A bruma escura encheu o refeitório com um cheiro azedo e apodrecido. Os alunos começaram a entrar em pânico e Evan puxou Maggie.

– O que é isso? – eu perguntei.

– Eu não sei – Evan respondeu. – Mas coisa boa não deve ser.

A nuvem negra se ergueu sobre todos, como se tivesse vida própria, e tomou conta de todo o salão. Fui envolvida por um breu de escuridão e trevas.

Eu estava tentando enxergar no meio da escuridão, quando algo frio e grosso roçou meu ombro, me fazendo ter calafrios. Virei para o lado mas, com toda aquela escuridão, nada vi, penas trevas acima de trevas.

– Evan!! – eu chamei no escuro. – Maggie?! Tem alguém ai?

Nada.

A coisa que encostará em mim antes tornou a passar ao meu lado, me fazendo estremecer e abraçar meu próprio corpo.

– Quem esta ai?!! – eu gritei para o nada. – Apareça!!!

Senti algo ainda mais gélido atrás de mim, virei- me e levantei a mão, para espantar aquela coisa que estava me atormentando. Ao encostar na criatura, minha mão congelou e senti uma dor aguda e quente, como se tivessem me rasgado a pele da mão com um atiçador em brasa.

– Acalme-se, feiticeira! – falou uma voz melodiosa. – Eu não quero e nem posso lhe fazer mal. Preciso dos Sete Lunares vivos.

Procurei em meio a escuridão a mulher que falará, pois com toda certeza era uma mulher. A voz que transmitia aquele tom de canção de ninar deixava is-so evidente.

– Quem é você? – eu perguntei para a escuridão. – O que você quer de mim? O que são esses Sete Lunares?

A mulher deu risada.

– Tantas perguntas minha doce feiticeira. Mas não se incomode, criança; logo, logo você terá as respostas de que necessita.

A névoa se dissipou e uma mulher apareceu diante de mim.

Antes de tudo, eu gostaria de fazer um protesto: ninguém, nem mesmo uma deusa, deveria ser tão linda assim.

A mulher tinha cabelos tão longos que ultrapassavam sua cintura, eles eram negros e brilhantes como petróleo, com algumas mechas jogadas por cima do ombro. Os olhos dela eram completamente negros, sem pupila e nem Iris, mas davam á aquele rosto angelical uma beleza sombria e atraente. A pele dela era branca como mármore polido, com traços delicados mas fortes. O seu vestido era negro como a noite e desciam pelo corpo da bela mulher como se fosse um tipo de tinta grossa e que lhe emoldurava o belo corpo. Os lábios dela eram volumosos e avermelhados, como se tivessem sido decorados com sangue fresco. Em volta do pescoço da deusa, havia uma grossa corrente de prata, com um par de asas de corvo pendendo dela.

– Quem é você? – eu perguntei.

A mulher sorriu para mim.

– Sou aquela que lhe deu seu talentoso dom para as artes mágicas, sou sua patrona. De uma certa maneira, sou sua mãe.

Eu á olhei séria.

– Você não é minha mãe.

– Eu não lhe dei a vida, mas lhe concedi parte dos meus talentosos poderes de magia. Sou a primeira das muitas mulheres poderosas que caminharam pelo mundo, tanto dos mortais, quantos dos divinos deuses. Fiz parte da primeira geração de divindades que este mundo conheceu, governei o mundo e o abracei com meus poderes sombrios, dando-lhe paz e conforto em eras passadas, éons atrás, antes de ser deposta pelos atuais governantes do mundo: os olimpianos.

Eu á encarei séria. Então me dei conta de quem era aquela mulher e me repreendi por ter demorado tanto para reconhecê-la.

– Você é Nyx, a deusa da Noite.

A deusa sorriu para mim.

– É um prazer imensurável finalmente conhecê-la, feiticeira. Agora, me acompanhe. Quero lhe mostrar o que esta por vir.

– Eu não irei á lugar algum com você, Nyx. Você é uma deusa má e eu nunca irei acompanhá-la a qualquer lugar que for.

Nyx me encarou séria.

– Nem mesmo para salvar Jack Brandy?