Notas iniciais
Boa leitura...

No Hospital aguardamos ser chamados. O percebi preocupado então aproximei e peguei em sua mão.

- Vai ficar tudo bem Alec.

- Do que está falando?

Eu tento ser legal e como sou tratada, como se me desse um choque soltei sua mão.

- Me desculpe não queria incomodar.

- Bonjour* July – Alec cumprimentou em Frances. O básico eu tinha que saber.

*Bom dia em francês

Virei-me para ver com quem falava. Acho que a garota é enfermeira, até que é bonita com seus olhos azuis. Quero dizer, deve ser somente uma assistente de enfermagem e alem de ter um olhar muito malicioso por sinal.

- Bonjour Alec — respondeu em Frances... E mais alguma coisa.

- Alec? Quem ela pensa que é pra chamá-lo assim? E o que ela disse depois? Estou precisando de um tradutor aqui urgente!!!!

- Muito trabalho — Alec respondeu simpático, mas falou em italiano.

- Desculpe a intromissão, mas o que faz por aqui? – a enfermeira perguntou também em italiano.

- “Por favor, alguém me enxerga aqui?!”

- Alec, não me diga que está doente? — tocou no ombro dele com a expressão de preocupação, pelo menos ela queria que Alec acreditasse.

- Estou de visita – Alec respondeu educadamente.

Alguém de branco na recepção a chamou.

- Me desculpe tenho que ir.

- \"Deus a acompanhe e não a traga de volta.\"

Que oferecida, ainda bem que foi embora, Alec a acompanhou com o olhar. Se ele não parar acho que vou arrancá-los. Ele deu um breve suspiro. Vou me segurar para não voar no pescoço dele.

- Vamos Ness... Renesme está me ouvindo? – derrepente percebi que Alec tinha voltado ao português.

- O que é?

- Carlisle está vindo e pare de gritar por telepatia.

Ignorei o comentário e parei de pensar em besteira olhando para o fim do corredor. Meu pai estava todo de branco e com o cabelo preso vindo em nossa direção. Fui rapidamente ao seu encontro. Ele me recebeu com um abraço e um largo sorriso.

- Pai que bom te ver novamente. Quando é que você dormiu?

- Penso nisso mais tarde. Você não que ir ver sua mama?

- Claro que si.

- Está no quarto 202, logo ali — apontou para a terceira sala adiante.

Fui contando os passos até o quarto. Bati ligeiramente na porta branca com um enorme número 202, feito de ferro. Minha mãe estava deitada com os olhos já cheios d\'água encarando a porta. Corri no espaço que separava a entrada para a sua cama e comecei a chorar.

- Mamãe que saudades — entre os soluços consegui dizer.

- Minha filha me dê um abraço.

Uma voz me repreendeu com um cuidado, no outro canto do quarto. Olhei nervosa, mas era Rose com um breve sorriso. Ela ainda estava aqui, não a senti por eu estar tão nervosa.

- Ness a abrace com cuidado.

- Sim claro.

Virei-me para mamãe. Beijei sua testa e fiquei acariciando sua mão que estava sem o soro.

- Filha como você está se sentindo?

- Cheia de saudades de minha mãe — todas as mulheres sorriram o que levou Rose a um breve comentário.

- Vou deixá-las sozinhas. Se precisarem de algo, estou aqui fora.

Minha mãe agradeceu.

- Era para Rosálie já estar em casa, mas ela se ofereceu de ser a minha enfermeira particular pra o seu pai descansar.

- O que ele não fez até agora, certo?

- Exatamente.

- Prometo que irei falar com ele sobre isso. Mas não vi Enrico, sabe onde ele está?

- Foi fazer compras para a nossa casa, ele aproveitou que Alec viria. Nós sabemos que ele não consegue ficar quieto em algum canto.

- A não ser quando está assistindo televisão — falamos ao mesmo tempo, o que gerou uma risada.

- Já sabe quando sai do Hospital?

- Eu posso sair no fim dessa semana, mas Carlisle preferiu que eu ficasse mais tempo por aqui, enquanto ele está trabalhando.

- E ficar em segurança — não queria admitir, mas tive que desabafar com minha mãe. — Você já deve saber que vou para a casa de tia Alice. Mas isso me deixa preocupada.

- Não entendo minha filha, pensei que gostasse de sua tia.

- Claro que a amo. Eu me refiro deixar vocês aqui.

- Quero que entenda que a prioridade é a sua segurança, e eu estarei aqui no Hospital, com o seu pai logo aqui do lado. E isso Ness não é definitivo, mas por enquanto essa é a melhor solução.

- Você tem razão, eu só iria atrapalhar.

- Todos te amamos, e pensamos o melhor para todos. Vamos mudar de assunto... E Alec?

Fiquei preocupada sobre a \"mudança de assunto\".

- Está lá fora.

- Minha pergunta não é sobre isso. Sei que vocês dois estão com problemas, quero saber de você qual é o problema.

Sempre mamãe. Fiquei confusa sobre o que dizer para ela, nem eu mesma sabia direito o que está acontecendo. Mas comecei manter a calma.

- Boa pergunta mamãe. Mas acho que está perguntando para a pessoa errada, não sei o que está acontecendo, percebo que Stephan sabe e até mesmo papai.

- Querida a minha pergunta é sobre como se sente em relação a Alec.

- Confesso que não esperava essa pergunta. Estou muito triste. Desde que entrou na minha vida ele foi meu companheiro de todas as horas, não por ser meu guarda-costas e sim por ser meu melhor amigo.

- Acho tão lindo o sentimento de vocês dois. Também fico triste que estejam deste jeito, mas creio que breve isso vai se resolver.

- É o que também espero.

Continuamos a conversar sobre a sua saúde que estava melhor a cada dia e sobre a minha futura viagem que seria semana que vem. Minha mãe estava excitada com a idéia de depois poder ir à casa de tia Alice e ver sua barriga com seu mais novo sobrinho crescendo. Tempo depois entra Rose acompanhada por Alec.

- Desculpe interrompe-las, mas tem mais uma pessoa querendo ver Esme.

Alec entrou meio tímido.

- Por favor, Alec aproxime-se, que saudade estava de você querido — minha mãe o considera como um filho mesmo ele sendo bem mais velho do que ela.

Afastei-me da cama para que ele ocupasse o meu lugar. Alec lhe deu um beijo no rosto e sussurrou algo em seu ouvido, olhei para Rose e senti que ela ouviu com sua audição de lobisomem. Minha mãe simplesmente sorriu. Rosálie me chamou pro lado de fora do quarto.

- Já está próximo ao horário do almoço. Melhor vocês dois irem pra casa ou procurar algum restaurante aqui por perto para você comer alguma coisa.

- Aposto que Stephan ligou?

- Está errada. Alec me disse para sair com você, pois a senhorita não comeu nada até agora. Ele se preocupa com você, e claro que depois disso Stephan com Gregório ligaram para reclamar também – disse segurando o riso.

Nós duas rimos. Esses dois juntos. Eles dois disputam para ver quem cuida melhor de mim. Algumas vezes pode ser irritante, mas outras vezes é muito engraçado. Esperamos alguns minutos para depois voltarmos para o quarto onde mamãe tinha se hospedado.

- Desculpe Esme, mas está na hora destas duas pessoas almoçarem.

- Perfeitamente Rose.

Despedimo-nos e prometi que não iria demorar. Eram quase 11 da manhã. Não tinha percebido, mas estava com fome. Não pude falar com meu pai, ele estava com um paciente. Segui Alec até o pequeno estacionamento do Hospital. Ele estava pensativo, mamãe disse alguma coisa que mexeu com ele. Esses segredinhos acabam comigo.

- Podíamos ter comido algo na lanchonete do Hospital.

- Você precisa comer algo nutritivo, pelo que sei não comeu nada até agora.

- O que está enganado, comi duas fatias de pão integral – respondi emburrada.

Entramos no carro e tive a impressão de Alec ter sorrido. Seja lá o que minha mãe disse teve algum resultado bom. Ela provoca isso nas pessoas. Ele passou por algumas ruas da cidade que não conheço e até pareceu que iria chover, não ando por aqui fico mais em casa, pois é bem mais interessante: tem árvores e até um Lago, além de uma televisão enorme onde tem torneios de videogame com Enrico, dicas de moda com Rose, informática com Stephan, receitas com tio Greg, a companhia de Alec e meus pais maravilhosos.

- No que está pensando? — tomei um susto, quando Alec me perguntou.

- Na minha família. Estou mal acostumada. Digo em morar perto do Bosque e em minha família de lobos, e de como uma pessoa tão pequena pode atrapalhar a vida de seis pessoas maravilhosas.

Alec parou o carro no acostamento e me encarou.

- Quem foi que falou este tipo de bobagem com você — nossa ele estava nervoso, mas o que eu disse dessa vez.

- Alec ninguém precisa me falar nada, não é o que está acontecendo? Eu sei que sou o centro dos problemas, e não duvido nada que também seja a responsável pelo acidente com minha mãe – respondi nervosa pela sua reação.

- Você não sabe de nada. Eu já te disse o que aconteceu naquele dia. Aqueles demônios são os culpados de isso estar acontecendo entendeu? E pare de falar besteira.

Alec estava se mexendo para ligar o carro, mas impedi segurando sua mão que estava na marcha.

- Então me responda, por que está me tratando diferente? Você muda de humor mais rápido do que se transforma em lobo. Isso machuca sabia? Quando você se aproxima de mim tenho receio de falar algo errado, tento te sentir, mas você me bloqueia...

- É melhor eu procurar por um restaurante - disse indiferente me interrompendo.

- Se estou te atrapalhando me diga, eu peço pra meu pai substituir você. Você que curtir ou namorar? Então diga – gritei louca de ciúmes.

- Espere! Que história é essa? – Alec perguntou exasperado.

- Não pense que não reparei como você olhou para aquela enfermeira, como é o nome dela... Oferecida?

- July. E como eu olhava para ela Ness? - perguntou com a voz divertida.

Nessa hora não consegui me controlar, abri a porta e saí correndo do carro. Não sabia pra onde ir, mas não consegui ficar no carro com aquele mentiroso. Odeio mentiras. Sabia que ele iria me encontrar, mas eu não conseguia parar de correr até descarregar minha fúria.

Uma quadra depois parei de correr para buscar ar. Percebi um pingo grosso e gelado que caiu na minha blusa nova, só faltava essa chuva! Não sei quanto tempo corri, mas não fazia idéia onde eu estava. Rapidamente começou a chover. Tentei me proteger na porta de uma mercearia o que me impediu de entrar foi meu reflexo no vidro da porta, a blusa que estava vestida estava praticamente transparente mostrando cada detalhe de meu sutiã, que vergonha

- \"Eu poderia ter trazido um casaco\".

Cruzei os braços para disfarçar e continuei na porta do lugar. Não tinha ninguém na rua, pois já estava chovendo forte, que idéia que eu tive. Comecei a andar tentando me proteger o quanto podia nos batentes das lojas em que passava. O céu nesse momento ficou muito nublado, cinza bem escuro tampando a claridade do Sol, parecia mais um fim de tarde. Senti um leve arrepio na espinha, essa sensação... Seria algo errado?

Olhei ao redor e não vi ninguém. Comecei a andar mais rápido, a sensação voltou parei rapidamente e entrei na primeira loja que vi, olhei ao redor, era um Bar.

- \"Que ótima escolha em Renesme?\" — pensei

Antes de sair olhei e só vi um senhor com traços orientais passando correndo por causa da chuva forte. Saí rapidamente do Bar, e continuei a minha caminhada para lugar nenhum. Mas a sensação continuou, era um deles tinha quase certeza. Dobrei uma esquina de propósito, mas alguém continuou a me perseguir.

- \"Corra Ness\" — ouvi em meus pensamentos.

Estava com a visão embaçada, meu dom me alertando do perigo se aproximando mais rapidamente.

- \"Ele não vai me tocar novamente\" – pensei comigo mesma.

Comecei a correr desesperadamente, mas chegou um momento que não conseguia mais correr, estava cansada, toda molhada, com frio e fome.

- Fique longe de mim — falei alto não me sentindo segura.

-“Vou te castigar sendo uma de nós” — foi sussurrado novamente em minha mente.

- Eu não vou ser um de vocês, não sei o que pretende, mas não vai conseguir – disse furiosa.

- “Não vai ter escolha e você não tem como me impedir. Está sozinha”.

- O que você quer?

- “Você” – ficou repetindo em minha cabeça.

Gritei pro longe. Sei que ele pode me ouvir, sua audição é aguçada. Um som quase inaudível por causa da chuva chegou a mim. Seria uma risada? Era do demônio, já o senti antes, então não tinha dúvidas. Juntei o pouco de energia que tinha e corri e direção a rua principal. Eu tinha que escapar desse monstro não irei permitir que ele me pegue e não posso amarelar, minha família vai ficar vulnerável se eu me tornar um deles. Estava chegando próximo ao limite do passeio e avistei um caminhão carregando toras de madeira, uma idéia envolvente me ocorreu:

- \"Só se jogue Ness, você não tem outra escolha\".

Pisei na beirada do passeio para dar impulso e ser atropelada, mas algo forte me agarrou e jogou do outro lado da pista, mas ainda ficou abraçado a mim.

- Não! Largue-me! — comecei a gritar e chorar desesperadamente. Eu falhei, ele me pegou.

- Ness sou eu se acalme.

Esforcei em abrir os olhos, a chuva machucava quanto tentava enxergar. Ele debruçou sobre mim o que fez meus olhos abrirem, era realmente Alec.

- Vou te carregar até o carro, certo, consegue me entender?

Acenei com a cabeça. O carro estava próximo, mas pude jurar que vi na esquina de onde saí um homem com um grande casaco preto a nos observar. Um maldito vampiro. Agarrei mais forte o pescoço de Alec e fechei os olhos, quando olhei novamente a criatura tinha desaparecido. Alec me colocou dentro do carro e deu a volta para entrar. Imediatamente ligou o aquecedor, pegou seu casaco de couro no banco de trás e colocou sobre mim. Não conseguia lê-lo, eu ainda estava nervosa, desorientada.

- Vou te levar pra casa o mais rápido que eu puder, ainda está de dia, tem que servir para alguma coisa -comentou com a voz sufocada como se dissesse mais pra ele mesmo.

Ele inesperadamente deu um soco do lado do volante que acabou amassando.

- \"Era uma vez o painel e Gregori vai surtar\".

Alec começou a dirigir feito louco. Estava preocupada com ele, será que o demônio o machucou? Minha voz estava rouca, mas mesmo assim tentei encontrar as palavras:

- Alec?

Ele virou o rosto surpreso o tirando do transe que estava. Parou o carro no acostamento.

- Ness, dói em algum lugar? - perguntou urgente.

- Não sei dizer. Você está bem?

- Claro que estou minha menina - ele acariciou meu rosto, um sorriso de alívio escapou de sua linda boca, esse é meu Alec, ele voltou. -Preciso te levar para casa, você tem que trocar de roupa e comer alguma coisa, agora descanse.

- Você também o viu?

Ele não respondeu somente olhou pra estrada e colocou o carro na primeira marcha.

Notas finais
Faça a escritora feliz e deixe um comentário.

Bju*