Fins e Recomeços
6 4.06 - Aguente Firme
Notas iniciais
“- Então não sinto mais. – Sam tinha um meio sorriso na boca – Mas basta olhar ao seu redor, porra. Tem um monte de gente que daria tudo para ficar contigo. Não desperdiça seu tempo com algo em vão, por favor. – Pediu o amigo de Blaine.”
“- Eu te amo. – Ele estava ofegante, mas não podia deixar B. o interromper, senão poderia ser o fim. Sam tinha que convencê-lo, era sua última chance – Pode me pisar, me humilhar, dizer que não me quer mais, mas essa é a verdade. Eu não era assim, Blaine. — Sam chorou – Nunca gostei de ninguém dessa forma que gosto de você... – Seus lábios tremiam – Incondicionalmente. É assim que te amo. E sempre te amarei. Eu sei que pisei na bola e que não foi só uma vez. Você está chateado, eu entendo. Mas sei que me ama também. – O bocudo foi se aproximando do solista, que o observava incrédulo. Ele o abraçou e sussurrou no ouvido dele – Perdão.
(...)
– Blaine, eu realmente te amo, você não sabe o quanto. – Sam estava com o coração palpitando.
– Eu sei, seu bobo. – Blaine sorriu – Você cantou para mim mais cedo. – Agora ele riu – Ama-me incondicionalmente. Estou pronto para abrir meu coração e deixar tudo fluir. – O solista beijou o loiro. – Aceitação é a chave para ser verdadeiramente livre, é a chave para o amor incondicional.
– Sim. – Sam sorriu, feliz por Blaine estar entendendo ele – Eu te aceito e te amo, exatamente assim, do jeito que é. Fará o mesmo por mim?
– Sempre. – Blaine respondeu sem titubear — É o que venho fazendo nesses últimos tempos. – O solista beijou Sam.”
“- Estamos aqui. Você está pronto? Depois de hoje não tem mais volta. – Perguntou B.
– Sempre estive. Ainda mais depois de hoje, depois de ver tudo que esse dia e momento significam para mim. – Respondeu o bocudo.
O juiz começou, falou algumas coisas, até que chegou na hora em que tanto esperaram.
– Então, Sam Evans – Disse se dirigindo ao loiro – Aceita Blaine Anderson como seu esposo, para amá-lo e respeitá-lo na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe?
O bocudo olhou para o solista, sorriu e piscou.
– Aceito. – Disse.
– E você, Blaine Anderson? Aceita Sam Evans como seu esposo, para amá-lo e respeitá-lo na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe?
– Creio que sim, seu juiz. – Falou e piscou, depois riu baixinho para Sam. O loiro balançou a cabeça e riu também.
– Sendo assim, eu os declaro casados! Assinem aqui junto com os padrinhos. – Levou um papel até uma espécie de bancada que havia entre ele e os noivos.
– Blaine Anderson & Evans. – Disse Sam.
– Sam Anderson & Evans – Falou B. “
“- Lembra-se de quando eu a cantei para você? – Cochichou o loiro ao ouvido de B. – Aquele dia foi tão especial... Sabia que se não conseguisse você de novo ali eu estaria perdido.
O solista riu.
– E hoje está perdido... Perdidamente apaixonado por mim. – Blaine fungou no pescoço de Sam. Eles seguiram dançando, embalados no clima romântico na música e pensando no amor incondicional que um sentia pelo outro. De repente, começou a tocar Hummingbird Heartbeat, os olhos dos dois brilharam – Lembra?
– Como não? Nosso primeiro dueto. Ali eu comecei a ver o quanto você significava para mim, B. Foi ali que eu cai em sua rede, que eu me apaixonei por ti. – O loiro sorriu ao lembrar – Sorte nossa que a Marley não pode cantar. Talvez as coisas não fossem como são. Ah, o destino... – Sam suspirou após a frase, eles riram em seguida.
– Você me dá todas essas sensações, sabia? As que a Katy descreve na música. – B. encostou sua boca no ouvido no loiro – E mesmo quando as estações mudarem, nosso amor permanecerá o mesmo, eu juro.
– O gosto do seu mel é tão doce... Quando você me dá as pulsações de um beija-flor. – Sussurrou também o loiro meio que cantarolado — E quando estamos em perfeita harmonia você me faz soar como uma sinfonia.”
“- Sabe, desde que entrei para o McKinley, nunca imaginei que minha vida pudesse mudar tanto. A princípio, ela se resumia ao Kurt e a música. Até que ele foi para NY. Tudo mudou e eu percebi que não o amava. – Olhou para Sam com os olhos brilhando — Então você apareceu, apareceu com esse sorriso encantador e gigante. Veio de mansinho e com seu jeito me ganhou todo. – Sorriu – Hoje, te abraçar é o que há de melhor para se fazer em um dia ruim, seu sorriso é o meu maior motivo de alegria e receber seus beijos de amor minha maior felicidade. – Foi até o guarda-roupa, pegou um violão e tirou uma nota – Eu era um pouco cético antes de te conhecer, Sammy. Não acreditava em muitas coisas, a não ser que me provassem que eram verdade. Inclusive, cheguei a duvidar da existência de um deus, por tudo que eu já sofri e pelo que vejo as pessoas sofrerem. É tanto preconceito e falta de amor que há nesse mundo que muitas vezes me fiz questionamentos assim – Falou e respirou fundo – Mas é só te ver, é só ver nossa história juntos, o quanto lutamos para ser felizes e o quanto superamos obstáculos. Não é possível que tenha sido ao acaso. Talvez eu não acredite no deus dos católicos, nem dos protestantes, não em Deus na forma como eles descrevem. Mas acredito sim em uma força maior que rege tudo e é capaz de coisas impossíveis. Acredito também, meu amor, que nós não estamos juntos por acaso. Essas força, Deus, nos uniu. – Falou meio que chorando, sua voz embargava – Acredito em destino, acredito em um destino ao seu lado, Sam Evans. – Tirou outra nota no violão – Eu te amo e sei disso desde que te vi sorrir a primeira vez, desde que seu sorriso iluminou minha vida e aqueceu meu coração. Você é meu tudo, meu mundo, meu chão. Obrigado por tudo, essa é pra você.”
“- Mais cedo, perguntou por que eu o amava. Eu respondi. Agora é sua vez. – Sorriu — Por que você me ama, Blaine Anderson?
sorriu e caminhou um pouco também, cheirou uma rosa, uma abelha pousou na ponta de seu nariz, ele levou a ponta do dedo até lá e o inseto pousou nele. Sam observou-o enquanto brincou com a natureza. Finalmente, Blaine voltou a atenção para o loiro, ele tinha um papel em mãos agora.
– Por que eu te amo? Deixe-me me ver... – Fez cara de pensativo, Sam riu — Eu te amo porque você me acha bonito, mesmo sem maquiagem alguma, de cara limpa! – Falou e riu, o loiro o observava – Você ri de qualquer piada minha, mesmo das mais chatas e absurdas. – Foi aproximando-se com um enorme sorriso – Eu sempre soube, lá no fundo, que você me queria, isso desde o começo, Sam. Antes de eu conhece-lo, as coisas estavam boas, eu tinha o Kurt. Então me perdi, elas começaram a pesar. Você me trouxe de volta a vida, me mostrou o amor. – Estavam frente a frente, Blaine tomou a mão de Sam para si, pareciam querer dançar uma valsa. Aproximou a boca do ouvido dele – Agora, todos os fevereiros nós comemoraremos o Valentine’s Day juntos. – Disse e o beijou, depois soltou. – Venha, vamos percorrer todos os caminhos essa noite! – Falou enquanto corria dando voltas naquele lugar, o loiro ria e chorava – Sem arrependimentos, apenas amor, sim? – Perguntou sorrindo – Nós podemos dançar, dançar e dançar! Dançar até a morte, mas eu e você seremos jovens para sempre. Nosso amor nos eternizará. – Aproximou-se – Eu te amo, Sam Evans, porque você faz eu me sentir como se estivesse vivendo um sonho. O mais lindo, romântico e perfeito sonho adolescente! – O beijou, mordeu seu lábio – Veja – Pegou a mão do loiro e levou ao seu pau, estava duro e Sam o apertou. Ambos riram – A forma como me excita é inexplicável, às vezes, mal consigo dormir. Meu coração bateu mais forte desde a primeira vez que percebi que te amava. Bastou um toque de amor seu para eu perceber que era real e que minha vida jamais seria a mesma dali em diante. – Disse com os olhos lacrimejando. Olhou para uma saída, pegou forte na mão do loiro – Vamos aproveitar a chance que temos hoje, vamos amar e nos perder em nosso amor sem olhar para trás, venha!
(...)
– Eu te amo. Amanhã, voltaremos a Nova Iorque, e eu prometo Sam, prometo continuar sendo tudo que sou e te fazer o cara mais feliz da face da terra!
– Você já faz isso, bobo. – Falou com um enorme sorriso. – E sem se esforçar muito, apenas sendo você e me amando. – O beijou no nariz.
Eles sentaram-se um ao lado do outro. Sam escorou a cabeça sobre o ombro de B.
– Toma – Blaine entregou um papel a ele, o mesmo que tinha na estufa.
O bocudo pegou, mas pareceu não entender bem.
– Um formulário? – Era o que parecia.
Blaine sorriu.
– É a ficha da clínica de reprodução. – Ele pegou a carteira e tirou outro papel. Era uma ficha preenchida com os dados dele – Como aquelas abelhas e insetos polimerizaram aquelas flores hoje, Sam, e as farão procriar, eu também quero povoar esse mundo. – Levantou-se e puxou o loiro, segurou em suas duas mãos e olhou bem nos seus olhos – Liguei para Tina e falei com ela esses dias, concordou em ser nossa barriga. Fiz minha ficha na clínica, agora é sua vez. – Disse e sorriu – Eu vou povoar esse mundo, Sam, e ao seu lado. – Disse com um sorriso bobo e doce, parecia até um adolescente.
O loiro não sabia o que fazer, estava emocionado. Não imaginava que Blaine fosse fazer isso, essa surpresa. O puxou e abraçou forte, chorou.
– Vamos ser pai, não era o que queria? – Cheirou seus cabelos e deu um suspirou apaixonado – Sei que pode ser cedo, mas eu não queria esperar, Sam. Aprendi, ao seu lado, que não se pode deixar a felicidade passar. Há oportunidades que surgem apenas uma vez na vida. – Disse com os olhos brilhando – Eu te amo, isso é inegável. Assim como nossa ligação forte e especial também é. – O beijou.
Beijou aquelas lábios carnudos e sedosos com amor. Beijou um beijo apaixonado e molhado. Beijou até cessarem o fôlego
– Sem arrependimentos, apenas amor. – Sussurrou o bocudo no ouvido do marido.
– No regrets, just love – Sussurrou Blaine também, só que de forma cantada. – Meu único e verdadeiro sonho adolescente. – Disse o beijou de novo.”
Todas as lembranças passaram pela cabeça de Blaine como se visse um filme antigo e em preto e branco Fazia dois dias desde que tudo havia ocorrido e cenas também horríveis passavam pela sua cabeça, sendo elas a maioria. O solista via Sam imerso em uma poça de sangue todas as vezes que fechava os olhos, então sentia um grito sufocar sua garganta.
Chorou e embalou seus pertences, mandaria algumas coisas para os pais e irmãos, o resto guardaria.
A presença do loiro ainda era constante naquele lar, o solista não sabia explicar, ele só o sentia. Era como se ele a qualquer momento fosse abrir aquela porta e entrar ali, dar-lhe um beijo e depois falar com os filhos, para jantar em seguida. Mas isso não aconteceria.
A forma brutal como aconteceu o crime chocou a todos. Sam havia sido morto a sangue frio por um tiro dentro de seu próprio apartamento. As crianças estavam em seus quartos dormindo. Quando chegaram, Blaine entrou em choque. Marley correu, foi aos quartos das crianças e proibiu que os gêmeos de lá saíssem, depois foi ficar com Mag. De lá, ela ligou para polícia. Que logo chegou e recolheu o corpo e todas as provas que conseguiram a respeito do crime.
Blaine não dormiu aquela noite, foi a pior de toda a sua vida. No dia seguinte o corpo foi liberado e no outro seria velado. Em breve, ele seria chamado pela polícia para ficar a par das investigações.
Era o dia do velório, o solista guardava todos os pertences do marido, enquanto chorava as poucas lágrimas que ainda o restava.
A porta bateu, B. enxugou o canto dos olhos e pediu que entrasse. Ele estava no quarto que dormiu ao lado do loiro nos últimos anos.
Era Rachel, ela entrou e abraçou o amigo.
Eles ficaram em silêncio. Por um momento, tudo que Blaine fez foi chorar e segurar forte a mulher.
– Tudo que eu queria era que ele nunca tivesse entrado nesse mundo, na política. Ele poderia ter continuado com a loja e estar aqui, vivo e comigo. – Disse chorando.
– Mas então vocês não teriam sido tão felizes como foram, nem teriam constituindo essa família linda, Blaine. – Falou ela calmamente. Puxou B., sentou-se na cama e fez ele sentar ao seu lado – Escute-me. Tudo que o Sam quer, onde ele estiver, é que você fique bem, que aguente firme. Eu sei que é difícil, eu mesma fiquei imersa em uma tristeza profunda por muito tempo quando o Finn morreu. Aquela foi a época mais obscura da minha vida. – Disse Rachel, lembrando-se do quanto sofreu.
– Como fez para aguentar isso? – Blaine ainda chorava baixinho e suspirava — Essa dor é horrível, parece que nunca vai passar. O pior é que não há nenhuma ferida em meu corpo, o lugar que dói é outro, é minha alma. Sinto-me como se faltasse um pedaço de mim, um grande pedaço que nunca mais irá voltar. E que foi arrancado da forma mais violenta possível. Minha alma sangra, Rachel. Assim como meu coração.
Ele soluçou e abraçou-a de novo.
– Eu entendo você perfeitamente, senti tudo isso. A única coisa que posso te falar é que vai doer bastante. No começo, você só vai sentir dor. Depois, ela vai passando e as lembranças vão ficando, lembranças boas. Vai ser assim que ele vai viver para sempre dentro de nós, por meio de tudo que vivemos juntos. – Falou sorrindo – Eu sonhei com o Finn após o acidente, no hospital. Ele me pediu para seguir a vida, Blaine. Eu peço o mesmo a você agora.
– Isso é impossível, o Sam era minha vida, Rachel.– Falou o solista.
– Não. Como você disse, um pedaço de sua alma foi arrancada. Mas o resto continua aí. E nele estão David, Michael e Mag, frutos do relacionamento de vocês e de toda a luta do Sam. Tenho certeza que se a causa de sua morte foi a oposição a políticas preconceituosas que ele fez, o Sam morreria mil vezes de novo, se possível. Pois foi graças a luta dele que vocês puderam ter uma família de verdade. – Ela levantou-se – Agora levante-se também e lute. É hora de dar adeus a ele e continuar seu projeto de vida, sua família.
Blaine lutou um pouco para fazer o que ela havia pedido. Ele sabia o que o aguardava e temia aquilo.
O solista levantou-se depois de um tempo. Ele soltou um berro, chorou e gritou. Ao lado de Rachel, foi até o local onde o bocudo estava sendo velado. Era hora do último adeus.
Marley cuidou de tudo enquanto Blaine tentava se recuperar do baque. Alugou um espaço para o cerimonial. As crianças haviam ido à casa de Rachel e o velório ocorria como previsto.
Logo Blaine chegou. Sam estava lá, sua pele branca havia assumido um tom ainda mais claro. Seus lábios vermelhos e fartos também haviam empalidecido. Suas mãos estavam unidas por meio de dedos entrelaçados. Seus olhos estavam fechados para nunca mais abrir.
O solista ajoelhou-se ao lado do caixão, segurando nele. Suspirou e levantou-se, foi até sua boca e beijou de leve. Depois sorriu e suspirou.
– Obrigado por me fazer o homem mais feliz do mundo. Sem você, a vida não teria tido nenhum sentido.
Marley aproximou-se e segurou nos ombros do pequeno.
Santana estava sentada em um canto, estava com Dani ao seu lado. As duas estavam muito abatidas. Como todos, foram pegas de surpresa com a notícia do assassinato de Sam.
– As coisas estão quase todas concluídas. Logo estarei livre para deixar NY. – Disse Dani.
Santana assentiu. Parecia distante e a mulher de cabelos tingidos não entedia por quê. Então olhou para a latina, viu que seus olhos iam em uma direção e guiou seus próprios até ela.
Dani levantou-se irritada.
– Aconteceu alguma coisa? – Perguntou Santie.
– Sim. Você pensa que sou alguma idiota? – Falou em um tom grosseiro.
Todos olharam para elas. Santana a puxou, fazendo sentar. Dani ficou meio sem jeito.
– Você poderia falar como gente civilizada?
– Desculpe-me, mas é que ver o que você está fazendo me tira do sério. – Falou a mulher de Santana, agora um pouco mais calma.
– E o que eu estou fazendo?
– Olhando para ela – Dani apontou para Brittany que sentava um pouco mais à frente – E isso enquanto está comigo.
– Você não pode estar falando sério. – Santana parecia estar indignada com o que a mulher disse.
– Estou. E seríssimo. Eu não sou cega, Santana. – Dani levantou-se – Até mais tarde, em casa conversamos. Em breve, vamos decidir nosso futuro. Se é que posso chamar de nosso. – Lágrimas passavam pelos olhos de Dani. – Até mais tarde. – E saiu.
Santana ficou sem ação. Continuou sentada olhando a companheira sair. Quis levantar-se e brigar com ela ali, mas era o velório de Sam, tinha que respeitá-lo. Brittany aproximou-se.
– Problemas? – Perguntou.
– Não me enche. – Respondeu Santana e saiu, foi sentar-se longe.
A loira suspirou e foi para perto de Rachel.
Frida havia chegado logo que o corpo chegou. Já sem lágrimas, sentava-se em um local próximo ao corpo de Sam. Ela mantinha a cabeça baixa. Blaine a viu e foi até ela.
– Você gostava muito dele, não? – Perguntou o solista.
Ela levantou a cabeça de um impulso, parecia sem jeito ao ver o marido do homem que ela tanto admirou ali.
– Sim, Sr. Anderson. Com todo respeito, claro. – Respondeu.
Blaine sorriu meio acanhado.
– Pode me chamar de Blaine.
– Claro, Blaine. – Ela sorriu – O Sr. Evans... Digo, o Sam, ele era um grande homem. É injusto que pessoas como ele se vão enquanto pessoas como a Jane... – Ela olhou para o lado, parecia enojada.
– Não podemos julgar o que é justo nesse quesito, infelizmente. – Disse B.- Agora, a única coisa que podemos fazer é lembrar dele com amor e continuar o seu trabalho.
– Disso você pode ter certeza. Eu não deixarei que a Jane destrua o sonho dele, mas nunca. – Falou a garota.
Um alvoroço tomou conta da sala nesse momento, alguém parecia estar entrando.
– Não pode ser! – Disse Frida levantando-se.
– Calma, Frida. É melhor você... – Antes que B. terminasse, ela correu.
Frida foi até Jane Lohan. A senadora acabava de chegar.
– Fora daqui! – Gritou.
Todos olharam para ela. Inclusive Jane, que exprimia uma mistura de espanto e raiva em sua face.
– Como? – Perguntou a senadora.
– Isso mesmo que você ouviu. Fora! – Gritou – Fora! – Falou de novo meio soletrado.
– E com que autoridade você me expulsa desse local, garotinha? – Perguntou Jane exprimindo um ar de superioridade.
– Com autoridade da secretária e grande amiga do Sam. – Respondeu Frida.
Lohan riu um pouco de forma contida.
– Ah! A secretária. – Olhou bem nos olhos dela. – Faça-me um favor, saia da frente. Agora.
– Não. – Frida a encarava de igual para igual, não temia ela.
– Pobre criança, parece não ter medo de brincar com fogo e se queimar. – Jane a encarava com olhos cheios de maldade.
Frida então voltou a si, lembrou-se com quem falava. Um rosto de pânico tomou conta da garota.
– Melhor assim. O medo é algo que torna as pessoas prudentes. – Disse Jane e começou a caminhar até o corpo de Sam.
– Sua... – Frida virou-se rápido, levantou a mão e levou-a de encontro ao rosto da mulher.
– Chaga! – Burt gritou segurando a mão da secretária.
Jane olhou para trás e se assustou ao ver o pai de Kurt a segurando. A garota suspirava. Todos os outros logo haviam se aproximado.
– Mas...Como ousa?! – A senadora estava perplexa com a audácia de Frida.
– Vá embora, Jane. É melhor. – Pediu Burt.
A mulher bufou, fuzilou a todos com o olhar e saiu.
– Venha, Frida. – Burt a puxou a um canto.
A garota foi com ele, mas agora parecia mais assustada.
– Você acha que a Jane...? – Perguntou Marley a Blaine enquanto eles se distanciavam.
– Prefiro não pensar nisso por enquanto, Má. – Respondeu – Mas sim, é uma possibilidade.
Afastado, Burt conversava com a secretária de Sam.
– O que você tem a cabeça?! A Jane é perigosa, sua tolinha. – Falou repreendendo-a.
Nada a garota respondia, parecia em choque.
– Tudo bem, não fale nada. Mas cuidado com quem se mete! Sei que o Sam gostava muito de você e não ia querer vê-la ferida. – Disse e suspirou – Amanhã começa seu novo trabalho, em meu gabinete. – Falou o homem.
– Mas... No seu... Gabinete? – Perguntou ela nervosa.
– Sim. Amanhã, no mesmo horário. – Disse Burt e foi saindo.
– Ei! Espera! – Pediu Frida, mas o homem não deu bola a ela.
Sentou-se assustada e cheia de pensamentos. Sabia que não somente Jane era perigosa naquele lugar. Temia estar cada vez mais atolada em um ninho de cobras maior.
As horas se passavam, estava quase no momento do adeus final. Blaine se encontrava próximo ao marido, segurava sua mão fria e olhava para seu rosto. Sentiu uma mão em seu ombro e olhou para trás. Kurt estava ali.
Antes que B. pudesse pensar ou falar com ele, o homem o puxou e deu-lhe um abraço forte demorado.
– Eu sinto muito. – Disse a B.
– Eu não sabia que estava aqui.
– Vim assim que soube. – Falou Kurt.
Eles se soltaram. Logo Rachel chegou, era hora do último adeus.
Milhões de coisas passaram pela cabeça do solista, mas a única que ele conseguiu fazer foi se jogar por cima do corpo sem vida de Sam e abraça-lo. Abraçou corpo e a caixa de madeira que o envolvia. As lágrimas tomaram conta de seu rosto de novo. Era a última vez que B. veria o homem que mais amou, o homem de sua vida, seu mais lindo e puro sonho adolescente.
Rachel levou a mão ao ombro dele, B. olhou para trás. A mulher assentiu para uns caras ao lado e puxou Blaine levemente. Eles levaram o corpo.
Sam Evans foi enterrado. Fim.
Blaine voltou para casa, para o lar Anderson & Evans.
Puxou a gravata do pescoço, mas nada veio. Ele não se importou, pensou ter perdido em algum lugar. Tirou as roupas, todas elas, e se jogou na cama. As crianças não estavam em casa, poderia dormir nu. Mas o sono não veio, B. somente chorou.
Foi até a sala, o violão estava lá. Ele o pegou e acariciou. O instrumento carregava o cheiro do loiro. Será que um dia vou esquecer esse cheiro?, pensou B.
O solista levantou-se e ligou o som. Mais uma vez lembrou-se do loiro, pois tocou Unconditionally da Katy Perry. Puta que pariu, isso não é justo. Ele socou o som, que caiu quebrando-se.
Pegou o celular e colocou uma música. Era triste e de letra fácil. Chorou-a ouvindo, parecia ser feita para aquele momento. B. colocou-a de novo. Dessa vez, cantou.
So wicked
In the way he moves
Don't miss it
Do not be a fool
It's a long way
It's a long way home
Light inside of me
It ignites my bones
He comes to me in my dreams
And tells me what I need to know
He makes me feel so at ease
And guides me to the lights above
I just wanna fall into his arms tonight
Someone tell me I, I will be alright
Hold on tight
Remembering, I forever will
Surrendering, just to how we felt
It's a long way
It's a long way home
Light inside of me
It ignites my bones
He comes to me in my dreams
And tells me what I need to know
He makes me feel so at ease
And guides me to the lights above
I just wanna fall into his arms tonight
Someone tell me I, I will be alright
Hold on tight
And when it's all the thunder and rain
The cinema is fading away
I gotta make my way through the night
Holding on with all of my might
And when I'm lost, and I can't the find the way
I feel the pieces breaking away
Hold myself with all of my might
Don't let go
Just hold on tight
He comes to me in my dreams
And tells me what I need to know
He makes me feel so at ease
And guides me to the lights above
I just wanna fall into his arms tonight
Someone tell me I, I will be alright
Hold on tight
Ele suspirou ao fim. Então largou o celular e foi ao quarto. Seus olhos já pesavam muito, não dormia bem há duas noites. Deitou-se e dormiu de forma tão rápida que alguém poderia ter pensado ser um desmaio.
Do lado de fora do apartamento, Tina apertava a campainha.
– Blaine! – Gritava e batia na porta – Blaine! Blaine!
Ela veio ver o solista, checar se o amigo precisava de algo. Pensou logo no pior. Será que aconteceu alguma coisa? Ou ele fez alguma besteira? Bateu mais, porém ninguém apareceu. Ela então pensou em algo simples, tentou abrir a porta. A maçaneta cedeu para o espanto de Tina. Blaine não havia fechado o apartamento.
– Que louco. Poderia ter sido um ladrão. – Resmungou.
Tina entrou e fechou a porta. Viu o som quebrado no chão, então correu até o quarto.
Lá estava Blaine, dormindo calmamente. Um alívio tomou conta dela. Mas havia outro detalhe, ele estava nu. Ela aproximou-se devagar, apreciando tudo. Tina foi tomada por um pensamento sórdido. Suspirou e se afastou.
– Eu não posso. – Falou alto.
Virou-se e começou a caminhar, mas não passou da porta. Seu corpo queria algo que, em partes, sua mente também queria.
A asiática correu até a cama de Blaine e se despiu. Livrou-se de toda roupa e montou em cima do solista. De alguma forma ele se excitou, aquilo foi o suficiente.
Por uma noite, Tina teve tudo que queria e sentiu-se a mulher mais realizada e feliz do mundo.
Contudo, logo o dia chegou.
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