Final Sword

5 O lobo solitário


Notas iniciais
Volteeeei! m/ Pessoal, a partir de agora a história "começa pra valer".

Na frente de Dylan estava parado um homem já formado, mais velho que ele. Mas ainda não era velho, muito longe disso. Era um homem com cabelos negros longos, uma barba mal feita bem sutil, olhos pretos e pele ariana. Ele utilizava um manto vermelho carmesim, preso na cintura por uma faixa branca amarrada, e uma calça preta. Seu manto tinha detalhes pretos que lembravam luas. A presença dele era provocante apenas por existir. Em sua mão estava tatuado uma alcunha: Lobão. Ele sequer parecia ser do Reino de Astogun, o que era extremamente raro, já que até os seres do mal pertenciam ao Reino, de certa forma. O território era extenso e a linha de frente era praticamente impenetrável.

— Você é do Reino, né? O que quer dizer isso na sua mão? — perguntou Dylan.

— Por que muda de assunto? Já ficou com medo? — Lobão respondeu.

— Eu procuro uma pessoa. A presença dela também não podia ser sentida. Eu consigo sentir a vida de uma pessoa do reino quando olho para ela. — disse Dylan.

— É um dom raro, membro do exército real. — respondeu.

— Eu não sou membro das forças reais. Quero distância... eu os odeios, são traidores, caí em desgraça, engano e sofrimento graças à mentira deles. Viverei nas sombras em busca da verdade. — contou Dylan.

— Não ligo e não estou interessado. — respondeu, mastigando o último pedaço da fruta.

Aquela foi a gota d'agua para Dylan, que empunhou sua espada e foi com absolutamente toda sua velocidade para cima de Lobão. O ataque de Dylan foi digno de um ex-membro de elite das Forças Reais, pois ele já posicionou sua espada de modo que defendesse a espada de Lobão caso ele a desembainhasse quando Dylan o alcançasse. Porém, não saiu como o esperado, e o erro doeu. Doeu muito.

Lobão não desembainhou a espada, se desviou do golpe e deu um soco no rosto de Dylan que fez a cabeça dele parecer uma bola de baseball sendo rebatida. Dylan foi de costas numa árvore próxima dali, tonto, já sem condições de luta. Lobão caminhou lentamente até a ele.

— Vou te levar para o inferno, já que gosta tanto das sombras. — disse desembainhando sua espada, que tinha uma lâmina de cunho escuro, e lentamente aproximando ela do pescoço de Dylan.

Foi quando Lobão percebeu o manto de Dylan. Era o mesmo que Minerva utilizava. Ele desistiu de matar Dylan nesse momento, porém o golpeou novamente na barriga, o chutando. Foi o golpe mais forte que Dylan recebeu em toda sua vida.

— Sua mãe, Minerva, me ensinou muitas coisas. Em respeito a isso, irei o deixar viver. Que a alma de Minerva descanse em paz. — disse ele guardando a espada e em um tom sereno.

— O-o que... você sabe sobre minha mãe? — dizia Dylan, fraquejando e vomitando sangue.

O homem não disse nada, apenas caminhou calmamente naquela floresta que já anoitecia, indo embora aos poucos. Dylan estava ferido, descontrolado, e gritou novamente a pergunta à ele.

— Somente amor de mãe faria minha irmã confiar o manto dela a alguém como você. — parou e respondeu.

— Não seja mentiroso, o filho mais novo dos meus avós morreu bem antes de minha mãe! Eu não sou idiota! Diga o que sabe! — gritou Dylan.

— Você é tão fraco... mal te conheço e já sei que você é do tipo que abandona muito para quem possuí tão pouco... adeus, Dylan...

— COMO VOCÊ SABE MEU NOME? QUEM É VOCÊ? — gritou.

— Não é hoje que o clube dos fracassados vai ganhar respostas. Saia da floresta. — respondeu, de costas, sem mais parar de caminhar.

O homem apenas continuou calmamente. Dylan, no chão, derrotado, sem voz, observava o homem que o derrotou aos poucos ficar cada vez menos visível na sombra. Tão sereno quanto apareceu, aos poucos ia se perdendo na névoa e consigo carregava as respostas que tanto seduziam o garoto. Dylan sabia que por mais alto que gritasse, nada faria aquele homem dar meia volta. Também havia percebido que estava mais ferido do que pensava que estava, mal conseguia se mexer, e estava em um lugar completamente desconhecido. Mas ao mesmo tempo que era doloroso, era confortável. Ao mesmo tempo que era triste, Dylan há alguns anos estava naquela mesma floresta com a sua mãe. E ele conseguia sentir a presença dela, o sentimento vazio o deixou por um momento. E era bom, não era? Ao menos no momento de sua morte, o vazio deixou Dylan descansar um pouco. E ele se sentiu em paz, estava conformado com sua morte. O manto que vestia, o mesmo que sua mãe deixou para ele, por um momento o fazia se sentir mais uma vez abraçado por ela. As lágrimas escorriam dos olhos dele, mas não eram apenas lágrimas de saudade, eram lágrimas de alívio. E ele, com fé em Deus, pedia baixinho para que ele pudesse reencontrar sua mãe quando se fosse. Depois de tanto lutar contra a realidade e contra si mesmo, Dylan fechou os olhos, e se entregou.

Porém, quando fechou os olhos, sentiu uma mão pegando na mão dele. Era familiar, porém não era a mão de sua mãe. Era outra mão que estava perdida na sua memória: Merida Sartori. Era irônico que no momento de sua morte, ela fosse a lembrança que viesse em sua mente. Ele já não pensava nela a bastante tempo, talvez o sentimento por ela fosse o único que ainda estivesse em paz dentro dele. E também era engraçado, Merida era o único "amor" da vida dele, e tudo que ele tinha com ela era boas lembranças e uma promessa, um tanto incerta, digamos assim! Mas no fim das contas, aquela promessa era o que restou de mais bonito nele. E ele acreditava, dessa vez, não tinha motivos lógicos, apenas acreditava. Por quê? Bom, porque sim. E quando pensou sobre as palavras que havia escutado do homem, percebeu que havia abandonado isso. Se deixou tanto consumir pelo sentimento de vingança que abandonou todos os outros. E por mais que não fizesse sentido, por mais que ele tivesse abandonado a si mesmo... ele não queria a abandonar. E então ele se encontrava arrependido, pois jamais iria saber se ela ainda guarda o sentimento por ele com tanta feição e carinho quanto ele guarda por ela. E a última coisa que a mãe dele — que ganhou tantas batalhas com aquele mesmo manto — iria querer era ver o filho terminando daquela maneira, apenas mais um derrotado que entraria na soma dos guerreiros que foram e não mais voltaram da Floresta Melrir. Vergonhoso.

Ele não queria mais morrer. Ele queria viver, a morte parecia vazia demais para ele. Ele tinha um objetivo, sonhos, ele tinha que vingar e orgulhar sua mãe, tinha de segurar mais uma vez na mão da pessoa que ele amava. Ele, no fim das contas, se lembrou que é humano. Então, Dylan reuniu o pouco que restava de sua força, e pegou a maçã na sua bolsa, como uma última esperança. Ele já iria morrer de qualquer forma, então comer a maçã de uma bruxa era a melhor aposta que ele tinha, embora fosse supostamente a pior coisa que ele poderia fazer. E ele mordeu a maçã, estava com fome, poderia ser sua última refeição. Ele comeu até o que era pra ser supostamente o "resto" da maçã. Comeu até mesmo os caroços!

E então, para o infortúnio de Dylan, já sem forças, tudo ficou escuro.

Notas finais
Próximo capítulo em breve!