Finais Felizes Na Ecomoda.
43 Capítulo 43: Não me deixes
Notas iniciais
Já eram mais de duas da madrugada quando Daniel finalmente voltou para o seu apartamento depois de ter deixado Mariana em casa. E qual não foi a sua surpresa quando a avistou sentada no sofá, adormecida, certamente estivera esperando ele durante todas aquelas horas mas era hora de por um ponto final nesta relação. Gostava de Tatiana, ela era jovem, bonita, inteligente, ruiva e estava sempre aos seus pés o que elevava até o céu o ego de Daniel.
– Tatiana! Ele a acordou.
– Doutor Valencia eu o esperava, desculpe acho que acabei adormecendo! Ela falou com sua voz melosa.
– Está tudo bem eu demorei hoje.
– Eu sei teve um grande jantar com investidores brasileiros, espero que tudo tenha saido a contento. Ela se levantou do sofá entusiasmada.
– Foi sim, tudo perfeito. Daniel falou se virando para ela.
– Fico feliz por você! Ela tentou beijá-lo mas ele virou o rosto. Fiz algo de errado? É porque eu dormi? Me perdoe, eu juro que não adormeci por querer!
– Não é porque você adormeceu, Tatiana. Você não fez nada de errado. Daniel falou segurando as mãos dela que começaram a suar frio. Hoje na volta para casa eu me peguei fazendo reflexões sobre o amor, e percebi que eu nunca soube o que ele era, uma vez há muito tempo atrás cheguei bem perto dele mas estraguei tudo. Eu não soube amar e quando eu comecei a aprender era tarde demais, então prometi a mim mesmo nunca mais amar nenhuma mulher na minha vida, até o dia de hoje!
– Eu não entendo, o que quer dizer? Ela perguntou confusa.
– Sei que vai parecer que eu a estou ferindo e de certa forma estarei mesmo, mas é melhor acabarmos com esta relação. Daniel sentenciou.
– O quê? Mas por quê? Tatiana perguntou confusa.
– Eu não faço bem a você, Tatiana. Você é jovem, inteligente, atraente deveria estar do lado de um homem que a trate bem, que deseje assumir um relacionamento sério com você. Daniel explicava pausadamente com toda a paciência que conseguia reunir dentro de si.
– Eu não quero outra pessoa, eu só amo você Daniel, por favor não me deixe!
Tatiana implorava de joelhos a Daniel que não a deixasse, que ela faria tudo por ele e mais, se ele tão somente ficasse nem que fosse algumas noites com ela.
– Não Tatiana, já chega, levante-se. Nunca gostei de bajulações, e você ficar me implorando, mendigando amor é triste, é triste para você. Daniel tentava fazê-la refletir.
– Eu não me importo de mendigar amor, se for o seu amor! A ruiva implorava aos prantos. Eu te amo, eu te amo, eu te amo...

– Como você pode me amar? Veja o que eu faço com você! Está aqui de joelhos me implorando para que eu não a deixe. Lembre-se de quanto sofrimento eu a causei quando você queria simplesmente me chamar de Daniel e a repreendia dizendo que somente minhas irmãs, namoradas e amigos me chamavam pelo primeiro nome.
– Eu não me importo, nós podemos esquecer heim? Foi apenas um mal entendido. Eu te ofereço os melhores dias da minha vida, eu dou tudo o que eu tenho a você mas eu não conseguirei viver sem você. Por favor não me deixe, não me deixe! Ela implorava chorando compulsivamente.
– Eu sinto muito, mas no futuro você entenderá que é bem melhor para você ficar distante de mim. Daniel falou soltando-se do abraço dela.
Tatiana finalmente compreendeu que era definitivo e que não havia mais nada a ser feito, levantou-se do chão frio, enxugou as lágrimas que vertiam abundantes em sua face e ajeitou seu vestido.
– Então é mesmo o fim? É assim que acaba? Ela perguntou olhando para o chão.
– É o melhor.
– Melhor para você? Melhor para a outra mulher que entrou na sua vida? Tatiana perguntou com um nó na garganta.
– Não há outra mulher. Ele mentiu.
– Há sim, alguém que você vai desgraçar como me desgraçou. Há um mito de um rei muito ganancioso chamado Midas, um dia os camponeses encontraram o pai de Dionísio, o deus do vinho, jogado na floresta. O rei Midas o tratou bem e o entregou ao seu filho, em troca Dionísio deu-lhe o direito de escolher a recompensa que desejasse. Midas ganancioso como era, pediu que tudo em que tocasse imediatamente fosse mudado em ouro. No começo ele estava jubiloso com o seu dom mas com o passar do tempo verificou, horrorizado, que, se tocava o pão, este enrijecia em suas mãos; se levava comida à boca, seus dentes não conseguiam mastigá-la. Tomou um cálice de vinho, mas a bebida desceu-lhe pela boca como ouro derretido, sua filha se encostou a ele e se transformou em ouro. O dom e a ganância já não traziam alegria, pois tudo o que ele tocava se tornava inúltil, você é exatamente assim estraga tudo o que toca e mais cedo ou mais tarde vai arruiná-la. Não consegue evitar é exatamente assim que você é.
– Não, eu não sou assim! Daniel gritou enfurecido.
– Eu já vou, vou para sempre mas não esqueça que assim como me desgraçou também vai desgraçá-la.
Tatiana chegou em casa arrasada, desiludida compreendendo finalmente a canção de Jacques Brel.
Te oferecerei
Pérolas de chuva
Vindas de um país
Onde não chove.
Revolverei a terra
Muito além da minha morte
Para cobrir o teu corpo
De ouro e luz
Farei um reino
Onde o amor será rei
Onde o amor será lei
E tu reinarás.
Não me deixes...
Na melancolia da noite Tatiana beijou a escuridão e daquela casa nunca mais saiu.
Na manhã seguinte os Pinzóns estavam tomando café da manhã, Beatriz nada contara a mãe sobre o retorno de Miguel e por sua vez dona Júlia nada contou a Betty sobre a briga de Patricia com Nicolas. Patricia não desceu para tomar café por isso dona júlia foi levar uma bandeja de café da manhã no quarto, apesar dos protestos de Seu Hermes.
– Não coloque em mau costume a menina, Júlia. Ela tem que descer e tomar café com todo mundo. Seu Hermes berrava na mesa.
– Papai a mamãe deve ter seus motivos. Betty falava calmamente.
Quando entrou no quarto dona Júlia encontrou Patricia ainda dormindo, então gentilmente dona Júlia a acordou.
– Patricia trouxe o seu café da manhã!
– Obrigada dona Júlia, mas não estou com fome. Patricia respondeu sonolenta.
– Precisa se alimentar!
– Não consegui dormir a noite inteira, eu não consigo para de pensar nas coisas horríveis que dissemos um ao outro. Patricia confessou sentando-se na cama.
– Ainda vai morar com a dona Marcela? Dona Júlia perguntou também se sentando na cama estreita.
– Eu não tenho mais nada para fazer aqui, ele não vai mais casar comigo! Não poderei morar aqui de favor para sempre. Patricia falou comendo uma torrada.
– Poderia trabalhar, tenho certeza que se pedir a Betty, ela encontrará algum emprego pra você na empresa. Dona Júlia falou entusiasmada.
– Para vê-lo todos os dias? Não, nunca, não quero vê-lo nunca mais! Mentiu Patricia mais para si do que para a sua ouvinte.
– Está disposta mesmo a perdê-lo?
– Eu já perdi! Patricia começou seu choro convulsivo.
– Mas você ainda pode mostrar que não é mais aquela mulher fútil e egoísta que ele conheceu. Dona Júlia sugeriu.
– Arrumando um emprego na Ecomoda? Patricia perguntou irritada.
– Não. Negando a proposta da dona Marcela. Não vá trás do Nicolas agora, não conte a ele seus planos, deixe que ele descubra por si só que você realmente amadureceu, cresceu. Uma pessoa só se torna quem é pelos atos, são as ações de uma pessoa que nos dizem quem ela é.
Enquanto dona Júlia falava, Beatriz chegou no quarto de Patricia, com o celular na mão ela avisava que era a dona Marcela e que queria falar com ela, Patricia.
– Oi Marci! Patricia falou.
– Então já preparei o quarto de hóspedes, a que horas você chega? Quer que eu mande um táxi buscá-la? Marcela perguntou do outro lado da linha.
– Não Marci, não precisa porque eu vou ficar exatamente onde estou. Patricia falou decidida.
– Mas Patricia achei que você quizesse vir morar comigo! Marcela falou confusa.
– Era o que eu queria mesmo Marci, mas agora eu tenho outras prioridades.
– Prioridades? Que prioridades Patricia? Marcela perguntou atônita.
– Mostrar ao Nicolas a mulher que eu sou.
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