Final Sword
4 Melrir
Notas iniciais
Dylan entrou na floresta e notava que conforme entrava, seu coração ia acelerando. Ele era naturalmente muito bom em gravar caminhos, mas notou que estava totalmente perdido, pois olhava para trás e era como se não tivesse passado por lá antes. Era extremamente estranho, mas não poderia ser tão ruim assim, já que ele poderia voltar com a bússola da menina, que apontava para o pai fora da floresta. Ele já tinha visto alguns Goblins pelo caminho, mas os ignorou, e eles também não o fizeram mal, aparentemente. Porém, de repente, na frente de Dylan algo brilhou muito forte: era uma espada de cunho aparentemente lendário, enfiada em uma pedra. Com muito cuidado, ele caminhou em direção a espada. Ele não ouvia e nem via nada de estranho por perto, durante seu caminho. Chegou perto da espada e com toda pressa do mundo puxou ela, conseguindo a remover da pedra. Neste exato momento falou uma voz grave e poderosa vindo do céu:
– Você é o grande escolhido para empunhar a lendária espada de Melrir! Ela reflete todo o seu poder interno! Levante ela e a aponte para o céu!
Dylan ficou muito orgulhoso de si mesmo, e levantou a espada tão alto quanto seu ego estava.
A espada murchou. Literalmente. Murchou como uma florzinha ao perder a vida.
– KUAKUAKUAKUA — riu alto o Goblin, em cima da árvore.
Dylan ficou puto. Ele estava sendo sacaneado.
– Não se preocupe, meu inexperiente projeto de guerreiro. Essa floresta aos nossos mestres Trolls pertencem. Mas nós Goblins cuidamos dos humanos imundos que pisam aqui. Não precisamos matar você, aos poucos você ficará louco com nossas brincadeirinhas. — falou o Goblin.
– Vocês estão brincando com fogo. E onde está o orgulho de vocês?! Trolls são criaturas com péssima inteligência. — respondeu Dylan.
– Como você ousa subestimar nossos mestres supremos Trolls?! Eles são extremamente fortes, junto conosco não deixaram ninguém sair vivo dessa floresta. Ouse falar isso de novo ou... — dizia o Goblin.
– Ou o quê? Trolls são um lixo. Os lixos dos lixos. E eu vou matar você, que é um fracote que só sabe feitiçaria de ilusão. — disse Dylan.
– KUAKUAKUAKUAKUA... você vai morrer, na floresta Melrir quem mata um Goblin, morre logo em seguida. — respondeu o Goblin, com deboche.
Dylan pegou a espada murcha que estava em suas mãos e jogou com toda força no Goblin, fazendo ele se desequilibrar e cair da árvore. No tempo em que o Goblin estava no ar, Dylan avançou com toda velocidade para baixo dele e cortou ele ao meio no ar, desembainhando sua espada original. Sua roupa ficou um pouco suja de sangue. Nesse momento, saiu um inseto da boca do Goblin, emitindo um som ensurdecedor.
Dylan ficou receoso, com certeza era algum tipo de sinal. Então correu para a direção que sua bússola apontava. De repente, foi interrompido com uma porrada de poste na barriga, que o jogou longe, o fazendo machucar um pouco suas costas.
Quando olhou para frente, estava em pé uma figura de 2,50m, um manto roxo bem grosso, três dedos, e tampando o rosto estava um tipo de capacete de aço, que só tinha 7 buracos e mais nada. Um furo central, e os outros 6 ao redor dele. Não dava pra ver nada através dos pequenos furos, eles estavam acesos emitindo uma luz azul clara. Ele segurava um poste de 2 metros na mão.
O Troll tentou pegar o pescoço de Dylan, mas ele rolou pra direita e com velocidade fez um corte no braço do Troll durante seu movimento. O Troll continuou a investida em direção a Dylan, conseguindo acertar seu peito com o poste, e o usando como alavanca para levantar Dylan e jogar ele no chão, mas no caminho Dylan se agarrou no galho de uma árvore que estava acima do Troll, que ficou no vácuo quando conduziu seu poste para o chão, na intenção de arremessar Dylan. A espada original de Dylan era muito forte e completamente dominada por ele, o suficiente para ele cortar o galho que estava em cima, caindo com tudo no ombro do Troll, fazendo mais ferimentos nele: o da queda, e mais um com a espada no ombro do mesmo braço que havia feito um corte com a espada anteriormente. O Troll estava caido no chão, então Dylan se afastou dele enquanto ele se levantava, saindo de baixo do galho com uma facilidade ridícula.
Dylan foi com tudo pra cima dele, que também foi pra cima. Dylan tentou cortar o pescoço do Troll com sua espada, só que a espada dele foi parado pelo poste, feito com uma madeira muito forte. Dylan não conseguiu fazer frente a força do Troll, que conseguiu jogar Dylan um pouco para trás com o impulso depois do bloqueio. E continuou seu ataque, atacando Dylan com seu poste, na parte lateral do braço de Dylan. Dylan colocou a espada na frente e tentou bloquear, mas foi inútil, a força do Troll fez o poste ignorar a defesa e acertar Dylan em cheio, jogando ele longe novamente. O jovem guerreiro era resistente, mas já sabia que estava ferido.
Dylan não sabia o que fazer, já que diante dele estava um troll que além de grande, era rápido. Dylan se levantou rápido e tentou se lembrar das táticas de combate corpo-a-corpo contra Trolls. O Troll correu com tudo para cima de Dylan, que também correu na direção dele, mas de repente mudou a trajetória para a direita. O Troll continuou em frente e teve dificuldades para parar e mudar de direção, já que era pesado. Mas ele conseguiu, e Dylan percebeu o atraso e conseguiu lembrar que o ponto fraco de Trolls é a falta de inteligência e de controle próprio, sendo inclusive muito inábeis com uma das mãos. Além disso, embora o Troll fosse rápido, Dylan era muito mais que ele, em momentos intensos. Então Dylan continuou correndo, e sendo perseguido pelo Troll, até que parou do nada com a espada apontada para a barriga dele. O Troll não conseguiu parar e foi acertado em cheio, mas também acertou Dylan em cheio com seu corpo. Dylan viu estrelas nesse momento, mas rapidamente tirou a espada da barriga do Troll, que para surpresa de Dylan já estava com o poste levantado e aceso — carregado com alguma poderosa magia — pronto para dar o golpe de misericórdia no jovem guerreiro. Ele conseguiu cravar a ponta da espada no poste e parar a investida, o braço do Troll já estava enfraquecido pelos ferimentos e a posição favorecia Dylan, que deu um chute em acima do joelho do Troll — um ponto fraco comum ensinado nas forças reais — e fez ele perder mais ainda suas forças, graças a dor intensa. Dylan aproveitou o momento e colocou toda força que tinha e não tinha direcionada ao poste, conduzindo o Troll a acertar a própria cabeça e descarregar toda magia em si mesmo, o que atordou ele por tempo suficiente para Dylan tirar sua espada do poste e velozmente cravar ele no pescoço do Troll, liberando um cheiro extremamente ruim e fazendo ele cair para trás, letalmente ferido e condenado à morte. Guardou sua espada.
Dylan se levantou e cuspiu no Troll.
– Muito honrado, continue... cuspa mais... — dizia um homem misterioso e sarcástico, observando enquanto mastigava uma fruta.
– Mais um que quer morrer? Assim o clube dos fracassados vai acabar ficando de luto. — respondeu Dylan.
O homem apenas olhava em silêncio, com a mão relaxada em cima da espada embainhada, pronto para puxar assim que quisesse.
– O gato comeu sua língua? Não tenha medo. — desdenhou Dylan.
O homem continuou na mesma, com um olhar frio. Apenas cuspiu o caroço da fruta, com um certo deboche.
Aquilo irritou Dylan de tantas maneiras que seria impossível citar todas. Ele não conseguia ter qualquer efeito sobre o homem. Odiava se sentir insignificante.
Tirou sua espada, toda ensanguentada, e apontou para o desconhecido, já imaginando ele morto e derrotado. Nesse momento, ele notou que algo estava escrito á ferro nos dedos do homem...
"Lobão".
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