Fire Breather
2 Parte 02
Notas iniciais
FELICITY SMOAK
O observei abrir a última gaveta da cômoda e silenciosamente revirar algumas de suas peças de roupa, de lá tirou uma garrafa de whisky, abri-la e sem cerimônia levar a boca.
— Qual o problema princesa? – Perguntou me encarando. – Acabaram-se os xingamentos? – Seus olhos se estreitaram avaliando-me. – Está com medo de mim?
— Não. – Murmurei por fim, erguendo meu queixo ao fazê-lo. Surpreendi-me ao perceber que eu realmente falava a verdade. Eu não tinha medo dele. Por alguns instantes quando seu corpo empurrou o meu, eu senti medo. Ele é um estranho, se minha resposta imediata não fosse medo eu deveria marcar uma consulta com um psicólogo para já. Mas Oliver tinha tido mais de uma oportunidade para me machucar se ele assim quisesse, e enquanto seu tom passava indiferença... Eu podia notar que ele não gostava nem um pouco da ideia de que eu realmente sentisse medo dele. – Eu estou irritada. – Falei me afastando da porta, permitindo-me realmente sentir de fato a emoção. – Você não pode simplesmente me colocar sobre seu ombro e me carregar até seu quarto!
— Mas foi o que eu fiz. – Deu de ombros se jogando no sofá. Seu maldito sorriso me irritando.
— E aquele idiota me chamando de vadia... Puta? O que há de errado com você? – Questionei me aproximando. – Vocês não podem me tratar como um pedaço de carne só por que eu não tenho um pênis.
— Eu agradeço aos céus você não ter um. – Retrucou ainda sorridente.
— Seu bastardo. – Falei empurrando seu braço. – Me dê à chave. – Exigi. – Você não pode me prender aqui contra minha vontade. – Reclamei.
— Relaxe. – Falou sem paciência. – Eu já disse que eu mesmo vou leva-la para sua casa. – Voltou a prometer.
— Eu quero ir agora. – Falei colocando minhas mãos em sua jaqueta tateando por sua chave, ele apenas me observou com um sorriso petulante. Percebi tardiamente que o cretino estava adorando ter minhas mãos sobre si. – Dê-me a maldita chave.
— Eu daria, mas eu não lembro onde a coloquei. – Falou dando de ombros.
— Oliver! – Chamei seu nome com irritação. Ele não podia fazer isso. Não podia me obrigar a ficar nesse quarto com ele. Enquanto todos aqueles idiotas divertiam-se pensando que eu era a transa da vez. Eu me negava ser a “cadela” dele, mesmo que apenas na mente daqueles estúpidos.
— Sente-se. – Exigiu. Batendo sua mão no estofado desgastado, implicando que eu deveria sentar ao seu lado. Fiz uma careta e cruzei meus braços em uma clara negativa. – Ou deite-se. – Sugeriu apontando para cama. Oh inferno, não!— Eu não me importo, descanse um pouco. Quando você acordar eu a levo para longe daqui e você nunca mais precisará me ver novamente. – Prometeu novamente.
— Pare de me dar ordens. – Falei descruzando os braços. – É ridículo.
— Ridículo é você permanecer em pé quando está evidente que precisa descansar apenas para me contrariar. – Interveio, a maneira como falou. Como se eu fosse uma garotinha mimada me deixou ainda mais irritada com toda a situação. Aquele estúpido motoqueiro estava me transformando no meu pior pesadelo.
— Eu poderia muito bem descansar em minha casa. – Rebati, embora fazendo o que ele mandou. Caminhei até ele e me sentei no sofá o mais longe possível dele. De jeito nenhum eu entraria naquela cama.
Isso não ia acontecer.
— Isso não vai acontecer. – Pisquei confusa com sua frase até que percebi que falava sobre me eu ir para minha casa agora. — Então supere. – Respondeu entregando-me a garrafa. A encarei com desconfiança, tal como se fosse uma arma. “Não aceite bebida de um motoqueiro barbudo, não importe quão sexy você ache que ele é”. Não havia sido isso que eu havia dito a Helena? Bem, Oliver tinha barba, mas não era nenhum “Papai Noel”. Ele mantinha bem feita e sobre controle. Ele era sexy demais para minha sanidade, o que me fez querer, na verdade precisar, daquela bebida. Então me vencendo no pequeno debate eu peguei a garrafa de suas mãos, ele me encarou erguendo as sobrancelhas em desafio. Enquanto tomava um longo gole da bebida forte o observei se livrar da jaqueta.
Olá braços fortes.
— Por que você está tão irritada? – Perguntou quando devolvi a garrafa. Ele a colocou no chão e apoiou-se em seus cotovelos. – A verdade. – Murmurou com insistência, fazendo-me saber que ele não se contentaria com menos, e que ele perceberia se eu não falasse de fato a verdade. Eu não tinha problema com isso. Eu estava mais do que ansiosa para dizer a ele o que eu pensava sobre tudo aquilo.
— A única razão pela qual aquele estúpido recuou foi por acreditar que eu sou sua. – Murmurei por fim, fiquei surpresa por eu ter soado mais chateada do que irritada ao respondê-lo. Talvez ele estivesse certo, talvez eu estivesse cansada demais até mesmo para uma nova briga.
— A ideia de me pertencer a irrita. – Observou. A forma como declarou isso, como se eu realmente fosse dele e apenas achasse divertido eu pensar o contrário, teve o poder de trazer toda a irritação de volta. Prepotente.
Arrogante.
Ele me encarou aguardando que eu dissesse algo mais, respirei fundo querendo explicar a ele o que eu sentia, sem mata-lo no ato.
— Irrita-me ver vocês nos tratarem dessa maneira. – Expliquei. – Eu não sou um objeto, eu não pertenço a ninguém. “Ela é minha” não devia ter feito com que ele recuasse, eu dizendo um sonoro “não” e mandando ele se afastar, sim. Você me reduziu a sua propriedade, e piorou tudo me carregando escada a cima. Uma mulher deveria ser escutada, independente de estar acompanhada ou não.
— Eu concordo. – Assentiu me surpreendendo. – Mas você está em meu mundo. Hoje você é minha sim, por que aqui dentro são assim que as coisas funcionam. Eu não aceito merda vindo de meus homens, qualquer mulher que estiver com eles precisa ser consensual. E maioria deles seguem isso. Mas como em uma festa qualquer sempre há um idiota bêbado ou drogado demais, ou até mesmo sóbrio cujo caráter eu não posso controlar. Se acontecer em minha frente eu posso intervir. Punir e expulsar. Mas eu não tenho como controlar 100%. E isso é em qualquer lugar.
— Eu entendo isso. – Assenti. – Mas dizer que é meu dono é ofensivo. – Falei voltando ao “x” da questão. Eu não era a propriedade de ninguém, principalmente de um motoqueiro que eu havia acabado de conhecer. Eu pertencia a mim mesma.
— Em meu mundo pertencer a alguém não é uma ofensa. – Argumentou.
— Como não seria? – Indaguei confusa. Eu podia ver que ele realmente acreditava nisso, eu podia ver que ele mesmo parecia chateado por eu pensar assim. Isso só mostrava o quanto éramos diferentes. – Você bate no seu peito dizendo que eu sou sua, ele recua e logo estamos trancados no quarto com toda uma festa presumindo que estamos transando. – Esperei um sorriso ridículo vindo em resposta a minha frase, e estava pronta para ralhar com isso. Mas para minha surpresa ele realmente abordou o tópico com seriedade.
— Em maioria de nossas festas as mulheres que vieram sempre sabiam o que queriam. – Deu de ombros. – Elas vinham pela emoção de transar com um motoqueiro, sabiam que logo após cada um ia para o seu lado e pronto. Cada qual cumpriu com sua função. Elas sabem no que estão se metendo. Mais do que isso, elas querem. Jett e muitos outros as chamam de cadelas do clube, puta e vadia. Eu não estou dizendo que está certo. Estou dizendo que é consensual. Elas sabem como são tratadas e concordam, o medo de Thea para essa noite era ter as garotas de seu colégio sendo tratadas assim, ela fez questão de exigir da minha parte a promessa de que meus garotos iam se comportar. – Confessou.
— Bem, você falhou. – Falei lembrando-me que mais de uma vez eu havia sendo chamada dessa forma. Motoqueiros idiotas. Encostando-me ao sofá suspirei assimilando o que Oliver dizia, e não aceitando nem um pouco isso, nada disso estava certo, e essa era a batalha de toda mulher todos os dias, provar que isso era errado. Eu estava tentada a fechar meus olhos e apenas tomar um cochilo ignorando onde e com quem eu estava, e surpreendi-me ao notar que eu havia realmente fechado meus olhos. Voltei a abri-los quando senti o mais leve toque de seus dedos em minha sobrancelha, virei meu rosto para encara-lo melhor.
Ao menos foi disso que eu me convenci.
Eu não podia estar me aproximando de seu toque.
— Aqui, quando um homem diz que a mulher em questão te pertence, ele não está dizendo apenas sobre sexo. – Murmurou sério. – Essa atitude não seria necessária com as outras garotas, por que elas sabem seu lugar. Se eu digo que você é minha, eu estou dizendo que você me pertence, para sexo, para proteger, e um monte de bobagem que se eu disser você, você não vai acreditar. – Completou parecendo até mesmo um pouco envergonhado ao se expressar de forma tão... Vulnerável.
— Para amar. – Completei sabendo que era ali que ele queria chegar. Ele recuou parecendo ter sido atingido. Sorri divertida. Homens. – Não se preocupe. Eu sei que você disse aquilo apenas para afastar o idiota. Eu não estou lhe prendendo por que você me “reivindicou”.
Em vez do riso que eu esperava ele apenas me encarou.
Seu peito subindo e descendo como se ele tomasse uma respiração profunda.
— Então... – Comecei desesperada por mudar de tema. – Como funciona esse lance de ser presidente de um MC? Você vai ter que matar se me contar, ou algo assim? – Perguntei forçando um sorriso. Ele finalmente sorriu em resposta.
— Algo assim. – Deu de ombros. – Você mesma já disse, somos criminosos.
— Que eu não esteja correndo ao escutar você admitir isso tão tranquilamente me diz que eu preciso de um check-up. – Comentei.
— Você sabe que está em segurança comigo. – A firmeza com que disse, a seriedade por trás de cada pequena palavra me assustou. Não medo do tipo, ele pode me matar, mas do tipo: Esse homem pode fazer com que eu ignore cada motivo cabível por que ele e eu não somos uma boa ideia.
Por que não somos.
Eu sequer poderia pensar na possibilidade contrária.
— Sim, mas eu não deveria. – Protestei. – Como eu posso ter tanta certeza que você não me machucaria?- Em vez de me responder ele apenas deu de ombros. – Você nasceu assim?
— Assim? – Ergueu as sobrancelhas. – Não é uma doença.
— Você me entendeu. – Revirei meus olhos.
— Eu entendi. – Assentiu. – Meu pai era o antigo presidente. – Confessou. – Ele se apaixonou pela minha mãe e não foi bonito. Ela era de fora, uma verdadeira socialite. A família a deserdou e lhe deus as costas, ela achou que podia lidar com esse mundo, ela ficou com ele, provavelmente por que estava grávida. – Encarou-me de lado. – Foi tudo muito bonito no começo, então ela teve muita merda com que lidar e não estava dando de conta, meu pai viajava muito e ficar na casa com as outras mulheres não a deixava feliz. Ela acabou se envolvendo com o segundo no comando. O melhor amigo do meu pai. Ela ficou grávida e foi quando meu pai descobriu tudo. Ele ficou puto.
— Eu posso imaginar. – Murmurei admirada.
— Ela queria voltar para os pais. – Continuou. Ele contava sua história como se fosse de outra pessoa, como se aquela não fosse sua mãe, eu poderia perguntar como ele se sentia com relação a isso, mas de alguma forma, sua resposta jamais seria tão honesta como sua maneira de contar o que aconteceu. Ele preferia fingir que foi com outra pessoa, do que assumir que sua mãe o deixou. – Fingir que nada disso aconteceu. E ele deixou.
— E você? – Perguntei curiosa. – Seu pai obviamente ficou com você, mas como?
— Podemos ter uma porrada de defeitos. – Explicou. – Mas filhos são para sempre. Meu pai não estava nem um pouco a fim de me deixar ir embora e minha mãe não lutou, nem por mim, nem por Thea. Ela voltou para sua vida e nos deixou com meu pai. – Deu de ombros.
— Seu pai assumiu Thea. – Comentei admirada. – Mesmo sabendo que ela não era sua.
— Mas ele a amou como sua. – Retrucou. – Para ele, Thea era sua.
— É tão...
— Decente? – Provocou-me.
— Doce. – O corrigi. Ele se levantou parecendo precisar de seu próprio espaço e foi então que percebi que havia me aproximado dele enquanto conversávamos. — Você disse “Ela não conseguia ficar com as mulheres” – Comentei lembrando-me. A forma que ele falou me intrigou. – Não as cadelas.
— Muitos dos nossos homens são casados. – Deu de ombros. – Muito normal para você?
— Sim. – Confessei sem graça. Ele sorriu. – Embora eu não goste da ideia de homens saindo para viajar e as mulheres os esperando em casa. – Reclamei. – É errado.
— Não entenda errado. – Negou. – Algumas delas tinham sua própria profissão, mas outras como minha mãe não, ela era sustentada pelos pais e então passou a ser sustentada por meu pai. – Deu de ombros. – Ela só não viu o mar de rosas que imaginou, fugir com um motoqueiro pode ser uma ideia excitante, mas não se você não está realmente preparada para isso.
— Seu pai bateu no peito e disse que ela era sua? – Perguntei curiosa. – Ela ficou toda derretida por isso?
— O lance de pertencer realmente a deixou inquieta heim? – Brincou. O encarei sem humor. Ele suspirou, sua mão indo até sua cabeça como se tentasse buscar uma melhor maneira de me explicar. – Ok, eu entendo que você possa achar todo esse lance um pouco... Abusivo. – Resisti à vontade de assentir, deixando claro que era exatamente assim que pensava. — Mas compreenda da seguinte forma: Você não pode pertencer à outra pessoa se você não se doa e vice-versa. Então quando eu digo que você é minha, na verdade eu estou dizendo que sou seu.
Fale sobre tirar a respiração de uma garota apenas como uma frase.
Fiquei em silêncio percebendo pela primeira vez que Oliver não estava falando em hipótese. Ele não estava me usando como exemplo. Ele estava falando comigo, e ao que parecia sobre nós dois. E a ideia era inacreditável. Algumas horas. Esse era todo o tempo que ficamos juntos, e desde o primeiro momento eu não tenho feito outra coisa senão afasta-lo.
Não fazia sentindo.
Não para mim.
Mas para Oliver sim. E ele parecia disposto a me fazer entender.
Eu precisava entender.
— Por que eu estou aqui Oliver? – Perguntei erguendo-me.
— Você disse que veio por conta de seus amigos. – Murmurou confuso.
— Eu não estou falando do por que eu vim a essa festa. – Esclareci. – Você poderia ter me deixado com alguém de confiança, se sua presença é de fato exigida aqui... – O observei desviar os olhos dos meus. — Você poderia ter me arranjado uma carona para casa. – Continuei. — Você tem um “segundo” não tem?
Ele assentiu distraído.
Aguardei ele vocalizar sua resposta.
— Tommy. – Murmurou por fim.
— Você confia em Tommy? – Questionei, embora já soubesse muito bem o que ele ia responder.
— É claro que sim. – Respondeu parecendo até mesmo ultrajado com a pergunta. Estava claro que Tommy devia ser mais do que alguém seguia suas ordens, provavelmente era seu melhor amigo.
— Então por que Tommy não me levou para casa? – Insisti parando em sua frente. – Por que eu ainda estou aqui Oliver?- Avancei quando ele recuou um passo, sentindo-se acuado.
— Por que eu não queria que você fosse embora. – Confessou por fim. – Por que eu ainda não quero.
— Você mesmo disse que eu não devia ter vindo. – Lembrei-me. Eu não devia está o empurrando tanto, mas de repente tê-lo falando sobre isso era importante demais para mim. Eu precisava saber.
— Por que eu sabia no momento em que eu vi você atravessar aquela porta, que eu não conseguiria deixar você partir. – Respondeu em tom firme. Respirei fundo assimilando o que disse.
Agora que eu tinha minha resposta, eu não sabia exatamente como proceder. Na verdade eu sabia, só não pareceu tão fácil quanto imaginei fazê-lo.
— Mas você vai. – Procurei seus olhos com os meus, por um breve momento ele tornou a evitar me encarar, então movida por puro impulso ergui minha mão deixando-a descansar em seu pescoço, atraindo seu olhar para mim. – Isso é loucura. – Suspirei. A intensidade do que ambos estávamos sentindo só poderia ser descrita como loucura. Ele ser mais velho era apenas um item em uma numerosa lista sobre o porquê eu não poderia ficar com ele. Ele coordenar uma gangue de motoqueiros estava no topo.
— Eu vou. – Murmurou por fim. Parecendo triste ao dizer: – Você não pertence aqui, princesa.
— É verdade. – Concordei. Ele havia dito isso inúmeras vezes essa noite, mas nenhuma das vezes carregou esse tom de agora.
— Você precisa se formar. – Falou segurando minha mão. – Ir para a faculdade e se formar em alguma profissão entediante. Segura. Você merece uma vida enfadonhamente bela. Meu mundo é feio Felicity. Ele a corromperia.
Assenti não podendo deixar de concordar.
— Qualquer coisa que não seja contadora. – Brinquei baixando meus olhos e encarando nossas mãos unidas.
— Você quer ir agora? – Perguntou me surpreendendo. Eu havia passado toda a noite exigindo ir embora, irritada por ele não me deixar ir. E agora que eu conhecia um pouco mais de sua natureza. Da forma que ele pensava, eu não queria. E isso era perigoso. Ele estava certo quando disse que eu não pertencia aqui. Eu não queria isso para mim, eu só tenho 18 anos. Eu não estou pronta para pertencer a alguém, nem mesmo a Oliver.
E ainda assim, eu hesitava.
Sugando o ar para os meus pulmões forcei-me a voltar a encara-lo, minha mão indo até o seu peito. Pronta para concordar, abri minha boca, mas contrariando todos meus pensamentos e minha racionalidade a palavra seguinte fez com que nós dois nos chocasse.
— Não. – Agora que tinha dito eu sabia que não havia como eu voltar atrás. – Por hoje eu sou sua, lembra?
Ele encarou minha mão pousada sobre seu peito, seus olhos brilhando com tamanha intensidade quando finalmente encontraram os meus que eu não pude fazer outra coisa senão encara-lo de volta.
Aguardando.
Mal respirando.
Eu já havia feito minha jogada aqui, eu sabia o que eu queria. Tanto quanto uma garota saindo do colegial poderia saber. Eu já havia dado muito de mim aqui, o que eu podia dar, agora restava ele. Apenas ele. Senti sua mão sobre a minha antes que eu pudesse de fato notar o sorriso que agora assumia seu rosto, tornando-o ainda mais lindo, perigosamente irresistível. Tornando tão fácil ignorar qualquer outra coisa que não fosse apenas nós dois.
— Sim, você é. – Murmurou. Sua mão encontrando meu rosto, seu polegar se arrastando lentamente por minha bochecha. Eu o havia chamado de bruto mais cedo, um verdadeiro ogro, mas o pequeno gesto era tão delicado, tão carinhoso, um gesto totalmente oposto ao que era esperado dele que eu me senti derreter sobre seu olhar. Oliver mal havia me tocado e eu já podia sentir todo o meu corpo reagir a isso. Inferno, Oliver sequer havia me beijado ainda e meu corpo vibrava ansioso por isso. – Eu sei que eu nunca serei a melhor escolha para você, eu sei que qualquer idiota filhinho de papai seria melhor do que eu, e que você merece muito mais do que um dia eu possa sonhar em dar para você, mas eu juro. Eu vou passar cada dia dessa minha miserável vida tentando ser.
O encarei surpresa e completamente sem jeito, eu havia prometido apenas essa noite, por que apenas essa noite era o que eu podia dar a ele, mas de alguma forma, aquele motoqueiro cheio de marra e arrogância, estava me prometendo toda uma vida. Ele havia sido aquele que havia dito que eu merecia uma vida enfadonhamente bela. Apenas alguns minutos atrás ele havia dito isso, minha afirmação havia mudado isso para ele?
— Oliver... Eu nã...
—Eu sei. – Interrompeu-me com um sorriso pequeno. – Você não está pronta para mim. Isso não significa que não ficará um dia. – Deu de ombros. – Eu posso ao menos imaginar a possibilidade disso, não posso? – Abri minha boca para protestar. – Vamos princesa, não tire isso de mim. – Quando sua mão me soltou como se pesasse, seu olhar modificando, perdendo aquela suavidade que havia me conquistado, eu decidi. Eu não ia tirar isso dele.
Eu ia tomar para mim.
O surpreendi quando sem dizer uma palavra a mais, sem esperar nenhum gesto a mais vindo dele, cortei a pequena distância que nos separava e colei meus lábios aos seus.
Eu já tive dois namorados, beijado três garotos e havia perdido minha virgindade com o idiota do Cooper, graças a eles eu tinha certa experiência em beijar. Mas nenhum daqueles pobres garotos haviam me preparado para o beijo de Oliver Queen.
O beijo de Oliver era faminto, sem, no entanto parecer estar me engolindo, havia urgência e delicadeza quando seus lábios movimentavam sobre os meus. Embora tenha sido eu a começar o beijo, definitivamente foi ele que o levou adiante, dominou e me fez ansiar por mais.
Oliver beijava com todo o corpo, suas mãos que haviam ido de imediato para o meu rosto se arrastaram pelo meu pescoço e fizeram seu caminho até meu cabelo, os segurando com um pequeno puxão, mudando o ângulo do beijo o aprofundando. Quando se afastou foi apenas o suficiente rápido para que eu pegasse ofegante seu pequeno sorriso antes dele começar um novo beijo, seus dentes puxando meu lábio inferior sugando-o e atormentando antes de sua língua ir em busca da minha, travando uma nova e erótica batalha enquanto suas mãos agora bem mais a vontade mudaram para minha bunda, apertando-a e puxando-me contra seu corpo forte, fazendo-me sentir de imediato sua ereção.
Animada por seu próprio desejo, minhas mãos correram por seu peito e desceram até a barra de sua camiseta, a puxei para cima e ele se afastou novamente dando-me espaço para arranca-la de seu corpo.
Oh merda.
Esse corpo.
Encarei as tatuagens que ele havia mencionado e tomei meu tempo correndo meus dedos por uma delas. Oliver era puro músculo, não havia uma grama de gordura, seu corpo era duro, forte e masculino, aproximei-me ainda mais dele levando meus lábios ao seu pescoço e deslizando minha boca por seu peito o fiz soltar um delicioso gemido quando prendi a pele entre meus dentes e a chupei, descansando minha mãos em suas costelas segui o adorando com a boca até que cheguei na maldita calça. Ergui minha cabeça o encarando e tudo que o descarado fez foi erguer suas sobrancelhas com diversão.
— Tire-a. – Murmurou simplesmente. Dirigi meu olhar para baixo percebendo mais uma vez quão excitado ele estava e voltei a encara-lo. Eu ia, mas não mais agora que ele havia mandado. Então em vez de seguir sua pequena ordem optei por me livrar de minha própria blusa, seus olhos incendiando-se com o gesto. – Ou não. – Murmurou levando suas mãos para a pele exposta da minha barriga embora seus olhos estivessem em meus seios cobertos apenas pelo sutiã. Senti meu estômago contrair quando suas mãos moveram-se minimamente, um dedo fazendo círculos. E então seus lábios estavam nos meus novamente, atormentando-me deixando-me completamente a sua mercê.
Suas mãos moveram-se até minhas costas e então com apenas um pequeno movimento de seus dedos, eu estava nua da cintura para cima, e seus olhos mais uma vez estavam em meus seios agora despidos, suas mãos rapidamente se ocuparam em acaricia-los. Massageando-o e apertando meus mamilos antes de introduzir um e depois o outro na cavidade úmida de sua boca.
— Oh Deus. – Murmurei quando uma mão sua desceu entrando em contato com minha feminilidade mesmo por cima das roupas, ainda enquanto seguia sugando meu seio. Oliver interrompeu o que fazia, embora sua mão continuasse lá, o calor passando através das roupas, seu olhar aquecido e sorriso sacana me encantando.
— Você pode me chamar de Oliver. – Sorriu enquanto tomava seu tempo abrindo minha calça. – Mas eu também posso atender por alguma divindade. — Piscou antes de se ajoelhar e arrastar meu jeans para baixo, fazendo-me engolir em seco com aquela visão. Aquele homem grande e forte, aquele motoqueiro ajoelhado entre minhas pernas. Sem cerimônia Oliver arrastou minha calcinha junto e fez-me dar um passo para trás me livrando das roupas, ia me afastar precisando recuperar um pouco o fôlego e a prudência, quando suas mãos apertaram minhas coxas, obrigando-me a ficar no lugar e sua boca foi direto ao meu centro.
Arrancando gemidos e suspiros enquanto me enlouquecia com sua maldita língua.
Segurei seus ombros sentindo meu corpo todo vibrar e um sinal do quão perto eu estava de ter um orgasmo.
— Oliver... – Suspirei estando muito perto da borda, então ele parou. Deixando-me chocada, frustrada e completamente vazia.
— Aqui não. – Negou diante meu olhar incrédulo. Ele ergueu-se e beijou-me profundamente antes de continuar. – Cama. – Disse simplesmente antes de voltar a me beijar, seu braço enrolando minha cintura e puxando-me para cima, sem hesitar enrolei minhas pernas em sua cintura enquanto ele me levava até sua cama que estava a poucos metros de distância. Seu corpo caiu sobre o meu, deixando-me completamente ciente do quão vestido ele ainda estava, como se também percebesse, ele recuou pronto para se livrar das últimas peças. Apoiei-me em meus cotovelos limitando-me a observa-lo enquanto primeiro ele se livrava dos sapatos e depois abria sua calça jeans.
Quando foi que eu tirei meus sapatos?!
Pisquei voltando a me fixar e observar um Oliver muito nu e excitado.
— Gosta do que vê? – Perguntou ciente de que eu não fazia outra coisa se não olha-lo.
— Eu não sei. – Dei de ombros. – Não estou perto o suficiente para saber. — Ele aceitou o convite que a frase significava, e se aproximou seu olhar predatório, quando seu corpo estava sobre o meu, sua boca pairando sobre a minha, enchi minhas mãos com sua pele, marcando-a e tomando posse, me perdi em seus beijos e no calor dos seus toques.
— Porra esse corpo. – Murmurou sobre minha garganta, suas mãos sobre minhas coxas as separando após colocar proteção. Seus movimentos eram duros e cheios de urgência, mas quando guiou sua rigidez para o meu interior foi notavelmente mais contido, controlando-se, com sua testa sobre a minha ele quis se certificar. – Você é...?
Meneei a cabeça com urgência. Precisando ser preenchida por ele, não querendo iniciar nenhuma conversa sobre o assunto, não quando estávamos assim.
— Não. – Murmurei correndo minhas unhas por seu quadril e chegando até sua bunda.
— Bom. – Murmurou seus quadris movendo-se ritmicamente, mas ainda superficialmente, apenas roçando minha entrada. – Por que depois de hoje, duvido que haja outro igual a mim. – Concluiu antes de lenta e profundamente preencher-me. Filho da puta arrogante. Fechei meus olhos adorando cada novo centímetro, cada estocada, e cada suspiro emitido por nós dois. Mordi meu lábio segurando um gemido quando sua mão alcançou meu seio e sua boca imediatamente buscou a minha, puxando a carne dolorida com seus próprios lábios, sua língua aliviando a dor, enquanto ele parava apenas ligeiramente. Seus olhos fazendo-me refém.
Eu não tinha certeza por quanto tempo ele se manteve assim, imóvel, encarando-me. Roubando cada parte de mim com apenas um fodido olhar. Mas eu entendi o que ele quis dizer, naquele, breve e idílico momento, Oliver era meu, e eu definitivamente era sua.
Então ele voltou a se mover, chocando-me com a urgência em seus movimentos, dessa vez com mais força, mais áspero, foi-se o momento idílico, e agora Oliver estava me fodendo, e tão louca como eu podia ser, eu estava adorando.
Voltei a fechar meus olhos deixando dessa vez cada som da minha garganta sair livre, a voz rouca de Oliver se juntando a minha, meu corpo dominado pela tensão, implorando pela liberação que no momento só ele poderia me dar, ele empurrou-se mais duro dentro de mim e eu senti todo o meu corpo explodir em prazer, deixando-me reduzida a espasmos, Oliver gozou com força, sua boca sobre minha garganta e seus olhos fechados. Nossos corpos suados e trêmulos recuperando-se agarrado um ao outro. Suspirei quando ele se afastou e puxou-me paro um banho, suas mãos passando por meu corpo de forma mais tranquila e carinhosa. Quando voltamos à cama e nos deitamos, seus braços me puxaram para si, abraçando-me completamente, encostei meu rosto em seu peito enquanto escutava concentrada, as batidas de seu coração.
— Como eu supostamente devo deixa-la ir agora? – Perguntou após longos segundos silenciosos.
— É muito fácil. – Menti, por que a forma com que eu me sentia, me dizia que nada era tão fácil assim.
— Não, não é. – Murmurou contra meus cabelos, ele abraçou-me mais forte. Suspirei sentindo-me confortável no calor dos seus braços. – A chave está na terceira gaveta da cômoda. – Murmurou de repente. – Quando o dia amanhecer, e se essa for sua vontade, vá embora, não se despeça. Não me espere acordar, ou eu nunca serei capaz de deixa-la ir. – Respirei fundo assimilando o que dizia. Assenti concordando, e eu soube que ele percebeu. Eu não teria conseguindo dizer em voz alta. Então sem que nenhum de nós dissesse mais nada, caímos no mais profundo sono. Nos braços um do outro, esperamos o momento em que isso teria que mudar.
Acordei sentindo o peso de sua mão em minha cintura e nossas pernas entrelaçadas. Demorou alguns segundos até que eu percebesse o porquê eu não poderia ficar muito tempo. O sexo foi incrível, eu tinha certeza que aquele motoqueiro de sorriso infantil e cheio de si havia roubado um pedaço do meu coração em apenas uma noite, mas eu não poderia lhe entregar o restante, saindo da cama me concentrei em mais o silenciosamente o possível vestir minhas roupas. Virei-me deixando meus olhos cair na figura adormecida e suspirei percebendo que ir embora estava sendo mais difícil do que eu havia imaginado quando cheguei nessa festa.
A parte covarde em mim não poderia me deixar ir sem dizer mais nada, então me peguei rabiscando algumas palavras em um papel amassado e colocando no criado mudo ao lado da sua cama. Arrastando-me nas pontas dos pés eu perambulei pela casa e quase tive um infarto ao me chocar com a figura masculina que se esgueirava para entrar na casa.
— Deus, você me assustou. – Resmunguei. Ele me encarou divertido, seus olhos me analisando com atenção. Droga, mais um motoqueiro com sorriso de menino.
— Você é a garota de Ollie. – Comentou por fim.
— Desculpe? – Perguntei achando que não havia escutado direito.
— Eu sou Tommy. – Murmurou estendendo uma mão. Aperta-la foi um gesto puramente automático. – Eu estava com ele quando você chegou. Você deu um tapa na cabeça do seu amigo. – Explicou. Eu não me lembrava disso, mas bater em Roy já havia virado um gesto automático também. — Oliver pediu para que eu desse uma carona de volta para seus amigos. — Oh por Ollie ele queria dizer Oliver. — Ele me disse que você ficaria.
— Mesmo? – Murmurei incrédula. Esqueça quaisquer dúvidas sobre ir embora, agora eu precisava partir. Eu era muito nova para isso, eu não estava pronta para pertencer a alguém e eu não ia romantizar a ideia toda. Não importa quão romântico, carinhoso e perfeito Oliver havia sido ontem. Ele poderia ser perfeito para mim, mas não agora, talvez nunca. – Oliver me disse que você seria o cara certo para uma carona de volta para casa.
— Mesmo? – Devolveu parecendo desconfiado.
— Mesmo. – Repeti. Forçando um sorriso. – Ele disse que você é de confiança.
— Eu sou. – Assentiu com seriedade.
— Então, você pode me levar agora? – Perguntei ansiosa.
— Não prefere esperar por Ollie? – Questionou incerto. Neguei firmemente.
— Já nos despedimos. – Murmurei.
— Está bem. – Concordou. – Deixe-me apenas arranjar um carro. Oliver me mataria se descobrisse que sua garota andou na minha garupa. – Eu suponho que deveria ter rido de sua piada, mas a questão era que eu não achava que fosse uma. Então permaneci quieta até que ele voltou me guiando para fora.
Pareceu uma eternidade, mas não demorou muito e eu entrava na quietude da minha casa. Sem um motoqueiro quente dizendo o que significa pertencer alguém, sem sexo incrível, sem a promessa de um amor para sempre. Aqui estava eu de volta a minha velha rotina de brigar com Helena por sua maldita irresponsabilidade.
Aqui estava eu pronta para ignora a noite de ontem.
Por agora.
OLIVER QUEEN
Amassei a nota em minha mão e apoiei-me em minha moto cruzando meus tornozelos. Eu não acreditava que ela havia fugido da minha casa enquanto eu ainda dormia. A lembrança ainda me irritava, embora eu também a compreendesse. A final eu havia pedido para ela fazer isso, o problema era que uma parte minha desejou que ela fizesse o oposto. Mas como seria diferente?
Eu assustei a garota.
Eu assustei a mim mesmo.
Toda aquela intensidade que eu havia sentindo aquela noite ainda era surreal para mim.
Isso me deixava nervoso para caralho.
— Você está tão ridículo. – Escutei Tommy falar ao meu lado, estava sentado em sua moto com os braços apoiado em seu capacete. – É divertido.
— Cala a boca. – Exigi.
— Sabe, eu acho que essa sua mania de mandar as pessoas a calarem a boca foi o que a afastou. – Provocou-me.
— Por que você está aqui? – Perguntei irritado.
— Por que de uma forma indireta eu faço parte disso. – Sorriu amplamente. – Por que eu adoro ver você sofrer. – Acrescentou. — É um dos meus passatempos favoritos.
— Um dia você vai ser fisgado. – Falei o encarando. – E então meu amigo, serei eu a rir.
— Eu ainda não acredito nisso. – Meneou a cabeça. – Uma noite com a garota e ela ganhou seu coração? Tem certeza que não foi outra parte do seu corpo que ela fisgou? – Murmurou em tom sugestivo.
— Você é um idiota.
— Você é um idiota. – Rebateu.
— Vocês dois idiotas querem calar a boca? – Thea murmurou fazendo com que eu exalasse com raiva. Ela estava sentada sobre o capô do seu velho mustang. Seu olhar atento ao celular. – Tentando me concentrar aqui. Não consigo achar o número de Roy.
— Lembre-me novamente por que você está aqui. – Exigi.
— Por que eu sou sua irmã e não perderia isso por nada. – Murmurou antes de erguer a cabeça, um sorriso pilantra se esgueirando em seus lábios. – E por que sou meia irmã de Tommy e compartilho os mesmo genes que adoram lhe ver em sofrimento.
— Idiotas. – Resmunguei. – Vocês dois. – Thea apenas sorriu adorando me ver ainda mais irritado. – Por que você não vai atrás daquele seu namoradinho idiota?
— Roy e eu terminamos. – Respondeu sem se abalar. – Não vai demorar muito e vamos voltar, mas isso resume que eu não tenho nada melhor a fazer do que ficar aqui e ver meu irmão ser reduzido a isso. – Murmurou apontando para mim com desdém. A encarei com ódio.
— Ela está certa. – Tommy interveio. – Você é o entretenimento do dia. “Chefe”. – Filho da puta.
— Lá vem ela. – Thea alertou-me empolgada. Respirei fundo enquanto desviava minha atenção de Tommy e observava a figura feminina andar distraída pelo estacionamento do campus universitário. Seus olhos estavam em seu celular e sua pequena distração me permitiu tomar um pouco de tempo apenas a observando.
Ela estava mais madura, mente e corpo.
Eu havia esperado cinco fodidos anos.
Seus cabelos estavam presos em um coque frouxo e estavam tingidos de rosa. A visão em si me fez sorrir. Eu realmente pensei que ela teria uma vida enfadonha? Eu sabia que nada havia sido enfadonho. Eu posso não ter tido nenhum contato com ela, mas sempre procurei de alguma forma estar por perto. Protegendo-a. E Tommy foi a melhor maneira que encontrei para isso. Ele da forma mais silenciosa possível cuidou dela. Por que do contrário eu não teria conseguido me manter tanto tempo longe.
Não teria conseguido deixa-la ter sua vida sem mim.
Definitivamente não teria conseguido deixa-la ter seus namorados.
Oh sim, cada atualização de Tommy referente a esse tópico foi como um soco no estômago, especialmente quando ela passou a sair com o tal de Ray. Foi o mais longo e o que me deixou mais perigosamente perto da borda.
Engoli em seco me lembrando de que havia feito apenas algumas semanas que eles haviam terminado. E se eu tivesse me precipitado. Eu havia esperado até agora e na teoria eu deveria ter esperado um pouco mais, mas quando soube do fim do namoro, eu não pude mais seguir esperando. Eu precisava fazer meu movimento. Eu precisava recupera-la de volta.
Mas ela aceitaria?
Como se sentisse minha presença sua cabeça se ergueu e seu olhar caiu sobre o meu.
E eu fui atingido novamente.
Tudo em mim reagia a ela como se nosso primeiro e último encontro houvesse ocorrido ontem. E agora, cada parte de mim estava apreensiva esperando sua reação. Qualquer coisa. E então ela sorriu.
Merda a forma que ela sorriu.
Eu me senti cada vez mais como o idiota que Tommy havia dito que eu era.
— Eu deveria ter trazido pipoca. – Thea comentou.
— Eu trouxe chocolate. – Tommy murmurou a entregando um.
— Calem. A. Boca. – Murmurei.
— Por que você não vai até ela? – Thea questionou-me impaciente e séria. Não respondi, minha atenção estava em Felicity que após uma breve hesitação se aproximou com passos lentos. Essa era a resposta para sua pergunta. Desde o começo a grande questão era se Felicity estava disposta a se aproximar. Eu estava aqui, cabia a ela me dizer se era isso que ela realmente queria. Ignorei Thea que parecia esperar sua resposta e me concentrei apenas em Felicity.
— Você me parece um pouco perdido. – Murmurou por fim. Sorri diante a escolha de suas palavras.
— Em busca de alguém. – Falei dando de ombros.
— Você está aqui. – Felicity murmurou admirada. Sua atenção nunca foi desviada, parou apenas poucos passos longes, como se ainda hesitasse se aproximar completamente.
— Apenas seguindo ordens. – Murmurei erguendo o papel em minhas mãos. Tratava-se de um panfleto qualquer com o número de algumas pizzarias. No verso ela havia deixado escrita uma pequena e simples mensagem, deixando-me a opção de segui-la ou não.
“Nunca fui feita para uma vida enfadonha, encontre-me em cinco anos para que eu possa descobrir se eu pertenço a você. Juntos podemos fazer de seu mundo um pouco mais belo.”
— Então. – Murmurei deixando a questão no ar.
— Então. – Repetiu. Sua cabeça inclinando enquanto me avaliava. – Eu quero ser sua, para sexo, para proteger, e um monte de bobagem que apenas você irá acreditar.
— Para amar. – Completei. Isso agiu como um clique nela. A distância entre nós dois foi cortada e sem mais nenhuma palavra ela chocou-se em meus braços. Inalei seu cheiro dando-me conta mais uma vez do quanto eu havia sentindo saudades.
Era loucura.
Era intenso.
Era real.
Quando nossos lábios se encontraram foi como finalmente voltar para casa.
O beijo só foi cortado pela voz feminina que nos interrompeu ao chamar seu nome. Felicity se afastou apenas o suficiente para virar em meus braços, seus olhos passando por Tommy e Thea que acenaram para ela, antes de cair na garota que havia a chamado.
— Hey Thea! – Felicity murmurou para minha irmã. Thea namorava Roy, mas ele e Felicity não tinham mais tanto contato desde que ele havia conquistado seu lugar em nosso clube e passou a viajar conosco. Thea sorriu para Felicity que já se concentrava em cumprimentar a desconhecida que se aproximava. – Oi, o que houve?!
— Hey, você esqueceu isso no laboratório. – Sorriu docemente antes de entregar a Felicity um pequeno bloco de anotações.
— Obrigada. – Felicity murmurou agradecida jogando o bloco em sua mochila de forma displicente. – Helena te ligou? – Perguntou antes que a morena pudesse se afastar.
— Oh sim. – Riu animada. – Ela disse “Arraste sua bunda até a boate e traga Felicity consigo, não quero saber de desculpas vamos nos despedir dessa maldita faculdade com estilo.”. – A observei franzir o cenho. – Agora eu estou tentando adivinhar se ela fez rima de propósito. – Felicity riu em resposta.
— Até amanhã então. – Murmurou meneando a cabeça com diversão.
— Ok. – Sua atenção finalmente voltou-se para nós, seu olhar indo de nós dois, para Thea e finalmente caindo em Tommy que ergueu as sobrancelhas. – Oi. – Murmurou timidamente. Então piscou parecendo confusa. – É melhor deixar vocês a sós. – Falou antes de se virar e dar meia volta.
— Onde aquele traseiro tem que estar amanhã mesmo? – Tommy perguntou com interesse.
— Você poderia pelo menos fingir interesse em saber o nome dela antes? – Thea perguntou desanimada.
— Snow. – Tommy murmurou a surpreendendo. – Caitlin Snow. Ela estava vestindo um jaleco. – Piscou. – Eu ainda sei ler irmãzinha.
— E eu pensando que sua atenção estava toda no seu traseiro. – Felicity comentou encostando-se a mim e puxando meus braços, fazendo com que eu a abraçasse por trás. – Diga-me Tommy, já está preparado para bater no peito e dizer minha? – Tive que conter meu riso diante sua frase. Sim, eu realmente havia assustado minha garota.
— Por favor, não me confunda com o idiota que está te abraçando. – Riu. – Eu não preciso recorrer ao primata que há em mim.
— Bom. –Assentiu. – Por que ela tem namorado. – Tommy inclinou a cabeça e voltou a olhar em direção que Caitlin havia ido, demorando-se ali por alguns segundos, como se considerasse. Eu o conhecia. Ele estava deliberando consigo mesmo. Fazendo o mesmo que eu fiz quando vi Felicity pela primeira vez. Quando ele voltou a encara-la não foi nenhuma surpresa que tive que esconder meu sorriso na curva do pescoço de Felicity quando ele finalmente respondeu.
— Tinha.
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