Notas iniciais
Desculpem pela demora, entrei em época de provas. Voltarei a postar regularmente. :)
Dylan estava estático, não era pra menos, já que se encontrava silenciado pela bruxa. Ele se mergulhou em seus pensamentos, mas decidiu que pegaria a maçã. Afinal, ele estava dentro da cidade de Mihard. E ainda estava em um lugar onde tinha uma biblioteca e algumas casas residenciais. As cidades do Reino de Astogun eram arquitetadas com a presença de estrategistas: As bibliotecas, casas, centros comerciais, praças, todas ficavam mais perto do centro, e longe da muralha. Mais próximos da muralha ficavam os quartéis, e ainda mais próximos os centros de treinamento e torres de sentinela espalhadas pelo espaço não-povoado e cheio de árvores. E só depois você se deparava com a grande muralha. Ela era muito, muito grossa e também era muito alta. Alta e grossa o suficiente para barrar gigantes e dragões.
Dylan então olhou para a maçã, sentiu que conseguia mover seu braço direito e o usou para pegar a maçã. A bruxa, no mesmo instante que a maçã saiu de sua mão, soltou uma risada ensurdecedora que deu um susto imenso em Dylan, que se tremeu todo e fechou os olhos, se virando para trás e colocando os dois braços protegendo o próprio rosto.
O homem observava tudo enquanto bebia e começou a rir da situação.
– Você é hilário. — disse o homem barbudo.
– Não fode. Uma bruxa nas dependências de Mihard? — retrucou Dylan.
– Vá, garoto. É hora de seguir seu caminho. Não precisa me dar presente algum para retribuir. Me dê o prazer de um dia ter aqui um novo livro contando uma bela história.
– Eu estou indo, então. Belos braceletes, por sinal. — disse Dylan guardando a maçã, virando as costas e indo embora.
Dylan seguiu seu rumo até a muralha. Conforme ele andava, mais raros eram os estabelecimentos e mais silenciosos eram os locais que ele passava. Ele percebeu que estava se aproximando da muralha, pois já não havia mais nenhuma residência e tudo que ele encontrava no seu caminho eram bosques e mais bosques. Ele passava por algumas torres de sentinela que haviam pessoas com a armadura do exército real de Astogun, o observando com um olhar superior, frio e analítico. Caminhando pelos bosques a sua volta ele volta e meia cruzava com guerreiros anormalmente grandes todos cobertos com armaduras de um metal bem pesado. Eles carregavam diferentes armas, mas todos tinham nas costas um brasão de Astogun, só que era diferente: brilhava e exalava alguns pontos de luz.
Ele seguiu caminho até chegar no portão da muralha. O portão era ainda mais grosso, tinha inúmeras "grades" de diamante — um elemento muito abundante em Astogun — que abriam de baixo para cima. A ponta da grande era como a ponta de uma flecha e ficava cravada no chão quando fechado. Eram um total de 20 grades, só que 18 estavam totalmente suspensas. Uma estava quase fechada, dando espaço apenas para humanos normais passarem, e a outra estava totalmente fechada, só que havia uma parte nela que funcionava como uma porta, pois abria e fechava.
Na frente do portão estava The Guardian. Ele era um homem que carregava nas costas uma espada de pedra gigantesca. Ele era anormalmente grande também, parecia um humano modificado por algum tipo de magia. Ele não era todo coberto por sua armadura, a cabeça ficava para fora. A armadura era toda feita de diamante por fora, porém era estranhamente vermelho. E cobrindo tal armadura, The Guardian utilizava um manto branco.
Quando Dylan se aproximou e se deu conta, percebeu que The Guardian estava imediatamente em sua frente. Foi extremamente estranho, pois ele não lembra de ter visto The Guardian se movimentando até lá.
– Você não deve passar. — disse The Guardian.
– Por que? — retrucou Dylan.
– As profundidades da floresta que nos cerca está marcado como um lugar de alto risco. — respondeu.
– Eu vou passar mesmo assim. Você não tem autorização real para impedir ex-membros do exército de saírem. — disse Dylan.
– Mas não poderei deixar que você entre novamente. A nobreza ordenou impedir de entrar qualquer um que não tenha ordem real. — alertou The Guardian.
– Eu não pretendo voltar. Se a situação está assim e vocês estão omitindo para as pessoas de Mihard, só mostra que faço certo em me desligar de vocês. — retrucou.
– Assim seja. — disse The Guardian.
Dylan saiu andando em direção ao portão de saída que estava aberta para ele. Quem olhava de fora, via Dylan atravessando o portão. O único que via o portão aberto era Dylan. Ele seguiu caminho até passar pelo portão e todas as 19 gigantescas grades de diamante suspensas. Quando chegou até o fim, se deparou com uma levemente escura floresta. Mesmo sendo dia, a luz não conseguia a penetrar direito graças às árvores e a sutil poeira que havia suspensa constantemente. As árvores eram simplesmente gigantescas.
Dylan sabia que Mihard era envolta por uma floresta, e que a partir de certo ponto era chamada de Floresta Melrir, embora a trilha tradicional para deixar os entornos da Mihard não fosse considerado parte da Floresta. A última vez que ele havia visto o senhor das encruzilhadas havia sido justamente nas profundezas da Floresta Melrir, então sabia que teria que adentrar o máximo que conseguisse nela, se quisesse ter alguma chance de ter qualquer informação. Porém, o fato de que há 280 anos ninguém jamais voltou de lá não saia de cabeça de Dylan.
Mas ele seguiu em frente. Aos poucos atrás dele, Mihard ia sumindo do horizonte. Seu passado passivo e desonroso ia sumindo no nobre tempo. Até o momento que ele ouviu um choro. Um choro masculino, porém desesperado. Ele olhou reto e notou um pouco mais à frente na trilha, um senhor trêmulo e ajoelhado. Dylan apertou o passo e se aproximou do senhor, que olhou para cima e viu o rosto de Dylan em frente ao feixe de luz do sol que entrava em meio às arvores mais acima. Era a luz da esperança.
– Qual é o seu problema? — perguntou Dylan.
– Você é um guerreiro de Astogun? Deus ouviu minhas preces... — disse o senhor.
– Eu fui treinado por Astogun, mas não associe tal nome a mim. Não mais. Agora me diga seu problema, ou irei embora e te deixarei sozinho. — respondeu Dylan.
– Levaram minha filha... era a única coisa que havia me restado... acordei e ela não estava mais aqui... tudo que encontrei foi fios de cabelo dela pelo chão e pegadas de Goblins. — disse o senhor, chorando e mostrando a ele uma pintura do rosto de sua filha.
– E para onde eles foram? — perguntou Dylan.
– Ei, eram muitas pegadas. Eles estavam em um grupo absurdo. — respondeu.
– Eu não quero saber quantos são, e sim aonde estão. — disse Dylan, com uma aura assassina.
O senhor entregou a Dylan uma bússola, e disse que aquela bússola estava magicamente ligada com a filha dele e iria sempre apontar para ela. Também disse que ela possuía uma que apontava para ele, então depois que Dylan a encontrasse, poderia encontrar ele novamente.
E o jovem guerreiro seguiu o caminho dele, saindo da trilha e sumindo no meio das árvores, seguindo o ponteiro da bússola que a ele fora dada.
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