Fifty Shades of Doom
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Por Christian Grey:
Observei ao longe Ethan se levantando, e correndo para o banheiro. Fiquei desconfortável em imaginar o que ele faria lá dentro. Imagina para Anastácia, que possivelmente terá que pegar nas mãos dele depois. Kate estava gargalhando enquanto se escondia atrás do cardápio. Eu a acompanhei, enquanto víamos a expressão incrédula da Ana.
– Acho que nunca ri tanto — Kate colocou uma das mãos em sua barriga.
– Nem eu — eu ri — A cara dele de desespero ao correr para o banheiro foi a melhor coisa.
– Ainda não terminamos — ela disse — Chame o garçom, por favor.
Fiz o que ela havia pedido, e chamei o nosso cúmplice até nós. Ela sorriu enquanto retirava o outro potinho da bolsa.
– Bom, agora o senhor coloca isso aqui — apontou para a caixinha de aspirina — Na bebida dela.
O garçom assentiu, demonstrando eficiência. Encarei Kate tentando identificar qual era seu plano. Ela apenas sorriu e voltou a comer sua salada.
– O que você vai fazer agora? — perguntei.
– Quando a Ana toma aspirina, fica enjoada — ela riu — Nada mais constrangedor para uma mulher do que vomitar em um encontro.
– Ah não, Kate — a repreendi — Fazê-la vomitar em público é demais.
– Não vai vomitar em público — ela riu — Ana sabe correr para o banheiro.
Por Anastácia Steele:
Ethan voltou do banheiro em cerca de 5 minutos. Não consegui não imaginar o que ele fez lá dentro e isso me deixou sem graça demais para puxar qualquer assunto. Chamei o garçom e pedi que me trouxesse outro suco. Pensei, talvez, que pedir a comida faria com que esse jantar terminasse logo. Pedi um prato servido com filé mignon ao molho madeira, arroz com legumes e purê de batatas.
– A senhora aceita vinho como sugestão? — o garçom perguntou.
– Mostre-nos seu melhor — Ethan respondeu, aparentemente tentando se redimir do inconveniente.
– Claro — sorri e o garçom se retirou.
– Ana, eu queria me desculpar — ele disse — Eu não sei como… É… Enfim.
– Tudo bem — respondi ainda sem graça — O que vai comer?
– Pedi massa de talharim ao molho branco — ele sorriu — Acho que vou precisar forçar na academia amanhã.
Sorri, mas ainda estava pensando no pau dele, confesso. Resolvi então tentar ao máximo excluir essa situação da minha mente e me divertir. Afinal, era essa a proposta desse jantar. O que é ver um pau para quem sonhou ter chupado um? Embora a proposta de chupar o pau do Christian seja bem mais tentadora.
O garçom chegou com um balde térmico e uma garrafa de um vinho austríaco chamado Ried Lamm Grupüner Veltliner. Era vinho branco, mas mesmo eu tendo uma apreço maior por vinhos tintos, eu adorei a opção proposta pelo garçom. Após o primeiro gole, senti em minha boca um contraste entre força e delicadeza… Intensidade e precisão, que fez do vinho a combinação perfeita para a noite. Ficamos conversando normalmente, sem tensão por cerca de 15 minutos, até que senti meu estômago começar a embrulhar. Puta que pariu, passar mal agora não.
Por Katherine Kavanagh:
– Colocou a aspirina no vinho? — perguntei ao garçom — O que ela pediu para jantar?
– Filé ao molho madeira, senhorita — o garçom respondeu.
– Troca por peixe — Christian disse.
O encarei tentando entender o porquê dele ter pedido aquilo. Ele sorriu de lado e pediu para que o garçom se apressasse.
– Ela vai ficar mais enjoada com o cheiro do peixe — ele disse.
Por Anastácia Steele:
O garçom trouxe nossos pratos, mas ele, provavelmente, se enganou com meu pedido. Ele trocou o filé por peixe, e puta que pariu, se eu já estava com o estômago embrulhado, o cheiro do peixe piorou tudo. Senti uma ânsia incontrolável e corri para o banheiro sem pedir licença ao garçom e ao Ethan.
Ajoelhei-me em frente ao vaso sanitário e me desfiz em vômito. Eu não sabia se sentia nojo, constrangimento, ou raiva desse jantar ter dado tão errado.
Infelizmente, não consegui não olhar para aquilo que havia saído do meu estômago e percebi que havia uma espuma branca. Puta que pariu, o que colocaram na minha bebida?
Lavei a boca na pia do banheiro e sai de lá furiosa. A vontade de enfiar a mão na cara de quem está sabotando meu jantar me consome fortemente.
Colocaram aspirina na minha bebida? Fala sério, que ódio. Observei o restaurante de um ângulo que dava para ter uma vista ampla. No canto do restaurante, pude encontrar Christian rindo e uma pessoa escondida atrás do cardápio. FILHO DA PUTA. Ele percebeu que eu estava olhando para ele, então pegou na mão da loira, que eu não reconheci porque estava de cabeça baixa, e saíram correndo pela porta de fundo do restaurante, acobertados por um garçom.
Não pensei duas vezes quando sai correndo pelo restaurante até alcançar a porta dos fundos. Os vi entrando no carro, e porra, quem estava com ele era a Kate.
– Desçam desse carro, agora — gritei furiosa — Os dois.
Christian desceu e Kate veio em seguida. Ela deu um sorriso meio amarelo e o recolheu quando eu a fuzilei com o olhar. Christian tentou se aproximar, mas eu o empurrei.
– Não toca em mim — disse exalando ódio pelos olhos — Eu só quero saber o porquê.
Eles se entreolharam tentando encontrar uma resposta, e Kate tomou a dianteira.
– Ana, você não pode se envolver com o Ethan — ela disse com receio.
– Eu falei para você que quem iria decidir isso era eu — respondi com raiva — Não pedi para você fazer nada, aliás, eu pedi para você NÃO se intrometer na minha vida — disse.
– Desculpa — Kate abaixou a cabeça.
– Não, Kate — respondi — Eu estou muito magoada com os dois. E você, Christian? Se a Kate não tem nada a ver com minhas escolhas, você muito menos.
– Ana, você não pode querer o Ethan — ele segurou meus braços.
– EU O QUE? — gritei me soltando dele — CHRISTIAN, QUEM VOCÊ ACHA QUE É PARA DIZER O QUE EU POSSO OU NÃO FAZER? ALIÁS, VOCÊ DEVE ESTAR BEM PREOCUPADO COM O FATO DE HAVER A POSSIBILIDADE DE EU IR PARA A CAMA COM O ETHAN ANTES DE IR COM VOCÊ, PORQUE VOCÊ SÓ PENSA NISSO, NÉ? — meu olhos marejaram e minha voz ficou embargada, mas não parei de despejar tudo que eu pensava — NÃO SE PREOUCUPE, PORQUE EU NÃO VOU FODER COM O ETHAN, MAS MUITO MENOS VOU FAZER ISSO COM VOCÊ. PORQUE VOCÊ É UM FILHO DA PUTA QUE ATRAPALHOU A ÚNICA CHANCE QUE EU TINHA DE ESQUECER A DROGA DESSE SENTIMENTO QUE EU TENHO POR VOCÊ. PORQUE VOCÊ É EGOÍSTA E NÃO CONSEGUE VER NADA ALÉM DE SI MESMO. NÃO CONSEGUE IMAGINAR QUE EU POSSA GOSTAR DE OUTRO CARA, SIMPLESMENTE PORQUE VOCÊ ACHA QUE CHEGOU PRIMEIRO, E AI VOCÊ QUER CUSPIR NO BIFE, MAS EU TENHO UMA NOTICIA PARA VOCÊ: NÃO ESTOU DISPOSTA.
Ele estava me olhando, estático. Não consegui segurar o choro, simplesmente porque eu já estava farta. Eu estava farta dele, estava farta deste amor idiota, estava farta de tudo. Senti minha vista ficando preta e comecei a escutar as coisas meio longe. Sentei-me na calçada porque estava tonta. Christian se aproximou, mas eu estava furiosa demais para aceitar qualquer solidariedade vinda dele.
– Ana, você está bem? — Kate perguntou.
– Estou — me levantei devagar — Vou para casa.
– Ana, você não pode ir para casa assim — Christiann disse.
– Eu não posso. Eu vou. Não devo. Você não aceita. — disse irônica — Christian, você é controlador demais, mas comigo isso não vai funcionar. Você não manda em mim. Você não faz as minhas escolhas. Você está muito acostumado a ter tudo que quer, quando quer, e porque quer. Mas a vida não é assim.
Sai deixando-os sozinhos e voltei para o restaurante. Peguei minha bolsa que havia ficado na cadeira, e me despedi de Ethan. Este, por sua vez, não entendeu o motivo de eu estar indo embora do restaurante antes de comer.
– Ana, o que aconteceu? — ele disse preocupado — Você andou chorando?
– Sim, Ethan — disse com a voz embargada — Chorei sim, mas não é culpa sua. Queria te pedir desculpas, mas eu vou embora.
– Quer que eu te deixe em casa? — ele perguntou.
– Não, obrigada — respondi — Eu vou chamar um táxi.
Sai do restaurante e fiquei esperando o táxi. Então deixei o choro vir. Estava sozinha sentada no meio-fio. Era o meu momento de chorar sozinha. Nunca senti tanta raiva, ódio, desprezo, mágoa e amor por uma pessoa só. Meu emocional estava uma bagunça e eu só tinha vontade de chorar deitada no colo da minha mãe. Para piorar a situação. Começou a gotejar enquanto eu esperava o táxi.
– Ana — senti as mãos grandes de Christian tocando minhas costas descobertas — Não fique sozinha na chuva, não é por mim, é por você.
Levantei-me e o abracei chorando. Embora ele me irritasse, e me tirasse do sério todas as vezes, eu o amava e sabia que precisava dele. Ele segurou meu cabelo e ficou em silêncio, me deixando chorar. Era exatamente o que eu queria que ele fizesse, porque eu sabia que se ele abrisse a boca para falar alguma coisa, eu iria me irritar com ele e mandá-lo para puta que o pariu.
– Eu te odeio — disse e o vi esboçar um sorriso.
– O ódio é recíproco, sua baixinha estressada.
Dei-lhe eu tapa no braço e me apertei mais contra seu corpo. Estava confortável ali, e avaliando a possibilidade dele se tornar meu melhor amigo. Seria uma boa situação.
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