Fighting Demons
5 Poison
Notas iniciais
–- Mas o que porra é isso? – Vivian Exclamou enquanto disparava seguidas vezes o rifle que trazia consigo.
Castiel, Elliot e Vivian eram atacados por várias pessoas, algumas ensanguentadas, elas eram ferozes, não tinham armas consigo, nem ordem de ataque, apenas avançavam e tentavam morder, arranhar, sangrar nos caçadores.
–- Croatoan. – Gritou Elliot em resposta que ainda se divertia decepando cabeças – Normalmente eles vem em pequenos grupos, mas acho que fizemos muito barulho dessa vez. – Continuou exclamando o rapaz, enquanto esmagava a cabeça de um dos Crots com alguns pisões do coturno.
–- Eu não compreendo... – Disse Castiel calmamente, enquanto também não dava muitas chances aos que se aproximavam deles.
–- Não há muito o que compreender. – Elliot respondeu – Há muitos anos, uma cidade teve um surto de Croatoan, segundo Nina os Winchester estavam na cidade na ocasião... As pessoas infectadas sumiram de uma hora para outra. E eles vieram parar aqui, nesta floresta... como se já não bastasse as porcarias que matamos aqui todos os dias. – Elliot reclamou enquanto arrancava seu facão do crânio de um dos mortos. O último aparentemente. A floresta voltou ao profundo silêncio.
–- Isto eu compreendo, Elliot, foram meus superiores que os mandaram pra cá. A Floresta é cercada e os Caçadores da Vila são por certo os melhores. Uma epidemia de Croatoan não era desejada à época... – Castiel explicou andando por cima de alguns dos corpos, chagando perto do menino – O que eu não compreendo é que depois de tanto tempo, ainda haja tantos deles por aqui... já deviam ter sido exterminados. – Castiel olhava ao redor – Mas este lugar sempre foi misterioso, fora de compreensão. – Ele tocou uma das muitas árvores.
–- Ela é medonha, isso sim. – Falou Vivian que com o rifle pendurando em suas costas apertava uma das mãos. – Quando eu era criança, chamavam esse lugar de Espanta Anjo. – Ela engoliu em seco – Não há nada sagrado aqui... só mal. Temos que achar Mary. – Ela parou entre os outros dois e seu irmão puxou para si a mão que ela segurava, tinha um corte não muito bonito.
O garoto apenas à fitou por um longo tempo.
–- Embora eu concorde que ela precisa ser encontrada, sei também que ela sabe se cuidar melhor do que você... – Elliot comentou mais para si mesmo do que para os outros – Algum deles sangrou em cima desse corte? – Perguntou como um adulto.
Vivian engoliu em seco, estava com medo, como se fosse ela entre os dois, a ter quatorze anos e meio.
–- Eu não sei... eu nem vi como ganhei isto. – Ela estava agitada – Eu senti a dor aguda na mão e simplesmente reagi, não percebi nada, nem vi o que foi. –
–- Tem certeza? – Perguntou o garoto de expressão impassível.
–- Tenho! Mas que diabos, Elli! E se ele tivesse sangrado em mim, o que você ia fazer? Me matar? Eu sou sua irmã! –
–- Se ele sangrou em você eventualmente você vai ser só um monstro, não a minha irmã. Você morreria de todo o jeito... só iria escolher se antes ou depois de surtar. – Ele deu de ombros, encarando a expressão de espanto da irmã.
–- O que estão fazendo com você aqui? – Ela exclamou puxando a mão – Você é só uma criança, não é possível que seja um pensamento seu. –
Elliot cruzou os braços.
–- Como você acha que nossa Vila sobrevive há tantos séculos? Sendo complacentes? Nós temos um protocolo, a despeito do sangue sou tão irmão dos outros caçadores da Vila quanto sou seu... não posso arriscar a vida de todos lá, Vivian. Me perdoe. – Ele continuava sério e gesticulava ao falar – Além do que, eles nunca me abandonariam como você fez. – Ele ergueu as sobrancelhas.
Vivian lhe deu um tapa no rosto e o garoto lhe apontou a arma.
–- Espero que isso não tenha sido um surto. – Ele falou com certa indiferença – É bom você ficar calma, pra eu poder entender o que é chilique e o que é você se transformando num monstro. – Ele concluiu mandando-a passar à sua frente. Vivian riu sem humor nenhum e passou à frente do rapaz.
Castiel veio ao lado do garoto.
–- Você foi muito duro com ela, Elliot. – O garoto se manteve em silêncio enquanto os olhos azuis de Castiel o fitavam. – Se ela sair dessa, acho que deveria se desculpar. –
–- Ela não se desculpou quando foi embora pra a faculdade e deixou todos nós. – Ele respondeu com a irmã na mira.
–- Isso foi há muito tempo e Vivian tenta se aproximar de você desde que eu estou os observando e creio que não seja esta a primeira ocasião... Elliot, o direito de não querer aproximação é todo seu, mas não seja cruel – Castiel abaixou o braço que o rapaz mantinha erguido com a arma em punho – Se ela se transformar em algo, você tem reflexos o suficiente para acertá-la antes que chegue perto. – Explicou o olhando com dureza – O que faremos agora? –
O rapaz bufou, mas não voltou a erguer a arma.
–- Vamos procurar mais... pretendo encontrar Mary antes que Nina dê as caras por aqui. – Respondeu atravessado sem tirar os olhos da irmã.
Xx
Sam dirigiu por um tempo considerável por caminhos que nunca tinha percorrido nem nunca havia ouvido falar e estava preocupado com Nina, que ainda sangrava um pouco.
–- Como vai ser o processo de cicatrização? Você é diabética, não está nenhum pouco preocupada?—Sam erguia as sobrancelhas ainda um pouco assombrado com o caminho.
–- Não, como eu disse a Clínica da Vila é boa. Umas doze horas e você não vai ver mais nem sinal de corte algum... – Ela se ajeitou no banco. – E você se machucou muito na batida? Eu fiquei tão preocupada em me corroer de raiva do seu irmão, que nem perguntei... me desculpe. – Falou com um meio sorriso.
–- Não se preocupe, fora o corte – Ele levou uma das mãos à cabeça – Acho que posso ter quebrado uma ou duas costelas... mas com certeza já estive pior. – Ele sorriu – Mas, se tem uma coisa que eu queria saber é onde estamos! Eu achei que conhecia as estradas dos Estados Unidos, mas com certeza estava enganado. – O jeito que ele falava era engraçado.
–- E isto é a prova da nossa eficiência. – Nina se gabou – Estas rotas são nossas. Se você roda por aqui, ou é da Vila, ou está com alguém da Vila, ou é um monstrengo desavisado querendo morrer. – Ela riu.
–- Ninguém nunca veio parar aqui por engano? – Sam estava curioso.
Nina se concentrou por algum tempo, estava tentando lembrar de algo aparentemente.
–- Uma vez, nos anos sessenta ou cinquenta eu acho. Um casal conseguiu sabe-se lá como vir parar nessa rota. Infelizmente como não foram reconhecidos como ninguém da Vila, o rapaz foi morto e a moça teve parte de suas memórias alteradas e pelo que eu sei, eles e seu carro foram colocados numa rota convencional qualquer e daí pra frente não sabemos de mais nada. – Ela deu de ombros.
–- Como vocês fazem esse tipo de coisa? Digo, curar ferimentos como os seus em doze horas, alterar a memória de alguém... você são mutantes ou algo assim? – Sam ria, mas a pergunta era séria.
Nina riu também, mas algo a preocupava lá no fundo.
–- Nós temos nossos meios Sam... algumas de nossas práticas diferem dos costumes de vocês caçadores freelancers... verá em breve. – Ela o olhou de canto por alguns segundos – Vire a esquerda depois daquele Carvalho. Depois sega mais 200 metros em frente, até se deparar com algo parecido com uma cerca. – Nina mudou de assunto rapidamente.
–- Cerca? – Ele estranhou.
–- Vai entender quando chegar lá. – Ela falou aquilo sem pensar, mas lembrou-se que já havia dito aquilo a outro do Winchester, há muitos anos atrás.
Flashback on
Três jovens, em que o mais velho não passava dos quatorze anos, espreitavam atrás de umas pedras um galpão que seria o esconderijo de um grupo grande de lobisomens.
–- Eu ainda não sei o que estamos fazendo aqui. – Reclamava a loira, a mais nova dos três, ela devia ter treze anos – Isso não é trabalho pra a gente, devíamos estar na Vila, ninguém nos autorizou a vir nessa missão... o grupo oficial de adultos – Ela deu ênfase à última palavra – estão escaldos para virem amanhã.
–- Vivian, me faz um favor e cala a boca. – Retrucou o único rapaz do trio que estava por volta de seus quatorze anos – Essa é a nossa chance de nos tornamos os mais jovens caçadores formados e em campo de Vila Celeste. Para de ser chorona, se você amarelar lá dentro estamos acabados. – Ele esbravejava com a loira em tom de sussurro.
–- Eu prefiro a opção em que todos vocês se calam, nós entramos pela porta dos fundos que tem uma fechadura frágil, detonamos esses malditos lobos e levamos as cabeças até a Vila pra receber a devida recompensa: Começar a trabalhar em Campo. – Falou a outra das garotas, que também devia ter seus quatorze anos, era ruiva, tinha um sotaque muito marcado e observava o alvo do grupo com um binóculo.
–- Engole essa, chorona! – Zombou o garoto da cara de choro de Vivian.
–- Brandon, eu adoraria que você falasse menos e agisse mais. – A ruiva ficou de pé – Vamos logo com isso. – Ordenou esperando os companheiros se levantarem.
Estavam muito bem armados, os três pré-adolescentes. A fechadura dos fundos era realmente frágil e foi quebrada sem produzir muito barulho. No entanto, haviam mais lobisomens do que o previsto lá dentro, por isso, usaram suas pequenas granadas que ao estourar lançavam estilhaços e pó de prata, mais cedo do que o previsto. Os pequenos eram competentes para a idade, principalmente a ruiva e o garoto, eram bons de briga e não pensavam duas vezes antes de acertar o coração. A pequena loira era mais frágil, ainda se assustava em algumas ocasiões e foi assim que toda sua operação deu errado.
Quando havia apenas dois dos lobisomens, dois dos maiores, Vivian refugou na hora de atirar, obrigando Brandon, o mais próximo a se arriscar, por ela, num embate corporal com o monstro, que obviamente acabou mal.
–- Nina! – Vivian chamou apavorada, quando o mostro cravou suas garras nas costas de Brandon.
A ruiva havia acabado com o outro dos lobisomens e a despeitos de vários cortes estava bem. O problema é que lhe restava muito pouca prata, então teve de improvisar, acertou a criatura com um preparado de ervas que não matava, mas atordoava o monstro pelo tempo suficiente, ela esperava, para pudesse apoiar Brandon e correr dali.
–- Me deixa aqui. – Pediu o garoto ao ser levantando pelas duas garotas – Eu não consigo andar direito, vocês não vão poder correr comigo! – O garoto falava sem tirar os olhos do lobisomem que parecia se recuperar rápido.
–- Eu já não te falei pra calar essa boca. – Repetiu Nina começar a andar o mais rápido que podia enquanto arrastavam Brandon, que deixava um rastro de sangue para trás.
Com dificuldade, conseguiram sair do galpão pela porta que entraram, mas não demoraram a tropeçar e cair, o garoto era pesado e o exterior do lugar enlameado. As duas garotas engatilharam as armas.
A sorte parecia estar contra os garotos. Apesar da aparente fragilidade, Vivian tinha umas das melhores miras dos três, no entanto, apenas acertou uma das balas de raspão e a arma de Nina travou.
–- Meninas, foi um enorme prazer conviver com vocês. – Falou Brandon um tanto fraco, enquanto observava o lobisomem se aproximar.
Os três fecharam os olhos, não queriam ver quando chegasse sua hora de ser retalhados. No entanto ouviram um tiro alto e baque surdo em seguida. Ainda estavam vivos, mas sem coragem de abrir os olhos, até que uma voz estranha os surpreendeu.
–- Espero que seu pais saibam o que andam aprontando. –
Os três abriram os olhos e se depararam com um homem alto, de cabelos e barba pretos e sobretudo. O lobisomem jazia morto, quase aos pés de Vivian, que chutou a cabeça da coisa pra um lado.
–- Quem é você? Não te conheço da Vila. – Brandon foi o primeiro a falar, embora estivesse mais preocupado com o fato de não sentir as pernas e de estar sangrando bastante.
–- Acho que obrigada, seria ideal. – Respondeu o homem que parecia achar certa graça no que via – meu nome é John Winchester, eu sou um caçador, acho que os pais de vocês também devem ser para terem se metido numa confusão dessas. – O homem se ajoelhou perto do garoto e checou seu ferimento, fazendo uma careta.
Nina olhava o homem desconfiada e o circulando, foi arrancar a cabeça do lobisomem.
–- Não podemos dizer nossos nomes. – Ela disse quando ajudou Vivian a ficar de pé e foi para perto de Brandon – Mas obrigada por nos ajudar, John Winchester. – Ela falou tocando seu ombro – Consegue andar se eu te ajudar? – Ela se dirigiu ao amigo.
–- Talvez, se você tiver uma bandagem pra segurar meu sague, não quero que a gente escorregue numa possa de mim. – Ele brincou.
–- Você é forte, Bran. Vamos conseguir. Nós conseguimos! – Dizia a loira – Com uma pequena ajuda, mas conseguimos, vamos levar a cabeça como prova. –
–- Escutem aqui crianças, ele não pode andar. Nem deve estar sentindo as pernas, onde quer que vocês morem, eu vou levar vocês pra casa. São absurdamente bons pra idade de vocês, mas ainda são crianças e tem que ir pra casa, sem falar que Bran precisada de um médico rápido. – John falou em tom autoritário.
–- Vivian, enfaixe ele bem apertado, por favor. – Falou a ruiva, encarando o homem.
–- Você deve ser um freelancer, nunca te vi na Vila... o que faz de você não confiável. Eu agradeço sua ajuda, mas matamos 12 lobisomens sozinhos, podemos levar um garoto manco pra casa – Ela riu para o amigo, que já estava sendo devidamente enfaixado, enquanto ainda segurava a cabeça do bicho – Além do que, por que se importa? Você não faz ideia de quem somos. –Ela encarava John como se fosse uma adulta.
–- Eu tenho dois filhos. Sam e Dean. Eles tem mais ou menos a idade de vocês, eles estão sozinhos enquanto eu vim acabar com esse grupo que vocês trucidaram quase perfeitamente. Vocês me fazem lembrar deles. – Ele olhou os três e depois tornou seu olhar para a ruiva – Você – Apontou para ela – Me faz lembrar do meu mais velho, é durona como ele. – John sorriu –E ao contrário do que você pensa e ele diz, Bran não pode andar. Também não entendi o que quer dizer com freelancer e Vila, e também não me importo. Posso deixar vocês na esquina de casa se o problema for alguém saber que conheci vocês, mas não vou deixa-los sozinhos aqui. – John insistiu.
–- Nina. – Chamou Vivian – Sei que são as regras e que o Bran é forte, mas ele não pode andar, nem sente as pernas. – A loira beliscou com força uma das pernas do amigo, que nem se moveu. – Precisamos da ajuda dele. – A loira encarou o homem desconfiada – Já estamos ferrados de todo o jeito. Os outros vão ter que entender que não tivemos outra escolha a não ser mostrar o caminho da Vila pra ele. –
A ruiva parecia resistir.
–- É da vida de Brandon que estamos falando aqui. – Insistiu a loira, que já não parecia ter medo de mais nada. – Queira você ou não, eu vou com John e vou levar Bran comigo. – Ela ficou de pé e estendeu a mão à John – Eu sou Vivian. –
–- Você concorda Bran? – A ruiva se dirigiu ao amigo.
–- Eu to ferrado, Nina, não tem outro jeito. – O garoto parecia decepcionado e deu de ombros.
–- Sou Irina e esse é Brandon. – Ela apertou a mão do homem – Espero que tenha um carro e paciência, estamos longe de onde temos que ir. –
John a encarava de maneira engraçada e fez sinal positivo. Colocando Brandon nos braços, guiou os três até um Chevy Impala 67. O garoto foi deitado no banco de trás e Vivian foi com ele. Irina foi na frente com John e a cabeça de lobisomem que havia arrancado.
–- Aonde estamos indo? – O homem perguntou a olhando.
–- Atravesse esta auto estrada e entre no bosque. Siga enfrente até encontrar uma cabana, como aquelas de filme de terror. Depois, quando chegar até ela, vire à direita e siga em frente até ver um Carvalho enorme e velho, então vire à esquerda e ande até dar de cara com o que vai parecer uma cerca. – Ela falou mecanicamente, encostada à porta do carro, o mais longe do homem possível, era bastante desconfiada.
–- Nunca ouvi falar desse caminho. – John falou ao sair da auto estrada e entrar no bosque.
–- E não era pra ter ouvido mesmo. Isso é um bom sinal de que você não errou o caminho. – A garota pareceu relaxar mais quando percebeu que John não era nenhum maluco e só estava de boa vontade.
–- Irina... tem apelido? – John queria puxar assunto, estava intrigado com a habilidade e pouca idade dos três. Deviam treinar dia e noite para estar naquele nível tão cedo.
–- Nina. – Respondeu menos ríspida que antes, mas ainda não estava desarmada.
–- De onde você é, Nina? Rússia? – Ele tinha os olhos atentos ao caminho que nunca havia percorrido e virou à direita logo após a cabana, que realmente era assustadora.
–- Você é bem curioso... – Foi a resposta da garota – Estamos chegando perto. – Ela se esticava para olhar a estrada.
John riu do jeito adulto da garota e se lembrou mais uma vez de seus próprios filhos, como eles se sairiam se estivessem no lugar daqueles jovens, que agiam como caçadores adultos e experientes.
–- Então, o ponto onde eu vou deixar vocês é no lugar que vai parecer uma cerca? – Ele não desistiria de fazer aquela garota falar algo mais, já que os outros dois dormiam no banco de trás.
–- Vai entender quando chegar lá. – Nina falou se endireitando na cadeira do passageiro.
Não sabia naquele momento ainda, mas John Winchester se tornaria Johnny, alguém que ela consideraria seu pai. E que nunca mais ela se veria livre daquele sobrenome.
Flashback off
–- Nina, você precisa melhorar sua concepção de cerca. – A voz de Sam chamou sua atenção
Estavam de cara com algo que era bem mais que uma cerca. Parecia mais o Muro de Berlim. Dois homens patrulhavam do topo da “cerca” o portão de acesso que havia ali.
–- Se você não se identificar em dez segundos, nós vamos atirar. – Disse um dos homens da patrulha, apontado uma metralhadora tamanho jumbo para o carro.
Nina então esticou-se pela janela estilhaçada e apareceu para o patrulheiro.
–- Abre essa merda, Brandon. – Falou com ar de riso.
–- Porra Irina, ligar antes de aparecer assim mata? – Ele respondeu mexendo em alguma coisa que fez o portão abrir – Eu quase detonei esse Impala... – O rapaz parou pra pensar um momento – Eu conheço esse carro! – Exclamou quando Sam dirigiu para o lado de dentro e o portão se fechou atrás do carro.
–- É claro que conhece. – Ela devolveu – Hey, a minha pirralha fugiu, deve estar tentando sair da Vila por algum lugar da cerca, pede pra os patrulheiros ficarem de olho, vou vasculhar tudo também, ela não pode estar longe. – Informou.
–- Mary, Mary, Mary... – Ele balançou a cabeça em negativa – Eu avisei que você cruzar com um Winchester não ia dar certo! – Brandon provocou quando o Impala seguiu seu caminho por uma trilha apertada, quase inexistente.
–- Vai se ferrar! – Ela devolveu e fez sinal pra que Sam não ligasse – Ele é sempre idiota assim, mas é um dos melhores por aqui. –
–- Entendo. – Sam falou, rindo um pouco – Estamos em Vila Celeste, finalmente? –
–- Quase. – Ela maneou a cabeça – Estamos atravessando a Espanta Anjo. – Ela indicou a Florestas com as mãos – Boa parte do nosso trabalho se concentra em manter isto aqui sob controle. Vila Celeste fica logo adiante... – Nina, pegou sua arma e com uma cara de dor horrível atitou em algumas coisas entre as árvores – Vire a esquerda. – Falou com Sam, quando largou a arma toda suja de sangue das suas mãos.
Mais alguns bons metros adiante, estava mais um “muro de Berlim” e mais um portão, porém este era mais bonito, com um brasão, igual ao tatuado nos caçadores, entalhado nele.
–- Quem se aproxima? – Falou uma voz esganiçada.
–- Irina. – Ela respondeu entediada, pondo a mão e o rosto para o lado de fora.
–- Boa noite, querida. – Disse a patrulheira abrindo o portão.
–- Boa noite, Esther. – Respondeu quando passaram com o carro e o portão se fechou.
–- Agora sim. Bem vindo à Vila Celeste. – Ela suspirou abrindo a porta.
–- Pensei que fosse mais complicado de entrar aqui. – Sam falou saindo do carro para ajuda-la.
–- E é... acontece que sou eu, sou da família, não tem muito o que questionar. – Ela riu usando o braço de Sam pra se apoiar – Acho que vai gostar daqui... depois que derem um jeito na gente, vou te levar até Castiel. – Ela sorriu se esticando com dificuldade.
Xx
–- Lessie... – Mary puxou assunto com a sua companheira – Sabe qual é a melhor parte de muros grandes? – A cadela ganiu – Sempre há uma falha neles. – Ela ria, enquanto se espremia pela passagem – Ouvi minha mãe falar nisso semana passada, mandando um monte de gente consertar! Mas eles sempre demoram. – Ela sorria marota para Lessie – Por isso eu sabia que com a sua ajuda, sair daqui seria moleza! E olhe que nem cruzamos com nenhum Crot. – Ela bateu palmas animada, enquanto esperava que sua cadela passasse pelo fenda que ela já havia atravessado.
Quando o fez, as duas ficaram olhando a estrada vazia e enlameada.
–- Essa parte da estrada não é mais usada, diz o mapa. – Mary continuava falando – E, adivinhe Lessie! – A garota se animou – Não estamos longe da auto estrada! –
A cadela latiu e se balançou partilhando da alegria da dona.
–- Espero que não esteja com sono, Lessie, porque só vamos descansar quando chegarmos na auto estrada. – Informou a garota – Tudo bem pra você? –
A cadela à lambeu e Mary entendeu que sim.
–- Lessie, você está melada de sangue! Cuidado. – Ela limpou o rostinho e voltaram a andar, dessa vez mais rápida e despreocupadamente, provavelmente ali não haviam mais monstros. – Ah! E tem mais, depois que acharmos um lugar pra tirar um cochilo, vamos até o Rote 66 bar. Já ouvi muitos dos caçadores falarem desse lugar, acho que até sei chegar lá! Alguém por lá deve saber quem é Dean Winchester. – Ele deu de ombros e se segurando em alguns dos pelos de Lessie, seguiu seu caminho sem medo nenhum, como o usual.
Xx
Elliot, Castiel e Vivian haviam desistido de procurar por um momento e se dirigiram ao portão de entrada individual, este era bem menor que os de passagem de veículos, mas ficava bem ao lado.
–- Achou algum sinal de Mary, Elliot? – perguntou a patrulheira.
–- Não, Esther, nem sinal. – Respondeu desanimado – Será que dava pra abrir o portão pra o anjo? –
–- Tem certeza que ele está limpo? – Perguntou Esther.
–- Tudo certo com ele. – Olhou para a mulher por um breve segundo – Só a Vivian que vai ficar de quarentena. – Ele completou.
–- O que? – Vivian levou as mãos ao rosto.
–- É o protocolo, não adianta fazer escândalo. – Elliot foi incisivo mais uma vez – Me entrega as suas armas. Eu e Castiel vamos entrar e você fica perto do portão pra a gente poder te ver, acho que não vai demorar muito. –
–- Eu ainda lembro do protocolo, Elliot. – Vivan foi ríspida entregando as armas e respirando fundo, enquanto observava os outros passarem pelo portão.
–- Qual a suspeita, Elli? – Questionou Esther.
–- Croatoan. – Ele respondeu cruzando os braços e esperando.
–- Vou mandar avisar à Irina, então... – A mulher de voz esganiçada disse em tom de pêsames – Ela chegou faz pouco tempo. – Completou a informação antes que alguém à perguntasse.
–- Deve ter vindo com Sam. – Castiel falou quando olhando ao redor reconheceu o Impala e percebeu que estava batido – Eles estão bem? – Olhou para Esther preocupado.
–- Estão vivos e andando... mas, bem machucados. – Esther informou.
–- Dependa da sua concepção de machucado. – Falou a voz marcada de sotaque de Irina às costas de todos – Voltei do meio do caminho da clínica quando ouvi as vozes de vocês! – Ela pulava num pé só e não se apoiava em nada.
–- O que diabos foi isso, Nina? – Elliot se agitou.
–- Nada que precise ser resolvido agora. – Ela não foi grossa, apenas rápida – O que Vivian está fazendo do outro lado do portão? –
–- Quarentena... – A loira começou a explicar quando foi interrompida por seu próprio engasgo, aparentemente não conseguia respirar e segurava seu próprio pescoço enquanto se debatia.
–- Abra o portão, Esther. – Nina mandou pulando até Vivian.
–- Nina... a suspeita é Croantoan, ela tem um corte na mão. – Esther argumentou.
–- E nós matamos uns Crots, ela deve estar se transformando! Não pode entrar. – Elliot se meteu.
–- Garoto, eu tenho muito mais estrada do que você... mas sinceramente eu esperava mais, os Crots não estão armados, não poderiam ter cortado a mão dela! Vocês perderam alguma coisa! – Ela falava rápido e com raiva – Abre essa merda de portão! – Ela mandou, sendo obedecida de imediato – Alguma coisa aproveitou o alvoroço... ela deve estar envenenada. --
Castiel ajudou a trazer a moça que ainda engasgava e começava a sangrar um pouco.
–- Você devia estar em repouso. – Nina ralhou com o anjo.
–- E você devia estar se cuidando na Clínica, mas parece que somos teimosos – Respondeu o anjo fazendo-a sorrir um pouco – Onde está Sam? –
–- Bem aqui. – Era Sam, que afastando Nina, ele mesmo passou a apoiar a moça loira – Acho que todos vamos chegar mais rápido assim. – Ele sorriu – Olá Castiel. – Cumprimentou, recebendo um sorrido do anjo.
–- Você é exatamente como Dean havia me contado: teimoso. Devia ter ido à Clínica – Nina resmungou pra si mesma enquanto voltava a pular num pé só, o que não ajudava o resto do corpo, mas aliviava o joelho.
–- Sam Winchester? – Falou Vivian aos engasgos.
O homem olhou bem a mulher que socorria pela primeira vez e não acreditou no que viu.
–- Vivian Carmichael... eu não acredito. – Ele a reconheceu passando a andar ainda mais rápido do que antes.
Sam havia conhecido aquela moça em Stanford, muitos anos atrás e antes de conhecer sua Jessica, o homem havia tido um breve passado com aquela moça, agora entre a vida e a morte, que carregava.
Vila Celeste tinha mais segredos do que Sam esperava.
Xx
Ficar andando de um lado para o outro, tentando encontrar ora algo para matar ora redenção cansa a mente de qualquer criatura, até mesmo Dean. Sem falar em como era estranho não ser perseguido por mais nada... nada parecia se sentir bom o suficiente para enfrenta-lo.
Bom, pelo menos teria um tempo de paz, ainda conseguia fingir de humanos.
Dean fazia seu caminho a pé, nada de desaparecer, nem nada assim... Chegaria ao seu destino a pé. Havia um bar pela auto estrada que tinha também um pequena hospedaria, coisa de caçador.
Ele acreditava que chegaria ao Rote 66 bar ao raiar do Sol.
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