Finding Each Other

11 Love is repaid with love


Notas iniciais
Apenas o meu MUITO OBRIGADA a tds os leitores/as que têm acompanhado esta fic e deixado os seus comentários de apreciação, que sempre me deixam com um sorriso rasgado na cara lol. Sério, voi ficar com rugas assim =P Mas são de felicidade, n faz mal.
Boa leitura!!!! =)

Regina se debateu contra o beijo apenas por breves segundos, até sentir a língua quente da loira exigindo a sua entrada de forma autoritária. As sensações que inundaram a mente e o corpo da Mayor eram indiscritíveis. Estava com tanta raiva da mulher de mechas loiras que não conseguiu evitar mordê-la com força no lábio inferior, o mais carnudo dos dois, mas isso apenas pareceu incitar mais às investidas da Sheriff. Emma estava tomada de uma ansia tão grande de provar o seu ponto de vista à morena, fosse ele qual fosse, que ao sentir os dentes da outra no seu lábio só teve vontade de lhe bater. Mas mais uma vez, em vez disso, apenas assentou a sua mão de forma pesada e bruta na coxa da outra, apertando-a, e trazendo-a ainda mais para junto do seu próprio corpo. Emma ardeu, não sabia se de fúria ou de tesão, ao sentir a coxa despida da Mayor na sua mão. Só aí se deu conta que a mulher estava usando uma saia que deixava muito espaço de manobra para movimentações conturbadas.

Regina agarrou o pescoço da loira, da mesma forma possessiva que fizera na maldita noite anterior. Deixou que a sua língua agisse por vontade própria e continuou intensificando aquele beijo entrecortado com meias mordidas e chupões na boca da outra. Podia sentir a mão de Emma queimar sobra a carne da sua coxa e o desejo ressurgir dentro dela como um vulcão em vias de erupção. Não sabia se continuava com raiva daquela mulher completamente intoxicante e linda …. “Quê?”, Regina gelou ao pensar. Todas as respostas às investidas da loira foram de súbito interrompidas. Regina ofegava, perturbada.

Emma, persentido o que tinha acontecido com a morena, temeu o pior. Assim que notou a ausência dos lábios da outra se mexendo contra os seus, ela olhou para a cara da mulher. Regina olhava para ela num misto de autêntica perturbação e medo. Apesar da morena ter parado com os beijos, não parecia fazer intenção de se desenrolar da posição em que as duas mulheres se encontravam. Emma, apesar de continuar segurando a coxa roliça da morena contra si, não deu sinais que fosse continuar com o assalto que estava cometendo momentos antes. As duas se olharam, e o que a loira conseguiu vislumbrar nos olhos da outra deixaram-na sem palavras, rendida: era a mesma mulher, que na noite anterior, se havia entregado para ela de corpo e alma.

– Regina … — a loira sussurrou emocionada. A morena desceu os braços que estavam no pescoço da outra, passando pelos ombros, até chegar com ambas as mãos, uma de cada lado, nos bíceps da loira. Regina sentia-se exausta, completamente esgotada de fingir não ver o que estava diante de si. Olhou intensamente para as esmeraldas, que camuflavam um safira luminoso, que eram os olhos da mulher à sua frente. Reparou que tinham um brilho diferente, em parte, provocado pela água que submergia de emoção de dentro deles. Podia ver, em simultâneo, tanto a sua própria imagem refletida nas pupilas circulares da loira, assim como toda a emoção que Emma estava sentindo e que se distribuía por todo o globo ocular desta. A respiração da Mayor acelerou mais, se é que isso era possível.

– Porquê estás fazendo isto? – a morena perguntou, com todo o vestígio de batom desaparecido da sua boca molhada e vencida. A loira ofereceu o sorriso mais límpido e maravilhoso com que alguma vez Regina havia tido a felicidade de ser brindada.

– Porque eu te encontrei. – Emma falou, com a mesma emoção que transbordava dos seus olhos. – E porque eu já não tenho mais medo. – e a tornou a beijar, com a diferença que desta vez, o beijo era suave, carinhoso e sem pressa.

A morena, antes de conseguir assimilar o significado daquelas palavras, já estava perdida novamente nos braços da outra mulher. Derreteu na delicadeza do beijo que lhe devolvia, lentamente, um sentimento tão profundo e apagado pelo tempo, que perdera a noção que ainda podia existir dentro dela. Emma, ao mesmo tempo que dedicava atenção aos lábios da morena, acariciava a coxa macia que continuava repousada na sua mão. Por sua vez, Regina, respondia aos carinhos da Sheriff levando uma mão às mechas loiras da mulher e afagando-lhe a parte de trás do pescoço, tocando com um dos dedos a orelha da outra. A outra mão da Mayor desceu para a cintura de Emma, fazendo o enorme favor às duas de aproximar ambos os corpos um do outro, o máximo permitido pelas camadas de roupa que ainda as separava. Foi quando o beijo tornou-se mais urgente e mais apressado, e enquanto a mão da loira subia, por baixo da saia, até à virilha da outra mulher, que Regina com dificuldade se separou de Emma. A morena dirigiu o olhar novamente para os dois olhos brilhantes, mescla de águas salgadas e doces, que estavam postados a milímetros dos seus. E inesperadamente, a mulher de pele morena, e agora também levemente corada, sentiu a sua boca contorcer-se num sorriso doce e sincero.

– Emma. – a loira sorriu ao ouvir a morena chamá-la assim. Regina tentou recuperar o fôlego que os beijos previamente divididos com a loira lhe haviam arrancado. Olhou para a boca da outra mulher, igualmente ofegante, e voltou a concentrar-se novamente nos olhos desta. – Não devemos continuar com isto. – a loira ficou desiludida no mesmo instante em que ouviu aquelas palavras. Largou a coxa da Mayor, ainda com delicadeza, e fez intenção de se afastar, mas foi impedida pela morena que a manteve no lugar, com firmeza. – Não devemos continuar com isto, aqui, na cozinha. – esclareceu com um olhar gracioso, ao ver a desilusão estampada no rosto da outra. Emma levantou o semblante, porque não dizer, aliviada, e assentiu com a cabeça.

– Henry. – a loira lembrou, percebendo que não era altura nem lugar para aquilo. Regina confirmou e aproximou-se da boca da loira, depositando ali um breve selinho.

– Agora, — a Mayor fez uma pausa e sorriu de forma sedutora, com toda a pompa e circunstância da realeza. – Porque não me ajuda com o almoço? – Oh, Emma pensou, aquela mulher iria ser a sua perdição, tinha a certeza. Separaram-se por breves segundos, a loira dando livre passagem à morena para voltar para junto da mesa, mas logo a seguiu de perto, pronta para receber indicações sobre o cardápio do almoço. O almoço que as duas mulheres degustariam juntas, na companhia do menino que era filho de ambas.

*** *** *** ***

Belle acabava de se vestir diante do espelho de corpo inteiro, no quarto, enquanto Mr.Gold saía do banheiro para se juntar a ela.

– Que me diz de almoçarmos no Granny’s? – Gold perguntou à mulher dando-lhe um beijo rápido no pescoço. A morena virou-se para ele.

– Acho ótimo. – ela sorriu para o homem. – Mas antes tenho de passar na livraria para pegar minha bolsa que deixei lá. – Gold preparava-se para argumentar, mas Belle cortou-o. – E não adianta dizer que não é preciso porque é você quem vai pagar, porque eu insisto. Rumple, é o mínimo que posso fazer, já que tem sido você a pagar sempre tudo. E agora com o emprego na livraria, você não tem como argumentar. – a morena sorriu ainda mais para ele, decidida e não dando qualquer margem para ser contrariada. Mr.Gold assentiu, sorrindo também.

– Nesse caso Belle, me deixe acompanhá-la até lá. – ofereceu gentil.

– Não é necessário, eu vou num pé e volto no outro. Aliás, porque não nos encontramos no Granny’s ? Você pode ir vendo o que tem de gostoso na ementa. – a mulher aproximou-se do homem e deu um beijo carinhoso na bochecha dele.

– Tudo bem, mas não se demore … — Gold manteve a mulher no lugar com uma mão na cintura desta e completou preocupado. – E tenha cuidado, está bem? – a morena acenou com a cabeça assentido, e sorrindo, saiu do quarto.

Seguindo caminhos cruzados, Mr.Gold dirigiu-se para o restaurante, enquanto Belle chegava na livraria.

*** *** *** ***

O casal Charming falava animadamente com Ruby, aproveitando a hora para fazer o seu pedido para o almoço.

Assim que se aproximou da entrada do restaurante, a chegada de Mr.Gold fez se notar pela garçonete que logo fez sinal para os amigos.

– Parece que não vão ter de esperar mais. – Ruby falou para o casal. Gold cumprimentou à distância o trio ao balcão e dirigiu-se para uma mesa.

– Vamos lá averiguar com Rumpelstiltskin se não tem dedo dele nessa história. – disse David levando a esposa pelo braço até junto da mesa onde o homem se sentara. Gold, ao ver o casal se aproximar, olhou curioso para eles.

– A que devo a honra, Vossas Majestades? – perguntou irónico e levemente divertido.

– Deixa-te disso Gold. – era a voz de Snow que cortava com o falsos formalismos. – Queremos saber sobre Cora. – O homem fechou o sorriso trocista que tinha momentos antes e levantou o cenho, sisudo.

– Minha cara Snow, e o que é que lhes faz pensar que eu sei de algo? – dirigiu o olhar para ambos os Charmings, de forma contemplativa. David foi o primeiro a responder ao outro.

– Sabemos que ela veio para Storybrooke com o pirata, e como toda a gente já sabe, ele já tentou atacar Belle uma vez. – ao ouvir aquilo, Rumpelstiltskin sentiu os músculos da face se contorcerem em raiva.

– Mr. Nolan, e acha que tendo em conta isso, eu estaria pensando em fazer algum tipo de aliança com Cora? – David e Snow olharam um para o outro intrigados, mas voltaram a encarar o homem de porte aristocrata, com ar duvidoso. – Por favor, eu tenho mais do que fazer do que tentar elucidar o nobre casal sobre minhas atuais motivações. – e com isso, Gold fez sinal à avó de Ruby que estava passeando entre mesas e pedidos. A senhora se aproximou da mesa dele. – Agora se me dão licença, eu gostaria de ver o cardápio para o almoço, de preferência em paz. – e virou-se para Granny, pegando na lista de pratos do dia, que a senhora lhe oferecera.

*** *** *** ***

Belle, após alguns minutos procurando pela bolsa, se dirigiu para a porta da livraria para sair. Antes de conseguir chegar com a mão na maçaneta da porta, algo frio e rijo a puxou pelo braço, virando-a.

– Senti sua falta queridinha! – era a voz de Hook, que a agarrava bruscamente com o gancho. A morena entrou em pânico, ao tentar, sem sucesso, desprender-se do homem indecente.

– Rumpelstiltskin!! – gritou, desesperada, mas o pirata logo lhe tapou a boca com a mão, abafando os gritos.

– Seu amor não virá em seu auxílio desta vez. – ele chegou a boca perto do ouvido da mulher, e em tom galanteador, acrescentou. – Eu prometo. – Belle se debateu contra as investidas daquele homem, na opinião dela, asqueroso. Só desejava com todas as forças do seu ser que Rumple pudesse ouvi-la, mas não conseguia desfazer-se da mão de Hook. O homem, por sua vez, encostou-a contra um armário ali perto e prensou-a contra o móvel, impedindo-a de se mover. Foi quando, de repente, o ambiente foi invadido por uma nuvem de fumo, roxa.

– Se eu te apanho perto de Belle mais uma vez, eu te mato. – era a voz de Gold que ecoava pelo ambiente. Logo que o fumo se dispersou, o pirata se viu jogado contra o outro lado da sala por uma força invisível. – Sai, agora! – Rumple ordenou ameaçadoramente, enquanto segurava Belle nos braços. O capitão não viu outra alternativa a não ser fazer o que lhe haviam mandado. Refez-se do ataque sofrido, endireitou-se e passando pelo casal, levou a mão à maçaneta da porta, mas não sem antes largar uma ameaça no ar.

– Isto não fica assim. – e saiu pela porta da livraria.

Gold afastou alguns centímetros a mulher de si, verificando se não havia sinais de violência no corpo dela. Belle estava com um olhar atónico, mas não parecia ferida.

– Como, como … — ela não parecia capaz de terminar o raciocínio. O homem segurou-lhe o rosto com ambas as mãos e tentou tranquilizá-la.

– A adaga. – apenas essa palavra e tudo se esclareceu na mente de Belle. Então era isso! Ela havia convocado através do poder da adaga, agora metamorfoseada em anel, o Senhor das Trevas. Estremeceu.

– Está tudo bem Belle. – Gold apertou-a num abraçado que prometia todo e qualquer tipo de segurança, depositada ali, no dedo da mulher, e oferecida pelo coração do seu amor verdadeiro.

*** *** *** ***

O almoço na mansão Mills.

Em circunstâncias normais, isso seria apenas um acontecimento desinteressante e aborrecido, típico da vida real. Mas este almoço, naquela tarde de Sábado, tinha uma convidada especial: Emma Swan. E esse fato, fazia toda a diferença. Isso, e a perna nua da Mayor debaixo da mesa, roçando levemente na perna da loira.

– Está gostando Miss Swan? – a pergunta da morena fez Emma engasgar com um pedaço de salmão e purê que levara a boca segundos antes. Teve de tossir e beber um gole do vinho tinto que tinha à sua frente para se recompor. Regina olhou preocupada para a loira, mas logo a preocupação foi substituída por diversão e ela se dirigiu novamente à mulher que olhava-a como se ela fosse louca. – O salmão ao molho de mostarda e mel, Miss Swan. Estava perguntando se era do seu agrado? – a loira viu o sorriso divertido e malicioso dançando pelos lábios de Regina e só teve vontade de levantar e cair em cima da mulher, literalmente. Mas Henry estava na mesa, absorto no purê de batata que tentava colocar de lado no prato, discretamente.

– Sim, Madam Mayor. – fez questão de frisar o nome ultrapassado que antes era usado no tratamento com a morena, mas acrescentou devolvendo o sorriso malicioso da outra. – Está tudo absolutamente delicioso. – “As duas podemos jogar o mesmo jogo”, a loira pensou consigo mesma, enquanto percorria com um dedo a coxa da morena por debaixo da mesa.

Realmente, era perfeita aquela disposição de lugares: Regina no centro, num extremo da mesa da sala de jantar; Henry do lado direito, de um dos lados de Regina; e Emma do lado esquerdo, do outro lado da morena. A única coisa preocupante para a loira era manter a sua expressão facial relaxada e decente diante do filho. O que era extremamente difícil visto Regina não gostar de perder nunca, e muito menos naquele jogo que ambas jogavam por debaixo da mesa, como já era de se esperar.

Jogador 1: Regina cruzou a perna impedindo o acesso da mão da opositora ao seu tesouro secreto;

Jogador 2: Emma recuou a mão, repousando-a numa articulação segura, o joelho bem torneado da oponente, fez pressão com os nódulos dos dedos, suavemente;

Jogador 1: Agitou a perna, subindo-a levemente até ao zipper da calça da rival loira; levou o copo aos lábios e bebeu;

Jogador 2: Desceu a mão do joelho até à canela da adversária e puxou a perna contra o seu centro; sorriu, mordendo o lábio, anteriormente ferido;

Jogador 1: Retirou a mão da concorrente da sua canela e levou-a até junto da sua calcinha, descruzando as pernas, com a outra mão levou o garfo à boca e saboreou-o;

Jogador 2: Massajou a zona através do tecido de seda da calcinha e …

– O que vocês estão fazendo? – as duas mulheres paralisaram. Olharam para o filho que olhava-as com uma expressão cómica e desconfiada, e num segundo, ficaram brancas feito cal. – Se vocês vão ficar aí brincando com a comida então eu também não posso ser obrigado a comer! – a respiração aprisionada de ambas as mulheres fora libertada. Por um momento pensaram que o garoto tinha percebido algo de errado, quer dizer, de errado ele percebera; o verdadeiro alívio aconteceu porque ele não havia percebido o certo do que estava acontecendo ali. Regina foi a primeira a reagir.

– Não se trata de brincar com a comida Henry. Eu só estou tentando mostrar a Miss Swan a arte de saborear um bom prato. – Emma tentou sorrir para o filho com aquela explicação, mais do que constrangedora e de duplo sentido, e rapidamente levou o copo aos lábios rezando para que o rubor das suas bochechas não fosse notado. Como é que aquela mulher conseguia fazer isso? Manter a compostura diante do filho que (quase) flagrara a mãe em atividades impróprias, como uma adolescente com as hormonas aos saltos? Por sorte, o garoto apenas revirou os olhos diante da explicação, completamente aborrecida para ele, que a mãe lhe dera. “Essa era a vantagem de uma mãe conhecer bem o filho”, Emma pensou, e isso, ela não sabia explicar, a fez sorrir para a típica cena que se desenrolara na frente dela.

*** *** *** ***

Cora observara a típica família feliz, almoçando na sala de jantar, com um olhar de pura maldade. Então, Regina estava amando novamente? Interessante. E muito inconveniente.

Com um aceno de mão contra ao espelho à sua frente, fez a imagem da sala de jantar desaparecer, e por consequência, todo aquele ambiente de felicidade que lhe causava nojo.

– Quando vai aprender Regina? – passou a mão pelo traje antigo de cavaleira que tanto a sua filha usara, noutro lugar e tempo, perdidos. – Amor é fraqueza. – e fez o traje arder num inferno de chamas diante dos seus olhos, brilhantes e negros, de ódio.