Fifty Shades of Doom
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Por Anastácia:
– Tenho um encontro — disse deixando Kate com a maior cara de surpresa possível.
– Oh meu Deus! Você vai transar! — ela disse ainda surpresa.
Não que eu vá transar, mas sinceramente, Christian é um homem pelo qual eu me entregaria. Porém, não é esse o motivo. Ele é muito influente no mercado, conhece pessoas importantes. Posso dizer que seduzi-lo não é nada difícil. Bastou um almoço para ele demonstrar total interesse em saber quais são minhas “armas secretas de sedução”. Eu não sou experiente nisso, mas sei de algumas coisas que eu aprendi lendo livros de romance. Coisas básicas como: usar um perfume tentador, olhar diretamente para os olhos dele e, vez ou outra, morder os próprios lábios. Modéstia à parte, eu sempre fui considerada uma mulher bonita. Não sei exatamente o quão bonita sou, mas creio que estou em um patamar normal de beleza.
– Eu não vou transar — disse, não demonstrando total certeza — aliás, ele não faz o tipo “sexo por diversão”. Posso dizer que ele é um homem sério, de negócios.
– Ah não, Ana — ela disse jogando uma almofada em mim — não acredito que você vai sair com um cara velho e careta.
– Nada de velho, e nada de careta — sorri — um homem jovem, lindo e rico.
– Interessante, interessante — ela disse rindo — defina “lindo”…
– Moreno — sorri – alto — não segurei a risada ao vê-la morder os lábios e comprimir o olhar — forte… — deixei a definição morrer ao perceber que Kate prendia a vontade de gritar, ou de rir.
– Anastácia Steele arrumou o melhor homem que uma mulher poderia arrumar, puta que pariu — ela disse em um tom de voz semelhante ao de uma adolescente de filme americando quando diz “o my god, he loked at me” — Ana, quando vai ser isso? Como aconteceu? meu Deus!
– Hoje ficamos presos no elevador — sorri — ele me convidou para almoçar, e depois de fazê-lo insistir com o pedido, eu aceitei.
Flashback On:
– Não admito que a senhorita saia deste restaurante sem provar o prato mais famoso e delicioso da casa — aproximou-se mostrando o cardápio — quanto às bebidas, eu opto por vinho, você bebe?
– Sim — respondi olhando-o nos olhos — aliás, entendo bastante de vinhos.
– Neste caso, qual a sua sugestão para acompanhar esse prato? — apontou para o cardápio mostrando-me um prato nomeado por “Filé de Peixe com Camarões Salteados”. Uma opção aparentemente deliciosa.
– Asili di Barbaresco — sorri — a Itália pode se gabar de possuir muitos vinicultores excelentes e alguns excepcionais — ele riu — Porém, quando o quesito é genialidade, só existe um: Bruno Giacosa. O Asili é famoso não tanto pela potência quanto pela elegância e graça. Os melhores vinhos de Giacosa são capazes de apresentar uma verdadeira sinfonia de aromas e sabores em diversas gamas — ele me olhou surpreso, e aparentemente, sem entender nada — doces combinados com amargos, ervas com flores, sem esquecer os elementos de cogumelos, e às vezes trufas — disse reforçando meu sotaque causando-lhe estranheza.
– Você não é de São Paulo, é? — perguntou.
– Não, eu sou carioca. Aos 20 anos me mudei sozinha para São Paulo.
– Não teve medo de encarar a vida sozinha em uma cidade como São Paulo?
– Eu não costumo ter medo de seguir minha vida — sorri entregando-lhe o cardápio — eu sai do Rio de Janeiro, e vim para cá, no intuito de terminar meu curso economina na Universidade de São Paulo. Agora que conclui o meu curso, estou em busca de boas oportunidades de trabalho.
– Pude perceber que você não se acomodou no seu emprego. Aliás, quando você conseguir algo melhor para fazer, tenho certeza que a GREY VEÍCULOS será um caos no quesito organização de papelada — sorriu enquanto esperava o garçom servir nossas taças — saúde.
– Você também não é daqui, certo? — perguntei correspondendo o brinde.
– Sou mineiro — ele sorriu — eu vim para São Paulo por impulso. Me formei em administração de empresas na Universidade Federal de Minas, e decidi abrir meu próprio negócio. Juntei algumas economias e consegui alguns contatos que me apoiaram financeiramente. Minha mãe é dona de uma fazenda de criação de gado em Itacaré, e isso ajudou bastante. Ela sempre me apoiou financeiramente, já meu pai está bem distante da gente.
– Seus pais são separados? — perguntei bebericando um pouco do vinho — os meus mantém um casamento lindo, estão casados há quarenta e cinco anos.
– Os meus se separaram quando eu ainda era garoto. Meu pai conseguiu um grande emprego para lecionar na Universidade de Londres. Ele saiu do Brasil há muitos anos, mas sempre fez questão de vir para nos ver nos nossos aniversários.
– E como conseguiu impulsionar o negócio? Digo, como transformou uma pequena empresa em uma grande concessionária renomada, que vende carros de luxo, inclusive?
– Tive o apoio dos meus sócios. Alguns já entendiam do negócio automobilístico, e eu entendia de administrar empresas. Quando a gente se une com pessoas que complementam o nosso conhecimento, tudo funciona melhor.
Um dos garçons chegou trazendo nossos pratos. Ao saborear a primeira garfada, pude sentir o que Christian apelidou de “orgasmos gastronômicos”.
– É realmente uma delícia — disse após saborear um pouco mais do peixe.
– Especialidade da casa — ele sorriu — a cada mordida um prazer diferente. Dizem que a sensação de comer uma comida muito gostosa é quase a mesma de usar drogas, ou fazer sexo — ele disse e sorriu — por isso que comer é bom, e pode viciar.
Não pude deixar de reparar que o sorriso dele entrava em total harmonia com o ambiente. Desviei o pensamento por um instante e não percebi quando disparei a única coisa que eu não poderia ter dito. Talvez tenha sido a maior gafe da minha vida.
– Isso eu não posso afirmar — sorri — nunca usei drogas e nunca fiz sexo.
Ele me olhou de forma surpresa e a única vontade que tive foi de me enfiar embaixo da mesa, de tanta vergonha. Eu não acredito que falei para o meu chefe que eu sou virgem.
Flashback Off:
– Você falou para ele que era virgem? — Kate me olhou incrédula.
– Foi sem querer — me escondi atrás da almofada — eu fiquei morta de vergonha, mas o Christian foi um bom parceiro de conversa, e fingiu que nem percebeu — sorri fazendo-a rir também.
– Você é muito otária — jogou outra almofada em mim — enfim, quando vocês vão sair, e para onde vão?
– Vamos jantar, na sexta. Ele quer me apresentar um restaurante, e quer que eu escolha o vinho da noite.
– Vai virar sommelier particular dele? — gargalhou com ironia.
– Vou virar mulher dele, pode me chamar de Sra. Grey — gargalhamos juntas — não, mentira.
Por Christian:
– Secretária? — indagou.
– Ela é linda — disse para Elliot, meu irmão e também sócio que me acompanhou na minha jornada rumo ao mundo dos negócios.
– Secretária? — repetiu rindo com ironia — não cansa de pegar todas as suas secretárias?
– Ela é bem gostosa — disse e ele riu — gostosa demais.
– Defina gostosa…
– Morena, olhos azuis, tem seios pequenos, mas redondos e empinados. Uma bela bunda e um par de coxas grossas. Faz o tipo que esconde o jogo, mas sabe ser sensual.
– Vai pegar quando? — ele disse e riu.
– Com ela vou precisar de cautela e uma dose a mais de “eu sou o homem dos seus sonhos”— debochei, e Elliot riu.
– Qual o problema com ela? — perguntou.
– Ela é muito inteligente — disse — mas esse não é o único problema… Ela é virgem.
– Como assim, cara? — perguntou incrédulo — quantos anos ela tem? Como você sabe que ela é virgem?
– Deve ter uns 22 — disse — ela deixou escapar quando almoçamos juntos. Estávamos conversando sobre vinho, de repente ela soltou sem querer.
– Você quer me dizer que existe uma secretária, inteligente, linda e gostosa que tem 22 anos e é virgem? E trabalha para você?
– Exatamente — enchi meu copo com uísque.
– Tem gente que não merece a sorte que tem — debochou.
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