Fifty Shades of Doom
8 Capítulo 8
Notas iniciais
– Quer café? — ele perguntou — É sempre bom para nos manter acordados.
– Eu quero sim — sorri e cruzei as pernas para mudar de posição.
Estive sentada organizando, calculando, planejando, e tudo que era necessário há horas. Eu precisava descansar. Sei lá, dar uma volta, tomar café. Ethan riu da minha situação, afinal, eu parecia um zumbi que sabe calcular. Eu estava muito cansada, admito, mas não estava sendo entediante.
O Ethan é um cara legal. Ao contrário do Christian, ele não tenta me agradar o tempo todo. O que, para mim, significa que as intenções do Ethan, não são as mesmas de Christian. Ou melhor, eu espero que não sejam. Enquanto calculávamos, ele me contou um pouco sobre ele. E eu um pouco sobre mim. Ele me contou que a família dele, faz a típica família italiana. Aquele tipo que aos domingos se reúne em uma mesa enorme para almoçar junto. Acho isso legal, porque apesar deu ter uma família unida, não chega a ser uma família grande. Aliás, a parte grande da família, não é tão próxima. E a cada história engraçada que ele contava da família dele, eu ria imaginando uma cena daquele filme, “Doze é demais”. Ele voltou com o café e se sentou ao meu lado.
– Você parece cansada — ele riu — Quer dar um tempinho?
– Por favor — ele riu — Preciso me levantar, eu estou sentada aqui há horas.
Levantei-me da cadeira, e fui surpreendida pelo som da campainha.
– Estava esperando alguém? — perguntei.
– Na verdade não — ele respondeu, indo em direção à porta.
Ethan abriu, e para minha surpresa, me deparei com um Christian Grey, com seu melhor sorriso cínico. O que ele estava fazendo ali às duas horas da manhã? Eu disse para ele que ficaríamos até tarde trabalhando, isto implica que ele NÃO havia sido convidado.
– O que você tá fazendo aqui cara? — Ethan riu e o cumprimentou com um tapa nas costas.
– Eu trouxe cervejas — ele riu e entrou — Aliás, eu estava entediado e resolvi acompanhar o trabalho dos meus amigos.
– Amigos? — desta vez, fui eu quem disse, irônica.
– Coloca na geladeira, por favor? — Christian entregou as cervejas para Ethan.
Ele saiu até a cozinha, e por azar, Christian e eu ficamos sozinhos. Eu me sentei no sofá com as pernas cruzadas, e peguei meu celular na bolsa, tentando evitar diálogos.
– E ai, Ana? — ele se sentou ao meu lado, e deu seu sorriso cínico, novamente — Tudo bem?
– Aham — disse.
– Como foi a noite com o Ethan? — ele perguntou, irônico.
– Agradável, até você chegar — me levantei do sofá e fui até a varanda do apartamento.
Em vão, claro. Ele foi atrás de mim na varanda, que ficava um pouco isolada. Eu estava encostada no parapeito, olhando a vista da cidade paulista, iluminada em plena madrugada. Foi quando senti aquela mão pesada pousar em minha cintura. Em meio à um arrepio, senti o sopro quente ao pé do ouvido.
– Eu não desisto facilmente das coisas, Anastácia — ele sussurrou ao meu ouvido, e percebeu que eu dei uma leve tremida — E não vou desistir de você. Principalmente, porque eu sei que você sente esse arrepio quando eu falo assim — engrossou a voz e a deixou um pouco mais rouca.
– Para com isso — tentei me virar, e me vi presa entre ele e o parapeito — Você está me sufocando.
Ele se afastou e deu aquele sorriso filho da puta. Estava prestes a sair daquela varanda quando ele segurou meu braço, fazendo-me olhá-lo.
– Você não vai se arrepender. Eu quero você, Ana — ele me disse, sério — Eu quero muito.
– Você não pode ter tudo o que quer, Grey — dessa vez, o sorriso lateral partiu de mim — Mamãe não te ensinou isso?
Sai com a minha melhor feição vitoriosa, o que o irritou. Ele veio logo em seguida, tentando disfarçar, para o Ethan, a conversa que tivemos na varanda.
– Vocês já terminaram o trabalho? — ele disse — Eu quero beber, vocês não querem?
– Eu acho que já vou dormir — bocejei e vi a feição de Christian mudar completamente.
– Você vai dormir aqui? — ele perguntou com o tom de voz um pouco alterado, e Ethan o encarou.
– Vai, Christian — Ethan disse — Algum problema?
– Não, eu achei que ela iria para casa — Christian mentiu — Só isso.
– Eu iria como, Christian? — ironizei — São duas e meia da manhã, eu não vou para casa andando, certo?
– Ué, se você quiser eu posso te deixar lá — ele disse e me lançou aquele olhar, cheio de segundas intenções.
Fiquei em uma situação completamente difícil. Se eu dissesse que não, eles poderiam interpretar como um possível desespero para dormir na casa de Ethan, ou até mesmo, medo de ir com Christian. Por outro lado, se eu aceitasse, eu teria de enfrentar um longo caminho sozinha com Christian.
– Eu liguei na sua casa, e uma amiga sua atendeu — Christian disse — Ela disse que você dormiria em casa. Ela deve estar te esperando.
Droga! Esqueci de avisar a Kate que eu pretendia dormir aqui. Se eu ligar para ela, e ela estiver dormindo, ela vai me matar. Se eu não ligar, e ela estiver acordada me esperando, ela vai me matar. A única opção que tenho é voltar para casa. Mas tinha que ser com o Christian?
– Esqueci da Kate — disse nervosa — Acho melhor eu ir embora.
– Agora? — Ethan disse com uma cerveja na mão.
– São duas e meia da manhã, Ethan. Amanhã nós trabalhamos — disse e ele concordou.
Peguei minha bolsa em cima do sofá. Calcei novamente os meus sapatos, que eu havia deixado ao lado do sofá, e despedi-me de Ethan. Fui até o elevador com Christian. Ambos estávamos em silêncio, até que este foi rompido por mim.
– Não tente nada, Grey — disse ao sair do elevador.
– Eu não vou tentar — ele disse e sorriu — Eu vou conseguir — ele disse em um tom quase inaudível. Eu disse “quase”.
Por Christian Grey:
Ela sentou-se em silêncio no banco ao meu lado. Não liguei o som, porque eu queria dialogar com aquela baixinha marrenta. Eu não vou desistir facilmente dessa mulher. Ela é, talvez, a mais incrível que já conheci. Acelerei o carro até os 180km/h em uma rodovia, praticamente, deserta. A vi apertar o cinto de segurança, e então ela me olhou sem entender o que estava acontecendo.
– Precisa ir tão depressa? — ela perguntou.
– Está com medo? — sorri, e ela me fuzilou com o olhar — Achei que você gostasse de aventura.
– Gosto — ela disse — Mas quando estou com alguém que eu confio.
Freei o carro até pararmos no acostamento. Ela me olhou sem entender, mas sentiu medo. Eu podia ver nos olhos dela. Imagina se eu ia fazer alguma coisa com ela. Eu não sou um monstro, psicopata. Apenas não desisto do que eu quero. E eu a quero.
– Por que não confia em mim? — a olhei diretamente nos olhos — Por que está tirando conclusões precipitadas à respeito do meu caráter, sem ao menos ter me dado o direito de provar o contrário? Aliás, por que você acredita tanto no que os outros dizem?
– Vai me dizer que é mentira? Eu vi você entrando na sala com a sua namorada, assim como sei que o nome dela é Suzanna. Da mesma forma que sei do seu caso com sua antiga secretária.
– Isso me torna um monstro? — ri, irônico — Meu namoro com a Suzanna nunca foi da minha vontade.
– O que? — ela perguntou.
– Eu preciso manter esse namoro, se não eu perco o investimento da família dela na loja. Nós estamos falindo, Ana.
– Então você sustenta um namoro por dinheiro — ela riu, e revirou os olhos, incrédula — Você acha isso normal, ou até mesmo, aceitável?
– Não, mas eu preciso disso — eu disse — Eu nunca quis que isso acontecesse, eu te juro.
– Quem jura mente, Christian — virou o rosto para a janela — Acelera esse carro, por favor. Antes que alguém nos assalte.
Acelerei o carro e ficamos por um tempo em silêncio. Estávamos quase chegando à casa dela, quando ela, finalmente, rompeu o silêncio.
– E o caso com a secretária? — ela perguntou.
– Quando a gente vive preso à um relacionamento, sem ter vontade de estar com aquela pessoa. A gente não sente peso nenhum ao estar com outra pessoa.
– Isso significa que você está com a Suzanna, mas age como se fosse solteiro — riu, aparentemente incrédula.
– Olha, eu não sou um mentiroso — eu disse — a Suzanna sabe que eu não estaria com ela, se não fosse necessário. Eu nunca disse o contrário.
– E o que eu tenho a ver com isso? — ela perguntou.
– Eu gosto de você, Ana — eu disse, ainda observando o trânsito — Eu quero você.
Ela não respondeu, nem esboçou nenhuma reação. Apenas olhou para frente e ficamos em silêncio, até chegarmos ao apartamento dela. Desci do carro e abri a porta para ela. A acompanhei até ela estar em casa. Quando adentramos seu apartamento, nos deparamos com uma mulher loira, bonita, parecida com a Ana, inclusive. Supus que aquela era a Katherine.
– Oi, Kate — Ana disse — Christian, esta é a Kate, minha amiga.
– Prazer — respondi.
– Oi, tudo bem? — ela me cumprimentou.
– Você estava me esperando? — Ana perguntou, e pude reparar que Claudia a fusilou com o olhar.
– Bom, Ana — ela disse — Quando você for voltar às três da manhã você precisa me avisar.
– Ela não tem culpa disso — eu interrompi e ri da discussão das duas — Bom, Ana, eu posso conversar com você um minutinho?
Observei o olhar incentivador que Katherine lançou para Ana. Então fui acompanhado pela loira até seu quarto. Acho que essa eu vou ficar devendo a Katherine.
Fale com o autor