Fins e Recomeços

3 4.03 - Fatalidades


Notas iniciais
Santana e Dani continua juntas e muito apaixonadas. Marley volta a NY. Sam e Burt têm uma conversa decisiva. Brittany é pega de surpresa por uma notícia.

Santana e Dani continuavam pela estrada. Há doze anos haviam saído juntas cantando por ai como companheiras em tudo. Tinham apenas um trailer e um violão no começo e viajaram por diversos locais, fizeram vários amigos e se amaram. Não queriam vínculos, nem com locais, nem com pessoas, nem com o indústria da música. Ao contrário de Marley, que gravou álbuns e fez turnês, elas preferiam ser independentes e livres.

Era uma noite clara e cheia de estrelas, iriam fazer uma apresentação na praça de uma cidadezinha perto de Nova Iorque e estavam bem animadas.

– Pronta para mais tarde? – Perguntou Dani, que estava sentada em alguma espécie de sofá de seu trailer e afiava seu violão.

– Sim, hoje vamos cantar rap! Estou cada vez melhor nisso. – Disse Santie e aproximou-se – Quando vai me ensinar a tocar? – Sentou-se ao lado e cruzou as pernas enquanto olhava para a mulher.

Certas coisas nunca mudavam, assim foi com as duas. Dani continuava tingindo seus cabelos de loiro e Santana a mesma morena de cabelos pretos e longos de sempre.

– Sabe que já tentei e nunca deu certo. – Disse Dani rindo.

Ela levantou-se e guardou o violão, foi olhar para o céu que estava bem iluminado e cheio de estrelas. Ela sorriu. Santana foi para o seu lado, passou a mão por sua cintura e encostou-se em seu ombro.

– Que noite linda. Deve ser até pecado sair para trabalhar. Por que não ficamos aqui e ... – Desceu a mão e foi acariciando o corpo da mulher.

Dani riu e desaproximou-se de Santie.

– Não podemos, sua boba. Sabe que temos um compromisso e temos que cumprir. – Voltou a olhar para o céu pela janela do carro, ela estava pensativa.

– No que pensa? – Perguntou a morena.

Dani sorriu e pensou mais um pouco, então olhou para o céu e para a companheira.

– Sabe, Santie, estamos juntas há tanto tempo. Doze anos, não? – Caminhou um pouco – Estamos aqui, por perto de NY, e eu estive pensando em minha avó e nos sonhos que ela sempre teve para mim. Criticou-me no passado por eu não poder dar o herdeiro que me substituiria e cuidaria dos negócios dela. – Falou e foi se aproximando de novo da morena – Mas minha avó estava errada, eu posso dar a ela o que quer.

Santana sorriu e se perguntou se era realmente aquilo que Dani estava sugerindo.

– Estou com você esse tempo todo e não só como companheira de banda, como os mais inocentes pensam – Ela riu e levou as duas mãos a cintura de Santana – Acho que está na hora. Somos quase casadas mesmo.

– Dani, você está me pedindo para... – A latina corou.

Dani riu baixinho, nunca pensou em ver Santana envergonhada.

– Santana, você quer ter um filho comigo?

Santie não sabia o que fazer. Ficou dividida entre gritar ou pular de alegria. No fim, fez algo bem melhor. Ela agarrou a mulher de cabelos tingidos ali mesmo e a deu-lhe um beijo bem caprichado.

– Dani, eu... eu... – Falou após um beijo de forma violenta e demorada- Eu aceito! – rio – Geralmente, as pessoas pedem as outras em casamento, você foi além. – Rio de novo.

– Acho que já passamos da fase de casar. Essas convenções não foram feitas para nós! – Dani a abraçou forte – Eu te amo, obrigado por me ajudar a realizar mais um sonho.

– Eu prometo, vou fazer de tudo para torna-lo realidade. – Disse Santie encantada com a ideia – Eu também te amo, muito! – E a apertou nos braços também. – Agora vamos nos arrumar, temos um show para fazer e eu muito rap para cantar hoje.

Saíram juntas, ainda abraçadas.

Na hora do show, elas improvisavam um palco no próprio trailer mesmo, lá tinham tudo que precisavam. Santana e Dani estavam prontas e a música de abertura do show seria um rap, como a morena tanto havia mencionado querer cantar. Havia uma pequena plateia no local, elas esperavam ganhar alguns trocados. Não cobravam pelo show, só recebiam a quantia que deixavam ao final e quem quisesse deixar. Viam a música como um prazer que gostavam de dar as pessoas e achavam que elas deviam escolher se queriam pagar por ele ou não.

– Pronta? – Perguntou a latina a mulher.

– Ao seu lado, eu sempre estive. – Respondeu Dani e sorriu, ligou o aparelho de som e começou.

Dani:

Get on your knees, get on your knees, get on your knees

Baby, just get on your knees

Say pretty please, say pretty please, say pretty please

Baby just say pretty please

Santana:

I'll be back at 11, you just act like a peasant

Got a bow on my panties because my ass is a present

Yeah it's gooder than meagan, you look good when you're beggin'

I be laughing when you beggin' me to just put the head in

Let me sit on your face, it's ok you can play with it

When I'm bouncin' it chill out and don't you make a mistake with it

Let me see what you're workin' with, if I'm ridin', I'm murkin' it

Slow grindin', I'm twerkin' it, yeah I bagged him, I birkin'd it

Dani:

I don't need a dozen roses

You ain't gotta wine and dine me, no

I don't need a pretty poet

Oooh, gettin' all emotional

You gotta beg for it, beg for it

I wanna see you lookin' up

Baby I'ma need you to beg for it

Get on your knees, get on your knees, get on your knees

Baby, just get on your knees

Say pretty please, say pretty please, say pretty please

Baby just say pretty please

Santana:

Gimme brain, assume the position

Make me way smarter like you was a magician

Paid my dues and tuition, it's good for your nutrition

Get head like a beautician, got me twitchin', finish your mission

You make it cum down, you make it run down

I'ma need you to give these other dudes the run down

You got that legendary, this shit is fake, scary

Got me seein' them fireworks, I'm on my Katy Perry

Dani:

I don't need a dozen roses

You ain't gotta wine and dine me, no

I don't need a pretty poet

Oooh, gettin' all emotional

You gotta beg for it, beg for it

I wanna see you lookin' up

Baby I'ma need you to beg for it

Cause we are just animals

Baby it's primal

I want you on all fours

And before I let you walk, you gotta show me how you crawl

If you want it all

It's non negotiable

So do as I say

If you wanna get the job, you better know who's the boss

I don't need a dozen roses

You ain't gotta wine and dine me, no

I don't need a pretty poet

Oooh, gettin' all emotional

You gotta beg for it, beg for it

I wanna see you lookin' up

Baby I'ma need you to beg for it

Get on your knees, get on your knees, get on your knees

Baby, just get on your knees

Say pretty please, say pretty please, say pretty please

Baby just say pretty please

Dani olhou para a morena assustada com sua performance, Santana parecia melhorar a cada apresentação. Mesmo por volta dos trinta, ela tinha a vitalidade e entusiasmo de quando adolescente. Elas continuaram.

Cantaram e dançaram e, ao fim, conseguiram um bom dinheiro. Agradeceram a todos e foram para o seu ninho de amor. Santana estava muito cansada, logo que chegou deitou-se e tratou de se envolver com muitas cobertas, a noite estava fria. Dani estava no computador, precisava checar alguns e-mails e resolver pendências.

– O que será isso. – Havia um e-mail diferente em sua caixa de entrada – Não pode ser, é da minha avó! – Disse feliz. Desde que saiu de casa, ela quase nunca havia feito contato com a neta. – O que será que ela quer? – Pensou e abriu.

A reação não poderia ter sido pior, ela deixou o computador cair do colo para baixo da cama. Ficou imóvel por um tempo, em seguida desmaiou. Santie levantou-se de um pulo.

– Dani, Dani! – Gritava enquanto dava pequenos tapas em seu rosto – Acorda, meu amor, acorda, por favor. – Dizia enquanto tentava reanimar a companheira, Santie estava bastante nervosa.

Ela viu o computador caído, então o pegou e leu o e-mail. Levou a mão a boca e emitiu uma expressão de espanto e de tristeza. Era uma notícia muito triste, agora entendia a reação da mulher. A segurou em seus braços e beijou sua face. Dani parecia recobrar a consciência.

– Vai ficar tudo bem, eu prometo. – Disse baixinho enquanto a aninhava em seus braços.

Marley arrumava sua mala. Ela estava em um quarto de hotel escuro, apenas pouca luz saia de uma brecha qualquer do cômodo. A mulher vestia um vestido preto com luvas também da mesma cor. No pescoço carregava um colar de pérolas brancas e no peito uma enorme dor. Fechou a mala e saiu do quarto, tinha uma cara não muito feliz. Trancou tudo e desceu a recepção, entregou a chave e partiu.

Má pegou um avião, era hora de voltar e ver velhos amigos. Relembrar o passado talvez não a fizesse bem, mas só ao lado deles conseguiria apoio e palavras de conforto.

Demorou algum tempo, para ela um eternidade. O avião chegou, aterrissou em Nova Iorque. Marley desceu e lá estavam seus amigos. Blaine e Sam traziam consigo o casal de gêmeos, a amiga nunca os tinha visto e seus olhos se encheram de lágrimas no exato momento em que colocou o olho sobre eles. Lembrou-se do filho que ela mesma tirou de si, aquelas lembranças sempre vinham a sua mente nos últimos anos em que esteve casada com Ryder. Por causa do aborto que realizou no passado, ela não poderia mais ter filhos e aquilo a tirava o sono. No último ano, pretendia adotar com uma criança com o marido, mas isso antes de toda a fatalidade.

– Posso abraçar vocês? – Ela se aproximou e perguntou se dirigindo a David e Michael. Ainda tinha os olhos marejando.

Os dois olharam para Blaine e Sam, que assentiram. Então abraçaram Marley, que demorou um pouco para solta-los. A mulher levantou-se, agora era hora de falar com os antigos amigos.

Marley estava um pouco abaixo dos trinta anos, tinha os cabelos mais curtos que no colegial, mas já pintados de preto e continuava se dedicando bastante ao corpo, já que tinha que ter preparo físico para enfrentar o palco. Ela olhou para Blaine e Sam, que pareciam não ter mudado nada, com exceção da barba mais longa do loiro e dos cabelos um pouco maiores e sem gel do solista. Sorriu e os abraçou, deram um abraço triplo e apertado.

Ao fim do abraço, Blaine olhou para amiga, mal sabia como tocar no assunto.

– Eu sinto muito. – Disse então – Quando recebi a ligação, juro que não acreditei. Nunca pensei que algo assim pudesse acontecer.

Marley parecia não querer falar sobre aquilo, não ali. Somente assentiu com a cabeça.

– Onde está a Mag? Não a vejo. – Disse procurando a caçula da família Anderson & Evans.

– Ela não veio, a Tina ficou cuidando da Mag em casa. Ela é pequena, mas é uma pestinha. – Disse Sam, tentando descontrair um pouco.

Marley quis rir, mas algo parecia prende-la.

– Então, vamos para casa? – Perguntou a mulher.

– Sim, claro. Venha, o carro está ali. – Disse o loiro.

Saíram do aeroporto e logo chegaram ao apartamento do casal. Entraram no lar e Mag estava brincando de boneca com a madrinha, as duas pareciam se divertir bastante. Aos ver os pais, ela correu e abraçou cada um. Blaine a pegou no colo.

– Mag, essa é a tia Marley, ela vai passar um tempo com a gente, meu amor. – Disse apresentando a amiga a filha.

– Olá, Mag. – Marley então sorriu de forma alegre pela primeira vez. – Posso? – Estendeu os braços a Blaine, pedindo para segurar a garota.

– Claro. – B. sorriu e entregou a filha.

As duas pareciam se conhecer de longa data e logo se tornaram amigas.

Após um tempo, as crianças saíram e foram brincar, então os adultos se acomodaram todos na sala. Era hora de Marley falar.

– Aconteceu há um mês. – Disse a mulher enquanto era observada por todos – Eu não tive coragem de falar a ninguém, só eu e a família dele sabíamos. Eu fiz de tudo para esconder da mídia, até cancelei meu sétimo álbum que sairia logo. Saí de férias para a imprensa, mas estivesse sempre ali, em Vegas. Aquele lugar me fazia lembrar dele e de momentos que jamais quero esquecer. – Ela abaixou a cabeça – Sabe, eu nunca fui tão feliz. Ele me mostrou que eu podia se tudo que quisesse, tudo que sempre sonhei. O Ryder me apoiou sempre, mas justo na hora quando precisou de mim... – Má desabou em lágrimas, já não podia mais suportar aquele peso.

– Vai ficar tudo bem, não foi sua culpa. – Disse Blaine que foi para o lado da amiga e fez com que ela se apoiasse em seus ombros – Não precisa continuar, se não quiser.

– Mas eu preciso. – Falou ela e levantou-se, limpando o rosto – Eu me escondi durante um mês, foi tempo demais. Não posso mais omitir o que ocorreu. – Ela respirou fundo – Nos últimos oito meses, ele estava estranho. O Ryder andava falando só e coisas que não condiziam com a realidade. Eu estava terminando a última turnê, então não dei muita atenção aquilo, embora estivesse preocupada. Pedi a minha equipe que visse um médico para o meu marido, mas ele disse a eles que não e eu não me impus. – Disse ela com um olhar cheio de dor – O tempo passou e a turnê acabou, mas eu já deveria pensar no próximo álbum. Ele mesmo, como empresário, me aconselhou isso. Foi o que eu fiz. — ´Má suspirou – Quando eu me dei conta, ele já estava completamente louco. – Ela voltou a chorar – O Ryder falava só e até mesmo se mutilava, algumas vezes. Teve um dia que ele viu coisas, mas não as explicou bem. Só disse que elas o mandaram me fazer mal e que ele não podia. – Levou a mão a cabeça – Eu o levei ao médico. Para mim, ele estava claramente esquizofrênico. Mas foi bem pior, ele foi diagnosticado com algum transtorno mental raro. Então começou a se medicar, mas a doença não regrediu muito. Ele estava estável. – Marley deu uma pausa. Sam foi a cozinha e trouxe um copo de água, ela bebeu um pouco e continuou – Eu havia parado com o meu álbum, então decidi voltar, pensei que ele já estivesse bem. Foi aí que me enganei. – A crise de choro voltou, Má começou a soluçar – Não dei novamente atenção a ele, o Ryder parou de tomar a medicação. Um dia, a gente viajou, eu ainda não sabia disso. Então ele me confessou e ainda disse mais. Disse que vozes o mandavam me fazer mal e que ele não podia, que não resistiria mais. Eu chorei e disse que tudo ficariam bem, que quando voltássemos iríamos ao médico de novo e ele iria ficar bom. Não houve volta – Marley olhou para a parede nesse momento, era como se lembrasse daquele dia e tudo passasse ali como um filme – Naquela madrugada, o Ryder abriu a janela e se jogou. Acordei com o vento batendo-as. Havia um bilhete ao lado da cama: Eu não poderia deixa-las te fazer mal. Eu te amo até o fim, até a eternidade, para sempre. Fui a janela e ele estava lá, em volta de uma poça de sangue e ... – Ela suspirou após um longo soluço – O corpo bem deformado pela queda. Como era um lugar grande, dei um jeito de abafar, mas já era impossível se esconder. O Ryder está morto. – Ela se jogou nos braços de Blaine – O homem que mais amava se foi, o meu marido, amante e companheiro para todas as horas. Nós estávamos casados há tão pouco tempo... Planejamos uma vida inteira juntos – Disse ela ainda chorando.

E então chorou. Por alguns minutos, foi só o que Marley fez.

– Eles se casaram há sete anos, não foi? – Perguntou Tina a Blaine, que assentiu confirmando aquilo.

– Acho melhor você descansar um pouco, pode ficar no quarto da Mag. – Disse Sam – Eu tenho uma reunião mais tarde com o Burt, mas o B. cuidará bem de você, irmãzinha – Disse ele e sorriu, lembrando-se dos velhos tempos.

Tina e Blaine a acompanharam. Sam tinha que preparar o escritório, ele estava triste por Ryder, mas tinha seus próprios fantasmas para se preocupar no momento. E um deles estava bem vivo e se chamava Jane Lohan, sua pior inimiga e a mulher mais homofóbica que o loiro já havia conhecido.

Mais tarde, em seu escritório, Sam se reuniu com Burt. O pai de Kurt foi avisado pela secretária do loiro, eles precisavam de uma ideia para derrotar a Senadora Jane.

– Então, você acha que podemos ganhar essa? Seja sincero, Burt. – Perguntou o bocudo um pouco apreensivo e cheio de medo da resposta.

O homem pensou um pouco, a votação do projeto de lei seria em alguns dias e a campanha de Sam na internet, aos poucos, ganhava a massa e obtinha mais adeptos. Ainda assim, eram poucos. Burt estava incerto com relação a aquela estratégia.

– Sam, acho que vamos perder essa. O tempo é pouco e a Jane já vinha trabalhando com isso há muito. Nunca pensei que ela pudesse ser tão ardilosa e convencesse mais da metade de nós a ficar do seu lado. Cada vez mais, as pessoas param de pensar com a razão e deixam outras questões, como a fé, interferirem em coisas que não dizem muito respeito a elas. – Burt parecia decepcionado.

– Entendo. – Falou Sam – Mas ainda não vou me deixar derrotar. Não vou deixar que as ideias da Jane interfiram na minha vida e na de milhares de pessoas em nosso país. Isso não deveria ser sobre a fé das pessoas, mas sim sobre a vida e felicidade de uma minoria que foi por muito tempo negligenciado por nossos governantes. Se é que ainda não é. – O loiro suspirou.

Burt aproximou-se e pôs a mão no ombro de Sam, que sentava-se em uma poltrona ao lado de uma estante de livros.

– Calma, talvez não seja possível nós resolvermos isso pelos meios legais – Burt então ficou de pé também e levantou um pouco da camisa, deixando à mostra algo que fez o loiro empalidecer.

Sam olhou para o homem em sua frente e não o reconheceu. Nunca pensou em uma proposta tão suja vindo daquele que ele mais admirava na carreira política e em quem mais se espelhou.

– Guarde isso agora, Burt. – Sam estava bravo e exprimia isso na voz – Não acredito que você está realmente sugerindo algo assim. Guarde essa arma.

Burt voltou a cobri-la com a camisa.

– Você não percebe, não é? Nós perdemos essa, a não ser que ajamos logo, nós perdemos. – Ele balançou a cabeça– Sabe por que eu entrei nessa? Pelo meu filho. Ele agora está casado e me ligou assim que soube sobre esse novo projeto de lei. Sabe o que me disse? Pai, você não vai deixar ela conseguir, não é? Confio em você, na sua luta. Eu amo você. – Burt voltou a sentar e levou as mãos à cabeça, chorava baixinho. – Não posso decepcionar o Kurt.

Sam voltou a sentir tristeza, e pena. Burt sempre pareceu tão forte, vê-lo chorando o fez perceber o quanto aquela mulher estava mexendo com as pessoas. Caminhou até o amigo e colocou a mão sobre seu ombro, dessa vez era ele quem tinha que ajuda-lo.

– Eu também tenho uma família, Burt. E ela está ameaçada. – Agachou-se e olhou nos olhos do amigo – Nós vamos conseguir essa, mas não dessa forma violenta. Acabar com a Jane dessa forma poderia ter um efeito reverso, não pensou nisso?

– Como assim? – Burt o olhou confuso.

– As pessoas poderiam se sensibilizar e interceder pelos ideias dela no senado. Nós seríamos vistos como monstros e ela como uma mártir, que morreu lutando pelos seus ideias.

Aquilo foi como um balde de água fria no velho homem. Ele não havia pensado por essa lado. Estava prestes a estragar tudo e não teria se dado conta, se não fosse pelo bocudo.

– Sim, você tem razão. – Burt balançou a cabeça, livrando-se de todos aqueles pensamentos – Onde eu estava com a cabeça. – Levantou-se então e olhou para Sam, sentia orgulho do amigo e pupilo. Abriu os braços – Venha, me dê um abraço!

Sam sorriu e abraçou o velho companheiro.

– Obrigado por me ajudar. Você é um grande homem, Sam Evans. – Disse Burt Hummel. – Acompanha-me até a porta? Preciso ir.

E assim o loiro fez. Na porta, Burt deu de cara com Blaine.

– Burt! – B. cumprimentou o ex-sogro com um abraço – Então, como vai você? E o Kurt? É verdade que ele se separou do Adam?

– Eu vou bem, estou indo pegar a Carole agora, ela foi ver a neta. – Respondeu o homem – E sim, o Kurt separou-se do Adam. – Burt riu – Como você sabe, ele morou com o rapaz por um tempo, enquanto se graduava. Então casaram-se e continuaram morando no Canadá, mas, por algum motivo que não conheço, eles se separaram. O Kurt voltou e foi morar em Lima e agora é professor de artes. Lá, encontrou um outro cara e está casado de novo. Pretendiam adotar uma criança agora, mas graças a Jane, eles temem fazer isso. – Falou o homem com um pouco de raiva e tristeza ao lembrar desse detalhe.

– Aquela mulher não tem sentimentos, nem família. – Disse Blaine – Contudo, tenho certeza de que você e o Sam vão conseguir resolver isso. – Olhou para o marido e sorriu – Ela não vai destruir nossas famílias.

– Não vai, eu mesmo vou me assegurar disso! E que ninguém fique em meu caminho, pois o chumbo da artilharia que guardo para ela pode respingar em qualquer um que se pôr no meio – Falou Burt, sorrindo também. – Agora, preciso ir. Depois nos falamos. – Cumprimentou o solista e se foi.

O loiro teve calafrios ao ver Burt sorrir. Talvez, para Blaine, aquele sorriso não tenha significado nada. Mas a forma como o pai de Kurt falou foi fria e Sam pode sentir um pouco de maldade ali. Temia que não tivesse o convencido por completo e que ele tentasse algo contra Jane. Aquilo seria uma monstruosidade e ainda por cima péssimo para eles.

– Alguém problema, amor? – Perguntou B. ao ver o bocudo pensativo ali na sala – Podemos jantar?

– Oi? – Perguntou Sam, voltando a si – Sim, claro que podemos. – E sorriu. Depois aproximou-se e abraçou o solista – Só tenho que fazer uma ligação antes. Pode ir pondo a mesa, meu amor? – Perguntou gentilmente.

assentiu e foi.

O loiro pegou o celular e discou o número de Frida. Ela tinha muitos contatos e poderia ajudá-lo. Depois de Marley, ela era a mulher com quem mais ele poderia contar e em quem mais confiava.

– Alô, Frida? – Ela atendeu – Preciso de sua ajuda, preciso da ficha completa de um político, de todas as mancadas. Será que você pode conseguir? — Ela confirmou do outro lado da linha – Ótimo. Não posso falar por telefone o nome dele, depois nos falamos melhor. Beijo, até mais. – Desligou.

O loiro temia estar traindo um velho amigo, mas precisava saber quem realmente era Burt Hummel. Custasse o que custasse.

Blaine chamou, o bocudo saiu e foi jantar. Embora tivesse um grande embrulho em seu estômago e um enorme número de desconfianças em sua cabeça.

Na casa de Rachel, Brit estava em sua preparação física. Tudo havia dado certo, ela agora era a nova dançarina da mãe de Vick. Todos os dias treinava para entrar em forma, sempre duro e focando no trabalho.

Ela saia da academia da mansão Berry quando foi chamada por um empregado. Rachel solicitava a presença de Brittany em seu quarto, ela foi.

Chegou o mais rápido que pode, aproveitou para correr um pouco e reforçar o treino.

– Mandou me chamar? – Perguntou a loira suada ao chegar ao nos aposentos da amiga.

– Sente-se, por favor. – Rach falou calmamente, apontando para uma poltrona que havia ali perto. – É um assunto um pouco delicado.

Brit sentou-se, mantinha os olhos fixos em Rachel e em suas feições. Perguntava-se no que ela pensava.

– O que houve? Está me preocupando.

– O quanto ainda gosta da Santana e o quanto está disposta a lutar por ela? – Perguntou Rachel sem pausa alguma.

Brittany franziu o cenho, não entendeu o porquê do questionamento, mas respondeu.

– Eu ainda amo, amo muito. – Disse a loira – Mas nada é mais precioso para mim do que minha liberdade. Nunca faria nenhuma loucura por ela de novo, se é isso que quer saber. – Respondeu.

Berry sorriu.

– Ótimo – Ela estava sentada em sua cama, então levantou-se – Santana está de volta, junto de Dani. A avó dela morreu, mais uma fatalidade a se acrescentar nesses últimos tempos. Pergunto-me quem será o próximo... – Disse e suspirou. Viu um brilho no olhar de Brittany – O que ela precisa é de apoio, não de mais confusão nesse momento, Brit. Por favor, respeite o luto da Dani. – Pediu.

A loira quis sorrir, mas não estava totalmente feliz. Embora estivesse vindo, Santie não era dela. Estava com outra mulher, com quem passou os últimos doze anos de sua vida. Seria possível ela perdoa a loira? Ou até mesmo ainda amá-la de alguma forma? Tudo isso passou pela cabeça dela.

– Pode deixar, Rachel. Eu não vou aprontar nada. – Disse, finalmente.

– Ótimo. – Rachel parecia satisfeita.

– Posso usar seu estúdio? É que me deu vontade de cantar.

– Claro, fique à vontade. Você já sabe onde é.

Brittany saiu. Era como se ela fosse uma vela há muito tempo apagada e tivessem voltado a acende-la. Seu amor queimava em seu peito e podia sentir de novo o cheiro de Santana e ver todos os seus contornos. Até dos pequenos defeitos da morena, Brit lembrava. Riu com essa lembrança. Por menor que fossem suas chances, elas ainda existiam. As duas tinham uma história juntas, isso ninguém tomaria dela, nem mesmo Dani com quem Santana passou os últimos anos de sua vida.

Chegou ao estúdio, estava cheia de sentimentos e queria cantar sobre.

I need your love

I need your time

When everything's wrong

You make it right

I feel so high

I come alive

I need to be free with you tonight

I need your love

I need your love

I take a deep breath everytime I pass your door

I know you're there but I can't see you anymore

And that's the reason you're in the dark

I've been a stranger ever since we fell apart

And I feel so helpless here

Watch my eyes are filled with fear

Tell me do you feel the same

Hold me in your arms again

I need your love

I need your time

When everything's wrong

You make it right

I feel so high

I come alive

I need to be free with you tonight

I need your love

I need your love

Now I'm dreaming, will I ever find you now?

I walk in circles but I'll never figure out

What I mean to you, do I belong

I try to fight this but I know I'm not that strong

And I feel so helpless here

Watch my eyes are filled with fear

Tell me do you feel the same

Hold me in your arms again

I need your love

I need your time

When everything's wrong

You make it right

I feel so high

I come alive

I need to be free with you tonight

I need your love

I need your love

All the years

All the times

You have never been to blame

And now my eyes are open

And now my heart is closing

And all the tears, all the lies, all the waste

I've been trying to make a change

And now my eyes are open

I need your love

I need your time

When everything's wrong

You make it right

I feel so high

I come alive

I need to be free

De longe, Rachel ouviu a dançarina cantar sobre o que sentia. Não sabia de quem sentia mais pena, Brittany ou Santana. Temia por Dani, mas não tinha muito a fazer, a não ser acreditar na palavra da loira.

– Será, Rachel? – Perguntou a si mesma – Espero não estar dando um tiro no escuro, ou em um amigo. – E suspirou.

Notas finais
Músicas: Get On Your Knees (feat. Ariana Grande) - Nicki Minaj I Need Your Love (feat. Ellie Goulding) - Calvin Harris É isso aí, pessoal. Amanhã tem mais. Espero que estejam gostando da história. Manifestem-se, deixem seus comentários! Abraços e boa leitura!