Filhos da Escuridão
11 Capítulo 10
Estava sem fome por causa da traquinagem que tive com Rico, então só consegui comer uma fatia de bolo, uma torrada com queijo e um pouco de suco de laranja. Quando levantei para colocar as peças sujas na pia senti ser observada por Stephan.
- Não acredito que irá comer só isso? Você está em fase de crescimento e mutação, precisa se alimentar direito ou então passará mal.
- Estou sem fome – respondi sem paciência.
- Vou lembrar a Esme de conversar com sua tia Alice sobre sua dieta. Você tem que comer direito – retrucou sem se abalar já sabendo que eu estava desse jeito por causa do capuccino.
Parei de esfregar o prato e fiz uma careta pra ele.
- Até quando eu estiver longe você não dará uma trégua não é mesmo?
- Sou insistente — ele deu um meio sorriso. — Só para te lembrar, Enrico lhe falou sobre não sair de casa.
- Eu sei Stephan. – me contive pra não revirar os olhos.
Acabei de lavar os pratos e fui para a sala tentar saber o que tanto Rose e tio Greg conversavam. Mas como sempre eles me ouviram chegando. Rosalie foi a primeira a se levantar para me cumprimentar. Ela parecia cansada.
- Olá minha linda, dormiu bem? – disse antes de beijar minha testa.
- Sim. A chuva ajudou um pouco — tentei dar um sorriso e foi à vez do grandão me cumprimentar, e me deu um abraço de urso.
- Ficamos preocupados, mas você é uma menina forte — ele abriu um sorriso que mostrou quase todos os seus dentes, normalmente ficaria feliz, mas me senti desconfortável.
- Vou ficar um pouco na varanda, vou aproveitar o clima bom que está lá fora.
- Se for à varanda, então está tudo bem não é mesmo Gregori? — parecia mais afirmação do que uma pergunta quando Rose disse.
Saí da sala e fiquei na escadinha da varanda olhando pra grande macieira que tem ao lado da janela da sala da casa. Ainda parecia úmida por causa da chuva que caiu ontem. Queria um tempo sozinha com meus pensamentos, então aproveitei que Rose e tio Greg se juntaram a Stephan na cozinha e fui direto para o Lago. Fui sem pressa observando o caminho. A casa nova tinha um bem próximo então o trajeto foi mais rápido.
O Lago era translúcido e pequeno com várias pedrinhas em volta. Sentei numa pedra maior próximo a ele, tirei as pantufas e mergulhei meus pés na água fria. O vento estava úmido o que me fez arrepiar. Senti-me solitária, e não gosto desta sensação era a mesma sensação quando eu morava com meu antigo pai Felix e minha mãe estava trabalhando. "Calma Ness, aquilo só foi um pesadelo", pensei comigo mesma, "Eles são pessoas boas"
- Não posso ficar fora um tempo que você desaparece de casa.
Tomei um susto, quando me virei era Alec em pé e de braços cruzados. Seus cabelos estavam desarrumados por causa do vento e estava lindo com a calça jeans e sua blusa de botão azul escura com seu casaco comprido de couro.
- Queria me despedir do lugar. Esse Lago mesmo sendo pequeno é mais bonito que da antiga casa que moramos.
Alec se abaixou e sentou ao meu lado e ficou observando o Lago.
- Você tem razão.
Pendurou um silêncio entre nós dois e veio em minha mente o sonho com o vampiro Pedro, me lembrei que Alec estava.
- Alec. Por que você não conta como se transformou em lobisomem.
Ele ficou um pouco surpreso mais continuou em silêncio.
- Não se preocupe não vou perguntar sobre isso, pois sei que não gosta. Só queria saber se quando se juntou a Carlisle o grupo de homens lobos era maior.
- Somente os irmãos Cullen. Soube que teve outro componente, mas morreu lutando contra os mesmos vampiros que tentaram me matar. Tive sorte dos Cullen estar no rastro desses sanguessugas quando eles me acharam — explicou tentando ser indiferente.
- Então foram os mesmos vampiros que mataram esse outro lobo que tentaram também te matar?
- Isso mesmo. Nosso pai, Gregori e Rose chegaram há tempo.
- Que bom! – soltei aliviada.
Alec ficou me fitando. Senti que ele queria dizer algo, mas não conseguia. Comecei a ficar envergonhada, pois lembrei de nosso beijo de ontem.
- Vai ser estranho não ter você por perto para me tirar de problemas –murmurei pra descontrair.
- Vai ser estranho também pra mim.
Dessa vez olhei para ele, mas agora ele estava observando o Lago a nossa frente. Alec tirou um celular fininho de cor prata e me entregou.
- Pra manter contato, você sabe, é melhor prevenir, não sabemos se iremos nos mudar novamente. Já está na memória todos os telefones para você nos encontrar.
- Legal. Queria que você pudesse ir comigo.
Alec levantou e colocou as mãos no bolso.
- Vai ser bom pra você conhecer pessoas totalmente humanas, pode até fazer novos amigos. Estará perto de praias. Vai ser legal!
- Talvez tenha razão.
- Eu sempre tenho razão — Alec me olhou presunçoso.
- Pensei que o sabe-tudo era o Stephan?
Alec não resistiu e sorriu. Ele sentou ao meu lado novamente aproveitei e encostei minha cabeça em seu ombro direito, então Alec me envolveu com o seu braço de um jeito que. Se pudesse ficaria o resto do dia deste jeito.
- Em falar de Stephan, ele me contou que você teve um pesadelo.
Enrijeci. Acho que ele percebeu, pois se afastou um pouco pra poder olhar nos meus olhos.
- Foi um sonho confuso com lobisomens e vampiros.
- Com o vampiro que tentou te atacar ontem?
- Não lembro exatamente. Mas tenho uma curiosidade.
- Sobre o sonho?
- Não. Minha mesmo.
- Manda.
Pensei bem antes de perguntar para alguém, e percebi que Alec era o melhor pra perguntar, mas mesmo assim perguntei com cuidado.
- Você tem a super velocidade por causa do tele transporte, Stephan inteligência, eu sou doida de pedra... E os vampiros? Por acaso podem ter algum de poder incomum?
Alec parou um momento para analisar o que ouviu, fiquei um pouco ansiosa pela resposta, será que dei bandeira?
- Sim. Eles já foram humanos também e como Carlisle podem ter algum dom. Algumas dessas criaturas só precisam controlar. Como está acontecendo com você.
- E conheceu algum vampiro com um dom poderoso?
- Por que essas perguntas? Ele fez algo com você? – disse nervoso.
- Calma! Só quero ficar alerta.
Alec respirou fundo e continuou:
- Tinha algum tipo estranho de telepatia, não sei detalhadamente o que podia fazer, mas sei que se quisesse poderia deixar uma pessoa louca. Já respondi as perguntas. – encerrou o assunto.
Preferi ficar calada, "que menino birrento". Não estávamos mais abraçados e como não tenho papas na língua e fui logo cortando o clima.
- Tio Greg brigou com você sobre o que aconteceu ontem?
- Hoje é dia das perguntas? — disse emburrado.
Eu fiquei olhando para ele deixando explicito que estava aguardando a resposta.
- Só conversamos – respondeu por fim.
- Mas ele não gostou?
- Não.
- E você gostou? — eu e minha língua.
Continuei olhando pra ele. Não respondeu nada, mas continuei encarando. Seus olhos saíram de foco como se estivesse revendo alguma cena. "que demora em responder uma simples pergunta"
- Alec? Não vai me responder?
- A convivência com o impulsivo francês não está te fazendo bem. Isso é pergunta pra se fazer?
- Só responda, por favor, seja que resposta for você sabe que não gosto de meio termo.
Alec levantou bruscamente me dando um susto. Levantei também, mas fiquei na sua frente, queria que ele fosse sincero na resposta e que não tenha influência “como sempre acontece”.
Olhei no fundo dos seus olhos negros — todos eles tem olhos pretos — e esperei pacientemente pela resposta. Depois de um tempo também começou a me encarar. Não lembro o que deu em mim, só que me aproximei mais com o meu coração saltando.
- "Beije-me” — me concentrei e disse por telepatia.
Mas aconteceu. Alec começou com as mãos subindo e alisando meus braços até chegarem a meu pescoço, seu rosto se aproximou sempre parando para analisar os meus olhos, a minha boca. Foi bem devagar e eu fiquei somente parada, esperando. Quando estava a centímetros da minha boca ele parou.
- Não se mecha.
“sim senhor, tudo que você pedir”.
Alec começou a encostar vagarosamente seus lábios nos meus. Aqueles lábios macios moveram com os meus. Eu comecei a aprofundar nosso beijo, senti uma leve pressão na minha nuca, era a mão dele me puxando para ele. Comecei sentir aquela sensação novamente e fiz de novo. Eu abracei seu pescoço deixando nossos corpos colados, coloquei a minha mão esquerda por baixo de sua blusa para poder acariciar suas costas e com seu tele transporte ele sentou e me levou junto. Minhas pernas ficaram em cima das deles. Alec fez uma expressão que estava se divertindo com minha falta de paciência. Impaciente eu o puxei para ficar em cima de mim. Voltamos a nos beijar, a mão livre alisava o seu cabelo. Quando Alec abandonou a minha boca e me beijou o pescoço eu soltei um gemido que o fez parar.
Eu o olhei não conseguindo respirar direito e percebi que a parte branca de seus olhos se tornou totalmente negro. Ele também tinha uma respiração irregular que quando começou a se normalizar os seus olhos antes estranhos começaram a ficar normais, então sentou direito ao meu lado. Antes de me sentar endireitei a minha roupa e cabelo bagunçado. Eu ainda tremia de desejo. Olhei de lado para ele, mas Alec olhava para o Lago. Confesso que me deu uma vontade imensa de chorar o que fez meus olhos enxerem d'água. Que confusão na minha mente.
Levantei muito rápido, o que fez ficar sem equilíbrio, mas Alec me ajudou. Minhas pernas também tremiam. Não lhe disse nada, puxei meu braço e comecei a andar em direção a casa. Ele lógico foi atrás de mim, voltou a ser minha sombra. Quando já estávamos na varanda ele segurou a minha mão esquerda que me fez parar. Não queria olhá-lo eu estava perto de chorar, estava lutando contra as lágrimas que já estavam prontas para cair. Por que ele parou? Por que me beijou daquele jeito?
- Nessi. Desculpe-me se te magoei, juro que não foi a minha intenção.
Olhei para ele tentando fazer uma cara de desdém, mas minhas lágrimas "teimosas" começaram a cair e enxuguei rapidamente com as costas da mão. Controlei a minha voz pra não sair de choro — os outros poderiam ouvir e já tenho problemas demais.
- Eu vou subir para meu quarto quero ficar um pouco sozinha e separar as coisas pra viagem.
Ele somente confirmou com a cabeça e soltou a minha mão. Aproveitei esse momento pra subir logo as escadas, pude sentir Stephan, Gregórios e Rose conversando na sala então não poderiam me ver.
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