eles. Custava ter ficado por perto? Era eu quem estava fugindo de alguém, não eles. Parei ao perceber que eu havia me afastado uns bons metros da casa, voltei-me para observar de longe como parecia à festa. A fogueira era a que dava uma boa quantidade de iluminação. Havia algumas tochas também. Alguns casais se agarravam e havia barris colocados em pontos estratégicos. Muito barulho, muita gente. Era insano.

— Você parece um pouco perdida princesa. – Voltei-me um pouco assustada para encarar o dono da voz profunda. Ele estava encostado contra uma árvore. Seus braços cruzados, enquanto ainda segurava uma cerveja, tornozelos cruzados e um sorriso maroto em seus lábios. A posição parecia dizer que ele estava ali há um bom tempo, mas eu sabia que não. Não fazia muito e eu tinha estado voltada para aquela árvore.

Limitei-me a observa-lo tentando me lembrar se eu já havia visto seu rosto alguma vez. Ele era velho demais para ser alguém da escola, e não exibia nenhuma jaqueta de couro, apenas uma camisa preta colada ao seu corpo, deixando-me bastante ciente de todos aqueles músculos. Voltei a encara-lo percebendo que seu sorriso havia aumentando ainda mais.

— Terminou? – Perguntou divertido.

— Eu te conheço? – Perguntei ignorando sua pergunta.

— Duvido. – Deu de ombros descruzando os braços e levando a bebida a sua boca. – Muito velho para ser seu companheiro de laboratório. – Acrescentou com um sorriso.

— Sim. – Assenti. – Embora não chegue a ser um velho decrépito. – Brinquei.

— É eu não me descreveria assim. – Assentiu. Desencostou-se da árvore e se aproximando me fazendo recuar. – Sério, você não devia estar aqui princesa.

— Não me chame assim. – Murmurei irritada.

— Então me dê algo melhor para chama-la. – Deu de ombros.

— É eu acho que vou preferir manter o mistério aqui. – Falei não querendo lhe dar algo. Ele poderia não ser um desses motoqueiros, e podia ser a própria definição de “quente como o inferno”, mas também não era alguém conhecido, obviamente não era da escola, então ele devia ser algum conhecido dos motoqueiros. Eu não ficaria toda a vontade com ele.

— Será princesa então. – Sorriu inabalável. Seu olhar deslizou pelo meu rosto. – Veio só?

— Para uma festa cheia de motoqueiros que se denominam liga dos assassinos? – Perguntei irônica. – Nope. Na verdade eu acho que já está na hora de eu voltar e encontrar meus amigos. Então, isso é um adeus. – Murmurei com um falso sorriso.

— Princesa. – Acenou.

— Estranho. – Devolvi lhe dando as costas, parei ao perceber que uma figura conhecida se aproximava.

— Smoak! – Alex gritou meu nome enquanto erguia sua maldita bebida. Ele sorriu com alegria genuína ao me encontrar. Eu gostava de Alex. Muito. Mas gostava mais dele quando não gritava meu nome.

— Alex. – Murmurei quando ele parou em minha frente jogando a garrafa de lado, que caiu com o típico barulho de vidro quebrando. Seus braços envolveram minha cintura e ele me ergueu em um abraço de urso. Não tive outra opção se não abraça-lo de volta. Ele tropeçou quando me deixou no chão e quase caímos por culpa de sua embriaguez.

— Ops. – Sorriu bobamente. – Eu estou um pouco bêbado. – Confessou aproximando seu rosto do meu.

— Eu não teria percebido. – Forcei um sorriso.

— Eu não acredito que você está aqui. – Seu braço voltou a envolver minha cintura e imediatamente tropecei para trás, ele avançou junto comigo. – Eu disse que você era mais do que a ratinha da biblioteca.

— Você anda me chamando de ratinha? – Perguntei segurando-me em seu braço. Para ser sincera, o mais certo aqui era que eu estava o segurando e não o contrário.

— É carinhoso. – Murmurou em tom doce. Eu não pude fazer outra coisa senão sorrir. Alex era um idiota, mas um idiota adorável.

— Dessa vez vou deixar passar. – Murmurei inclinando minha cabeça quando seu rosto encontrou meu pescoço. – Amanhã, quando você estiver sóbrio eu vou chutar seu traseiro e lembra-lo do por que você não deve me dar apelidos.

— Não seja uma garota má. — Murmurou se afastando apenas o suficiente para poder me encarar novamente, seu dedo se erguendo para apontar para mim. – Eu gosto de você.

— E eu gosto de você também. – Sorri. Outra pessoa poderia entender isso de forma errada, mas Alex era o típico capitão de time. Eu realmente gostava dele, como amigo, assim como ele também gostava de mim dessa forma. Eu não poderia ficar mais entediada do que com o cliché da garota nerd namorando o capitão do time.

— Falando em garota má. – Murmurou olhando em volta. – Onde está Helena? Preciso convencê-la a ficar comigo.

— Bem, eu também adoraria saber onde ela está. – Confessei. Ele deu um passo atrás me livrando do seu peso.

— Eu preciso acha-la. – Murmurou quase parecendo sóbrio, até que sorriu novamente um riso bobo me divertindo. – Eu acho que estou apaixonado por ela.

— Pobre Alex. – Ri. – Espero que seja apenas efeito da embriaguez.

— Ei!! – Protestou voltando a se aproximar. – Eu sou um bom partido.

— Eu sei que é. – Assenti de forma condescendente. – Vá procurar ela. – Instruí duvidando muito que ele a encontrasse. – Se a encontrar avise que também estou a procurando.

— Eu vou. – Assentiu, então voltou a me abraçar. – Talvez amanhã eu me apaixone por você. – Murmurou contra meus cabelos.

— Eu espero que não. – Sorri o empurrando.

— Oh. – Murmurou após se afastar apenas dois passos. – Cooper está aqui. Corra para as montanhas. – Alertou. Então para minha surpresa acenou para trás de mim. – Foi bom conversar com você amigo.

— Digo o mesmo. – A voz masculina respondeu com diversão. Olhei para trás para me dar conta que o estranho bonito de olhos azuis não havia ido embora e tinha observado toda a conversa com Alex. Como se para confirmar o que eu pensava ele sorriu para mim. Seus olhos dominados pelo ar brincalhão quando disse: — Smoak.

— Estranho. – Retruquei voltando a lhe dar as costas e passando a caminhar de volta para a festa. Para minha infelicidade demorou apenas dois segundos antes de senti-lo ao meu lado. Ele não entendia a dica.

— Agora que o mistério foi embora, eu acho que devo retribuir o favor e lhe dizer meu nome. – Sugeriu.

— Guarde-o para si. – Falei não querendo sua atenção. – Tem o costume de bisbilhotar a conversa do outros?

— Ele gritou o seu nome. – Retrucou com bom humor. – O que eu deveria ter feito? Tapado os ouvidos?

— Dar as costas e voltar de onde você veio, seria uma boa. – Dei de ombros.

— Mas eu gostei de assistir. – Rebateu. – Você tem um lado terno princesa.

— Não me chame assim. – Repeti sem humor.

— Embora seja revestido com todos esses espinhos. – Continuou. – E um cara bêbado se aproximou de você, eu não a deixaria só. E se ele tentasse te atacar?

— E se você tentasse me atacar? – Devolvi. – Estou num fodido ninho de cobras, eu poderia apostar que você deve ser o amigo de algum deles. – Senti meu braço ser puxado. E o encarei surpresa. Pela intensidade do seu olhar, eu não devia ter dito a última frase. Quem era esse cara? – O quê?

— Você não devia estar aqui. – Murmurou.

— Você continua me dizendo isso. – Falei admirada. – Embora eu concorde com você, eu odeio quando alguém resolve me dizer o que eu deveria ou não deixar de fazer. Principalmente um estranho.

— Foi você que não quis saber meu nome. – Sorriu.

— Por que não vejo sentindo nisso. – Dei de ombros. – Estou de partida. E você poderia muito bem parar de me seguir. Pode começar largando meu braço. – Falei encarando sua mão que segurava firmemente meu braço.

Seus olhos se estreitaram enquanto me analisava com atenção.

— Quem é Cooper? – Perguntou me surpreendendo.

— Não é de sua conta. – Falei puxando meu braço e voltando a andar. Suspirei ao percebê-lo novamente ao meu lado. – Pare de me seguir. Eu me afastei de você, não foi um convite. Apenas me deixe só.

— Eu não posso. – Falou. – Já é tarde, e deixar você sozinha agora é o equivalente a dar ração aos cachorros. Thea foi embora, então a festa definitivamente está mais selvagem. – Parei bruscamente ao escutar sua última frase.

— Como assim Thea foi embora? – Questionei apreensiva. – Você conhece Thea?

— É óbvio que sim. – Murmurou franzindo o cenho. – Você realmente não sabe quem eu sou?

— O quê? Eu deveria ter votado em você ou algo do tipo? – Perguntei com acidez. Ele me encarou surpreso. – Se Thea já foi, meus amigos já devem estar me esperando no carro.

— Se seus amigos forem os que estavam com Thea eu tenho que dizer que eles e a sucata que você chama de carro, já partiram. – Murmurou tranquilo. – Com minha irmã.

— Eles jamais me deixariam sozinha. – Neguei. – E quem diabos é sua irmã?

— Deus, você realmente não devia ter pisado aqui. –Murmurou incrédulo. – Eu sou...

— Casanova!! – Encarei o perfil bonito se enrijecer e seu rosto se tornar mais sombrio ao se voltar para a direção da voz grossa e potente que havia gritado por ele.

Casanova?

Sério?

— O que foi? – O homem a minha frente perguntou em tom de voz dura. O sorriso de menino havia ido embora. Ele estava todo tenso agora.

— Não venha todo duro para o meu lado. — O outro rebateu. – Eu trouxe sua fodida jaqueta. – Resmungou jogando a jaqueta para os seus braços.

— Eu não lhe pedi por isso. – Murmurou embora deslizasse a jaqueta de couro por seus ombros. Atônita observei a peça se encaixar perfeitamente em seus ombros largos. Todo o momento eu havia estado com um fodido motoqueiro. – Mais alguma coisa Jett? Alguma razão específica em vir atrás de mim? Pensei que estaria desmaiado entre duas loiras quaisquer.

— Bem, a casa está cheia de putas de colégio. – Respondeu dando de ombros. – Eu gosto de frutas mais maduras. Os risos estridentes estavam me chateando. – Resmungou. – Eu não sei por que concordamos com essa maldita festa. A propósito vi o estrago que você fez na sala. Na próxima que for jogar o lixo para fora, tente evitar as janelas. – Sugeriu com humor.

— Não é meu problema. – Respondeu prontamente. — Apenas arranje alguém para limpar a bagunça mais tarde.

— Está bem chefe. – Retrucou com uma reverência zombeteira. Seu olhar caiu em mim. — Pegou uma cadela para si, heim? – Perguntou com um sorriso ardiloso.

Como é que é?

— Você me chamou de cadela? – Perguntei indignada. – Mostre algum respeito seu saco de...

— Cala a boca. – Pisquei incrédula ao escutar a ordem vinda do homem ao meu lado.

— Ela é sua? – Jett murmurou estreitando os olhos. – Por que se não for, eu posso ensinar a ela como mostrar algum respeito.

— Eu não pertenço a nenhum motoqueiro idiota. – Murmurei irritada. – E de todas as pessoas do mundo não será você a me ensinar alguma coisa. – Jett piscou incrédulo.

— Deus as maravilhas que essa língua poderia fazer. – Olhos azuis comentou ao meu lado. Eu me negava a chama-lo de Casanova. – E você insiste em falar merda.

— Filho da...

— Hora de ir. – Falou puxando meu braço.

— Solte-me. – Exigi.

Ela é sua? – Jett gritou ficando para trás. Enquanto na primeira vez a pergunta tivesse um tom de curiosidade, agora era de pura descrença.

— Você vai me soltar ou não? – Perguntei puxando meu braço.

— Cala a boca. – Exigiu.

— Eu juro por Deus que vou fazer uma cena. – Ameacei.

— Princesa. – Olhos azuis murmurou parando entre o vão da porta. Seus olhos me capturando. – Você já está fazendo.

— Eu quero encontrar meus amigos. – Murmurei simplesmente.

— Eles já não estão aqui. – Murmurou de volta.

— Você nem os conhece. – Falei irritada e sendo honesta aqui, um pouco assustada.

— Eu conheço. – Falou me surpreendendo. – Eu estive de olho em você a noite toda. Desde que chegou.

— Agora, isso é assustador. – Falei contendo minha respiração. – Você se aproximou deliberadamente de mim sem sua maldita jaqueta?

— Eu não tenho o porquê esconder quem eu sou. – Sorriu divertido. – Desde o começo tentei me apresentar.

— Mas ocultou muito bem que pertencia a esse clube. – Comentei estreitando meus olhos. – Onde estão meus amigos?

— Eu não sei. – Deu de ombros. – Foram embora.

— Eles jamais partiriam sem mim. – Reafirmei.

— Não devia confiar tanto neles então. – Murmurou me empurrando porta adentro. – Eu a levarei para sua casa mais tarde.

— Prefiro ir agora.

— Não me desafie.

— Não me irrite.

— Você é a pessoa irritante aqui. – Falou ácido.

— Você que está segurando meu braço apesar de eu ter exigido mais de uma vez que me largasse. – Falei tentando puxar meu braço como uma reafirmação do que dizia. – Solte-me!

— Se eu te soltar você está por sua conta e risco. – Avisou-me.

— Sempre soube cuidar muito bem de mim. – Falei sem me alterar. – Agora me solte para que eu mesma possa procurar meus amigos.

— Eu já disse que eles não estão aqui. – Murmurou aborrecido. Não lhe dei uma resposta, apenas o segui encarando com desafio. Ele praguejou e soltou meu braço. – Você quer bancar a chapeuzinho cercada por lobos que adorariam te comer inteira, ok. Vá em frente, procure por seus amigos. Não reclame comigo depois.

— Eu não sonharia com isso se fosse você. – Murmurei lhe dando as costas.

OLIVER QUEEN

Observei seu traseiro atraente se mover enquanto seguia em minha frente. A garota simplesmente não se dava por vencida. Tinha mais de meia hora que ela rodava pela casa e não conseguia aceitar que eu havia dito a verdade. Seus fodidos amigos haviam a abandonado. Mantive distância enquanto ela seguia os procurando e continuei a observando enquanto ela fingia não se dar conta que eu ainda estava com ela.

Ela era durona.

Eu tinha que admitir isso. Cada vez que um cara se aproximou dela com dedos ágeis ela lhe dirigiu um olhar sujo e chegou a torcer alguns daqueles dedos. Eu não podia fazer outra coisa se não sorrir com sua atitude. Ela também não estremecia ao ver todas as drogas e mais de uma cena explícita entre casais, inferno eu tinha certeza que no último quarto que entramos na verdade encontramos um trio e ela não corou, nem falou nada. Apenas deu as costas e foi para a porta seguinte.

Ela não pertencia a esse lugar.

Eu nunca deveria ter cedido ao apelo de Thea e ter deixado que ela convidasse alguns de seus amigos para comemorar seu aniversário. Eu apenas cedi por que eu sabia que na verdade minha irmã não tinha nenhum amigo e que essa festa era justamente uma tentativa de obter alguns. Eu sabia como as coisas funcionam aqui. Thea recebia sua cota de olhar torto todos os dias, por que ela estava associada a mim. Associada ao meu clube, e eu e os rapazes era tudo o que ela tinha para chamar de família. Ela queria conciliar dois mundos e ela não conseguia compreender por que não daria certo.

E agora eu estava preso à beleza loira a minha frente.

Garota teimosa.

— Por quanto tempo vamos insistir nisso? – Perguntei sem paciência.

— Eu não sei ao certo se você percebeu... – Comentou abrindo a porta de um banheiro, que felizmente estava vazio. Para minha surpresa ela entrou lá. –... Mas eu estou te ignorando.

— Foi difícil no começo, mas eu notei um padrão. – Sorri erguendo meus braços e segurando a madeira acima. Ela me encarou por alguns segundos, e então foi até a pia. A estudei enquanto abria a torneira e molhava as mãos. – O que você está fazendo?

— Me refrescando. – Respondeu levando as mãos ao pescoço. – Esse lugar está quente demais.

— Há um chuveiro ali. – Sorri indicando com meu queixo. — Poderíamos fazer uso dele.

— Você realmente vive em um mundo a parte né? – Perguntou indo até a banheira e deitando-se nela. – Nós dois não faríamos nada juntos. Principalmente coisas que envolvam tirar roupas.

— Agora você parou de me ignorar? – Perguntei entrando no banheiro e fechando a porta atrás de mim, não a tranquei por que seus olhos me diziam que o movimento a teria assustada e me arranhando em questão de segundos. – Dê-me espaço. – Murmurei colocando uma perna dentro da banheira. Ela estreitou os olhos com desconfiança. – Eu poderia ter te atacado inúmeras vezes essa noite, e ninguém se importaria. Supere seus medos e aceite o fato de que não vou avançar em você. — Ela me observou por mais alguns segundos antes de se encolher mais contra o canto me dando espaço estendendo suas pernas cruzando os tornozelos na lateral da banheira. Sentei-me no lado oposto ocupando grande espaço daquela saboneteira.

— Quantos quartos tem essa casa? – Perguntou de repente.

— Muitos. – Dei de ombros. – Cada membro tem um quarto para si, e somos muitos.

— Todos moram aqui? – Sorri diante de sua curiosidade genuína.

— Não, princesa. – Neguei. Notei erguer as sobrancelhas diante o apelido, mas não me importei com isso. – Cada um aqui tem sua própria casa, há sim um ou outro que realmente mora aqui, por que precisa cuidar do lugar, mas esta casa é do clube. É para resolvemos nossas coisas, e temos nossos... Eventos.

— Eventos. – Repetiu divertida. – Esse é seu antro de drogas e orgia. E você fez parecer que se trata de um escritório que faz algumas festas beneficentes em vez em quando. – Riu.

— Você não tem uma boa opinião sobre nós não é mesmo? – Perguntei de bom humor.

— E isso importa? – Perguntou direta. – Eu nunca mais verei ninguém daqui. Eu nem sei quem é seu chefe, e prefiro continuar assim. O que eu sei é o que toda a cidade sabe: Vocês gostam de confusão, são criminosos, e tem suas próprias regras. Vocês são a razão para que garotas como eu tenha um toque de recolher. Vocês são perigosos.

A observei enquanto segurava um sorriso. Ela não estava errada, a verdade era que cada fodida palavra sua era real. Que ela permanecesse aqui sentada comigo com a cabeça encostada contra a banheira em uma pose quase relaxada... Intrigava-me.

— Por que você veio hoje? – Perguntei tentando compreendê-la. – Você sabe o que somos, que somos perigosos. E ainda assim veio aqui, esses caras são minha família e você não para de ofendê-los. E ainda assim está completamente à vontade comigo. Você é uma contradição. – Acusei.

— Eu vim por que meus amigos queriam vir. – Confessou. – E eu sou idiota ao ponto de achar que eles realmente iam manter a promessa de ficar longe de encrenca. E eu não estou à vontade com você. – Negou. — Eu sequer sei o seu nome.

— É Oliver. – Murmurei por fim. – Eu sou o irmão de Thea. – Inclinei meu rosto absorvendo sua surpresa diante a informação. – Qual é o seu nome princesa?

— Você sabe qual é.

— Eu duvido que Smoak seja seu primeiro nome. – Comentei não me dando por vencido.

— É Felicity. – Cedeu. – Felicity Smoak.

— Felicity. – Repeti gostando da maneira que soava. Ela me encarou com certa timidez. Admitisse ou não, ela estava sim à vontade comigo, e isso sim a incomodava. – Diga-me algo sobre você Felicity. – Pedi suavemente. Ela me encarou considerando, batalhando consigo mesma se devia confiar informações pessoais dela a mim.

— Não há muito que dizer. – Deu de ombros. – Eu nasci aqui, vivo aqui e provavelmente vou morrer aqui. Eu estou no último ano e mais do que ansiosa para sair dessa cidade, mas não consegui lugar em nenhuma faculdade de fora por que perdi os prazos, então estou presa aqui. Vou ter fazer faculdade aqui mesmo, meu pai é um viciado e minha mãe... Ela é minha mãe. – Franzi o cenho com o que disse. – Ela daria uma melhor amiga incrível, mas infelizmente é uma péssima mãe. Até dois meses atrás eu estava namorando com o idiota do Cooper, até que ele resolveu virar um cliché de merda de um drogado. Eu tentei ajuda-lo, mas minha vida está confusa demais para eu ainda ter que lidar com isso, eu mal estou conseguindo cuidar de mim, eu não posso perder meu tempo tentando salvar alguém que não quer ser salvo. Eu tenho apenas um plano que é me formar, terminar a faculdade e fugir desse lugar o mais rápido possível.

— Mais da metade dos integrantes do MC possuem uma história semelhante. – Comentei. – Muitos deles estavam fugindo de algo ou de alguém e encontrou na gente uma família pronta para recebê-los. Você é mais complexa do que imagina e deseja mais coisas do que realmente diz. Você quer liberdade para fazer suas próprias escolhas, o que às vezes o senso de responsabilidade não deixa. – Sorri ao perceber que ela parecia inquieta ao me ouvir falando isso. – Você é bem mais do que se deixa mostrar, assim como nós. E eu sei que muita merda é dita de nós, e eu sei que maioria delas é verdadeira, mas se há algo real aqui é: Nós protegermos aos nossos, e se você fosse minha, eu nunca teria deixado você passar por tanta coisa sozinha. –Ela me encarou desconfortável. E olhou em volta como se buscasse uma saída.

— Por que eles te chamam de Casanova? – Perguntou por fim. – Eu pensei que vocês deveriam ter nomes esquisitos, ou assustadores. Coisas como Dragon ou manivela. – Soltei uma risada com o último nome. – É vocês também não deveriam ser capazes de rirem. – Comentou admirada. – Eu cheguei aqui esperando homens com longas barbas, cheios de tatuagens e calça de couro e ao invés disso estou em frente ao equivalente a um modelo ou um ator, um verdadeiro sed... – Se calou pela primeira vez em toda a noite me dando o deleite de observa-la corar. Ela me achava atraente e odiava ter deixado escapar isso. – Ohh.

— Eu acho que você acaba de descobrir por que sou chamado de Casanova. O libertino, ou melhor, o sedutor de Veneza. – Comentei divertido . – A propósito eu tenho algumas tatuagens, mas mostra-las exigiria menos roupas, e você parece estar decidida a provar que “não existe nós dois e atividades com menos roupas”. – A lembrei.

— Não fique todo arrogante. – Com um suspiro se ajeitou e começou a se erguer.

— Vai voltar a sua caça ao tesouro? – Perguntei me preparando para um mais longo tempo observando suas costas.

Ok.

Eu totalmente ia observar sua bunda.

— Eu vou embora. – Falou saindo da banheira. Ergui-me de imediato. – Fui traída. Já aceitei isso, agora preciso ir embora.

— Eu te disse. – Falei a acompanhando porta a fora. – Mais tarde eu te levo para casa.

— Eu posso dar um jeito sozinha, obrigada. – Negou esbarrando em um rapaz que praticamente a comeu com os olhos. O encarei fazendo com que ele rapidamente se afastasse. Toda a noite ela sequer percebeu que a única razão por ela ter tido tanto sucesso em evitar esses idiotas foi por eu estar colado a ela. – Que horas seria mais tarde? Mais um par de horas e vai estar amanhecendo. Por que não agora? – Perguntou curiosa.

— Por que eu preciso controlar isso aqui. – Falei a seguindo sempre um passo atrás. – Ou a merda vai ficar feia. Não quero que algum idiota cheio de bebida resolva achar que alguém o olhou feio e tente resolver isso atacando a pessoa.

— Como você o impediria? – Perguntou descrente. – Passou a noite toda colado a mim.

— Apenas minha presença nessa casa já tem o poder de controla-los. – Murmurei dando de ombros. Ela parou me encarando desconfiada.

— Você não é apenas o garoto de entregas não é mesmo? – Perguntou por fim.

— Não. – Neguei chegando mais perto fazendo com que ela erguesse sua cabeça para me encarar. – Eu não sou. Acontece princesa, que eu sou aquele que manda nesse ninho de cobras. – Ela piscou surpresa.

— Quando Jett o chamou de chefe. Ele não estava sendo irônico. – Comentou se lembrando.

— Ele não estava. – Assenti.

— Oh inferno. – Sorri ao notar ela perceber que havia passado toda a noite ofendendo o meu clube diante ninguém menos que o presidente do MC. – Merda, merda, merda!

— Vou me certificar de te ensinar alguns palavrões enquanto ficar aqui. – Sorri. O que eu disse pareceu deixa-la alerta por que ela me encarou de imediato e passou a menear a cabeça em negação.

— Eu estou indo embora. – Lembrou-me. Soltei um suspiro irritado e estava pronto para lembra-la que ela estava fora da cidade sem carona alguma de volta, quando ela foi empurrada até a parede por um muito bêbado Malone.

Avancei um passo determinado a quebrar os dentes do idiota quando me contive.

Estava na hora da princesa perceber que ela não estava mais no seu conto de fada.

— Carne nova. – Malone murmurou segurando seu rosto. – Eu gosto.

— Vai gostar muito menos se não me soltar nos próximos dez segundos. – Alertou. Eu tive que rir diante isso. Atrevida.

— Cheia de atitude. – Malone sorriu. – Deve fazer a foda ainda mais excitante. – Fechei minha mão, buscando me conter. Ele em nenhum momento demostrou perceber minha presença, ou não estaria tão à vontade.

— Solte-me seu porco. – Murmurou entredentes.

— Só começamos a nos divertir, docinho. — Murmuro tropeçado nas palavras seu rosto inclinando para cheira-la. Avancei sabendo que não conseguiria ficar parado apenas observando isso por muito tempo.

— Seu tempo acabou. – Murmurou apenas segundos antes de empurrar seu peito o surpreendendo e lhe desferindo um belo soco.

Não um tapa afetado.

Ela fechou seus dedos em punho e o socou.

E isso me deixou excitado para caralho.

Inferno, essa garota ia ser minha morte.

— Puta! – Malone urrou cambaleando para trás, quando se equilibrou novamente e avançou até ela com ar ameaçador, me impus entre os dois.

— Afaste-se. – Murmurei o encarando de frente. Ele parou em seco.

— Essa vadia me atingiu. – Reclamou como o bebê chorão que era.

— Nenhum de vocês tem uma sombra de respeito pelas mulheres? – A escutei murmurar as minhas costas. Revirei os olhos sabendo que ela não ia conseguir se manter calada.

— Sua...

— Vá esfriar a cabeça Malone. – Falei o empurrando. – E não volte se aproximar dela. – Ele me encarou incrédulo, seu olhar deslizou de um para o outro.

— Eu não sabia que ela era sua. – Falou em tom de desculpas.

— Dele o caralh...

— Cala a boca! – Falei por cima do meu ombro. Descrente senti um soco em minhas costas.

— Essa é a terceira vez nessa noite que você me manda calar a boca. Se houver uma quarta eu juro por Deus, que você vai perder uma parte muito querida de sua anatomia. – Ameaçou-me.

— Você tem certeza que quer lidar com ela? – Malone me perguntou com a sombra de um sorriso. – Eu poderia ocupar essa boca de outra maneira. – Ergui meu queixo o encarado.

— Ela é minha. – Falei em tom cortante. – Vá embora. – Malone assentiu compreendendo. Infelizmente para mim, a garota atrás de mim não, pois senti outro soco logo antes de seu protesto ser formado.

— Eu não sou...

— Chega. – Murmurei sem mais um pingo de paciência. Ela tinha me tido todo suave para o seu lado por toda a noite e eu já estava cansado disso. Virei-me para ela que soltou um gritinho de protesto quando sem cerimônia alguma a coloquei sobre meu ombro.

— Seu idiota. Solte-me! – Exigiu esmurrando minhas costas. Quem quer que nos olhasse se limitava a me dirigir um sorriso divertido. – Estúpido, brutamontes. Filho da puta! Solte-me. Seu maldito ogro... – Sem fazer caso dos seus protestos continuei andando dessa vez subindo as escadas para o último andar. Onde ficava meu quarto. Recebi um ou outro tapinha de cumprimento por meus companheiros que riam de toda a situação. Quando a escutei mais uma vez exigir que eu a colocasse no chão, a calei quando lhe dei uma leve palmada em sua bunda.

Por exatos dois segundos.

— Seu filho da mãe, você acabou de tocar na minha bunda? – Gritou atraindo mais risos. – Eu vou cortar essa mão fora!

— Eu gosto desse seu lado selvagem. – Comentei abrindo a porta. O único quarto que ninguém sequer sonharia em pisar dentro. – Você se encaixa aqui mais do imaginei. – Falei a jogando sobre o sofá. Ela me direcionou um olhar sujo. – Fique aqui. – Murmurei erguendo um dedo em alerta e lhe dando as costas. É claro que ela não me obedeceria. Logo ela passou por mim correndo em direção à porta. Segurei seu braço a puxando de volta para mim e sem demora empurrei seu corpo com o meu contra a porta.

Ela me encarou com olhos arregalados.

Sim, havia medo ali.

Mas também havia algo mais.

Deixei meus olhos se arrastarem pelas linhas do seu bonito rosto. Passando dos olhos expressivos e caindo nos tentadores lábios. Se houvesse apenas o medo eu teria a soltado de imediato. Eu não me divertia assustando pessoas, ainda mais garotas. Eu fazia muita merda, eu não costumava andar armado para me sentir mais macho, era uma questão de proteção. Eu era um líder e estava metido com um bocado de coisas perigosas. Já havia machucado muita gente e sim, já havia matado também. Em nenhum momento eu gostei das coisas que precisei da fazer. Nunca tive prazer em tirar uma vida, e nunca me aproveitei de uma mulher. Eu tenho meu próprio código de honra e tentava passa-lo para os homens que me seguiam.

Mas isso não fazia de mim uma pessoa boa.

Então apesar de tudo em meu corpo gritar para apenas encontrar uma carona decente para essa garota e deixa-la ir, eu não conseguia. Eu precisava ter um pouco mais dela antes deixa-la partir. E foi com esse pensamento que deslizei minha mão de seu ombro e tranquei a porta atrás de si, carregando comigo a chave lhe dei as costas e caminhei até a cômoda localizada no outro lado do quarto.

Senti o peso do seu olhar sobre mim.

E estranhamente pela primeira vez desde que a vi, ela havia se calado.

Notas finais
Espero que gostem!!! Aguardo o feedback de vocês!! Xoxo, LelahBallu.