Finaly Freedom
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Depois de todo o estresse matinal, saímos para almoçar e fomos direto pra casa. Acabei esquecendo de ligar pra Friedrich pra dizer que estava tudo bem, mas na real não estava nada bem, então, era indiferente eu ligar para ele ou não. Mas, como amo meu irmão de todo coração, achei que seria bom falar com ele pra aliviar o estresse.
Friedrich tem o dom de me alegrar, me deixar mais leve, com autoestima lá em cima. Impossível encontrar alguém como ele mais que uma vez numa única vida. Pelo menos tive a sorte de ser irmã de Friedrich Eisenhauer.
Resolvi dar uma volta pela vizinhança – já que não pude fazer isso pela manhã – e enquanto caminhava, já aproveitaria pra ligar pro meu irmãozinho.
— Oi, meu amor. Tudo certo? – apenas ouvir a voz dele já me deixava contente. Charlie é uma mulher muito sortuda por ter conseguido conquistar o coração de Friedrich. Eles pareciam muito felizes. E a chegada do primeiro filho deles só traria mais felicidade. Pra todos nós. Caso eu ainda não tenha comentado, Charlie está grávida de cinco meses, e infelizmente não estarei presente na cidade a tempo de presenciar o nascimento do meu primeiro sobrinho. Mas isso não diminui minha empolgação.
— Olá. Tudo mais ou menos, Fred. E com você? – sentei num banco de praça pra poder conversar mais tranquilamente com ele.
— Estou bem, mas o que aconteceu com você? Eu esperava uma Elena totalmente extasiada por Dublin e por essa experiência inédita. – eu podia enxergar o sorriso dele.
— Nem sei por onde começar. O dia hoje foi uma verdadeira bosta, maninho – bufei e larguei-me de qualquer jeito sobre o banco.
— Ah, não, Elena. Como assim? Você estava totalmente empolgada pra essa viagem. O que aconteceu de tão grave capaz de te desanimar assim?
♥
Após uma longa e libertadora conversa com Friedrich, onde eu detalhei tudo exatamente como aconteceu pra ele, me sentia muito melhor. Esperançosa para dias melhores na faculdade.
Retornei pra nossa humilde residência cerca de 4 horas da tarde. Não havia ninguém em casa, então aproveitei pra encher a banheira, e ficar ali vadiando, divagando sobre a vida, pensando em ligar pra minha mãe, em me desculpar com Jacob pela minha má educação nessa manhã, em mandar todos se foderem e me isolar da civilização e ir morar no ártico... Muitas coisas se passaram pela minha cabeça naquela tarde. Fiquei por minutos, horas na banheira, até que meu telefone toca. Saio correndo, me enrolo na toalha ainda cheia de espuma e atendo a chamada de minha mãe. Parece que não fui a única a sentir uma pontinha de saudade.
— Você deveria ter me escutado, Elena. Eu não lhe disse?! – me arrependi no mesmo instante de ter atendido à ligação de Diana. – Aprenda com sua mãe. Eu lhe falei que seria uma má ideia. Seu irmão já me falou que você não está contente. Volte pra Londres, querida.
— Oi mãe, é bom falar com você também! – respirei fundo, voltei pra banheira e me preparei pra mais uma discussão maçante e desnecessária.
♥
Foram exatos 30 minutos e 47 segundos no telefone com minha mãe. E cada vez fico mais intrigada sobre o fato de ela ter odiado minha vinda à Dublin. Receio que se eu tivesse viajado pra qualquer outro lugar na Europa, Diana não teria ficado tão estressada e preocupada.
Durante as nossas inúmeras conversas brigadas sobre esse “intercâmbio” ela me perguntou várias vezes “Por que logo Dublin, Elena?”. No começo isso não me incomodou, mas a persistência em me ver longe da Irlanda começou a me deixar com pulgas atrás da orelha. Será que existe algo na Irlanda que ela não quer que eu encontre? There is a question. Vou procurar me informar sobre isso.
♥
Mais tarde, após Cecília e Aurora terem voltado, cheias de sacolas – de supermercados, boutiques e lojas de decoração – decidi que eu devia pelo menos um “sinto muito por hoje de manhã” para Jacob. Eu nem sabia onde ele morava, exatamente, mas já diz o ditado, “quem tem boca vai à Roma”.
Descobri que ele mora no quinto andar, apartamento 503. Cheguei até a porta, toquei a campainha e aguardei alguns instantes até a porta se abrir. Pra meu azar quem atendeu foi o segundo homem cujo ainda não descobri o nome.
— Oi. Desculpe incomodar, de novo — abri um sorrisinho amarelo enquanto endireitei minha postura – mas Jacob está aí?
— Você de novo, garota? – é, ficou bem na cara que esse cara já não gosta de mim. Tenho que afirmar que nosso encontro pela manhã não foi dos melhores, pois as circunstâncias nas quais nos conhecemos não ajudaram. – Jacob, visita pra você – ele gritou em direção ao apartamento igual ao meu. – Entre.
Mesmo ele tentando ser simpático, era perceptível que ele não gostou de mim. Indiferente. Pra falar bem a verdade, ele também não é o tipo de pessoa que costumo cultivar entre meus amigos. Segundos depois, Jacob aparece com cabelos molhados e uma roupa recém colocada, pela forma que caía pelo seu corpo. E que corpo.
— É, Oi... Você pode falar agora? – incrível como esse homem é maravilhoso, realmente uma pena ele ser gay. Quem sabe seja bi, e que mande esse cara de nojo pastar.
— Claro, Elena. – E o sorriso dele? ENCANTADOR. – Pode nos dar licença, Johny?
Johny? É, o cara só é bonito mesmo, porque não é nem simpático, nem tem um nome legal. Após ele sair, fiquei mais à vontade. Sinto que vou me dar bem com Jacob caso decidamos manter uma relação.
— Então... Eu vim aqui pra me desculpar por hoje mais cedo.
— Imagina, querida. Nem era necessário.
— Ah, claro que era. Eu nem me despedi direito de vocês. E acho que causei um certo atrito entre você e seu... namorado?!
— Pois é.... John é um pouco ciumento e possessivo. E as coisas meio que conspiraram pra dar errado, né?! – Jacob é um homem simpático demais. Já adoro ele.
— Espero que fique tudo bem entre vocês. Eu não quis atrapalhar. Meu dia foi bem chato hoje, cansativo e tudo mais. Me desculpe, de verdade.
— Pare com isso, menina. Está tudo bem. Todos temos nossos dias de pé esquerdo.
— Então já que está tudo bem, acho que vou pra casa. Não quero mesmo atrapalhar vocês. Acho que o John não gostou muito de mim. Apenas não quero dar motivos – já fui me direcionando à porta, pois mesmo me sentindo bem com Jacob, eu queria cair fora dali.
— Já vai? Não estamos fazendo nada. Fique aqui conosco.
— Eu estou meio ocupada lá em casa – mentira – tenho algumas coisas pra fazer – mentira – estou indo, Se quiser me visitar qualquer hora, moro no 301.
— Tudo bem. Até qualquer hora, vizinha – ele sorriu, me puxou num abraço desajeitado e abriu a porta.
— Tchauzinho.
♥
— Cissa, Aurora? Vamos sair pra dançar – gritei enquanto abria a porta e entrava em casa.
— Numa segunda-feira, Elena? Sério? – Aurora é a mais cabeça no lugar.
— Eu topo. Vamos, Aurora! – Já Cecília tá sempre pronta pra qualquer coisa.
— Mas, amiga. Já saímos pra beber ontem e olha o que deu. Você não acha melhor relaxarmos no sofá, vermos um filme e ficarmos de boa?
— Não, não acho. Acho que temos que sair e ficarmos louconas. A aula amanhã é só mais tarde. E também, que se ferre o maldito Philip.
— Estou indo pro meu quarto me trocar. Fiquem prontas em meia hora – Cissa já saiu pulando. Eu amo essa menina. – Super concordo com você, Elena. Vamos ficar louconas, e beber até esquecermos o nome – ela completou, gritando já de dentro do quarto.
— Não, não, não. Vamos com calma. Sair pra dançar ok, mas nada de beber, ta?!
— Af, Aurora, seja menos politicamente correta.
E depois de um pouquinho de insistência, saímos na noite de Dublin para piriguetear, numa segunda-feira.
E como o esperado, não ia dar coisa boa. Parte boa: o pessoal Irlandês não tem ruim, porque até em uma segunda, no pub em que fomos, tinha muita gente. Parte ruim: ficamos até 3:30 na farra, e na terça, mesmo tendo acordado cedo, estávamos na pior. Destruídas. Saudades sanidade.
Na faculdade, graças a muito café, consegui me manter acordada, mas é claro, com o carrancudo do Sr. Jones me encarando a cada minuto e pigarreando bem sutilmente quando eu quase dormia no meio de suas aulas teóricas chatas.
Ele também soltou várias indiretas sobre médicos responsáveis, sobre saber se portar, o momento de beber, e que médicos bons têm que estarem sempre prontos. Mal sabe ele que estou pouco me fodendo para o que ele pensa de mim. No final da aula, pra manter a rotina que ele estava tentando criar, ele chamou-me novamente. Hoje também solicitou que as meninas ficassem.
— Espero que isso não volte a se repetir, meninas. – Ele falou sério e profissional.
E Cecília, me deixou orgulhosa, com o que disse:
— E eu espero que o senhor transe com mais frequência. Esse mau humor tá corroendo todo mundo na sala, professor. – eu não resisti e gargalhei. Talvez um pouco exageradamente, o que o fez lançar um olhar molha calcinha em mim. Maldito. Se não fosse tão arrogante, autoritário, idiota, escroto e simplesmente insuportável, ele seria uma boa pedida. Que pena.
o.
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