Filhos do Poder – Devotas da Magia
10 Anjo das Trevas ou Protetor
Acordei agarrada á minha garganta, apertando-a com força, tentando pedir ajuda á alguém, mas simplesmente eu não conseguia emitir qualquer som. Comecei a me debater na cama, me joguei no chão e comecei a rolar de um lado para o outro no chão do quarto.
Eu já estava quase perdendo a consciência, quando enfim um garoto apareceu na minha frente, me tomando em seus braços e entoando uma cantiga em uma língua que eu não conseguia decifrar, tanto pelo fato de que estava quase morrendo, quanto porque eu jamais ouvira aquilo.
O menino me olhava seriamente e tentava me acalmar, tirando minhas mãos da minha garganta, ele começou a massageá-la, me dando conforto e me devolvendo a respiração.
Sentei-me, meio grogue, e olhei para o meu salvador e.. a não, esse cara de novo não.
Ele estava com o mesmo sobretudo de lã preto, as mesmas calças jeans escuras e uma camisa, também preta, com estampa de caveira. Os olhos verdes dele eram ainda mais intensos na fraca luz do amanhecer e os cabelos escuros pareciam azuis de tão pretos. As palmas das mãos, brancas como mármore, re-pousavam sobre a minha testa, o que parecia me dar paz e conforto.
– Milady, você esta bem? – ele perguntou, com uma voz doce e melodiosa.
Eu me levantei e ele levantou comigo, me dando a mão para me ajudar a levantar.
– Milady? Você ficou maluco? Quem é você?
Ele me olhou bem sério e depois sorriu.
– Qual pergunta você quer que eu responda primeiro? Se eu fiquei maluco ou quem sou eu?
Eu fiquei o olhando enquanto ele debochava da minha cara.
– Quem é você?
– Assim esta melhor – ele falou, ainda dando risada de mim. – Eu sou seu Guardião, portanto, você tem que me dar um nome. Mas por favor, pense bem e, pelo o amor dos deuses antigos, não me nomeie com nomes que comecem com a letra “ M “; nunca gostei muito desse letra. Loucura eu sei.
Eu fiquei pasmada com tudo o que ele estava falando.
– Meu o que? Guardião?
Ele começou a andar pelo quarto, dando a volta pela minha cama e sorrindo para tudo.
– Sim, milady – ele falou com um tom de deboche. – Eu, infelizmente, tenho a obrigação de cuidar de você a partir do dia em que você ganhou conhecimento sobre a magia, naquele dia em que você quase morreu pelas garras de Hati e alguém á salvou. Ajude-me a lembrar quem foi mesmo? A sim... fui eu. – ele me olhou sério e suspirou. – Não precisa agradecer, foi uma honra. Só que não.
– Se você não quer ser meu Guardião, então por que você o faz? Por que continua me protegendo?
Ele deu risada.
– Você realmente não sabe nada sobre magia. – ele suspirou. – Eu sou obrigado a te salvar pois a minha vida é conectada á sua... em outras palavras, você morre, eu morro. Nós estamos juntos nessa vida... como almas gêmeas. Ai que coisa melosa e cruel... tanto para você quanto para mim.
– Você é maluco.
Ele soltou uma gargalhada alta e se jogou em cima da minha cama.
– Credo! – ele se levantou rapidamente. – Como você agüenta dormir nisso aqui? É tão... mole.
– Ryan é sério.
Ele levantou uma sobrancelha e me olhou com a mesma cara de deboche.
– Ryan? – ele pensou um pouco. – É... para essa sua cabecinha oca, até que você tem uma boa imaginação para nomes. Sabe o que significa? – eu ba-lancei a cabeça negativamente. – Significa “ Pequeno Rei “.
– Combina muito com você – eu falei.
– Você acha? – ele sorriu para mim.
– Sim; você é metido como um rei e também é baixinho.
Ele fechou a cara e me olhou sério; então ele me mostrou a língua e eu dei risada.
– Não gostei! – ele falou, emburrado.
– Acostume-se. Agora eu lhe ordeno que me responda.
Ele caiu na gargalhada de novo.
– Você me ordena, senhorita Sulley?
Eu coloquei as mãos na cintura.
– Sim.
Ele se levantou da cama e, dando a volta novamente, chegou bem perto de mim, ficando cara a cara comigo, com nossos narizes quase encostando um no outro.
– Senhorita, não pense que somente porque eu estou ligado á você, a senhorita possa me dar ordens. Nós guardiões somos como criados por vocês feiticeiras, mas nem por isso devemos acatar as suas ordens. Devemos protegê-las, sim, mas isso não nos tira o livre arbítrio.
– Então, tirando o fato de que você me protege e me enche a paciência, eu não posso fazer nada com você?
O Guardião me olhou sério e abaixou a cabeça, desapontado.
– Ah... Ryan me desculpe, não era isso que eu queria dizer é só que... eu to estressada e toda essa bagunça ta me deixando louca. Eu fui atacada por um bicho que nem conheço e muito menos sei o porquê estava tentando me matar, fui trazida para esse castelo mágico, sonhei com uma deusa maluca que me disse que supostamente quem deverá acabar com essa guerra sou eu e... agora estou falando com um cara que se diz ser meu Guardião e... acho que estou ficando louca.
– Ryan me olhou sério e falou:
– Que deusa maluca?
– Sei lá... uma deusa maluca que tinha três formar diferente e falou que representava o passado, o presente e o futuro... não me lembro o nome.
– Hécate?
Eu o olhei, também séria.
– É...como você sabe?
Ele balançava a cabeça de um lado para o outro, negativamente.
– Não, não, não pode ser.
– O que foi? Ryan?
Ele continuou a andar para todos os lados.
– RYAN!! – eu gritei.
Ele parou de repente e se voltou para mim, me olhando atentamente.
– Desculpe-me, milady...
– Pare de me chamar assim. Me faz parecer umas daquelas patricinhas que eu era obrigada a agüentar na faculdade.
Ele deu risada.
– Você detestava aquele grupinho de menininhas, principalmente a Luana.
Coloquei o dedo na boca, fingindo que ia vomitar.
– Pelo o amor dos deuses, não me fale de Luana. Aquela vadia me ator-menta desde... sei lá... a terceira série.
– Quarta série na verdade – falou meu Guardião.
Eu me virei para ele e fiquei o encarando.
– Como você sabe?
– Taylor, mesmo que jamais tenha me materializado diante de você, isso não significa que eu nunca estive lá para você. Eu cuido de você desde o seu nascimento. E vou crescendo á medida que você cresce.
– Crescendo?
– Sim. Assim como você, eu tenho dezenove anos.
Eu fiquei encarando Ryan, séria.
– Me desculpe.
Ele franziu a testa.
– Pelo que?
– Por ter te falado que você não servia para nada, além de me proteger – abaixei a cabeça. – A verdade é que eu estou muito agradecida por você estar comigo, mesmo que seja a primeira vez que eu te vejo... ta na verdade é a terceira.
– Não, essa é a segunda vez que você me vê.
– Não – eu franzi a testa. – Eu te vi nos meus sonhos, na lanchonete e agora aqui. São três bobão.
– Sonho? Qual sonho?
– Eu tive um sonho com você na manhã do ataque de Hati.
Ele semicerrou os olhou.
– Impossível. Somente uma feiticeira que criou um guardião pode vê-lo, e você não me criou.
– Mas eu te vi... – então uma coisa me ocorreu. – Se não fui... eu quem te criou para me proteger?
Ele me olhou com os olhos arregalados e começou a gaguejar.
– Eu... eu... eu...
Então a porta se abriu e Fedra entrou.
– Bom dia, Taylor.
Eu olhei bem séria para ela e depois me voltei para Ryan, mas ele havia desaparecido.
– RYAN!!!
Fedra deu um pulo com o meu grito.
– Quem é Ryan?
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