Fight For This Love
19 Capítulo 18 - Fliperama do Bo.
Notas iniciais
— Ah, desculpe mas... Eu conheço você? — perguntei observando-o de cima a baixo tentando me recordar se já tinha o visto antes.
— Na verdade ainda não, não fomos apresentados embora você namore o meu melhor amigo. — o garoto confirmou soltando uma breve risada aparentando estar bem confortável com a situação, ao contrário de mim.
— H-hã... N-nós não somos n-namorados... — gaguejei timidamente corando um pouco, desviando os olhos.
— Ah claro, desculpe, qual é o termo? "Dar uns pegas"? — perguntou com um sorriso sugestivo inclinando-se mais a minha direção. Imediatamente o encarei surpresa sentindo meu rosto queimar.
— Como é?! — perguntei balançando a cabeça em negativa perplexa.
— Enfim, então ele trouxe mesmo uma garota como você á esse lugar?! — ele olhou ao redor incrédulo ainda assim com um sorriso. — Deixa eu adivinhar, não vai ter o segundo encontro, não é?!
— E deixe-me adivinhar, você também acha que tenho de voltar ao colégio onde todos beija o chão que eu piso? — ironizei rolando os olhos começando a perder a paciência com essas especulações sobre mim — Qual é, você acha mesmo que eu sou tão patricinha assim?
— Na verdade, eu acho que você é mais como uma garota rica que embora pareça superficial, é muito mais forte do que pensa. — repensou com um sorriso gentil e uma sinceridade admirável no olhar. — Além do mais, você está namorando o Patch, acredite você não é uma patricinha.
— E ele diz isso porque a ultima namorada dele foi em... Não espera, você já teve uma namorada? — Patch apareceu de repente trazendo os dois Red Hot's, aproximando-se da mesa de sinuca alcançando minha bebida e encarando Alexys com a expressão irônica. — Quem convidou você mesmo?
— Pensei em oferecer uma fuga para ela se livrar de você. — então o garoto direcionou o olhar para mim aproximando-se um pouco mais em tom secreto: — Ainda dá tempo, querida.
— Depende, você está de moto ou de carro? — perguntei maliciosa com um sorriso irônico, tomando um gole de minha bebida.
— Ele eu não sei, mas agora você está de a pé. — zombou Patch com um sorriso brincalhão arqueando uma sobrancelha.
— Está brincando não é? Uma garota como ela não teria problemas em arranjar outra carona. — ele piscou pra mim como se insinuasse a provocação dirigia a Patch.
— Obrigada Alexys! — agradeci em tom surpreso em relação a Patch.
— É, mas assim que ela começasse a falar perderia essa carona. — brincou ele piscando com um sorriso sedutor.
— Então, o que vamos jogar? — Alexys perguntou alcançando um taco sobre a mesa.
— Nós vamos jogar. — Patch disse puxando o taco de sua mão e alcançando para mim.
— Eu me sinto ofendido! — Alexys disse apoiando a mão sobre o peito como quem realmente se ofende. — Você está me mandando embora?
— É, basicamente. — Patch concordou passando para o meu lado.
— O que você diz sobre isso Ashley? — perguntou-me com uma expressão inspiradora. — Você concorda?
— Ah... Não acho que você tenha que ir, até porque não sei jogar, eu poderia ficar olhando. — discordei dando de ombros me encolhendo.
— Isso é uma maneira educada de dizer que quer que você caía fora. — insistiu Patch naturalmente, e senti minhas bochechas fermentarem.
— Até você Brutus? — Alexys me encarou desconfiado como se sentisse traído. — Tudo bem, dá próxima vez traga uma amiga e vamos fazer um encontro duplo.
— O-o quê?! Não! Eu n-não...
— Tchauzinho! — Patch se despediu com um cumprimento e um sorriso falso.
— Patch! — retruquei lançando a ele um olhar assassino.
— Que foi? Ele está de saída.
— Vejo vocês em breve, eu espero. — Alexys se despediu segurando minha mão puxando-a delicadamente e inclinando o rosto em direção a ela e pressionando os lábios contra minha pele, beijando-a. — Até mais querida.
Em seguida ele passou por mim e se dirigiu a Patch em um tom mais brincalhão e eles trocaram alguns socos e empurrões antes de Alexys se dirigir ao salão outra vez, afastando-se de onde estávamos. Patch me encarou novamente me observando de cima a baixo com um sorriso tentador e de uma maneira constrangedora.
— Finalmente a sós outra vez.
— Não precisava ter corrido ele. — reclamei cruzando os braços seriamente.
— Acredite, precisava. — ele disse abrindo um grande sorriso. — Eu sou egoísta anjo, quero você só pra mim.
— Cala a boca. — murmurei virando o rosto enquanto minhas bochechas coravam.
— Disse que não sabe jogar, gostaria de aprender? — ele perguntou aproximando-se significadamente de mim de um modo que me fez arrepiar e recuar.
— Ah não, tudo bem. — recuei ficando levemente nervosa.
— Por que, tem medo de não conseguir? — perguntou com um sorriso curioso. — Eu sou um bom professor.
— Não conseguir? — sorri ironicamente desafiadora. — Acho que não.
— Prove. — devolveu o desafio com um expressão provocante.
— Ok, vamos lá então bom professor.
— Você ainda não viu nada, anjo.
Patch se colocou atrás de mim segurando em minha cintura pondo-me bem próxima a mesa de sinuca. Suas mãos contornaram meus braços alcançando meus punhos retomando o controle do taco de sinuca ao qual eu tinha nas mãos.
— Segure dessa forma. — instruiu.
Ele reorganizou a minha mão direita até a poucos centímetros e continuou, levando a minha mão esquerda em um círculo com o polegar e o indicador. Então colocou sua mão esquerda sobre a mesa. Como um tripé. Empurrou a ponta do taco de bilhar no meio do círculo e sobre a junta do meu dedo médio.
— Incline-se para frente. — inclinei meu corpo em direção a mesa e senti o calor de seu hálito na altura de meu pescoço, então puxou para trás o taco de sinuca e levou-o através do círculo. — Escolha uma bola.
— Eu gosto de rosa. — sorri levemente nervosa.
— Estou surpreso! — ironizou com um sorriso largo — Então que seja a rosa.
Patch levou o taco para trás e através do círculo, apontando para a bola, praticando. Mirei a bola branca para dentro do triângulo acertando em cheio na primeira bola do triângulo, espalhando as demais por sobre a mesa. Não pude acertar a bola rosa, mas consegui movimentar o jogo.
— Bela jogada para uma iniciante. — encarei como um elogio. Inclinei o pescoço para trás em sua direção arqueando uma sobrancelha.
— Isso foi um elogio? — insinuei.
— Pra você, eu só tenho elogios anjo. — decretou sugestivo com um sorriso tentado.
— Ah, jura?! — perguntei arqueando agora as duas sobrancelhas intrigada.
— Se é o que você quer, — começou inclinando o rosto para o meu deixando-nos há alguns centímetros de distância, sua voz era rouca e sexy. —Eu juro.
— Bom saber que também tenho um poder sobre você. — respondi o encarando com um sorrisinho mínimo.
— Você tem todo o poder sobre mim. — ele disse observando meus olhos com um olhar de desejo, então umedeceu os lábios em um ato sedutoramente arriscado, me senti tremer.
— E-então... Vamos j-jogar... — gaguejei recuando o quanto pude mais em direção a mesa, virando o rosto para frente outra vez.
Patch com certeza sorriu vangloriando-se após minha óbvia fraqueza e hesitação mas ignorei o fato fingindo não perceber.
Depois, ele se distanciou contornando a mesa em direção a outra extremidade, posicionando-se sobre a mesa e preparando uma jogada certeira que acabou por encaçapar a bola ao final e assim eu também tentei uma jogada com a ajuda das dicas de Patch, embora ele tenha me vencido todas as vezes eu consegui fazer alguns pontos no fim das contas.
— FFTL —
Após jogarmos, rirmos e bebermos bastante, foi chegada a hora de que teria de voltar ao Elementary antes que ficasse ainda mais tarde, e aprendi duas coisas nesta noite: a primeira foi a jogar sinuca e a segunda foi que é muito difícil resistir a ele. Chegamos ao estacionamento pouco tempo depois encontrando-nos com a Kawasaki preta de Patch porém antes de subir, ele curiosamente parou em frente a moto, alcançou um capacete e o dirigiu a mim.
— Tire seus sapatos. — ele disse me oferecendo o capacete.
— O quê? — perguntei confusa encarando o objeto e a ideia de ter de tirar meus sapatos, mesmo assim, peguei o capacete. — Por quê?
— Tire ou eu tiro para você. — ele disse abrindo um sorriso malicioso — E lembre-se que você está de saia.
— Tudo bem, eu tiro! — concordei abaixando-me e descalçando os dois pés dos sapatos, segurando-os entre os dedos com a mão oposta. — Tá, por que disso?
— Porque eu vou ensina-la a dirigir uma moto. — Patch respondeu dando dois tapas sobre o tanque da moto. Meu queixo quase caiu enquanto me mantive surpresa e espantada, Patch puxou os sapatos de minhas mãos segurando-os. — Não vai precisar disso.
— E-espera... O quê? Eu não vou aprender a dirigir uma moto! — me recusei balançando a cabeça em negativa encarando-o incrédula.
— Não se preocupe eu vou ensina-la. — garantiu.
Como se fosse diminuir o meu espanto e principalmente o medo diante á aquela ideia maluca. É loucura, eu mal sei dirigir meu próprio carro quanto mais uma moto, e não qualquer moto, um monstro como a dele.
— Patch, eu estou de saia, olha o tamanho da sua moto, eu não devo nem alcançar os pés no chão! — argumentei apontando para a moto e encarando aquela máquina com os olhos arregalados temerosa, ele não seria maluco ao ponto de insistir nessa loucura... Seria?
— Não seja dramática, você sobe nela para andar comigo, além do mais nós dois sabemos que você consegue. — insistiu me deixando ainda mais apavorada e boquiaberta. — Não tenha medo anjo, eu estou com você.
— Não. — afirmei abominada com sua insistência naquela loucura que provavelmente poderia matar nós dois.
— Tudo bem, se você acha que não dá conta.
Ele aceitou de uma maneira muito suspeita como se aquele fosse apenas mais um de seus desafios que sempre acabam me tirando do sério mas desta vez não. Então se aproximou da Kawasaki pegando o capacete restante e preparando-se para subir na moto.
— Engraçado como você quase me convenceu de que não é apenas uma patricinha de colégio rico hoje. — insinuou ele.
Uni as sobrancelhas com a respiração pesada mantendo-me firme e o fuzilando com uma expressão irritada. Andei em sua direção com passos pesados contra o asfalto mesmo estando de pés descalços, parei abruptamente a sua frente inclinando a cabeça para trás encarando-o de forma fria e assassina, o mais furiosa que conseguia.
— Sobe. — disse entredentes garantindo-me de manter um tom glacial a voz.
Contornei a moto até alcançar o guidom, coloquei o capacete ajeitando-o sobre minha cabeça segurei o guidom do veículo desencostando-o o apoio levantando-o e foi assim o quanto aquela moto era relativamente pesada mas disfarcei o quanto estava assustada em descobrir que ela é pelo menos cem vezes mais pesada do que eu imaginava. Sem me importar se estava de saia ou não, passei a perna direita sobre o banco ficando na ponta dos pés para conseguir subir, então evitando o quanto a cena deveria estar cômica devido a minha raiva, sentei-me ajeitando-me sobre o banco continuando sob a ponta dos pés tentando equilibrar-me com a moto. Esperei que ele subisse logo na porcaria da moto olhando fixamente para frente com um olhar furioso, em chamas.
— Pensei que você não fosse dirigir, anjo. — insinuou e eu senti em sua voz o sorriso zombeteiro.
— Vai subir ou não?! — disse rispidamente sem me dar ao trabalho de encara-lo.
— Sim senhora.
Senti o peso da moto descer de repente assim que ele subiu e lutei para não me desequilibrar sentindo meus pés tocarem o chão frio novamente quando ele a fez ceder. Após senti-lo subir completamente, me preparei mental e fisicamente para o que iria fazer agora perguntando-me como eu acabei concordando com essa maluquice suicida.
— Pegue. — Patch disse me alcançando a chave da Kawasaki por sobre meu ombro.
Peguei a chave em um movimento ríspido arrancando-a praticamente de suas mãos com irritabilidade. Liguei a moto furiosa e ouviu-se o ronco do motor abaixo de mim sentindo a vibração do solavanco com a moto ao ligar.
— Ligue os faróis. — instruiu-me ele gesticulando-me a um botão perto dos espelhos.
Pressionei o botão indicado e as luzes ofuscantes dos faróis da moto brilharam a minha frente iluminando o estacionamento anteriormente envolto pela escuridão da noite. Pisquei algumas vezes me adaptando ao impacto das luzes fortes.
— Coloque na primeira marcha pela sua esquerda, apertando a embreagem, também do lado esquerdo. — ensinou.
Ele inclinou-se mais para mim e automaticamente senti outra vez seu ar cheiroso e caloroso em meu pescoço enquanto me observava. Fiz o que ele mandou.
— Agora acelere a moto pelo seu lado direito e impulsione-a para frente, tirando o pé do chão é claro, não queremos que nosso passeio termine no hospital.
Novamente obedeci seus comandos exatamente como disse e automaticamente a Kawasaki deslizou pela rua lentamente, mantive meus pés firmes aos pedais e apertei com um pouco mais de força o guidom.
— Mude a marcha novamente pressionando para cima e acelere mais um pouco. — continuou com as explicações.
Com as mãos endurecidas e os pés levemente trêmulos eu executei a tarefa com todo o cuidado, principalmente no quesito acelerar e assim, continuamos com a aula de "como dirigir um monstro", saindo do estacionamento e andando um pouco pela rua muito lentamente pois eu não tinha ideia do que estava fazendo há algum tempo atrás e era apenas quem executava os comandos mas quem realmente estava, tecnicamente, dirigindo era Patch.
— Certo, acho que agora você já pode assumir e nos levar de volta, neste ritmo, só vou chegar amanhã no colégio! — anunciei freando e parando a moto, apoiando depressa um dos pés ao chão para ajudar a sustentar o veículo.
— Nos leve você, a ideia é aprender e você sequer começou a andar realmente ainda. — insistiu ele se referindo a velocidade a qual estávamos indo.
— Não Patch, acho melhor você assumir mesmo! — retruquei começando a me irritar novamente, eu não iria continuar com essa maluquice para nos matar!
— Sabe você está certa em uma questão, — começou flexionando o torso para baixo, imaginei que em direção ao chão e me perguntei se estava se preparando para descer, embora parecesse mais que queria alcançar alguma coisa. — neste ritmo, não vamos chegar nunca. Você precisa acelerar.
— Por que você simplesmente não nos leva de volta?! — exclamei me exaltando tentando inclinar o rosto por sobre o ombro para lança-lo um olhar fulminante.
— Sabe do que você precisa? — perguntou as vésperas de abrir um sorriso trapaceiro e comprometedor — Incentivo.
De repente, eu só tive tempo de abrir a boca sentindo meu interior vibrar enquanto eu entrava em estado de paralisia chocada e apavorada. Isto se deveu ao fato de quando finalmente consegui ver atrás de mim, percebi que o que Patch havia alcançando do chão era uma pedra razoavelmente grande e pesada, e usou-a como arma para acertar um bando de motoqueiros que, eu ainda não havia percebido, mas estavam próximos a nós estacionados a estrada bebendo, fumando e conversando aos berros soltando gargalhadas, um bando de caras cabeludos e com barbas repulsivas e compridas. Assim que acertou a pedra neles antes que eu pudesse gritar ou fazer qualquer coisa para impedir, notei ao encara-los que de supetão quando receberam a pedrada, viraram-se em nossa direção com expressões intimidadoras e amedrontadoras se pondo de imediato em alerta ao nos fuzilarem com expressões assombrosas que eu imediatamente soube: estávamos encrencados.
— Por que você fez isso?! — eu quase gritei desesperada quase sucumbindo ao medo e a raiva já sentindo-me tremulante.
— Ashley se você não acelerar agora eles vão matar a gente. — Patch me avisou como se fosse, ou realmente era, um caso de vida ou morte e no mesmo instante percebi o motivo de seu ato suicida.
— Você só fez isso pra me obrigar a dirigir! — acusei furiosa indecisa entre o ódio mortal que estava sentindo dele agora, e o medo culminante que me consumia.
— E se você não fizer estamos mortos, então acelera! — ordenou com a expressão séria o que eu não estava acostumada pois nunca tinha visto em Patch, e ele reforçou parecendo alarmado: — Agora!
— Você é um babaca, Patch! — gritei enfurecida, virando-me para o volante outra vez a beira do desespero.
Girei a chave na ignição, passei a marcha e arranquei o mais rápido que consegui, me concentrando na estrada e em respirar profundamente e manter-me o mais calma que alguém pode estar quando está prestes a morrer ou em um acidente trágico na estrada, ou pelas mãos de motoqueiros malucos! Com as mão tão duras e firmes apertando com força o guidom eu podia sentir o quanto de esforço desgastante estava fazendo para não tremer e atrapalhar meu controle do volante, mas me permiti espiar por um momento pelo espelho retrovisor, observando a traseira um bando de motoqueiros enfurecidos e muito rápidos nos seguindo, talvez uns dez, ou mais.
— Ai meu Deus, eu odeio você! Seu maldito! — berrei com todas as forças de minhas cordas vocais sendo sufocada pela força do vento entrando em meu capacete e congelando meu corpo.
— De nada! — ele gritou em resposta e imaginei se tinha o escutado rir realmente e era uma pena eu não poder soltar o guidom para socar a cara dele.
Me concentrei em não bater em nada devido a velocidade excessiva em que estávamos e a única coisa que me deixava feliz nisso era o fato de saber que uma multa bem gorda chegaria na casa dele em poucos dias e com certeza alguém ficaria de castigo. A adrenalina empalidecia ainda mais meu corpo congelando meu sangue e consequentemente meu corpo, e eu só rezava para que esse pesadelo terminasse logo enquanto sentia meu coração pulsar constantemente desenfreado, talvez ainda mais acelerado do que nossa velocidade.
— FFTL —
Depois do que parecia ser uma eternidade finalmente conseguimos despistar o bando de motoqueiros aterrorizantes e enlouquecidos, então peguei um desvio e me voltei ao caminho do Elementary sem reduzir a velocidade até chegarmos nos fundos do colégio, onde estacionei e quando finalmente me senti parar e descongelar, notava meu corpo trêmulo constantemente e como minha pele estava extremamente pálida e meus olhos saltados e nervosos, quando eu tinha a certeza de que olhara diretamente na cara da morte esta noite, pois durante todo o trajeto eu tinha a sensação de que a qualquer momento eu iria bater e sofreríamos um acidente trágico e na melhor das hipóteses sairíamos cheios de sequelas, e na pior os motoqueiros nos alcançariam e acabariam com a gente então seria nosso fim definitivo.
— Tenho que admitir você foi incrível, se saiu muito bem!
Escutei a voz de Patch abafada pelo som desregulado como um ronco de minha respiração alterada, em seguida senti a pressão de seu peso aliviando sobre a moto quando desceu. Me mantive paralisada e emudecida lutando para me recuperar enquanto sentia a adrenalina freneticamente ainda fervendo pelo meu sangue, Patch logo se aproximou de mim apoiando uma das mãos em meu ombro e inclinando-se em minha direção observando-me com olhar preocupado.
— Tudo bem, anjo? — perguntou como se realmente se importasse.
— Sim. — menti á beira de um colapso nervoso que eu lutava com todas as forças para controlar.
— Não parece bem. Não precisa se preocupar eu conheço os caras, você só precisava de um empurrãozinho. — disse na tentativa de me confortar o que não funcionou.
— Então por que perguntou?! — repliquei empurrando sua mão com um tapa furioso descontando apenas um pouco de minha raiva e me esticando sobre um pé para descer da moto, abandonando o veículo.
— Por que me preocupo com você?! — insinuou afastando-se para me dar espaço.
— Tanto faz! — disse ignorando-o com o excesso de raiva me dominando.
Segurei o capacete e o puxei para cima, retirando-o de minha cabeça e me aproximando dele empurrando o objeto contra seu peito com todo o resto de minhas forças indignada e furiosa.
— A propósito, tenho que admitir também que a visão de você dirigindo minha moto com esta saia naquela velocidade me deixou excitado. — ele disse assim que comecei a me afastar e senti o sorriso safado e condescendente em sua frase.
— Fico feliz que alguém tenha se divertido! — me virei para ele com a expressão irritada porém não pude evitar de sucumbir também ao quanto gostava do que ele disse, era difícil ser completamente indiferente com ele.
— Admita que gostou, você fica tão sexy determinada e destemida anjo. — ele provocou conservando o sorriso vadio. — Adoro quando você assume o controle, é tão excitante.
— Vai se danar! — cuspi as palavras furiosa, esticando a mão em sua direção. — E devolve meus sapatos!
— Mas você não pediu com jeitinho, peça de novo e talvez eu devolva.
Patch insistiu aproximando-se lentamente de mim me fazendo pressentir o perigo e recuar instantaneamente decidida a não me render, o que não durou muito tempo de distância já que de repente senti meu corpo chocar-se contra outro objeto metálico grande e pesado e ao olhar para trás notei a Kawasaki atrás de mim me impedindo de dar mais passos atrás, ai que droga! E imediatamente, ele estava em cima de mim, apoiando as mãos ao meu redor sobre a moto trancando minha passagem, ergui o olhar e vi nossos rostos muito próximos, engoli em seco sentindo a ansiedade e o nervosismo me dominarem.
— Não, não começa Patch! — falei com a voz firme e levemente alterada certificando de fazer o olhar mais bravo que pude.
— Com o quê? — perguntou com uma falsa falta de percepção do que acontecia inclinando mais o rosto em minha direção me fazendo recuar, centímetros de distância nos afastavam e a sensação de um frio no estômago me assombrou, seus lábios estavam perto demais. — O que eu estou fazendo? — perguntou dirigindo o olhar a minha boca.
— Com essa bobagem de me fazer pedir com jeito, eu não vou pedir! — exclamei irritada pressionando as mãos sobre seu peito com a intenção de empurra-lo. Não obtive sucesso. — Agora me dá a droga desse sapato!
— Então parece que um par de sapatos vão voltar para casa comigo. — ele disse imitando um falso beicinho.
— Ok, vai a merda! — ordenei me debatendo para tentar me desvencilhar dele, ele se afastou em sinal de recua com um sorriso irônico e eu passei me afastando.
Senti o gramado úmido pelo sereno sob meus pés congelando ambos ainda mais me fazendo contorcer e arrepiar devido ao frio mas continuei a me afastar com passos retumbantes me distanciando o mais rápido possível de Patch e a sua moto maldita.
Enfim atravessei o campo em direção a árvore que levava a janela de nosso quarto e quando estava me preparando para escala-la, de repente só tive tempo de me surpreender apavorada pelo impacto do movimento quando Patch apareceu surpreendentemente atrás de mim, segurando-me pelos pulsos e empurrando-me atrás antes que houvesse tempo para recuar. Senti a pressão da parede atrás de mim ao ser posta encurralada entre ela e Patch a minha frente, espremendo meu corpo entre si e a parede absorvendo o frio úmido do concreto as minhas costas enquanto contrariando totalmente, havia o calor exalando do corpo dele a minha frente segurando meus braços presos a parede deixando-me imóvel.
— Não! Me solta! — grunhi impulsionando meu corpo a frente chocando-me contra ele e tentando me desvencilhar, o que não foi uma boa ideia pois mesmo contra a minha vontade, aquele movimento era sensual.
— Shh... Não queremos que o seu diretor saiba que temos uma fugitiva. — ele disse em tom de sussurro como se me alertasse sobre este risco. Patch aproximou o rosto do meu outra vez e me distanciei até encostar a cabeça contra a parede.
— Sai daqui! — mandei se afastar entredentes contendo minha raiva o máximo possível.
— Não podia ir sem um beijo de boa noite anjo, não conseguiria dormir. — ironizou com um sorriso sedutoramente safado e imediatamente reprimi o desejo que isso pudesse despertar em mim.
— Então aprenda! — disparei forçando meus braços tentando livrar-me dos dele, sem qualquer efeito. — Me solta! Caralho!
— Precisamos cuidar dessa boca suja.
Zombou e de repente, antes que previsse ou tivesse chance de evitar, ele comprimiu seus lábios contra os meus esmagando-os com a pressão de sua boca macia e quente apertando-se contra a minha de uma maneira provocante, mesmo contra minha vontade de admitir. Senti a voracidade de sua língua tentando invadir minha boca, cerrei meus lábios mantendo-os trancados com força, impedindo que sua língua me invadisse. Patch passou a língua em meus lábios e puxou meu lábio inferior mordendo-o e ao invés de liberta-lo sugou-o com seus lábios e então deslizou a língua através dele para minha boca envolvendo a minha em um beijo alucinado e delicioso, até que eu não pude mais resistir e me entreguei ao seu beijo sugando sua língua com força para dentro da minha.
Minutos depois de estarmos entregues a aquele beijo Patch liberou minha boca com um selinho raspando os lábios nos meus e se afastando devagar com um sorriso travesso.
— Agora eu posso dormir em paz. — ele disse erguendo a mão que segurava meus sapatos após já ter me libertado. — Ah, e você vai precisar ir até minha casa se quiser ter isso de volta. Boa noite, anjo.
— Eu odeio você. — o encarei mau-humorada.
Em seguida que o vi se afastar em direção da moto, me direcionei novamente a árvore e comecei a escala-la em rumo ao meu quarto onde eu dormiria e esqueceria que esse dia havia acontecido.
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