Notas iniciais
Boa noite!! Sem muito o que dizer hoje, apenas que FS vai ter mais 04 Capítulos (Eu acho) ou seria 03?, preciso rever meu cronogram. Em fim, a fic já está em reta final e a sua sucessora já tem o prólogo aqui no Nyah! Para aqueles que ainda não leram ela se chama Teenage Dream, então se você ficou um pouco curioso dá uma passadinha no meu perfil e checa em minhas histórias, espero que gostem!

POV FELICITY

Acordei com seu braço enroscado em minha cintura, pousei minha mão em cima da sua e entrelacei nossos dedos não estando pronta ainda para sairmos da cama, mas era preciso, apesar da grande vontade de continuar na cama com Oliver, eu estava ansiosa por ver Roy, a preocupação por ele que sempre foi constante estava cada vez maior agora que Ivo parecia estar fora do controle mais do que o usual. Virei-me em seus braços e encarei seu rosto, ainda dormia, parecia tão tranquilo, totalmente oposto do que deveríamos estar. Eu sentia que estávamos em um contador regressivo, como uma bomba que estava prestes a explodir, eu não acho que estávamos prontos para lidar com as consequências quando acontecesse.

– Oliver. – O chamei suavemente. Observei seus olhos abrirem ao meu primeiro chamado, um sorriso repleto de carinho se estendeu lentamente nos lábios masculinos, um sorriso tão lindo, tão íntimo, tão carregado de amor que mais uma vez cheguei à conclusão de que não o merecia, eu provavelmente sempre pensaria assim, mas a diferença era que dessa vez eu procuraria merece-lo.

– Bom dia. – Sussurrou em tom suave.

– Precisamos nos arrumar. – Falei. – Roy logo vai estar nos esperando.

– Você está pronta? – Franzi o cenho buscando entender sua pergunta. – Emocionalmente. – Prosseguiu. – Você realmente vai contar tudo a ele?

– Eu preciso. – Murmurei concentrando minha atenção em seu amplo peito e o acariciando distraída. – As coisas estão complicadas Oliver, nós fizemos algo ousado que foi dar uma pausa e sair da cidade, mas sabemos bem que Ivo não dá pausas, só se isso faz parte de seu plano, eu tenho medo do que encontraremos quando voltar, e tenho medo de Roy descubra tudo de uma forma brusca, eu odeio que ele conheça esse lado... Feio de mim. – Seu rosto mostrou desagrado ao escutar a palavra que murmurei em tom hesitante. — Mas se é para ele saber eu prefiro que seja eu a dizer.

– Eu não queria dizer nada, por que não queria lhe dar falsas esperanças. – Falou fazendo que eu me sentasse na cama e ele repetisse o gesto. – Mas eu venho procurando uma forma de deter Ivo. – Confessou. – Na primeira vez tentei de alguma convencê-lo através de dinheiro, tentei comprar sua dívida. – Seu rosto se contorceu em raiva. – Mais parecia que eu estava comprando você, eu ainda não sabia quem era ele, eu não sabia de que se tratava de Ivo. Eu nunca cheguei a encontra-lo naquele dia, foi tratado com outra pessoa, que fez um telefonema e negou-se rigidamente a qualquer negociação...

– Quando foi isso? – Perguntei desconfiada.

– No dia em que você e Sara sumiram. – Respondeu.

– No dia em que Sara recebeu o tiro. – O corrigi. – Então foi por isso. – Conclui. — Eu havia encontrado Ivo no dia, ele havia feito promessas do quanto se divertiria me deixando confusa, sem saber qual seria sua próxima jogada, mas então ele voltou e atirou em mim, mas Sara me protegeu. – Levantei-me da cama e passei a andar inquieta enquanto ele me observava. – Então foi por isso, eu nunca tinha entendido sua atitude, mas tendo você tentando comprar minha “dívida” deve tê-lo deixado muito irritado.

– Esse não é o ponto Felicity. – Falou finalmente se erguendo e parando em minha frente. – Essa foi minha primeira tentativa.

– Houve outras? – Perguntei confusa.

– Na verdade está em andamento ainda. – Confessou. – Eu contratei pessoas para investigar Ivo e todo o seu passado. – Franzi o cenho ao escutar a informação, mas optei por não interrompê-lo. – Eles sempre chegam muito perto de algo, mas Ivo é...

– Um canalha calculista e incrivelmente meticuloso. – Completei. – Você sabia que algumas de suas próprias garotas não sabem quem ele é? – Perguntei apesar de não estar exatamente esperando sua resposta. – Eu não sei como Roy sabia que Ivo era quem estava por trás do tráfico de drogas também, Ivo é cuidadoso, sempre imaginei que ele optou por se mostrar a Roy por imaginar que meu irmão não seria nenhum problema para ele, um viciado em drogas não se importa em que está te dando a droga, apenas a quer em suas mãos. Mas então quando fui intervir por Roy... Foi Ivo que me recebeu, ele nunca se escondeu de mim. Eu sempre penso que é por que ninguém acreditaria em minhas palavras.

– Qual é o jogo de Ivo Felicity? – Perguntou confuso. – Ele nunca te tocou. Por quê?

– Ele sempre disse que estava esperando o momento em que eu iria até ele. – Murmurei dando de ombros e tentando conter o nojo que a mera ideia me provocava. – Ivo é louco Oliver, um psicopata, eu já desisti de tentar seguir sua linha de raciocínio. Ele me quer para si, eu sou um objeto, seu brinquedo, ele deixa que outros tenham seu brinquedo por que no final o lucro fala mais alto, e ele nunca antes teve que se preocupar com alguém tentando tirar realmente o que ele acha que é seu. É como uma criança egoísta que quebraria o próprio boneco para evitar que outra brincasse com ele, isso faz dele muito perigoso, por que no final o que importa é ele.

– Mas por que nunca toca-la? – Insistiu parecendo refletir sobre sua própria pergunta.

– Ele já me tocou. – Murmurei o surpreendendo. — Toques furtivos e agressões. – As linhas do seu rosto ficaram mais duras ao escutar isso. – Ele só nunca fez sexo comigo, de nenhum tipo. – Esclareci. Eu podia ver que a conversa trazia desconforto a ele, mas que estava decidido a continuar com ela, eu só não conseguia seguir seu raciocínio.

– Você já o encontrou antes? – Perguntou em tom insistente. Eu não estava certa onde ele queria chegar, mas respondi com um aceno negativo de cabeça. – Você tem certeza?

– Oliver...

– Eu sei que você desistiu de tentar entende-lo. – Falou segurando minhas mãos. – Eu também acredito que Ivo seja doente, mas e se ele te viu antes? Se sua chegada a ele foi orquestrada por ele? Se sua obsessão começou antes do que você imagina. – Murmurou fazendo com que eu me esticasse só em ouvir a possibilidade.

– E o quê? Ele armou para que Roy o procurasse? – Perguntei incrédula. – Ele pensou, cogitou... Sabia que eu viria em seu socorro? Isso é insano Oliver, mesmo para Ivo. – Murmurei ainda desnorteada.

– Você mesmo falou que Ivo é calculista. – Falou sem se abalar. – Ele é paciente, ele aproveitou-se da situação do seu irmão, se não fosse por Roy ele arranjaria uma nova maneira de te coagir.

– Isso é...

– Possível. – Interveio.

– Oliver. – Murmurei cada vez mais aflita considerando o que ele havia dito. – Como se luta contra alguém assim?

– Nós vamos descobrir como. – Prometeu. Sua mão envolveu meu rosto, seus olhos me encaravam intensamente. – Em algum momento ele vai cometer um deslize, e então vamos arranjar uma maneira de supera-lo. – Seus olhos varreram meu rosto e de alguma forma eu sabia que ele estava prestes a perguntar algo. – Você disse que ele te agredia. – Murmurou com voz cortante, eu podia perceber que ele lutava por controle, eu não queria deixa-lo fora de si, eu não gostava de entrar muito a fundo com as coisas que já passei nas mãos de Ivo, direta ou indiretamente, mas Oliver parecia precisar ouvir algumas delas. – Era frequente?

Meneei a cabeça em negativa, na verdade eu não estava mentido, não, não era muito frequente comigo, por que aprendi muito rápido a analisar o humor de Ivo, de saber o que o que acionava seu botão de violência e evitar.

– Não. – Sussurrei ciente de que ele precisava ouvir a palavra. – Já aconteceu, mais vezes do que eu gostaria. Ivo gosta de usar os punhos quando quer nos punir, nos fazer de exemplos, mas eu aprendi muito cedo a não contraria-lo no que fosse possível e evitar confrontos, com o tempo eu já sabia ler o humor dele mesmo nos pequenos gestos, aprendi que quanto mais calmo, quanto mais aparentemente tranquilo ele estava, mais certo era que ele estava a ponto de explodir. Outras garotas sofreram mais do que eu. – Oliver afastou-se com o que eu disse, suas mãos foram a sua cabeça e parecia visivelmente alterado, quando voltou novamente seu rosto estava sombrio, todo o seu corpo estava tenso, e seus olhos eram gélidos. Ele sequer parecia estar me vendo, aproximei-me buscando-o com o olhar e percebendo que era inútil, toquei sua mão com a minha com o intuito de chamar sua atenção, ele piscou como se estivesse despertando.

Seus olhos finalmente encontraram os meus. Carecia emoção neles, não mais brilhavam como antes, não havia mais amor nele.

– Oliver? – Chamei-o em tom suave e interrogativo.

– Eu o odeio. – Declarou em tom firme. – Eu juro por Deus que eu o odeio Felicity, odeio cada toque, cada agressão que você sofreu em suas mãos, odeio o fato de que por quatro anos ele dominou sua vida, ele destruiu suas esperanças e sonhos, ele a intimidou e aterrorizou, ele vendeu seu corpo. – Apoiei minha testa em seu peito desnudo enquanto o escutava desabafar. — Eu odeio cada momento em que você se desmereceu por que ele fez com que você pensasse que as coisas que foi obrigada a fazer moldou o que você era. Eu o odeio. – Repetiu seu timbre rouco, eu podia sentir a vibração de cada palavra que dizia. – Eu nunca antes considerei tirar uma vida, mas cada vez que me diz o que passou... Cada vez que me vejo diante as coisas que enfrentou por causa dele, eu apenas desejo mata-lo. Eu poderia fazer isso agora se ele estivesse em minha frente. – Confessou.

Escuta-lo dizer isso me assustou. Não por mim, eu jamais temeria Oliver, ele jamais faria algo que viesse me machucar, eu sabia disso, mas perceber a ferocidade com que ele me defendia... Ter a certeza que o poder que eu tinha sob Oliver era o mesmo que ele tinha para mim, era assustador. Não tentei argumentar com o que ele disse, limitei-me a envolver sua cintura com os braços e abraça-lo enquanto ele precisasse de mim para ficar calmo, seus braços rapidamente me envolveram, e senti seus lábios na lateral da minha cabeça. Por um momento ficamos apenas abraçados, até que sua respiração se normalizou e percebi que estava mais calmo, alisei suas costas e beijei seu peito forte, sua mão envolveu meu pescoço posicionando-me para receber seus lábios em um beijo doce.

Sorri com o carinho com que ele podia agir após ter dito palavras tão fortes e ameaçadoras, o beijei de volta ciente de que deveria interromper o beijo, mas incapaz de fazê-lo no momento. Quando por fim criei energia para me separar dele seu rosto já estava mais sereno.

– Nós realmente precisamos nos arrumar. – Murmurei diante seu olhar que me dizia querer continuar de onde paramos. – Eu sinto falta de Roy, e queria tomar café com ele, já estamos um pouco atrasados. – Acrescentei. Ele assentiu ainda que contrariado.

– Nenhuma chance de levarmos isso para a ducha? – Perguntou com esperanças. Neguei enquanto um fazia uma careta brincalhona. – Eu odeio seu irmão. – Murmurou em tom de brincadeira antes de se afastar. Observei com interesse enquanto caminhava até o banheiro vestindo apenas uma cueca e um sorriso escapou de meus lábios. Até que fixei no que disse, eu queria que fosse apenas uma brincadeira, mas eu tinha quase certeza que Oliver não era nem um pouco fã de Roy.

POV OLIVER

Observei Felicity mover seus dedos inquietos em cima da mesa.

Estávamos em um café perto de onde Roy morava, o local foi escolhido por ele para o encontro, aparentemente seu irmão morava com o amigo de Helena que o havia dado abrigo e arranjado seu emprego na oficina e Roy não queria incomoda-lo. Esse não era um cenário que Felicity quisesse fazer revelações, por isso ela estava tão nervosa, cheguei a sugerir que nos encontrássemos no próprio hotel, mas Felicity não queria deixar Roy desconfortável e preferia que fosse ele que escolhesse o local.

Eu não poderia me importar menos com o conforto de Roy.

Eu evitava fazer comentários ácidos sobre Roy perto de Felicity, por que ela era louca pelo irmão, eu podia compreender, ele era seu único parente que havia restado, sua única família, e se não tivesse toda a situação de Felicity eu provavelmente me sentiria inclinado a ter simpatia pela história de Roy, a vida não foi fácil para o garoto também. Mas e Felicity? Quem ficou para protegê-la? Para defendê-la? Ele era muito novo sim, mas ela também era, ela assumiu todas as responsabilidades e encobriu todos os seus erros, tudo o que ela fez foi para protege-lo, então não, eu não estava ficando simpático com a situação de Roy, não agora, não enquanto eu não fosse capaz de sentir que Felicity estava completamente em paz consigo mesmo, não enquanto o sorriso em seus lábios fosse mais frequente do que apenas destinado a mim.

Voltando a encarar Felicity notei que ela ainda movia seus dedos tamborilando na mesa, seus dentes prendiam seu lábio inferior demonstrando claro nervosismo, resisti à vontade de interceptar o gesto e me limitei a colocar minha mão sobre a sua parando o movimento e tentando tranquiliza-la.

– Tudo vai ficar bem. – Murmurei prendendo sua atenção.

– Ele está atrasado. – Murmurou em resposta. – E olhe para esse lugar. – Apontou com a cabeça o local lotado. – Não há como eu falar sobre... Tudo em um lugar assim.

– Encontraremos um lugar. – Prometi. – Encontraremos um jeito.

– Eu gosto do Oliver positivo. – Sorriu. – Eu gosto muito desse Oliver. – Segurou meu braço o abraçando.

– Pensei que havia sido o Oliver machão e amargurando que tinha feito com que se apaixonasse. – Brincou.

– Hummm. – Meneou a cabeça em negativa, um sorriso por trás de seus olhos. – Esse Oliver me fez desejar arrancar suas roupas. – Sussurrou em tom baixo. – Esse Oliver soa como o amante perfeito. O Oliver que disse que não havia parte feia em mim, que me abraçou e abafou meu choro, que me pediu para deixar que cuidasse de mim e que disse que éramos um casal... Inferno esse Oliver me fez apaixonar como uma adolescente que conhece seu primeiro amor. – Inclinei minha cabeça encostando a sua, tínhamos passado por uma grande e longa transformação em pouco tempo. O que tínhamos sem dúvida nenhuma era intenso.

– Você está errada. – Murmurei em seu ouvido, ela me encarou com o cenho franzido, sua confusão estando óbvia em seus olhos. – Eu não sou apenas seu primeiro amor. Não há outros depois, eu sou o único, amor. – Vi seus olhos brilharem ao escutar a última palavra, eu não era de mostrar sentimentos, nunca fui, não era de apelidos carinhosos, e certamente não costumava dizer “Eu te amo” livremente, era assim que eu via que Felicity era especial, com ela a palavra apenas saia com naturalidade, e se eu teria essa resposta sempre que a murmurasse, então eu continuaria dizendo quantas vezes ela precisasse.

Pensei que ela ia dizer algo mais, que iria retrucar como costumava fazer, ou brincar sobre o assunto, eu sabia que por mais que Felicity retribuísse meus sentimentos ela ainda não ficava a vontade. Qualquer coisa que ela fosse dizer se perdeu quando seu olhar foi imediatamente atraído para o rapaz que entrava na lanchonete, seu olhar ansioso buscando por ela, Felicity se separou de imediato de mim, e ergueu-se o encontrando no meio caminho com um forte abraço. Assisti os irmãos se abraçarem e percebi que há muito tempo havia perdido isso com Thea, os últimos dias haviam se arrastado com nós dois tentando chegar um ao outro, mas com minha atenção em Felicity que havia acabado de perder sua amiga o contato não foi muito longe, e com Thea ajudando Felicity a partir definitivamente as coisas voltaram a ficar tensas.

Levantei-me quando os vi finalmente se aproximar da mesa e ergui minha mão, estava pronto para ignorar qualquer pensamento negativo sobre Roy, por hora. Ele me encarou com desconfiança, mas aceitou retribuindo em um aperto firme.

– Oliver Queen. – Murmurei. Ele deve ter percebido que eu não estava sendo muito receptivo por que seus olhos se estreitaram e encarou sua irmã com um olhar desconfiado, mas logo franziu o cenho parecendo me reconhecer.

– Eu me lembro de você, você estava com uma loira. – Murmurou. – No dia em que eu fui visitar Lis, vocês não era um casal? – Felicity comprimiu os lábios e encarou Roy sem paciência, ele a encarou dando de ombros. – O quê?

– Apenas sente e pare com bobagens. – Exigiu. Roy fez como pediu, mas sorriu com deboche para ela, ela por sua vez voltou para o assento ao meu lado.

– Eu sou seu irmão, eu preciso te proteger. – Brincou. A frase fez com que eu soltasse um riso irônico, foi pequeno, mas chamou atenção dos dois, Roy me encarou com desconfiança e um pouco de culpa. Felicity voltou a falar com ele tentando desviar sua atenção de mim.

– Eu espero que não estejamos atrapalhando seu trabalho. – Murmurou com seriedade, ele sorriu minimizando sua preocupação. – Eu sinto muito por você ter largado a faculdade.

– Está bem. – Respondeu concentrando-se nela. – Mas o que aconteceu Lis? Estava tudo bem e então Helena me liga me avisando que eu deveria sair de Central City o mais rápido possível, ela diz que você está bem, que ela está bem, mas não me dá mais do que meias palavras, diz que é só precaução, foi tudo muito confuso e agora ela sequer retorna minhas ligações. Eu estou preocupado. Por que ela não veio? Ela disse que me visitaria um dia. – Murmurou com certa esperança e até mesmo decepcionado. – Quando você disse que estava aqui pensei que ela também estava. – Observei o rosto de Felicity cair por uma fração de segundo e Roy notar sua mudança de humor. – Ela está bem?

–Roy muito do que vim conversar com você não pode ser dito aqui. – Confessou. – Precisamos de um lugar mais reservado, você poderia nos levar para um lugar assim?

– Por que não vamos para nosso hotel? – Sugeri. Roy a encarava cada vez mais perceptivo que nada estava bem, e eu podia perceber que ele estava prestes a jogar todas essas perguntas em cima dela, ele me encarou apenas brevemente antes de olhar para o rosto de Felicity.

– Podemos ir para a casa em que estou morando. – Sugeriu. – Essa hora meu amigo já deve ter saído, ele estava prestes a sair quando eu saí, não sugeri antes por que pensava que ele iria trabalhar em casa hoje, mas ele estava de saída, então...

– É uma boa opção. – Assenti, encarei Felicity esperando que ela mostrasse sua posição, mas desde o momento em que Helena havia sido citada ela estava mais introvertida, ela apenas assentiu e eu me apressei a me erguer segurando sua mão na minha, Roy nos fitou com interesse antes de liderar o caminho, ele estava de moto, fato que chamou atenção de Felicity que perguntou de quem era, ele disse que era da oficina, ele a estava melhorando, trocando algumas peças e que talvez o dono passasse para ele.

Quando chegamos ao pequeno apartamento Roy já parecia estar prestes a explodir, ele claramente estava preocupado e ainda sim também parecia temer sobrecarregar sua irmã com perguntas.

– A este ponto eu já percebi que nada vai bem Lis. – Roy murmurou quando Felicity olhou rapidamente para a sala apenas procurando alguns segundos de tranquilidade antes de tudo começar a ruir, no carro eu perguntei se ela queria que os deixasse a sós, mas ela negou, agora eu queria ir até ela e dar todo o suporte que precisava, mas ela parecia distante, então tudo o que fiz foi ficar o mais próximo possível. – O que aconteceu com Helena? Ela está ferida? Em algum hospital, se for assim eu quero vê-la.

– Ela não está em um hospital Roy. – Felicity murmurou quebrando o silêncio, não havia forma certa de abordar o tema, estava claro que Roy se importava muito com Helena, ele não suspirou aliviado como imaginei que faria, seu rosto congelou, os brilhos de lágrimas alcançaram rapidamente seus olhos.

– Ela está morta. – Roy falou com timbre rouco. – Você tem o mesmo olhar de quando me disse que nossos pais estavam mortos. Ela está morta. – Sua voz caiu à medida que assimilava as próprias palavras. Recuou até que suas costas bateram contra a parede e logo seu corpo caiu no chão encolhendo-se, sua cabeça abaixada contra os joelhos, senti-me mal, seus soluços eram altos, escutar seu choro era inquietante, Felicity havia se fechado com o seu pesar, Roy fazia o contrário, ele chorava abertamente, lamentava a morte de Helena com clara dor. Felicity se aproximou e envolveu os ombros de Roy o abraçando e tomando sua dor para si, suas lágrimas corriam livremente pelo seu rosto, eu me senti completamente desconfortável em vê-la chorar e não poder apenas dar um passo e toma-la em meus braços, protege-la da dor de se perder alguém importante, mas nesse momento Felicity não precisava de mim, talvez precisasse da minha presença no recinto, mas era do conforto de Roy que ela precisava, da dor compartilhada, apenas Roy saberia realmente expressar pesar pela morte de sua melhor amiga, por que apenas Roy havia amado Helena tanto quanto Felicity havia a amado. Eles não deram conta do tempo em que passaram abraçados, sequer eu saberia dizer ao certo, sempre parecia longo demais, por que não havia sido um abraço de reencontro, apenas um abraço de dor.

Quando finalmente se separaram e Roy se recompôs livrando-se do rastro das lágrimas com as mãos, como uma criança que está desesperada para encobrir seu sinal de fraqueza, Felicity veio até a mim, não resisti ao ato de limpar suas lágrimas suavemente. Roy a encarou agora com raiva, mesmo eu podia perceber que não era destinada a ela, apenas ao fato de que mais uma vez havia perdido a alguém que amava.

– Como? – Perguntou em tom rouco pelos soluços anteriores. – O que aconteceu?

– Há coisas que preciso contar primeiro Roy. – Sussurrou em tom fraco.

– Como? – Insistiu. – Por favor, diga-me que ela não morreu me protegendo. Protegendo a nós. – Murmurou. – Não diga que após tantos anos com você cobrindo, Ivo ainda estava fixado nessa maldita divida. Que tipo de dívida dura mais do que quatro anos? Nunca foi tão alto assim, eu entendo que se envolver com esse tipo de pessoas leva mais do que se tivesse pagando um eletrodoméstico qualquer, ou não sei, algo do tipo, mas eu era viciado Felicity e Ivo cobriu muito do que eu achava precisar naquela época, mas nunca deveria ter levado tanto tempo e nunca tanta violência, tanto foco em mim, eu sou muito pequeno em comparação as coisas que Ivo precisa lidar. Eu sei que algumas pessoas são simplesmente más, que não precisam de um motivo para ser, apenas gostam de ser, mas ainda assim... Por quê? Por que perder tanto tempo comigo?

– Por que não se trata de você. – Falei quando percebi que Felicity permanecia calada, ela estava atordoada com a reação de Roy, sua revolta. – Uma vez na vida para de olhar apenas para si mesmo. – Roy me encarou como se pela primeira vez notasse minha presença após sua ruptura.

– Oliver... – Felicity murmurou em tom de pedido.

– Não Felicity. – Murmurei deixando minha indignação tingir minha voz. – Eu entendo que ambos passaram muitas coisas, mas eu sempre vejo você falar que fez isso para proteger seu irmão, que ele ficou perdido quando perdeu seus pais, mas você perdeu seus pais também, você foi separada dele, você tinha os mesmos motivos para fazer exatamente o mesmo que ele, mas você não fez. – Encarei Roy com amargura. Dirigindo toda minha raiva pela situação de Felicity para ele. – Você foi fraco. Deixou-se ser protegido e ela passou por muita merda para isso. Não se trata apenas de você, por uma vez pare de achar que apenas você é capaz de sofrer, por que você não é. Helena morreu. O que você vai fazer agora? Talvez encontrar um novo traficante? Um novo vício. Algo em que possa se esconder. Por que é assim que você lida com a dor, você foge dela, nunca a enfrenta, você é um covarde e tudo o que aconteceu até hoje com Felicity é sua culpa. – Explodi. Senti a mão de Felicity encontrar meu braço e só então percebi que havia dados passos involuntários até Roy.

– Lis o que está acontecendo? – Roy perguntou confuso.

– Eu acho que é melhor eu e Roy termos essa conversa sozinhos. – Sugeriu encarando-me. Cerrei meus dentes enquanto buscava por controle, não devia ter sido assim, eu estava tentando seriamente sentir pena de Roy, eu queria me sensibilizar com ele, mas eu não conseguia. Olhando para Felicity que me encarava com um pedido nos olhos eu não pude fazer outra coisa se não assentir e sair da casa por alguns minutos. Eu poderia ter ficado em outro lugar da casa, mas eu precisava de ar e se eu escutasse um traço da conversa eu tenderia a ir em defesa de Felicity, mesmo se ela não precisasse, eu estava envolvido demais com ela para não fazê-lo, então saí da casa e me sentei no balanço enferrujado que estava no quintal, esperei que por Felicity, todos esses dias parecia que eu não fazia outra coisa se não isso, e o mais surpreende era que para melhor ou para pior, eu estava bem com isso.

POV ROY

Observei o namorado da minha irmã se afastar parecendo ter o peso de todo um mundo em suas costas. Ele realmente parecia preocupado com Felicity, a maneira que ele foi em sua defesa... Eu queria alguém assim para ela. Por todos esses anos me preocupei com ela, como ela estava se virando sozinha? Eu fui incapaz de ficar por ela, eu sempre fui o protegido de Felicity quando sempre desejei ser o contrário, era tempo de Felicity ser protegida, ela merecia isso.

Eu sempre desejei o melhor para ela e Helena, eu desejava que as duas fossem felizes, mas saber que Helena estava morta acabou comigo, me faz questionar se a felicidade é possível para pessoas como nós. Ela era muito nova, ela merecia o melhor, eu não era o melhor, então desejava que ela encontrasse alguém assim, não é mais possível para Helena. Eu não me importava comigo, mas desejava que pelo menos Felicity tivesse mais sorte, eu espero que esse tal de Oliver seja capaz de fazê-la feliz.

Algo nisso tudo me confundia, Oliver disse que não se tratava de mim, Felicity estava me escondendo algo e eu sentia que ia além da forma e do por que Helena morreu. Quando voltei a encara-la ela apenas me lançou um olhar com pesar, por um longo tempo apenas me encarou, eu podia sentir que sua cabeça estava a mil, ela estava procurando uma forma de me abordar e não sabia como, eu podia sentir seu medo de me desapontar, mas por quê?

– Felicity? – Chamei seu nome precisando que ela falasse algo e ainda assim temendo quando ela finalmente abrisse sua boca, Felicity não sabia como me dizer coisas que julgava terem o poder de me fazer perder a cabeça, mal sabia ela que a demora em contar, o suspense e finalmente a forma que soltava era pior. – Você pode me explicar tudo o que está acontecendo?

– Você perguntou como uma dívida “pequena” pode durar mais do que quatro anos. – Sua voz foi crescendo, como se tivesse finalmente tomando coragem de contar algo. – Acontece que esta dívida não foi paga com dinheiro, quer dizer dinheiro sempre esteve por trás, dinheiro sempre é o que move homens a ter decisões estúpidas. – Deu de ombros. – Mas esta dívida, sua dívida foi paga com uma obsessão, uma obsessão muito específica, a obsessão de Ivo por mim. – Engoli em seco quando ela concluiu encarando-me com medo, medo da minha reação.

Eu senti que todo o ar do meu corpo estava sendo tirado, eu sentia meus joelhos fracos só em imaginar o que isso significava, fui domado pelo sentimento de impotência e ultraje quando ela concluiu reunindo todo o seu fôlego para dizer suas últimas frases, tal como se confessasse um grande pecado.

– Por quatro anos eu vendi meu corpo. – Confessou. – Pelos últimos quatros anos eu fui uma das prostitutas de luxo de Ivo, até que conheci Oliver e ele me salvou, eu me apaixonei, então toda nossa vida se tornou uma bagunça, basicamente estamos vivendo um inferno e temos Ivo como diabo. Helena não morreu exatamente para nos proteger, ela morreu como forma de punição, a minha punição.

Notas finais
Espero que tenham gostado, e estejam ansiosos para a participação de Ivo que está chegando!! Espero vocês nos comentários... Xoxo LelahBallu.