Finais Felizes Na Ecomoda.

42 Capítulo 42: Conselho de mãe


Notas iniciais
Daniel pergunta se Mariana está arrependida, Armando questiona Betty sobre a gravidez e dona Júlia Aconselha Patricia.

– Está arrependida? Daniel perguntou beijando a nuca de Mariana enquanto ela se vestia.

– Arrependida não. Mas estou com medo! Ela respondeu.

– Sempre temos medo do desconhecido. Daniel respondeu abraçando-a.

– Ai mora o problema, não é desconhecido. Não é a primeira vez que uma história assim acontece e eu bem sei como sofreu a mulher que se apaixonou por alguém como o senhor doutor. Mariana falou pensando em Betty, mas acreditando que Daniel não fazia ideia do que ela falava.

Daniel a abraçou forte pois ele lembrava exatamente a maneira zombativa com que Mario falou do caso de Betty e Armando.

– Não vou deixar ninguém machucar você! Daniel falou baixinho.

– Não há como impedir isto. Nem em mim e nem no senhor. Por acaso imagina a reação dos executivos da Ecomoda ou até mesmo dos seus amigos pessoais quando souberem que teve um caso com uma recepcionista de cor? Imagina como eles vão zombar de mim e do senhor? Mariana falou.

– Eu sei Mariana, não será fácil. Mas como eu vou negar que foi nessa escuridão que eu finalmente encontrei uma constelação? Que eu me tornei prisioneiro de mim mesmo e que pelos seus olhos eu conheci o Céu. Daniel respondeu.

– O mundo não é um lugar bom para se amar e as pessoas não são compreensivas, as minhas amigas serão as primeiras a dizer que eu enlouqueci. E farão de tudo para me afastar do senhor. Mariana abraçou mais forte Daniel.

– Sim, o mundo não é um bom lugar para se amar e as pessoas do amor só conhecem o nome, eu mesmo era uma dessas pessoas. Mas como eu posso me afastar de você, se é exatamente em você que eu encontrei a paz. Daniel falou beijando Mariana.

– Histórias como a nossa tem sempre um final trágico. Mariana sussurrou.

– Nós podemos escrever a nossa história e ela pode ter um final feliz. Daniel falou com convicção.

– Foi apenas um sonho, já é hora de acordarmos. Mariana falou e com um beijo deixou Daniel sozinho no quarto escuro.

Armando admirava Betty que dormia profundamente ao seu lado. O cabelo escuro caia em sua face e ela parecia um anjo, sim ela era o anjo dele. E quem sabe seria verdade que a sua Betty esperava uma Beatrizinha ou um Armandinho e a sua empolgação era tanta que ele resolveu fazer um lanche para quando ela despertasse tivesse mais uma surpresa. Foi para a cozinha e lá preparou torradas, suco de laranja, um chocolate, mel e geleia de amora, que ele sabia ser a preferida dela e claro uma flor no canto da bandeja.

– Boa noite doutora Pinzón Solano Mendonza! Ele sussurrou no ouvido dela.

Ela sorriu ainda com os olhos fechados e se espreguiçou, teve um lindo sonho onde ela e Armando moravam numa casinha linda e tinham vários filhos correndo alegres pela casa.

– Que surpresa meu amor! Até uma flor! Betty sorriu despertando enfim.

– Uma flor para invejar a sua beleza, a sua delicadeza e o seu perfume! Ele sorriu sentando-se na cama com ela.

– Assim ficarei mal acostumada. Ela riu o seu riso mais peculiar.

– Gostaria de amanhecer ao seu lado! Armando suspirou.

– Eu também meu amor, dormir e acordar todos os dias ao seu lado é um sonho. Betty falou tomando um pouco de suco.

– E por falar em sonho, tem alguma novidade para me contar? Armando perguntou como quem não quer nada.

Beatriz gelou e imaginou se ele desconfiava de algo.

– Novidade? A única novidade é que eu estraguei o jantar de negócios com os brasileiros. Betty falou comendo vorazmente uma torrada para desviar o assunto.

– Seu apetite está aguçado hoje, minha vida, você também está com enjôos, será que...

– Será que estou doente? Betty interrompeu.

– Será que está esperando uma Bettyzinha ou um Armandinho? Armando perguntou a queima roupa.

Beatriz ficou tão surpresa com a afirmativa de Armando que acabou tossindo e se engasgou com a torrada.

– Está mesmo meu amor? Ai que maravilha, sabe eu tenho um quarto de hóspedes que podemos reformar para o bebê, se for menina pintamos de rosa e se for menino de azul. Podemos também comprar um lindo bercinho branco, sabe acredito que a minha mãe ainda tem o meu bercinho, ele é lindo tenho certeza que você vai gostar. Armando falava sem respirar estremamente empolgado.

– Armando, meu amor, não há bebê. Pelo menos não até agora, o meu pai me mataria se eu engravidasse antes de casar. Betty falou tentando contê-lo.

Armando entristeceu.

– Eu tinha tantos planos para o nosso bebê. Ele falou com uma voz triste.

– E continuará com os planos, só que eles serão adiados um pouco mais. Betty falou segurando o rosto de Armando.

– Vou me vestir, é hora de ir. Betty deu um beijo em Armando e foi até o banheiro se arrumar.

Sozinho no quarto Armando estava profundamente triste, já havia idealizado tudo sobre a gravidez de Betty e como iriam cuidar do bebê, já tinha até imaginado como seria trocar fraldas e dar mamadeira de madrugada quando o bebê chorasse. Betty o encontrou assim, pensativo e triste quando voltou do banheiro.

– Meu amor eu sei que estava amando a ideia de ter um bebê nosso, com o seu rosto e o meu jeito, com a sua postura e com a minha inteligência. Um dia nós teremos uma linda menininha ou um belo garotinho, eu prometo. Betty falou ajoelhada na frente de Armando.

– Um dia teremos sim.

Patricia estava arrumando as malas tão furiosa estava, que não notava as lágrimas quentes escorrendo pelo seu rosto. Ela estava com ódio, ódio por brigar com Nicolas, ódio por estar numa casa que não era dela, ódio por ter sentimentos que ela não admitia. Estava doendo o rompimento com Nicolas, mas ela era orgulhosa demais para admitir isso e ir atrás dele, dizer que sentia muito, que o amava, que não conseguiria fingir por tanto tempo um amor se ela realmente não sentisse nada.

– Você está se sentindo bem Patricia? Perguntou timidamente dona Júlia, que havia visto Patricia chegar como um raio chorando.

– Sim. Patricia falou sem olhá-la. Finalmente a senhora vai se ver livre de mim, não era isso que sempre quis, que eu fosse embora da sua casa e da sua vida. Bom agora eu vou.

– Vai embora e pra onde? Dona Júlia perguntou ternamente.

– Vou pra casa da única pessoa que se importa comigo, a Marcela. Patricia respondeu entre soluços.

– A dona Marcela, executiva da empresa?

Patricia acenou um sim.

– E o Nicolas, o que ele acha de tudo isso? Dona Júlia perguntou o mais gentil possível.

– Ele não se importa, pra ele eu sou só um projeto arquitetado pela Betty, pra ser uma cópia fiél dela. Ele não me ama por quem eu sou e como poderia se ele só me conhece pelos seus próprios desejos. Ele não me ama, nunca me amou. Patricia desabou na cama como se fosse uma pedra, chorando e soluçando.

– Acalme-se Patricia! Olha parece difícil agora mas tudo vai melhorar, você vai ver. Dona Júlia falava acariciando os cabelos de Patricia.

– Não, não vai, nós rompemos o noivado. Ele não vai mais se casar comigo dona Júlia. Patricia gritava chorando.

– Mas o que houve? Esse menino sempre foi tão apaixonado por você, eu não entendo.

– Ele nunca me amou, amou a ideia que fazia de mim. Eu não sou a mulher que ele sonhou, tampouco ele é o homem dos meus sonhos! Patricia falou ainda soluçando.

– Pra alguém que não é o homem dos seus sonhos, você está chorando demais minha filha! Dona Júlia setenciou.

– Mas e agora está tudo acabado, eu até ganhei um vestido de noiva desenhado pelo Hugo Lombardi, Hugo Lombardi a senhora sabe quem é? Patricia perguntou num choro convulsivo.

– Sim, é o estilista da Ecomoda não é?

Patricia assentiu com a cabeça.

– Se lamentar sobre ser ou não a mulher da vida do Nicolas, não vai levar a lugar algum e pra solucionarmos um conflito, precisamos primeiro admitir a existência dele. Você pode negar mas está claro que ama aquele menino e que o fato de estar mais próxima da Betty está causando alterações em sua personalidade, quando tocamos uma flor é lógico que o perfume dela fique em nossas mãos, causando uma leve alteração mas ainda assim é a nossa pele. Quando uma pessoas passa por nós fica um pouco dela na gente, mas ainda somos nós mesmos, entende Patricia? Dona Júlia falou maternalmente.

– Quero que ele me ame por quem eu sou. E não por quem eu deveria ser!

– Isso mostra o quanto você o ama e quer que ele a ame por quem você é de verdade, sabe filha eu convivi com você todas essas semanas e uma verdade eu posso afirmar você não é a egoísta e fútil que demonstrava ser, pelo menos não mais. Você cresceu, aprendeu, mostre ao Nicolas a verdadeira mulher que você é, e ele terá uma grande surpresa. Sem falar que a mãe dele vai achar ter vencido depois de todas as humilhações que ela fez você passar, você não pode simplesmente desistir assim! Dona Júlia falou convicta.

– E o que eu faço? Patricia perguntou enxugando as lágrimas deitada no colo de Dona Júlia.

– Hoje você dorme, amanhã será um novo dia, pensaremos em algo. Agora durma, boa noite querida!

Dona Júlia deu um beijo na testa de Patricia e a ajudou a arrumar a cama para dormir, a cobriu, apagou a luz do abajur e fechou a porta. Deixando descansar uma Patricia triste e abatida, mas nada como o amanhecer para curar as feridas da alma e as tristezas do coração.

Notas finais
Meninas perdão pela demora, espero que gostem e comentem, bjim e até o próximo capítulo!