Notas iniciais
Desculpa a demora pessoal

– Quem é Ryan?

Fedra e eu estávamos indo para o refeitório depois que ela e viu gritando com o nada, e enquanto isso, ela já havia me feito a mesma pergunta milhares de vezes.

– Não é ninguém, Fedra.

– Posso lhe fazer outra pergunta?

Eu bufei e olhei bem séria.

– Anda, fala.

– Você... tem o costume de chamar por uma nada chamado Ryan?

Fiquei encarando- a por alguns segundos mas eu já estava com raiva daquele meu maldito Guardião, que havia me deixado falando sozinha e me fez parecer uma lunática. Então deixei-a parada no meio do corredor e fui para o refeitório sozinha.

Quando cheguei ás portas de carvalho olhei-a bem séria, sabendo que teria que passar por um aglomerado de adolescentes idiotas me olhando como se eu fosse uma coisa de outro mundo, estranha, defeituosa e completamente diferente. Olhei para os dois lados do corredor, vendo se não passava ninguém, e, depois de um longo suspiro, abri a porta do refeitório.

Ao contrario da noite passada, o refeitório estava praticamente vazio, não fosse pelos dez ou onze adolescentes que estavam sentados em mesas nos cantos do recinto. Os castiçais de prata na parede estavam apagados e a luz do sol da manhã penetrava pelo teto de vidro; a bancada de comidas estava cheia de frutas, cereais, pães e jarras de vidro estavam cheias de leite, chá, café, sucos e até achocolatado. Em uma bandeja grande de prata, havia uma pilha de panquecas e em outra, potes de manteiga e geléia. Aproximei-me da mesa, pegando uma das bandejas azuis ao lado da bancada e me servi de um caneca de chá, pão integral e uma tigela com uma porção de frutas cortadas e fui me sentar na mesma mesa em que eu me sentara na noite anterior, com Maggie e Evan.

Quando me sentei para comer, as portas tornaram a se abrir e um garoto alto de cabelos pretos entrou. Ele era muito lindo.

Ele parecia ter mais ou menos a minha idade, dezenove anos, com cabelos negros e lisos que chegavam ás suas orelhas; os olhos dele eram impressio-nantemente prateados, nada daquele cinza fosco e sem vida, os olhos daquele menino eram brilhantes e lindos. Os lábios assimétricos eram da cor de carmim e ele tinha ombros largos. Seu corpo era levemente musculoso, não bombado como a maioria dos caras que freqüentam academias e ficavam parecendo monstros de tanta massa muscular; ele tinha um padrão sutil e belo de músculos bem malhados. Ele estava usando uma calça de moletom cinza e uma camisa branca, sem estampa. No braço esquerdo ele tinha um bracelete de prata oval liso.

Mas, o que mais me chamou a atenção nele, foram as suas marcas.

Quando o garoto olhou para mim, eu pude ver que, o lado esquerdo do seu rosto, ele tinha linhas densas e finas que lhe emolduravam o rosto de for-mato perfeitamente oval. As linhas desciam da parte inferior dos olhos do menino e terminavam apontadas para a parte de baixo dos lábios. Elas tinham um estranho tom prateado que parecia brilhar no rosto do garoto, o que dava-lhe um ar de misterioso e sexy.

– Olá!!

Dei um pulo na cadeira quando Maggie apareceu na minha frente.

– Jesus!

– Não... meu nome é Maggie.

Eu a olhei bem séria e com a testa franzida.

– Olá! – eu falei, com um ar de confusão na voz.

– Você ta bem, Taylor? – ela perguntou.

Balancei a cabeça negativamente e falei:

– Sim, estou... eu acho.

– O que aconteceu?

Olhei para Maggie e depois me voltei para o garoto que acabará de entrar no refeitório.

Ele estava sentado em uma mesa do lado oposto do recinto, me olhando enquanto tomava de uma caneca de cerâmica preta. Acenei com a cabeça para ele e o menino sorriu. Pelos deuses ele tinha um sorriso ainda mais lindo do que os olhos.

Voltei-me para Maggie.

– Tantas coisas.

– Me conta tudo. Absolutamente tudo.

Quando abri a boca para falar, Evan entrou no refeitório e veio em nossa direção.

– Depois eu falo – eu disse enquanto o menino chegava perto o bastante para nos ouvir falar.

– Buon giorno, signore. – ele falou em italiano. – Potrebbe darmi l'onore di unirsi a voi?

Franzi a testa.

– Meu amor, se você vai me xingar, prefiro que seja numa língua que eu entenda

Maggie se engasgou com o chá e Evan deu risada.

– Vocês poderiam me dar a honra de acompanhá-las?

– Até quando você vai fazer isso?

– Fazer o que?

– Ficar falando em espanhol...

– Italiano.

– Tanto faz.

Evan me olhou bem sério e falou:

– Não falo nada sobre a sua ignorância, senhorita Sulley.

Ele me olhou indignado e foi para a bancada se servir.

– Ele sempre faz isso?

– O que? – Maggie perguntou. – Falar em italiano?

Assenti

– Não, na verdade ele só esta fazendo isso porque você é nova; daqui alguns... meses... ele para.

Dei risada.

– Eu gostei dele.

– Todo mundo gosta dele.

Sorri para ele e vi o garoto das marcas, ainda me olhando com um sorriso lindo nos lábios, do outro lado.

– Maggie!

– Oi!

– Quem é aquele? – indiquei o menino com a cabeça discretamente.

Maggie olhou para o garoto que olhava para mim com um sorriso bobo nos lábios.

A garota me olhou com a boca aberta.

– O que foi?

Ela não respondeu.

– Maggie!

– O que ela tem? – Evan perguntou ao chegar em nossa mesa.

– Não sei! Ela ficou assim quando eu falei do garoto que está me olhando.

– Qual garoto esta te olhando?

Eu indiquei o rapaz de cabelos negros.

Evan me olhou com as sobrancelhas franzidas.

– Que foi?

Ele balançou a cabeça negativamente e sorriu.

– Aquele é Viktor Lancaster, o maior gato desse universo – Evan falou em uma voz afeminada pra caramba. – Ele na verdade não faz parte dessa instituição de magia.

– Como assim?

– Ele é um Endymida, ou seja, um dos guerreiros do mortal Endymion, um dos únicos homens mortais que receberam o verdadeiro amor de Selene, a deusa da lua. Ele na verdade só esta aqui para, assim como Febe e Astéria, pedir ajuda á nós por causa da ameaça que temos em comum.

Eu o olhei séria.

– Nyx?

Evan assentiu.

Olhei para o garoto, Viktor, para as suas tatuagens que lhe emolduravam o rosto.

– O que são aquelas marcas no rosto dele?

Evan também olhou para Viktor.

– Não sei, para ser sincero. O que eu sei é que elas aparecem em todos os guerreiros que são escolhidos por Endymion, á mais de mil anos.

– Mil anos?

– Sim!

– Mas você não falou que Endymion é mortal?

– E ele é, mas só que, pela sua beleza encantadora, a deusa Selene colocou Endymion em um sono profundo e eterno. Os Endymidas, pelo que eu ouvi falar, sonham com Endymion antes de serem marcados.

– A ta.

Do outro lado do refeitório, Viktor se levantou e veio em minha direção. Ele tinha um andar gracioso e esquio, majestoso e impecável; seu olhar era intenso.

– Olá! – ele falou, com uma voz graciosa que parecia com o som de um violino.

Eu o olhei e sorri.

– Olá.

– Meu nome é Viktor Lancaster- ele me fez ma reverencia para mim e sorriu.

– Taylor Sulley – eu falei sorrindo feito uma idiota.

Mas ele parecia quase tão envergonhado quanto eu.

Enfim ele se sentiu mais a vontade e falou:

– Tudo bem?

Eu assenti.

– Estou bem e você?

O garoto abriu a boca para responder mas, antes que sequer um “ a “ tivesse atravessado seus lábios perfeitos, um outro garoto gritou do outro lado do refeitório:

– Viktor!!

Viktor olhou para trás, bagunçando os cabelos negros, e voltou-se para mim.

– Então... até mais.

– Até – dei um tchauzinho e sorri novamente.

Viktor voltou para a mesa em que estava sentado antes e ficou me olhando.

Evan assobiou.

– O que foi? Ele só me deu oi.

– Fala isso para as duas ali – ele apontou para uma mesa atrás de mim.

Duas garotas louras me encaravam sérias.

– Quem são?

– Sei lá! – ele comeu um pouco da salada de frutas. – Esse castelo abriga mais de 700 adolescentes. Não espere que eu saiba o nome de todos eles.

Dei risada.

– Não falei que esperava que você soubesse.

Olhei para Viktor novamente.

Eu sorri para ele e, quando ele me retribuiu o sorriso, um grandioso estrondo fez as portas do refeitório tremerem antes de serem arrancadas da dobradiças e o salão ser preenchido por uma grossa bruma negra.