Fighting Demons

6 Unexpected enemy


Notas iniciais
Primeiro, me desculpem a falta de postagem nas últimas semanas, mas vou fazer como a Nina, dizer que tive meus motivos e esperar que perdoem! kkkkkkk foi mal mesmo. Agora o momento mais importante dessa nota é que eu quero dedicar esse capítulo para Lady Danvers Herondale que fez a recomendação mais incrível de todas as recomendações!! Imagina, eu entro aqui e vejo essa recomendação eu quase explodi de felicidade :D Muito obrigada, Lady! Esse capítulo é pra você com certeza! Bem queridos, obrigada pela paciência, comentários e por estar aqui mais uma vez (ou pela primeira) acompanhando Fighting Demons! Espero que gostem de cap. Boa leitura, bjs.

Se sentir inteira fisicamente de novo era tudo que Nina queria sentir e agora que podia andar normalmente, sem ter de pular num pé só, e podia apertar qualquer coisa entre as mãos sem querer xingar, estava se sentindo pronta pra enfrentar todo o resto.

A única coisa esquisita era a lacuna de memórias, a última coisa da qual se lembrava era estar levando Vivian à clínica e se sentir apavorada de ser tarde demais. Irina olhou ao seu redor reconhecendo um dos quartos da clínica, o mesmo que havia colocado Castiel antes e não demorou muito até encontrar o anjo olhando pela mesma janela que ela olhava, quando as posições estavam trocadas.

–- Cas? – Ela chamou descendo da cama com facilidade, sem nenhuma dorzinha, como se nem tivesse passado por um acidente de carro.

–- Olá Nina. – Ele andou até ela e a abraçou quando chegou perto – É bom ver que está realmente bem. –

–- É, eu sei... – Ela riu um pouco olhando a si mesmo e voltando a se sentar ergueu os olhos pra o amigo e seguiu falando – Mas, eu não me lembro de nada depois de colocar a Vivian pra dentro! Preciso saber se ela está bem, eu quero saber se alguém achou a Mary e eu não quero nem sonhar se Dean a achou primeiro, Castiel... eu nunca pensei que ia dizer isso, mas eu estou tremendo só de pensar no que aquela coisa perversa, que parece Dean, faria com a minha filha. Ela é bem espertinha, mas é uma criança. – Ela não estava agitada, só nervosa.

Castiel levou um tempo até responder

–- Sam me contou tudo que ele ouviu pelo menos... – Ele respirou fundo e se sentou ao lado dela – Eu sei que você está bem perto de explodir e sei exatamente do que você precisa pra se acalmar um pouco, então, eu vou responder o que eu puder responder. – Ele falava como se conversasse como uma adolescente em crise – Primeiro, não se irrite, mas o médico daqui, o Ryan, ele inventou um método novo e mais eficaz, mais rápido de cura, só que isso incluía te deixar em um breve estado letárgico e podia apagar alguns momentos da memória recente, então por isso você só se lembra até certo ponto... – Castiel ia com calma, observando as reações dela – Quanto a Vivian, ela realmente quase morreu, mas você sabe que o pessoal daqui entende bem de venenos e ela já está bem, sem sequelas... Elliot é quem está mais deprimido com tudo que aconteceu. –

–- Era de se esperar, ele é o garoto mais competente que eu já conheci, mas... ele precisa de supervisão ainda, principalmente numa situação como aquela. Eu falo com ele depois – Nina suspirou – Cas, eu quero saber da minha filha. Eu não sou burra, eu entendi que eu passei mais horas do que devia fora do ar, cadê a minha menina? –

Castiel baixou a cabeça

–- Não sabemos... Brandon assumiu a procura depois que você dormiu, ele e Sam bateram um pouco de frente, mas as coisas se aquietaram logo que Vivian acordou e administrou as coisas. – Castiel esboçou um sorriso.

–- Bran mandou os cães, não foi? – Nina adivinhou. Castiel concordou – Eu sabia que Sam surtar quando soubesse dos cães do inferno... mas eles não são todos maus, depende da criação e adestramento. Na verdade, a despeito da força extra e potencial destrutivo, são como outros cães normais. – Ela soava estranha ao dizer aquilo, principalmente pela maneira que Castiel a fitava – Eu juro que são! Sempre houveram cães desse tipo aqui, nunca aconteceu nenhum acidente grave! Mas eu entendo que Sam não goste deles... – Ela deu ombros – Então, a Mary já deve estar por aqui não é? Os cães nunca falham na tarefa – Nina pareceu relaxar um pouco.

–- Não, Nina... ela não está aqui ainda... – Disse Castiel prendendo a respiração.

–- Como assim? – Ela ficou de pé num supetão e precisou se segurar em Castiel por alguns segundos graças à vertigem.

–- Nenhum dos cães voltou até agora... –

–- Ah, merda. – Ela deu um nó desajeitado nos cabelos e só então percebeu que ainda usava a mesma roupa do acidente, estava descalça, enfim, uma porcaria. Fez uma careta pra o espelho, mas seguiu batendo a porta mesmo assim – Eu resolvo isso depois... – Falou mais para si mesma do que para o anjo.

Irina saiu fumegando pela clínica sem olhar pra ninguém e ninguém tentou falar com ela também, a conheciam o suficiente pra saber que aquela não era uma boa hora nem para respirar perto dela que dirá falar alguma coisa.

Logo estava do lado de fora da Clínica, na rua em frente à praça central. As crianças e adolescentes da Vila passavam pela mesma alegremente em direção à Escola de Treinamento, e a olhavam do jeito meio bobo que sempre faziam. Alguns batiam continência desnecessária, já que aquilo nunca fora regra, nem mesmo pedido, era algo criado por eles mesmos, coisa de criança.

Irina precisava encontrar Brandon e para isso precisava saber onde ele estava, o que não seria difícil já que ela sabia todo o horário dele... o que Nina não sabia era qual dia da semana era aquele, por isso, sem medo de assustar, pegou a primeira criança que viu pelo braço.

–- Desculpe Irina, fiz algo errado? – O garoto perguntou assustado.

–- Não, não. – Ela se sentia extremamente desconfortável por estar descalça na rua, e nem percebia, mas pisava no chão de maneira esquisita – Eu só quero saber que dia e hoje? Terça, Quarta? Em qual maldito dia nós estamos hoje? – Ela se exaltou mais do que esperava, estava começando a se irritar ainda mais do já estava por estar descalça.

–- T-t-terça, terça à tarde, senhora. – O garoto que tremia dos pés à cabeça respondeu gaguejando.

–- Muito bem... Terça à tarde... – Ela se concentrava no horário de Bran – Porra, Brandon, onde você está agora? – Ela pensou alto.

–- Senhora... – O menino começou a falar mais uma vez porém ainda nervoso.

–- O que? O que é? -- Ela parecia maluca.

–- Brandon não trabalhou hoje, ele está na sua casa, com a loira irmã do Elli e um cara bem alto, assim... – Ele imitou a altura ficando na ponta dos pés e esticando um dos braços o máximo que pode.

Irina respirou fundo e se sentiu relaxar.

–- Estão na minha casa! – Ela sorriu – Tudo bem, pode ir agora. – Ela falou ao garoto soltando seu braço.

O garoto correu pra longe dela como uma bala e Irina virando abruptamente à esquerda seguiu o caminho que mais gostava de fazer naquele lugar: o da sua casa.

Xx

Sam olhava ao seu redor sentado na sala de estar da casa de Nina. Pelo que tinha observado até então não haviam mansões por ali, nem nada chique demais, em geral as casas eram bem rústicas, muita madeira e pedra e em geral tinha muito a ver com quem morasse nelas.

A de Nina, como as outras, não era grande de maneira nenhuma, mas a maneira como o espaço foi usado parecia enorme. Talvez fosse culpa das poucas paredes, o térreo tinha o espaço aberto: Sala de estar, cozinha e sala de jantar dividiam o mesmo local e não ficava bagunçado, nem confuso; aquele cômodo era incrível e moderno, os tons de branco o preto, se harmonizavam com a decoração com itens em inox e madeira. Era linda.

Não havia ido ao primeiro andar ainda, já que havia dormido na sala e usado o banheiro do térreo, mas imaginava que fosse tão bom quanto, já que a parte exterior era ótima também. Ele nem desconfiaria que era a casa de uma caçadora se não fossem pelas pinturas perturbadoras e fantasmagóricas e a coleção de armas brancas que decorava a parede próxima à escada.

E, claro, os latidos, rosnado e uivados do mascote simpático sobrenatural de Nina que nem Brandon nem Vivian tiveram coragem de soltar. Um Black Shuck quase do tamanho de um cavalo e perturbadores olhos vermelhos sem íris. Claro que Sam não havia ficado observando a fera tentar derrubar o portão de ferro para dilacera-lo e havia voltado para o sofá enquanto Brandon conversava um pouco com Elliot que só havia aberto a porta de seu quarto para ele até agora e esperava por Vivian que tomava banho no andar de cima.

Esperava que depois da crise sobre mandar ou não cães do inferno atrás de Mary, pudesse conversar com Vivian sobre essas práticas alternativas e sobre seu passado em comum em Stanford.

–- Terra chamando Sam Winchester! – Ele ouviu a voz de Vivian depois de um bom tempo.

A mulher tinha o cabelo loiro e longo encharcado e roupas simples e o olhava de maneira engraçada.

–- Vivian Carmichael... – Ele a olhava de um jeito engraçado – Eu nunca imaginaria que você caçava nem coelhos, quando mais... – Ele ria sem jeito.

Vivian cobriu o rosto de brincadeira.

–- Fico feliz que esteja mais calmo com os cães e tudo mais, é realmente seguro, Sam... na verdade não acho que aja nenhum mascote convencional em Vila Celeste. E isso é só o começo das diferenças entre nós e vocês freelancers. – Deu de ombros ainda rindo.

–- Então eu prefiro não saber de mais nada por enquanto. – Sam jogou as costas no sofá, tentando parecer relaxado, mas estava cheio de perguntas à fazer – Você também conhecia meu pai? –

–- Claro que sim! – Ela alegrou-se – Johnny era o melhor... e preciso confessar que já sabia quem era você em Stanford, não esperava encontrar um Winchester por lá, mas... John nunca falou de outra coisa que não fossem você, Dean ou a mãe de vocês. Por isso, desculpe por fingir que não sabia que você era e também por mentir sobre a tatuagem. – Ela afastou a gola da camisa, mostrando o brasão de Vila Celeste, que ficava no lado esquerdo do colo – Não eram as minhas iniciais... – Ela deu de ombros mais uma vez.

Ele riu também, mas estava cabisbaixo.

–- Você me enganou direitinho, Vi. – Ele ergueu os olhos pra ela.

–- Ih... o que foi, hein? – Ela foi se sentar do lado dele – Fazem muito anos que a gente não se vê, mas eu ainda me lembro desses olhinhos. O que há de errado? –

–- Você nunca percebeu nada de errado ao meu redor, ou perto da Jess... não percebeu nenhum dos demônios? –

Ela suspirou.

–- Olha, eu até desconfiei um pouco daquele seu amigo lá, mas não podia fazer nada... eu havia pedido a dispensa e realmente queria me concentrar na minha vida normal, então até ele fazer mal à Jess naquele dia, eu achava que era coisa da minha cabeça. Desculpa, Sam. –

Ele passou um tempo em silêncio.

–- Não, eu que peço desculpas agora... Foi uma pergunta idiota, qual responsabilidade você podia ter nisso tudo? – Ele riu para ela – Eu fui o babaca que partiu seu coração e mesmo assim você ainda continuou sendo minha amiga e depois da Jess eu sumi com meu irmão e não tive a decência de mandar nem uma mensagem sequer... – Ele virou-se para ela – E eu não podia esperar que você ficasse de olho da Jéssica, vocês duas não eram as melhores amigas...--

–- E eu preciso dizer que isso foi culpa sua. – Ela cruzou as pernas – Nunca que a Jess ia gostar de mim e nem eu dela! Mas isso não quer dizer que eu não tenha ficado triste por ela, por mais que antes eu a quisesse ver queimar por sua causa, era só birra, nunca ia quere algo tão real quanto... ah, você sabe melhor do que ninguém o que aconteceu com ela. – Vivian engoliu em seco – E você não partiu meu coração! Ok, talvez tenha partido um pouco sim... mas isso não interessa mais. – Ela fechou os olhos por alguns segundos.

–- Me desculpe por isso, você não merecia, não merece, aliás. E à propósito você continua linda. – Sam falou sem jeito.

Vivian foi pega de surpresa com o comentário e escondeu o rosto entre as mãos por algum tempo mais uma vez.

–- É muito bom ouvir isso depois de quase morrer! Sério mesmo. Obrigada, Sam. – Ela tinha as bochechas coradas – Você também está ótimo. –

Os dois ficaram em silêncio por algum tempo, até Sam resolver quebrar o gelo entre os dois.

–- Quem pintou esses quadros? – Ele indicou com o rosto as pinturas bizarras.

–- Foi a Nina, ela é um gênio pintando e desenhando. – Contou Vivian – Na verdade todos os quadros, as texturas das paredes, cores, foi tudo ela! – Sam observava o sorriso dela enquanto Vivian falava -- Sabe, nós somos uma comunidade e é verdade que o trabalho é caçar e manter tudo sob controle e que somos criados assim e todo a pegada militar e tudo mais. Mas nas horas vagas dá pra tentar ser normal, todos tentam ser. Quem projetou tudo foi a esposa do Bran, Megan. Ela é fantástica, ela projetou boa parte das novas instalações daqui. – Sam prestava atenção em todos os movimentos dela. Ao mesmo tempo que era a mesma Vivian da faculdade, ela estava bem melhor – E aquela casinha lá fundo do quintal, é onde a Nina pinta e tem as tintas, ninguém entra lá sem permissão, ela tem tipo um radar pra intruso. --

A porta da frente se escancarou.

–- Eu realmente tenho radar pra intruso. – Era Nina – Falo com vocês assim que tomar um banho – Ela entrou em casa caminhando na ponta dos pés – Preciso tirar a sujeira dos meus pés ou vou querer arrancá-los. – Assim disparou escada acima.

–- Oh, não se espante, ela odeia sujar os pés. É como TOC, sei lá, ela se irrita quando suja os pés. – Vivian riu mais do que o necessário.

–- Ela já sabe que a Mary não está aqui ainda? – Sam perguntou ainda olhando o caminho que ela havia feito.

–- Acho que Castiel contou, mas de todo o jeito, só vamos ter certeza quando ela descer... – Vivian não olhava mais diretamente para Sam há algum tempo.

–- Então, você se formou em que? Quando eu saí você não tinha se vinculado em nada ainda, tava só experimentando e decidindo... –

Vivian jogou a cabeça pra trás e riu um pouco alto, exatamente como ela fazia na faculdade.

–- Eu sou Engenheira agora. Tô trabalhando no Vale do Silício mesmo, mas tirei férias agora e eu estava indo pras Bahamas, se Nina não tivesse ligado. – Contou mexendo nos cabelos.

–- Uau. Você deve ser bem-sucedida. – Sam riu – Se tivesse descoberto esse talento mais cedo, não tinha perdido tempo assistindo cadeiras em Direito... – Falou de cabeça baixa.

–- Se eu tivesse descoberto meu talento mais cedo, não teria conhecido você, Grandão. – Ela devolveu de pronto e finalmente levantou os olhos pra ele.

–- Tem razão, Vi. – Ele disse em tom carinhoso.

Xx

Mary estava certa, sabia como chegar ao Rote 66 Bar, porém não esperava que o caminho fosse ser tão longo, mas apesar do cansaço parar não era uma opção para a pequena que estava decidida, ainda mais agora que além de Lessie, tinha Dama, Hunter e Vilão, consigo. Às vezes na Vila mandavam cães rastreadores, no entanto, Mary sabia que eles eram legais e que adoravam um pedaço de carne. Então dar um pouco da comida de Lessie como suborno e o fato de conhecer bastante aqueles três cães, foi o suficiente para fazê-los segui-la.

E Mary podia apostar que mandar aqueles três no meio de tantos cães da Vila, não havia sido ideia de sua mãe, ela era bem mais inteligente que aquilo. E enquanto Mary não visse Sherlock ou Tracker ou Poison, ela sabia que sua expedição estava à salvo.

Ainda mais porque quando seus sapatos começavam acabar com seus pés, ela podia montar em Hunter, que tinha o dobro do tamanho de Lessie e era bem forte.

–- Acho que estamos chegando perto, garotos. – Ela falou quando percebeu uma enorme placa que dizia “R TE 66’ ” o “O” havia caído faz tempo, ela julgou devido ao estado da placa. Mas a melhor parte foi ler “Hospedaria” logo abaixo de “Bar” e ainda mais, os discretos símbolos para caçadores a fizeram querer pular de alegria, pois se aquele era um lugar de caçadores, provavelmente ia conseguir alguma coisa sobre Dean Winchester.

–- Ok, eu sei que nós já andamos bastante, mas eu agradeceria se pudéssemos acelerar! Adoraria arrumar um quarto, então poderíamos dormir um pouco, descansar e pensar no que fazer em seguida. O que acham? – Ela falou encostando sua cabeça em cima de cabeça de Hunter.

Mary recebeu alguns ganidos de volta e passo acelerado em direção ao bar.

Xx

Dean tinha muito mal dentro de si naquele momento da sua vida, sentia isso e precisava confessar que se não fosse pela ruiva soviética, já haveria abraçado completamente a maldade e por isso, às vezes tinha vontade de correr pra os braços dela e pedir socorro e às vezes tinha vontade de esquecer a pirralha sua filha, matar a ruiva e ir à Vegas curtir a nova realidade.

Mas como não conseguia largar a obsessão de conhecer Mary, estava sentado ao balcão do ROTE 66 tomando qualquer coisa em silêncio, e o fato de não haver ninguém conhecido por ali facilitava as coisas. E, claro, a Primeira Lâmina estava por perto e a imagem da garota à mão.

O que Dean não imaginava era ser incomodado por um Rei.

–- Vejo que arranjou algumas das minhas projeções da sua cria, Dean. – Falou Crowley aparecendo sentando ao lado dele. – Você sabe o que eu tive de pagar, quantos negócios sujos eu tive de fazer pra descobrir onde diabos você havia se enfiado! –

–- É bom você ter algum bom motivo pra aparecer aqui assim, porque se não eu vou fazer o que há anos eu venho prometendo. – Ele falou pondo a lâmina em cima da bancada.

O barman demonstrou intenção de interferir, mas os olhares que recebeu o mantiveram quieto, depois de tantos anos trabalhando naquele lugar ele havia aprendido a simplesmente passar desapercebido pra continuar vivo.

–- Dean Winchester... – Crowley começou arrancando a imagem das mãos do homem – Vá devagar, agora que eu te achei, nós podemos esquecer este pequeno problema loiro, porque acredite, você não vai querer conhecer aquela praga. – Ele agitava as mãos.

–- Conheceu a menina? – Ele perguntou olhando Crowley de esguelha.

–- Infelizmente. – O outro respondeu mostrando a cicatriz perto pescoço – A pirralha enfiou uma faca em mim! –

Dean riu.

–- Acho que eu já gosto um pouquinho dessa garota. – Ela tinha de admitir que aquilo havia sido sensacional.

Crowley o olhou de maneira engraçada mas seguiu falando.

–- Agora que eu encontrei você, não precisamos mais de pirralha, ou de ruiva... apesar de que, ela é maravilhosa... – o que Crowley sentiu depois foi uma dor fina e forte em sua mão, a primeira lâmina a atravessava.

–- Não leve a mal. – Dean era irônico – Sou possessivo. – Ele falou se levantando e arrancando a lâmina da mão do outro – E se você não tiver mais nada que se aproveite para falar, eu vou relaxar na hospedaria. E seria ideal não te ver mais. –

–- Isso é claro, se você não estiver nenhum pouco interessado em notícias do Andar de Cima... – Crowley tinha a notícia que traria Dean de volta, pelo menos de volta à conversa.

No entanto o outro nem sequer parou para ouvir, então Crowley seguiu.

–- Um passarinho me contou que Metatron fugiu da prisão e, por mais que no fundo ele tenha feito um bem pra você... sabe, pensei que fosse querer... --

–- Aquele filho da puta trespassou meu coração! – Ele se voltou de maneira violenta para Crowley – Não interessa a circunstância, estraçalhar o dele em troca seria ótimo! Onde ele está? –

–- Calma, Dean. – Crowley voltou a se sentar e convidou Dean para fazer o mesmo – temos muito o que conversar. –

–- Sei... – Dean falou olhando pela janela por um tempo, o cenho franzido.

–- O que foi? – Crowley perguntou se esticando também.

–- Nada, só tive a impressão de ter sentido o cheiro daqueles vira-latas do inferno... mas acho que não é nada, não vejo nada... –

–- Então, relaxa, vamos uivar para a lua, Campeão. – Disse Crowley fazendo sinal para que o barman os servisse.

Xx

–- Seria legal conversar com você podendo ver o quão puta da vida você está! – Brandon dizia do lado de fora da porta do quarto de Irina, com Elliot ao seu lado.

–- Puta? Eu? Só porque você foi burro o suficiente pra mandar os três cães mais próximos da Mary pra procurar por ela? – A voz dela ficava mais próxima e mais longe da porta enquanto ela andava dentro do quarto – Ela minha filha e não de um retardado mental! –

–- Eu quis evitar qualquer acidente, sei lá, a Mary é teimosa e os cães são temperamentais, não queria que ela se machucasse... – Ele se apoiava na parede com o braço.

–- Eles são treinados pra isso, Brandon Stricker! – Ela falou abrindo a porta de uma só vez e saindo por ela com o habitual furacão que era quando estava caçando alguma coisa e no caso a coisa era a filha dela. E a julgar pelo que ela vestia ou Mary voltava pra casa hoje, ou ela voltava.

A calça era de um couro com certa elasticidade a blusa era rente ao corpo e o material era rígido para evitar perfurações de lâminas na região do abdômen e coração, mas não tinha mangas. Os cabelos compridos presos num rabo de cavalo alto e bem firme, entre tanto, as botas eram sempre a parte mais divertida e apesar daquela que usava ser discreta, sempre havia alguma gracinha escondida naqueles sapatos.

Brandon e Elliot a seguiram escada abaixo.

–- O que você vai fazer? Quer dizer, pra que essa roupa de guerra? Céus... Nina! Para um minuto. – Ele dizia enquanto ela, parada na parede da coleção de armas brancas pegava alguns itens e escondia dentro da bota ou prendia em “x” nas costas.

–- Eu vou trazer a minha filha pra casa, Brandon! E se ela não estiver com Dama, Hunter, Vilão e Lessie... a coisa que está com ela foi boa o suficiente pra acabar com os quatro! Eu não estou indo pra brincadeira! – Ela passou pela sala chamando a atenção de Sam e Vivian.

–- Hey, Nina. A gente vai com você. – Vivan disse ficando de pé.

–- De jeito nenhum, moça. Você vai ficar e descansar. Se houver ainda um pingo de veneno que seja dentro de você, agitação não vai ser o ideal, por isso. Senta logo aí. – Nina foi tão incisiva, encarando a outra com seus olhos azuis que involuntariamente Vivan caiu sentada no sofá.

–- Relaxa, Loira, eu vou. – Brandon falou, mas recebeu um gesto obsceno de Nina.

–- Você tá brincando comigo, né? Você é manco! – Ela apontou pra a bengala que o homem usava – Sua mulher está gravida de gêmeos! Nem em sonho que eu vou levar você comigo. – Ela continuou andando até o exterior da casa e alcançou o canil – Se quiser ajudar, fique e ajude a rastrear Dean. – Nina afagou o Black Shuck que fechou seus olhos vermelhos por alguns segundos e em seguida abriu o portão de ferro deixando ele sair. Ao contrário do que Sam pensou, o monstro não avançou em ninguém, mas os olhou de maneira hostil, mas chegava a ser engraçado como ele parecia um poodle quando olhava pra Nina e balançava o rabo peludo assustador de um lado para outro.

–- Gente, o anjo quer falar! – Era Elliot atrás de todos, com Castiel ao seu lado.

–- Rápido. Eu estou saindo. – Ela falou sem parar um minuto e surgindo com uma espingarda enorme vinda de sabe-se lá onde.

–- Metatron fugiu da prisão celeste. – Castiel falou, tenso – Acabei de saber. --

–- Resolvo depois de pegar a Mary... – porém ela parou de repente – Você disse Metatron? Aquele baixinho nojento que matou o cara que eu amo, o pai da Mary e tudo mais... –

–- Esse mesmo. – Sam disse pigarreando.

–- Então eu vou planejar algo bem perverso pra ele... – Ele arrastou sua moto enorme pra fora do terreno com uma pequena ajuda de seu cão e foi seguida pelos outros – Enquanto isso, seria ótimo se você rastreasse ele pra mim também, Bran. –

–- Com todo o prazer. – Disse o outro.

–- Tá inteiro pra vir comigo, Sam? – Ela convidou, erguendo um pouco o braço pra coçar a cabeça de seu mascote, que sentado, ficava com as orelhas na altura do peito dela.

–- Claro, eu só preciso do carro... – Ele falou olhando ao redor.

–- O Impala está tendo seu dia no Spa – Ela contou jogando um capacete pra ele.

–- Eu não sei pilotar... – Sam argumentou meio sem ação.

–- Eu sei que não sabe. – Nina respondeu montando no veículo – Vem logo! –

–- Se segure. – Vivian cochichou no ouvido dele – Ela vai correr mais que o normal pra acompanhar o Poison. – A loira apontou o cão gigantesco, que mais parecia uma versão bizarra dos lobos gigantes dos livros de Game of Thrones .

–- Tudo bem... – Ele falou se acomodando na moto, extremamente desconfortável – Acho que as minhas pernas são grandes demais pra isso. –

Nina riu dele quando deu uma peça de roupa de Mary para Poison e este depois de cheirar a roupa inteira uivou olhando para a dona começou a fazer seu caminho com rapidez incomum. O que fez com que Nina compensasse acelerando o máximo possível.

Pra a sorte de Sam, o destino final não era tão longe ainda mais àquela velocidade.

Xx

Mary ia despreocupada subir a curta escada de acesso ao Rote 66, quando Lessie a puxou bruscamente pela manga da roupa.

–- O que há, garota? – Ela perguntou estranhando a agitação de sua cadela e dos outros. Por isso a garotinha, subiu num pneu jogado em uma das laterais do bar e espiou pela janela.

De imediato reconheceu Crowley e um outro homem, loiro, muito bonito, mas de atitude agressiva e que mesmo com sua pouca idade percebeu que não era humano, era sombrio demais pra isso.

–- Algum de vocês conhece o loiro? – Ela dirigiu-se à seus animais que ainda estavam agitados demais para que ela pudesse entender alguma coisa, por isso, se concentrou na conversa dos dois até que ouviu um nome conhecido, mas que não esperava ouvir ali “Dean Winchester”.

Devido ao susto a pequena caiu do pneu, batendo as costas no chão. O ar saiu de seus pequenos pulmões e o susto a deixou nervosa, apesar da esperteza e da naturalidade com o assustador e esquisito, às vezes era só uma menina que nem tinha completado sete ainda. Seu corpo doía e ela sentiu vontade de chorar, queria sua mãe ali.

–- Ah, pequenina, não chore. – Ela ouviu uma voz desconhecida se aproximar, mas não se preocupou com isso, tinha quatro cães consigo e logo seus rosnados se fizeram presentes.

A garota olhou para a voz e viu um homem baixinho que não conhecia, ele tinha uma expressão esquisita e se vestia como um morador de rua.

–- Vejo que está muito bem acompanhada. – Ele olhava ao redor, aparentemente tentando localizar as feras.

–- Quem é você? – Ela perguntou de mal humor enxugando as lágrimas por debaixo dos óculos.

–- Pode me chamar de Marv, querida. – Ele disse tentando se aproximar dela, mas sendo impedido pelos cães.

–- Eu não conheço você e meus cães não gostam de você, então vá embora. – Ela foi incisiva.

–- Ah, mas eu conheço a sua mãe e conheço seu pai também! – Ele indicou o interior do bar – Eu posso te levar até ele, o que acha? –

A menina o olhou de cima a baixo, do jeito que fez Metatron se lembrar da mãe dela, da arrogância de Irina Ceminovich e isso o irritava.

–- Se eu quisesse entrar pra vê-lo, eu entraria. Não estou sozinha e nem gosto de estranhos esquisitos e feios como você. Por isso vá embora de uma vez. – Ela falou entre os dentes.

–- Olha, eu tentei ser simpático. – Ele disse dando de ombros e num estralar de dedos, só sobrou a fiel Lessie, que foi contida sem muito esforço, com algo que parecia uma focinheira para cães daquele tipo e então segurou a menina, tapando sua boca e lhe ameaçando uma faca no pescoço.

Marv teve de correr para os fundos do local, já que um Black Shuck invadiu a propriedade com uma enorme moto em seu encalço. Mary gritou ao reconhecer Poison e Nina, mas a mão de seu sequestrador abafava seus gritos.

Xx

Crowley e Dean continuavam conversando sobre a fuga de Metatron e sobre como o Rei do Inferno achava que ele deveria largar tudo e curtir a nova condição.

–- Eu vou a Vegas com você, assim que terminar minhas pendencias por aqui. – Ele falou tomando mais da bebida.

–- E essa pendência envolve a pirralha... – Crowley revirou os olhos.

–- E a ruiva também, eu tenho oscilado bastante sobre ela, no começo foi mais difícil de lidar com as memórias dela, mas agora acho que só tenho dois caminhos. Amá-la ou mata-la. Estou decidindo. – Ele disse parando mais um vez e se esticando para olhar – Você jura que não ouviu rosnados? Não trouxe nenhum dos seus cachorros com você? –

–- Não, não... mas eles sempre acabam me seguindo de um jeito ou de outro. – Crowley falou rápido, fazendo Dean relaxar um pouco – Vamos nos concentrar em matar a ruiva. –

–- Eu não disse isso. – Dean o olhou de maneira sombria – E o que quer que eu decida você não tem nada haver com isso e se encostar nela, eu mato você antes de qualquer coisa. Irina é assunto meu. E só eu decido sobre a vida dela, deu pra entender? – Ele o ameaçou mais uma vez com a primeira lâmina.

–- Como queira, Cavaleiro. – O outro ergueu as mãos em rendição.

–- Além do que, vou encontrar a pirralha antes, matar Metatron em seguida e aí decidir sobre a russa. –

Foi a última coisa que ele falou antes da porta do lugar ser despedaçada pelo Black Shuck que passou por ela sedento por matar alguma coisa. Dean reagiu de pronto e ia ferir o animal, se não tivesse sido atingido por quatro tiros onde um dia seu coração batera.

–- Encosta esse queixo de mula que você chama de arma no meu cachorro e eu vou esquecer que amo você de uma vez por todas. – Ele logo reconheceu o sotaque russo de Nina.

–- Está me seguindo, amor? – Ele foi irônico, sua expressão logo mudou, percebeu Crowley. Era algo ilegível. Toda a segurança e pura maldade que povoavam a expressão de Dean antes, não haviam sumido, mas estavam tão confusos e misturados com outras coisas, que o conjunto era indecifrável – Acho que tinha dito que ia até você se fosse o caso. –

–- Cadê a Mary, Dean? – Sam perguntou olhando para o irmão diretamente, como não havia feito da última vez.

–- A pirralha? E você pergunta a mim? – Ele se irritou – Eu não faço a mínima ideia! –

–- Não minta, Dean. Poison rastreou ela até aqui. – Sam enfrentou o irmão.

–- Ele não está mentindo Sam. – Nina falou engolindo em seco – Fico feliz em saber que alguma coisa não mudou nele. – Ela deu de ombros e apontou um facão para Cowley e fez sinal para Poison – E você? Se souber de alguma coisa é melhor falar. –

–- Mesmo que eu soubesse não ia ajudar. – Crowley ironizou antes que Poison avançasse feio em cima dele.

Dean interferiu, pegando o cachorro ainda no ar e o atirando contra a parede com a pura intenção de machucar. Poison ganiu e amoleceu onde estava. Sem pensar duas vezes Nina arremessou o facão que atravessou o ombro de Dean, que devido a dor que sentiu, soube que não era uma arma humana.

–- Sam, vê se ele tá vivo, por favor. – Ela falou encarando Dean, que ao puxar o facão de dentro de seu ombro foi até Nina, que não correu dele, nem desviou o olhar.

Dean a empurrou até uma parede atrás dos dois, com mais violência do que no dia anterior.

–- Nunca mais faça isso, você entendeu? – Ele a apertava de um jeito que parecia querer arrancar um pedaço dela.

Uma coisa passou pela cabeça de Nina rapidamente e então ao invés de devolver mais agressividade, levantou os olhos pra ele como faria se aquela fosse só uma briga dos tempos antigos.

–- Dean, eu só revidei. Fica calmo, tá? – Ela levantou uma das mãos e conseguiu tocar o rosto dele – Eu preciso encontrar a Mary, então, pode ser menos demoníaco e me soltar? – Era estranho falar com ele daquele jeito naquela situação, mas tinha de tentar tudo. Em meio a isso, Poison ganiu recobrando a consciência e ficou de pé, o que deixou o coração da ruiva um pouco mais tranquilo.

–- Dean, solta a Nina. É da sua filha que estamos que falando, cara. Ela está aqui em algum lugar, precisamos encontra-la. – Sam falou se aproximando do irmão que ainda segurava Nina.

–- Eu não acredito que você vai cair nesse papo mole de família de comercial de margarina depois de tudo que a gente conversou, Dean. – Crowley falou sem tirar os olhos de Poison que também o encarava. Nina piscou para o cão que avançou sem medo, fazendo com que o Rei do inferno desaparecesse antes de ser atingido pela força maciça do animal.

Dean encarou Nina com a cara mal humorada, mas mantendo a estratégia anterior ela sorriu pra ele.

–- Eliminando as más influencias. – Ela tocou a Marca de Caim e Dean ficou a olhando e lembrando das escolhas que tinha e não conseguindo tomar nenhuma decisão naquele momento, beijou a boca dele e respondeu sussurrando em seu ouvido.

–- Eu sou a má influência aqui, Nina. Vai me eliminar também? –

Sam que olhou para o outro lado naquele momento viu quando duas figuras apareceram pela porta arrebentada e não gostou nada do que viu.

–- Mas que bela imagem de família. – Falou a desagradável conhecida voz de Metatron.

O anjo logo obteve a atenção que queria e a reação de Nina não foi diferente da de Sam.

–- Mary! – Ela falou perdendo o fôlego de uma só vez.

Metatron arrastava a menina consigo que chorava em silêncio com uma faca em seu pescoço.

–- Larga a faca, Metatron. Você não precisa disso. – Sam falou de cenho franzido e sentindo o ódio que tinha por aquela criatura se multiplicar.

–- Sam... onde fica o drama? A faca não é necessária, mas é um símbolo! Está presente em todas as cenas deste tipo. –

–- Espero que saiba que a sua morte também está na cena! – Nina foi na direção de Metatron, mas Dean a impediu, do mesmo jeito agressivo de antes, mas não a machucou diretamente, sua atenção estava em outro lugar. Ele andou até Metatron e Nina até Sam, ela fazia sinal pra a filha não reagir daquela vez.

–- Solta a minha filha, Metatron. – Ele falou de maneira realmente amedrontadora, com a Primeira Lâmina à mão e Marca de Caim brilhando do jeito macabro que fazia – Seu assunto é comigo e acaba hoje. --

Notas finais
Gente, como sempre me deixem saber o que estão achando do rumo da fic e tudo mais o que quiserem dizer. Muito obrigada e vou voltar às postagens semanais, tá?! Por isso, até semana que vem, na sexta. Bjs de Hunter para Hunter!