Filhos da Escuridão
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Chegamos rápido em casa. Stephan, Enrico e Tio Greg já estavam esperando na entrada da casa. Alec arroteou o carro e me pegou dos braços de Enrico que já me carregava. Fui levada direto para o quarto, onde pegou uma toalha e começou a enxugar meu cabelo, e a examinar meus braços e pernas.
- Preciso saber se está machucada – me avisou.
- Alec. Ele não me mordeu – falei cansada.
Ele se ajoelhou aos meus pés com o cabelo pingando em minha bota.
- Sei. É melhor você tomar um banho quente senão vai se resfriar.
Tentei levantar, mas estava esgotada e cambaleei quase caindo.
- Ness se quiser eu te ajudo.
- A tomar banho?- perguntei levantando a sobrancelha.
- Te levar ao banheiro – disse impaciente.
Claro. O que mais seria. Mas não queria tomar banho, queria dormir e até a fome que tinha ha minutos a trás desapareceu totalmente. Fiz uma cara emburrada. Alec me ajudou a levantar, pegou mais uma toalha e um moletom cinza no armário.
- Desculpe, mas Rose não pode vir, mas eu posso cuidar de você, se quiser.
- Você quer?
Ele só deu um sorriso pra pergunta.
- Se quiser posso sair para você trocar de roupa.
- Não, eu preciso de sua ajuda para tirar a roupa – pedi enquanto tentava tirar o casaco, mas fui impedida por uma dor aguda do lado direito que me fez soltar um gemido. Ele tirou a jaqueta que eu estava vestida e viu uma mancha de sangue no meu ombro direito.
- Vou pegar o kit de primeiros socorros, não se mexa.
Alec saiu correndo do meu quarto, mas deixou a porta aberta, mas antes dela fechar ele chegou com a maleta branca.
- Vou te ajudar a tirar primeiro a blusa.
Acenei a cabeça e tentei não ficar vermelha de vergonha, meu corpo estava desenvolvido e ainda bem que eu estava com meu sutiã branco com renda, pois é novo e bonito.
- "Por que estou preocupada com isso? E que hora estranha de pensar nisso!" “Droga é melhor eu parar que pode ser que ele escute”.
Ele desamarrou o laço e cuidadosamente abaixou a blusa. O encarei, mas Alec estava muito concentrado limpando o meu corte.
- "Não que eu me importe claro!"
- Isso não é uma mordida. Desculpe Ness deve ter sido na hora que te empurrei.
- Claro você me salvou de mim mesma - confessei num sorriso sem nenhuma vontade.
Alec largou meu ombro e me olhou com dúvida.
— Pode me explicar?
- Eu fiz de propósito... Me jogar na frente do caminhão. Eu acho – respondi confusa.
- Você está louca? - ele levantou muito rápido e furioso, ainda bem que não tinha Lua no céu, não duvido que fosse se transformar.
- Pense Alec. Você não acha muito estranho ele estar me seguindo. Todos sabem que não sou loba totalmente, e se o demônio me morde? O que aconteceria? Eu poderia me transformar num deles? Fiz o que pensei ser mais fácil, consegui senti-lo Alec, e... Ele ameaçou me usar. – acabei num sussurro.
Alec não disse nada e nem respondeu as minhas perguntas, pois sei que como os outros, ele também tinha dúvidas. Ele só me observava.
- Já acabei de limpar o corte. É melhor te ajudar a trocar de roupa.
- Alec por acaso escutou alguma coisa que acabei de dizer? – falei frustrada.
Ele se aproximou e arrumou meu cabelo em cima do meu ombro esquerdo. Não consegui dizer mais nada, seus olhos negros brilhavam e senti uma sensação gostosa que me deixou ansiosa. Dei um passo pra perto dele quase nossos corpos se tocando. Inconscientemente comecei a sussurrar.
- Alec eu só queria proteger meus Lobos.
- É o MEU trabalho te proteger, garota teimosa.
Ele colocou sua mão esquerda em meu rosto e me deu um beijo rápido, mas cheio de ternura. Me deixou flutuando, suando. O frio pra mim não mais existia, tinha uma fogueira crescendo dentro de mim. Eu me aproximei dele e o beijei diferente. Não foi um selinho de irmão, pois passeei com a língua no canto de sua boca. Mas fui surpreendida por um Alec ansioso pra continuar essa experiência e quando dei por mim ele estava encostado no armário e eu o agarrando. Não consegui parar, mas ele parou derrepente e se plantou me protegendo de algo na entrada. Estiquei-me para olhar sobre seu ombro e percebi que era tio Greg com uma cara nada feliz olhando pra gente.
- Ness melhor você trocar de roupa sozinha. Alec reunião – Gregório falou secamente.
Quando Gregori se foi Alec se afastou de mim sem me olhar.
- O moletom está em cima da cama, se precisar de ajuda Stephan estará aqui.
- Alec, eu quero você — supliquei.
Não sei se ouviu ele já tinha saído, fiquei parecendo uma idiota falando com alguém que não estava mais lá, só pude chorar com a angústia que senti. A minha boca ainda estava queimando por causa da intensidade do nosso beijo. Alguns minutos se passaram e eu não tinha me movido, foi uma brisa que entrou da grande janela que me despertou... Frio. Troquei mecanicamente a roupa não me importando da dor que vinha do ombro. Estava triste, não consegui analisar com tudo o que aconteceu esta tarde. Alec me beijou com um desejo muito forte que me deixou tonta e muito confusa. Fiquei com vergonha de descer para a sala depois do que aconteceu, então fiquei na cama vigiando pela janela a chuva que caia forte lá fora.
- Pardon*, eu posso entrar? — a cabeça de Enrico apareceu pela abertura da porta.
*perdão em francês
- Claro Enrico.
Ele entrou com uma bandeja com comida. Tinha um prato de sopa, torradas com goiabada (que adoro) e um copo de suco de laranja. — Deu um pouco de trabalho, mas ninguém conseguiu me vencer no combate.
- Você estava brigando Rico? – perguntei assustada, ele e seu gênio forte.
- Me refiro a um jogo de luta chamado combate mortal, adoro essa relíquia.
- Ah claro e que alívio.
Sorrimos um pro outro. Ele vestia moletom e camiseta preta ao invés de camufladas, que acentuavam seus músculos fortes e a tatuagem de um dragão verde e vermelho que começava em seu ombro direito e terminava do outro lado das costas. Enrico sentou na beirada da cama de Rose (ao lado da minha) e colocou a bandeja em cima da mesinha que ficavam entre as duas camas. Estava preocupado e era estranho vê-lo desse jeito, pois da nossa família ele é o mais relaxado com seu jeito francês.
- Diable!* Eu não sei como dizer isso, mas sei que é melhor você saber logo – sussurrou obviamente pra os outros não ouvirem.
*droga em francês no sentido de interjeição.
- Aconteceu mais alguma coisa?
- O CDF do Stephan está lá embaixo, você sabe no computador, e está comprando a sua passagem para Bahia – continuou falando baixo.
- Já tão rápido? – reclamei mais triste.
- Exatamente e é para sábado – murmurou.
Por essa eu não esperava.
- Não pode ser! Eu prometi a minha mãe que iria vê-la novamente – reclamei.
- Apesar de precipitado eles podem ter razão. Não podemos mais arriscar ma chérie* e amanhã você não poderá sair de casa – com a respiração pesada continuou. — Não podemos permitir que aconteça de novo e aquele sanguessuga não chegará perto de você novamente — disse entre dentes.
*minha amada em francês.
- Acho que não tenho escolha - suspirei.
Enrico alcançou minha mão direita e sua rispidez evaporou quando deu um leve sorriso e olhou para a bandeja na mesinha.
- É melhor você comer agora petite estáumpoucopálida.
*pequena em francês.
Enrico alisou delicadamente o meu rosto e suspirou pesadamente antes de levantar. Quando ele estava pra sair perguntei sobre Gregori e Alec.
- Alec foi para o hospital conversar com Carlisle sobre o que aconteceu com você e o Gregorios, ele está lá embaixo, sabe... Carrancudo.
- Obrigado Rico.
- Não se preocupe tudo irá se resolver – olhou longamente pra mim e saiu do quarto.
Eu gostaria de ler os sentimentos de Rico, mas como os outros ele me bloqueia. Não conseguia pensar racionalmente, tantas coisas aconteceram em poucas horas, que confusão! Espero que seja o certo essa viagem, não quero que minha família brigue. Agora precisam ficar mais do que nunca juntos. Comi as torradas mais o suco de laranja e provei um pouco da sopa que por sinal estava uma delícia, mas não consegui tomar toda.
Estava 'deprê', fiquei deitava na cama... Por um momento esqueci os problemas e relembrei do confuso beijo. Que gostoso foi, me senti tão diferente e despreocupada, por causa da viagem só tenho mais um dia com Alec. Percebi que tinha pegado no sono, pois estava o vampiro me perseguindo novamente. Dessa vez o via, mas era estranho. Vestia semelhante a mais cedo e eu não estava correndo somente caminhando. Ele continuava a me perseguir pela noite através das ruas de uma cidade. Num certo momento do sonho fiquei encurralada num beco sem saída, a criatura ficava mais perto de mim até ficar na distância de um passo, não me disse nada. O encarava, mas não enxergava seu rosto nitidamente só alguns detalhes como seus olhos vermelhos cor de sangue.
- O que você quer de mim? — perguntei arrogante.
Sem resposta. A sensação que me incomodava ficou mais fraca dando a impressão que o perigo se afastou, mas como? O demônio ainda estava na minha frente com aquele lindo rosto de vampiro loiro a me admirar, eu estava com um vestido vermelho escuro de época que limpava o chão de tão comprido e cabelos mais claros soltos em cachos.
- "Temos que sair daqui não é seguro pra você"
Sua voz dentro da minha mente me alertou.
- "Ele está vindo e é muito perigoso, não se deixe enganar"
Era a criatura falando comigo. Ele se aproximou bem lentamente e tocou com as costas das mãos o meu rosto. Seu toque era suave contornando a moldura da maçã até o meu queixo.
- "É melhor irmos agora não quero que se machuque"
- Pedro? Eu não entendo, pensei que você odiasse a nossa família e agora diz que quer me proteger?
Eu podia jurar que os olhos do demônio pareciam que iriam derramar lágrimas, mas nada aconteceu. Esse clima foi quebrando quando percebi que não estávamos sozinhos, o vampiro loiro começou a mostrar seus caninos pontiagudos.
- Essa humana é minha, vampiro, e de mais ninguém — uma voz sombria surgiu do escuro.
O vampiro me assustou se virando velozmente para a voz. Ele agachou levemente numa posição de ataque mostrando os grandes dentes e um rosnado alto saiu de sua boca, o mais estranho é que a criatura estava parecendo me proteger. O desconhecido deu um passo para a claridade e o reconheci, era Alec ou ao menos parecia, o cabelo estava mais comprido e usava uma calça social preta e tinha uma fúria que dava medo em seus olhos com as pupilas de cor vermelha.
- Alec está tudo bem Pedro não vai me machucar.
- Vampiro por que não fala nada? Não tenha tanta certeza que a intervenção da humana irá te salvar seu morto vivo.
- Alec! Estou falando com você, agora é melhor ir embora — insisti estava com muito medo.
- Cale-se! — o homem gritou comigo. - Depois me resolvo com você.
Alec virou para Pedro e disse:
- Como não sou egoísta trouxe meus irmãos para compartilhar esse momento.
- Pare! - ouvi pela primeira vez a voz do vampiro. Era linda e bem sensual. - Aqui não, Julie pode se machucar.
- Ela é tão tonta que não percebeu que era uma armadilha.
Ouvi umas risadas nas sombras. Tentei enxergar, mas foi inútil, mas não precisei me esforçar mais, corpos apareceram vagarosamente para a claridade do poste. Cópias fiéis de Gregorios, Rosalie e Carlisle e mais dois homens e uma mulher que não conhecia todos usando roupas pretas, seriam lobisomens? ficou furioso.
- Vocês todos vão pagar por essa humilhação - tinha uma espécie de dor na sua voz, mas como? Se essas criaturas não tem coração.
- “Pedro, eu estou com medo” – sussurrei na mente do vampiro.
- Vai acabar tudo bem, feche os olhos.
Eu fechei os olhos relutantes. Segundos depois ouvi gritos de luta. Assustada, abri os olhos e percebi que meu vestido e rosto estavam sujos de sangue...
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