Fifty Shades of Doom
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Por Christian Grey:
Desliguei o telefone com o coração apertado. Estava feliz por ter visto Anastácia enfrentar Suzana. Porém, meu coração se estilhaça a cada vez que penso ter que mentir dizendo que não tenho nada com a Ana. Em tese, realmente não tenho, infelizmente. Mesmo se tivesse, eu não poderia dizer isso para Suzana. Primeiramente para poupar a Ana de situações desagradáveis que Suzana criaria. Além de não poder romper com a ajuda do pai da morena desagradável. Não ainda. Não vou dizer que amo a Ana e faria tudo por ela, mas ela é a mulher que eu mais gostei na minha vida. Não posso abrir mão da única pessoa que tem me deixado feliz ultimamente.
– Posso entrar? — Ana bateu na porta.
– Claro que pode — sorri e ela entrou em silêncio.
– Esqueci meu celular — ela pegou o celular em cima da mesa e saiu de minha sala sem dizer mais nada. O que eu, obviamente, achei muito estranho.
Por Anastácia Steele:
Sentei em minha cadeira tentando digerir o excesso de informações que me rondavam. Ele gosta de mim, ou só quer me comer? Bom, para ele eu não significo nada. A gente quase transou na sala dele, mas em uma ligação ele diz que não tem nada comigo. Pior, diz isso para a namorada dele. Porra, por que esse homem tem que ser tão importante para mim? Estou me afundando em meu próprio amor.
– Ana, está chorando? — senti um afago em meu cabelo.
– Ethan, oi — forcei um sorriso meio sem graça — Imagina, não.
– Estava sim — ele sorriu e pegou em minha mão — quer me dizer o que aconteceu?
Dei um sorriso meio torto, mas decidi ser sincera. Ethan é um cara legal.
– Ethan — tentei conter as lágrimas — Eu estava quase chorando, sim — abaixei o olhar — Porém, quando uma pessoa está chorando, a última coisa que ela quer é outra pessoa perguntando o porquê dela estar chorando — sorri.
– Então vou me corrigir — ele riu — Você está chorando, e isso é óbvio. Não vou perguntar nada, mas vou lhe oferecer um jantar. Quem sabe você não precisa de distração.
Distração. Exatamente isso que eu preciso. Me distrair para tirar o Christian da cabeça. E, acho eu, que o Ethan é uma boa alternativa. Um homem que gosta de mim, que quer sair comigo, e que não tem uma namorada. Sim, o Ethan é uma boa alternativa.
– Posso pensar no seu caso — sorri.
– Amanhã? — ele sorriu.
– Às 20:00h — sorri.
Ele me deu um beijo no rosto e saiu feliz. Eu também deveria ficar, afinal, vou jantar com um homem incrível. Ele é incrível demais — mas não é o Christian. — Abaixei a cabeça novamente, desejando estar em casa deitada na cama ouvindo qualquer música que me faça chorar ainda mais do que eu já choraria no silêncio. Por que buscar mais sofrimento? Porque a minha masoquista interior implora por martírio. E pensar no Christian é quase isso. Amar o Christian é masoquismo.
– Srta. Steele, pode me acompanhar, por favor? — puta que pariu, é a voz dele.
Respirei fundo tentando me acalmar. Porque eu precisava manter o controle da situação. Eu me conheço o suficiente para saber que estou louca demais por ele para me abster dos desejos do meu corpo. “Estamos no trabalho”. “Ele tem namorada”. “Você está puta com ele”. Foram essas as repreensões do meu consciente.
Levantei-me e o segui até sua sala. Quando entramos, pude ver seu olhar sombrio. Estava sério, mas quando fechei a porta, logo o vi abrir um grande sorriso. Claro, estava me tratando formalmente na frente dos outros, afinal, eu não sou “nada” para ele. “Vá se foder Anastácia”. Ouvi a repreensão do meu ego, que gritava para eu me impor diante dele, e não abaixar a cabeça e assumir a posição da virgem mal amada. Ele estava certo.
– Ei — ele sorriu de lado — O que foi aquilo?
– Aquilo o quê? — levantei uma das sobrancelhas e cruzei os braços.
– “Esqueci meu celular” — ele tenta fazer uma imitação ridícula da minha voz — Saiu e não me deu nem um beijo.
– Eu não sou nada sua para ter obrigação de te dar um beijo — disse ríspida e o olhei vitoriosa.
Seu semblante desmoronou em um sorriso meio forçado. Sim eu ganhei. Consegui desarmá-lo, ao menos uma vez.
– Por que está dizendo isso? — droga, eu não previa essa pergunta.
– Você não faz ideia? — disse irônica.
– Não — ele riu.
Não me contive. Não admito ser feita de palhaça, e esse babaca ainda ri de mim. Acertei um tapa forte no braço dele, enquanto cerrava os dentes contendo minha raiva.
– Ei — ele riu novamente e segurou meus braços — Vai com calma baixinha.
Ele me puxou, e de repente eu estava com as mãos na nuca dele, lutando ao máximo contra a vontade que eu estava de sucumbir aos meus desejos sexuais. Filho da puta, canalha, gostoso. Minha masoquista interior implora por um beijo, enquanto meu consciente está com a mão coçando para acertar um tapa naquele rostinho bonito.
– Amanhã na minha casa, às 20:00? — ele perguntou dando aquele sorriso cafageste capaz de me atiçar só à vista.
De repente, num lapso vitorioso meu consciente me lembrou do meu jantar com o Ethan. Ganhei.
– Amanhã à noite não posso — meu lábio inferior foi mordido por ele.
– Claro que pode — suas mãos estavam novamente deslizando pela minha cintura. Recebi, então, outra mordida.
– Não posso — sorri vitoriosa — Amanhã à noite vou sair com o Ethan.
O ego dele desmoronou e foi parar no subsolo. Tudo que ele menos queria era que eu me aproximasse do Ethan, mas sinceramente, foda-se Christian Grey. Eu também não queria você perto da morena prepotente, mas você é namorado dela. E novamente fomos surpreendidos pelas ironias do destino.
– Você não vai sair com aquele cara — ele segurou nos meus pulsos enquanto me fuzilava com o olhar.
– Vou — o encarei. Afinal, quem é ele para dizer o que eu vou fazer ou não?
– Você sabe que eu não gosto que você fique com ele — ele parecia bravo — Sair para jantar, Anastácia?
– Ele me convidou e eu aceitei, só isso. O que você tem a ver com isso?
– Você é minha, não dele — ele gritou e segurou meus pulsos com mais força.
– EU NÃO SOU NADA SUA — de repente, as palavras ditas por ele à namorada vieram à minha mente. E aquela vontade filha da puta de chorar voltou a me atormentar.
Segurei minha raiva e puxei minhas mãos, fazendo-o soltá-las. Sai da sala dele antes que eu começasse a chorar, ou começasse a gritar o tanto que eu o amava e o tanto que ele era filho da puta por não dar a mínima para isso.
(…)
Cheguei em casa após o expediente e Kate estava deitada no sofá da sala com um pote de sorvete. Ótimo, era tudo que eu precisava. Sorvete e minha melhor amiga são a combinação perfeita.
– Kate, você estava certa — disparei ao entrar.
– Oi Ana, como foi no trabalho? — ela riu, até ver que eu estava chorando — Ana, o que foi?
– Você estava certa, Kate, eu me envolvi demais — larguei minha bolsa em cima do sofá e deitei com a cabeça em seu colo.
– Ai meu Deus, o que aquele filho da puta fez? — Kate acariciou meu cabelo.
– Nada Kate, esse é o problema — disse e minha voz começou a ficar embargada — O problema é que eu o amo, mas ele não me ama.
Ela me levantou e passou a mão no meu rosto. Seus olhos castanhos me olharam com solidariedade. Kate é muito linda, muito confiante, muito tudo. Ela me abraçou e eu desabei em seus braços.
– Você merece alguém que te ame, Ana. — ela disse — Você é muito mais do que imagina.
Não respondi nada. Apenas fiquei deitada em seu colo, até as lágrimas cessarem.
– Amanhã eu vou sair com o Ethan — disse e Kate pareceu surpresa.
– Mas e o Christian? — ela franziu o cenho.
– Exatamente para esquecê-lo que eu vou sair com o Ethan — respondi.
– Não — Kate me fuzilou com o olhar — Eu não acredito que você vai fazer isso. Ana eu posso te mostrar uma lista de motivos para você não sair com o Ethan.
– Duvido — revirei os olhos — o Ethan é um cara legal.
– A lista já começa ai — Kate ficou em minha frente me olhando com seu melhor olhar de reprovação — Você não pode se envolver com um “cara legal” para tentar esquecer o cara que você ama. Primeiro porque isso não é justo com o Ethan. Segundo porque você não vai esquecer o Christian. E se você cogitar estar gostando do Ethan, sem ter se esquecido do Christian, minha amiga você vai ficar dividida entre dois homens, e acredite, não vai ser legal.
– Não exagera, Kate — revirei os olhos novamente — Fica tranquila, eu sei o que eu estou fazendo.
– Sabe mesmo, Ana?
A dúvida ficou no ar, e essa pergunta ficou martelando na minha cabeça até eu me cansar. Levantei-me do sofá e fui até meu quarto. Eu só precisava dormir para esquecer a merda de dia que tive hoje.
Por Katherine Kavanagh:
É triste ver a Ana assim. Logo ela, que sempre se mostrou tão bem resolvida com as situações. Enquanto ela esteve deitada no meu colo, fiquei pensando qual caminho ela deve escolher. E porra, se ela ama o cara, ela tem que ir atrás dele. Essa história de sair com o Ethan também não me parece boa ideia. Quando ela foi dormir, não passou muito tempo até a campainha tocar. Por sorte, ela não deve ter ouvido, caso contrário, teria dado de cara com uma situação não muito boa de se enfrentar.
– O que você está fazendo aqui? — disse ao homem que, puta que pariu, é absurdamente lindo.
– Eu posso falar com a Ana? — ele perguntou.
– Olha Christian, ela já foi dormir, além do mais, acho que não é uma boa ideia.
– Eu preciso falar com ela, Kate — ele insistiu — Não posso deixá-la sair com Ethan.
– Por que não? — provoquei-o. Aliás, eu sabia muito bem o porquê.
Essa bem que era a deixa para ele dizer “porque eu a amo”. Mas como eu previa, ele não disse, e a palavra “idiota” ficou rondando minha mente, enquanto eu o olhava.
– Porque ela não gosta dele — ele constatou o óbvio.
– Você tem razão — revirei os olhos, em sinal de reprovação — Ela não gosta dele.
– Posso falar com ela? — ele perguntou.
– Não — disse rude — E sabe por que? Porque a Ana cansou de ser idiota.
– Idiota? — ele franziu a testa demonstrando dúvida. E, novamente, a palavra “idiota” martelou na minha mente.
– Christian — revirei os olhos — Você não percebeu ainda que ela te ama? Que ela está louca por você. Claro, você não pensa no que ela está sentindo, né? Você não pensa em como ela se sente sempre que vê você entrando na sua sala ao lado da sua namorada.
– Eu também gosto dela, Kate — ele disse — Gosto muito dela, e por isso que eu não quero que ela saia com o Ethan, porque sei que não é isso que ela quer.
– Olha Christian, eu até concordo que ela vai se arrepender desse encontro, mas a Ana é muito decidida e quando ela resolve alguma coisa, não há o que a impeça de fazer.
– Eu não posso deixar isso ir adiante — ele encostou a cabeça na porta — Sabe onde eles vão jantar?
Balancei a cabeça negativamente. Além do mais, não estava entendendo o porquê da pergunta, muito menos o que ele pretendia com minha resposta.
– Você pode descobrir isso para mim? — ele perguntou.
– Para que? — cruzei os braços.
– Você confia em mim? — ele perguntou, lançando um sorriso lateral que, literalmente, não me convencia.
– Não — disse, por fim.
– Porque? — ele franziu o cenho, me fazendo rir.
– Porque você está sendo um filho da puta com a minha melhor amiga — disse tentando segurar um riso debochado.
– Kate
– Olha, eu vou descobrir, mas você tem que me contar o que tem em mente — dei um sorriso malicioso, e ele compreendeu — Acho que sei o que você está planejando.
Acho que tivemos a mesma ideia, ao mesmo tempo. Era óbvio que Ana não desistiria do encontro. Mas, ao mesmo tempo, não podíamos deixar essa história ir longe demais. E eu facilmente conseguiria descobrir o local do encontro.
– Esse encontrozinho vai ser uma bela merda — eu disse ele riu.
– Vamos mesmo estragar o jantar dela? — ele riu.
– Você tem uma ideia melhor? — ele balançou a cabeça negativamente.
– Como vamos fazer isso? —a pergunta dele me soou conveniente, e me pus a pensar.
– Acho que tive uma idéia — gargalhei imaginando como aconteceria — Mas vai envolver dinheiro, e isso é com você.
– Muito? — ele perguntou.
– O suficiente para molhar a mão de um garçon — eu ri — Salva o número do meu celular.
Trocamos os números, e ele me olhou novamente.
– Posso entrar para falar com a Ana? — ele perguntou, novamente.
– Você é muito insistente, puta que pariu — eu ri e o deixei entrar.
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