Notas iniciais
Boa noite galerinha, sinto muito pela demora, mas meu tempo estar um pouco mais curto e estou dividindo ele com FS e Redenção, fora isso vou deixar o link de dois trailers que fiz nas notas finais se for do interesse de vocês e ainda não viram espero que gostem, são de EAV e Mr. Queen 2ª Temporada respectivamente. Agora deixo vocês com o novo capítulo de FS.

POV OLIVER

Desligo a televisão quando percebo Felicity se aproximando, ela me encarou apenas brevemente respondendo meu sorriso com um pequeno aceno, mínimo na verdade, quase imperceptível e se dirigiu a cozinha, ela não sorria, não havia razão para isso, havia se passado uma semana desde o enterro de Helena. O enterro havia sido muito simples e rápido, eu e Diggle a acompanhamos e apenas duas pessoas que conheciam Helena fora Felicity apareceram, a garota que eu já havia visto no antigo trabalho de Felicity e um homem que Felicity esclareceu ser o noivo de Helena, quando perguntado se Felicity queria dizer algumas palavras ela se negou, seu rosto sereno, expressão vazia.

Nenhuma lágrima foi liberada depois que a encontrei no apartamento de Helena, ela seguia segurando suas emoções, as guardando para si, entretanto quando todos já haviam ido e estávamos prontos para partir ela pediu um minuto a sós, eu presumo que ela se despediu, eu nunca saberei quais foram suas palavras de despedidas, eu não perguntei, não parecia certo. Principalmente por que eu sei que no que se refere a isso ela precisa de sua privacidade, mas seja o que for que ela disse não teve o poder de deixa-la mais tranquila, ela retornou com a expressão carregada e um olhar determinado, agora eu a vigiava mais do que nunca, por que nesse momento Felicity é uma bomba relógio, eu não sei quando ela vai explodir, não sei o estrago que pode trazer, não sei se conseguirei desarma-la, ou se poderei me recuperar depois que ela explodir, por que eu sei que sua explosão significaria sua partida, e eu não estava pronto para isso. Não sabia se algum dia eu estarei.

Levantei-me determinado a acompanha-la e a observei caminhar até a mesa e encher um copo com suco apenas até a metade, eu sabia que esse seria seu alimento até o almoço onde eu insistiria para que ela comesse algo, a única razão de estar tomando esse suco era por que sabia que eu a estava observando. Essa vinha sendo nossa rotina durante toda a semana, ela mal comia, mal falava comigo, mal reagia. Desde a morte de Helena vinha se fechando cada vez mais, os únicos momentos em que ela se deixava levar era a noite quando eu a abraçava e relutante se entregava ao sono, eu queria que ela falasse comigo, manter tanta angustia e tristeza apenas para si não deveria ser bom, mas por mais que eu desejasse isso eu não conseguia encontrar uma maneira de arrancar isso dela, eu não sabia como amenizar sua dor, por que ela tinha perdido sua melhor amiga, aquela que tinha passado pelas mesmas coisas que passou, não havia uma maneira certa de abordar esse tema.

– Hey. — Murmurei suavemente enquanto me sentava em sua frente, ela me encarou com um pequeno sorriso que não chegava a seus lábios. Ela estava tentando parecer que estava bem, ela queria me deixar tranquilo, mas ela não conseguia. — Felicity. — Chamei-a segurando sua mão, seus olhos desviaram-se dos meus e pude notar que resistia ao impulso de afastar sua mão da minha. — Fale comigo. — Pedi cansado de estarmos andando como se o chão tivesse cheio de cacos de vidro. Cautela não ia ajudar mais, haviam tantos que não poderíamos mais desviar dos cacos, tudo o que podíamos fazer era pisar com firmeza e limpar as feridas depois, eu gostaria de carrega-la em meus braços e evitar com que se machucasse, mas ela não parecia disposta que eu fizesse, queria tomar sua dor para mim, mas isso era impossível. — Felicity? — Chamei sua atenção, sua mão por fim saiu debaixo da minha e encarou a entrada da cozinha como se cogitasse quão rápido poderia correr. – Não faça isso Felicity, não se feche. Dei-me entrar. — Meu pedido teve o poder de acionar um botão nela, de trazer uma risada curta e sem humor vindo de sua garganta.

– Te deixar entrar? – Repetiu com um sorriso cheio de escarnio. – Por que você acha que ela está morta? Por que você acha que sara quase morreu? Por que Oliver? – Sua voz se elevou deixando-me sem saber ao certo como reagir ao seu ataque. – Cada maldita coisa aconteceu no minuto em que eu o deixei entrar Oliver. – Agradeci internamente por Thea ter resolvido dormi na casa de Sara ontem e ainda não ter chegado, por que pelo o que parecia o relógio tinha zerado e a Felicity finalmente ia explodir.

– Felicity. – Murmurei enquanto erguia uma mão tentando acalma-la. – Eu entendo que esteja irritada.

– Irritada? – Perguntou incrédula. – Irritada, decepcionada, angustiada, aflita, confusa, frustrada, triste, culpada e com ódio. – Murmurou meneando a cabeça. – São tantos sentimentos Oliver, são tantas emoções juntas, borbulhando dentro de mim que eu não sei dizer como ainda estou sã. Eu não sei o que está me mantendo em pé, eu não entendo por que eu ainda estou aqui. – Confessou. Ela levantou-se a cabeça baixa, estava em busca de controle, eu queria conversar, mas nesse exato momento eu não sabia o que dizer, eu não sabia como consola-la. – Eu sei o que você está pensando. Que não é justo eu acusa-lo pelas coisas ruins que estão acontecendo, não quando eu devia estar acostumada a coisas ruins acontecendo comigo.

– Eu não estou pensando nisso. – Neguei. Mas ela não parecia me escutar sua cabeça agitando de um lado para o outro. – Não Felicity, me escute!

– Eu não quero escutar você! — Gritou. – Eu não posso escutar você agora Oliver. – Seu tom diminuiu ao dizer meu nome. Seus olhos fecharam-se brevemente. – Você me faz fraca. – Meneei a cabeça não aceitando o que dizia. – Sim, você me faz. – Repetiu. Ergui-me e me aproximei dela em poucos passos enquanto era sua vez de negar com a cabeça, envolvi seus ombros com ambas as mãos e a aproximei de mim. – É verdade. – Continuou falando. – Você me faz fraca, você chega e coloca tudo o que eu acreditava, tudo o que eu sempre costumava ser, tudo o que sou no chão. – Sua voz tremeu enquanto dizia. Escutei o que dizia mesmo não querendo, por que sentia que ela precisava ser ouvida. Enterrei meu rosto em seu pescoço e a abracei. – Eu passei por muitas coisas Oliver, você não sabe metade do que vivi, mas eu sempre fui, ou ao menos costumava ser antes uma garota forte, eu precisava ser, mas você chegou e fez com que eu quisesse jogar todos os meus problemas em suas costas, fez com que eu pensasse em ter meu próprio herói, alguém que se importasse comigo, eu costumava não precisar de ninguém, mas agora eu dependo de você, eu sou fraca.

– Não há nada de errado em ter alguém com quem compartilhar seu fardo. – Murmurei em sua pele. Ergui minha cabeça, meus olhos encontrando os seus. – Eu quero ser esse alguém, você não é fraca Felicity, você é forte, mais forte do que qualquer pessoa que eu já conheci, estar comigo não faz de você fraca, você e eu não somos um sinal de fraqueza, somos fortes. – Falei em tom firme. – Por que você me empurra a ser forte. Eu quero proteger você.

– E quem ficou para proteger Helena? – Perguntou em um fio de voz.

– Eu sinto muito. – Murmurei envolvendo com uma mão o seu rosto, mesmo no limite das emoções Felicity ainda era incapaz de derramar uma lágrima, mesmo falando de sua amiga ela não conseguia. – Eu sinto muito que tenha perdido sua amiga...

– Você não entende. – Falou me afastando de sim empurrando meu peito. – Eu não a perdi, não nos desencontramos, não estávamos em um show e ela soltou minha mão, eu não a perdi, tiraram ela de mim, mataram ela. – Falou com raiva. – Eu sei quem é seu assassino, você sabe quem é, mas não podemos acusa-lo, por que ele fez o que pôde para parecer que foi suicídio!

– Ela estava drogada Felicity. – Murmurei com pesar. – Encontraram drogas em seu sistema, ninguém acreditaria que foi homicídio.

– Ela não estava drogada! – Negou.

– Fizeram exames...

– Você acredita nisso?! – Perguntou incrédula.

– Eu não estou dizendo que acredito. – Argumentei. – Estou lhe dizendo as razões por que os policiais nunca acreditaria em assassinato, ela tem histórico com droga, ela foi encontrada em sua banheira com os pulsos cortados, e ela estava drogada...

– Armaram para ela. – Falou em tom duro. – Ela tem histórico com drogas?! Sim ela tem, de que outra forma você acha que ela aguentou tantos anos com Ivo? Antes que eu chegasse Helena não tinha ninguém Oliver, ela só tinha as drogas para recorrer, para esquecer e a consolar, sabe o que eu tinha? Quem eu tinha? Eu tinha Helena. Não ouse dizer que ela estava drogada. – Prosseguiu quando tentei me aproximar novamente, ela se afastou mais alguns passos e se abraçou. – Ela jamais voltaria a se drogar, ela perdeu um bebê, seu corpo estava destruído, as chances desse bebê nascer com vida eram mínimas e quando ela o perdeu soube que não poderia mais ter filhos, ela jurou pelo seu filho que nunca teve a chance de nascer que jamais voltaria a se drogar, ela não se drogou! Você não a conhecia. – Assenti percebendo que nesse momento qualquer coisa que eu falasse seria pior.

– Tem razão, sinto muito. – Estendi minha mão lhe dando a chance de aceitar, não queria pressiona-la. – Por que não chamamos Diggle e saímos um pouco? Você esteve trancada aqui todos esses dias.

– Oliver. – Seus olhos me analisaram com tristeza. – Você sabe o que vem a seguir.

– Eu não aceito isso. – Falei com firmeza.

– Eu preciso ir embora.

– Não! – Gritei.

– Não é uma opção. – Retrucou. – Qualquer um que próximo a mim é um alvo. Eu não colocarei um alvo em suas costas.

– Não me importa. – Falei sem sequer considerar a possibilidade. – Você não vai embora. O que pretende fazer? Quer fugir? Ou voltará para Ivo? Você não vai embora Felicity, isso não vai acontecer! Você não se afastará de mim. – Eu sabia que estava soando desesperado, mas inferno eu estava!

– Eu não entendo. – Meneou a cabeça em negativa, dessa vez foi ela quem se aproximou parando apenas poucos centímetros de distância. – Não é apenas sobre nós dois, não existe apenas eu e você, e mesmo que fosse ainda assim essa seria a melhor opção. – Ela já havia tomado sua decisão, ela estava decidida em ir embora, ela não estava me perguntando, ela estava avisando. – Nós tivemos essa conversa antes Oliver, você me pediu para eu não simplesmente ir embora sem dizer nada, é isso que estou fazendo.

– E eu me lembro de ter deixado claro que eu não deixaria você ir. – Falei ríspido. – Nunca.

– Eu não estou fazendo isso por que quero, mas estamos encurralados. – Explicou. –Deixa-lo não é uma coisa boa para mim. Poucas coisas boas acontecem em minha vida, eu sei que eu devia estar acostumada a isso, eu estava. Mas então eu te conheci e tudo o que conhecia do mundo, do meu mundo, tudo mudou. – Vê-la falar isso era muito para mim, afastei-me levando minhas mãos à cabeça enquanto a escutava, meu corpo estava desconectado de minha mente. Eu estava furioso, uma fúria mesclada a desespero. Por tudo o que vinha acontecendo com ela, por tudo o que tinha suportado e continuava suportando, por Ivo mais uma vez sair ganhando. Pelo o que significava o que ela dizia. — Você veio e bagunçou tudo, eu estava acostumada com coisas ruins acontecendo comigo, eu não esperava que nada de bom acontecesse, até que você apareceu. E eu sei que somos um casal que não era para acontecer, eu sei que fui relutante, mas em algum momento eu deixei todos os meus conceitos de lado, eu mudei a noção do que era bom para mim, e coloquei em minha cabeça que ter você era algo bom, mas como isso pode estar certo? – Eu sabia o que estava acontecendo aqui e eu queria bloquear isso, ela estava se despedindo, estava explicando por que estava fazendo isso, e eu não queria ouvir uma maldita palavra. — Ivo está esperando o momento certo para fazer algo muito ruim com você, sua melhor amiga quase morreu por minha culpa, minha melhor amiga morreu. Tudo por que nos envolvemos, o que temos não deveria ser bom. – Apoiei minhas mãos na parede tentando me concentrar. — Todas essas coisas aconteceram por que nos envolvemos. Eu não entendo como você não quer que eu vá embora, eu não entendo como você ainda não desistiu de nós. Por que você não desiste Oliver? Por que você não desistiu de nós? Por que você ainda não desistiu de mim? – Perguntou exasperada.

– Por que eu te amo! – Apenas quando me afastei da parede e me virei, apenas quando encarei seu olhar chocado, sua postura rígida foi que percebi que havia elevado à voz. – Eu não vou desistir disso. – Falei mais calmo. – Eu passei muitos anos negando-me a sentir qualquer emoção além do ódio e desprezo pelas pessoas, eu não confiava em ninguém, eu levantava todos os dias e seguia uma rotina fria que havia criado para mim, eu mal vivia Felicity, eu apenas seguia um roteiro, eu era um pedaço de merda, então eu a conheci em uma maldita festa, eu a persegui, a minha própria maneira me tornei obcecado, e agora que eu tenho você, agora que você me mudou... – Respirei fundo. – Eu não posso desistir disso. Quer você goste ou não, independente de que em um mundo perfeito jamais nos envolveríamos... Eu não importo se Ivo é um psicopata totalmente obcecado com você, eu não me importo, eu te amo. E eu não vou desistir isso. – A encarei esperando que ela falasse algo, qualquer coisa que demostrasse que havia me entendido, mas tudo o que ela fazia era me devolver o olhar , ela estava perplexa, o que era ridículo, não havia uma ação minha nos últimos dias que escondesse meus reais sentimentos por Felicity, muito além da luxúria e da paixão. – Felicity? – A chamei inquieto, ela balançou a cabeça vagarosamente. Sua reação me confundia.

– Eu... Eu só... – Murmurou incoerente. Antes que ela pudesse falar mais alguma coisa o som da porta sendo fechada fez com que nos surpreendêssemos. Segundos depois Thea entrou na cozinha e nos encarou desconfiada, ela não havia dito, mas sua razão para a visita a Sara era por que o clima aqui tinha ficado tenso demais, Sara ainda não podia sair de casa, então não pôde visitar Felicity que se negava a sair do apartamento. Tudo o que Thea sabia era que uma pessoa próxima a Felicity havia morrido, ela não entrava muito no assunto por que por que parecia entender que Felicity não queria falar sobre isso.

– Está tudo bem aqui? – Perguntou estreitando os olhos. Trinquei os dentes e assenti sem muita convicção. – Ok... Ollie eu não sei o que está errado com o seu celular, mas me ligaram da QC procurando por você.

– Eu não vou hoje. – Falei brusco.

– Eu acho que você deveria. – Falou sem se alterar. – Isabel está aprontando algo, sua assistente tentou te ligar inúmeras vezes, você precisa ir a QC, não é uma escolha.

– Eu não posso ir. – Repeti.

– Ouça, eu não sei o que há entre vocês. – Falou parando no meio da cozinha, ficando entre nós dois, eu não havia percebido o quanto havíamos nos afastado até que Thea fez isso. – Eu sei que vocês escondem muita coisa de mim, eu tenho esperado com paciência que um dos dois converse comigo, provavelmente Oliver já que o tempo que nós duas nos conhecemos é muito pequeno, mas seja o que for eu sei que a razão de você não querer ir é por que não quer deixa-la sozinha. – Encarou-me. – Você não precisa se preocupar, ela não estará sozinha, nós dois ficaremos com ela. Sr. Diggle foi me buscar na casa de Sara, como se Tommy também não estivesse com dois cães de guardas, a preocupações de vocês com nossa segurança está me assustando. – Confessou. – Mas você pode ir. Sr. Diggle está na sala e eu estarei fazendo companhia a Felicity.

POV FELICITY

Encarei Oliver enquanto ele ainda com relutância assentia concordando com sua irmã. Thea me lançou um olhar curioso, mas foi em Oliver que me concentrei, eu ainda estava em choque com suas palavras, eu sabia que o que sentíamos era bem intenso, e eu sabia muito bem o que eu sentia, mas saber que Oliver me amava, ouvir que ele me amava era muito. Em outras circunstâncias eu estaria comemorando exultante, eu o abraçaria, correria para os seus braços e me lançaria neles afirmando que também o amava, mas nessa circunstância sua declaração era uma sentença.

– Não tente nada estúpido. – Pisquei voltando à realidade ao perceber que Oliver falava comigo. – Apenas me espere, vamos conversar, eu sei que posso te convencer, apenas me espere Felicity. – Pediu. Assenti automaticamente e o observei dirigir a palavra a Thea. – Ela vai pedir sua ajuda, ela vai argumentar e tentar te convencer a ajuda-la. – Thea o encarou incrédula. – Ela será convincente, irá apelar para tudo o que você se importa, haja o que houver, seja qualquer coisa o que ela diga, não importa se você concorda ou não, não a ajude a ir embora.

– Estamos a prendendo contra sua vontade? – Pelo tom eu sabia que Thea não gostava de sua tarefa.

– É para o bem dela. – Argumentou. – Faça por mim. – Pediu. – Não ajude em nada, impeça qualquer tentativa sua de ir embora, não a deixe ir, apenas até eu voltar. – Concluiu olhando para mim, então voltou seu olhar para ela. — Você pode fazer isso por mim? – Foi à vez de Thea acenar com relutância enquanto concordava.

Suspirei enquanto o observava se afastar, estava tão certo que logo voltaria que não se preocupou em vestir um de seus ternos, saí da cozinha pegando a breve conversa entre Diggle e ele. Diggle assentiu me encarando e Oliver me lançou um último olhar antes de ir, esse olhar teve o poder de arrancar meu fôlego, um olhar carregado de tanta intensidade, um olhar que agora eu sabia e podia descrever repleto de amor. Respirei fundo afastando-me e dando costas a ele enquanto ia para o quarto.

Sentei na cama enquanto procurava em minha mente alguma solução, um terceiro caminho, algum que não significasse ter de deixa-lo, mas nada vinha em minha mente, eu não sabia dizer se era o desespero falando, o luto ou apenas estupidez, eu não conseguia enxergar outra alternativa, levantei-me dessa vez indo até o guarda roupas e pegando a mochila que tinha me acompanhado no dia em que eu vim aqui, o dia em que eu havia fugido de Ivo e havia buscado por Oliver, algumas coisas continuavam lá, como um pouco de dinheiro que havia separado no dia já que eu só estava decidida a vir até ele depois de conversar com Helena. Pensar em Helena nesse momento só fez com que eu estivesse mais decidida a isso, juntei alguns pares de roupas e o mais essencial, coloquei a mochila aos pés da cama e procurei nas gavetas por papel e caneta, era covarde fazer isso, mas eu precisava, quando os achei sentei na pequena mesa onde Oliver costumava tomar seu café enquanto lia o jornal e passei a escrever.

Meia hora depois quando eu já estava de volta à cama, sentada no centro dela, batidas suaves na porta me fez entender que se tratava de Thea antes mesmo que ela entrasse no quarto.

– Olá? ! – Seu comprimento saiu com um tom de pergunta devido ao seu receio de como me abordar. Entrou hesitante no quarto e parou em minha frente os braços cruzados. – O que está acontecendo?

– Demorou mais do que eu esperava. – Comentei.

– Bem a determinação do meu irmão em afirmar que você tentaria a todo custo me convencer de ajuda-la a fugir fez com que tivesse certo receio em aparecer aqui. – Confessou. – Na verdade eu só estou aqui agora por que Diggle me pediu que checasse como você está.

– Ele pediu para você ver se de alguma forma eu havia conseguido abrir a janela do quarto e fugido pela escada de emergência. – Retruquei. – Eu teria, caso ele não tivesse selado dias antes. – Ela piscou confusa. – Você não sabe por que seu quarto deve ser o único que não fizeram isso, apenas para aparentar normalidade, veja bem Thea eu não os culpo, já coloquei Sara em problemas uma vez por que consegui escapar da vigilância de Diggle, meti ele em problemas com Oliver também.

– Por que você quer ir embora? – Perguntou cada vez mais confusa. – Eu pensei que você estava apaixonada por ele.

– É por que eu estou apaixonada por ele que quero ir embora. – Argumentei.

– Nada disso faz sentindo. – Murmurou.

– Eu sei. – Concordei. – Mas fará quando eu te contar uma história, a minha história. – Ela me encarou franzindo o cenho. – Então você não só entenderá do por que iriei fugir, como você me ajudará com isso.

– Eu não...

– Você irá. – Afirmei com certeza. – Por Oliver, e por Connor. – Seus olhos se abriram surpresos. – Eles estão em perigo Thea, incluindo você, eu vou explicar por que. – Suspirei. – Mas antes quero que você me prometa que entregará isso a Oliver. – Peguei a carta que estava ao meu lado e me ergui saindo da cama, parei em sua frente e coloquei em sua mão que havia se erguido para receber a carta automaticamente.

– Eu não vou entregar sua carta, por que eu não vou te ajudar. – Falou com convicção.

– Sim, você vai. – Não pude deixar de notar que apesar das suas palavras ela seguia segurando o envelope. – A minha história é um pouco longa Thea, não disponho do tempo para conta-la detalhadamente, então farei um breve resumo, mas tudo começa com você precisando saber de algo que geralmente me faz querer vomitar. – Seus olhos me analisavam com expectativa enquanto aguardava o que eu iria revelar. – Eu sou uma prostituta, ou pelo menos costumava ser.

POV OLIVER

Entrei em casa com a sensação de alívio me dominando, a chamada da QC não era nada urgente, minha nova assistente não estava acostumada com as falsas ameaças de Isabel e ao primeiro sinal de problema me chamou, isso me deixou muito irritado, eu não podia lidar com problemas pequenos da empresa agora, eu precisava lidar com Felicity, que era a razão por eu estar aliviado agora, demorou mais do que eu esperava, mas entrando em casa significava que eu poderia voltar a conversar com ela e convence-la a ficar, eu estava um pouco apreensivo também por ela não ter esboçado nenhuma reação quando eu disse que a amava, mas isso era uma preocupação para o outro dia. Encarei Diggle sentado no sofá assistindo TV com falso interesse, eu sabia que ele gostava de aparentar casualidade para deixa-la mais a vontade, melhor parecer um amigo que estava visitando do que um segurança ou alguém que a matinha presa dentro de casa, o que infelizmente ele era hoje.

– Ela está... – Perguntei com certo receio.

– No quarto. – Explicou. – Não saiu de lá desde que você partiu, eu pedi para sua irmã ver como ela estava e quando ela voltou disse que Felicity estava aborrecida e que tentou convence-la a ajuda-la, mas se conformou quando ela se negou.

– Obrigado. – Murmurei sincero, eu sabia que Felicity tentaria envolver Thea nisso, e temi que por um momento minha irmã cogitasse a possibilidade de ajuda-la, mas saber que Thea tinha falado da tentativa de Felicity e que tinha se negado a apoia-la me tranquilizou. Abri a porta do quarto e surpreendi-me ao encontrar Thea sentada na cama.

– Hey. – Sorri. – Ela está no banheiro? – Perguntei notando sua ausência.

– Ollie...

– John me falou que ela tentou convence-la. – Murmurei sentando-me ao seu lado. – Eu sei que as coisas nem sempre foram fáceis entre nós dois Thea, mas eu fico grato por você não tê-la ajudado. – Conclui tocando seu ombro, olhei para a porta do banheiro trancada e voltei a encara-la. – Você poderia nos deixar a sós? Eu preciso conversa com ela. Ela está confusa com muitas coisas, ela acha que a solução para alguns de nossos problemas é não ficarmos mais juntos, mas ela precisa de mim, eu preciso falar isso a ela. Então você po...

– Ela foi embora. – Thea me cortou. Minha mente se quebrou em mil pedaços fazendo com que eu mal pudesse acompanhar o que ela dizia. Felicity havia ido embora. – Eu sinto muito Ollie, ela me contou tudo, Ivo, a morte de sua melhor amiga, o ataque a Sara... Ela me contou tudo, desculpe, mas eu não posso deixar de pensar em seu filho, uma criança não pode correr esse risco... Como você não pensa em seu filho?

– Meu filho não corre nenhum risco. – Murmurei em tom brusco enquanto me erguia. – Connor é filho adotivo de Sebastian Blood, prefeito da cidade, Ivo é seu braço direito, não importa o quanto ele deseje me fazer sofrer ele não levaria isso até o filho de Sebastian, ele matou Helena que não tinha ninguém fora Felicity e seu irmão para chorar e ir atrás, seu noivo acha que ela se matou, matar Helena não foi um risco para Ivo, Connor é uma peça que ele jamais iria utilizar. Você acha que eu não pensei em tudo, mas eu pensei, eu sei os riscos que eu corro, eu sei até onde estou disposto a ir por ela.

– Ollie...

– Pare. – Exigi. – Eu não quero suas desculpas, eu não quero seu arrependimento, eu quero saber onde ela foi! – Thea se encolheu ao escutar minha voz se elevar. Meneei a cabeça tentando amenizar meus pensamentos, mas eu via tudo vermelho. – Diggle! – Gritei o chamando, dentro de poucos segundos ele entrou no quarto em postura defensiva. – Prepare o carro, vamos atrás de Felicity. – Ele encarou Thea com descrença e assentiu saindo com urgência. – Fique aqui. – Ordenei antes de lhe dar as costas.

– Espere. – Chamou-me.

– Eu não tenho tempo para isso agora Thea. – Murmurei tentando me acalmar.

– Ela me fez prometer que lhe entregaria isso. – Murmurou me contornando. Um envelope pardo que eu não havia notado estava em uma de suas mãos, fechei os olhos imaginando o conteúdo da carta e balancei a cabeça em negativa, eu não queria ler sua despedida.

– Eu não quero. – Neguei. – Ao inferno com essa carta. – Praguejei.

– Ela imaginou que diria isso. – Confessou. – Ela também me fez pedir “por favor”, leia Oliver, você poderá não mais encontra-la. – Segurou meu braço com delicadeza. — Todos nós merecemos a chance de dizer adeus.

Segurei a carta nas mãos mesmo a contra gosto, Thea saiu do quarto em silêncio deixando-me sozinho com o sentimento de abandono enquanto abria o maldito envelope.

Hey Oliver,

Você precisa me desculpar com minha falta de tato, mas eu nunca antes fiz uma carta, então eu estou começando com um “hey”, que é absurdamente ridículo e impróprio, mas nunca antes tive que me despedir através de uma, honestamente eu nunca tive a oportunidade de me despedir de alguém, não dos meus pais, não de Roy que sempre esteve indo e vindo ao ponto de que eu nunca sei se é uma despedida, não de Helena, eu nunca tive a oportunidade de dizer adeus alguém. Eu sinto muito se a primeira vez que posso acaba sendo a última pessoa a quem eu queria dizer.

Eu sinto muito por estar fazendo isso através de uma carta, é rude e covarde, eu sei disso, mas você deve saber que de outra forma eu jamais seria capaz de deixa-lo, eu não tenho dúvidas de que você me convenceria a ficar, principalmente por que eu nunca quis partir, nunca duvide disso, eu não estou procurando a saída mais fácil, apenas não existe outra, não uma em que você e eu possamos ficar juntos. Então eu estou indo embora, não por que eu quero, eu jamais desejaria estar afastada de você, mas por que me importo demais para apenas esperar o momento em que eu te perderei, eu não quero ter que lhe dizer adeus em um cemitério, eu não quero me despedir de uma memória, eu não quero e não vou perdê-lo.

Eu estou partindo, mas não o estou perdendo, há uma diferença para mim. Com minha partida eu posso desejar uma série de coisas que minha presença iria atrapalhar. Eu quero que você seja feliz, eu quero que você arranje as coisas com Thea, sei que atrapalhei o progresso de vocês dois ao envolvê-la nisso, mas você precisa perdoa-la, confie em mim, você precisa de sua irmã. Eu também quero que você possa ser o pai de Connor sem ter que esconder isso de ninguém, você merece uma família, e ele é uma criança sortuda em tê-lo como pai. Separe-se de Isabel, eu não entendo como esse divorcio ainda está sendo protelado, mas você precisa se livrar de todas as coisas que envenenaram seu passado, não deixe que atinja seu futuro.

Eu desejo muitas coisas boas para você, por que eu juro por todos aqueles que eu já perdi (sim estou usando essa palavra feia apesar de ter gritado com você mais cedo), eu juro por todos eles que você foi a melhor coisa que já me aconteceu, saber que fui amada por você fez com que muitas das minhas antigas feridas fossem cicatrizadas, eu não o mereço, não mereço que nunca desista, você é bom demais para mim. Você é. Thea e Sara me falaram certas vezes que você apenas usava as mulheres, que você não era bom com elas, sei que começamos com o pé esquerdo e eu tive um pouco de sua frieza, de sua forma de defesa, mas tenha certeza que você não foi outra coisa para mim do que bom. Você não é um pedaço de merda senhor, você é um ser humano incrível. Eu te disse uma vez que você não era meu herói, eu estava tão enganada, perdida em meu próprio tormento não percebi o momento em que você me salvou, por que você me salvou, você resgatou minha alma, eu achei que jamais seria capaz de me apaixonar, de amar alguém, você arrogante como é teve que provar que eu estava errada.

Eu te amo. Se algo que sou grata é por você ter me permitido isso, eu te amo Oliver, de uma forma que não deveria ser possível, que não deveria existir, você está em minha corrente sanguínea, em todo o meu sistema, não há forma disso desaparecer, então acima de tudo o que eu já disse essa é a mais importante, eu queria ter certeza de que você soubesse, eu te amo e isso nunca poderá ser diminuído ou alterado. Por favor, me perdoe.

Sempre sua,

Felicity.

Fechei os olhos enquanto as últimas palavras de sua carta dançavam em minha mente, engoli o nó em minha garganta sentindo que seria sufocado pelo sentimento de perda. Eu a havia perdido, eu havia perdido minha Felicity.

POV FELICITY

Parei em frente ao túmulo enquanto encarava as letras tristes que diziam que se tratava de minha melhor amiga ali. Respirei fundo reunindo o máximo de coragem que eu tinha e ajoelhei-me em frente à lápide deslizando os dedos por cima das letras do ano de seu nascimento e terminando no de sua morte.

– Eu sinto muito pela última vez que estive aqui. – Murmurei após um suspiro. – Eu não fiz mais do que ficar em silêncio e eu sei o quanto você odeia o silêncio, devo ter te irritado muito. – Soltei um sorriso triste. – Sabe o que mais? Acho que o que vou te contar agora vai te deixar muito puta, eu vim aqui te dizer adeus, mas isso não a irritaria, a demora em me despedir sim, mas o que vai torna-la furiosa ao ponto de que eu acho que terei meu pé sendo puxado hoje a noite é que eu acabo de dizer adeus a Oliver também. – Confessei em um fio de voz. – Eu sei o que você está pensando, eu sou uma estúpida, não se dá adeus a um homem bonito e rico como Oliver, palavras suas é claro e cheias de tons brincalhões, por fim você se tornaria séria e diria que não se despede de alguém que disse que te amava daquele jeito. – Tomei um tempo antes de voltar a falara voz saindo cada vez mais fraca. — Ele disse que me amava Helena, ele me ama. – Falei encantada. – Eu não achei que isso seria possível. Sabe qual foi meu primeiro pensamento quando finalmente a ficha caiu? “Preciso contar a Helena”, eu queria ir até seu apartamento e te contar, apenas ligar e escutar sua voz quando dissesse que já estava na hora, mas isso não é mais possível não é? Por minha culpa. Eu sinto tanto. – Sussurrei enquanto lágrimas que eu vinha segurando todo esse tempo desciam por meu rosto, eu não queria que Oliver me visse chorando, eu não queria que ele sentisse minha tristeza, por que era muita. – Era para você se casar, você deveria ter uma vida longa e feliz, você deveria ter tido uma vida feliz Helena, você foi minha melhor amiga, melhores amigas compartilham tudo, tristeza e felicidade, ambas sabemos o quanto compartilhamos de tristezas, por que não podemos compartilhar de felicidade, onde está à justiça nisso? – Perguntei com revolta. – Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas? Não faz sentido. – Deixei minha cabeça cair enquanto o choro tomava conta de todo o meu corpo, não havia mais controle, tinha sido tirado de mim, deixei que minha dor dominasse meu corpo enquanto tremia e soluçava. Demorou mais do que eu que eu queria para recuperar o controle, mas em um determinado momento as lágrimas haviam secado, limpei com o dorso da mão o rastro que as últimas deixaram e me levantei. – Adeus Helena, você sabe que eu não acredito em um Deus, não depois de tantas coisas, mas você acreditava, então espero que ele tenha ao menos a decência de garantir um lugar legal para você já que a tirou de mim.

Encarei por mais alguns segundos a lápide e fechei os olhos enquanto tentava trazer uma última lembrança sua... Qualquer uma que não fosse à do dia em que a encontrei. Abri meus olhos quando escutei o som de um sapato deslizar por cima das pedras, segurei o fôlego quanto aguardava sua próxima ação, desde o momento em que saí do apartamento de Oliver eu sabia que duas coisas podiam acontecer, eu poderia ir embora, me despedir de Helena e conseguir fugir, ou Ivo me encontraria interrompendo minha fuga, eu estava preparada para isso. Eu estava pronta para qualquer alternativa em que o afastasse de Oliver, reuni minha última reserva de coragem e me virei para encara-lo, apenas para me surpreender ao deparar com olhos azuis que tinham feito eu me apaixonar perdidamente por ele.

– Oliver. – Sussurrei, minha voz sequer parecia ser minha. – Como você me encontrou?

– Algo que Thea havia dito e que você mesma citou em sua carta. – Falou se aproximando e parado em minha frente. – Ela disse que todo mundo merece a chance de dizer adeus, e você nunca tinha dito a Helena não é mesmo? – Sua pergunta era apenas retórica. Ele não queria e não ia esperar minha resposta, seu olhar se desviou para a lápide atrás de mim, e então voltou a me encarar. – Eu não sei quanto a Helena, mas eu nunca me dei bem com despedidas, eu não as aceito. – O encarei petrificada enquanto ele se aproximava ainda mais, seus olhos analisando meu rosto com atenção. – Você não pode dizer que me ama e ir embora, não é assim que funciona, amor.

Notas finais
Então pessoal espero que tenham gostado, deixo aqui os links dos quais falei. *Entrando em Apuros em Vegas: https://www.youtube.com/watch?v=Hs-JLGPXjeE *Mr. Queen - 2ª Temporada: https://www.youtube.com/watch?v=36fZXlxvgOU Vejo vocês no comentários, espero que tenham gostado. Xoxo LelahBallu.