Felicity's Secrets
19 Capítulo 18
Notas iniciais
POV FELICITY
Segurei minha respiração enquanto aguardava mais alguma atitude de Oliver. Sua frase havia me desarmado, claro que seria assim, era como eu havia dito na carta, eu não tinha dúvidas que ele poderia me convencer a ficar, ele sequer havia falado nada mais e eu estava mais do que tentada a abandonar todas as minhas intenções de ir. Ele seguia me encarando, o semblante sério, uma decisão por trás dos seus olhos, me encarava com tanta intensidade que se tornava impossível a mera cogitação de desviar o olhar. Seus olhos me atraiam até os seus, como sempre foi e como sempre seria, percebi que ele assim como eu aguardava uma ação, alguma atitude, qualquer coisa. Eu honestamente não sabia o que ele esperava e como eu deveria agir. Esquecer meus medos e me jogar em seus braços? Eu adoraria fazer isso, na verdade estava levando todo o meu autocontrole para evitar exatamente isso. Querendo ou não o fato dele ter me alcançado antes mesmo de sair da cidade não mudava nada em minha decisão, apenas piorava tudo para nós dois, por que uma despedida frente a frente foi tudo o que eu quis evitar, isso apenas acabaria com nós dois.
– E agora? – Perguntei por fim cansada do silêncio prolongado. – O que muda em você estar aqui Oliver? – Observei sua mandíbula ficar tensa com minha atitude. – Nada. – Respondi por ele.
– Nada. – Assentiu dando de ombros. – Nada se você assim como eu não vê um futuro onde estejamos separados, então nada é a resposta certa. – Aproximou-se mais fazendo com que eu resistisse ao impulso de recuar pelo menos dois passos em busca de uma distância segura. – Mas se você ainda está abalada pela morte de sua amiga, se você ainda é a garota que me escreveu aquela maldita carta... Então, sinto dizer que tudo seria a resposta certa, por que não existe um universo em que eu estarei te deixando partir. – Concluiu. Sua mão alcançou a minha fazendo com que eu voltasse a me aproximar dele. – Você vai esquecer qualquer maldita ideia de ir embora e entrar no carro comigo. – Exigiu.
– Então você vira meu sequestrador. – Ergui uma sobrancelha.
– Não é sequestro se não é contra sua vontade. – Respondeu com simplicidade.
– Mas eu não quero ir. – Falei sem me alterar.
– Olhe para mim. – Pediu quando eu me fixei em um ponto atrás de si. – Felicity, olhe para mim. – Exigiu. Ainda com relutância o encarei fixando-me na urgência por trás de seus olhos, seu rosto se aproximou do meu ficando a meros centímetros de distância. – Ainda dirá que não quer ir comigo? – Perguntou me observando atentamente, fui incapaz de dizer algo, eu sentia lentamente cada determinação minha se esvair. Um sorriso se espalhou em seu rosto alterando sua fisionomia, deixando-o mais doce, e fazendo me perguntar a origem dele. A resposta veio quando sua testa encostou-se a minha e sussurrou contra meu rosto. – Você me ama. Eu te amo. As coisas são simples assim, não tente transformar isso em um grande drama.
– Nunca será simples. – Murmurei em resposta.
– Será o que quisermos. – Retrucou. – Venha comigo. – Pediu. – Você sabe que não há chances que eu apenas deixe para lá. – De alguma forma minha mão tinha se soltado da sua e alcançado o seu coração, meu olhar fixo lá. Senti sua respiração em meu ouvido quando o escutei repetir. – Venha comigo, Felicity.
– Para onde? – Perguntei. – Voltar para o apartamento e aguardar Ivo atacar novamente? Quem seria o próximo, Roy ou Thea? De alguma maneira eu sei que você será o último, e eu não estou bem com isso. – Finalizei.
– Para Coast City. – Falou me surpreendendo. Ergui minha cabeça concentrando-me no que dizia. – Vamos até Roy, vamos busca-lo e garantir que ele vá para algum lugar em que esteja salvo.
– Coast City. – Repeti ainda atordoada.
– Sim. – Confirmou.
– Quando?
– Agora. – Falou decidido. – Vamos agora, Diggle está com Thea. – Informou-me. – Ele ficará com ela, eu e você vamos para Coast City, até seu irmão. — Continuou murmurando palavras de incentivo, tentando-me cada vez mais. — Eu sei que você sente saudades dele, e depois do que aconteceu com Helena sei que você quer vê-lo para ter certeza de que ele está bem. Eu posso te levar.
– Você está falando sério. – Murmurei de certa forma admirada. Sua mão alcançou a minha novamente e se endireitou afastando seu rosto, mas ainda sem afastar os olhos dos meus.
– Você vem?
– Você fala como se fosse aceitar um “não”, quando ambos sabemos que não é assim. – Falei inclinando meu rosto e deixando um pouco de humor tingir minha voz. Ganhei outro sorriso como resposta.
– Eu gosto de deixar você pensar que está no comando. – Brincou. – Nós dois sabemos que no momento em que eu disse que você era minha, não haveria mais volta. Não para mim, não para você, eu sou um homem duro Felicity, inflexível, eu não saio por ai dizendo que amo uma mulher sem ter certeza de que realmente a amo.
– Não?
– Não. – Repetiu. – Você está acorrentada a mim, amor. – Mais uma vez me vi prendendo a respiração, eu tinha a impressão que essa sempre seria minha reação todas as vezes que eu o escutasse me chamar assim, “amor”, eu não estava acostumada a isso, minha falta de resposta soou como um consentimento a ele, por que começou a se afastar levando-me consigo enquanto segurava minha mão, eu não tinha mais nenhum protesto, eu não tinha mais energia para protestar, entretanto ele parou de repente e me soltou, olhou para trás onde estávamos antes e caminhou com calma, fazendo com que eu o seguisse movida pela curiosidade, apenas quando parou em frente a lápide de Helena e ajoelhou-se fincando um joelho no chão, foi que me dei conta do que fazia.
– Eu sinto muito por encontra-la assim. – O escutei murmurar. – Não tive a oportunidade de conhecê-la, mas eu sei que você era especial, Felicity não dá seu coração para aqueles que não merecem. – Observei emocionada sua pequena conversa. – Eu cuidarei dela. Eu prometo. – Ergueu-se ainda com calma e virou-se me encarando, ergueu sua mão em um claro convite. – Vamos? – Estendi minha mão dessa vez não havendo hesitação por trás de nenhuma atitude, aceitei seu convite, aceitei que não haveria mais volta, seja qual fosse o resultado final eu não estaria abandonando Oliver novamente.
– Vamos. — Assenti.
Ele se apressou em me levar até o carro, parecia que temia que eu desistisse e queria garantir que eu entraria no carro o quanto antes, após acomodar minha mochila na parte de trás eu entrei no carro e logo ele se apressou a nos tirar dali, quando um tempo depois atingimos a estrada senti uma onda de alívio percorrer meu corpo e permiti-me observar seu perfil enquanto se concentrava na estrada. Ele parecia menos tenso agora que não estávamos mais na cidade e eu podia perceber que todo o momento Oliver cogitava que eu poderia mudar de ideia. Eu não podia culpa-lo, fugir sempre tinha sido minha primeira escolha, a única que eu cogitava, nunca havia escondido dele, mas tinha-a protelado por um bom tempo, por que a possibilidade de ficar sem Oliver sempre foi horrível diante dos meus pensamentos. Ele notou que eu seguia o encarando e me observou com curiosidade, sua mão alcançou a minha e entrelacei meus dedos aos seus notando um perfeito encaixe que antes nunca tinha me dado o trabalho de perceber.
– O que está errado? — Perguntou preocupado. Soltei um sorriso leve.
– Nada. — Neguei com convicção.
– Então...
– Eu te amo. — Sussurrei o surpreendendo, sua atenção se desviou para a estrada apenas para voltar em poucos segundos, eu havia o surpreendido por que até o momento não tinha me preocupado em dizer abertamente que o amava. Tinha usado uma carta para fazê-lo e quando ele me encontrou... Ele tinha sido o mais falante. — Eu te amo. — Repeti não deixando que ele tivesse dúvidas se havia escutado certo. — E eu prometo que eu fugir não é mais uma opção, seja lá o que vamos enfrentar de Ivo... Enfrentaremos juntos. Não há mais espaço para medo. — Um sorriso esgueirou-se em seus lábios tornando sua beleza ainda mais evidente e deixando-o terno.
– Bom. — Murmurou contente.
POV SEBASTIAN BLOOD
Entrei em seu escritório com cautela, mas mantive minha postura despreocupada enquanto avançava, nunca se sabia como estava seu humor, ele era capaz de condenar um homem a sua morte com um sorriso tranquilo nos lábios, era irritante. Quando avancei até estar em sua frente seu rosto estava voltado para as janelas do prédio, seus olhos exibindo sua costumeira frieza, eu não saberia dizer no que exatamente ele estava pensando, mas conhecendo Slade Wilson era melhor não saber 1% do que se passava em sua cabeça, do contrário eu poderia me encontrar diante de algo que eu preferia ficar as escuras.
– Sente-se filho. — Ordenou mansamente. Mais uma de suas características irritantes, constantemente me chamava de filho ou garoto, como se lidasse com um jovem buscando sua aprovação. — Eu não quero deixar o nobre prefeito em pé.
– Recebi sua mensagem. — Falei enquanto soltava os botões do meu terno e me sentava em sua frente. Seus olhos me observaram sem qualquer interesse. — O que pode ser tão urgente que não poderia esperar até amanhã?
– Talvez eu apenas esteja querendo mostrar a você quem é que manda. — Debochou. — Fazendo você vir quando eu bem entender. – Seus olhos estreitaram-se. – E eu não gosto do seu tom. – Declarou após um momento, então me dirigiu um olhar prepotente. — Vamos apenas repassar algo de que já sabemos, se eu mandar você pular você me pergunta qual a altura, se eu exigir que você me traga um café você pergunta se gosto com açúcar, se eu convoco uma reunião com você, você não demora a vir e se um dia eu pedir para que se mate...
– Eu lhe perguntarei como. — O interrompi não muito agradado do rumo que esta conversa estava tomando, algo estava errado, entretanto tudo o que ele fez foi exibir um sorriso frio.
– Exato. — Veio à resposta curta.
– Por que essa necessidade de comprovar minha lealdade? — Não havia outra forma de encarar seu pequeno discurso.
– Quero ter certeza de que você fará exatamente o que eu digo quando assim for necessário. — Respondeu desencostando-se a cadeira e apoiando seu cotovelo na mesa enquanto entrelaçava seus dedos. — Dependendo de suas respostas, talvez eu tenha uma pequena tarefa para você executar.
– Que seria? — Perguntei com pouco interesse. Nada de bom podia vir de suas tarefas, eu estava acostumado a executa-las, eu podia ser o prefeito, mas Slade estava por trás de cada ação minha, como prefeito ou não, eu era apenas uma imagem para ser associada ao título, Slade me colocou como prefeito, ele conseguiu isso, agora ele estava por trás de todo o mundo de crime na cidade e ainda tinha toda a proteção que eu como figura pública poderia te dar, eu não era o prefeito da cidade, Slade era.
– Como vai nosso amigo Ivo? — Quem o escutasse acharia que era uma mera pergunta cortês, entretanto eu o conhecia melhor, eu podia sentir o tom ameaçador em sua voz.
– Ainda obcecado por aquela puta. — Dei de ombros enquanto cruzava meu tornozelo sobre minha coxa. — Toda sua inteligência e talento estão se esvaindo enquanto a persegue.
– Eu posso entender o fascínio do professor. — Sorriu. — Você já a provou?
– Nunca tive o interesse. — Limitei-me a dizer.
– Eu pensei que tinha interesse em tudo o que pertencesse ao Queen. — Provocou-me fazendo com que eu me esforçasse a controlar a súbita onda de raiva que o nome havia me provocado.
– Eu posso atingi-lo de outra forma sem que envolva estar entre as pernas dessa garota. — Dispensei a ideia. — Ainda mais quando meio mundo já o fez, não há nada de singular nisso. — Ele observou-me atento, mas optou por voltar ao tema que ele mesmo havia abordado.
– Você acha que Ivo está sobre controle? — Perguntou-me com desconfiança.
– Sim. — Murmurei após refletir por alguns momentos. — Mas ele está se perdendo, ele matou uma garota para atrair sua atenção, Helena Bertinelli, uma ninguém, não haverá ninguém fora sua amiga para chorar sua morte, mas ele também atirou na filha do capitão Lance, e com esse devemos nos preocupar, Ivo está se perdendo e logo levará nossos interesses junto.
– O que sugere?
– Talvez esteja na hora de designarmos outro para assumir suas tarefas. — Confessei. Ele assentiu avaliando minha sugestão.
– E Ivo? — Perguntou sem de fato estar preocupado.
– Dispensável. — Falei sem hesitar.
– Então eu acho que você já tem sua tarefa. — Falou me dispensando com uma mão. — Livre-se de Ivo, seja criativo, não me importa como, mas mantenha meus interesses salvos de sua obsessão pela garota. — Assenti antes de me erguer, sim eu faria como pedido, mas faria com estilo e de algum jeito poderia encontrar minha própria maneira de atingir ao Queen.
POV FELICITY
A viagem durou um pouco mais do que seis horas, paramos algumas vezes apenas para abastecer o carro e comermos alguma coisa, quando entramos no hotel Oliver não demorou a envolver sua mão na minha, sorri e encostei-me a seu corpo enquanto aguardava que alguém nos atendesse. Se dependesse de minha vontade estaríamos indo direto a Roy, mas Oliver tinha um bom ponto, bastante válido na verdade, com exceção da cidade, não tínhamos ideia onde Roy morava. Então ele sugeriu que tomássemos um banho e tentássemos descansar, eu faria uma ligação e logo poderíamos encontrar com meu irmão. Dirigi minha atenção para o relógio digital que me informava ser pouco mais da 19:00 horas, ainda assim olhei para o meu pulso, eu estava ansiosa.
– Você está inquieta. — Oliver comentou após entrarmos no quarto enorme, eu dei de ombros enquanto puxava meu cabelo para cima e o amarrava, Oliver soltou minha mochila e a sua própria no chão, então se aproximou e segurou minhas mãos enquanto me puxava junto a si, não tive outra opção se não aceitar seu abraço. Envolvi sua cintura com os meus enquanto ele acariciava minhas costas, encostei minha cabeça em seu peito aceitando o carinho. — O que está errado?
– Eu estou preocupada. — Minha voz foi abafada por seu peito, afastei-me o encarando. — Não apenas pela ameaça que é Ivo, mas pela reação de Roy.
– Reação de Roy? — Perguntou confuso.
– Sim. — Assenti, afastei-me esfregando minha testa. — Eu não falei sobre Helena. — Seus olhos suavizaram-se quando o disse. — Eu não consegui Oliver, Roy assim como eu a amava, ele tinha o direito de saber, mas eu não podia dizê-lo, não assim por telefone. E ao mesmo tempo eu não saberia como dizer.
– Vai ficar tudo bem. — Prometeu-me com sua voz suave.
– Não, não vai. — Neguei. — Ele vai ficar atordoado e indignado. E eu não sei o que acontecerá daqui a diante, por que eu sinto que não posso continuar escondendo as coisas deles.
– Não esconda. — Murmurou determinado. — Já está na hora Felicity, Roy precisa saber.
– Ele vai me culpar. — Sussurrei derrotada e sentei na cama, mantendo minha cabeça baixa, eu imaginava a reação de Roy, todos os cenários, e em nenhum deles ele me olhava da mesma forma de antes. — Ele terá nojo.
– Você não me entendeu. — Senti o peso da cama ceder quando Oliver sentou ao meu lado. — Eu não quero que você diga por que acho justo Roy saber o motivo de Helena está morta, sinto muito Felicity, mas não tenho medo ou vergonha de ser egoísta e assumir que meus pensamentos estão todos em você. Roy não pode culpa-la de nada, ele não tem esse direito, muito do que aconteceu... Tudo o que aconteceu foi por culpa dele, você decidiu protegê-lo...
– Foi minha escolha, Roy não pode ser culpado por isso. — Protestei.
– Mas pode ser culpado por não ter assumido suas responsabilidades, é seu irmão, eu entendo que você vá a sua defesa. — Mais uma vez sua mão envolveu a minha aplicando leve pressão. — Mas não me culpe por não ir, apenas você me interessa, e do meu ponto de vista, Roy falhou com você.
– Eu vou tomar aquele banho. — O informei me erguendo, não queria entrar em uma discussão com ele por conta de Roy — Você me acompanha? — Perguntei o encarando brevemente, o olhar que me lançou me disse que banho seria a última coisa em sua mente, eu podia sentir um sorriso coquete se formar em meus lábios, meus pensamentos facilmente caminhando em mesma direção que os seus.
– Eu adoraria. — Eu podia dizer que sim, entretanto eu sentia um "mas" vindo dai. — Mas eu preciso fazer algumas ligações. — Suspirei em desânimo, eu já havia ligado para Roy, tão logo eu havia chegado à cidade eu havia ligado para seu celular e deixado várias mensagens, eu estava à espera de sua resposta. Voltei a me aproximar dele e me encaixei entre suas pernas, suas mãos rapidamente foram de encontro ao dos meus quadris, seus olhos inundados de calor, deixei as minhas deslizarem por seus ombros e alcançar seu pescoço, lentamente me curvei até que nossos lábios se tocassem, percebi que esse era nosso primeiro beijo dentre alguns dias. Eu estava tão concentrada em mantê-lo afastado que havia perdido até mesmo os pequenos toques, e agora que seus lábios moviam-se com delicadeza sob os meus dei-me conta do quanto havia sentido falta, separei meus lábios dos seus a contragosto e sentia que se fosse por ele isso não teria acontecido, sua mão agora deslizava pela lateral do meu corpo com maior interesse. — Faça sua ligação. — Sorri diante de sua expressão de desgosto. — Ligações. — Corrigi-me. — Eu vou tomar o meu banho. — Completei me afastando do seu corpo e pegando algo confortável para vestir, eu esperava ir ao encontro de Roy, então nada de roupas para dormir agora.
– Você não facilita nem um pouco. — Resmungou.
– Eu sei. — Lhe dei um último sorriso antes de entrar no banheiro. Meus olhos encontraram rapidamente o reflexo deles no grande espelho, e minha expressão rapidamente se fechou quando notei meu semblante mais leve, o sorriso ainda persistente. Por quanto tempo isso duraria? O que ainda nos esperava?
Deixei meus pensamentos nublados de lado e concentrei-me em apenas por agora não me preocupar com tudo o que vinha acontecendo, eu precisava daquela brecha. Demorei um pouco mais do que o esperado, havia tomado meu tempo deixando a água levar meus problemas ou pelo menos a sensação claustrofóbica que eles traziam, quando entrei no quarto novamente Oliver estava deitado na cama, tornozelos cruzados sua cabeça apoiada em seu braço.
– Alguma resposta de Roy? — Perguntei enquanto ia até meu celular e verificava apesar da pergunta.
– Não. — Respondeu enquanto eu olhava para tela com decepção. — Não se preocupe você mesma disse que ele não está tão acessível ao celular nos últimos dias.
– Sim. — Não pude deixar de emitir um suspiro de decepção, em minhas mensagens tudo o que eu havia dito era que precisava falar com ele e era urgente, ainda não havia dito que estava na cidade. No momento em que eu estava prestes a deixar o celular de lado à tela acendeu me informando que se tratava de uma chamada, segurei uma exclamação comemorativa e me apressei em responder seu chamado.
– Roy. — Murmurei não conseguindo omitir a ansiedade por trás do tom.
– Lis o que aconteceu?– Perguntou preocupado. — Eu estava trabalhando e não vi sua chamada até poucos minutos atrás, você está bem?– Respirei fundo notando que ele mesmo parecia ansioso, eu não podia culpa-lo, eu havia deixado muitas ligações sem, entretanto informar do que se tratava. Observei Oliver sair da cama e parar em minha frente, seus olhos buscando os meus.
– Eu estou bem. — O tranquilizei. — Na verdade eu estou na cidade, aqui em Coast City, eu queria te ver.
– Você está em Coast City? - Indagou incrédulo.
– Sim. — Repeti. — Eu queria vê-lo.
– O que você está fazendo aqui?– Perguntou confuso. — Felicity o que aconteceu?
– Eu acho que precisamos conversar sem ser através de telefone. — Murmurei com receio. — Onde você mora?
– Eu não posso encontra-la agora Lis, eu estou trabalhando.– Informou-me. — Eu trabalho em uma oficina durante o dia e a noite eu faço bicos, hoje estou trabalhando como segurança.
– Oh. — Murmurei triste.
– Você ainda estará na cidade amanhã de manhã?– Perguntou com interesse. — Eu posso faltar à oficina pela manhã, meu amigo pode me cobrir, mas o de hoje eu realmente não posso deixar de ir...
– Tudo bem. — Concordei. — Mande-me uma mensagem com o endereço. — Pedi. — Então vamos encontra-lo.
– Vamos?– Sua voz soou ansiosa. — Helena está com você?– Senti como se tivesse recebido um soco no estômago levando todo o meu ar.
– Não. – Neguei. Minha voz saindo um pouco alterada. — Ela não está, trata-se de alguém que quero que você conheça. — Murmurei lançando um olhar até Oliver.
– Um cara?– Perguntou desconfiado.
– Amanhã conversamos Roy...
– Espere, e como está Helena? Ela já vai casar?
– Não, ela não vai. — Sussurrei angustiada. — Roy eu realmente preciso desligar.
– Está bem, eu preciso me apressar também.– Eu pude sentir o sorriso em sua voz. — Eu sinto sua falta Lis, amanhã poderemos passar um tempo juntos e você poderá me dizer o que a incomoda.
– Sim. — Concordei. — Eu sinto sua falta também, até amanhã Roy.
– Tchau Lis.– Desliguei o celular e me concentrei na figura masculina em minha frente.
– Ele queria saber como está Helena. — Logo senti seus braços me envolverem em um abraço reconfortante, aspirei o perfume de sua camisa e fechei meus olhos enquanto me concentrava em apenas senti-lo. — Conseguiu fazer suas ligações? — Perguntei após um bom tempo.
– Sim. — Murmurou me soltando. — Pelo o que entendi só encontraremos Roy amanhã, certo? — Assenti confirmando. — Peça alguma comida para nós, eu vou tomar um banho também.
– Eu não estou com fome. — Murmurei recebendo um olhar desaprovador dele. — Eu posso pedir algo para você...
– Para os dois. — Murmurou em tom que não me deixaria contrariar sua vontade.
– Sim. — Soltei um suspiro de derrota. — Vá. — Empurrei suas costas levemente o incentivando a ir. Ele me lançou um olhar preocupado antes de finalmente ir, fiz como havia pedido e pedi algo para comermos, sentei em uma das cadeiras que rodeava uma pequena mesa e me concentrei em mandar uma mensagem para Sara, quando finalmente saiu do banheiro exibia seu torso com apenas a toalha impedindo sua nudez total, o encarei desinibida, eu havia conhecido o corpo de Oliver muito antes de conhecer qualquer aspecto de sua personalidade, e ainda assim a visão tinha o pode de me deixar embriagada.
– Eu não tenho certeza se você planeja que eu coma alguma coisa. — O provoquei deslizando meus olhos novamente por sobre seu corpo, um sorriso mínimo se esgueirou em seus lábios. — Ou você deseja receber alguma mordida?
– Eu não teria nenhum problema em ter seus lábios em mim. — Deu de ombros. O observei caminhar até sua mochila e tirar algumas peças de roupa, com casualidade se livrou da toalha e vestiu sua cueca preta, em nenhum momento meus olhos abandonaram seus movimentos, ele sabia que eu estava o observando e tomou seu próprio tempo. Ainda vestindo apenas a cueca ele se aproximou fazendo com que meu coração palpitasse em expectativa. Seus braços foram até cada braço da cadeira me cercando, não que eu quisesse ir a algum lugar. — Confesso que estou decepcionado. — Murmurou divertido. — Pelo olhar faminto que me lançava pensei que iria me atacar antes que eu terminasse de me vestir.
– Você ainda não terminou. — Salientei.
– Isso significa que vai me atacar? — Perguntou me provocando, ergui minha mão alcançando sua mandíbula forte, pensei em beija-lo, realmente fiquei tentada fazê-lo, mas desisti e passei a deslizar as pontas dos meus dedos pelo seu pescoço e passando para seu peito, ergui-me me curvando para plantar um beijo lá, escutei o suspiro masculino de prazer e segui deslizando meus dedos mais abaixo até que cobri sua ereção por cima do tecido da cueca, sorri ao notar sua reação ao toque e encarei seu rosto com um sorriso vitorioso. — Isso quer dizer que estou tentada.
– Por que eu estou sentindo que vem um "mas" por ai? — Perguntou com um sorriso escondendo seu rosto na curva do meu pescoço. Ri com seu tom aflito e acariciei seu cabelo.
– Por que você insistiu que queria comida. A qualquer momento vão bater na porta. — O repreendi. Ele se afastou e sentou-se na cadeira a minha frente sem se importar em terminar de se vestir.
– Fui idiota. — Murmurou arrependido. Dei de ombros não negando. — Mas é melhor assim. — Murmurou lançando-me um olhar lento.
– Mesmo? — Perguntei confusa. — Por quê?
– Por que planejo tirar toda sua energia essa noite. — Respondeu com malicia. Antes que eu pudesse emitir qualquer resposta leves toques na porta chamaram nossa atenção. Oliver já estava se erguendo quando eu protestei.
– Você não vai abrir aquela porta. — Neguei o surpreendendo, ele me olhou confuso, mas voltou a se sentar. — Você não vai fazer o dia de quem quer que esteja atrás da porta. — Ele sorriu percebendo o que estava por trás da minha atitude.
– Ciúmes?
– Nem sei o que é isso. — Menti passando por ele. Oliver Queen abrindo a porta vestindo nada mais do que uma cueca? Não no meu turno, me apressei a pegar a comida e dispensar o rapaz que a havia trazido e levei tudo para a mesa, Oliver ainda estava sentado confortavelmente em sua cadeira. Apesar do meu protesto anterior eu comi com ânimo e Oliver parecia compartilha-lo comigo, apesar do clima sensual que havíamos criado a conversa em si foi leve, claro que ele estar vestido apenas uma cueca tinha o poder de atrair muito da minha atenção, quando considerei já estar suficiente cheia ergui-me com o intuito de trocar meu vestido por meu habitual pijama, mas sua mão se enroscou em meu cotovelo impedindo de me avançar. — O quê? — Franzi o cenho.
Oliver tinha estado relaxado durante toda a refeição, nada em seu rosto havia denunciado que ainda estava sobre efeito do nosso pequeno jogo de palavras, entretanto seus olhos agora... Era puro fogo, mordi meu lábio inferior impedindo que um suspiro fosse solto quando desci meus olhos até a parte inferior do seu corpo novamente, não acompanhei seus movimentos, foram muito rápidos para meus olhos nublados de desejo, em um momento eu estava parada ao seu lado, no outro Oliver tinha se erguido e me colocado em cima da mesa, tudo o que antes estava em cima dela sendo jogado para o lado, era bom que eu tivesse pedido comida chinesa, pois tudo o que estava no chão agora eram caixas de papel. Fiquei a espera de seus lábios sobre o meu, eu estava ansiosa por eles, mais do que isso eu necessitava, entretanto com uma calma que contrastava com seus movimentos anteriores Oliver voltou a sentar, deixando-me inquieta e confusa.
– Hora da sobremesa. — Murmurou, seu timbre rouco tinha quase o poder de seu toque, provocava quase a mesma reação, suas mãos se espalharam em minhas coxas, seu olhar se encontrou ao meu com expectativa, ele não precisava dizer uma palavra, eu podia sentir sua ordem por trás deles, sem hesitar abri minhas pernas dando-lhe livre acesso. Um grunhido rouco demostrando aprovação foi emitido do mais profundo de sua garganta, senti toda minha pele se arrepiar a medida que seus dedos deslizavam por minha pele erguendo a bainha do vestido simples e escorregaram até minha calcinha não demorando em me ajudar a me livrar dela, com o intuito de ficar mais cômoda resolvi me livrar também do vestido o tirando rapidamente pela cabeça, logo com um movimento deliberadamente lento sua mão alcançou sem hesitação meu interior, com um dedo testou-me recebendo com prazer minha umidade que os pequenos toques e seu comportamento possessivo havia provocado, eu não conseguia fazer outra coisa senão me concentrar em sua expressão repleta de desejo, sem nenhum aviso senti esse mesmo dedo me penetrar fazendo com que eu desse um salto em cima da mesa, envolvi uma pequena porção do seu cabelo com uma mão e os puxei infligindo lhe certa dor.
– Rude. — Murmurei sem de fato me importar. Ele sorriu diante meu falso protesto e moveu sensualmente o dedo fazendo com que eu engolisse em seco e segurasse um gemido, um dedo juntou-se a outro e encontrou um ponto que me fez estremecer de prazer e morder meu lábio com força.
– Não faça isso. — Repreendeu-me. Sua outra mão alcançou meu lábio inferior o livrando do aperto e voltou a mover seu dedo com precisão enquanto falava. — Eu quero ouvi-la.
– E se eu não quiser? — Perguntei erguendo uma sobrancelha insolente. Tine que novamente segurar um gemido quando seu dedo abandonou o local e sua mão voltou a se apoiar em minhas coxas, seus olhos mostravam um claro desafio.
– Farei com não haja escolha. — Sussurrou antes de abaixar sua cabeça entre minhas pernas.
– Oh merda. — Sussurrei tão logo senti os golpes de sua língua, agarrei-me ao seu cabelo com mais força recebendo um rosnado que eu não sabia ser ou não de protesto, não deveria ser, pois sua boca se tornou ainda mais exigente, sua mão envolvendo minha perna a puxando sobre seu ombro, dando-lhe um novo ângulo enquanto me aproximava ainda mais, senti-me desmoronar, seus dedos ávidos juntaram-se a sua boca fazendo com que todo meu corpo vibrasse em busca de liberdade, Oliver estava tendo um festim, e estava aproveitando cada aspecto, eu estava trêmula e já não conseguia controlar nenhum dos sons que saiam de minha boca, eu podia sentir o quanto ele estava orgulhoso de si quando com um último som saiu dos meus lábios, foi o seu nome que murmurei quando atingi o orgasmo inevitável.
– Eu te disse. — Murmurou colocando sua mão em cima do meu estômago evitando que eu me movesse. — Você não teria uma escolha. — Concluiu antes de ergue-se da cadeira e se encaixar entre minhas pernas para então tomar posse dos meus lábios com posse, provei-me em sua boca, não era algo que eu faria feliz se fosse seus lábios que o fazia, sua língua deslizou sob a minha em um ritmo lento, suspirei pesadamente enquanto senti sua mão envolver meu rabo de cavalo puxando-me com aspereza enquanto aprofundava o beijo, cruzei meus tornozelos em sua cintura o prendendo firmemente contra mim enquanto sua boca ainda saqueava a minha. Minhas mãos inquietas deslizaram até suas costas e desceram por elas entrando no tecido da cueca e acariciando seu traseiro firme. Sua boca soltou a minha e desceu até meu pescoço trabalhando nele com os lábios e dentes, aplicando pressão o suficiente para deixar sua marca que era mais do que bem vinda, envolvi seu rosto quando seus lábios alcançaram o topo do meu seio ainda coberto pelo sutiã.
– Tire. — Murmurou em tom firme. Não demorei em atender seu pedido, logo o sutiã se juntava a pilha de roupas, suas mãos alcançaram meus seios com ávido interesse masculino os apertando levemente, mas logo foram substituídas pelos lábios que deram sua atenção um e então ao outro, Oliver era um amante atencioso, eu podia sentir que ele estava muito perto, mas seguia dando-me toda sua atenção, deixando-me tal como manteiga em seus braços. Quando senti que voltava a descer sua boca por meu abdome protestei segurando-o novamente pela cabeça. — O que você quer?
– Você sabe o que quero. — Murmurei, ele se endireitou lançando um olhar quente, então se afastou retirando sua cueca infame. Resisti à tentação de lamber os lábios em aprovação. Com um olhar provocativo ele voltou a se sentar na cadeira, arrastando um pouco para trás, olhei-o com desejo.
– Então pegue o que quer. — Sussurrou desafiante. Não precisei escutar novamente, saltei da mesa e sentei em seu colo, uma perna em cada lado, beijei seu pescoço e desci minha mão até sua masculinidade. Seu gemido foi toda a resposta que eu queria enquanto seguia o acariciando. — Pensei que estava ansiosa.
– E estou. — Retruquei ainda concentrada em acaricia-lo, quando senti que um pouco mais e eu não o teria como realmente desejava parei. Suas mãos deslizaram rapidamente pelos meus quadris e me ergueram rapidamente antes de deslizar em meu interior pouco a pouco, agarrei-me a seus ombros com força.
– Você dita o ritmo, amor. — Sussurrou em meu ouvido, sorri diante o tom carinhoso e sem esperar por nenhuma outra frase sua passei a me mover sob seu corpo, todo o som que havia no quarto eram de nossas respirações pesadas e ocasionais gemidos, meu quadris erguia-se e desciam abraçando todo o seu cumprimento em um ritmo constante que nos levava lentamente a loucura, assumi um ritmo lento e torturante, estava levando Oliver ao descontrole. Era algo bom, tirar o controle desse homem sempre tão centrado, suas mãos apertaram meus quadris com força quando mais uma vez me ergui o afastando momentaneamente para então voltar a deslizar até o fundo. — Acabe logo com isso. — Exigiu com a respiração cortada.
– Você disse que eu ditava. — Sorri diante seu desespero. Ele estreitou os olhos percebendo que eu estava muito cômoda com a tarefa que havia me atribuído e logo sua atenção se desviou até meu seio, sem duvidar o abocanhou fazendo com que eu me perdesse, um sorriso voltou a assumir em seu rosto quando percebeu o poder que tinha.
– Agora termine. — Exigiu. Com um suspiro contente acelerei o ritmo percebendo que eu também estava mais do que ansiosa para isso, seus gemidos ficaram mais altos e uniram-se aos meus, agarrei-me mais firmemente ao seu ombro quando percebi que com suas mãos ele mesmo dominava cada impulso. Senti sua respiração quente em meu pescoço quando ele sussurrou. — Goze. — Ordenou, seu tom rouco somado a exigência e o ritmo de suas estocadas fizeram com que eu me quebrasse novamente em um poderoso orgasmo.
Movimentou-se mais algumas vezes antes dele mesmo estremecer em resposta. O som rouco saindo de seus lábios que estavam contra minha pele.
Minha cabeça descansou contra a curva de seu pescoço enquanto respirávamos com dificuldade. Demorou alguns minutos até que ele se erguesse e me levasse com ele depositando-me no centro da cama.
– Onde você está indo? — Perguntei observando-o um pouco sonolenta.
– Ao banheiro. — Beijou-me levemente. — Volto logo, não esqueça que prometi tirar todo sua energia. — Sorriu. Respondi ao seu sorriso com meu próprio, por um alguns segundos me limitei a observa-lo enquanto se afastava tendo uma ótima visão do seu corpo nu, segui encarando a porta fechada do banheiro e só então virei-me na cama, encarei perplexa as enormes janelas que estavam descobertas.
– Merda. — Soltei sem, no entanto deixar de sorrir.
– O que foi? — Perguntou juntando-se a mim. Seu corpo abraçou o meu, minhas costas contra seu peito amplo.
– Eu acho que devemos aprender a verificar as janelas. — Comentei. Escutei sua risada brincalhona. — Sério Oliver feche-as, acho que demos um show e tanto ao hotel vizinho. — Repreendi. Ele tornou a rir, mas fez como eu pedi, quando retornou não voltou para sua antiga posição, suas mãos me viraram de costa na cama com destreza e um joelho separou minhas pernas com habilidade.
– Pronta?
– Vai mesmo me deixar sem qualquer energia não é mesmo? — Ergui uma sobrancelha.
– Se eu estiver fazendo tudo certo. — Murmurou com perversidade.
– Confie em mim, você está. — Sussurrei antes de puxar seu corpo sobre o meu. Eu não sabia como tinha encarado a possibilidade de não conviver mais com isso, com ele. Mas agora, agora não havia maneira de cogitar uma fuga novamente. O inferno se eu ia.
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